Wednesday, July 26, 2006

Piratas do Caribe 2 - O Baú da Morte (Pirates of the Caribbean - Dead Man's Chest, 2006)



Quando “Piratas do Caribe – A Maldição do Pérola Negra” estreou em 2003, ninguém acreditava que o filme pudesse ser um sucesso. Em primeiro lugar, pois o filme é baseado numa das atrações mais chatas dos parques da Disney. Em segundo lugar, porque o produtor Jerry Bruckheimer entregou o comando do filme para o diretor Gore Verbinski, que possui uma filmografia irregular. No entanto, “Piratas do Caribe – A Maldição do Pérola Negra” contrariou todas as expectativas e se tornou um grande sucesso – muito em parte por causa de Johnny Depp. A performance um tanto afetada do ator como o Capitão Jack Sparrow conquistou o carinho do público e da crítica, rendeu ao ator a sua tão merecida primeira indicação ao Oscar; como também fez com que Depp, um ator conhecido pela sua liberdade de escolha artística, embarcasse na sua primeira franquia cinematográfica multimilionária.

Voltam para “Piratas do Caribe 2 – O Baú da Morte” praticamente toda a equipe que esteve presente no primeiro filme e eles, acertadamente, dão o enfoque principal do filme à persona carismática do Capitão Jack Sparrow. A narrativa de “Piratas do Caribe 2 – O Baú da Morte” se divide em várias linhas. Will Turner (Orlando Bloom) e Elizabeth Swann (Keira Knightley) são presos no dia de seu casamento por terem ajudado na fuga de Sparrow (um prisioneiro da Coroa). Os dois têm a possibilidade de receber o perdão, mas só se recuperarem a bússola de Sparrow para um lorde inglês.

Já o Capitão Jack Sparrow, após retomar o comando do navio Pérola Negra, continua vagando pelos mares em busca de uma nova aventura. Sparrow agora possui uma dívida de sangue com Davy Jones (Bill Nighy), um temido pirata das profundezas do oceano e capitão do Holandês Voador, um navio fantasma. Se Sparrow não conseguir uma solução para o seu problema, se tornará mais um dos tripulantes eternos e amaldiçoados de Jones. As duas narrativas irão se convergir quando Will se torna um prisioneiro de Davy Jones e Elizabeth se une à jornada de Jack com o objetivo de conseguir libertar o homem que ela ama.

Para fazer “Piratas do Caribe 2 – O Baú da Morte”, os produtores e o diretor Gore Verbisnki tiveram mais recursos financeiros, por isso se pode notar uma boa qualidade nos efeitos visuais e sonoros da película (excetuando-se um efeito mal executado na última cena do Capitão Jack Sparrow no filme). Entretanto, os produtores e Verbisnki se esqueceram de trabalhar mais no roteiro de “Piratas do Caribe 2 – O Baú da Morte”. Algumas sub-tramas do filme (como grande parte da história de Jack e Will na tribo que é liderada pelo Capitão) deixam o filme bastante enfadonho – não por coincidência todas elas contam com a presença do apático Orlando Bloom em cena. A impressão de enfado continua no final de “Piratas do Caribe 2 – O Baú da Morte”, que parece se estender demais. Porém, a última cena do filme é bombástica e é uma ótima maneira de manter o público interessado na terceira parte da série (que se chamará “Pirates of the Caribbean – At World’s End”) – que, ao que tudo indica, será centrada no casal Will Turner e Elizabeth Swann.

Cotação: 6,5

Crédito Foto: Yahoo! Movies

Tuesday, July 18, 2006

Superman - O Retorno (Superman Returns, 2006)


Já se passaram dezenove anos desde que o Superman deu o ar de sua graça pela última vez na grande tela num filme que não ficou guardado na memória e no coração dos fãs (“Superman 4 – Em Busca da Paz”, do diretor Sidney J. Furie). Desde então, o filão de filmes baseados em super-heróis entrou numa fase obscura até que, em 2000, o diretor Bryan Singer (um apaixonado por histórias em quadrinhos, que respeita toda a tradição dos personagens e, por isso, tem o respeito dos fanáticos fãs dos heróis) mostrou uma nova forma de abordar esse tema com o seu “X-Men”, filme baseado nos famosos personagens da Marvel. E foi justamente com a bagagem de dois filmes dos mutantes no currículo, que Singer abraçou o maior desafio de sua carreira: resgatar o mito do Superman, o personagem mais famoso da DC Comics (rivais da Marvel no mercado das histórias de quadrinhos).

Em “Superman – O Retorno”, Bryan Singer e seus roteiristas Michael Dougherty e Dan Harris (que trabalharam com o diretor no roteiro de “X-Men 2”) retomam uma trama que guarda semelhança com a história principal do filme “Superman II – A Aventura Continua”, de Richard Lester. No filme de Singer, o Homem de Aço (que é interpretado pelo estreante Brandon Routh) volta para a Terra depois de cinco anos ausente – e nos quais ele esteve explorando Krypton, o seu planeta natal. Apesar de Superman continuar sendo o mesmo, o herói encontra um mundo diferente e em estado de caos. Nenhuma das mudanças irá afetar tanto o Homem de Aço quanto ver que sua amada Lois Lane (Kate Bosworth) se tornou não só uma jornalista respeitada (e vencedora do Prêmio Pulitzer por um artigo intitulado “Por quê o mundo não precisa do Superman”), como também mãe do garotinho Jason (Tristan Lake Leabu) e noiva de Richard White (James Marsden), sobrinho do editor chefe do Planeta Diário Perry White (Frank Langella) e também jornalista e piloto de aviões nas horas de lazer.

A ausência do Superman foi ainda menos sentida pelo seu mais difícil arqui-rival Lex Luthor (Kevin Spacey, que adiciona mais um vilão à sua já célebre galeria de personagens maldosos). Depois de passar cinco anos preso e de estar de volta à vida em sociedade, Luthor finalmente consegue colocar o seu plano diabólico em prática: usar os cristais da Fortaleza da Solidão para criar um novo continente que irá apagar os Estados Unidos do mapa. O plano de Luthor ainda consiste em cobrar caro por cada pedaço de terra de seu tão sonhado território.

Superman talvez é o herói mais popular de todos os tempos. Símbolo dos ideais de liberdade e justiça apregoados pelo povo norte-americano, vê-lo novamente em cena traz para a platéia (pelo menos durante os 154 minutos de projeção) uma sensação de proteção e segurança. Bryan Singer, com seu filme, não só faz uma reverência ao mito no qual se transformou o Homem de Aço (e, especialmente, ao primeiro filme da série dirigido por Richard Donner), como também aprofunda ainda mais o maior conflito do Superman (ser o herói de todo um povo ou ser um humano que, nas horas vagas, salva as pessoas). Numa história paralela (e que não merece ser entregue para não ter seu prazer estragado para aqueles que ainda não assistiram à “Superman – O Retorno”), fica-se sabendo que realmente o Superman não tem uma outra opção e a sua vocação realmente é servir aos humanos.

“Superman – O Retorno” é um filme respeitoso com o mito, mas que abre novas possibilidades para essa grande lenda. Que venha mais do legado do Homem de Aço.

Cotação: 9,5

Crédito Foto: Yahoo! Movies

Monday, July 17, 2006

Os Sem-Floresta (Over the Hedge, 2006)


Se há um ou dois anos atrás, os filmes de animação preferiam abordar temas mais leves para agradar à criançada, o mesmo não pode ser dito dos filmes de animação produzidos no ano de 2006, que parecem querer conscientizar os pimpolhos. “A Era do Gelo 2”, do diretor brasileiro Carlos Saldanha, fala dos efeitos do aquecimento global na vida humana. “Carros”, dos diretores John Lasseter e Joe Ranft, mostra as conseqüências para as cidades pequenas das construções das freeways nos Estados Unidos. Já “Os Sem-Floresta”, dos diretores Tim Johnson e Karey Kirkpatrick (que também co-escreveu o roteiro do filme com outros três roteiristas), tenta mostrar ao público uma visão diferente sobre a cultura do fast food (um assunto que já foi abordado no documentário “Super Size Me – A Dieta do Palhaço”, de Morgan Spurlock).

No filme, RJ (dublado por Bruce Willis na versão original) é um animal completamente apaixonado por junkie food. Ele vê todo um estoque de comida que está sendo armazenado por um urso que ainda está em hibernação e tenta roubar tudo para si. Quando o urso acorda, RJ se assusta e acaba perdendo todo o estoque. O urso, então, o ameaça: se RJ não trouxer de volta para ele tudo que ele possuía, quem será o prato principal da primeira refeição do urso pós-hibernação será o próprio RJ.

No entanto, a ação propriamente dita de “Os Sem-Floresta” só começa quando RJ avista uma turma de animais que é liderado pela tartaruga Verne (dublado por Garry Shandling na versão original) e que ainda está meio perdida depois de acordarem do período de hibernação. Eles tentam se organizar para partirem em busca dos alimentos para a próxima temporada de sono. Entretanto, o que essa turma de animais não sabe é que a floresta deles se transformou em um condomínio fechado e, em conseqüência disso, eles não terão aonde buscar seu alimento.

Astuto como só ele é, RJ vê a oportunidade perfeita para conseguir em tempo recorde toda a comida que ele roubou do urso (e que está presente em abundância em cada uma das casas do condomínio). Mas, para conseguir isso, RJ tem antes que convencer a turma de Verne (que ainda possui hábitos alimentares saudáveis) sobre as maravilhas advindas de uma boa dose de junkie food. Essa situação irá render cenas memoráveis à “Os Sem-Floresta” – como aquela que mostra os efeitos hipnóticos que a abertura de um simples saco de salgadinhos causa nos olhos inocentes da turma de Verne. Mas nem só de críticas vive “Os Sem-Floresta”. A película segue a boa tradição da escola dos filmes de animação e deixa a seguinte lição para a criançada: manipular as pessoas para conseguir algo para o seu próprio bem é muito ruim.

“Os Sem-Floresta” é – até agora – o melhor filme de animação lançado em 2006. A trama da película não é complicada e os personagens (que são dublados na versão original por uma excelente turma de atores como William Shatner, Wanda Sykes, Nick Nolte, Allison Janney, Thomas Haden Church, Eugene Levy, Catherine O’Hara e até mesmo a cantora Avril Lavigne) são extremamente carismáticos. Assistir à “Os Sem-Floresta” no cinema traz para esse filme um significado até mesmo muito irônico, afinal as salas de cinema são um prazer que praticamente exigem a companhia do bom e velho saco de pipocas ou de um saco de salgadinhos, de um copo de refrigerante e de uma pequena barra de chocolate.

Cotação: 8,5

Crédito Foto: Yahoo! Movies

Tuesday, July 11, 2006

Premonição 3 (Final Destination 3, 2006)


Em “Premonição”, foi um grupo de estudantes que iria viajar para Paris para terem uma aula de francês. Em “Premonição 2”, foi uma garota que estava viajando em uma rodovia. Agora, em “Premonição 3”, um grupo de estudantes concluintes do segundo grau, que comemoravam a formatura em um parque de diversões. Em todas essas situações, alguém tem uma premonição de que algo muito ruim vai acontecer. Depois de fazer um pequeno escândalo e chamar a atenção das outras pessoas para o que está prestes a ocorrer, os (poucos) que acreditam na premonição se salvam e assistem incrédulos à morte dos amigos que ficaram.

A reação depois de passar por uma experiência de quase-morte varia de pessoa para pessoa. Existem aqueles que se acham imbatíveis depois de sobreviver, outros irão continuar com as suas medíocres vidas, um grupo diferente toma a sobrevivência como uma nova chance para acertar e fazer algo de bom e, enfim, existem pessoas que tentam arrumar explicações para o que houve e só irão continuar a vida depois de sua tese ser comprovada.

Existem manifestações de cada uma dessas reações nos personagens de “Premonição 3”. Mas a maioria delas será irrelevante para o público. O que importa é saber que a última reação (e a mais importante para a trama do filme) será manifestada por Wendy (Mary Elizabeth Winstead) e Kevin (Ryan Merriman, que fez o filho desaparecido de Michelle Pfeiffer e Treat Williams no filme “Nas Profundezas do Mar Sem Fim”), que sobreviveram ao acidente no parque de diversões – e, em contrapartida, assistiram às mortes das suas respectivas paixões do colegial. Eles acreditam que a morte ainda vai cumprir o seu papel e levar o resto dos sobreviventes. O problema é convencer aqueles que saíram do parque de diversões com vida de que o perigo está prestes a bater na porta novamente.

Se um filme vira uma franquia bem-sucedida em Hollywood, a coisa mais normal do mundo é ver as seqüências serem assumidas por diretores diferentes daqueles que ajudaram a criar as obras. Isso aconteceu com “Premonição” (a segunda parte do filme foi dirigida por David R. Ellis, que também fez “Celular – Um Grito de Socorro”). O mais anormal é ver o diretor que criou a série retornar para a mesma. “Premonição 3” não só tem de volta a presença do diretor e roteirista James Wong, como também a do roteirista e produtor Glen Morgan. A volta dos dois fez muito bem à franquia. Talvez a motivação maior deles, ao retornarem para a trama de “Premonição”, foi ver se eles conseguiam fazer com que cada personagem tivesse uma morte mais bizarra que a outra. Nesse sentido, eles foram extremamente bem-sucedidos. Resta saber se, na inevitável quarta parte de “Premonição”, Wong e Morgan irão manter o “nível” da empreitada.

Cotação: 4,0

Crédito Foto: Yahoo! Movies

Tuesday, July 04, 2006

Separados Pelo Casamento (The Break-Up, 2006)


A maioria das comédias românticas mostra quatro etapas de um relacionamento amoroso: o momento em que os pombinhos se conhecem, o namoro em si, o rompimento e, finalmente, a reconciliação. O filme “Separados Pelo Casamento”, do diretor Peyton Reed, dá ênfase somente a uma destas etapas – o rompimento – e quais as conseqüências dele na vida de um casal.

O casal em questão é formado por Brooke (Jennifer Aniston), que trabalha em uma galeria de arte, e Gary (Vince Vaughn), que trabalha como guia turístico na empresa que possui com os dois irmãos. Brooke e Gary encaram o relacionamento que possuem de maneiras diferentes. Brooke se esforça bastante para que o relacionamento com Gary dê certo – e se ressente pelo fato de que ele não reconhece seus esforços. Já Gary está claramente acomodado com o atual estágio do seu relacionamento com Brooke – por isso, assim que chega em casa, vai direto para o videogame, é desorganizado e não consegue prestar atenção às necessidades da namorada.

Brooke se cansa desta situação e rompe o relacionamento. E é a partir deste momento em que começa para valer a trama de “Separados Pelo Casamento”, pois é dada a largada para uma guerra particular entre o casal. Brooke e Gary dividiam um apartamento, mas se recusam a deixar o imóvel (ela, pois acabou o relacionamento com a esperança de que Gary mudasse; e ele, que não acredita na possibilidade de reconciliação, prefere que a ex-namorada deixe o apartamento todo para ele). Por esta razão, os dois começam a escutar familiares e amigos e transformam a vida um do outro num inferno – o qual só irá afastar de vez o casal.

A atriz Jennifer Aniston filmou “Separados Pelo Casamento” no momento em que se recuperava da sua separação do astro Brad Pitt. Para quem não está inteirado da situação, Brad se separou de Jennifer e, logo após, engatou um romance com Angelina Jolie (atriz com a qual ele contracenou em “Sr. e Sra. Smith", um dos bons sucessos do Verão norte-americano de 2005). Eis que, um ano depois, Jennifer se vê na mesma situação em que o ex-marido e lança um filme na temporada do Verão norte-americano, mas vê o seu nome envolvido nas notícias que estão mais interessadas no seu romance com o companheiro de cena Vince Vaughn, ao invés de retratarem o filme em si.

“Separados Pelo Casamento” acerta ao privilegiar o talento de comediante de Vince Vaughn e a expertise de Jennifer Aniston em interpretar personagens que estão com suas vidas amorosas completamente confusas. O filme ainda se aproveita da experiência do diretor Peyton Reed em filmes que retratam homens e mulheres tentando encontrar – e se relacionar – com o amor (era esse também o tema de seu filme anterior “Abaixo o Amor”). No entanto, “Separados Pelo Casamento” sofre com alguns problemas. O maior deles é o péssimo aproveitamento de atores do calibre de Judy Davis e de Vincent D’Onofrio. E o segundo é a possibilidade de que o desfecho de sua trama (justamente por fugir do modelo das comédias românticas) possa decepcionar a platéia. Para isso não acontecer, basta que você tenha em mente que tanto Gary quanto Brooke, dois moradores da cidade de Chicago, são como essa cidade e tiveram que passar por um grande sofrimento para ressurgirem mais fortes do que nunca – não importando se eles estejam juntos ou separados.

Cotação: 6,5

Crédito Foto: Yahoo! Movies

Monday, July 03, 2006

Carros (Cars, 2006)


O diretor John Lasseter foi um dos grandes responsáveis pela ascensão dos estúdios Pixar na área de animação. Afinal de contas, foi criação dele o primeiro longa-metragem de animação bem-sucedido do estúdio: “Toy Story”, que foi lançado em 1995 e cuja continuação “Toy Story 2” foi lançada em 1999. Depois de passar um tempo gerenciando a Pixar e cuidando do complicado contrato da companhia com os estúdios Disney, Lasseter volta à direção de um longa de animação com “Carros” (trabalho este que ele divide com o co-diretor Joe Ranft), filme que trata de assuntos próximos ao coração dele como o amor pelos carros e pela Rota 66 (clássica freeway dos Estados Unidos que foi eternizada no livro “On the Road”, de Jack Kerouac).

Relâmpago McQueen (dublado na versão original por Owen Wilson) é um carro de corridas da Piston Cup (uma espécie de Nascar Cup). Estreante na competição, Relâmpago ameaça o legado de The King (dublado por Richard Petty na versão original), que faz a sua última participação na Piston Cup; e as ambições de Chick Hicks (dublado por Michael Keaton na versão original), o eterno vice-campeão da Piston Cup. Como todo piloto novato, Relâmpago ainda não aprendeu a trabalhar em equipe e acredita que seu sucesso só acontece porque ele é um piloto muito competente.

No caminho para a corrida que irá decidir o futuro campeão da Piston Cup, Relâmpago McQueen acaba se perdendo no meio da Rota 66 e vai parar em Radiator Springs, uma cidade em decadência desde que uma nova freeway foi aberta desviando, assim, o caminho dos passantes que sustentavam o comércio local (um posto de gasolina, uma borracharia, um hotel, uma lanchonete, uma loja de bugigangas, uma oficina mecânica, entre outros estabelecimentos). Com a tarefa de reasfaltar a estrada principal de Radiator Springs, Relâmpago acaba entrando em contato com o dia-a-dia dos moradores da cidade e passa a fazer de tudo para trazer a vida de volta à localidade.

Como em todos os outros filmes de animação, “Carros” oferece uma mensagem aos pequenos – sem esquecer de fazer referências que agradem aos papais (como o amor de um dos moradores de Radiator Springs pelos carros da Ferrari). Usando o ambiente competitivo das corridas de automóveis, John Lasseter e os muitos roteiristas de “Carros” mostram que nem sempre vale a pena fazer de tudo para vencer. O importante é manter sempre por perto os amigos e os bons valores. Na empreitada atual dos estúdios Pixar (que passaram a controlar todo o setor de animação dos estúdios Disney, o qual um dia já deu as cartas no setor), essa é uma mensagem que eles deveriam levar ao pé da letra.

Cotação: 6,5

Crédito Foto: Yahoo! Movies

Monday, June 26, 2006

Tristão e Isolda (Tristan + Isolde, 2006)


O cinema e a literatura são formas de arte que nos mostraram que toda grande história de amor é construída através de uma série de provações. Mesmo assim, a garantia do final feliz nunca existe com certeza – vide os casos de “Romeu e Julieta”, a obra máxima do escritor inglês William Shakespeare, e o filme “Moulin Rouge – Amor em Vermelho”, musical boêmio do diretor australiano Baz Luhrmann. É inegável o apelo que estas histórias exercem sobre o público e o diretor Kevin Reynolds e o roteirista Dean Georgaris oferecem a sua contribuição com o filme “Tristão e Isolda”, que retrata a clássica lenda de amor e tragédia do casal.

“Tristão e Isolda” se passa na Era das Trevas, pouco tempo após o declínio do Império Romano; quando a Bretanha estava dividida em tribos e a Irlanda era um reino poderoso que sonhava em se aproveitar da fragilidade bretã para colocar o país sob seu domínio. Os próprios Tristão (o excelente James Franco) e Isolda (Sophia Myles) estão inseridos bem no meio desse conflito. Ele é o filho de Aragon (Richard Dillane), um grande cavaleiro bretão. Ela é a herdeira do trono da Irlanda.

Tristão aprendeu de maneira bruta a rivalidade existente entre a Bretanha e a Irlanda quando ele testemunhou o ataque irlandês que acabou vitimando os seus pais. Depois da tragédia, ele vai para a Cornualha, aonde ajuda a erguer um mini-reino e, futuramente, se torna um grande guerreiro. Numa das batalhas contra os soldados irlandeses, Tristão é dado como morto e colocado em um barco (essa era a maneira como os bretões enterravam seus homens honrados). Tristão acaba “desembarcando” na costa da Irlanda e é resgatado por Isolda. Ao ver que Tristão estava vivo, Isolda começa a cuidar dele. Os dois, é claro, irão se apaixonar - mas, Tristão nunca saberá nada sobre a condição de futura rainha de Isolda.

É ao conhecer o amor que Isolda descobrirá a dureza da guerra que se instalou entre os bretões e os irlandeses. E, como tudo que acontece no conflito se relaciona à luta pelo poder político, o pai de Isolda cria um torneio para oferecer a mão de sua filha em casamento ao inglês que ganhar o mesmo (essa é uma maneira para dispersar as atenções dos bretões e fazê-los se esquecerem da guerra por um momento). Tristão é um dos concorrentes e ganha Isolda para Marke (Rufus Sewell) – o homem que salvou a sua vida e se tornou a sua figura paterna – de forma que ele possa desposá-la e instalar um único reino inglês. O casamento de Isolda e Marke marca o início de um outro conflito: uma luta interna em que Tristão e Isolda têm que esconder seu amor, pois vivê-lo abertamente significa a queda definitiva do reino inglês.

Em “Tristão e Isolda”, o diretor Kevin Reynolds repete toda a competência técnica que ele mostrou em “O Conde de Monte Cristo” e, novamente, reúne em torno de si uma excelente equipe de apoio – a direção de arte, os figurinos, a fotografia e a trilha sonora são ótimas. O elenco (com um destaque para Sophia Myles e Rufus Sewell) também soube passar com segurança todas as nuances da história criada por Dean Georgaris. Fatos estes que credenciam “Tristão e Isolda” para obter um lugar de destaque entre as grandes histórias de amor que conhecemos.

Cotação: 8,0

Crédito Foto: Yahoo! Movies

Saturday, June 24, 2006

Poseidon (2006)


O diretor alemão Wolfgang Petersen deve ter sofrido um grande trauma no mar. Só assim para explicar o fascínio do diretor sobre o tema – que ele visitou pela primeira vez em 1981, com o lançamento de “O Barco – Inferno no Mar” (drama claustrofóbico sobre um grupo de soldados alemães que serviam num submarino e tentavam manter seu profissionalismo ao mesmo tempo em que tentavam entender e obedecer à ideologia dos governantes aos quais serviam); e que ele visitou pela segunda vez em 2000, com o lançamento de “Mar em Fúria” (filme baseado na história real de um grupo de pescadores que enfrentaram uma mortal tempestade no mar). Pelo visto, Petersen ainda não esgotou as possibilidades de abordagem deste tema, tendo em vista que ele encabeça a refilmagem do clássico dos filmes-catástrofe “O Destino do Poseidon” (1972), do diretor Ronald Neame.

Mais do que falar sobre as conseqüências da onda gigante que atinge o luxuoso navio Poseidon na noite de ano-novo, o filme “Poseidon” aborda a luta de um grupo de passageiros – que se conheceram no navio – para sobreviver à catástrofe. São eles: o herói Dylan Johns (Josh Lucas); o ex-prefeito de Nova York Robert Ramsey (Kurt Russell), sua filha Jennifer (Emmy Rossum) e Christian (Mike Vogel), o namorado desta; Maggie James (Jacinda Barrett) e seu filho Conor (Jimmy Bennett); Richard Nelson (Richard Dreyfuss); Elena (Mia Maestro) e Larry Sortudo (Kevin Dillon). Nem todos os personagens irão sobreviver até o final de “Poseidon”; mas, no decorrer do filme, todos eles tentarão resolver problemas do passado e do presente, de forma a abraçar o futuro que todos esperam ter.

Até mesmo pela semelhança das duas tramas (que abordam tragédias que aconteceram a bordo de navios luxuosos), é impossível não comparar “Poseidon” com o mega-sucesso “Titanic”, do diretor James Cameron. O diretor Wolfgang Petersen segue o esmero técnico de Cameron, mas erra ao privilegiar a ação em detrimento de seus personagens. Os quinze minutos que o diretor dedica à apresentação de seus personagens são poucos para estabelecer uma conexão mais profunda deles com a platéia – que, apesar dos esforços do ótimo elenco, não irá torcer com afinco para que os personagens saiam vivos da tragédia. Até mesmo o triunfo daqueles que irão sobreviver não chega a ser tão climático como os dos personagens de “Titanic”. Fatos estes que deixam uma constatação no ar: a evolução da tecnologia cinematográfica nem sempre justifica a refilmagem de certos filmes que já funcionavam.

Cotação: 8,0

Crédito Foto: Yahoo! Movies

Wednesday, June 21, 2006

Tudo por Dinheiro (Two for the Money, 2005)


No decorrer do filme “Tudo Por Dinheiro”, do diretor DJ Caruso, o personagem Brandon Lang (Matthew McConaughey) passa por diversas transformações. Quando Brandon ainda é uma criança, ele lida com motivações. Por essa razão, se aproxima dos esportes, só para ter seu pai (um apaixonado pelo tema) por perto. Entretanto, depois que o seu pai abandona a família, Brandon deixa de lado a pureza do jogo e transforma o esporte na sua maior razão para viver. Brandon trabalha duro e se torna o astro do futebol universitário norte-americano, mas, no dia da grande final – e depois de fazer o touchdown que daria o título à sua universidade –, Brandon sofre uma lesão que acaba com a sua carreira.

Certo de que um dia ainda poderá voltar a ser um astro do esporte, Brandon se muda com a família para Las Vegas e se torna um operador de telemarketing. Depois de passar um tempo vendendo shows de artistas como Jessica Simpson, ele cai de pára-quedas na sessão de apostas da empresa. É dessa maneira – ao oferecer dicas para apostadores –, que Brandon se vê novamente cara a cara com os esportes; e, para fazer jus à sua personalidade vitoriosa, ele obtém o sucesso novamente.

Com uma alta taxa de acertos nas suas previsões, Brandon chama a atenção de Walter Abrams (Al Pacino), que mantém uma grande empresa na área de previsão de apostas esportivas. Walter oferece para Brandon tudo aquilo que ele – com certeza – teria se tivesse se tornado o astro de futebol americano que sonhava ser: dinheiro e luxo. A partir do momento em que se transforma no novo pupilo de Walter, Brandon modifica seu jeito de ser e ganha o novo nome de John Anthony e a alcunha de “O Homem de Um Milhão de Dólares”. Brandon vive bem o seu sonho de poder – afinal, ele tem o destino das pessoas que apostam milhões com ele nas suas mãos. No entanto, o sonho se transforma num pesadelo quando Brandon começa a errar as suas previsões – fato que o obriga a repensar sobre quais são as suas maiores prioridades.

É impossível assistir ao filme “Tudo Por Dinheiro” e não se lembrar de “O Advogado do Diabo”, do diretor Taylor Hackford. Nos dois filmes, Al Pacino interpreta de maneira excelente um homem que toma outro para sua proteção e inicia com o seu pupilo uma espécie de jogo que demonstra até que ponto as pessoas estão dispostas a ir para conseguirem aquilo que desejam. É aquela velha história de que “o céu é o limite”. No entanto, o que esses filmes fazem questão de enfatizar é que, quanto maior o sonho, maior será a queda – porém, ao contrário do personagem interpretado por Keanu Reeves em “O Advogado do Diabo”, Brandon Lang não tem nada a perder e, por isso, fica claro que a decepção com a sua nova carreira não será o golpe que o derrubará definitivamente.

Cotação: 7,5

Crédito Foto: Yahoo! Movies

Wednesday, June 14, 2006

Achados e Perdidos (2006)


A televisão fez de Antonio Fagundes um dos maiores galãs do Brasil. Assim como acontece com muitos outros atores televisivos (que são colocados para interpretar sempre um determinado tipo de papel), Fagundes utiliza o meio teatral para fazer as suas experimentações e explorar novos tipos de personagens. E, a julgar pelas suas escolhas profissionais no meio cinematográfico, se chega à conclusão de que o caráter de experimentação continua ali presente. Em “Achados e Perdidos”, filme do diretor José Joffily, Fagundes interpreta o ex-delegado Vieira, que passa o dia bebendo e dormindo. A vida de Vieira só tem graça quando ele está ao lado de Magali (Zezé Polessa), uma prostituta por quem ele é apaixonado e com quem pretende se casar.

Depois de uma noite de bebedeira e de brigas com Magali, a prostituta é assassinada. Vieira se torna o principal suspeito do crime, mas, como não se lembra de nada do que aconteceu na fatídica noite, Vieira entra num processo em que ele começa a se lembrar (de maneira desordenada) de seu passado – das coisas boas e ruins que lhe aconteceram, das pessoas que ele conheceu e, principalmente, da natureza de seu relacionamento com Magali. Na medida em que as peças vão se encaixando, Vieira ainda tem que se deparar com um fantasma de seu passado (um deputado e ex-delegado que está sofrendo investigações de um procurador) e com as tentações carnais que Flor (Juliana Knust), uma amiga e espécie de pupila de Magali, desperta nele.

A mesma linha narrativa adotada por Joffily para relatar a maneira com que Vieira relembra de seu passado é igual a que ele utiliza para mostrar à platéia como Flor conheceu Magali e qual foi a influência que a prostituta exerceu em sua vida. A importância de Flor para a história de “Achados e Perdidos” aumenta na mesma proporção em que ela vai assumindo o papel que era de Magali na vida de Vieira – ou seja, ela se torna a nova razão de viver do ex-delegado.

Baseado no livro homônimo de Luiz Alfredo Garcia-Roza, “Achados e Perdidos” é um filme que, num primeiro momento, causa uma impressão positiva na platéia em decorrência das excelentes performances de seu elenco (excetuando a inexpressiva Juliana Knust), da boa direção de José Joffily e do visual interessante que é proporcionado pela fotografia de Nonato Estrela. No entanto, as boas impressões não se solidificam, pois a grande reviravolta do filme não pega a platéia desprevenida e o segredo maior do crime se fundamenta num furo enorme de construção do roteiro.

Cotação: 4,0

Crédito Foto: Yahoo! Cinema

Saturday, June 10, 2006

A Profecia (The Omen, 2006)


Ao longo dos anos, a humanidade foi confrontada com eventos (guerras, genocídios, desastres naturais, atentados terroristas, dentre outros) que terminavam por colocar em xeque a crença das pessoas numa entidade maior. “A Profecia”, do diretor John Moore, retrata justamente uma provação de fé pela qual uma família passará. E esta provação também poderá resultar em efeitos desastrosos para as vidas de todos.

Robert Thorn (o excelente Liev Schreiber) é sobrinho do presidente dos Estados Unidos e trabalha na Embaixada do país na Itália. A vida pessoal de Robert também está seguindo uma curva ascendente, tendo em vista que sua esposa Katherine (Julia Stiles, que faz tempo não aparecia nas salas de cinema de todo o mundo) está grávida do primeiro filho do casal. No entanto, a alegria de Robert dura pouco e Katherine sofre um parto complicado, que resulta na morte do filho dos dois. Seguindo o conselho de um padre, Robert decide adotar uma criança que nasceu no mesmo dia e no mesmo hospital que seu filho e cuja mãe morreu no parto e o apresenta a Katherine como sendo o fruto dos dois.

A adoção do menino Damien (que é interpretado pelo estreante Seamus Davey-Fitzpatrick na maior – e mais importante – parte de “A Profecia”) marca o início de uma série de acontecimentos que levarão Robert a ser declarado embaixador dos Estados Unidos em Londres. Na capital da Inglaterra a família continuará a ser atormentada por uma série de estranhos infortúnios – que farão com que Katherine duvide de sua própria sanidade e revelarão o grande propósito da existência de Damien: ele é o anticristo, o filho do Demônio e está na terra para trazer o mal para a humanidade.

Refilmagem do filme homônimo dirigido por Richard Donner em 1976, “A Profecia” aperfeiçoa o filme original. O elenco (que conta com nomes como o de Mia Farrow – que interpreta a babá de Damien –, David Thewlis, Pete Postlethwaite e Michael Gambon) está excelente. A fotografia soturna passa muito bem o clima do filme à platéia e a direção de John Moore é bastante segura. Além disso, “A Profecia” toma a política para ilustrar muito bem a mensagem de lutas entre o bem e o mal. Para David Seltzer (que escreveu a refilmagem de “A Profecia”), Robert Thorn era a pessoa perfeita para aceitar adotar o menino Damien, pois, além de não acreditar em Deus, ele vivia no ambiente político (que é marcado pela ambição e pela luta de poderes em que o bem o mal convivem quase que simultaneamente) – por essa razão, o final do filme pode deixar muita gente arrepiada, afinal, seriam os políticos os anticristos de nosso tempo?

Cotação: 3,0

Crédito Foto: Yahoo! Movies

Thursday, June 08, 2006

O Novo Mundo (The New World, 2005)

Como qualquer outro filme que trata da chegada de uma sociedade mais civilizada à uma localidade aonde vivem pessoas consideradas como selvagens, o filme “O Novo Mundo”, escrito e dirigido por Terrence Malick, trata – é verdade que em poucos momentos de seus 145 minutos de projeção – do conflito que se estabelece entre o lado considerado civilizado e o considerado selvagem. O diretor e roteirista mostra todas as etapas dessa guerra: em primeiro lugar o fascínio que os recém-chegados causam nos selvagens e, depois que o encanto se acaba, se chega à segunda etapa que mostra uma luta sangrenta em que um lado ganha e o outro perde. No entanto, o conflito mais importante e mais profundo de “O Novo Mundo” é outro e envolve dois personagens de origens, criações e costumes diferentes.

O capitão inglês John Smith (Colin Farrell) é um homem que passa a maior parte do seu tempo explorando novas rotas oceânicas e que, em decorrência disso, perdeu o contato com suas raízes. Smith está cansado da vida no mar e sonha com um lugar que ele considera utópico – uma localidade em que os males da humanidade ainda não chegaram e as pessoas vivem felizes e em harmonia. Para a surpresa do capitão, Smith encontra esse lugar em uma comunidade indígena que está localizada no atual território do Estado de Virginia - local aonde os ingleses se fixaram e pretendiam instalar uma colônia.

Também na comunidade indígena, John Smith encontra uma índia (a estreante Q’Orianka Kilcher) que, ao contrário do capitão Smith, tem as raízes bastante fincadas na sua cultura e na criação que recebeu. Mas, assim como os outros índios, a garota fica completamente fascinada pela nova figura que começa a compartilhar do dia-a-dia da comunidade. Ela se apaixona por Smith – e é correspondida pelo capitão –; e, por causa disso, não encontra mais lugar na sua comunidade. Depois de um tempo perdida pelas florestas da região, ela é resgatada por outros ingleses e é trazida ao convívio da “civilização”. A vivência mais próxima com os ingleses marca o início do processo de ocidentalização da índia. Ela ganha um nome inglês (Rebecca) e se casa com um inglês – John Rolfe (Christian Bale).

Ao acompanhar o desenvolvimento do amor que nasce entre o capitão John Smith e a índia, a platéia que assiste à “O Novo Mundo” observa também o tipo de transformação pelas quais os dois personagens passarão no decorrer da película. O John calejado que a índia encontra encara o amor que eles sentem de uma maneira bem diferente de sua companheira. Depois de viver a sua primeira decepção, a índia que encontra John Rolfe é outra e encara o amor de uma maneira bem menos idealista – ou seja, ela não acredita mais no “felizes para sempre”.

Escrito por Terrence Malick tendo como base a história de Pocahontas (que foi transformada em animação pela Disney em 1995), “O Novo Mundo” é somente o quinto filme deste talentoso profissional. O filme guarda muitas semelhanças com o seu último trabalho (“Além da Linha Vermelha”, de 1998), especialmente no que diz respeito à exploração perfeita das paisagens naturais que servem de locação para a película (a excelente fotografia de Emmanuel Lubezki foi a única indicação que “O Novo Mundo” recebeu ao Oscar 2006) e na tentativa que o diretor faz de estabelecer um intercâmbio com esta mesma natureza. Tanto John Smith quanto a índia estão procurando um sentido para as suas vidas e, para Malick, este sentido está justamente no contato com a natureza – o presente mais divino que foi deixado para a humanidade.

Cotação: 6,0

Crédito Foto: Yahoo! Movies

Saturday, June 03, 2006

Todo Mundo em Pânico 4 (Scary Movie 4, 2006)


Em março de 2006, estreou nas salas de cinema do Brasil, o filme “Uma Comédia Nada Romântica, do diretor Aaron Seltzer, e que se propunha a fazer uma paródia dos filmes de comédia romântica. O filme em questão – que era repleto de situações típicas de comédias escatológicas e de piadas de extremo mau gosto – foi um pequeno aperitivo para os fãs poderem observar o que eles poderiam esperar de “Todo Mundo em Pânico 4”, do diretor David Zucker, a quarta parte da série que se propõe a parodiar os filmes de terror e suspense que fazem sucesso nas bilheterias de todo o mundo.

Mas, qual a surpresa daqueles que chegam a assistir à “Todo Mundo em Pânico 4” ao perceberem que este filme é ligeiramente diferente dos outros que fazem parte da série. Pela primeira vez, são diminuídas as cenas em que as piadas de teor sexual e de temas mais pesados são dominantes. O diretor David Zucker e os roteiristas Craig Mazin, Jim Abrahams e Pat Proft preferem dar ênfase às situações que tiram um pouco de sarro da cara de personalidades diversas do show business.

É justamente neste sentido em que o filme alcança um ápice criativo. Se os atores que interpretam o roteiro de “Todo Mundo em Pânico 4” não o levam a sério e se divertem à beça; o mesmo pode ser dito das personalidades que aparecem na tela sem medo de brincar consigo mesmas. Dr. Phil (que possui um programa de grande sucesso na televisão norte-americana que se propõe a ajudar as pessoas a resolverem seus problemas) brinca com o fato de que ele mesmo pode ser uma fraude e que precise, em alguns momentos, de ajuda também. Charlie Sheen (que, aparentemente, já dormiu com mais de duas mil mulheres e era um dos maiores clientes de Heidi Fleiss, a cafetina mais famosa de Hollywood) também não se importa em ver seus hábitos sexuais expostos no filme. Michael Madsen (o ator preferido do diretor Quentin Tarantino) também não parece se sentir afetado ao adicionar mais um personagem problemático à sua carreira. Entretanto, a tiração de sarro maior acontece em cima do ator Tom Cruise, que já foi o maior astro de cinema do mundo e, desde que se divorciou da atriz australiana Nicole Kidman, vive um inferno astral – pontuado por declarações bizarras e aparições públicas inacreditáveis.

A trama central de “Todo Mundo em Pânico 4” gira em torno de um filme protagonizado por Tom Cruise: “Guerra dos Mundos”, do diretor Steven Spielberg. A terra está sofrendo um ataque de Tripods alienígenas. Como o presidente dos Estados Unidos (Leslie Nielsen) é um paspalho - qualquer semelhança com a vida real não é uma coincidência –, a salvação da humanidade reside nas figuras de Tom Ryan (Craig Bierko, o maior oponente de Russell Crowe em “A Luta Pela Esperança”) e da estrela da série Cindy Campbell (a ótima e hilária Anna Faris) – que, depois de ser estudante e jornalista, agora se dedica aos cuidados de uma senhora idosa e doente numa casa amaldiçoada (trama esta retirada do filme “O Grito”, de Takashi Shimizu).

No meio da trama central são colocadas cenas que parodiam filmes como “Jogos Mortais 1 e 2”, “A Vila” – sobra até mesmo para os oscarizáveis “Menina de Ouro”, “O Segredo de Brokeback Mountain” e “Fahrenheit 11 de Setembro”. E no rol das habituais participações especiais que marcam os filmes da série “Todo Mundo em Pânico”, entram: Simon Rex, Anthony Anderson, Cloris Leachman, Molly Shannon, Bill Pullman, o jogador de basquete Shaquille O’Neal, Carmen Electra, o cantor Chingy, entre outros. E, mesmo apesar da presença recorrente de todos esses elementos na série, “Todo Mundo em Pânico 4” vai soar como uma piada fresca; e não como aquela piada velha e que todo mundo já sabe como vai terminar.

Cotação: 3,0

Crédito Foto: Yahoo! Movies

Saturday, May 27, 2006

X-Men - O Conflito Final (X-Men - The Last Stand, 2006)


Nos dois primeiros filmes da série “X-Men”, os seres humanos e os mutantes viviam num mundo completamente dividido. Enquanto se discutia a relevância da convivência entre as duas espécies, o problema ia ficando ainda mais grave. Se os humanos podiam levar uma vida normal, o mesmo não podia ser dito a respeito dos mutantes – que, ainda confusos a respeito de suas condições e após serem abandonados pelas suas famílias e amigos, iam viver na isolada escola do professor Xavier (Patrick Stewart), aonde esperavam encontrar a segurança necessária para começar todo um trabalho de aceitação de quem eles realmente eram e aonde eles aprendiam a usar os seus poderes para o bem da humanidade. Mesmo assim, ainda existiam divergências dentro da própria classe dos mutantes. O grupo liderado por Magneto (Ian McKellen) preferia apregoar o uso dos poderes para o mal e declaravam guerra contra tudo e contra todos.

"X-Men – O Confronto Final” – a terceira parte da série –, do diretor Brett Ratner, se passa justamente num momento em que esta divisão entre humanos e mutantes pode estar prestes a acabar. O governo norte-americano se mostra mais aberto ao diálogo com o grupo – criando inclusive um departamento dedicado somente aos mutantes. Entretanto, a união pode vir a um preço muito caro. Um pai atormentado pelo estado mutante de seu filho elege como causa de sua vida a descoberta de uma cura para o gene mutante. A cura é encontrada numa criança (Cameron Bright, de “Reencarnação”). A partir deste momento, tem-se o início de um conflito final entre os humanos e os mutantes; e, pela primeira vez, os mutantes enfrentam o dilema de ter que escolher entre continuarem a ser pessoas especiais ou poderem ter uma vida normal em sociedade.

Neste sentido, “X-Men – O Confronto Final” representa uma grande jornada a ser passada tanto para os seres humanos quanto para os mutantes – personagens como Wolverine (Hugh Jackman), Tempestade (Halle Berry) e Jean Grey (Famke Janssen) estão mais fortes, sábios, conscientes, resistentes e poderosos. E, como em toda jornada, todos estes personagens passarão por momentos de decepção, tristeza, perdas, dúvidas, desolação e angústia até o triunfo finalmente acontecer.

Brett Ratner é um diretor muito interessante. Ele marcou o seu nome na indústria ao dirigir clipes para artistas como Mariah Carey e Madonna. Trilhou seu caminho no cinema comercial ao criar a bem-sucedida franquia “A Hora do Rush” (estrelada por Jackie Chan e Chris Tucker que, pasmem, é o ator mais bem pago de Hollywood no presente momento). Ratner calou a boca dos críticos que torceram o nariz para a sua escolha como o diretor de “Dragão Vermelho” ao criar um universo de muito suspense e que colocava o Hannibal Lecter novamente na sua posição de vilão mais doentio do cinema. E, com “X-Men – O Confronto Final” (um filme que ele aceitou fazer em cima da hora, depois da desistência do inglês Matthew Vaughn), prova que é um diretor que sabe fazer um filme de ação – na minha opinião este é o melhor da série – que não menospreza a inteligência de seu espectador. Apesar de Brett Ratner oferecer à platéia um senso de fechamento à história dos mutantes, o diretor ainda deixa um gostinho de quero mais – o qual é reforçado pela cena que é mostrada após os créditos finais do filme; por isso, nem pense em se levantar da cadeira antes das luzes da sua sala de cinema serem acesas.

Cotação: 9,0

Crédito Foto: Yahoo! Movies

Wednesday, May 24, 2006

Tapete Vermelho (2006)


Não dá para falar no cinema brasileiro sem mencionar o nome do ator, diretor e produtor Amácio Mazzaropi. De origem humilde, ele foi o responsável pela criação de uma indústria cinematográfica brasileira independente (tendo em vista que ele mesmo financiava e distribuía as suas produções) e bem-sucedida. Mazzaropi foi a primeira grande estrela cinematográfica nacional e, com seus filmes, procurava falar para o povo sobre temas – até então – controversos como o divórcio, o racismo, a religião, a política, dentre outros. E, apesar de todo o sucesso, Mazzaropi nunca obteve o reconhecimento das chamadas elites intelectuais, que preferiram ignorar as suas obras.

O filme “Tapete Vermelho”, de Luiz Alberto Pereira, não é uma cinebiografia de Amácio Mazzaropi; e sim presta uma homenagem ao tipo que ele imortalizou: o do Jeca Tatu (aquele homem matuto que habita as áreas rurais do Brasil). No filme, o Jeca é representado pela figura de Quinzinho (Matheus Nachtergaele, provando aqui sua posição de ator camaleônico, que pode interpretar qualquer tipo de personagem), homem sonhador e trabalhador que mora no seu pequeno pedaço de terra ao lado da esposa Zulmira (Gorete Milagres, mais conhecida pelo seu trabalho como a empregada doméstica Filó, que fez carreira em diversos programas humorísticos da televisão brasileira) e do filho Neco (Vinícius Miranda).

Com a proximidade do aniversário de seu filho Neco, Quinzinho decide que chegou o momento certo de colocar uma promessa que fez ao seu pai em prática: a de que Quinzinho um dia, assim como seu pai fez com ele, iria levar seu filho para a cidade grande para assistir a um filme de Mazzaropi no cinema. Mesmo contra a vontade de Zulmira, Quinzinho embarca numa viagem do interior até à cidade grande na companhia de sua família. Quando Quinzinho e sua família começam a entrar em contato novamente com as grandes cidades, encontram uma realidade bastante diferente da que imaginavam – os cinemas deram espaços às lojas de departamentos ou às igrejas evangélicas (e quando eles existem só passam os grandes lançamentos) e pessoas de má fé se aproveitam da boa vontade e da inocência da família de Quinzinho. No meio disso tudo, o diretor Luiz Alberto Pereira ainda consegue colocar uma mensagem de fundo social quando faz com que o trabalhador rural Quinzinho se relacione com um grupo de trabalhadores rurais sem-terra – numa série de seqüências que poderiam muito bem ter sido retiradas do filme.

“Tapete Vermelho” é um road movie que, além de retratar a jornada de crescimento da família de Quinzinho, faz uma crônica de um estilo de vida simples e bucólico. “Tapete Vermelho” é um filme que fala sobre gente de verdade, que merece um tratamento digno e não ser objetos de chacota. Enfim, “Tapete Vermelho” é um filme que mostra que existe a possibilidade de amadurecer sem que sejam perdidas a ternura, a esperança e a simpatia que tanto caracterizam o povo brasileiro. Além disso, faz um belo trabalho para chamar a atenção de uma nova platéia de cinéfilos de volta aos filmes de Mazzaropi, que, em decorrência de um velho costume brasileiro, perderam o seu valor, a sua importância e o seu lugar de direito na indústria cinematográfica nacional.

Cotação: 6,0

Crédito Foto: Yahoo! Cinema

Saturday, May 20, 2006

O Código Da Vinci (The DaVinci Code, 2006)


Há cerca de dois anos atrás, um filme (“A Paixão de Cristo”, de Mel Gibson) estreava em meio a inúmeras polêmicas – especialmente as que queriam acusar o filme de ser anti-semita e de distorcer a realidade dos fatos que cercavam a crucificação de Jesus Cristo. As mesmas reações extremas aconteceram quando, em 2003, o escritor norte-americano Dan Brown lançou o seu livro de ficção “O Código da Vinci”, que trazia uma trama que afirmava que toda a Igreja Católica foi fundamentada em uma crença mentirosa. Em conseqüência disso, o autor enfrentou uma leva de críticas que vieram desde a própria Igreja Católica, até os historiadores e a Opus Dei (milionária seita da Igreja Católica que prega a autoflagelação, para que seus seguidores sintam o mesmo que Jesus Cristo sentiu no momento da crucificação).

Quem já teve a oportunidade de ler o livro “O Código Da Vinci” sabe que esta é uma obra que dialoga muito com a linguagem cinematográfica. A narrativa de Dan Brown é ágil, sabe prender a atenção do leitor e, principalmente, segue um estilo bastante figurativo (se apoiando muito nas ilustrações). Ou seja, em praticamente cada capítulo do livro, o leitor pode visualizar de maneira muito clara toda a ação da história. Seria inevitável – ainda mais depois do fenômeno cultural que o livro se tornou, ocasionando o lançamento de programas de TV e de livros que se dedicavam a destrinchar cada pista do código criado por Dan Brown – que esta obra fosse adaptada por um grande estúdio cinematográfico. E foi justamente isto que aconteceu quando o diretor Ron Howard, o produtor Brian Grazer e o roteirista Akiva Goldsman (que trabalharam juntos em “Uma Mente Brilhante” e “A Luta Pela Esperança”) uniram suas mentes para transpor para as grandes telas esta história naquele que é o mais aguardado filme de 2006.

Para aqueles que não entraram em contato com o fenômeno “O Código Da Vinci”, a história do livro/filme é a seguinte: o curador do Museu do Louvre, Jacques Saunière, é assassinado pelo monge Silas (Paul Bettany, excelente) – que está a serviço da Opus Dei e de um misterioso mestre. O diretor da polícia francesa Bezu Fache (Jean Reno) entra em contato com o professor de Simbologia Religiosa da universidade de Harvard Robert Langdon (Tom Hanks) – que estava em Paris dando uma palestra – para que ele possa ajudá-los a desvendar uma série de símbolos que foram deixados por Saunière na cena do crime. Sem saber que é considerado o suspeito número um da polícia francesa, Langdon recebe a ajuda da neta de Saunière e criptógrafa Sophie Neveu (Audrey Tautou) para tentar provar a sua inocência e, por tabela, desvendar as pistas deixadas pelo curador do Louvre.

As pistas que Jacques Saunière deixou no museu do Louvre faziam parte de um plano do curador para manter escondido um segredo que poderia abalar as bases da religião mais popular do mundo – a Católica. Saunière era o Grão-Mestre de uma sociedade secreta conhecida como Priorado de Sião. De acordo com a história do livro/filme, um dos membros mais importantes do Priorado de Sião foi o pintor Leonardo Da Vinci e, nas suas obras, ele deixou inúmeras pistas que levavam a crer que Jesus Cristo foi casado com Maria Madalena e que os dois tiveram uma filha; formando, assim, uma dinastia secreta que foi protegida com afinco pelos Cavaleiros Templários e, posteriormente, pelos membros do Priorado. E, ao longo dos anos, uma guerra foi travada entre os conhecedores do segredo e os membros da Igreja – que, obviamente, gostariam que o segredo fosse completamente destruído. Essa é a guerra que também será travada por Robert Langdon e Sophie Neveu no decorrer do livro/filme.

O filme “O Código Da Vinci” faz realmente uma transposição perfeita da obra literária para a linguagem cinematográfica. O diretor Ron Howard e o roteirista Akiva Goldsman souberam condensar toda a trama do filme em uma história que se faz compreensível tanto para aqueles que leram e que não leram o livro de Dan Brown. Howard e Goldsman ainda conseguem simplificar a apresentação de tramas que demoram uma eternidade para serem elucidadas por Dan Brown no livro – como a origem de Silas, a razão por trás da claustrofobia de Robert Langdon e o por quê de Sophie Neveu ter cortado relações com o avô Saunière. No entanto, a maior contribuição que Howard e Goldsman fazem com o seu filme é mostrar como o código criado por Dan Brown é simples e não tem nada de extraordinário. Isso levanta uma grande questão: por quê, então, o livro (e, certamente, o filme) obtiveram tanto sucesso? Talvez a resposta por trás de tudo isso esteja no fato de que as pessoas buscam constantemente acreditar e crer em alguma coisa que esteja além daquilo que nós conseguimos realmente enxergar – mesmo que essa crença esteja baseada em fatos verdadeiros ou ficcionais.

Cotação: 7,5

Crédito Foto: Yahoo! Movies

Thursday, May 18, 2006

As Férias da Minha Vida (Last Holiday, 2006)


Georgia Byrd (Queen Latifah) trabalha como vendedora de utensílios de cozinha em uma grande loja de departamentos do Estado de Louisiana. Ela é uma daquelas pessoas que vê a vida passar diante de seus olhos e não faz nada – principalmente por causa de sua timidez. Georgia cozinha pratos sofisticados, mas não pode comê-los, pois sempre está de dieta. Georgia é completamente apaixonada pelo colega de trabalho Sean Williams (LL Cool J), mas não tem coragem de se declarar. Nem mesmo quando está participando do coral de sua igreja, Georgia deixa de ser uma pessoa apática.

Tudo isto está prestes a mudar quando Georgia, depois de sofrer um pequeno acidente no trabalho, passa por uma bateria de exames e é desenganada pelo seu médico; descobrindo, assim, que só tem três semanas de vida. A notícia cai como uma bomba na vida de Georgia e, após uma primeira fase de negação, ela decide aceitar seu destino e procura viver pela primeira vez. Dessa maneira, vemos Georgia sacando todo o seu dinheiro do banco e embarcando com destino à República Checa – país aonde irá se hospedar na suíte presidencial de um hotel de luxo e passará a fazer tudo aquilo que ela tinha vontade de realizar e que estava no seu livro de possibilidades (uma espécie de diário dos sonhos que, um dia, Georgia esperava realizar).

É justamente a máxima de “viver cada dia como se fosse o último” que dá a tônica de “As Férias da Minha Vida”, novo filme do diretor Wayne Wang (o mesmo de “Encontro de Amor”). No filme, vemos a extrovertida e engraçada atriz Queen Latifah interpretando uma personagem diametralmente oposta à sua persona da vida real. Latifah está muito discreta e vestida em roupas que conferem um caráter severo à sua Georgia. No entanto, apesar de ser uma personagem apática, Georgia conquista logo a simpatia da platéia, pois todos nós nos solidarizamos com a situação que ela está vivendo.

“As Férias da Minha Vida” é um filme que possui um roteiro meio amargo, no sentido de que equilibra com perfeição os momentos felizes com os tristes. E é certamente nessas cenas mais intimistas em que se sobressai a excelente atuação de Queen Latifah. “As Férias da Minha Vida” marca a credencial dela em Hollywood como uma atriz que pode se sair muito bem tanto nos dramas como nas comédias; e que, principalmente, mostra que Latifah agüenta a responsabilidade de carregar sozinha um filme nas costas.

Cotação: 8,0

Crédito Foto: Yahoo! Movies

Tuesday, May 16, 2006

Crianças Invisíveis (All the Invisible Children, 2005)

Convidar um número variado de diretores para falar sobre um mesmo tema não é uma novidade para a indústria cinematográfica. Isso foi feito, por exemplo, no filme “11’09’’01”, quando onze diretores de diversas partes do mundo contaram histórias que mostravam os efeitos dos atentados terroristas de 11 de Setembro nas suas respectivas nações. Na realidade, esse é um recurso narrativo muito interessante, pois oferece ao espectador a possibilidade de ver diversos pontos de vista sobre um mesmo assunto. “Crianças Invisíveis” repete esta fórmula e reúne sete diretores para falar a respeito dos problemas que as crianças enfrentam no seu dia-a-dia.

O primeiro episódio de “Crianças Invisíveis” (“Tanza”) é dirigido pelo algeriano Mehdi Charef e fala sobre Tanza, um menino que vive em uma comunidade africana dominada por uma disputa interna. Tanza é somente um dos muitos meninos a serem recrutados para a luta armada em idade tenra, mas o que Charef quer mostrar é que, mesmo portando uma arma, esses meninos possuem sonhos, vontades e ídolos comuns a todas as crianças (num determinado momento do episódio, o close na arma de um dos garotos revela um adesivo de Ronaldo Fenômeno).

O segundo episódio de “Crianças Invisíveis” (“Blue Gipsy”) é dirigido pelo bósnio Emir Kusturica e conta a história de um garoto filho de ciganos ladrões e que se sente mais à vontade e em segurança no reformatório do que nas ruas. O terceiro episódio do filme (“Jesus Children of America”) é dirigido pelo norte-americano Spike Lee e conta a história de Blanca, uma garota filha de pais viciados em drogas e portadores do vírus HIV, que não sabe que ela mesma também porta o vírus e que sofre com as chacotas dos colegas de escola.

O quarto episódio de “Crianças Invisíveis” (“João e Bilú”) é dirigido pela brasileira Kátia Lund (que co-dirigiu “Cidade de Deus”) e que conta a história de um menino e uma menina que sustentam a família catando papelão, latinhas, vidros e metais. Na realidade, esse episódio mostra como o brasileiro sempre arruma um jeitinho para superar as suas adversidades (João e Bilú criam um jogo e começam a ganhar dinheiro com ele numa feira popular). O quinto episódio do filme (“Jonathan”) é dirigido pelos ingleses Ridley e Jordan Scott (pai e filha) e conta a história de um fotógrafo de guerra que tenta apelar para o seu lado criança para encontrar a sua paz interior.

O sexto episódio de “Crianças Invisíveis” (“Ciro”) é dirigido pelo italiano Stefano Veneruso e conta a história de dois amigos que fazem roubos na rua. Esse é mais um episódio que mostra crianças que são frutos de uma família desintegrada e dialoga especialmente com o primeiro episódio do filme (“Tanza”), pois mostra novamente uma criança que, apesar de entrar em contato permanente com a violência, continua a manter uma inocência e os seus sonhos vivos.

O sétimo – e último episódio – de “Crianças Invisíveis” (“Song Song and Little Cat”) foi dirigido pelo chinês John Woo. Neste episódio, duas realidades são colocadas em xeque: a de Song Song, menina rica que tem todas as suas vontades satisfeitas, mas não se contenta com nada; e a de Little Cat, menina que foi abandonada pela mãe e criada por um mendigo. Little Cat pouco tem, mas valoriza o que possui e não se esquece de sonhar com uma realidade melhor para si mesma. Esse episódio é o mais poderoso de todos, pois toca num ponto que todos nós conhecemos: o de que nós só valorizamos aquilo que temos quando o perdemos – ou seja, nós deveríamos valorizar aquilo que temos, pois muitas pessoas dariam tudo para ter o mesmo que nós.

“Crianças Invisíveis” foi um filme feito por uma parceria entre o governo italiano, a UNICEF e o WFF (World Food Programme). É difícil tentar entender as pretensões por trás de um filme como esse, mas fica subentendido que os envolvidos queriam chamar a atenção para as questões relacionadas às crianças do mundo e as infâncias que elas estão vivendo. “Crianças Invisíveis”, infelizmente, não consegue ser bem-sucedido, pois sofre com a irregularidade dos episódios – que ora apelam para a poética (caso do dirigido por Ridley e Jordan Scott), ora para o humor (caso do de Emil Kusturica) e ora para uma verdade ficcionalizada (caso dos episódios de Mehdi Charef, Spike Lee, Kátia Lund, Stefano Veneruso e John Woo). Se for para causar impacto e fazer a diferença, o filme perfeito seria o documentário “Falcão – Meninos do Tráfico” (que foi apresentado no programa “Fantástico”), do rapper MV Bill e de Celso Athayde, que não quer mascarar a verdade e a mostra como ela é.

Cotação : 5,0

Crédito Foto: Yahoo! Cinema

Wednesday, May 10, 2006

O Albergue (Hostel, 2005)


Apesar de ter sido vendido ao público como um filme de terror completamente diferente dos outros do gênero, “O Albergue”, filme escrito e dirigido por Eli Roth (com a chancela do produtor executivo Quentin Tarantino), repete todas as fórmulas que puderam ser vistas pela platéia nos filmes de terror que foram lançados mais recentemente. Ou seja, na primeira hora de “O Albergue”, poucas coisas significativas acontecem (o diretor retrata o dia-a-dia de seus personagens para colocar a platéia dentro do universo que eles habitam) e, de repente, quando a platéia menos espera, uma série de situações bizarras começam a acontecer de maneira a justificar a classificação do filme como sendo do gênero de terror.

No caso particular de “O Albergue”, os protagonistas do filme são três jovens imaturos e inconseqüentes – Paxton (Jay Hernandez, que foi o par romântico de Kirsten Dunst no ótimo “Gostosa/Loucura”), Oli (Eytor Gudjonsson) e Josh (Derek Richardson) – que estão viajando de férias pela Europa no melhor estilo mochileiros. Paxton, Oli e Josh estão em busca de aventuras com mulheres, festas e drogas. Em Amsterdã, depois de uma noitada que quase termina mal, eles conhecem Alexei, um cara meio estranho que, sabendo das verdadeiras intenções da viagem dos rapazes, sugere um destino perfeito: um albergue na Eslováquia – aonde eles, supostamente, encontrarão tudo aquilo que eles procuram. E é justamente no albergue eslovaco que o filme “O Albergue” alcança o seu clímax.

Nos primeiros momentos de “O Albergue”, a trama do filme não parece ter sentido algum. O filme oscila entre cenas que parecem saídas de uma comédia adolescente e outras que parecem ter saído de um filme adulto. No entanto, os últimos quarenta minutos de “O Albergue” mostram a que o filme veio. No melhor estilo “Jogos Mortais”, a platéia entra em contato com os vilões do filme (pessoas que buscam uma maneira de dar vazão ao seu instinto de violência) em cenas de ritmo ágil, de extremo sangue frio (em determinado momento, Paxton consegue manter a racionalidade para pegar os dedos que foram serrados de sua mão) e que conseguem ser eficientes no sentido de chocar (é bom frisar que elas não chegam a assustar) o espectador.

O que irrita é a necessidade que o diretor e roteirista Eli Roth tem em dar um fechamento à sua história. Aqueles que estão acostumados a assistir filmes de terror sabem que, nesse gênero, os mocinhos podem sobreviver a todo tipo de ameaça e vilão; mas, mesmo depois de estarem livres de qualquer perigo, sempre existe uma única certeza: a de que aquela sensação incômoda de que algo de ruim está prestes a acontecer novamente está sempre à espreita. Isso não acontece com o sobrevivente de “O Albergue”, que, depois de fazer a sua mini-vingança, tem a certeza de que poderá continuar a sua vida da maneira como ela sempre foi.

Cotação: 3,0

Crédito Foto: Yahoo! Movies

Saturday, May 06, 2006

Missão Impossível III (Mission: Impossible III, 2006)


Com o perdão do trocadilho, fazer “Missão Impossível III” foi quase uma tarefa impossível para o astro e produtor Tom Cruise e sua parceira, a produtora Paula Wagner. Joe Carnahan (“Narc”), o primeiro diretor escalado para o trabalho, abandonou o barco quando o filme já estava num estágio bem avançado da pré-produção – aparentemente porque não concordava com a visão criativa de Cruise. O episódio só fez aumentar a fama de controlador que o superastro possui. No entanto, essa teoria começa a vir abaixo quando se assiste ao que J. J. Abrams (o segundo – e definitivo – diretor escalado para o filme) fez com “Missão Impossível III”. Tudo no filme leva a sua marca – a começar pela equipe técnica. Nomes como os dos roteiristas Alex Kurtzman e Roberto Orci, o do compositor Michael Giacchino, o da diretora de elenco April Webster e o do diretor de arte Scott Chambliss trabalham com o diretor no seriado “Alias”. Até mesmo na frente das câmeras vemos rostos conhecidos do universo de Abrams, como a atriz Keri Russell (que foi a protagonista de seu seriado “Felicity”) e de Greg Grunberg (o melhor amigo de Abrams e que trabalhou em todas as séries dele).

No entanto, a maior das marcas de J. J. Abrams a estar presente em “Missão Impossível III” – e, por conseqüência, a maior contribuição que ele oferece à série – é a humanização dos personagens, especialmente a do agente Ethan Hunt (Cruise). Neste momento, pela segunda vez, aparece uma conexão com o trabalho que Abrams desenvolve em “Alias” – uma série que, apesar de retratar o dia-a-dia de agentes da CIA, ou seja, as missões que eles desempenham e os inimigos que eles combatem dentro e fora da Agência; tem o foco voltado para os relacionamentos pessoais desses agentes com as suas famílias, os seus amores, os seus colegas de trabalho e os seus inimigos. Em muitos episódios de “Alias”, inclusive, as vidas pessoais dos agentes chegam a se confundir com as missões que eles têm que realizar.

Por causa disso, em “Missão Impossível III”, vemos um Ethan Hunt bem diferente do que nos acostumamos a ver nos dois filmes anteriores da série. O roteiro do filme não se resume somente a retratar a missão e o inimigo que o agente têm de enfrentar. Pela primeira vez, se procura aprofundar o personagem. Portanto, na terceira parte de “Missão Impossível”, a platéia conhece a vida pessoal de Ethan Hunt. Desde que o agente conheceu a enfermeira Julia (Michelle Monaghan) – de quem Ethan ficou noivo –, ele não participa mais de trabalhos de campo e prefere se dedicar ao treinamento de novos agentes da IMF. Entretanto, Ethan é obrigado a voltar ao batente quando a agente e ex-aluna sua Lindsey Ferris (Russell) é seqüestrada e, conseqüentemente, executada por Owen Davian (Philip Seymour Hoffman, o vencedor do Oscar de Melhor Ator em 2006). Hunt se vê ainda mais envolvido na missão de capturar Davian depois que ele seqüestra Julia. É neste momento em particular que Hunt vê o seu mundo cair, pois, como agente, Ethan nunca teve a oportunidade de ter relacionamentos reais. Mas, ao conhecer Julia, Hunt vê, de maneira concreta, uma chance de ter uma vida até certo ponto normal – desde que ele consiga manter a noiva protegida da sua segunda vida, o que ele conseguia fazer até Davian aparecer.

“Missão Impossível III” é um filme que nasceu cercado de expectativas. A película pode significar a recuperação da carreira de Tom Cruise – que vem patinando desde que o astro se divorciou de Nicole Kidman e passou a fazer declarações e aparições na mídia polêmicas e, até certo ponto, patéticas. Ao mesmo tempo, “Missão Impossível III” também pode consagrar de vez J. J. Abrams como uma das mentes mais criativas da indústria do entretenimento nos dias atuais – tendo em vista que ele já é o rei da televisão norte-americana com o sucesso estrondoso que é “Lost”. Neste sentido, pode-se dizer que a missão dos dois foi completamente cumprida, pois “Missão Impossível III” é um filme de primeira qualidade – com cenas de ação bem dirigidas e uma história cativante.

Cotação: 9,0

Crédito Foto: Yahoo! Movies

Thursday, May 04, 2006

Gatão de Meia Idade (2006)


O designer Cláudio (Alexandre Borges) acredita que um homem é feito da soma de todos os relacionamentos que ele já teve. Neste sentido, Cláudio pode se considerar um homem muito experiente, afinal ele teve inúmeros relacionamentos. O filme “Gatão de Meia Idade”, do diretor Antonio Carlos da Fontoura, retrata exatamente o estilo de vida de homens como Cláudio, que se divertem tomando cerveja com os amigos enquanto discutem detalhes de suas aventuras amorosas.

No decorrer do filme, a platéia irá entrar em contato com as diversas mulheres da vida de Cláudio. Dentre elas, as mais constantes são a sua mãe, a ex-mulher Betty (Julia Lemmertz, esposa de Borges na vida real) e a filha Duda (Renata Nascimento). Existem também aquelas que passaram rapidamente pela vida de Cláudio, como a executiva sênior (Ângela Vieira), a estudante patricinha (Thaís Fersoza), a motociclista com trejeitos masculinos (Cristiana Oliveira), as sensíveis (Alexia Deschamps e Rita Guedes), a gostosona (Paula Burlamaqui), a milionária (Lavínia Vlasak), dentre muitas outras beldades que fazem participações especiais em “Gatão de Meia Idade”.

Todos esses relacionamentos servem muito bem para ilustrar a personalidade do próprio Cláudio – um homem que não consegue se envolver emocionalmente com uma mulher, que acredita que a quantidade é sinônimo de qualidade e que nunca se sente sozinho. A solidão só irá começar a ameaçar Cláudio quando Betty começa a namorar um empresário (Antônio Grassi) e passa a viajar freqüentemente para Miami – cidade para onde ela pretende se mudar com a filha Duda. Quando Cláudio enxerga a possibilidade de não ter um relacionamento diário com a filha e quando ele vê seu domínio sob as mulheres ser ameaçado com o surgimento de um Don Juan bem mais jovem que ele (Márcio Kieling), Cláudio ameaça ensaiar uma transformação que nunca irá se concretizar na realidade.

Baseado no personagem criado pelo desenhista Miguel Paiva (também criador da Radical Chic), “Gatão de Meia Idade” é um filme que não funciona, pois, aparentemente, foi feito no formato errado. Por ter um roteiro que é uma reunião de várias esquetes, deveria ter sido adaptado para um formato de sitcom (as chamadas comédias de situações) – e, mesmo se fosse um programa de televisão, não conseguiria arrancar o mínimo de risadas dos telespectadores. Nem Alexandre Borges, um ator carismático e ele próprio um gatão de meia idade, consegue oferecer um pouco de qualidade ao filme.

Cotação: 2,0

Crédito Foto: Yahoo! Cinema

Selvagem (The Wild, 2006)


Os estúdios Walt Disney marcaram seu nome na história do cinema ao lançar filmes de animação como “Bambi”, “Fantasia”, “Branca de Neve e os Sete Anões”, “A Dama e o Vagabundo” e “A Bela e a Fera”. Tais filmes foram (e continuam a ser) o sinônimo de padrão de qualidade no gênero. No entanto, nos dias atuais, os filmes do estúdio Disney parecem que pararam no tempo e não acompanharam a evolução técnica do gênero de animação. Ou seja, é certo dizer que os estúdios Disney têm levado uma verdadeira surra da concorrência – a mais notável delas é o estúdio Pixar, que lançava seus filmes pela Disney e foi recentemente comprado pela companhia do Mickey.

“Selvagem”, filme do diretor Steve “Spaz” Williams, é mais uma tentativa dos estúdios Disney para provarem que ali ainda se fazem bons filmes de animação. O filme está cheio de boas intenções, mas, além de não chegar ao nível das outras películas do gênero, deixa uma péssima impressão de que se trata de um plágio descarado. No filme, o leão Sansão (Kiefer Sutherland na versão original) e seu filho Ryan vivem no zoológico de Nova York – local aonde são as atrações principais ao lado da girafa Bridget (Janeane Garofalo na versão original), do esquilo Benny (James Belushi na versão original), do coala Nigel (Eddie Izzard na versão original) e da sucuri Larry (Richard Kind na versão original).

O roteiro de “Selvagem” prefere enfocar a dinâmica familiar existente entre Sansão e Ryan. Sansão se vangloria de um passado mentiroso como leão na selva e critica Ryan por ainda não conseguir rosnar forte como um verdadeiro leão. Cansado de receber as críticas do pai, Ryan procura um local mais sossegado sem saber que, na realidade, acabou indo parar num contêiner que seria embarcado num navio rumo à África. Assim que nota o sumiço de Ryan, um desesperado Sansão parte em busca do filho e, com a ajuda dos amigos do zoológico, também parte para o continente africano – local aonde eles conhecerão novas espécies e amadurecerão.

Portanto, “Selvagem” é uma mistura de “Madagascar” com “Procurando Nemo”, dois filmes que obtiveram bastante sucesso nas bilheterias. No entanto, o filme é fraco e nem consegue repetir aquilo que fez dos filmes de animação dos estúdios Disney marcos do gênero – uma vez que as personagens de “Selvagem” não possuem carisma e não estão bem definidas, as situações e a narrativa do filme não são criativas, as canções não são memoráveis e o ritmo do filme é extremamente lento. Talvez, depois de mais um erro, seja o momento certo para a Disney pensar em modificar a sua receita de sucesso, pois, claramente, ela não está mais dando certo.

Cotação: 4,0

Crédito Foto: Yahoo! Movies

Saturday, April 29, 2006

Terapia do Amor (Prime, 2005)


“Terapia do Amor”, filme escrito e dirigido por Ben Younger, retrata a jornada de Rafi Gardet (Uma Thurman), uma mulher de 37 anos que leva uma vida sofisticada na cidade de Nova York. Rafi acaba de se divorciar e, com a ajuda de sua psicanalista Lisa Metzger (Meryl Streep), tenta colocar a sua vida nos eixos. Como uma maneira positiva de encarar o divórcio, Rafi passa a ver a sua “liberdade” como a desculpa perfeita para colocar em prática todos os planos (o mais importante deles é ter um filho) que havia deixado de lado nos nove anos de relacionamento com o marido.

No entanto, uma alternativa mais interessante aparece no caminho de Rafi quando ela conhece o jovem David Bloomberg (Bryan Greenberg), de 23 anos. David tem uma certa ingenuidade e um caráter impetuoso que atraem Rafi instantaneamente. Ele é tudo aquilo de que ela precisa naquele momento. Entretanto, na medida em que o relacionamento dos dois deixa de ser uma diversão e passa a ser encarado de maneira mais séria, Rafi começa a questionar se David tem maturidade suficiente para oferecer para ela aquilo que ela realmente deseja – segurança, divisão de responsabilidades, companheirismo, amor e, é claro, a possibilidade de formar uma família.

A partir do momento em que esse primeiro conflito é desencadeado, “Terapia do Amor” deixa de ser uma comédia romântica e passa a ser uma tragicomédia familiar, pois procura dar mais ênfase à construção de suas personagens - e, por consequência, dos relacionamentos que se estabelecem entre elas. Dessa maneira, a platéia fica sabendo que David também tem os seus próprios conflitos – ele foi criado em uma família judaica tradicional e tudo o que David realmente deseja ser e fazer vai de encontro às convicções de sua família. Mas, nenhum desses conflitos se equipara ao de Lisa Metzger, afinal a psicanalista de Rafi descobre que o jovem que está deixando sua paciente nas nuvens é seu filho querido – por essa razão, Lisa não sabe se deve se comportar como a terapeuta de Rafi ou como a mãe de David.

Uma coisa é você assistir “Terapia do Amor” sem ter visto o trailer do filme. E outra completamente diferente é você assistir “Terapia do Amor” tendo visto o trailer do mesmo. Com certeza, a experiência da descoberta entre a conexão inesperada entre os três personagens centrais de “Terapia do Amor” é mais excitante para aqueles que se encaixam no primeiro caso. No entanto, para aqueles que estão no segundo time, o filme guarda surpresas interessantes. “Terapia do Amor” não é uma típica comédia romântica. O filme trata de situações reais, de conflitos verdadeiros e tem um desfecho verossímil. Por isso mesmo, pode decepcionar a platéia acostumada aos filmes de comédia romântica mais “comuns” e que retratam relacionamentos idealizados e amores impossíveis – e, por quê não, irreais.

Cotação: 6,5

Crédito Foto: Yahoo! Movies

Tuesday, April 25, 2006

16 Quadras (16 Blocks, 2006)


Os cinéfilos de plantão se acostumaram a assistir ao ator Bruce Willis interpretando um certo tipo de herói de filmes de ação. Os seus personagens eram fortes, viris e decididos; possuíam senso de humor; e, ainda assim, conseguiam salvar o mundo de uma grande ameaça. Em “16 Quadras”, filme do diretor Richard Donner (responsável pela série “Máquina Mortífera”), Willis interpreta um tipo completamente diferente do seu normal. Seu Jack Mosley, um profissional que está em completa decadência tanto na vida pessoal como na profissional, é um homem de visual desleixado e que carrega uma proeminente barriguinha – um visual que lembra bastante o que os cinéfilos irão encontrar em breve no ator Vin Diesel (um outro herói de filme de ação) no filme “Find Me Guilty”, de Sidney Lumet.

Em “16 Quadras”, Jack Mosley tem uma função aparentemente muito simples: ele tem que transportar, por 16 quadras da cidade de Nova York, o jovem Eddie Bunker (Mos Def, talvez o mais talentoso dos rappers transformados em atores) até um tribunal de justiça. Estes seriam os 118 minutos mais simples da vida de Jack, no entanto Eddie é uma testemunha importantíssima de um caso contra policiais corruptos (alguns deles, inclusive, são amigos de Jack) – os quais querem ver Eddie morto antes de ele chegar ao tribunal. Ou seja, Eddie é um alvo móvel e Jack, sofrendo pressões de todos os lados e correndo contra o tempo, decide fazer aquilo que é o mais correto.

A trama de “16 Quadras” é muito similar à do filme “Assalto à 13ª DP”, do diretor Jean-François Richet. Nos dois filmes, os protagonistas são policiais, que fizeram algo de errado na sua carreira e entraram em completa decadência; mas que, no decorrer do desenvolvimento das tramas dos respectivos filmes, possuem a oportunidade de se redimirem e de brilhar novamente. No entanto, as semelhanças entre os dois filmes param por aí. “16 Quadras” pode oferecer a errada suposição de que se trata de mais uma história de redenção do herói errante; quando, na realidade, o filme não é tão simples assim e retrata uma fábula que ilustra a possibilidade de que o ser humano mude aspectos de sua personalidade.

“16 Quadras” é um dos melhores filmes de ação a estrearem nos últimos tempos. Além de possuir uma excelente trama, conta com atores inspirados. Bruce Willis, Mos Def e David Morse (que interpreta o ex-parceiro de Jack Mosley e um dos policiais corruptos que se interessam em ver Eddie Bunker morto) estão na sua melhor forma. O mesmo acontece com o diretor Richard Donner, que, depois de errar feio com o fraco “Linha do Tempo”, volta a um território que lhe é conhecido – o dos filmes policiais – e se redime ao mostrar que ainda existem diversas maneiras para se explorar um gênero que é tão clássico quanto os faroestes norte-americanos.

Cotação: 9,0

Crédito Foto: Yahoo! Movies

Saturday, April 22, 2006

Instinto Selvagem 2 (Basic Instinct 2, 2006)


A carreira da atriz norte-americana Sharon Stone pode ser dividida em antes e depois de “Instinto Selvagem”, filme que foi lançado em 1992. A película, que foi dirigida por Paul Verhoeven, colocava a atriz em cenas pra lá de quentes com o ator Michael Douglas. Depois deste filme, Sharon experimentou dias de glória, que culminariam com a indicação ao Oscar de Atriz Coadjuvante, em 1996, pela sua excelente interpretação como a esposa de Robert De Niro no filme “Cassino”, de Martin Scorsese. De lá para cá, Stone deu uma atenção mais especial à sua vida pessoal; mas, mesmo assim, ainda passou por maus bocados – incluindo um sério problema de saúde – e agora, para tentar recuperar a sua carreira, decidiu apelar para “Instinto Selvagem 2”, uma seqüência que vinha sendo adiada há tempos pelos produtores do filme.

“Instinto Selvagem 2”, do diretor Michael Caton-Jones, tem uma trama muito similar à do primeiro filme. A escritora de romances de mistérios Catherine Trammell (Stone) está mais uma vez envolvida com problemas com a lei. Depois dos acontecimentos retratados no primeiro filme, ela se mudou para Londres, aonde se transforma na suspeita número 01 do assassinato de Kevin Franks. A polícia inglesa não tem nenhuma pista que ligue a escritora ao crime e, para tentar arrancar algum detalhe da acusada, Roy Washburn – o policial encarregado da investigação – chama o psiquiatra Michael Glass (David Morrissey) para fazer uma avaliação psicológica de Catherine.

Quando encontra com Catherine pela primeira vez, Michael é um psiquiatra que está vivendo o auge de sua carreira profissional. Ele publica artigos freqüentemente e é o favorito para assumir uma vaga de professor em uma universidade da Inglaterra. Ele é íntegro e respeita a ética da sua profissão. Ou seja, no papel, Michael é o candidato perfeito para enfrentar a personalidade manipuladora, controladora, sedutora e ousada de Catherine. Mas, na prática, assim como o detetive Nick Curran em “Instinto Selvagem”, Michael se deixa influenciar pela persona marcante de Catherine e entra em um jogo de manipulação que faz com que o psiquiatra acredite que é ele quem está no controle da situação; quando, na realidade, quem está ditando as regras do jogo é a própria Catherine.

Se “Instinto Selvagem 2” foi um veículo feito para reavivar a carreira de Sharon Stone – e, talvez, para provar para a própria atriz que ela ainda é o símbolo sexual de quatorze anos atrás –, o tiro da atriz saiu pela culatra. O filme é muito fraco. Se Paul Verhoeven conseguiu manter o mínimo de dignidade no primeiro filme, Michael Caton-Jones ignora aquela linha tênue que separa o bom gosto da vulgaridade. No seu “Instinto Selvagem 2”, a barreira mais simples é ultrapassada e o filme, como um todo, fica igual aos livros escritos por Catherine Trammell: uma peça de ficção de quinta categoria.

Cotação: 2,5

Crédito Foto: Yahoo! Movies

Wednesday, April 19, 2006

O Sol de Cada Manhã (The Weather Man, 2005)


Dave Spritz (Nicolas Cage), o personagem principal do filme “O Sol de Cada Manhã”, do diretor Gore Verbinski, é o típico produto de uma sociedade fragmentada. Ele é um homem que está claramente em crise. Dave, aparentemente, tem uma vida estável e um bom trabalho como o “homem do tempo” de uma emissora de TV de Chicago. No entanto, quando o próprio Dave começa a fazer uma análise de sua vida, a platéia chega à conclusão de que ele vive pisando em cima de cascas de ovos.

Todos os relacionamentos de Dave são extremamente delicados. Com os seus telespectadores, por exemplo, o “homem do tempo” não sabe como se portar. Dave não quer ter a obrigação de ser simpático sempre e de ter que responder as mesmas perguntas sobre como será o clima no dia de hoje. Por causa disso, ele recebe, com freqüência, gestos de “carinho”, como ver serem atirados em sua direção restos de bebidas e de comida. A situação se complica quando a platéia observa o relacionamento familiar de Dave. Diante do pai Robert (Michael Caine) – um escritor vencedor de inúmeros prêmios literários –, e da ex-esposa Noreen (Hope Davis) e dos filhos Mike e Shelly; Dave tenta sempre parecer algo que não é e busca a aceitação daqueles a quem mais ama pelas maneiras erradas.

A maré de azar de Dave continua a partir do momento em que ele começa a receber uma série de notícias ruins. Seu pai está com câncer terminal, sua esposa está prestes a se casar novamente e seus filhos estão envolvidos em uma série de problemas – Mike acabou de sair da reabilitação e Shelly é constantemente humilhada pelos colegas de escola. Uma luz aparece quando Dave recebe uma proposta para ser o novo “homem do tempo” do “Hello America”, um programa matutino jornalístico de muito sucesso. No entanto, antes de aceitar a proposta de trabalho e de se mudar para Nova York, Dave irá entrar em uma jornada de autodescoberta e, ao tentar consertar o que existe de errado em seus relacionamentos, Dave começa a aceitar quem ele verdadeiramente é e, dessa forma, poderá se tornar uma pessoa melhor.

“O Sol de Cada Manhã” foi um filme que passou despercebido pelas salas de cinema dos Estados Unidos. Isso foi muito injusto com este filme. “O Sol de Cada Manhã” é um excelente trabalho mais intimista de Gore Verbinski – um diretor que ficou mais conhecido pelos seus filmes de maior apelo comercial, como “O Chamado” e “Piratas do Caribe – A Maldição do Pérola Negra” – e que conta com uma grande atuação de Nicolas Cage, que está perfeito ao interpretar um homem contido que libera suas emoções em poucos momentos. Não deixe que a mesma trajetória discreta se repita nas salas de cinema do Brasil. Descubra “O Sol de Cada Manhã”, pois ele merece ser encontrado.

Cotação: 8,5

Crédito Foto: Yahoo! Movies

Tuesday, April 18, 2006

Armações do Amor (Failure to Launch, 2006)


Uma das comédias românticas mais bem-sucedidas dos últimos anos foi “Hitch – Conselheiro Amoroso”, do diretor Andy Tennant, e no qual Will Smith interpretava um cara boa-pinta que tinha o objetivo de ajudar os homens a conquistarem as mulheres que eles consideravam como sendo os amores de suas vidas; mas que se atrapalhava completamente quando ele mesmo estava controlando as rédeas do jogo amoroso. No filme “Armações do Amor”, do diretor Tom Dey, Sarah Jessica Parker interpreta uma espécie de Hitch de saias, mas os dois personagens atuam de maneiras completamente diferentes.

Paula (Parker) é uma espécie de “intermediadora profissional”, ou seja, ela é contratada pelos pais de algum homem que teima em não sair da residência oficial da família para simular uma espécie de relacionamento amoroso com seu filho e, em conseqüência disso, fazer com que ele ganhe uma auto-estima e queira começar uma vida mais independente bem longe da proteção e da segurança que o lar paterno e materno oferecem. A mistura de negócios com prazer sempre aconteceu de uma maneira muito natural para Paula, mas, a partir do momento em que ela é contratada para “ajudar” Tripp (Matthew McConaughey), um vendedor de barcos de 35 anos, a mescla de trabalho e prazer se transformará em um composto altamente explosivo.

Um dos elementos mais interessantes de “Armações do Amor” é que o filme revela os dois lados opostos da sua história com a mesma importância. De um lado estão os tipos formados por Tripp e seus amigos Ace (Justin Bartha, que fez o infame “Contato de Risco” com o então casal Jennifer Lopez e Ben Affleck) e Demo (Bradley Cooper, conhecido do público pela sua participação no seriado “Alias”) – homens que preferem “ter uma casa legal para voltar à noite” e que se recusam a enfrentar uma vida mais séria e responsável. E do outro, os pais dessas pessoas; seres ansiosos para ver os filhos fora de suas casas (sem sofrerem qualquer ameaça da “síndrome do ninho vazio”, que afeta muitos casais que se vêem sozinhos novamente depois que os filhos vão embora) e ganhando amadurecimento ao cometerem erros e acertos.

Esse é somente um dos diferenciais de “Armações do Amor”, uma típica comédia romântica com todas aquelas situações que são de praxe nos filmes do gênero, mas que consegue deixar uma boa impressão na platéia, pois apresenta para os espectadores, com bom humor e senso total de realidade, uma situação que poderia ser considerada patética por qualquer pessoa normal – o fato de que um homem adulto não quer abandonar a segurança, o conforto e a comodidade do lar dos pais.

Cotação: 7,0

Crédito Foto: Yahoo! Movies

Wednesday, April 12, 2006

Irma Vap - O Retorno (2006)


“Irma Vap – O Retorno” é um filme cheio de talentos na frente e por trás das câmeras. A diretora Carla Camurati (que co-escreveu o roteiro do filme ao lado de Melanie Dimantas e de Adriana Falcão), por exemplo, é a responsável por aquilo que os críticos definem como o início da retomada do cinema brasileiro – quando ela lançou o filme “Carlota Joaquina – A Princesa do Brazil”, em 1995. Já os atores Marco Nanini e Ney Latorraca são dois monstros sagrados do teatro e da televisão brasileiras. Os dois entraram para o Guiness Book, o Livro dos Recordes, com “O Mistério de Irma Vap”, peça que ficou onze anos em cartaz e foi vista por cerca de dois milhões de espectadores – e, por isso mesmo, se tornou a peça que ficou por mais tempo sendo encenada.

Mesmo assim, “Irma Vap – O Retorno”, não é uma adaptação da famosa peça teatral; pelo contrário, o roteiro do filme a utiliza para fazer o retrato de uma nova história. Em “Irma Vap – O Retorno”, um famoso produtor teatral, depois de amargar muitos fracassos de bilheteria, falece; e seu filho ao lado de seu sócio (Marcos Caruso), como forma de homenagearem-no, decidem remontar aquela que foi a sua peça mais famosa: “O Mistério de Irma Vap”. O roteiro de “Irma Vap – O Retorno” segue justamente todo o processo de montagem da nova versão da peça.

E esse processo começará com alguns percalços. Quem detém os direitos da peça teatral é o ator Tony Albuquerque (Nanini), que ficou paralítico depois de um atropelamento. Tony depende diretamente da irmã Cleide (também interpretada por Nanini), uma ex-estrela infantil que ficou conhecida como “A Pequena Grande Cantora”. Para convencer Cleide a assinar os papéis de cessão dos direitos autorais da peça, os dois produtores teatrais convocam Darcy (Latorraca), o ator que contracenou com Tony na primeira versão de “O Mistério de Irma Vap” e que atualmente é um diretor teatral.

Depois dessa primeira parte, “Irma Vap – O Retorno” se dedica ao processo de montagem da peça e mostra, com detalhes, o trabalho de um diretor teatral, ao ressaltar a sua importância para a construção do perfil dos personagens e para o conseqüente trabalho que será realizado pelos atores. É também, neste momento, que Ney Latorraca e Marco Nanini abrem espaço para os jovens talentos Thiago Fragoso e Fernando Caruso – que interpretarão os papéis que foram deles na peça.

É por esses e outros detalhes que “Irma Vap – O Retorno” é um filme que faz uma grande homenagem ao meio do teatro. É nesse meio em especial que brilha a figura do ator. Por esta razão, no filme, o trabalho da diretora Carla Camurati – apesar de ser excelente – não chama muito a atenção. Ela deixa todo o filme pronto para os atores. São eles que brilham. E, assim como acontece no teatro, são eles que irão receber os louros finais da platéia.

Nota: 8,0

Crédito Foto: Yahoo! Movies

Saturday, April 08, 2006

V de Vingança (V for Vendetta, 2006)


Toda a ação de “V de Vingança”, do diretor James McTeigue, se passa em uma Inglaterra futurista, dona do poderio político do mundo. Um país aonde o medo é a principal matéria-prima do governo, que planta histórias mentirosas na imprensa para fomentar este sentimento, com o objetivo de lembrar ao povo por quê eles precisam tanto daquele tipo de governo. Um país aonde não existe liberdade e a população tem os seus direitos mínimos cassados – a rotina do povo está sujeita a um toque de recolher diário e à vigilância dos homens-dedo.

Ou seja, a história do filme poderia muito bem estar sendo passada nos Estados Unidos atuais (que, em “V de Vingança”, são uma nação em decadência, justamente como conseqüência para uma série de guerras que eles começaram a viver a partir do início da década de 2000). Ou, até mesmo, ser situada na Alemanha nazista – o governante máximo da Inglaterra de “V de Vingança” é o chanceler Adam Sutler, que usa um símbolo muito próximo da suástica do governo de Adolf Hitler e que fez dos homossexuais inimigos número um de seu regime.

Por causa disso, não é surpresa nenhuma observar que os dois personagens principais de “V de Vingança” são duas vítimas desse sistema de governo. Evey Hammond (Natalie Portman) é uma jovem que trabalha na emissora de televisão do governo inglês e que viu o seu irmão ser morto em decorrência de um ataque biológico e seus pais ativistas políticos serem presos e mortos. Já o “herói” do filme, V (Hugo Weaving), foi um dos que, na condição de prisioneiro, sofreu nas mãos do governo de Sutler; e, depois de ganhar a sua liberdade, decidiu entrar numa cruzada em busca da vingança e, mais precisamente, da justiça que deixou de existir a partir do momento em que Sutler ascendeu ao poder na Inglaterra.

A partir das ações de V, o roteiro do filme deixa claro qual é a sua intenção: mostrar que as idéias têm o poder de mudar o mundo e de que o povo é o motor principal para que estas mudanças aconteçam. Para os Irmãos Wachowski (autores do roteiro de “V de Vingança”), é o governo que tem que temer a população, e não o contrário. Dessa forma, “V de Vingança” é feito de muitas frases de grande efeito; porém, com certeza, as ações que a platéia vê serem retratadas no filme não devem ser usadas como fonte de inspiração. Existem melhores maneiras para se enfrentar governos intransigentes do que ficar explodindo prédios que representam anos e anos da história social e política de alguns países.

Os Irmãos Wachowski mudaram o curso do cinema contemporâneo quando lançaram, em 1999, o filme “Matrix”. Para suceder a trilogia do predestinado Neo, eles escolheram a história de “V de Vingança”, que foi baseada nos quadrinhos de Alan Moore. Uma história atual e procedente, mas que, nas mãos de James McTeigue, perde muito de sua força. Poucas cenas realmente são memoráveis, como aquela em que Evie sai na chuva, em que V enfrenta os homens de Creedy e em que o Parlamento inglês é explodido. É melhor prestar atenção mesmo ao roteiro do filme, que pode ser resumido perfeitamente por uma frase que o personagem V repete muito no decorrer de “V de Vingança”: “os artistas usam as mentiras para contar a verdade”.

Crédito Foto: Yahoo! Movies