Thursday, August 16, 2007

Sem Reservas (No Reservations, 2007)

A atriz Abigail Breslin conseguiu um de seus primeiros papéis de destaque no filme “Um Presente Para Helen” (2004), do diretor Garry Marshall, em que Kate Hudson interpreta uma jovem que trabalha na indústria da moda e que, após a morte de sua irmã e cunhado, é denominada a tutora de seus três jovens sobrinhos (além de Abigail, seu irmão Spencer Breslin e Hayden Panettiere) – numa experiência que vai mudar a sua vida e obrigá-la a amadurecer e a encarar responsabilidades. Tendo isto em mente, chega até a ser curioso tentar saber o por quê de Abigail ter decidido fazer “Sem Reservas”, filme do diretor Scott Hicks e o primeiro projeto da atriz após receber sua indicação ao Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante pelo filme “Pequena Miss Sunshine”.

“Sem Reservas” também é o projeto que marca a volta de Catherine Zeta-Jones ao cinema, depois de dois anos ausentes da grande tela. No filme, ela interpreta Kate Armstrong, uma cozinheira de um badalado restaurante nova-iorquino que leva uma vida cheia de regras e pouca emoção. A rotina dela é bem simples: de casa para o trabalho, do trabalho para casa – com pausas rápidas para uma sessão de terapia que ela acha completamente dispensável. Entretanto, Kate se depara com o imprevisível quando recebe a notícia de que sua irmã, que viajava com a filha Zoe (Abigail Breslin), sofreu um acidente de carro e acabou falecendo.

Acostumada a responsabilidade de dirigir uma grande cozinha todas as noites – onde ela tem uma personalidade forte, digna de uma leoa que protege seu território –, Kate fica completamente perdida quando se depara com a tarefa permanente de criar a sobrinha Zoe. O descontrole de Kate ficará ainda mais nítido quando sua chefe (Patricia Clarkson) contrata um novo cozinheiro chamado Nick (Aaron Eckhart) para ajudá-la. Tantas mudanças importantes farão com que Kate fique cada vez mais vulnerável e ela terá que encontrar uma maneira de deixar de pensar menos nela para criar um ambiente familiar favorável à sua sobrinha.

Baseado no filme “Simplesmente Martha”, da diretora Sandra Nettleback, “Sem Reservas” é um daqueles filmes cujo desfecho e situações são completamente previsíveis; mas, mesmo assim, de alguma maneira, eles acabam nos envolvendo demais com sua história. Catherine Zeta-Jones, Aaron Eckhart e Abigail Breslin estão muito bem juntos e fazem com que o familiar se torne novo. Além disso, é quase impossível não se identificar com uma história que fala sobre como é bom o sabor de viver e de ser feliz –especialmente se a felicidade vem depois de uma grande dose de sofrimento.

Cotação: 7,8

Crédito Foto: Yahoo! Movies

Tuesday, August 14, 2007

Quebra de Confiança (Breach, 2007)

O diretor Billy Ray tem se especializado num determinado gênero: o de relato de histórias reais de pessoas que viviam na mentira. No seu primeiro filme, o ótimo “O Preço de uma Verdade” (2003), Ray falava sobre Stephen Glass, um jornalista que, nos anos 90, trabalhava na revista “The New Republic”, aonde cometeu o crime de fraude jornalística – ao redigir matérias que eram fruto de sua fértil imaginação. O segundo filme do diretor, “Quebra de Confiança”, vai um pouco além desse tema e fala sobre Robert Hanssen, agente do FBI que também era um espião da União Soviética e foi o responsável pelo maior crime de vazamento de informações da história do Bureau.

A trama do filme – que foi escrita por Billy Ray, Adam Mazer e William Rotko – apresenta a história sob o ponto de vista de Eric O’Neill (Ryan Phillippe), um jovem funcionário do FBI, responsável pelo monitoramento de pessoas que são suspeitas de cometer atos de terrorismo. Eric alimenta o sonho de se tornar um agente e, ao receber um chamado de Kate Burroughs (Laura Linney), para uma misteriosa missão, ele vê a oportunidade perfeita para mostrar serviço e conseguir aquilo que quer.

Aparentemente, o caso que Eric tem que investigar é bem simples. Um agente experiente do FBI chamado Robert Hanssen (Chris Cooper) é acusado de manter uma conduta imprópria no trabalho (leia-se, mandar arquivos pornográficos). O que Kate Burroughs precisa é de uma prova dessa conduta, que pode manchar um pouco a imagem do FBI. Com o tempo, Eric percebe que o caso é mais sério do que ele pensava e é a partir desse momento que Kate revela para ele as verdadeiras suspeitas em cima de Hanssen: um agente com mais de 25 anos de serviço no Bureau, mas que é o responsável pelo vazamento de informações que causaram a morte de diversas fontes dos EUA na Rússia, bem como atrapalharam as relações diplomáticas entre o país e alguns de seus aliados.

“Quebra de Confiança”, assim como o filme anterior de Billy Ray, mostra até que ponto a mentira vai consumindo uma pessoa a ponto de ela não saber mais quem ela é. Trabalhar no caso Hanssen transforma Eric numa pessoa vulnerável. Ele lida com sentimentos contraditórios – a admiração que sente por Hanssen e a repulsa por aquilo que ele fez. Além disso, Eric tem uma visão de como seria sua vida se ele realmente se transformasse num agente – ele colocaria seu casamento em risco ao ter que, obrigatoriamente, manter segredos da esposa Juliana (Caroline Dhavernas).

E é justamente ao mostrar – num pano de fundo – o conflito entre o lado público e o lado privado dessas pessoas que, diariamente, convivem com a responsabilidade tremenda de manter a segurança de um país como os EUA que “Quebra de Confiança” atinge um de seus pontos altos. O filme ratifica uma imagem que é muito passada por este atual governo norte-americano: a de que o risco pode estar presente aonde você menos imagina (Hanssen era um católico fervoroso, um avô amado pelos netinhos). Billy Ray faz um filme que chega a ser bem próximo da perfeição, com um roteiro muito bem escrito, com atuações inspiradas (especialmente da dupla Ryan Phillippe e Chris Cooper) e um desfecho intenso.

Cotação: 9,5

Crédito Foto: Yahoo! Movies

Sunday, August 12, 2007

Lendo - "Grace"

“A face pública de Grace foi sua criação suprema, e sua maior virtude, num mundo muitas vezes falso e artificial, a de realmente ter se esforçado para parecer tão boa quanto parecia. Foi um ser humano falível, mas estava sempre pronta para aprender através de seus erros, fazendo mudanças reais em sua vida, à medida que começava a perceber o vazio e o custo do sonho que foi programada para perseguir. Manter para o público a imagem ilusória de felicidade junto a um homem que muitas vezes só lhe trazia desgosto fora a maior de suas performances, e ela desempenhou esse papel até o fim porque fizera um juramento – e também porque sabia que a felicidade em geral é complicada, e raras vezes satisfaz todos os desejos que uma pessoa pode ter. Grace Kelly, a princesa Grace de Mônaco, era autêntica. Sua beleza física refletia suas maiores qualidades, não era uma camuflagem. Teve sorte com a aparência, mas levou uma vida à altura de sua beleza física”. (Robert Lacey, “Grace”, pág. 336)

Grace Patricia Kelly foi predestinada a viver um conto de fadas. Nascida no dia 12 de novembro de 1929, na Filadélfia, ela cresceu no meio de uma família rica (dona de uma empresa de construção que fez fortuna ao conseguir contratos com o governo dos EUA) e cheia de glória. O pai, Jack Kelly, foi campeão olímpico no remo. A mãe, Ma Kelly, uma das poucas mulheres de sua época a cursar faculdade. Os Kelly sempre foram muito cobrados e Grace, que possuía uma personalidade submissa e cheia da necessidade de agradar e, principalmente, ser amada, foi um dos membros da família a ser mais suscetíveis a esse tipo de pressão e cobrança.

A biografia “Grace”, escrita por Robert Lacey em 1994, e que foi lançada no Brasil no ano seguinte pela editora Nova Fronteira, mostra que a vida de Grace foi marcada por muita intensidade. E foi com esse ardor que Grace se apaixonou pela atuação (por influência do Tio George, um famoso dramaturgo), fez seu nome como modelo quando morava em Nova York, viveu seus – muitos – amores e cresceu de forma impressionante em Hollywood. A intensidade também se fez presente no seu romance fulminante com o príncipe Rainier (1923-2005), de Mônaco, com quem ela se casou em 1956. E foram acontecimentos intensos (provavelmente uma briga com sua filha caçula Stephanie) aqueles que antecederam a sua morte, no dia 14 de Setembro de 1982, quando o carro em que ela dirigia caiu no meio das montanhas que rodeiam Mônaco.

Entretanto, um dos elementos mais interessante da biografia é a maneira como Robert Lacey revela aquilo que Alfred Hitchcock chamava de “as incongruências de Grace”. O diretor inglês foi um dos poucos a perceber que, por baixo de tanta neve, existia um vulcão – e ele soube explorar como nenhum outro a imagem de Grace como mulher de classe, elegância, mas que poderia ser sensual, sim, nos momentos menos esperados. Estas incongruências aparecem em alguns elementos muito interessantes da personalidade de Grace, como:

- Católica fervorosa, do tipo que estudou em colégio de freiras (até a morte, Grace manteve contato com as religiosas que as educaram) e que recorria à fé nos momentos mais difíceis de sua vida, Grace viveu – muitas vezes – “em pecado”, ao ter casos com homens casados (Ray Milland foi o mais notável deles) e perder a virgindade antes do casamento (passagens do livro relatam a preocupação de Grace, antes de se casar com Rainier, com um exame médico que revelaria a sua “condição”).

- A manutenção de uma imagem virginal e pura, quando, na realidade, Grace foi um furacão para os seus namorados, que se impressionavam com a sua sexualidade exacerbada – o livro tem inúmeros detalhes sobre as escapadelas sexuais de Grace Kelly e sobre como ela deixava todos os homens que a conheciam completamente loucos por ela.

- Grace sempre foi uma mulher extremamente independente. Saiu da casa dos pais cedo e começou a se sustentar sozinha também muito jovem. Peitou a MGM, lutando pela sua liberdade artística, quando o estúdio decidiu impor a ela as condições do contrato que ela havia assinado com eles. Mesmo assim, Grace mantinha uma posição submissa à vontade dos pais. Fazia tudo o que eles desejavam (desde acabar namoros; se afastar de companhias indesejáveis; tentar uma carreira no teatro, ao invés do cinema), mesmo que isso causasse a sua própria infelicidade, porque o que era mais importante para ela era causar orgulho especialmente no seu pai.


Robert Lacey ainda vai além ao dizer que o grande temor de Grace Kelly era o de que ela fosse desmascarada – que as pessoas, de alguma maneira, perdessem a crença nela como aquele ser modelo de elegância e de pureza. Quanta decepção ela teve quando sua própria mãe, nas vésperas de seu casamento com Rainier, lançou uma série de reportagens contando sobre seus casos amorosos. Quanto alívio ela teve quando Gwen Robyns (a escritora de uma de suas biografias) resolveu omitir seus inúmeros casos. Quantas vezes a própria Grace teve que fingir manter a vida de conto de fadas da Princesa com seu Príncipe que tanto inspirava jovens de todo mundo.

O mais curioso na trajetória de vida de Grace Kelly não foi a sua busca pela constante adulação ou pelo amor. Foi a maneira pela qual ela, de certa maneira, se reinventou ao longo dos anos. Grace herdou do pai essa garra, essa luta para buscar seus sonhos. Ela moldou seu sotaque, criou seu estilo (com a ajuda da visão de Alfred Hitchcock), abandonou a sua carreira no auge, mudou de vida, agarrou com afinco as obrigações de seu novo papel e, logo perto do fim, ensaiava a sua volta aos palcos, como leitora de poesias. E, se o maior medo de Grace era ser desmascarada, chega até a ser curioso o fato de ela ter morrido quando estava cheia de planos e tinha reencontrado o prazer de viver. Ela não tinha mais o medo de ser descoberta. Ela só queria ser feliz.

"Grace"
Autor: Robert Lacey
Editora: Nova Fronteira

Saturday, August 11, 2007

Primo Basílio (2007)

“O Primo Basílio”, livro do escritor português Eça de Queiroz que foi lançado em 1878, faz uma pequena análise da típica família de classe média, que vivia nas grandes cidades. Para a adaptação cinematográfica dirigida por Daniel Filho e escrita por Euclydes Marinho e Rafael Dragaud, a ação da trama sai de Lisboa e vai para São Paulo, no ano de 1958, logo após o Brasil ter ganhado o seu primeiro título mundial no futebol e o anúncio da construção de Brasília, pelo então presidente Juscelino Kubitscheck.

A primeira seqüência do filme acontece no teatro, enquanto Luísa (Débora Falabella), seu marido Jorge (Reynaldo Gianecchini) e seu amigo Sebastião (Guilherme Fontes) estão assistindo a uma ópera. Num dos intervalos da apresentação, Luísa – que sempre parece estar em busca de alguém – reencontra o seu primo Basílio (Fábio Assunção), que voltou ao Brasil a trabalho depois de anos vivendo na Europa. No passado, ainda antes de conhecer Jorge, Luísa e Basílio mantiveram um romance.

Luísa tem uma vida sem muitas surpresas. Tem uma casa confortável, comandada por duas empregadas – Joana (Zezeh Barbosa) e Juliana (Gloria Pires) –, um marido amoroso e compreensível. Os momentos mais emocionantes de seus dias acontecem quando ela recebe a visita da amiga Leonor (Simone Spoladore), uma mulher casada como Luísa, mas que se diverte com vários amantes. A volta de Basílio traz novamente para Luísa um pouco daquela sensação de novo – mesmo que o novo, neste caso, seja representado por alguém do passado e com quem suas relações ainda estão mal resolvidas.

Um romance entre Luísa e Basílio começa a ser inevitável, ainda mais depois que o engenheiro Jorge é convocado por Lúcio Costa (um dos responsáveis pela construção de Brasília ao lado de Oscar Niemeyer) para trabalhar na edificação da nova capital do Brasil. Sozinha e carente, é com o primo que ela vai passar esses dias livres e “sem marido”. As coisas fogem do controle de Luísa quando Juliana encontra as cartas de amor trocadas pelos dois e começa a chantagear a sua patroa, com o objetivo de garantir a sua aposentadoria.

“Primo Basílio” é uma aula de como não se fazer um filme. A película é uma série de erros após o outro. A começar, o roteiro de Euclydes Marinho e Rafael Dragaud é muito ruim. A escalação do elenco foi péssima – Débora Falabella que começa tão bem como Luísa, se perde a partir do momento em que sua personagem fica nervosa demais com o jogo de chantagem de Juliana; Reynaldo Gianecchini irrita com seu sotaque; Fábio Assunção é a apatia em pessoa. A direção de Daniel Filho não tem nada de especial. A trilha criada por Guto Graça Mello irrita. Do desastre só se salva mesmo Gloria Pires e sua grande atuação como Juliana.

Cotação: 1,0

Crédito Foto: Yahoo! Cinema

Friday, August 10, 2007

Napoleon Dynamite (2004)

A comédia “Napoleon Dynamite”, do diretor Jared Hess, foi mais um dos filmes descobertos no Festival de Cinema de Sundance, que foi criado por Robert Redford e acontece todos os anos na cidade de Park City (Utah). Quando estreou no festival, em 2004, o filme recebeu ótimas críticas e, em Agosto do mesmo ano, foi lançado nos cinemas dos Estados Unidos, arrecadando uma bilheteria de quase 45 milhões de dólares. Ou seja, considerando o seu baixo orçamento, o filme foi um enorme sucesso. No entanto, como acontece com a maioria dos filmes de comédia lançados recentemente nos EUA, “Napoleon Dynamite” nem chegou aos cinemas brasileiros, que ainda preferem filmes de gente mais conhecida, como Ben Stiller, Owen Wilson e Vince Vaughn, e foi lançado direto em DVD.

O roteiro do filme, que foi escrito por Jared Hess e Jerusha Hass (tendo como base um curta-metragem de autoria deles) segue a rotina de Napoleon Dynamite (Jon Heder), um jovem que vai todos os dias ao colégio num ônibus escolar cheio de alunos do ensino fundamental, e que, basicamente, leva uma vida muito solitária até conhecer os não menos isolados Pedro (Efren Ramirez) e Deb (Tina Majorino). Com eles, Napoleon tenta reverter um pouco o ambiente escolar repressivo em que vive (com aqueles retratos já bem estereotipados de “populares” de um lado e “freaks” sendo humilhados de outro) ao participar da campanha para eleger Pedro como o presidente da classe e ao convidar Trisha (Emily Tindall), uma das meninas mais populares do colégio, para ser seu par no baile.

Além dessa trama principal, “Napoleon Dynamite” tem algumas situações paralelas envolvendo a bizarra família de Napoleon e que é formada pela avó (Sandy Martin) de espírito aventureiro que cria uma cabrita; o irmão Kip (Aaron Ruell), que passa o dia em frente ao computador conversando com a namorada virtual; e o tio Rico (Jon Gries), que tem uma obsessão pelo ano de 1982 e tenta – a todo custo – introduzir o sobrinho Kip no seu negócio de vendas de Tupperware.

Antes de assistir a este filme, a impressão que eu sempre tive era a de que “Napoleon Dynamite” era um filme engraçadíssimo, daqueles que nos fazem chorar de tanto rir. Ledo engano. Por ficar indo de uma trama a outra, o filme perde cadência e não causa uma única risada sequer. O melhor momento de “Napoleon Dynamite” é a dança que Napoleon faz após o discurso final de Pedro na campanha para ser eleito presidente da classe – o vídeo está no You Tube para quem quiser ver, com mais de oito milhões de acessos.



Cotação: 2,5

Crédito Foto: Yahoo! Movies

Tuesday, August 07, 2007

Correndo Com Tesouras (Running With Scissors, 2006)

Em um determinado momento de “Correndo com Tesouras”, filme do diretor e roteirista Ryan Murphy, Deirdre Burroughs (Annette Bening) olha para o seu psiquiatra, o Dr. Finch (Brian Cox), e fala sobre a sua ansiedade. Ela se sente sufocada, oprimida e, por causa disso, não consegue colocar para fora tudo aquilo que ela é. Essa definição não só se aplica a Deirdre, como também a todos os personagens que fazem parte desta trama baseada no livro de memórias de Augusten Burroughs. Pessoas que se apóiam na loucura, em estereótipos, em certas atitudes que, na realidade, escondem o que estas pessoas sentem ou são.

“Correndo com Tesouras” é narrado por Augusten (Joseph Cross), filho de Deirdre e Norman Burroughs (Alec Baldwin), um garoto que, desde cedo, foi muito acostumado a um ambiente familiar incomum. A mãe, que era mais preocupada em escrever algo especial e alcançar a fama; e o pai, um alcoólatra, não eram os melhores exemplos. Mesmo assim, o garoto Augusten se espelha – até demais – na sua mãe. Portanto, imagine a decepção do garoto quando ela – sob orientação do Dr. Finch – o deixa na casa do psiquiatra e de sua família – a esposa Agnes (Jill Clayburgh) e os filhos Hope (Gwyneth Paltrow), Natalie (Evan Rachel Wood) e Neil (Joseph Fiennes) –, a qual Augusten verá que também é cheia de problemas.

A questão que o filme aborda é até interessante. Enquanto muitos jovens sonham em crescer num tipo de ambiente como o que Augusten viveu (livre, sem limites ou imposições), chega um momento em que o que Augusten quer é justamente o contrário. Ele quer ser normal, quer ter um horário para chegar em casa, quer ser colocado de castigo, quer receber um “não”, enfim, ele quer ser preparado para o mundo. Mas, antes de chegar neste estágio, o primordial para Augusten é sobreviver no meio de tanta loucura.

Para colocar esta trama na tela, realmente não poderia ser outra pessoa que não o diretor e roteirista Ryan Murphy. A marca registrada de seu trabalho é colocar elementos que fazem parte do nosso dia-a-dia, como o colegial (na subestimada série “Popular”), um mundo em que a beleza é fundamental (no seriado “Nip/Tuck”) e, no caso de “Correndo com Tesouras”, o ambiente familiar; e mostrá-los de uma maneira um tanto exagerada, mas, nem por isso, menos real. Ele retrata pessoas que – ao lutarem para passar uma imagem daquilo que não são – só estão em busca de sua verdadeira identidade.

Em “Correndo com Tesouras”, para alcançar este efeito, Ryan Murphy precisava ter um bom elenco, que mostrasse de maneira adequada esta linha delicada que separa o exagero do real. E, para a sorte dele, todos os atores do filme (com exceção de uma apática Gwyneth Paltrow) estão muito bem. Os destaques positivos, além de Annette Bening (uma quase especialista na interpretação de tipos como os de Deirdre Burroughs), são Brian Cox, Jill Clayburgh e a revelação Joseph Cross.

Cotação: 6,5

Crédito Foto: Yahoo! Movies

Monday, August 06, 2007

Trailer - "Lions for Lambs"

Depois de 9 anos ausentes da cadeira de diretor, quando dirigiu o filme "O Encantador de Cavalos", o ator, diretor e produtor Robert Redford volta ao posto com o filme "Lions for Lambs", um drama escrito por Matthew Michael Carnahan (o irmão do diretor Joe Carnahan, do filme "Narc") que reúne - bem ao estilo "Syriana - A Indústria do Petróleo" - várias histórias sobre o envolvimento dos EUA no Afeganistão.

Na primeira delas, um senador (Tom Cruise) discute a crise atual vivida no Afeganistão com a repórter (Meryl Streep) que fez a sua carreira. Na segunda, um professor (Robert Redford), que ensina Ciências Políticas, tenta convencer seu mais brilhante estudante a não desistir do curso - e, para isso, usa como exemplo dois de seus ex-alunos que se alistaram por vocação no Exército norte-americano. Na terceira, o roteiro segue os dois ex-alunos do professor (Michael Peña e Derek Luke), que estão combatendo no Afeganistão.

O filme é a grande aposta da MGM e de Tom Cruise (que ainda sonha com sua estatueta dourada) para o Oscar 2008.

O trailer de "Lions for Lambs":



"Lions for Lambs" (2007)
Direção: Robert Redford
Elenco: Tom Cruise, Meryl Streep, Robert Redford, Michael Peña, Derek Luke, Peter Berg
Lançamento: 09 de Novembro, nos EUA.

Saturday, August 04, 2007

A Volta do Todo Poderoso (Evan Almighty, 2007)

Quando “Todo Poderoso”, filme do diretor Tom Shadyac, estreou em 2003, o comediante Steve Carell ainda lutava para ser um nome reconhecido na indústria. O filme abriu portas para ele, que, desde então, se transformou em um ator bastante requisitado e conhecido pelo seu trabalho não só no cinema (em filmes como “O Virgem de 40 Anos” e “Pequena Miss Sunshine”), como também na televisão (na adaptação norte-americana do seriado “The Office”). Com a recusa de Jim Carrey em participar da seqüência do filme, era mais do que natural que o nome de Carell fosse colocado como um dos possíveis substitutos do ator. E é justamente ele que encabeça o elenco de “A Volta do Todo Poderoso”, novamente sob a direção de Tom Shadyac.

No filme, Steve Carell interpreta o mesmo personagem que fez na primeira película, o do âncora de TV Evan Baxter. Ele se prepara para sofrer grandes mudanças em sua vida, tendo em vista que acaba de ser eleito deputado e está indo viver permanentemente em Washington ao lado de sua família, que é formada pela esposa June (Lauren Graham, do seriado “Gilmore Girls”) e pelos três filhos Dylan (Johnny Simmons), Jordan (Graham Phillips) e Ryan (Jimmy Bennett). A mudança vem cheia de expectativas na família Baxter, que espera que o marido e pai Evan participe mais do dia-a-dia familiar.

Assim como acontece com o personagem interpretado por Jim Carrey em “Todo Poderoso”, a partir do momento em que Evan Baxter consegue aquilo que ele realmente deseja, sua vida vira de pernas para o ar. Como se ele já não tivesse enormes responsabilidades no papel de marido, pai e deputado, Deus (mais uma vez interpretado por Morgan Freeman) aparece pedindo-o que construa uma Arca de Noé e salve animais e humanos de um aparente dilúvio que está por vir. Totalmente incompreendido pelas pessoas (até mesmo pela sua família), Evan fica sozinho, vestido e caracterizado como um homem da antiguidade e sendo taxado de louco.

Quem for assistir “A Volta do Todo Poderoso” esperando encontrar um filme que cause inúmeras risadas, pode se decepcionar. O filme foge da questão tocada no primeiro filme (o egoísmo de um homem que, deparado com um poder enorme, decide usá-lo a seu favor) e tenta abordar algo maior (Evan usa o poder que Deus lhe dá para o bem de todos, pois só assim ele mesmo pode encontrar a sua própria felicidade). Com um elenco formado, basicamente, de ótimos comediantes (além de Steve Carell e Lauren Graham, podemos encontrar na tela John Goodman, a excelente Wanda Sykes, John Michael Higgins e Molly Shannon), os poucos momentos cômicos que Tom Shadyac dedica ao seu elenco soam até forçados demais – o que é uma pena. Se você quiser rir, é melhor esperar os créditos finais, em que todo mundo parece soltar o humor que ficou preso durante o filme todo.

Cotação: 4,0

Crédito Foto: Yahoo! Movies

Trailer - "Atonement"

O segundo semestre do ano é sempre uma época muito aguardada pelos cinéfilos, pois, geralmente, é a partir dele que os filmes que irão brigar pela estatueta do Oscar começam a ser lançados. Neste sentido, um dos filmes mais aguardados - e comentados - é "Atonement", do diretor Joe Wright (de "Orgulho e Preconceito"). Adaptação do aclamado livro de Ian McEwan (que se chama "Reparação", e foi lançado pela Companhia das Letras no Brasil), "Atonement" conta uma história que se passa no Verão de 1933, quando uma garota de 13 anos (Saoirse Ronan, a jovem atriz que vai ter a grande responsabilidade de interpretar Susie Salmon na esperada adaptação de "The Lovely Bones", a ser dirigida por Peter Jackson) começa a observar o jogo de flertes que se desenvolve entre a sua irmã mais velha (Keira Knightley) e o filho de um dos empregados da casa (James McAvoy).

O trailer mais recente do filme - que será lançado mundialmente no Festival de Cinema de Veneza, que começa no dia 29 de agosto - confirma as excelentes expectativas que são colocadas em cima do filme. Uma trilha sonora marcante de Dario Marianelli, uma direção de arte e figurinos sofisticados, uma história que tem ecos de "Cold Mountain" (um amor que vai para a guerra e a mocinha prometendo esperá-lo). Ainda é cedo para se falar sobre as atuações do filme, mas, as primeiras reações daqueles que já assistiram "Atonement", dirigem os olhares para possíveis indicações de Keira Knightley, James McAvoy e alguns chegam até a indicar um favoritismo para Romola Garai ao Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante em 2008. É esperar para ver.



Atonement (England, 2007)
Diretor: Joe Wright
Elenco: Keira Knightley, James McAvoy, Romola Garai, Brenda Blethyn, Vanessa Redgrave, Saoirse Ronan, Juno Temple, Michelle Duncan.
Data de Lançamento: 07 de Setembro de 2007, na Inglaterra.

Thursday, August 02, 2007

Em Nome da Honra (Catch a Fire, 2006)

Quando uma pessoa se depara com um regime autoritário, ela pode agir de duas maneiras. Na primeira, mesmo se não concordar com os preceitos do regime, a pessoa decide viver sua vida normalmente, de maneira pacífica, como se nada de anormal estivesse acontecendo. Na segunda, ao invés de ficar presa ao conformismo, a pessoa decide agir e tenta contestar e/ou modificar o que está acontecendo. Na África do Sul dominada pelo Apartheid, Patrick Chamusso (numa atuação fantástica de Derek Luke) faz parte do grupo que age da primeira maneira. Ele tem um bom emprego, é casado com Precious (Bonnie Henna, excelente) e pai de duas garotinhas. Com elas, vive em uma casa própria, tem o seu carro e alguns luxos. A sua atitude mais controversa é manter um segredo de sua esposa: ele tem um filho com uma mulher com quem ele teve um caso extraconjugal.

Tudo isto vai mudar quando Patrick é acusado, injustamente, de orquestrar um ataque terrorista na empresa aonde trabalhava. Mantido prisioneiro por vários dias e depois de muita tortura (até a esposa dele é vítima dos temidos agentes do governo da África do Sul), Patrick é, finalmente, liberado por Nic Vos (Tim Robbins, ótimo) – o líder dos agentes – e volta para casa. Mas, a vida dele nunca será a mesma. Num ímpeto, Patrick decide ir para Moçambique e se alista no exército revolucionário para receber treinamento e aí sim fazer aquilo de que foi erroneamente acusado de cometer.

Os cinéfilos costumam prestar muita atenção nos filmes que recebem espaço na mídia e, por conseqüência, tem uma abertura maior no mercado dos exibidores de cinema. No entanto, existe muito filme bom sendo produzido por aí sem receber a devida atenção de imprensa e, principalmente, da indústria. “Em Nome da Honra” é um deles. O filme é a terceira investida do diretor australiano Phillip Noyce no terreno das tramas políticas. E ele tem se saído muito bem nesse “gênero”, provando que é um dos melhores diretores em atividade. Somente em 2002, ele lançou dois filmes nesse estilo: “Geração Roubada”, que conta a história de três meninas aborígenes que seguem o caminho de uma enorme cerca em busca de sua tribo; e “O Americano Tranquilo”, que relata o conflito que se estabelece entre um repórter inglês no Vietnã e um médico que lutam pela mesma mulher.

Baseado na história real de Patrick Chamusso, “Em Nome da Honra” investe em cima do Apartheid, regime adotado a partir de 1948, na África do Sul e que colocava os brancos (minoria) como detentores do poder, enquanto que os povos restantes eram obrigados a viver de forma separada e seguindo uma série de regras. Tal regime só acabou quando Nelson Mandela foi declarado o presidente do país, em 1994. A partir deste contexto social e político, o roteirista Shawn Slovo e o diretor Phillip Noyce constroem um filme brilhante sobre um tipo de herói como Paul Rusesabagina (que foi retratado no filme “Hotel Ruanda”, de Terry George) ou Oskar Schindler (que foi nos apresentado no filme “A Lista de Schindler”, de Steven Spielberg): aquele que defende o que é correto e que não espera que o pior aconteça. Ele age no agora.

Cotação: 10,0

Crédito Foto: Yahoo! Movies

Wednesday, August 01, 2007

Ela é a Poderosa (Georgia Rule, 2007)

“Você sabe para onde está indo?”
“Mãe, eu estou no inferno!”

Não, esse não foi um diálogo travado recentemente pela atriz Lindsay Lohan e sua mãe e empresária Dina. Estas falas fazem parte da primeira cena do filme “Ela é a Poderosa”, do diretor Garry Marshall, em que Lindsay Lohan interpreta uma garota chamada Rachel Wilcox – ou seria ela mesma? Afinal Rachel é uma jovem mimada, irresponsável e que não mede as conseqüências de seus atos. Além disso, Rachel não respeita sua mãe ou qualquer outra pessoa que seja mais velha do que ela – uma prova de que a sua mãe foi mal-sucedida em impor limites à sua filha.

A cena que abre “Ela é a Poderosa” coloca Rachel ao lado de sua mãe, Lilly (Felicity Huffman, no seu primeiro papel no cinema depois da indicação ao Oscar de Melhor Atriz por “Transamérica”), quando esta, cansada de mais um ato de rebeldia de sua filha, decide enviá-la para o “inferno”, ou seja, uma pequena cidade do Estado de Idaho, aonde ela vai ficar hospedada na casa da temida e odiada avó, Georgia (Jane Fonda), uma mulher que segue fielmente as regras que impôs à sua vida e que espera que as pessoas que fazem parte de seu círculo mais próximo também as sigam.

No entanto, a grande surpresa é que a vida de Rachel na pequena cidade do Idaho vai se revelar tudo menos um inferno. A avó, na realidade, se mostra uma pessoa sensível às necessidades de Rachel naquele momento: um equilíbrio entre ternura, disciplina e discernimento para saber o momento certo em que ela precisa ficar sozinha. A mãe Lilly, ao decidir colocar em pratos limpos todos os seus problemas de relacionamento com Georgia, consegue, de alguma maneira, melhorar o seu relacionamento com a própria filha. E Rachel, com sua personalidade avançada e – como ela gosta de dizer – “única”, vira a rotina da cidade de cabeça para baixo, especialmente a de dois homens: o veterinário viúvo Simon Ward (Dermot Mulroney) e o jovem religioso Harlan (Garrett Hedlund).

“Ela é a Poderosa” é um filme que, mesmo com atuações convincentes de seus atores, tem um problema muito sério: o roteiro de Mark Andrus se perde no meio de tanta verdade e mentira criada por Rachel que chega um determinado momento em que a platéia fica confusa para saber se o que estamos vendo corresponde à realidade de Rachel ou não. No mais, a data de lançamento brasileira do filme segue um timing primoroso. Nos sets de “Ela é a Poderosa”, Lindsay Lohan começou um longo calvário que veio ter um estopim recentemente com suas constantes idas à reabilitação e passagens pela prisão. A arte pode ensinar muito a vida e o que Lindsay precisa, neste momento, é de alguém que imponha a ela as “Regras de Georgia”.

Cotação: 2,5

Crédito Foto: Yahoo! Movies

Tuesday, July 31, 2007

Comic-Con - "The Incredible Hulk"

O diretor Louis Leterrier; os executivos da Marvel Avi Arad e Kevin Feige; a produtora Gale Anne Hurd e os atores Edward Norton e Liv Tyler enfrentaram uma platéia de aproximadamente 6500 pessoas no último sábado, dia 28 de julho, durante a Comic-Con, popular feira que acontece em San Diego (Califórnia) e que reúne os amantes de histórias em quadrinhos.

Na ocasião, os presentes puderam saber bem mais a respeito de “The Incredible Hulk” – filme que estreará no dia 13 de junho de 2008, e cujas filmagens acabaram de começar.

Os detalhes mais importantes revelados na discussão:

- Edward Norton também escreveu o roteiro do filme:
“Eu me envolvi neste projeto e escrevi o roteiro do filme. Eu era um garoto Marvel. Eu tinha assinatura de várias revistas da editora. Eu amava Hulk, a antiga encarnação do personagem e também o show de televisão quando eu era uma criança. E eu sempre achei que ele era um dos grandes mitos contemporâneos. Quase como um personagem da mitologia grega. A supressão do seu demônio interior”, disse Norton.

- O filme é a primeira parte do começo de uma nova saga do personagem e, aparentemente, seu foco principal será a origem do personagem. Não foi mostrada nenhuma cena, e sim um primeiro esboço de como ficará o Hulk na tela:



- Edward Norton interpretará Bruce Banner, e o Hulk.
“Hoje em dia existe toda uma tecnologia que permite ao ator se fazer presente de alguma maneira. A noção de que estes personagens não podem ser separados, mas sim interpretar os dois lados desse personagem”, afirmou Norton.

- O filme fará referência a uma série de personagens do Universo Marvel, como Leonard Sampson.
“Fiquem de olho em muitos easter eggs e homenagens”, afirmou o diretor Louis Leterrier.

O site de “The Incredible Hulk” também acaba de entrar no ar. O site ainda está meio pobre de seções, mas elucida um pouco sobre como será o roteiro do filme. Quem quiser dar uma olhada, o endereço é: www.theincrediblehulk.net

Sunday, July 29, 2007

Duro de Matar 4.0 (Live Free or Die Hard, 2007)

O roteiro de “Duro de Matar 4.0”, que foi escrito por Mark Bomback e David Marconi tendo como base o artigo de John Carlin e os personagens originais de Roderick Thorp, é bastante condizente com os dias atuais. Numa época em que a tecnologia é uma arma muito poderosa, situar a ação do filme em Washington, a capital dos Estados Unidos, atormentada por um ataque de terrorismo virtual é quase que tentar prever o que poderia acontecer no mundo real.

No meio de tudo isto, um homem chamado John McClane (Bruce Willis), um detetive da polícia de Nova York, um profissional à moda antiga. Na realidade, o fato de que McClane leva tudo para o lado pessoal, como se tudo fosse uma afronta à pessoa dele, é uma faca de dois gumes. Se isso faz com que ele tenha perdido a esposa e mantenha um relacionamento péssimo com os filhos – em “Duro de Matar 4.0” só aparece a jovem universitária Lucy (Mary Elizabeth Winstead, a heroína de “Premonição 3”) –; ao mesmo tempo, esta raiva e vontade de resolver as coisas sozinho fazem com que McClane seja o homem perfeito para defender e salvar a honra dos Estados Unidos.

E, olha, que John McClane vai ter um trabalhão. Thomas Gabriel (Timothy Olyphant, no modo canastrão automático), ex-agente do FBI, arma um ataque virtual chamado de “queima de estoque”. Ou seja, em três etapas, Gabriel e sua equipe de hackers irão paralisar os Estados Unidos ao descontrolar os transportes, os meios de comunicação, o sistema financeiro e todas as formas de serviço básico. McClane entra nessa ciranda de acontecimentos quando seu chefe o manda escoltar Matthew Ferrell (Justin Long, que fazia parte do elenco do ótimo seriado “Ed”), um hacker que é um dos suspeitos de estarem envolvidos na ação de Gabriel, até a sede do FBI.

Se o roteiro de “Duro de Matar 4.0” é extremamente atual, o diretor Len Wiseman (da série de filmes “Underworld”) apresenta o seu filme à platéia de uma maneira convencional ao manual dos antigos filmes do gênero de ação. Ele orquestra cenas grandiosas e que superam, em muitas vezes, o limite do real (uma das melhores cenas do filme, inclusive, chega a lembrar o pulo do ônibus entre um viaduto quebrado visto em “Velocidade Máxima”, de Jan de Bont). Isto não significa que “Duro de Matar 4.0” seja um filme ruim. Pelo contrário, o filme tem uma história que prende a atenção e a química existente entre Bruce Willis e Justin Long rende ótimos momentos. “Duro de Matar 4.0” apresenta o icônico John McClane na sua melhor forma: desbocado, corajoso, competente, destruidor e, com todos os perdões pelo trocadilho, totalmente duro de matar.

Cotação: 8,5

Crédito Foto: Yahoo! Movies

Saturday, July 28, 2007

Lendo - "Furacão Elis"

“Decifra-me ou devoro-te? Não vai me devorar, nem me decifrar nunca. Eu sou a esfinge, e daí? Nesse narcisismo generalizado, me dá licença de eu ser narciso um pouquinho comigo mesma? De fazer comigo o que bem entender, de fazer, ser amiga de quem quiser, de levar para minha casa as pessoas de quem eu gosto? Bem poucas pessoas vão conhecer a minha casa. Sou a Elis Regina Carvalho Costa, que poucas pessoas vão morrer conhecendo”

Quando se toca no nome de Elis Regina, uma série de adjetivos o acompanha. O mais importante deles, é claro, “a maior cantora do Brasil”. Claro que o país já teve uma série de cantoras com a mesma técnica de Elis – como Ângela Maria, Maria Bethânia, Gal Costa, dentre muitas outras –, mas, nenhuma delas, conseguia aliar a emoção à técnica. E essa era uma das marcas da cantora Elis Regina.

Assim como é o caso de muitas outras biografias, “Furacão Elis” – livro que foi relançado neste ano pela Ediouro com um projeto gráfico bem ilustrativo, cheio de imagens –, da jornalista e escritora Regina Echeverria, tenta aproximar um pouco ídolo e fãs, procurando expor detalhes de sua personalidade, vida íntima e profissional, é claro.

“Furacão Elis”, aliás, cobre a vida profissional de Elis Regina de uma maneira completa. Nada passa despercebido pela autora. Desde os tempos no “Clube do Guri”, até a mudança para São Paulo, os primeiros shows com a dupla Luiz Carlos Miele e Ronaldo Bôscoli, o programa “Fino da Bossa” com Jair Rodrigues, a mudança para São Paulo, os discos e shows inesquecíveis (como o “Falso Brilhante”) e as inúmeras tentativas de Elis em ter uma carreira internacional.

Os problemas começam a aparecer justamente quando Regina Echeverria tenta mostrar o lado pessoal de Elis. Ela não esconde o que já era notório: Elis tinha uma personalidade difícil e viveu uma relação de amor e ódio com muita gente no show business. No entanto, talvez pela sua proximidade com seu objeto de estudo, Echeverria (que era uma amiga próxima de Elis) evita falar muito da Elis mãe, da Elis esposa (apesar de que, todos os barracos envolvidos nos casamentos com Ronaldo Bôscoli e César Camargo Mariano serem descritos de maneira minuciosa), da Elis filha e irmã (o que Echeverria fala é somente que Elis tinha uma relação complicada com os pais e com o irmão, por ser a provedora da casa, por eles serem dependentes demais do dinheiro que ela ganhava como cantora).

No entanto, o livro não se exime de falar de maneira aberta e verdadeira sobre os acontecimentos por trás da morte de Elis Regina. Sem querer se envolver em teorias conspiratórias, Regina Echeverria – através de depoimentos de pessoas que estavam próximas da cantora no ano fatídico de sua morte, 1982 – confirmam que Elis tinha, sim, um vício em narcóticos (em especial a cocaína). Para eles, a inocência de Elis em saber lidar com os efeitos que a droga tinha foi a razão principal de sua morte.

“Furacão Elis” é um livro para ser lido em um fôlego só. Regina Echeverria usa uma linguagem puramente jornalística (clara, concisa e objetiva). O que vai justamente de encontro à técnica do livro-reportagem, em que a descrição excessiva, a minúcia e o cuidado com os detalhes são características fundamentais.

"Furacão Elis"
Autora: Regina Echeverria
Editora: Ediouro

Monday, July 23, 2007

Transformers (2007)

Uma coisa que o cinema e a literatura sempre fizeram questão de deixar claro é que, por mais que o homem tente se distanciar – e, por conseqüência, se diferenciar – dos robôs, as duas espécies têm muito mais semelhanças do que queremos admitir. Nesse sentido, a trama de “Transformers”, do diretor Michael Bay, que foi escrita pela dupla Roberto Orci e Alex Kurtzman (ex-roteiristas do seriado “Alias” e que trabalharam com Bay no filme “A Ilha”), delineia de uma maneira bem rápida e explicativa os conflitos vividos por dois grupos de robôs: os Autobots (mocinhos) e os Decepticons (vilões), que, uma vez, habitaram o mesmo planeta (que se chamava Cybertron), mas, devido à ganância e a ambição, começaram a brigar, pois os Decepticons querem o domínio do universo.

Este conflito poderia ocorrer muito bem no planeta terra, entre os homens. A luta entre Autobots e Decepticons não é a única a ser retratada em “Transformers”. Através de duas linhas narrativas distintas, Alex Kurtzman e Roberto Orci retratam os lados opostos deste mesmo conflito. De um lado, soldados norte-americanos – interpretados por Josh Duhamel (da série “Las Vegas”), pelo cantor Tyrese Gibson, Amaury Nolasco (do seriado “Prison Break”) e Zack Ward –, que encontram inimigos cujas forças são imbatíveis pela atual tecnologia bélica. De outro lado, o jovem Sam Witwicky (Shia LaBeouf), cuja maior aspiração, no momento, é comprar um carro, que, talvez, faça com que ele chame a atenção da garota mais bela da escola, Mikaela (Megan Fox). Sam, ao contrário dos soldados, enxerga o seu carro – um Camaro amarelo que se transforma em robô – como um ser que tem coração, que tem medo e que merece ser protegido também.

Baseado num popular desenho animado que estreou nos anos 1980, “Transformers” é o exemplo perfeito daquilo que chamamos de cinema-pipoca, ou seja, um filme que é feito sob medida para divertir a platéia. O filme é um pacote cheio para anunciantes e, claro, para o estúdio que o produz. Carros-robôs-bonzinhos fantasiados de automóveis comuns, como um carro de bombeiros e um caminhão. Carros-robôs-mauzinhos fantasiados de automóveis que deveriam nos trazer confiança, como carros de polícia, tanques e helicópteros do Exército. Explosões. Correria. Barulho. Adrenalina pura.

Um prato cheio para o diretor Michael Bay, que não tem vergonha de ser um dos maiores embaixadores do filme-pipoca. E por quê se envergonhar, já que, em “Transformers”, ele dá uma aula de como fazer um filme-pipoca, inclusive ao ter sensibilidade para perceber que a sub-trama que funciona mais é a que coloca o jovem Sam com o seu primeiro carro. São o humor e o carisma de Shia LaBeouf que fazem de “Transformers” um filme, para utilizar uma palavra típica de jovens como Sam, SUPER.

Cotação: 6,5

Crédito Foto: Yahoo! Movies

Thursday, July 19, 2007

Mais Estranho que a Ficção (Stranger Than Fiction, 2006)

De uma certa maneira, o cinema e a literatura são uma forma de arte que caminham juntas. Ao longo dos anos, uma foi influenciando a outra. Se os livros são pictóricos, os filmes nos levam a territórios que os escritores só podem tentar nos fazer imaginar. Mesmo com as diferenças de linguagem entre as duas formas de arte, uma coisa muito importante elas têm em comum: o fato de que, ao se inspirarem no dia-a-dia das pessoas, elas tentam colocar alguma luz para tentarmos compreender o mundo em que vivemos. O filme “Mais Estranho do que a Ficção”, do diretor Marc Forster, celebra justamente o momento em que o cinema e a literatura estão mais juntos do que nunca.

Karen Eiffel (Emma Thompson, numa ótima atuação) é uma famosa escritora que está passando por um bloqueio criativo. Ela já tem uma história: a narrativa sobre um homem que, no lugar de ser o personagem principal de sua vida, é somente um observador daquilo que acontece ao seu redor. De uma maneira muito estranha, o que Karen escreve é um reflexo direto da vida do auditor fiscal Harold Crick (Will Ferrell, numa atuação indicada ao Globo de Ouro 2007 de Melhor Ator em um Filme de Comédia/Musical), um cara que é cheio de manias e que tem uma vida extremamente solitária.

Muita gente diz que a última coisa em que um autor pensa é no final que sua obra terá. Em “Mais Estranho do que a Ficção”, o roteiro de Zach Helm nos mostra o seu final logo nos primeiros 20 minutos de filme. Karen – e, principalmente, Harold – sabem que o personagem principal tem que morrer. O que roteirista, escritor e personagem mal sabiam é que a vida de Harold começaria a se tornar interessante a partir do momento em que seu destino parece traçado. Ao conhecer a confeiteira Ana Pascal (Maggie Gyllenhaal), a vida do auditor fiscal se torna mais doce e ele tem uma razão para lutar para continuar a viver.

Na época do lançamento de “Mais Estranho que a Ficção”, críticos de cinema foram unânimes na comparação entre o roteirista Zach Helm e o aclamado Charlie Kaufman (o criador de filmes como “Quero Ser John Malkovich”, “Adaptação” e “Brilho Eterno de uma Mente Sem Lembranças”). A comparação, além de impertinente, é completamente injusta. Kaufman tem uma abordagem um tanto irônica da vida e seus personagens parecem habitar um mundo que só existe na mente do roteirista. No caso de Helm e este “Mais Estranho que a Ficção”, a história criada por ele é real, vivida por pessoas que existem de verdade e que poderiam estar ao nosso lado.

Se tivéssemos que comparar um filme como “Mais Estranho com a Ficção”, deveríamos procurar uma obra como “As Horas”, do diretor inglês Stephen Daldry. Assim como este último filme, aquele fala sobre a importância da vida e sobre como aquelas coisas mais mundanas – e, aparentemente, insignificantes – são justamente as que são mais definidoras e que nos fazem perceber o quanto a vida é valiosa e importante de ser experimentada.

Cotação: 9,7

Crédito Foto: Yahoo! Movies

Saturday, July 14, 2007

Harry Potter e a Ordem da Fênix (Harry Potter and the Order of the Phoenix, 2007)

Já virou uma rotina. Desde 2004, quando “Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban”, do diretor mexicano Alfonso Cuarón, estreou nas salas de cinema de todo o mundo, críticos e fãs são unânimes em afirmar que os filmes passaram a ter uma trama mais densa e que os personagens estavam amadurecendo. As mudanças vistas em cada um desses elementos, coincidentemente, também trouxeram um aumento na qualidade dos filmes da série – que passaram a ser mais bem executados.

Os roteiros dos dois últimos filmes da série – o já citado “Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban” e “Harry Potter e o Cálice de Fogo”, do diretor Mike Newell – dão um enfoque maior ao processo de amadurecimento pelo qual passa o bruxo juvenil mais famoso da literatura e do cinema. No primeiro filme, o vemos com uma personalidade marcante e um tanto rebelde e se deparando com Sirius Black (Gary Oldman), a figura paterna que ele irá adotar. Já no segundo, assistimos à maior provação que o bruxo passou (o torneio Tribuxo), bem como ao seu encontro com o poderoso e temido Lorde Voldemort (numa caracterização assustadora de Ralph Fiennes), aquele que é responsável pela maior dor de sua vida (a morte dos seus pais).

Em “Harry Potter e a Ordem da Fênix”, filme dirigido por David Yates, Harry (Daniel Radcliffe) está passando por um inferno astral. Desde a trágica morte de Cedric Diggory (Robert Pattinson) no filme anterior, o bruxo juvenil foi consumido pela raiva. Seu futuro em Hogwarts está ameaçado depois que ele aplica um feitiço na frente dos trouxas. Ainda no colégio, sua vida será um inferno e ele se isola de todos – até mesmo daquelas pessoas que mais o amam e só querem ajudá-lo, como os inseparáveis amigos Ron Weasley (Rupert Grint) e Hermione Granger (Emma Watson).

Não é só Harry Potter que está passando por mudanças. Hogwarts também passa por transformações. Preocupados com uma possível teoria de que o diretor Alvo Dumbledore (Sir Michael Gambon) está organizando um grupo (a tal Ordem da Fênix a qual o título se refere) para enfrentar a ameaça cada vez maior de Lorde Voldemort, o Ministro da Magia, Cornelius Fudge (Robert Hardy), decide interferir diretamente na educação que os futuros bruxos recebem e coloca uma de suas fiéis escudeiras, Dolores Umbridge (Imelda Staunton, excelente), para não só ensinar a matéria de defesa, como também para ser a nova dona do posto de diretora de Hogwarts.

“Harry Potter e a Ordem da Fênix” vive seu melhor momento quando Harry e sua própria brigada – formada por alunos que decidem quebrar as regras impostas por Dolores Umbridge em Hogwarts e que querem aprender os feitiços para defesa com medo de Lorde Voldemort – enfrentam aqueles que simplesmente ignoram a verdadeira catástrofe que seria um mundo dominado pelo perigoso Lorde das Trevas.

Durante muito tempo, a impressão que eu tive a respeito dos filmes – e, por conseqüência, dos livros – da série Harry Potter era a de que eles eram uma verdadeira enrolação. Eu sempre ficava esperando algo importante acontecer e, de alguma maneira, sempre terminava me decepcionando. Se “Harry Potter e a Ordem da Fênix” não é o melhor filme da série, pelo menos, ele elucida o grande objetivo da série de filmes sobre o bruxo juvenil. Tudo o que assistimos até agora é somente a grande preparação para o inevitável confronto entre Harry Potter e Lorde Voldemort. O que a trama de “Harry Potter e a Ordem da Fênix” mostra – nesse sentido – é que o Harry cheio de raiva seria facilmente derrotado por Voldemort. Harry, para ser um forte oponente, precisa se agarrar àquilo que o Lorde das Trevas não tem: amor e amizade. Que coisa simples, né? Mas, será que a gente não podia pular tudo isto e ir logo ao que interessa?

Cotação; 6,3

Crédito Foto: Yahoo! Movies

Friday, July 13, 2007

Corrente Literária


Não sou muito de participar de correntes, mas, como esta foi enviada pelo meu amigo Marcus Vinícius, do ótimo blog "Caminhante Noturno Cinema", decidi repassá-la para a frente. :-)

Se é para citar cinco livros, que sejam então os meus livros favoritos:

1- "As Horas", Michael Cunningham
Livro inspirado pela obra "Mrs. Dalloway", de Virginia Woolf. Três mulheres, em três épocas diferentes, mas passando pelos mesmos dilemas e conflitos. Um belo livro que fala sobre a importância e a alegria com a qual devemos encarar a vida - mesmo naqueles momentos que parecem ser os mais difíceis.

2- "Feliz Ano Velho", Marcelo Rubens Paiva
Biografia do escritor Marcelo Rubens Paiva. Um acidente que o deixou paralítico é o ponto de partida para encarar a vida sob outra perspectiva.

3- "Uma Vida Interrompida - Memórias de um Anjo Assassinado", Susan Sebold
Belíssimo livro que conta a história de Susan Salmon, garota de 13 anos que foi brutalmente assassinada. Do céu, Susan nos relata como a sua família e amigos sobreviveram à sua morte. O livro será adaptado pelo diretor Peter Jackson e deve estrear nos cinemas em 2008.

4- "Fim de Caso", Graham Greene
Livro que foi adaptado para o cinema pelo diretor Neil Jordan e que conta a história de um amor intenso - e que tem a possibilidade de ser revivido ou destruído por completo.

5- "Ayrton - O Herói Revelado", Ernesto Rodrigues
Biografia que tenta nos deixar mais próximos de um dos maiores ídolos que o Brasil já teve: o piloto Ayrton Senna, que faleceu prematuramente em 01 de maio de 1994.

Repasso a corrente para os seguintes amigos blogueiros:

Romeika, A Room of One's Own
Alex, Cine Resenhas
Túlio Moreira, Cinema Kabuki
Wanderley, Espaço Lumière
João Paulo, Cine JP

Um bom final de semana para todo mundo!!

Saturday, July 07, 2007

Ratatouille (2007)

Os ratos são animais que, para muitos, são sinônimo de sujeira. No entanto, eles possuem uma característica importante e que os difere de outros seres: a facilidade com que eles se adaptam aos mais diversos ambientes e situações. Os ratos também são aqueles pequenos animais que, geralmente, consomem os fragmentos dos alimentos que são descartados por nós. Já nas primeiras cenas de “Ratatouille”, filme de animação dirigido por Brad Bird, Remy (dublado por Patton Oswalt) nos adverte de que ele não é um rato comum. Ao contrário daqueles da sua espécie, Remy tem o olfato e o paladar aguçados. Na sua busca por alimento, ele é muito seletivo e, muitas vezes, faz experimentos e misturas com os restos que consegue colher.

Remy tem um ídolo: o famoso chef francês Auguste Gusteau (dublado por Brad Garrett, do seriado “Everybody Loves Raymond"), cujo maior lema é “qualquer um pode cozinhar”. Com este pensamento na cabeça, Remy alimenta o sonho de um dia viver em Paris, sendo cozinheiro de um grande restaurante. O único problema é, obviamente, o fato de ele ser um rato e quem, em sã consciência, contrataria um rato como chef? O sonho fica mais próximo de Remy quando ele se perde de sua família na última – e complicada – mudança deles, e vai parar em Paris – mais precisamente no Gusteau, restaurante do famoso chef. É lá que Remy, tendo como “disfarce” a figura do atrapalhado Linguini (dublado por Lou Romano), coloca em prática tudo aquilo que aprendeu e se transforma no chef mais comentado da França – para desgosto de Skinner (dublado por Ian Holm), o chef principal e responsável pela administração do Gusteau após a morte do famoso chef francês.

Passados sete meses desde o início de 2007, os cinéfilos finalmente encontram aquele que é o primeiro candidato a um dos grandes filmes do ano. “Ratatouille”, como todo bom filme de animação dos últimos anos, tem um roteiro cujo maior público-alvo – é claro – são as crianças, mas sem esquecer de atingir os adultos. E a história criada por Brad Bird com o auxílio de Jim Capobianco, Emily Cook, Kathy Greenberg e Jan Pinkava tem um apelo universal ao relatar que, não importa a sua aparência, não importa a sua origem, os sonhos são válidos e, principalmente, possíveis de acontecer.

Primeiro filme de animação da Pixar Animation Studios desde a aquisição da empresa pelos estúdios Walt Disney, “Ratatouille” honra a sua origem. Se o prato que dá nome ao filme é sofisticado e de sabor delicioso, o filme da Pixar merece a mesma atenção: deve ser digerido com calma, com o devido respeito e, principalmente, com o apreço do sabor de cada ingrediente. “Ratatouille” – com o perdão do trocadilho – é um filme tão gostoso e saboroso que um bis vai ser uma excelente – e obrigatória – pedida.

Cotação: 9,6

Crédito Foto: Yahoo! Movies

Wednesday, July 04, 2007

Premonições (Premonition, 2007)

É oficial. A atriz Sandra Bullock precisa de um novo agente, afinal o atual parece não estar dando conta do recado, tendo em vista que colocou a sua cliente em dois filmes sobre o mesmo tema: a relação entre espaço e tempo. No primeiro deles, “A Casa do Lago”, do diretor Alejandro Agresti, Bullock e Keanu Reeves interpretam um casal, que vive em tempos diferentes, mas que, mesmo assim, conseguem se corresponder, se apaixonar e ver uma possibilidade concreta de se vivenciar o romance.

No segundo filme, “Premonições”, do diretor alemão Mennan Yapo, Sandra Bullock interpreta a dona-de-casa Linda Hanson, que é casada com o executivo Jim (Julian McMahon) e mãe das garotinhas Megan (Shyann McClure) e Bridgette (Courtney Taylor Burness). Linda, claramente, está passando por uma crise. Ela e seu marido não são carinhosos um com o outro, mas algumas coisas nos chamam a atenção quando ela recebe a notícia da morte de Jim, em decorrência de um acidente de carro: é a frieza com que ela reage ao ocorrido.

Logo em seguida, o roteiro de Bill Kelly começa a desvendar o por quê de tanta frieza. Linda, de certa maneira, sabia que seu marido iria morrer, pois a cada novo dia com que ela se deparava, ela encontrava duas realidades distintas: numa, Jim estava morto; na outra, Jim estava vivo. O que “Premonições” realmente relata, portanto, é a busca de Linda por uma maneira de lutar por aquilo que ela mais valoriza (a sua família), tentar evitar a morte de Jim e, finalmente, fugir do obscuro dia-a-dia que se desenha no seu mundo após o falecimento de seu marido.

Os cinéfilos irão reconhecer, em “Premonições”, traços do filme “Efeito Borboleta”, dos diretores Eric Bress e J. Mackye Gruber, em que o personagem de Ashton Kutcher, ao tentar interferir nos acontecimentos de seu passado, acabava influenciando de maneira negativa o presente de sua vida e das pessoas que mais importavam para ele. Em “Premonições”, os efeitos da interferência de Linda Hanson no passado não levam a conseqüências tão drásticas, mas, definitivamente, os dois filmes carregam um elemento principal em comum: a presença de uma premissa interessante, mas que é trabalhada de forma inadequada.

Cotação: 2,5

Crédito Foto: Yahoo! Movies

Notas Sobre um Escândalo (Notes on a Scandal, 2006)

Em 1997, os Estados Unidos se viram no meio de um caso escandaloso. Uma professora chamada Mary Kay Letourneau foi acusada de ter mantido um relacionamento sexual com seu estudante de apenas 13 anos e condenada a passar sete anos na prisão. A escritora Zoe Heller – talvez, inspirada por este caso – lançou o livro “Anotações Sobre um Escândalo”, em 2003. O filme “Notas Sobre um Escândalo”, do diretor Richard Eyre, adapta justamente esta obra.

O mais interessante no livro de Zoe Heller e na adaptação do roteirista Patrick Marber, é que o olhar da história não vem da professora-provocante, e sim da testemunha ocular de todos os acontecimentos. Barbara Covett (Dame Judi Dench, que foi indicada ao Oscar 2007 de Melhor Atriz pela sua performance neste filme) é uma senhora de meia-idade e que já não tem muita paciência para todo o processo de ensino-aprendizagem. Barbara é um peixe fora d’água nos ambientes em que vive, não só por causa da sua idade, como também – e principalmente – em decorrência da sua personalidade difícil e introvertida. Ela é um objeto tão intrigante, que pouco ficaremos sabendo sobre sua intimidade – fica implícito que Barbara é lésbica e nunca teve um momento íntimo, seja com um homem ou uma mulher.

A rotina da vida pessoal e profissional de Barbara irá virar de ponta-cabeça quando Sheba Hart (Cate Blanchett, que foi indicada ao Oscar 2007 de Melhor Atriz Coadjuvante pela sua performance neste filme), a nova professora de arte do colégio, aparece. Sheba tem vivacidade, magnetismo, uma beleza peculiar e a vontade de mudar o sistema, de ser especial para os seus alunos e de ensiná-los algo que seja útil para a vida deles.

A obsessão é uma preocupação constante, uma idéia fixa. Sheba vira a constante na vida de Barbara, que idealiza o relacionamento que existe entre as duas. A mentira e a traição podem ser os piores remédios para a obsessão, mas, na trama de “Notas Sobre um Escândalo”, elas têm o efeito contrário, pois, quando Barbara descobre que Sheba estava tendo um caso com o jovem aluno Steven Connolly (Andrew Simpson), ela se sente aliviada, pois, finalmente, poderá ter Sheba por completo em suas mãos. O alívio se transforma em raiva quando ela percebe que Sheba não compartilha do seu ideal de amor e de vida. Machucá-la vai se tornar a nova fixação de Barbara – pelo menos até que uma paixão substituta surja na sua frente.

“Notas Sobre um Escândalo” é um filme que trabalha com maestria os três elementos que fazem diferença em uma película: o roteiro, a direção e a atuação. Em 92 minutos, o diretor Richard Eyre e o roteirista Patrick Marber contam uma história cuja paixão e fervor transcendem a tela por causa das excelentes atuações do trio central de atores: Dame Judi Dench, Cate Blanchett e Bill Nighy (que interpreta o marido de Sheba), que dão um verdadeiro show.

Cotação: 9,3

Crédito Foto: Yahoo! Movies

Saturday, June 30, 2007

Quarteto Fantástico e o Surfista Prateado (Fantastic Four - Rise of the Silver Surfer, 2007)

O Quarteto Fantástico – grupo formado pelo cientista Reed Richards (Ioan Gruffudd), pelo piloto Ben Grimm (Michael Chiklis, do seriado “The Shield”) e pelos irmãos Johnny Storm (Chris Evans) e Susan Storm (Jessica Alba) – não são os seus típicos super-heróis. Ao contrário do Homem-Aranha e do Superman, os super poderes que eles possuem não são desconhecidos da sociedade. Pelo contrário, o quarteto é celebridade em sua cidade e, assim como acontece com os astros do cinema e da música, eles têm sua vida destrinchada nos mínimos detalhes pela imprensa. A maneira como o quarteto lida com a fama – e os pontos positivos e negativos que ela traz consigo – é somente uma das facetas abordadas pelo filme “Quarteto Fantástico e o Surfista Prateado”, do diretor Tim Story, e continuação do filme de sucesso de 2005.

Na trama criada por Don Payne, Mark Frost e John Turman, o quarteto já se acostumou completamente com os seus poderes e tentam viver uma vida mais próxima do normal. Reed e Susan estão envolvidos nos preparativos do seu casamento (e, acreditem, o universo não está conspirando a favor do casal). Ben, depois de perder a esposa no primeiro filme, reencontra o amor com Alicia (Kerry Washington). Já Johnny adora o seu status de celebridade e aproveita tudo da melhor maneira possível, com muitas festas, mulheres bonitas e diversão.

Mesmo assim, o quarteto ainda tem muitas responsabilidades e elas vão bater na porta do grupo quando uma criatura estranha chamada Surfista Prateado (encarnado por Don Jones, mas com a voz de Laurence Fishburne) começa a fazer uma série de aparições na Terra. Em comum, o fato de que diversas alterações climáticas acontecem em decorrência das visitas do Surfista. Contatados pelo General Hager (Andre Braugher), o quarteto tem que agir antes que a Terra seja destruída – e o pior é que eles vão ter que trabalhar com o seu maior inimigo, Victor Van Doom (Julian McMahon, do seriado “Nip/Tuck”), que ressurge das cinzas.

O Quarteto Fantástico trabalha em conjunto e é uma família. Por causa disso, suas histórias são cheias de momentos que são comuns. O roteiro do filme equilibra muito bem as cenas de comédia, com as de romance e, claro, as de ação. O diretor Tim Story, que já tinha feito um bom trabalho no primeiro filme da série, aprofunda ainda mais as histórias particulares de cada personagem e executa com esmero as ótimas cenas de ação. “Quarteto Fantástico e o Surfista Prateado” é um trabalho muito bom, que já deixa os cinéfilos de olho em uma possível terceira parte.

Cotação: 7,0

Crédito Foto: Yahoo! Movies

Thursday, June 28, 2007

88 Minutos (88 Minutes, 2007)

As primeiras cenas do filme “88 Minutos”, do diretor Jon Avnet, podem enganar bastante. Um homem de meia-idade está em uma festa num bar. Ele acorda, no outro dia, ao lado de uma bela mulher, quando o seu telefone toca. É um detetive de polícia (William Forsythe) que relata para ele a cena de um crime. Seria uma situação completamente normal se não fosse por um mero detalhe: o homem que atende ao telefone não é um policial, muito menos um promotor ou advogado. Ele é um psiquiatra forense, que trabalha para o FBI.

Mas, você deve estar se perguntando, o que ele tem a ver com a cena do crime? Muito. Como veremos nas cenas seguintes, o psiquiatra forense se chama Jack Gramm (Al Pacino, numa boa atuação) e é super famoso na área. O crime relatado no início de “88 Minutos” tem o mesmo perfil dos cometidos por Jon Forster (Neal McDonough), o caso mais famoso pego por Gramm. O assassinato é ainda mais intrigante, pois ocorre no dia em que Forster será executado.

A trama de “88 Minutos” fica ainda mais complicada quando o assassino imitador do estilo de Jon Forster ataca novamente (suas vítimas, curiosamente, são todas mulheres do círculo de conhecimento de Jack Gramm) e ainda faz uma ligação anônima para o psiquiatra forense para dizer que ele tem somente 88 minutos de vida – fato que obriga Gramm a correr feito um louco para desvendar a identidade do imitador e tentar salvar a sua vida e reputação, que está indo por água abaixo na medida em que a condenação de Jon Forster começa a ser questionada.

Num filme como “88 Minutos”, cuja trama acontece quase que em tempo real (numa clara influência da série de TV “24 Horas”), o elemento mais importante é o roteiro. Se ele tem algum furo, tudo dá errado. O de “88 Minutos”, que foi escrito por Gary Scott Thompson (cujos créditos incluem episódios do seriado “Las Vegas” e os dois primeiros filmes da série “Velozes e Furiosos”), vai sendo desenvolvido de maneira correta até chegar ao quarto final, quando o roteirista se rende às obrigatórias reviravoltas chocantes que já fazem parte do gênero do thriller psicológico. Se você decidir ignorar isto, “88 Minutos” é até um filme interessante sobre como a vingança – às vezes – não leva a nada.

Cotação: 4,5

Crédito Foto: Yahoo! Cinema

Saturday, June 23, 2007

Treze Homens e um Novo Segredo (Ocean's Thirteen, 2007)

Nos anos 50, um grupo formado por Frank Sinatra, Dean Martin, Sammy Davis Jr., Joey Bishop e Peter Lawford ficou conhecido como o “Rat Pack” e, com seus filmes e shows, passaram a ser os maiores embaixadores de um estilo de vida que conhecemos como “bon-vivant” – aquele que aprecia o luxo, a diversão, os amores, ou seja, aquilo que eles consideram como os maiores prazeres da vida. Os rapazes tinham como sede a cidade de Las Vegas, a qual é quase um sinônimo de tudo aquilo em que eles acreditavam – com os seus cassinos, hotéis luxuosos e a possibilidade concreta de se fazer ou de se arruinar em meio a tanta pompa e ostentação.

No começo desta década, George Clooney resolveu fazer a sua própria versão do “Rat Pack” e convidou alguns dos astros mais importantes do cinema atual, como Brad Pitt e Matt Damon, para fazer uma série de filmes “caça-níqueis”, cujo sucesso os permite financiar aqueles projetos mais pessoais e, digamos, artísticos. Como se não bastasse a reunião de três grandes estrelas, Clooney ainda convenceu seu parceiro na Section Eight, o diretor Steven Soderbergh (um dos poucos atualmente a ter pleno domínio do seu ofício), para dar a aura cool e desinteressada que a série tanto pretendia ter.

Assim como aconteceu com o Rat Pack, Clooney e seus amigos também adotaram a Cidade do Pecado como sede de seus filmes (com exceção da continuação “Doze Homens e um Outro Segredo”). “Treze Homens e um Novo Segredo” tem a mesma estrutura dos outros filmes. Entre um assalto e outro, cada um dos membros dos “Onze de Ocean” vive sua própria vida, fazendo seus golpes sozinhos. Aqui, eles se reúnem por causa do infarto que quase mata Reuben (Elliott Gould). Acontece que ele estava fazendo negócios com Willy Bank (Al Pacino), superpoderoso do ramo hoteleiro, e que passou a perna no inocente golpista. Para defenderem a honra de Reuben, Danny Ocean (Clooney), Rusty Ryan (Pitt) e Linus (Damon) reúnem a turma, mais uma vez, para aplicar um golpe milionário no dia da inauguração do hotel de Bank.

Um detalhe chama logo a atenção dos cinéfilos em “Treze Homens e um Novo Segredo”. O diretor Steven Soderbergh e os roteiristas Brian Koppelman e David Levien colocam o foco no planejamento e na execução do assalto perfeito, deixando de lado as tramas paralelas que envolviam especialmente Danny Ocean e Rusty Ryan com as mulheres que entravam em suas vidas. Neste sentido, o roteiro dá a oportunidade para que cada um dos membros dos “Onze de Ocean” brilhe. Ao mesmo tempo, ao fragmentar a trama em demasiado, Soderbergh e os dois roteiristas meio que tiram o foco em muitos momentos daquilo que realmente importa: acompanhar a capacidade de improvisação, de criatividade e raciocínio rápido que estes rapazes têm para justamente bolar o plano perfeito e saírem ricos e despreocupados para tocarem as suas vidas.

“Treze Homens e um Novo Segredo” carrega com maestria o fardo dos outros dois filmes. Como entretenimento, é uma peça de primeira. No entanto, o mais importante – e que está refletido em excesso na grande tela – é o fato de que os atores que fazem o filme continuam se divertindo bastante ao brincarem de ladrões. Enquanto George Clooney, Brad Pitt, Matt Damon, Don Cheadle, Elliott Gould, Andy Garcia, Casey Affleck, entre outros, encararem os filmes da série como uma bela maneira para fazer algo despretensioso entre seus projetos pessoais, os filmes sobre os “Onze de Ocean” continuarão a funcionar.

Cotação: 8,0

Crédito Foto: Yahoo! Movies

Wednesday, June 20, 2007

Shrek Terceiro (Shrek The Third, 2007)

Nos filmes da série “Shrek”, tudo é motivo para se tirar sarro. Desde o espírito de estrelismo, grandiosidade e consumo, até os clichês dos contos de fadas, passando também pelo culto à beleza. Nada passa imune aos roteiros dos filmes da série. Se os dois primeiros filmes falavam sobre a construção do relacionamento entre o ogro Shrek (dublado por Mike Myers) e a princesa Fiona (dublada por Cameron Diaz), “Shrek Terceiro”, filme dirigido por Chris Miller, discorre mais sobre o amadurecimento pessoal dos dois.

O reino de Tão, Tão Distante está vivendo um momento difícil, já que o rei Harold (dublado por John Cleese) está seriamente doente. Shrek e Fiona, portanto, assumiram o controle – temporariamente – do reino, esperando o pleno restabelecimento do rei para que eles pudessem voltar para o pântano, o local que eles consideram o seu lar. No entanto, o rei Harold não resiste e acaba falecendo. Com medo de uma vida permanente no reino e num posto (o de rei) com o qual ele tem certeza de que não irá se adaptar, Shrek parte numa busca pelo segundo homem na linha de sucessão do reino: o atrapalhado estudante Artie (dublado pela estrela da música pop Justin Timberlake).

Esta não é a única crise que Shrek tem que administrar. No momento em que parte na sua viagem, Fiona o revela que está grávida – fato que deixa o ogro aterrorizado, tendo em vista que ele não pretendia aumentar a família. Além disso, o Príncipe Encantado (dublado por Rupert Everett) volta com o objetivo de ser ele o rei de Tão, Tão Distante e, para atingir isso, causa o terror entre as mulheres do reino – entre as quais estão, além de Fiona, sua mãe, a rainha Lillian (dublada por Julie Andrews) e personagens clássicos dos contos de fadas, como Rapunzel, Cinderela e Branca de Neve.

Os elementos mais interessantes dos filmes anteriores da série “Shrek” eram o seu roteiro, que equilibrava muito bem as sátiras aos contos de fadas, com o desenvolvimento dos personagens recorrentes da trama e com a introdução de novos seres que se adequavam de maneira perfeita à história; e a qualidade da animação feita pela equipe da Dreamworks. Em “Shrek Terceiro”, Shrek e Fiona continuam com seu lugar de destaque. No entanto, personagens que antes eram importantes como o Burro (dublado por Eddie Murphy) e o Gato de Botas (dublado por Antonio Banderas) foram relegados a um segundo plano. A sorte dos produtores é que os personagens da série "Shrek" já têm uma empatia muito forte com o público.

Cotação: 8,0

Crédito Foto: Yahoo! Movies

Wednesday, June 13, 2007

Totalmente Apaixonados (Trust the Man, 2006)

Já bem perto do final de “Totalmente Apaixonados”, comédia romântica escrita e dirigida por Bart Freundlich, um diretor de teatro fala o seguinte para a famosa atriz Rebecca Pollack (Julianne Moore, esposa de Freundlich na vida real): “nós estamos nisto juntos, minha querida. Todos condenados ao teatro. Condenados a viver pela nossa arte. Porque nós não sabemos como viver nossas vidas. Nós somos ilhas”. Essa frase, no entanto, não se adequa somente à Rebecca, e sim a todos os personagens do filme – que se vêem diante de uma crise pessoal, em que eles se deparam diante de situações novas e que são, de certa maneira, aterrorizantes.

Rebecca é casada com Tom (David Duchovny) e ela é a porção bem-sucedida do casal, afinal ela é uma atriz de sucesso prestes a estrear uma peça de teatro na Broadway, enquanto ele abandonou uma carreira na Publicidade e se transformou em pai em tempo integral de seus dois filhos com Rebecca. Do outro lado, temos um segundo casal: Elaine (Maggie Gyllenhaal) e Tobey (Billy Crudup), que namoram há sete anos. Neste caso, a secretária Elaine é a porção madura do par. Ela tem um emprego fixo e aspirações profissionais e pessoais (para ela, chegou o momento certo de casar e de ter filhos), enquanto ele vive de trabalhos ocasionais como jornalista e se comporta como um verdadeiro jovem – ou seja, ele está satisfeito com a maneira como as coisas estão e se recusa a assumir um compromisso mais sério.

O roteiro do diretor Bart Freundlich tenta discorrer de maneira bem descontraída – e adulta, ao mesmo tempo – sobre as crises nestes relacionamentos. E as dúvidas serão representadas na forma de alguns personagens, que vão sendo introduzidos aos poucos na trama, como Pamela (Dagmara Dominczyk), a bela mãe com quem Tom irá dividir bem mais do que momentos fofos no parquinho e reuniões de pais e mestres; Jasper Bernard (Justin Bartha), o jovem ator que alimenta o ego de Rebecca com seus galanteios; Faith (Eva Mendes), a garota com quem Tobey namorou na faculdade; e Goren (Glenn Fitzgerald, um péssimo ator), o cara maduro e que está disposto a formar a família que tanto Elaine quer.

"Totalmente Apaixonados” é um filme que, como eu disse anteriormente, tenta abordar o tema da crise pessoal de forma descontraída. No entanto, o diretor e roteirista Bart Freundlich não consegue sequer arrancar risos da platéia. O filme tem um desenvolvimento um tanto lento no seu primeiro ato, o que faz com que a sua segunda parte seja muito prejudicada. Mesmo assim, o filme consegue ter um ponto em comum. Nele, não são as mulheres que estão em crise, e sim os homens. Tanto Tom quanto Tobey se vêem ao lado de mulheres de personalidade fortes, que são bem-sucedidas e que lutam por aquilo que desejam, sem esquecer de dar a devida atenção aos seus relacionamentos pessoais. A impressão que a gente tem é a de que o próprio Freundlich exorciza seus fantasmas de ser um diretor aspirante casado com uma grande atriz e que é muito mais bem-sucedida que ele. Assim como seus personagens masculinos, o que Freundlich talvez tenha percebido é que ele poderá nunca ser tão aclamado quanto sua esposa, mas se sente satisfeito com tudo aquilo que conquistou. No entanto, a julgar pelo resultado final de “Totalmente Apaixonados”, não custa nada pedir para ele que lute para ser bem melhor do que isso.

Cotação: 5,0

Crédito Foto: Yahoo! Movies

Wednesday, June 06, 2007

Um Crime de Mestre (Fracture, 2007)

Numa era de séries como “C.S.I. – Crime Scene Investigation”, “Law & Order”, “Close to Home”, “Cold Case”, “Without a Trace”, “Justice”, entre outras, ficou provado que não existe o chamado crime perfeito. O filme “Um Crime de Mestre”, do diretor Gregory Hoblit, através do roteiro de Daniel Pyne e Glenn Gers, quer provar justamente o contrário: o crime perfeito pode ser possível, tendo em vista que ele é o fruto de um jogo de mente, em que a esperteza é o fator fundamental.

Willy Beachum (Ryan Gosling) é uma estrela em ascensão na promotoria pública da cidade de Los Angeles. Jovem, bonito, carismático, talentoso e competente, ele tem o impressionante índice de 97% de condenações. Profissionais como Willy são visados, principalmente, pelos grandes escritórios de advocacia e trabalhar no ramo privado é um grande sonho dele. Quando a oportunidade, enfim, bate à sua porta, Willy tem que concluir um último caso antes de abraçar o novo desafio de sua carreira.

Num bairro nobre de Los Angeles, o inteligente e perspicaz Ted Crawford (Anthony Hopkins) já sabia há um bom tempo que sua esposa, Jennifer (Embeth Davidtz), o traía com o detetive de polícia Rob Nunally (Billy Burke). Em uma noite, Ted surpreende Jennifer com um tiro no rosto que a deixa em coma irreversível. Preso em flagrante, com a arma do crime nas mãos e uma confissão assinada, o caso de Crawford parecia ser o mais fácil da carreira de Willy. No entanto, o julgamento traz grandes surpresas e as provas obtidas pela polícia de Los Angeles acabam sendo desqualificadas.

Com a possibilidade de perder, não só o emprego no grande escritório de advocacia, como também o posto de promotor público, Willy ganha uma obsessão: solucionar o assassinato de Jennifer Crawford e colocar Ted na cadeia.

“Um Crime de Mestre” se assemelha bastante com “As Duas Faces de um Crime”, outro filme que se passa nos tribunais dirigido por Gregory Hoblit. Em “As Duas Faces de um Crime”, Richard Gere interpreta um advogado-estrela que está mais interessado nos casos que atraem a mídia. Ele vai defender o jovem coroinha interpretado por Edward Norton da acusação de assassinar um dos bispos mais proeminentes da cidade. Todo o filme se apoiava num jogo que acontecia entre advogado e cliente. Sendo que, ao invés do crime perfeito, tínhamos a criação da estratégia de defesa perfeita.

Assim como em “As Duas Faces de um Crime”, “Um Crime de Mestre” se apóia no relacionamento que se estabelece entre Willy (o promotor) e Ted (o acusado). Em decorrência disso, o filme tem como ponto alto as interpretações de Anthony Hopkins e Ryan Gosling. Hopkins age o tempo todo como o mentor experiente que tenta intimidar o jovem impetuoso. É quase que – guardadas as devidas proporções – um replay do duelo entre Hannibal Lecter (o próprio Hopkins) e Clarice Sterling (Jodie Foster) em “O Silêncio dos Inocentes”. A única diferença entre todos estes filmes é que, em “Um Crime de Mestre”, a justiça vence.

Cotação: 7,0

Crédito Foto: Yahoo! Movies

Sunday, June 03, 2007

Shut Up & Sing (2006)

Londres, 10 de Março de 2003. Nesta época, o grupo de música country texano Dixie Chicks – que é formado pela vocalista Natalie Maines, pela violinista Martie Maguire e pela multi-instrumentista Emily Robison – estava no topo do mundo. Um show lotado no Shepherd’s Bush Empire Theatre marcava o início da turnê européia do aclamado CD “Home”. Antes de cantar a belíssima canção “Travelin’ Soldier” (que fala sobre um soldado que participou da Guerra do Vietnã), a vocalista Natalie Maines soltou uma declaração que – nas vésperas da invasão dos Estados Unidos ao Iraque – caiu como uma bomba: “Só para que vocês fiquem sabendo, nós estamos do mesmo lado que vocês. Nós não queremos esta guerra, esta violência, e temos vergonha de que o Presidente dos Estados Unidos seja do Texas”.

A recusa das Dixie Chicks em se desculpar por esta declaração e a coragem de enfrentar aqueles (especialmente a indústria country norte-americana) que lhe viraram as costas rendeu duas obras que são um marco divisor para a carreira delas. A primeira delas, o CD “Taking the Long Way”, que venceu os Grammys 2007 de Melhor Álbum do Ano, Melhor Álbum Country do Ano e Melhor Música e Gravação do Ano para o single “Not Ready to Make Nice”. A segunda foi o documentário “Shut Up & Sing”, que foi dirigido por Barbara Kopple e Cecilia Peck (filha do ator Gregory Peck), e que funciona quase como um complemento para os temas tocados pelas Chicks no álbum.

O documentário se passa em dois momentos distintos e que fazem parte desse marco divisor da carreira das Dixie Chicks. Em 2003, Barbara Kopple e Cecilia Peck mostram os desdobramentos do acontecimento no Shepherd’s Bush Empire Theatre. Enquanto as Chicks continuavam fazendo a sua turnê européia, nos Estados Unidos a situação pegava fogo. As pessoas não perdoavam o fato de que Natalie Maines, Martie Maguire e Emily Robison – o grupo feminino que mais vendeu discos na história da música – tivessem virado as costas para o seu país e, pior, tivessem feito o seu protesto contra as decisões do Presidente George W. Bush num show em um país estrangeiro.

O público altamente conservador que ama a música country nos Estados Unidos – e que forma a grande maioria dos eleitores de Bush – começou a fazer uma série de protestos contra as Dixie Chicks. CDs foram queimados, rádios ameaçadas. Quando voltaram aos Estados Unidos, as Chicks e seu empresário começaram uma espécie de operação para mostrarem ao grande público que elas não eram contra os Estados Unidos. Ou seja, as Dixie Chicks saíram do limitado universo country e viraram ícones da cultura pop – nesta época, elas chegaram a aparecer nuas em uma capa de revista e foram entrevistadas pelos grandes nomes do jornalismo norte-americano, como Barbara Walters e Diane Sawyer. O resultado: as Dixie Chicks continuaram sendo ignoradas pelas rádios country, mas venderam todos os ingressos de sua turnê no país.

A segunda linha de tempo de “Shut Up & Sing” se passa em 2006, quando as Dixie Chicks estavam em Los Angeles gravando o CD “Taking the Long Way”, sob a produção de Rick Rubin (que já trabalhou com artistas do porte de Johnny Cash e Red Hot Chili Peppers). Na indústria musical, as Chicks são conhecidas por quebrarem tendências da música country e por terem levado, pela primeira vez, o tradicionalismo do estilo a um diálogo mais aprofundado com a música pop. Elas gostam de inovar – o CD “Home”, por exemplo, trouxe à moda novamente estilos como o bluegrass – e, com “Taking the Long Way”, pela primeira vez, escreveram todas as músicas do álbum e dialogaram com estilos diversos como blues, rock, folk, gospel, pop – sem esquecer, é claro, do country.

O mais interessante é que Barbara Kopple e Cecilia Peck mostram que, nestes três anos, pouca coisa mudou para as Dixie Chicks no que diz respeito à indústria country. Elas continuam sendo ignoradas pelas rádios, pelo público do gênero e pelos shows de premiações da categoria. No entanto, mantiveram o sucesso de vendas (o álbum ficou em primeiro lugar na parada da Billboard na semana de seu lançamento) e, apesar do fato de que o grupo teve uma turnê complicada (com shows cancelados e vendas maiores de ingressos em países estrangeiros), elas se viram diante um novo público – mais adulto e consciente.

“Shut Up & Sing” é um documentário que leva o público além na relação com o ídolo. Quem gosta das Dixie Chicks, as verá no seu momento mais vulnerável, em que as incertezas eram uma constante e em que o medo em relação ao futuro era atenuado por todo um processo de amadurecimento pessoal que as deixou muito mais próximas e fortes e que se reflete, hoje, na maneira em que elas fazem negócios. Quem não gosta das Dixie Chicks, pode ver o documentário como um exemplo de como a liberdade de expressão é um conceito mal utilizado – será que ela existe de verdade? No entanto, o ponto mais positivo de “Shut Up & Sing”, com certeza, é o fato de que, no filme, a controvérsia é o assunto principal, mas é a música das Dixie Chicks que fala por si – e é este o verdadeiro legado delas.

Cotação: 9,0

Crédito Foto: Yahoo! Movies