Friday, October 12, 2007

Lendo - "O Caçador de Pipas"

“Hassan sabia. Sabia que eu tinha visto tudo o que aconteceu naquele beco; sabia que eu estava parado lá e não tinha feito nada. Sabia que tinha sido traído e estava me salvando mais uma vez; a última, quem sabe. Naquele momento eu o amei; mais do que jamais amei qualquer outra pessoa, e quis dizer a todos que eu é que era a serpente oculta na grama, o monstro no fundo do lago. Não merecia aquele sacrifício; era um mentiroso, um impostor, e um ladrão. E teria feito isso mesmo, se não fosse o fato de uma parte de mim estar feliz. Feliz porque logo, logo tudo aquilo estaria terminado. Meu pai os mandaria embora; haveria algum sofrimento, mas a vida poderia continuar. Era isso que eu queria: seguir em frente, esquecer, começar uma vida nova. Queria ter condições de respirar novamente”. (p. 110)

Assim como acontece no livro “Reparação”, de Ian McEwan, a história de “O Caçador de Pipas”, do escritor Khaled Hosseini, trata do sentimento de culpa. Sendo que, no livro de Hosseini, a culpa não vem do ato cometido, e sim da omissão. Do fato de que uma pessoa faltou com outra, que sempre esteve disponível para defendê-la.

O livro conta a história dos amigos Amir e Hassan, que, apesar das origens étnicas, sociais e econômicas diferentes, foram criados juntos como irmãos e compartilhando das brincadeiras e, principalmente, do amor que ambos os seus pais possuíam por eles. Usando como pano de fundo o Afeganistão (país que fica localizado no subcontinente indiano), o escritor Khaled Hosseini trata de temas como a amizade, a traição, a coragem, a dignidade e a honra.

“O Caçador de Pipas” tem uma estrutura bem complexa que segue as conseqüências do ato de omissão de Amir ao longo dos anos e das mudanças ocorridas no Afeganistão (a invasão dos soviéticos e a conseqüente expulsão deles pelo Taliban, que dominou o país posteriormente em um regime marcado pela intolerância) e que levaram Amir e seu pai a abandonarem o luxo e a riqueza que possuíam para irem recomeçar a vida nos Estados Unidos.

A história contada por Khaled Hosseini será adaptada em um filme escrito por David Benioff e dirigida por Marc Forster (de “A Última Ceia”, “Em Busca da Terra do Nunca” e “Mais Estranho que a Ficção”), a estrear no dia 14 de dezembro, nos Estados Unidos. A adaptação tem sido tratada com bastante cuidado, principalmente por causa de uma cena crucial envolvendo os personagens Hassan e Assef, para evitar maiores polêmicas. Mas, é inegável o material denso e emocionante que os envolvidos no filme têm em mãos. “O Caçador de Pipas” é um livro triste, que só peca pela previsibilidade de alguns de seus trechos, e que mostra que o momento certo de se fazer o bem é agora.

“O Caçador de Pipas” (2003)
Autor:
Khaled Hosseini
Editora: Nova Fronteira

Thursday, October 11, 2007

O Homem que Desafiou o Diabo (2007)

José Araújo Filho (Marcos Palmeira) poderia ser o personagem principal de um romance do escritor baiano Jorge Amado. Mas, é bom frisar a palavra poderia... Apesar de ser um bonachão, amante de cabarés, das doses de cachaça e do cangote de uma mulher, chega o momento em que Araújo vira o jogo. Isso acontece quando, cansado de ser dominado pela esposa ciumenta Dualiba (a ótima Lívia Falcão) – com quem foi obrigado a se casar –, ele decide recomeçar a vida com outro nome (Ojuara) e com o propósito de ser o guerreiro que luta em prol do amor e da liberdade.

O filme “O Homem que Desafiou o Diabo”, do diretor Moacyr Góes, segue justamente as aventuras fantásticas de Ojuara, que vai andar pelo sertão nordestino provando sua reputação de herói bom de cama, de briga e de conversas de bar. Nas suas andanças, além de encontrar uma musa inspiradora – a prostituta Genifer (Fernanda Paes Leme) – e de dar de cara com o Diabo (Helder Vasconcelos), Ojuara vai se deparar com muitas outras figuras, como o Zé Tabacão (o cantor Otto), um assassino corcunda (Leon Góes, o irmão do diretor Moacyr Góes), Zé Pretinho (Leandro Firmino da Hora, o Zé Pequeno de “Cidade de Deus”), Mãe de Pantanha (Flávia Alessandra), uma bailarina de um circo (Juliana Porteous), o Coronel Ruzivelte (Sérgio Mamberti) e vários outros que ajudarão a criar esse mito em torno da pessoa de Ojuara.

Baseado no romance “As Pelejas de Ojuara”, do escritor potiguar Nei Leandro de Castro, “O Homem que Desafiou o Diabo” foi inteiramente filmado em locações no Estado do Rio Grande do Norte. O diretor de fotografia Jacques Cheuiche soube muito bem aproveitar o material natural que tinha em mãos e realiza um excelente trabalho. O diretor Moacyr Góes, que tem uma carreira no cinema tão contestada, não compromete. Mas, o final do filme, quando Ojuara tem seu confronto definitivo com o diabo, parece um tanto solto dentro da narrativa adaptada por Góes e Bráulio Tavares. A impressão que fica é a de que “O Homem que Desafiou o Diabo” seria uma obra perfeita para ser transformada em minissérie e muito mais adequada ao universo de um diretor como Guel Arraes, o qual é um mestre no relato de histórias tipicamente nordestinas.

Cotação: 4,0

O Homem que Desafiou o Diabo (O Homem Que Desafiou o Diabo, Brasil, 2007)
Diretor(es):
Moacyr Góes
Roteirista(s): Moacyr Góes, Bráulio Tavares
Elenco: Flávia Alessandra, Marcos Palmeira, Fernanda Paes Leme, Sérgio Mamberti, Lívia Falcão, Renato Consorte, Helder Vasconcelos, Giselle Lima, Antonio Pitanga, Rui Rezende, Juliana Porteous, Deborah Kalume, Leandro Firmino da Hora, Igor Orlando, Otto Ferreira

Wednesday, October 10, 2007

High School Musical 2 (2007)

Filmes como “Meninas Malvadas”, do diretor Mark Waters, se esforçam em fazer o retrato do colegial como um ambiente de rivalidade, humilhação e traumático. Quem assiste a obras como essa, pode até se assustar quando entra em contato com o universo do filme original do Disney Channel, “High School Musical”, do roteirista Peter Barsocchini e do diretor Kenny Ortega, no qual o colegial é retratado como um lugar de festa, amor, dança e música.

Se o primeiro filme da série tinha influências de “Grease – Nos Tempos da Brilhantina”, do diretor Randal Kleiser, a continuação bebe na fonte de “Dirty Dancing – Ritmo Quente”, do diretor Emile Ardolino. Os alunos da escola East High – que são interpretados pelo grupo formado por Zac Efron, Vanessa Hudgens, Ashley Tisdale, Lucas Grabeel, Corbin Bleu, Monique Coleman, Chris Warren Jr., Ryne Sanborn, Olesya Rulin, Kaycee Stroh, entre outros – se preparam para as férias de Verão. Preocupados com o futuro (leia-se a faculdade e as altas mensalidades de algumas das universidades mais prestigiadas), grande parte do grupo arruma um emprego no resort Lava Springs – que pertence à família dos irmãos Sharpay (Tisdale) e Ryan (Grabeel) Evans. Envolvidos entre trabalho, diversão e um pouquinho de intriga, todos eles guardam suas energias para o ápice das férias: o show de talentos do resort, no qual hóspedes e funcionários têm que preparar uma apresentação especial.

O diretor Kenny Ortega é um coreógrafo bastante renomado – seus créditos incluem “Dirty Dancing – Ritmo Quente”, “Curtindo a Vida Adoidado”, “A Garota de Rosa Shocking”, “O Primeiro Dia do Resto de Nossas Vidas”, entre outros. Em “High School Musical 2”, a evolução mais notável é justamente nas cenas de danças, que são bem mais complexas e interessantes. No mais, o filme repete tudo o que deu certo na obra anterior: o foco na dupla Troy Bolton (Efron) e Gabriella Montez (Hudgens), que namoram na vida real e formam até um casal bem bonitinho. No entanto, quem brilha em “High School Musical” é Ashley Tisdale, que prova ter talento para poder ser uma boa atriz de comédia no futuro.

O Disney Channel é um verdadeiro celeiro de novos talentos. O canal é responsável pela descoberta de artistas como Keri Russell, Justin Timberlake, Britney Spears, Christina Aguilera, Shia LaBeouf, Ryan Gosling, Lindsay Lohan, Hilary Duff, entre outros. Nos últimos anos, o canal voltou ao mapa ao revelar uma série de jovens talentos como os do elenco de “High School Musical” (os nomes de Zac Efron e Vanessa Hudgens são os mais proeminentes dentre o grupo), a banda Jonas Brothers e a atriz e cantora Miley Cyrus (estrela do seriado “Hannah Montana” e cuja turnê está se encaminhando para ser a mais lucrativa do ano de 2007). Todos adolescentes colocados sob os holofotes e o assédio da imprensa, dos fãs e dos papparazi. Mais do que o sucesso e o reconhecimento, o que estes jovens precisam é de apoio para vencer em uma indústria tão volúvel como a do show business.

Cotação: 5,5

High School Musical 2 (High School Musical 2, EUA, 2007)
Diretor(es):
Kenny Ortega
Roteirista(s): Peter Barsocchini
Elenco: Zac Efron, Vanessa Hudgens, Ashley Tisdale, Lucas Grabeel, Corbin Bleu, Monique Coleman, Chris Warren Jr., Ryne Sanborn, Olesya Rulin, Kaycee Stroh, Mark L. Taylor, Bart Johnson, Robert Curtis Brown, Jessica Tuck

Tuesday, October 09, 2007

Ligeiramente Grávidos (Knocked Up, 2007)

Desde o momento em que descobre a sua gravidez, chama a atenção o fato de que Alison Scott (a ótima Katherine Heigl, vencedora do Emmy 2007 de Melhor Atriz Coadjuvante em Séries de Drama por sua performance em “Grey’s Anatomy”) nunca se arrepende do que aconteceu. Claro que ela sente um certo desespero diante da notícia. Claro que a gravidez não poderia acontecer em um pior momento – já que ela acaba de ser promovida a repórter do canal de televisão aonde trabalha. Mas, junto com o pai da criança, Ben Stone (Seth Rogen, em uma boa atuação), ela vai fazer de tudo para que este momento dê certo e para que tudo termine bem.

Como mostra a comédia romântica “Ligeiramente Grávidos”, do diretor e roteirista Judd Apatow, este desejo de Alison não será nada fácil. Ao contrário de Alison (que tem uma carreira profissional em ascensão e uma vida, até certo ponto, estável), Ben não tem onde cair morto. Ele vive de uma indenização que conseguiu após ser atropelado por um carro do governo canadense, não trabalha e passa o dia se drogando ao lado dos amigos. No entanto, assim que recebe a notícia da gravidez de Alison (a noite de amor dos dois foi fruto de uma bebedeira mútua), Ben também se esforça para mostrar que está com a parceira para o que der e vier, mas o estilo de vida que ele leva não condiz com a responsabilidade do papel que ele está prestes a assumir.

Esta discrepância entre responsabilidade e imaturidade está muito bem representada em “Ligeiramente Grávidos”. Os dois casais centrais do filme – Alison e Ben; e Debbie (Leslie Mann, excelente) e Pete (Paul Rudd) – são formados por uma metade madura e uma outra meio inconseqüente. Nos dois casos, as mulheres são quem colocam os homens na rédea curta, controlando, exigindo mudanças e pedindo uma maior participação. Ao vivenciar o dia-a-dia da irmã Debbie com o marido, Alison enxerga também esse outro lado: uma vida de infelicidade que ela não quer para si, nem para a criança que ela quer colocar no mundo.

Quando a gente faz essa análise da trama de “Ligeiramente Grávidos” fica difícil de acreditar que o filme é uma comédia romântica. Mas, é isso mesmo. Judd Apatow faz uma comédia, com pitadas de drama e de romance, que trata de temas como responsabilidade, companheirismo e comprometimento com uma sensibilidade incrível. “Ligeiramente Grávidos” é um filme sobre amadurecimento. Há quem diga que as melhores comédias são as feitas pela turma de Ben Stiller, Owen Wilson, Will Ferrell, John C. Reilly, Vince Vaughn, entre outros. No entanto, como “O Virgem de 40 Anos”, “Ligeiramente Grávidos” e “Superbad – É Hoje” (o filme mais lucrativo do gênero, em 2007) mostram, a verdadeira – e boa – comédia vêm do talentoso grupo de Judd Apatow.

Cotação: 9,5

Ligeiramente Grávidos (Knocked Up, EUA, 2006)
Diretor(es):
Judd Apatow
Roteirista(s): Judd Apatow
Elenco: Seth Rogen, Katherine Heigl, Paul Rudd, Leslie Mann, Jason Segel, Jay Baruchel, Jonah Hill, Martin Starr, Charlyne Yi, Iris Apatow, Maude Apatow, Joanna Kerns, Harold Ramis, Alan Tudyk, Kristen Wiig

Monday, October 08, 2007

O Despertar de uma Paixão (The Painted Veil, 2006)

Assim como muitas heroínas românticas – em uma época em que o casamento era visto como uma verdadeira obrigação para as mulheres –, Kitty Fane (Naomi Watts) colocou na sua cabeça que só se casaria por amor. No entanto, na medida em que ficava mais velha, maior era a preocupação (especialmente de sua mãe) com o fato de que Kitty continuava solteira. Quando a irmã mais nova dela consegue um noivo, Kitty acorda para a realidade e aceita a proposta de casamento do bacteriologista Walter Fane (Edward Norton) – um homem que ela mal conhece e, principalmente, não ama.

Começar uma vida nova a dois é sempre muito difícil, não importa a circunstância. Imagine então se você for “obrigada” a ir a um novo país (China), aonde você não conhece a língua, a cultura e se sente entediada. A vida de Kitty se torna um pouco mais interessante quando ela conhece Charlie Townsend (Liev Schreiber), um homem completamente diferente de Walter e com quem Kitty começa a ter um romance. Walter, que mantinha as esperanças de que, um dia, Kitty viesse a amá-lo também cai na realidade e, num ato totalmente intransigente, embarca com sua esposa para um vilarejo chinês completamente arrasado por uma epidemia de cólera.

É a partir deste momento que o filme “O Despertar de uma Paixão”, do diretor John Curran, começa a ficar bem interessante. A partir do ato da traição, Curran começa a trabalhar com vários temas que foram vistos em seu trabalho anterior, o drama “Tentação” (que também contava com Naomi Watts no elenco). São eles: a culpa que Walter sente por ter sido tolo em acreditar que poderia ser feliz ao lado de Kitty; e a visão um tanto realista que Kitty tem sobre toda a vida que leva ao lado de Walter – chama a atenção o fato de que, em nenhum momento, ela demonstra arrependimento pelos seus atos. O verdadeiro interesse dela é tentar convencer Walter de que é a distância existente entre os dois a principal causa pela infelicidade profunda que eles experimentam.

No geral, “O Despertar de uma Paixão” é um filme sobre a jornada de Kitty, que deixa de ser uma mulher mimada, e cresce para se tornar alguém que entende que amor e obrigação andam um ao lado do outro. O filme consegue passar isso de maneira perfeita para a platéia, através da congruência das atuações excelentes de Edward Norton e Naomi Watts (bem como do elenco de apoio formado por Liev Schreiber, Toby Jones e Diana Rigg), da ótima direção de John Curran, da belíssima fotografia de Stuart Dryburgh e da trilha sonora vencedora do Globo de Ouro composta por Alexandre Desplat – “A La Claire Fontaine” não é uma música do compositor francês, mas a parte final de “O Despertar de uma Paixão” ao som desta canção tem que ser uma das mais belas sequências do ano passado: as palavras “Il y a longtemps que je t’aime. Jamais je ne t’oublierai” ficaram comigo por um bom tempo.

Cotação: 8,7

O Despertar de uma Paixão (The Painted Veil, China, EUA, 2006)
Diretor(es): John Curran
Roteirista(s): Ron Nyswaner
Elenco: Naomi Watts, Edward Norton, Liev Schreiber, Toby Jones, Diana Rigg, Catherine An, Bin Li, Anthony Wong Chau-Sang, Bin Wu, Alan David, Marie-Laure Descoureaux, Sally Hawkins, Juliet Howland, Lorraine Laurence, Johnny Lee

Friday, October 05, 2007

Six Feet Under - "Everyone's Waiting"

PS: Atenção para spoilers.

Existem certas séries que marcam um determinado período. “Six Feet Under” é uma delas. Quando estreou na programação da HBO, em 2002, o seriado era só uma das provas da ascensão que o canal teve naquela época, como sinônimo de qualidade – as outras foram “Sex and the City”, “The Sopranos” e “The Wire” – e que se converteram em elogios da crítica e reconhecimento da indústria.

A segunda marca que o seriado deixou foi a confirmação do brilhantismo de Alan Ball, roteirista do premiado filme “Beleza Americana” e criador de “Six Feet Under”. Se no filme, Ball abordava – de maneira irônica – o American Way of Life; no seriado, ele se aproxima de um tema mórbido, como a morte – mas utiliza o falecimento das pessoas como mote principal para falar sobre a vida.

“Six Feet Under” acompanha o dia-a-dia da família Fisher, que é dona de uma funerária. O seriado começa com a morte de Nathaniel (Richard Jenkins), o pai, e mostra de que maneira o falecimento dele vai afetar a vida de todos os Fisher. A esposa, Ruth (a excelente Frances Conroy, vencedora do Globo de Ouro e do SAG Awards de Melhor Atriz em uma Série Dramática pelo seu trabalho na série), vai começar a experimentar uma série de coisas novas. O filho mais velho, Nate (Peter Krause), tem que abandonar toda a sua vida e suas aspirações para assumir – totalmente a contragosto – o papel do pai. O filho do meio, David (Michael C. Hall, cuja primeira temporada de sua nova série, "Dexter", acabou de ir ao ar no canal FOX), começa a não querer viver na mentira e assume a sua homossexualidade para toda a família. Ao mesmo tempo, a série trata da trajetória errante e, muitas vezes, autodestrutiva de Claire (a maravilhosa Lauren Ambrose), a filha mais nova dos Fisher – uma jovem que irá se envolver com drogas, em relacionamentos extenuantes do ponto de vista emocional e em experiências típicas de jovens que estão querendo se encontrar.

A quinta – e última – temporada de “Six Feet Under” tem como tema principal o acerto de contas. Nate – que agora está casado com Brenda (a atriz australiana Rachel Griffiths, que foi indicada ao Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante por sua performance em “Hilary & Jackie”) – se vê chegando aos 40 anos e não realizando metade do que gostaria de ter feito na vida. Aos poucos, ele vai abandonando o dia-a-dia na funerária dos Fisher e vai em busca daquilo que ele quer.

David vive uma boa fase no relacionamento com Keith Charles (Mathew St. Patrick) e, com ele, se prepara para dar um grande passo: ter um filho.

Ruth se vê diante da doença de seu segundo marido, George Sibley (James Cromwell), mas ela - em um primeiro momento - não vai querer se sentir presa a isso - afinal, já havia ficado presa durante muito tempo durante o casamento com Nathaniel. Ela sabe que viver é muito mais importante.

Já Claire, após abandonar a faculdade de Artes Plásticas, enfrenta uma crise no relacionamento com a mãe – que não quer que ela perca as oportunidades e termine como ela – e se depara com duas perguntas que todos nós enfrentamos em algum momento de nossas vidas: quem sou eu? O que eu quero ser?

No belíssimo series finale de “Six Feet Under”, “Everyone’s Waiting” (que rendeu duas indicações ao Emmy 2006 para o roteirista e diretor Alan Ball), a família Fisher ainda está lidando com o grande choque da quinta temporada: a morte de Nate (que acontece no episódio “Ecotone”). Mais do que o falecimento de Nathaniel, foi a precoce e abrupta partida de Nate o grande golpe sofrido pelos Fisher, que, literalmente, perdem o chão. Ruth perde seu grande parceiro. David, a figura paterna. Claire, o irmão que ela mal conhecia e tinha tanto para mostrar para ela.

Assim como acontecia com os – muitos – mortos com os quais os Fisher lidaram nas cinco temporadas de “Six Feet Under”, o espectro de Nate se fará presente na vida de sua família, como se ele fosse uma testemunha de tudo aquilo que eles estão pensando e fazendo. Em “Everyone’s Waiting”, ele se relaciona especialmente com Claire, que recebe a oportunidade de uma vida toda: uma proposta de trabalho em Nova York. Com medo do novo (quem diria que Claire teria medo do desconhecido) e de deixar a sua família para trás, ela enfraquece. Nate, que sabe como a vivência longe de casa lhe foi benéfica, entra em ação e a “encoraja” a embarcar nesta nova viagem. E é ao som da linda canção “Breathe Me”, da cantora Sia, que Claire se aventura; e, enquanto “Six Feet Under” vive os seus momentos finais, somos nós que temos o filme da vida dos Fisher diante dos nossos olhos – naquela que é a seqüência mais bela de um episódio final de um seriado de TV. Impossível não se emocionar.



É justamente “Everyone’s Waiting”, o episódio que o Warner Channel transmite na noite deste domingo, dia 07 de Outubro, a partir das 22hs. Uma oportunidade única de vivenciar novamente uma das horas dramáticas mais brilhantes da história recente da TV norte-americana, bem como um dos melhores series finale de todos os tempos – simplesmente porque nos mostra a continuidade da vida. “Six Feet Under” não poderia terminar de outra maneira.

“Six Feet Under”
Onde: Warner Channel
Quando: Domingos, às 22hs.
Elenco: Peter Krause, Frances Conroy, Michael C. Hall, Lauren Ambrose, Rachel Griffiths, James Cromwell, Freddy Rodriguez, Justina Machado, Mathew St. Patrick.

“Everyone’s Waiting”
Episódio escrito e dirigido por Alan Ball

Thursday, October 04, 2007

Cão Sem Dono (2007)

Todos os dias, quando chega na porta do edifício aonde mora, Ciro (Júlio Andrade) se depara com a mesma cena: um cão vira-lata; um cão sem dono; um cão sem nome está à sua espera. É com ele que Ciro passa as suas noites, o oferecendo um teto para dormir e um pouco de comida. Tanto altruísmo só pode ser explicado pelo fato de que Ciro tem muito em comum com o animal que abriga todas as noites. Assim como o cão, ele é sem dono, está perdido e também anda sem rumo pelas ruas de Porto Alegre.

É o cotidiano deste jovem que iremos acompanhar no filme “Cão Sem Dono”, dos diretores Beto Brant e Renato Ciasca (também co-autores do roteiro do filme ao lado de Marçal Aquino). Ciro, além de ser o amigo número um do cãozinho abandonado, é um tradutor que vive sozinho em um apartamento minúsculo. Ele vive no sacrifício, mas recusa todas as propostas de emprego que recebe. Almoça freqüentemente com seus pais (Roberto Oliveira e Sandra Possani). Visita também com regularidade o porteiro de seu prédio, um pintor chamado Elomar (Luiz Carlos V. Coelho). E, principalmente, está envolvido em um romance com a modelo Marcela (Tainá Muller). É quando a sua vida sofre um revés e Ciro precisa encontrar o eixo, o sentido que estava perdido.

Baseado no livro “Até o Dia em que o Cão Morreu”, do escritor gaúcho Daniel Galera, “Cão Sem Dono” é um filme que possui uma estrutura narrativa muito interessante. Ao invés de uma história linear, o que os diretores Beto Brant e Renato Ciasca nos apresentam são vários retratos de instantes da vida de Ciro. É como se – ao juntarmos cada um desses pedaços – estamos nós mesmos encontrando o eixo da vida de Ciro, aquilo que o faz querer seguir em frente. "Cão Sem Dono" é um filme único (e um belo trabalho de edição por parte de Manga Campion), que está apoiado nas ótimas interpretações da dupla central de atores formada por Júlio Andrade e Tainá Muller – o primeiro tem seu primeiro papel de destaque no cinema, enquanto a segunda faz a sua estréia como atriz.

Cotação: 7,3

Cão Sem Dono (Cão Sem Dono, Brasil, 2007)
Diretor(es): Beto Brant, Renato Ciasca
Roteirista(s): Marçal Aquino, Beto Brant, Renato Ciasca
Elenco: Júlio Andrade, Tainá Muller, Marcos Contreras, Luiz Carlos V. Coelho, Roberto Oliveira, Janaína Kremer, Sandra Possani

Wednesday, October 03, 2007

Zodíaco (Zodiac, 2007)

No final dos anos 60, um criminoso que se autodenominava Zodíaco, começou a atormentar o norte da Califórnia ao cometer uma série de assassinatos – ao todo foram confirmadas cinco vítimas e dois sobreviventes dos seus ataques. O Zodíaco ganhou notoriedade não só por causa dos crimes que cometeu, como também porque ele gostava de se vangloriar para a imprensa, enviando cartas para os jornais mais populares da cidade de São Francisco – notadamente o San Francisco Chronicle. Mesmo com alguns fortes suspeitos, a identidade do Zodíaco continua desconhecida até hoje, na medida que o caso continua sem resolução.

O filme “Zodíaco”, do diretor David Fincher, não faz um retrato do assassino, e sim da jornada vivida pelos homens que tentaram descobrir a sua identidade, desde o final dos anos 60 até a década de 90, quando o maior suspeito de ser o assassino, um homem chamado Arthur Leigh Allen (John Carroll Lynch), faleceu. De um lado, os policiais – que são representados pelos personagens de David Toschi (Mark Ruffalo), Bill Armstrong (Anthony Edwards), Jack Mulanax (Elias Koteas), Marty Lee (Dermot Mulroney), Ken Narlow (Donal Logue), Sherwood Morrill (Philip Baker Hall) e George Bawart (James LeGros). De outro, os profissionais que trabalhavam no San Francisco Chronicle – o cartunista Robert Graysmith (Jake Gyllenhaal) e o jornalista Paul Avery (Robert Downey Jr.). Além de várias outras figuras que entraram em contato com o Zodíaco, como o advogado Melvin Belli (Brian Cox).

Baseado no livro de Robert Graysmith, o roteiro de “Zodíaco”, que foi escrito por James Vanderbilt, coloca o foco na dificuldade da investigação do caso do Zodíaco, um assassino que não tinha um perfil muito bem definido (ele não atacava o mesmo tipo de vítimas, por isso os policiais não podiam prever quais seriam os seus próximos passos). Ao mesmo tempo, Vanderbilt mostra como a tentativa da descoberta da identidade do assassino vai, aos poucos, consumindo a vida de todos os envolvidos – a ponto de eles negligenciarem todo o resto e colocar todas as suas energias em uma única direção.

“Zodíaco” é um filme cheio de pontos positivos. A começar pela direção de David Fincher, cuja estética única pode ser vista em cada cena da película. A fotografia de Harris Savides também é excelente e o elenco do filme está perfeito (com destaque para a dupla Mark Ruffalo e Jake Gyllenhaal). No entanto, o filme sofre um pouco com o roteiro de James Vanderbilt. A história que ele conta é cheia de pulos no tempo e, em determinados momentos, os personagens desaparecem para retornar algum (ou muito) tempo depois. Quando se tem um caso como esse, fica difícil de a platéia acompanhar ou retomar a história de onde ela parou – ou seja, seria necessária uma transição melhor entre as cenas, entre as diferentes fases da investigação.

Cotação: 7,0

Zodíaco (Zodiac, EUA, 2007)
Diretor(es): David Fincher
Roteirista(s): James Vanderbilt
Elenco: Jake Gyllenhaal, Mark Ruffalo, Anthony Edwards, Robert Downey Jr., Brian Cox, John Carroll Lynch, Richmond Arquette, Bob Stephenson, John Lacy, Chloë Sevigny, Ed Setrakian, John Getz, John Terry, Candy Clark, Elias Koteas

Tuesday, October 02, 2007

Escorregando Para a Glória (Blades of Glory, 2007)

Em 1994, as famosas patinadoras Nancy Kerrigan e Tonya Harding (dos EUA) se envolveram em uma série de acontecimentos que poderia estar muito bem em um ótimo filme de suspense. Rivais nas pistas de patinação artística e companheiras na seleção norte-americana do esporte, as duas ganharam notoriedade – da maneira errada – quando Harding mandou seu ex-marido contratar um homem para atacar Kerrigan. O homem atingiu a patinadora no joelho, forçando-a a deixar uma competição e, em conseqüência, o caminho livre para que Harding atingisse a glória. Após descoberta a armação, a confederação de patinação artística baniu Harding do esporte, enquanto Kerrigan continuou com sua bem-sucedida carreira e, no mesmo ano do ataque, conquistou a medalha de prata nas Olimpíadas de Inverno de Lillehammer.

A dupla Chazz Michael Michaels (Will Ferrell) e Jimmy MacElroy (Jon Heder, do sucesso “Napoleão Dynamite”) são os equivalentes masculinos de Nancy Kerrigan e Tonya Harding. Excelentes patinadores; os dois, fora da pista de patinação, vivem se envolvendo em ataques verbais e provocações normais de quem está em uma constante luta pela vitória. Em uma competição, no ano de 2002, Chazz e Jimmy dividem a medalha de ouro, mas, no pódio, a situação se complica quando eles começam uma briga horrorosa. Resultado: a confederação de patinação artística confisca a medalha que eles conquistaram e os proíbe de participar de qualquer competição promovida por eles.

Após esse pequeno contratempo, a trama de “Escorregando Para a Glória”, dos diretores Josh Gordon e Will Speck, começa a seguir a decadência de Chazz – que se entrega de vez ao vício em álcool e trabalha num show de patinação de quinta categoria – e de Jimmy – que trabalha como vendedor em uma loja de artigos esportivos – até que o último decide tentar mais uma vez a patinação artística, dessa vez atuando em uma dupla. A situação sofre um revés quando o técnico (Craig T. Nelson) de Jimmy decide chamar Chazz para fazer uma dupla com ele, o que faz dos dois inimigos o primeiro par completamente masculino da história da patinação artística – e que fará concorrência direta com os irmãos imbatíveis Stranz (Will Arnett, do seriado “Arrested Development”) e Fairchild Van Waldenberg (Amy Poehler, do “Saturday Night Live”).

“Escorregando Para a Glória” é um filme que encontra seus melhores momentos nas cenas em que Chazz e Jimmy estão em confronto direto. Os dois têm personalidades muito diferentes e têm que aprender a trabalhar estas diferenças em prol da dupla que eles formaram. Além dessas cenas, o trabalho desenvolvido pelos atores e pelos diretores nas cenas que retratam as competições e as rotinas de patinação artística são simplesmente sensacionais e engraçadíssimas. “Escorregando Para a Glória” é um filme que não se leva a sério e seu charme é justamente esse.

Cotação: 7,3

Escorregando para a Glória (Blades of Glory, EUA, 2007)
Diretor(es): Josh Gordon, Will Speck
Roteirista(s): Busy Philipps, John Altschuler, David Krinsky, Craig Cox, Jeff Cox
Elenco: Will Ferrell, Jon Heder, Will Arnett, Amy Poehler, Jenna Fischer, William Fichtner, Craig T. Nelson, Romany Malco, Nick Swardson, Scott Hamilton, Andy Richter, Greg Lindsay, Rob Corddry, Nick Jameson, Tom Virtue

Monday, October 01, 2007

Motoqueiros Selvagens (Wild Hogs, 2007)

Em 1969, estreou nos cinemas de todo o mundo, um road movie chamado “Sem Destino”, dirigido por Dennis Hopper (que co-escreveu o roteiro do filme ao lado de Peter Fonda e Terry Southern). O filme contava a história de dois jovens chamados Billy (Hopper) e Wyatt (Fonda) que – após conseguirem um bom dinheiro com venda de drogas – decidem tomar a estrada com suas motos, em busca de liberdade e da cidade de Nova Orleans (mais precisamente, da popular festa do Mardi Gras, o carnaval de lá). “Sem Destino”, além de ter causado um impacto na indústria cinematográfica da época, foi um marco da cultura dos anos 60, com seus ideais de liberdade sexual e de muito rock ‘n roll.

Os tempos atuais são bem diferentes e os motoqueiros não são mais os mesmos. Em “Motoqueiros Selvagens”, do diretor Walt Becker, encontramos o grupo formado por: Doug Madsen (Tim Allen), Woody Stevens (John Travolta), Bobby Davis (Martin Lawrence) e Dudley Frank (William H. Macy). Eles são pessoas que vivem presas à sua rotina inflexível e que encaram o motociclismo como um hobby de final de semana. Num anseio de fugir de todo o marasmo de seus dia-a-dia (Doug vive para o trabalho, Woody está falido, Bobby é dominado pela esposa e Dudley é um nerd sem vida amorosa), eles decidem partir em uma viagem com suas motos, sem destino prévio – cujo princípio maior será o lema: “iremos aonde a estrada nos levar”.

No entanto, ao contrário de “Sem Destino”, “Motoqueiros Selvagens” não é um filme que tem como objetivo fazer um retrato de uma juventude ou de um determinado momento da cultura. O filme de Walt Becker é uma comédia, que coloca o seu grupo de motoqueiros em situações desconfortáveis, como o encontro com o policial interpretado por John C. McGuinley (do seriado “Scrubs”) e com um grupo de motoqueiros barra-pesada liderado por Jack (Ray Liotta). Ao mesmo tempo, o filme coloca os quatro amigos em uma cidadezinha do interior, aonde eles irão achar tudo aquilo que estavam procurando.

“Motoqueiros Selvagens” tem alguns bons momentos e todos eles acontecem no segundo ato do filme, quando Doug, Woody, Bobby e Dudley estão na cidade de Madrid (não confundir com a capital espanhola), participando de uma festa temática e tentando fugir das encrencas que arrumaram com o grupo de Jack. No mais, o filme repete uma série de clichês dos filmes que abordam a situação de homens que estão em uma crise de meia-idade e que querem reencontrar a imprevisibilidade da juventude. “Motoqueiros Selvagens” pode não ser uma obra permanente como “Sem Destino”, mas, definitivamente, não vai passar vergonha dentre os lançamentos do ano de 2007.

Cotação: 4,0

Motoqueiros Selvagens (Wild Hogs, EUA, 2007)
Diretor(es): Walt Becker
Roteirista(s): Brad Copeland
Elenco: Tim Allen, John Travolta, Martin Lawrence, William H. Macy, Ray Liotta, Marisa Tomei, Kevin Durand, M.C. Gainey, Jill Hennessy, Dominic Janes, Tichina Arnold, Stephen Tobolowsky, Jason Sklar, Randy Sklar, Drew Sidora

Saturday, September 29, 2007

As Férias do Mr. Bean (Mr. Bean's Holiday, 2007)

O Mr. Bean é um popular personagem, criado pelo humorista Rowan Atkinson e pelo diretor, produtor e roteirista Richard Curtis (de filmes como “Simplesmente Amor”, “O Diário de Bridget Jones”, entre muitos outros). Ele apareceu pela primeira vez em uma série de TV que durou cinco anos (1990-1995) e fez a transição para o cinema, em 1997, com “Mr. Bean – O Filme”, do diretor Mel Smith. “As Férias de Mr. Bean”, filme dirigido por Steve Bendelack, de acordo com Rowan Atkinson, marca a última vez em que ele vestirá a pele do personagem.

O filme tem uma trama básica, que coloca Mr. Bean como o vencedor de uma rifa, cujo prêmio, além de uma viagem para Cannes (em pleno festival de cinema da cidade), são 200 euros e uma filmadora novinha em folha. A partir desse eixo principal, o diretor Steve Bendelack, deixa Rowan Atkinson à vontade para improvisar, em meio às encrencas em que o Mr. Bean irá se meter – comer ostras; perder seu passaporte e todo o dinheiro que possuía; tentar arrumar carona; e, principalmente, entregar – são e salvo – o filho (Max Baldry) de um dos jurados (Karel Roden) do festival de cinema de Cannes, que acabou se perdendo do pai em uma conexão de trem.

Quem está familiarizado um pouco com o personagem de Rowan Atkinson, sabe que Mr. Bean não é um homem de muitas palavras. Ele resmunga algumas coisas. Se ele se comunica com alguém, é através de caras e bocas e gestos exagerados. Um tipo de comédia física diferente, mas que é feito com bastante competência por Atkinson.

Em um filme como “As Férias de Mr. Bean”, em que as improvisações formam grande parte do roteiro do filme, existem espaços para erros. E eles ocorrem com bastante freqüência no filme, tendo em vista que algumas gags não funcionam – como as intermináveis cenas em que Mr. Bean tenta conseguir carona e acaba ficando preso em um cubículo de madeira. No entanto, assim como “Os Simpsons – O Filme”, “As Férias de Mr. Bean” soa como um episódio mais longo do seriado. Quem gosta do personagem, vai adorar o filme. Quem torce o nariz para esse tipo de humor besteirol, vai achar a película completamente irritante.

Cotação: 3,0

As Férias de Mr. Bean (Mr. Bean's Holiday, Inglaterra, França, Alemanha, 2007)
Diretor(es): Steve Bendelack
Roteirista(s): Simon McBurney, Hamish McColl, Rowan Atkinson, Robin Driscoll
Elenco: Rowan Atkinson, Steve Pemberton, Lily Atkinson, Preston Nyman, Sharlit Deyzac, Francois Touch, Emma de Caunes, Arsène Mosca, Stéphane Debac, Willem Dafoe, Philippe Spall, Jean Rochefort, Karel Roden, Max Baldry, Pascal Jounier

Friday, September 28, 2007

Nunca é Tarde Para Amar (I Could Never Be Your Woman, 2007)

Em 1995, a diretora e roteirista Amy Heckerling fez o filme “As Patricinhas de Beverly Hills”. Nele, duas amigas chamadas Cher (Alicia Silverstone) e Dionne (Stacey Dash) transformam por completo a novata Tai (interpretada por uma gordinha Brittany Murphy) para que ela possa arrumar um namorado. Ao mesmo tempo em que isto acontece, Cher percebe que também quer encontrar um amor, mas acaba chegando à conclusão de que achar o homem dos seus sonhos independe da imagem, da popularidade ou das roupas que vestimos.

De uma certa maneira, em “Nunca é Tarde Para Amar”, Amy Heckerling volta a tocar nestes mesmos temas. Como todos nós já estamos cansados de saber, vivemos em um mundo aonde a aparência é tudo e no qual as pessoas fazem de tudo para corresponder a este ideal de beleza. A produtora e roteirista Rosie (Michelle Pfeiffer) pode não levar estes princípios para a sua vida pessoal, mas os propaga no bobo programa juvenil que produz e roteiriza. Entre quatro paredes, Rosie, na realidade, meio que se conformou com sua vida de divorciada (o ex-marido, que é interpretado por Jon Lovitz, a trocou por uma mulher na faixa etária dos 20 anos) e de mãe da pré-adolescente Izzie (Saoirse Ronan, que será vista no final do ano no favoritíssimo ao Oscar 2008, “Desejo e Reparação”, de Joe Wright).

O que faltava na vida de Rosie, portanto, era um pouco de emoção e de imprevisibilidade. Estes dois elementos irão aparecer quando ela conhece o ator Adam (Paul Rudd), que irá fazer uma participação especial no programa dela. Os dois, apesar das diferenças, se aproximam e começam a viver um romance – que é pontuado pelas inseguranças de Rosie, as quais são representadas pela personagem da comediante Tracey Ullman (uma espécie de figura que só existe na imaginação de Rosie) e que começa a colocar em discussão o fato de que é ridículo uma mulher de 40 anos sair com um rapaz de 20; de que, em algum momento, ele vai querer constituir família ou se cansar e ir em busca de algo novo, entre outras coisas. Além disso, “Nunca é Tarde Para Amar” acrescenta um elemento ainda mais interessante neste cenário todo: Izzie começa a querer trocar as brincadeiras com bonecas pelo jogo de flerte com os garotos. Ela está vivendo sua primeira paixão e este sentimento faz um paralelo muito bom com toda a situação que sua mãe está vivendo.

“Nunca é Tarde Para Amar” é um filme que funciona, principalmente, por causa da excelente química entre o seu par central. Paul Rudd (que havia trabalhado com Amy Heckerling no grande sucesso que foi “As Patricinhas de Beverly Hills”) coloca seu nome como um dos melhores atores de comédia da atualidade. Já Michelle Pfeiffer, que com este filme retorna aos cinemas depois de uma ausência de três anos (ela ainda poderá ser vista em “Hairspray – Em Busca da Fama”, de Adam Shankman, e “Stardust – O Mistério da Estrela Cadente”, de Matthew Vaughn), está em seu papel mais acessível até hoje. Ela interpreta uma mulher comum em um filme que critica de maneira bem clara todo este mundo de beleza plastificada emulado por Hollywood, aonde o talento é uma ferramenta em extinção.

Cotação: 6,8

Nunca é Tarde para Amar (I Could Never Be Your Woman, EUA, 2007)
Diretor(es): Amy Heckerling
Roteirista(s): Amy Heckerling
Elenco: Michelle Pfeiffer, Paul Rudd, Saoirse Ronan, Tracey Ullman, Jon Lovitz, Sarah Alexander, Brittany Benson, Jed Bernard, Twink Caplan, Victoria Chalaya, Olivia Colman, Rory Copus, Stacey Dash, O.T. Fagbenle, Sam Fusaro, Troy Gentile, Iddo Goldberg, Sally Kellerman, Michelle Kochanski, Ashley Lloyd

Thursday, September 27, 2007

Preview 2008 - "State of Play"

Depois de oito anos de uma parceria muito bem-sucedida em “Clube da Luta”, filme do diretor David Fincher, os atores (e grandes amigos) Edward Norton e Brad Pitt se reúnem novamente. Desta vez, para o thriller político “State of Play”, que é baseado em uma minissérie da BBC e será roteirizado por Matthew Michael Carnahan (de “Lions for Lambs”) e Tony Gilroy (de "Michael Clayton") e dirigido por Kevin MacDonald (de “O Último Rei da Escócia”).

O filme conta a história de um famoso político (Norton), que vê a sua carreira ser ameaçada quando um repórter – e seu ex chefe de campanha – (Pitt) começa a investigar o assassinato de sua amante, num estranho acidente de metrô.

Além da excelente dupla de atores principal, “State of Play” começa a atrair uma série de ótimos atores para os seus papéis coadjuvantes. A vencedora do Oscar 2007 de Melhor Atriz, Helen Mirren, interpretará a editora do jornalista que será encarnado por Brad Pitt. Robin Wright-Penn ficará com o papel da esposa do político interpretado por Edward Norton. Já Jason Bateman (do seriado “Arrested Development” e da sensação “Juno”) e Rachel McAdams serão jornalistas que se colocam no meio da investigação elaborada por Pitt.

As filmagens de “State of Play” começarão em Setembro deste ano e a estréia do filme está prevista para 2008.

Wednesday, September 26, 2007

Inesquecível (2007)

A fotografia tem muito em comum com o cinema. Nas duas formas de arte, além da captura de um instante, temos a possibilidade da imortalidade, afinal a imagem nunca morre. No entanto, para o fotógrafo Guilherme Quiroga (Caco Ciocler), uma fotografia tem o poder de revelar os segredos das pessoas. Assim que termina o ensaio fotográfico com a bela estilista Laura Monteiro (Guilhermina Guinle, fazendo a sua estréia no cinema), na cidade de Buenos Aires, Guilherme chega à conclusão de que ela não tem segredos. No entanto, ao voltar para o Rio de Janeiro, em busca de Laura, Guilherme descobre que o segredo dela era muito pior do que ele imaginava: ela acabara de se casar com o ator Diego Borges (Murilo Benício), o melhor amigo dele.

A trama do filme “Inesquecível”, do diretor Paulo Sérgio de Almeida, acompanha os desdobramentos da descoberta desse segredo de Laura. Mais precisamente, o filme coloca o foco na paranóia que se desenvolve na mente dos três personagens – em especial na de Diego, um homem de personalidade passional e possessiva –, em que a descoberta da infidelidade marca o início de uma jornada de muita dor e desespero, aonde a felicidade não encontra espaço para existir.

Neste sentido, o diretor Paulo Sérgio de Almeida enche “Inesquecível” de elementos que remetem à infidelidade. A ótima fotografia adota os tons escuros para mostrar a obscuridade da jornada em que Guilherme, Laura e Diego acabaram de embarcar. A trilha sonora tem clara influência do tango argentino, um ritmo que é mais um duelo sedutor entre um par de dançarinos. Além disso, o filme utiliza o recurso da metalinguagem, uma vez que Diego está desenvolvendo um filme (cuja projeção para a platéia consiste numa parte importante para o entendimento do segundo ato de “Inesquecível”) cujo tema principal é a traição amorosa.

“Inesquecível” é um filme que tem uma produção bastante sofisticada e uma direção que não compromete por parte de Paulo Sérgio de Almeida. No entanto, o filme sofre com grandes problemas. Os maiores deles se encontram no roteiro e no elenco. O roteiro – que foi baseado no conto “O Espectro”, do autor Horácio Quiroga – é cheio de furos e, a partir do segundo ato do filme, cai num melodrama que parece não ter fim. Já o elenco do filme está péssimo. Murilo Benício, um dos atores mais superestimados da atualidade no Brasil, está completamente inexpressivo na pele de Diego Borges. Falta a Guilhermina Guinle uma maior experiência para retratar todas as nuances de sua personagem, Laura Monteiro. O único que ainda mostra alguma coisa é Caco Ciocler, mas nem ele consegue se salvar do desastre que “Inesquecível” começa a se transformar, a partir do segundo ato de sua história.

Cotação: 0,5

Inesquecível (Inesquecível,
Brasil, 2007)
Diretor(es):
Paulo Sérgio de Almeida
Roteirista(s): Marcos Bernstein
Elenco: Murilo Benício, Caco Ciocler, Guilhermina Guinle, Fernanda Machado, Gustavo Rodrigues, Marcos França, Marly Bueno, Nildo Parente, Roberto Frota, Thiago Oliveira, Helder Agostini, Tião d'Ávila, Alexandre Dantas

Tuesday, September 25, 2007

A Última Cartada (Smokin' Aces, 2007)

No início de “A Última Cartada”, filme do diretor e roteirista Joe Carnahan, uma informação nos é dada: a de que todas as agências estaduais e federais de investigação dos EUA estão em uma cruzada contra a Máfia. Para o filme, um dos grupos mafiosos é o mais importante: o La Cosa Nostra, de Las Vegas. Eles são o alvo dos investigadores Richard Messner (Ryan Reynolds), Donald Carruthers (Ray Liotta, que trabalhou com Carnahan em “Narc”) e Stanley Locke (Andy Garcia). No entanto, para a trama de “A Última Cartada”, um outro elemento está na mira de todo mundo: Buddy “Aces” Israel (Jeremy Piven, do seriado “Entourage”).

Buddy Israel é importante, pois tem excelentes relações com a máfia. Um ilusionista de fama em Las Vegas, Israel teve a sua primeira oportunidade graças à Primo Sparazza (Joseph Ruskin), o líder do La Cosa Nostra. Com o tempo e o know-how que adquiriu, Israel começa a montar a sua própria máfia e idealiza pequenos e, posteriormente, grandes crimes. Envolvido em uma briga de gente grande e numa investigação federal, Israel passa a negociar uma delação premiada com o FBI – ou seja, ele dará um depoimento bombástico em troca de imunidade e de proteção dos agentes federais. Por causa disso, ele é a pessoa mais visada, seja pelos agentes (que querem protegê-lo) ou pelos mafiosos (que o querem morto).

A trama de “A Última Cartada”, portanto, acompanha um dia em Lake Tahoe – o refúgio de Buddy Israel. Hospedado em uma luxuosa cobertura, ele aguarda pela confirmação do seu acordo com o FBI, sem saber que a máfia colocou a sua cabeça a prêmio, o que ocasionou em uma busca de uma série de assassinos de aluguel, de caçadores de recompensas e de aproveitadores por um “prêmio” de um milhão de dólares pela cabeça de Israel. Esta é a desculpa perfeita para que o diretor e roteirista Joe Carnahan coloque em tela atores tão diferentes como Ben Affleck, Peter Berg (o criador da série “Friday Night Lights”), Martin Henderson, o rapper Common, a cantora Alicia Keys (em sua estréia no cinema), Taraji P. Henson, Chris Pine, Kevin Durand, Jason Bateman (do seriado “Arrested Development”), Matthew Fox (do seriado “Lost”), entre outros.

“A Última Cartada” é um filme que lembra muito “Xeque-Mate”, do diretor Paul McGuigan. Os dois filmes contam uma história que tem um personagem central, mas cuja história é revelada através do encontro dele com vários outros personagens. Além disso, em ambas as obras, no quarto final, temos a revelação do ponto que une tudo e que tem como função causar o entendimento geral da história. Assim como acontece com “Xeque-Mate”, a “moral” de “A Última Cartada” não funciona, o que deixa o filme com um ar pretensioso até demais.

Cotação: 3,5

A Última Cartada (Smokin' Aces, Inglaterra, França, EUA, 2007)
Diretor(es): Joe Carnahan
Roteirista(s): Joe Carnahan
Elenco: Ben Affleck, Zach Cumer, Jason Bateman, Common, Joseph Ruskin, Andy Garcia, Alex Rocco, Alicia Keys, Wayne Newton, Ray Liotta, Jeremy Piven, Peter Berg, Ryan Reynolds, Martin Henderson, Christopher Holley

Monday, September 24, 2007

Charles Durning - Lifetime Achievment Award - Screen Actors Guild Awards 2008

O Screen Actors Guild, sindicato dos atores dos EUA, anunciou na data de hoje (24.09), o nome do ator norte-americano Charles Durning como o recipiente do Lifetime Achievement Award a ser entregue na 14ª cerimônia de entrega dos SAG Awards, que acontecerá no dia 27 de Janeiro de 2008, em cerimônia transmitida pelo canal TNT para toda a América Latina.

Além de um ator aclamado – cujos créditos incluem papéis em filmes como “Golpe de Mestre” (“The Sting”, 1973, dir. George Roy Hill); “Um Dia de Cão” (“Dog Day Afternoon”, 1975, dir. Sidney Lumet); “Tootsie” (1982, dir. Sydney Pollack); "E Aí, Meu Irmão, Cadê Você?" ("Oh, Brother, Where Art Thou?", 2000, dir. Joel e Ethan Coen); entre outros – Durning foi um herói na II Guerra Mundial, sendo condecorado com 3 Purple Heart e uma Silver Star (a quarta maior honra militar que qualquer soldado norte-americano pode receber).

“Charles Durning é a escolha perfeita para o Lifetime Achievement Award, no ano em que o SAG celebra seu 75º aniversário. Durante sua carreira, ele foi o resumo da arte e da graça que a atuação representa e trouxe algo especial a cada um de seus papéis. Ele, acima de tudo, é um grande ator, que possui o talento que todos nós aspiramos: o poder de criar personagens inesquecíveis”, disse o presidente do SAG, Alan Rosenberg, a respeito do homenageado.

Durning tem mais de cinqüenta anos de carreira e um currículo de 193 obras em cinema e televisão, duas indicações ao Oscar (todas na categoria de melhor ator coadjuvante) e oito indicações ao Emmy Awards.

Ponte Para Terabítia (Bridge to Terabithia, 2007)

Se existe algo de belo na infância, é a capacidade que a criança tem de sonhar, de imaginar, de não enxergar a maldade e de ter uma esperança infinita. No começo de “Ponte Para Terabítia”, do diretor Gabor Csupo, Jesse Aarons (Josh Hutcherson) não consegue imaginar uma vida melhor. Ele vive no sacrifício, com sua grande família; e, na escola, ele encontra um ambiente ainda mais opressor, graças à personalidade difícil que alguns de seus colegas possuem. Jesse só consegue ser ele mesmo quando está desenhando.

A vida dele irá mudar quando ele conhece Leslie Burke (AnnaSophia Robb, de “A Fantástica Fábrica de Chocolate”), uma garota que se mudou para a casa vizinha da família Aarons. Leslie, que é filha de um casal de escritores, é corajosa e não tem medo de liberar seus pensamentos. Ao desenvolver uma amizade com Jesse, Leslie consegue fazer com que ele embarque no seu jogo de imaginação e, juntos, os dois criam um novo universo, ao qual eles dão o nome de Terabítia, e no qual eles serão rei e rainha e enfrentarão alguns inimigos.

“Ponte Para Terabítia” é um filme de gênero não-específico. Nele, encontramos elementos de aventura, fantasia, comédia romântica e drama. Talvez, uma denominação perfeita para ele seria aquilo que os críticos de cinema chamam de “filmes para a família”. “Ponte Para Terabítia” é mais do que um filme sobre o poder da imaginação. É uma película que fala, principalmente, sobre o valor da amizade – como ela nos define, nos acompanha e nos ajuda a enfrentar a vida, especialmente naquela difícil etapa que se chama crescimento.

Cotação: 7,0

Ponte para Terabítia (Bridge to Terabithia, EUA, 2007)
Diretor(es): Gabor Csupo
Roteirista(s): Jeff Stockwell, David Paterson, Katherine Paterson
Elenco: Josh Hutcherson, AnnaSophia Robb, Zooey Deschanel, Robert Patrick, Bailee Madison, Kate Butler, Devon Wood, Emma Fenton, Grace Brannigan, Latham Gaines, Judy McIntosh, Patricia Aldersley, Lauren Clinton, Isabelle Rose Kircher, Cameron Wakefield

Saturday, September 22, 2007

Escritores da Liberdade (Freedom Writers, 2007)

Em 1992, a cidade de Los Angeles assistia a uma verdadeira guerra nos seus bairros mais pobres causadas por gangues movidas por tensões raciais. A Secretaria de Educação, preocupada com a situação, decidiu instaurar, em algumas escolas, uma política de integração. Dessa maneira, negros, brancos, hispânicos e orientais – todos inimigos do lado de fora – eram colocados dentro de uma mesma sala de aula. É nesta realidade que se passa o filme “Escritores da Liberdade”, do diretor e roteirista Richard LaGravenese.

Nele, encontramos Erin Gruwell (Hilary Swank), uma mulher extremamente capacitada e que, movida pela política de integração, decide trabalhar no colégio Woodrow Wilson. Erin é idealista – ela foi criada em um lar e por um pai (Scott Glenn) que fazia parte da luta pelos direitos civis – e acredita que pode fazer a diferença e mudar o mundo; mas até encontrar uma maneira de se fazer ser ouvida, ela vai sofrer bastante nas mãos de seus intolerantes alunos, além de colocar em risco o seu casamento com Scott (Patrick Dempsey, do seriado “Grey’s Anatomy”).

O método de ensino adotado por Erin é bem interessante. Ao ver a sala de aula dividida em tribos que se odeiam, ela começa a fazer menção a uma série de acontecimentos marcantes da história do mundo, como o Holocausto e a segregação racial nos Estados Unidos, para mostrar aos seus alunos que as divergências existentes entre eles podem ter resultados catastróficos. Além disso, Erin os incita a escrever um diário pessoal, em que eles possam compartilhar seus sonhos, medos, anseios e esperanças.

O cinema é cheio de histórias como as de Erin Gruwell: a de professores que superam uma resistência inicial e acabam inspirando seus alunos e fazendo a diferença nas vidas deles. No caso particular de “Escritores da Liberdade”, o filme acrescenta algo de novo, pois, ao se basear nos diários verdadeiros dos alunos de Gruwell, mostra o outro lado da história: o de jovens que não tinham nenhuma perspectiva, mas passaram a ter algo em que acreditar. “Escritores da Liberdade” pode não ser o filme mais brilhante do ano, mas é um dos mais eficientes.

Cotação: 8,0

Escritores da Liberdade (Freedom Writers, Alemanha, EUA, 2007)
Diretor(es): Richard LaGravenese
Roteirista(s): Richard LaGravenese
Elenco: Hilary Swank, Patrick Dempsey, Scott Glenn, Imelda Staunton, April Lee Hernandez, Mario, Kristin Herrera, Jacklyn Ngan, Sergio Montalvo, Jason Finn, Deance Wyatt, Vanetta Smith, Gabriel Chavarria, Hunter Parrish, Antonio García

Friday, September 21, 2007

Eu os Declaro Marido e Larry (I Now Pronounce You Chuck and Larry, 2007)

Após os atentados de 11 de Setembro, os bombeiros viraram heróis e símbolos sexuais. Se, na atualidade, os norte-americanos já aceitam assistir a filmes que colocam Nova York sob a ameaça de bombas ou de terroristas, acredito que os bombeiros de lá não ficarão chateados após assistirem ao filme “Eu os Declaro Marido e Larry”, do diretor Dennis Dugan, que brinca com a camaradagem existente entre os bombeiros e com a virilidade que profissionais como eles passam para as outras pessoas.

No filme, a dupla Adam Sandler e Kevin James (do seriado “King of Queens” e do filme “Hitch – Conselheiro Amoroso”) interpreta Charles “Chuck” Levine e Lawrence “Larry” Valentine, que se conhecem – e são inseparáveis – desde a época da escola de bombeiros. Os dois têm personalidades bem diferentes. Chuck é um mulherengo inveterado e Larry dá toda a sua atenção para os filhos Eric (Cole Morgen) e Tori (Shelby Adamowsky) desde que a esposa Paula faleceu.

É justamente o desespero de Larry, que teme que seus filhos fiquem desamparados após a sua morte, que o leva a tomar uma atitude drástica: a de estabelecer uma parceria doméstica com Chuck – ou seja, os dois vão se casar e assumir uma vida mentirosa como homossexuais para o mundo, somente para proteger os filhos de Larry, que poderão, dessa maneira, continuar a receber os benefícios do pai, caso ele morra. Este seria o plano perfeito, se não fosse por um pequeno detalhe: assim como acontece com aquelas pessoas que se casam para obter um Green Card, Chuck e Larry passarão por um período de observação pelas autoridades e, por causa disso, têm que procurar uma advogada chamada Alex McDonough (Jessica Biel), a qual é especializada nesse tipo de caso, mas que oferece um outro tipo de obstáculo à vida mentirosa da dupla: Chuck fica caidinho por ela.

“Eu os Declaro Marido e Larry” é um filme que tinha tudo para cair para a palhaçada e para ter piadas de mal gosto, mas, surpreendentemente, o roteiro escrito por Barry Fanaro e pela dupla Alexander Payne e Jim Taylor (sim, a de filmes como “Eleição”, “As Confissões de Schimidt” e “Sideways – Entre Umas e Outras”) trata de toda a vida conjugal de Chuck e Larry com um respeito admirável. Claro que, em alguns momentos de “Eu os Declaro Marido e Larry”, temos situações estereotipadas e a apresentação dos gays por um perfil típico; mas o filme consegue até mesmo deixar uma bela mensagem: a de que as pessoas devem se amar e se respeitar pelo que são. Mas, não se engane: “Eu os Declaro Marido e Larry” não é um filme que quer ser levado a sério. Ele é uma boa diversão – somente isso.

Cotação: 4,5

Eu os Declaro Marido e... Larry (I Now Pronounce You Chuck and Larry, EUA, 2007)
Diretor(es): Dennis Dugan
Roteirista(s): Barry Fanaro, Alexander Payne, Jim Taylor, Lew Gallo
Elenco: Adam Sandler, Kevin James, Jessica Biel, Dan Aykroyd, Ving Rhames, Steve Buscemi, Nicholas Turturro, Allen Covert, Rachel Dratch, Richard Chamberlain, Nick Swardson, Blake Clark, Mary Pat Gleason, Matt Winston, Lance Bass

Thursday, September 20, 2007

Batismo de Sangue (2006)

O filme “Batismo de Sangue”, do diretor Helvécio Ratton, se passa no final dos anos 60, quando a esquerda brasileira mudou de atitude em relação à ditadura militar. Eles aprenderam que as palavras e as imagens não eram suficientes para bater o regime, e viram que somente com a luta armada eles poderiam ser escutados e fazer com que a situação mudasse de figura. Baseado no livro homônimo de Frei Betto, “Batismo de Sangue” conta a história real de como quatro freis dominicanos – interpretados por Caio Blat, Daniel de Oliveira, Léo Quintão e Odilon Esteves – participaram da resistência contra a ditadura militar brasileira.

O roteiro do filme, que foi escrito pelo diretor Helvécio Ratton e por Dani Patarra, coloca o foco no frei Tito (Blat, ótimo), que junto com os amigos Betto (Oliveira), Fernando (Quintão) e Ivo (Esteves) passam a usar a independência do convento dos frades dominicanos (uma das poucas instituições a não ser controlada pelos militares) para apoiar o grupo guerrilheiro Ação Libertadora Nacional, comandado por Carlos Marighella (Marku Ribas).

Assim como acontecia com todos aqueles que se envolviam com a luta armada, as atividades dos quatro freis dominicanos começam a ser monitoradas pelos órgãos de controle do regime. É nesse momento que a trama de “Batismo de Sangue” se divide em dois eixos: um que acompanha a prisão de Fernando e Ivo e o outro que acompanha Betto no seu papel de ser o atravessador dos envolvidos na luta armada pela fronteira que dividia o Brasil com outros países, como o Uruguai.

“Batismo de Sangue” entra no seu melhor momento quando os quatro amigos se encontram juntos – e presos – nas “delegacias” do regime. Sofrendo horrores com as torturas impostas pelo Papa (Cássio Gabus Mendes, excelente), os amigos vêem os seus ideais cristãos – bem como a amizade e a união existente entre eles – cada vez mais fortes. O viés interessante, neste sentido, é que, enquanto Betto, Fernando e Ivo acreditam piamente que a prisão não tira a liberdade deles; Tito se mostra muito mais frágil emocionalmente e quando é obrigado a viver em exílio na França, se sente numa prisão ainda maior – e dominada pelas péssimas lembranças dos tempos de tortura.

Helvécio Ratton, com “Batismo de Sangue”, realiza um filme muito bom e que tem como ponto forte o retrato cruel das cenas de tortura sofridas por Tito, Ivo e Fernando – as quais chegam a chocar até demais pela realidade com que foram filmadas. Além disso, o filme serve como um documento bem interessante da história do Brasil. Mesmo se passando no final dos anos 60, em uma realidade completamente diferente da que vivemos atualmente, “Batismo de Sangue” revela que os conflitos brasileiros são os mesmos de sempre: existe esse senso de que se tem uma luta constante pelo povo, quando, na realidade, o povo está pouco se lixando para o que está acontecendo.

Cotação: 9,5

Batismo de Sangue (Batismo de Sangue,
Brasil, 2006)
Diretor(es):
Helvecio Ratton
Roteirista(s): Dani Patarra, Helvecio Ratton
Elenco: Kassia Lumi Abe, Marco Amaral, Júlio Andrade, Ângelo Antônio, José Carlos Aragão, André Arteche, Luiz Arthur, Leonardo Bertollini, Caio Blat, Bya Braga, Rômulo Braga, Léo Brasil, Marcus Brina, Raquel Campolina, Marcelo Campos

Wednesday, September 19, 2007

Lendo - "Reparação"

“Porém não havia gaveta oculta, diário com cadeado nem sistema de criptografia que pudesse esconder de Briony a verdade pura e simples: ela não tinha segredos. Seu desejo de viver num mundo harmonioso, organizado, negava-lhe as possibilidades perigosas do mal. A violência e a destruição eram caóticas demais para seu gosto, e além disso, lhe faltava crueldade. Vivendo, na prática, como filha única, e numa casa relativamente isolada, permanecia, ao menos durante as longas férias de verão, afastada das intrigas com as amigas. Não havia nada em sua vida que fosse interessante ou vergonhoso que chegasse para merecer ser escondido; ninguém sabia do crânio de esquilo debaixo de sua cama, mas também ninguém queria saber. Nada disso era particularmente aflitivo, ou melhor, só passou a ser visto assim em retrospecto, depois que uma solução foi encontrada” (p. 14)

Uma coisa já chama a atenção dos leitores nos primeiros capítulos do livro “Reparação”, do escritor inglês Ian McEwan. O fato de que ele decide, a cada capítulo, apresentar o mesmo acontecimento de acordo com os pontos de vista de seus três personagens principais: a garotinha Briony Tallis, sua irmã mais velha Cecilia e o jovem Robbie Turner.

Cada visão vem contaminada com a personalidade própria de cada um deles. Briony, por exemplo, é uma jovem de imaginação muito fértil, que escreve em seu diário e idealiza contos, livros e peças. No entanto, por ser muito jovem (ela tem 13 anos), sua visão de mundo ainda é limitada. Falta a Briony a experiência que sua irmã mais velha, Cecilia, tem. Ela já não vive mais com os pais, faz faculdade e tem um lado muito maternal com Briony. Cecilia sabe das suas responsabilidades e é um tanto realista. O idealismo, neste momento, é todo de Briony.

Já Robbie é um rapaz que soube aproveitar as oportunidades que teve. Criado pela mãe – que trabalhava como faxineira da família Tallis –, desde cedo ele foi pego como protegido pelo pai de Cecilia e Briony. Com a ajuda do Sr. Tallis, estudou nas melhores escolas e universidades. Presunçoso e muito ambicioso, Robbie sabia muito bem aonde queria chegar e nada parecia que iria se colocar em seu caminho.

O livro é dividido em três partes e um epílogo. Na primeira, acompanhamos um final de semana na casa da Família Tallis (que está lotada de visitas, como o filho mais velho Leon e seu amigo Paul Marshall e os primos Lola, Jackson e Pierrot), quando um crime acontece e Briony acusa Robbie de tê-lo cometido. A acusação interrompe o nascimento do romance entre Robbie e Cecilia. As partes seguintes de “Reparação” mostram as conseqüências do ato de Briony: a prisão de Robbie, a participação dele na II Guerra Mundial, o afastamento de Cecilia de sua própria família e o crescimento de Briony. Para esta última, o amadurecimento significa o sentimento de culpa, de arrependimento, de vergonha por algo cometido; a certeza da falta do perdão e a necessidade da reparação.

Ian McEwan escreve um livro denso, que mergulha na mente de seus personagens principais e que nos mostra uma dura realidade: a vivida por três pessoas que, no decorrer de sua existência, vão se deparar com uma prisão em que a vontade de voltar no tempo e modificar certas coisas é uma constante. “Reparação” é um livro que brinca com a imaginação do leitor, o obrigando a participar da construção de uma realidade, em que, como no mundo visualizado por Briony, o sentimento principal é o de que nada que possa ser feito irá apagar a dor vivida.

“Reparação” (2001)
Autor: Ian McEwan
Editora: Companhia das Letras

Tuesday, September 18, 2007

O Vigarista do Ano (The Hoax, 2007)

A matéria-prima principal de um escritor, além do talento que ele possui, é a capacidade de imaginar situações, pessoas e lugares; e encadear tudo isso em uma narrativa atraente para o leitor. O escritor Clifford Irving (Richard Gere) tem isso, mas possui uma qualidade própria ainda mais destacada: ele sabe mentir como ninguém. No entanto, como veremos no início de “O Vigarista do Ano”, filme dirigido pelo sueco Lasse Hallstrom, Irving ainda não soube como colocar estes dois elementos a favor de sua carreira de escritor, que vai de mal a pior – seu primeiro livro encalhou nas prateleiras das livrarias e o segundo nem chegou a ser publicado.

Desesperado, cheio de dívidas e sem nenhuma idéia para um livro novo em mente, Clifford Irving ganha mais uma chance da sua paciente editora, Andrea Tate (Hope Davis), e chega para a reunião mais importante de sua vida contando uma belíssima mentira: ele irá escrever o livro do século, a biografia autorizada do bilionário excêntrico Howard Hughes (que teve sua vida retratada no filme “O Aviador”, de Martin Scorsese). Detalhe importante: Irving e seu parceiro Dick Suskind (Alfred Molina) nunca viram, conheceram ou falaram com Howard Hughes.

Com contrato assinado e um ótimo adiantamento na sua conta bancária, Clifford Irving e Dick Suskind começam a levar a sua mentira a sério e forjam uma série de documentos, além de cometerem vários crimes contra instituições públicas nos EUA – tudo isso para escreverem a tal biografia autorizada. O que interessa aqui para o diretor Lasse Hallstrom e o roteirista William Wheeler (que adaptou o livro do próprio Clifford Irving) é mostrar de que maneira a mentira vai consumindo a vida de Clifford a ponto de ele não saber mais o que é verdadeiro e o que é falso.

Baseado em uma história real, “O Vigarista do Ano” é um filme surpreendente em todos os sentidos. A começar pela direção de Lasse Hallstrom, que é responsável por dramas ou comédias românticas leves. Aqui, ele realiza seu filme mais maduro. O roteiro de William Wheeler, que, em alguns pontos dá a impressão de se estender demais em certos pontos da narrativa, chega ao final aparando todas as arestas levantadas. E as atuações de Richard Gere e Alfred Molina são simplesmente sensacionais. O primeiro – na que seja, talvez, a melhor atuação de sua carreira – está perfeito como Clifford Irving, um homem movido à paixão pelo ofício de escritor, pelo personagem de sua biografia, pelas mulheres de sua vida (que são interpretadas por Marcia Gay Harden e Julie Delpy) e que, por causa disso, convence todos aqueles que estão à sua volta. E o segundo está ótimo como o cúmplice corroído pela culpa, mas que, de alguma maneira, se sente atraído por toda aquela sensação de que vai ser descoberto a qualquer momento.

Cotação: 9,2

O Vigarista do Ano (The Hoax, EUA, 2006)
Diretor(es): Lasse Hallstrom
Roteirista(s): William Wheeler, Clifford Irving
Elenco: Richard Gere, Alfred Molina, Hope Davis, Marcia Gay Harden, Stanley Tucci, Julie Delpy, Eli Wallach, John Carter, Christopher Evan Welch, Zeljko Ivanek, David Aaron Baker, Peter McRobbie, John Bedford Lloyd, Okwui Okpokwasili, Stuart Margolin

Monday, September 17, 2007

59th Annual Primetime Emmy Awards 2007 - Comentários

Generosidade. Esta foi a palavra de ordem do 59th Annual Primetime Emmy Awards 2007, afinal todos os shows com números de destaque nas indicações saíram com vitórias. A noite, que teve uma boa apresentação de Ryan Seacrest, teve também uma vontade de mostrar um novo visual, mas nem tudo funcionou, como o palco no meio da audiência. Quem estava do lado de trás do palco, teve uma péssima vista da premiação e dos momentos especiais que ela trouxe.

As surpresas programadas para a noite, como a apresentação de Tony Bennett e Christina Aguilera, bem como o tributo ao seriado “The Sopranos” feito pelo elenco do musical “Jersey Boys” foram ótimas e tiram o Emmy da monotonia de antigamente, quando só tínhamos as entregas dos prêmios e algumas montagens especiais.

Mas, o fato que mais chamou atenção mesmo no Emmy 2007 foi o enorme número de surpresas nas categorias principais. As vitórias de Terry O’Quinn (Best Supporting Actor in a Drama Series), Jaime Pressly (Best Supporting Actress in a Comedy Series), Katherine Heigl (Best Supporting Actress in a Drama Series), James Spader (Best Actor in a Drama Series), Ricky Gervais (Best Actor in a Comedy Series) e “30 Rock” (Best Comedy Series) que, em alguns casos, podem até ser contestadas, definitivamente trazem para o espectador mais crítico do Emmy aquela sensação de que os anos em que tínhamos os mesmos vencedores de sempre ficaram para trás.

A lista completa de vencedores da noite:

COMEDY SERIES: 30 Rock
COMEDY LEAD ACTOR: Ricky Gervais, Extras (“Sir Ian McKellen)
COMEDY LEAD ACTRESS: America Ferrera, Ugly Betty ("Pilot")
COMEDY SUPPORTING ACTOR: Jeremy Piven, Entourage ("Manic Monday")
COMEDY SUPPORTING ACTRESS: Jaime Pressly, My Name is Earl (“Jump for Joy”)
COMEDY DIRECTING: Richard Shepard, Ugly Betty ("Pilot")
COMEDY WRITING: Greg Daniels, The Office (“Gay Witch Hunt”)

DRAMA SERIES: The Sopranos
DRAMA LEAD ACTOR: James Spader, Boston Legal
DRAMA LEAD ACTRESS: Sally Field, Brothers & Sisters ("Mistakes Were Made, Part 2")
DRAMA SUPPORTING ACTOR: Terry O’Quinn, Lost (“The Man From Tallahassee)
DRAMA SUPPORTING ACTRESS: Katherine Heigl, Grey’s Anatomy (“Time After Time”)
DRAMA DIRECTING: Alan Taylor, The Sopranos ("Kennedy & Heidi")
DRAMA WRITING: David Chase, The Sopranos (“Made in America”)

MADE FOR TV MOVIE: Bury My Heart at Wounded Knee
MINISERIES: Broken Trail
MOVIE/MINISERIES LEAD ACTOR: Robert Duvall, Broken Trail
MOVIE/MINISERIES LEAD ACTRESS: Helen Mirren, Prime Suspect: The Final Act
MOVIE/MINISERIES SUPPORTING ACTOR: Thomas Haden Church, Broken Trail
MOVIE/MINISERIES SUPPORTING ACTRESS: Judy Davis, The Starter Wife
MOVIE/MINISERIES DIRECTING: Philip Martin, Prime Suspect – The Final Act
MOVIE/MINISERIES WRITING: Frank Deasy, Prime Suspect – The Final Act

REALITY/COMPETITION PROGRAM: The Amazing Race

VARIETY PERFORMANCE: Tony Bennett: An American Classic - Tony Bennett
VARIETY SERIES: Daily Show with Jon Stewart ("Bill Richardson 3/28/07")
VARIETY DIRECTING:Tony Bennett: An American Classic - Rob Marshall
VARIETY WRITING: Late Show With Conan O’Brien

Sunday, September 16, 2007

59th Annual Primetime Emmy Awards 2007

A entrega dos 59th Annual Primetime Emmy Awards, que acontece no Shrine Auditoruim, em Los Angeles, hoje, dia 16 de Setembro, marca o início da temporada de premiações 2007-2008 (que termina com a entrega dos Oscars, em Fevereiro do próximo ano). A premiação, que terá a apresentação de Ryan Seacrest (do programa “American Idol”), é outorgada pela Academia de Artes e Ciências Televisivas e tem como objetivo principal celebrar aquilo que de melhor foi produzido pelas emissoras de tevê dos Estados Unidos.

A festa contará com a participação de grandes nomes da indústria da TV norte-americana da atualidade e, além disso, o Emmy Awards trará performances musicais de Tony Bennett e Christina Aguilera (cantando “Steppin’ Out With My Baby”), do elenco de “Family Guy”, dos elencos do musical “Jersey Boys” e do seriado “The Sopranos”, de Kanye West e Rainn Wilson (de “The Office”), entre outras.

A noite será imperdível e terá transmissão do canal Sony Entertainment Television (a partir das 20hs.) e do canal E! Entertainment Television (a partir das 17hs., com o post-show da premiação começando a meia-noite).

O blog “Cinéfila por Natureza” passou as duas últimas semanas analisando as principais categorias do Emmy 2007 e agora relembra seus palpites para todas as categorias do telecast:

COMEDY SERIES: The Office
COMEDY LEAD ACTOR: Steve Carell, The Office ("Business School")
COMEDY LEAD ACTRESS: America Ferrera, Ugly Betty ("Pilot")
COMEDY SUPPORTING ACTOR: Jeremy Piven, Entourage ("Manic Monday")
COMEDY SUPPORTING ACTRESS: Jenna Fischer, The Office ("The Job")
COMEDY DIRECTING: Richard Shepard, Ugly Betty ("Pilot")
COMEDY WRITING: Tina Fey, 30 Rock ("Tracy Does Conan")

DRAMA SERIES: The Sopranos
DRAMA LEAD ACTOR: James Gandolfini, The Sopranos ("The Second Coming")
DRAMA LEAD ACTRESS: Sally Field, Brothers & Sisters ("Mistakes Were Made, Part 2")
DRAMA SUPPORTING ACTOR: Michael Imperioli, The Sopranos ("Walk Like A Man")
DRAMA SUPPORTING ACTRESS: Sandra Oh, Grey's Anatomy ("From A Whisper to a Scream")
DRAMA DIRECTING: Alan Taylor, The Sopranos ("Kennedy & Heidi")
DRAMA WRITING: Terence Winter, The Sopranos ("The Second Coming")

MADE FOR TV MOVIE: Longford
MINISERIES: Broken Trail
MOVIE/MINISERIES LEAD ACTOR: Robert Duvall, Broken Trail
MOVIE/MINISERIES LEAD ACTRESS: Helen Mirren, Prime Suspect: The Final
Act
MOVIE/MINISERIES SUPPORTING ACTOR: Thomas Haden Church, Broken Trail
MOVIE/MINISERIES SUPPORTING ACTRESS: Samantha Morton, Longford
MOVIE/MINISERIES DIRECTING: Walter Hill, Broken Trail
MOVIE/MINISERIES WRITING: Alan Geoffrion, Broken Trail

REALITY/COMPETITION PROGRAM: American Idol ("Idol Gives Back - Part 2" 4/25/07)

VARIETY PERFORMANCE:
Tony Bennett: An American Classic - Tony Bennett
VARIETY SERIES: Daily Show with Jon Stewart ("Bill Richardson 3/28/07")
VARIETY DIRECTING: Tony Bennett: An American Classic - Rob Marshall
VARIETY WRITING: Daily Show with Jon Stewart

Post-edit: O Sony Entertainment Television vai anunciar, durante a transmissão do Emmy 2007, quais as séries novas do seu primetime. Alguns nomes já estão confirmados, como os da série "Samantha Who?" (com Christina Applegate), "Rules of Engagement" (com David Spade), "My Boys", além do "The Daily Show With Jon Stewart" (que costumava ir ao ar todos os sábados na CNN International). No entanto, boatos da Internet dão conta que a grande notícia a ser divulgada hoje à noite é que o Sony Entertainment Television finalmente anunciará a transmissão do seriado "Ugly Betty" a partir de Novembro deste ano. Os fãs agradecem, se esta notícia for realmente verdadeira.

Saturday, September 15, 2007

Cidade dos Homens (2007)

Existe uma concepção muito errônea quando se toca no nome de “Cidade dos Homens”, série idealizada pela O2 Filmes em parceria com a Rede Globo, e que, agora, chega aos cinemas pelas mãos do diretor Paulo Morelli. Muita gente pensa que a série era uma continuação do filme “Cidade de Deus”, do diretor Fernando Meirelles. No entanto, se existem algumas semelhanças entre série e filme são: o fato de que “Cidade dos Homens” é estrelada pela dupla Douglas Silva e Darlan Cunha (que tinham papéis no filme de Meirelles), de que as histórias de ambos se passam nas favelas do Rio de Janeiro e de que o estilo de filmar é o mesmo (de caráter documental). No mais, o tema principal de “Cidade dos Homens” é fazer uma crônica sobre o crescimento da dupla Acerola (Silva) e Laranjinha (Cunha) em meio à vida dura na favela, com todas as tentações que ela apresenta.

O filme tem uma trama que dá destaque, principalmente, ao personagem de Douglas Silva e toca fundo na figura do pai. Como sabemos, Acerola e Laranjinha são filhos de pais que não participaram de sua criação. Acerola sempre lidou bem com isso, mas, quando se vê como pai do garoto Cleiton, a situação muda de figura, porque ele, claramente, não está pronto para tal responsabilidade. Já Laranjinha, sempre se ressentiu do fato de que não teve um pai que lhe ensinasse as coisas. Com a proximidade dos seus 18 anos, os dois vão passar por uma grande jornada que tem como objetivo o encontro de uma identidade, através da busca pelas suas origens.

Como não poderia faltar em uma obra como “Cidade dos Homens”, o diretor Paulo Morelli (que trabalhou com Elena Soarez na construção do roteiro do filme) faz uma menção à realidade social em que vivem Acerola e Laranjinha. O morro em que eles residem passa a ser alvo de disputa entre dois antigos camaradas, Madrugadão (Jonathan Haagensen) e Nefasto; e, novamente, veremos aquela constante tentação para quem vive em um ambiente como esse: cair na criminalidade.

O diretor Paulo Morelli não é nenhum Fernando Meirelles; e, muito menos, tenta fazer de seu “Cidade dos Homens” um novo “Cidade de Deus”. O objetivo dele é retratar como é difícil tentar crescer e assumir responsabilidades dentro de um ambiente em que a tensão é algo constante, como a favela. Nesse sentido, o filme cumpre bem o seu papel e faz uma ótima transição da telinha para o cinema. O destaque de “Cidade dos Homens” vai para Douglas Silva, que agarra a oportunidade que teve para mostrar o seu talento. A atuação dele é maravilhosa, especialmente no segundo ato do filme.

Cotação: 6,5

Cidade dos Homens - O Filme (Cidade dos Homens, Brasil, 2007)
Diretor(es): Paulo Morelli
Roteirista(s): Elena Soarez, Paulo Morelli
Elenco: Douglas Silva, Darlan Cunha, Rodrigo dos Santos, Camila Monteiro, Naima Silva, Luciano Vidigal, Pedro Henrique, Jonathan Haagensen

Friday, September 14, 2007

Emmy 2007 - Drama and Comedy Series

Outstanding Drama Series

Boston Legal • ABC • David E. Kelley Productions in association with Twentieth Century Fox Television
Grey’s Anatomy • ABC • ABC Studios
Heroes • NBC • Tailwind Productions in association with NBC Universal Television Studio
House • Fox • Heel and Toe Productions, Shore Z Productions, Bad Hat Harry Productions in association with NBC Universal Television Studio
The Sopranos • HBO • Chase Films and Brad Grey Television in association with HBO Entertainment

Uma série amada pela crítica e pelo público na sua temporada final (“The Sopranos”). A série, que mesmo com os barracos fora das telas, continua a ser uma das mais comentadas – e assistidas (“Grey’s Anatomy”). Aquela que ganhou, recentemente, o título de melhor programa do ano, de acordo com a Associação de Críticos de TV dos EUA (“Heroes”). E dois azarões: “House” e a chatíssima “Boston Legal”. “The Sopranos” chega com toda a pompa de favorito justamente por ser esta a sua última temporada. A única série que pode tirar o prêmio dos mafiosos é “Grey’s Anatomy”.

Rankings:
1. “The Sopranos”
2. “Grey’s Anatomy”
3. “Heroes”
4. “House”
5. “Boston Legal”

Quem vai ganhar: “The Sopranos” – alguém ainda tem dúvidas sobre isso???
Fique de olho em: “Grey’s Anatomy” – nunca descarte a série mais comentada – para o bem e para o mal – dos EUA.


Outstanding Comedy Series

Entourage • HBO • Leverage and Closest to the Hole Productions in association with HBO Entertainment
The Office • NBC • Deedle-Dee Productions, Reveille, LLC, in association with NBC Universal Television Studio
30 Rock • NBC • Broadway Video, Little Stranger, in association with NBC Universal Television Studio
Two And A Half Men • CBS • Chuck Lorre Productions, Inc., The Tannenbaum Company in association with Warner Bros. Television
Ugly Betty • ABC • ABC Studios
Nesta categoria, temos uma briga bem interessante entre dois estilos de séries de comédia. De um lado, a sitcom tradicional, que ainda sobrevive, através da indicação de “Two and a Half Men” – série esta que chega com uma moral enorme no Emmy devido a indicação de quase todo seu elenco, com exceção do garoto Angus T. Jones. De outro lado, séries como “Entourage”, “The Office”, “30 Rock” e “Ugly Betty”, que mostram a nova maneira de se fazer comédia na televisão com uma linguagem diferente e criativa, que torna estes shows tão ricos e únicos.

A disputa pelo Emmy deve ser monopolizada por: “The Office”, show que está no primetime de quinta-feira da rede NBC (num combo fulminante com a injustamente esquecida “My Name is Earl”) e que tem sua força no grande elenco e nos roteiros originais; e “Ugly Betty”, uma das séries novas mais comentadas da temporada 2006-2007, com sua linguagem exagerada, com influências das soap-operas, suas tiradas cômicas inteligentíssimas e pela ousadia de colocar o feio na moda.

Rankings:
1. “Ugly Betty”
2. “The Office”
3. “30 Rock”
4. “Entourage”
5. “Two and Half Men”

Quem vai ganhar: “The Office” vai prevalecer pelo segundo ano consecutivo.
Fique de olho em: “Ugly Betty” e “30 Rock”. A primeira, por ser a série de comédia com o maior número de indicações ao Emmy. A segunda, por ter sido perfeita na sua escolha de episódios para os votantes da Academia.