Saturday, February 04, 2006

Boa Noite, e Boa Sorte (Good Night, and Good Luck, 2005)



No início dos anos 50, o povo norte-americano foi invadido por um sentimento que ganhou o nome de Temor Vermelho, o qual expressava um misto de raiva e medo sentido pelos norte-americanos em relação aos comunistas. Nessa época, membros do Congresso dos Estados Unidos passaram a difundir a idéia de que altos funcionários do governo do país estariam traindo a pátria. Nenhum congressista explorou mais esta idéia do que o Senador Joseph M. MacCarthy, do Estado do Wisconsin. Foi ele quem liderou a Comissão MacCarthy contra Atividades Anti-Americanas, que investiu pesado em cima dos norte-americanos – especialmente em cima de profissionais da indústria cinematográfica hollywoodiana, professores universitários, estudantes e sindicalistas -, esnobando os direitos civis garantidos pela Constituição dos Estados Unidos. A Comissão liderada por MacCarthy durou exatos cinco anos e manchou a história política norte-americana.

Durante o funcionamento da Comissão MacCarthy contra Atividades Anti-Americanas poucos jornalistas ousaram criticar os métodos de investigação do Senador MacCarthy. Um dos que se levantaram contra a Comissão foi o jornalista da rede CBS, Edward R. Murrow (David Strathairn, numa performance natural e sem esforços, que lhe rendeu a merecida indicação ao Oscar 2006 de Melhor Ator), que, com a sua equipe de profissionais, fez uma série de reportagens que desmascararam as falcatruas políticas impetradas pelo Senador Joseph M. MacCarthy.

Edward R. Murrow é justamente o personagem principal da cinebiografia “Boa Noite, e Boa Sorte” (a frase de despedida do jornalista para o seu público quando os seus programas jornalísticos – “See it Now” e “Person to Person” – terminavam), do diretor, ator e roteirista George Clooney. O jornalismo não é um território desconhecido para Clooney, uma vez que seu pai, Nick, foi âncora de telejornais nos Estados Unidos e, hoje, tenta se dedicar a uma carreira política.

“Boa Noite, e Boa Sorte” - filme indicado a 6 Oscars 2006, incluindo Melhor Filme, Diretor e Roteiro Original - pode estar situado nos anos 50, mas o que os roteiristas George Clooney e Grant Heslov tentam mostrar é que o que aconteceu na época de Joseph M. MacCarthy continua a ocorrer nos dias de hoje. Substituiu-se o Temor Vermelho pela paranóia antiterrorista. Sai de cena a Comissão MacCarthy de Atividades Anti-Americanas e entram no quadro a CIA e o FBI, que violam os direitos constitucionais dos norte-americanos e, em busca de dizimar qualquer ameaça, não hesitam em violar as correspondências da população ou de colocar as pessoas na humilhante situação de terem que ser revistadas nos aeroportos. Uma frase brilhante do roteiro neste sentido é a seguinte: “como podemos impor a liberdade aos países estrangeiros, quando nós mesmos não a respeitamos”.

O filme também lembra o importante papel que os meios de comunicação – no caso particular de “Boa Noite, e Boa Sorte”, a televisão – desempenham em momentos de crise. Num país democrático, em um livre ambiente de trabalho (longe das pressões dos superiores ou dos patrocinadores), e com liberdade de expressão, Edward R. Murrow e sua equipe foram além da simples tarefa de entreter seus telespectadores. Eles contestaram, informaram, educaram, transformaram os acontecimentos e tiveram a oportunidade de fazer história. Ao mostrarem isso, George Clooney e Grant Heslov não deixam de fazer uma crítica à atual situação vivida pela imprensa norte-americana, que assiste passivamente ao governo de George W. Bush, deixando escapar a oportunidade de investigar temas controversos como a Invasão ao Iraque e o por quê da manutenção das tropas neste país até os dias de hoje – nós estamos vivendo o contrário aqui no Brasil, em que a imprensa desempenhou (e continua a exercer) um papel fundamental na denúncia e investigação dos escândalos do Governo Lula.

Magnificamente fotografado em preto e branco por Robert Elswit (também indicado ao Oscar 2006), “Boa Noite, e Boa Sorte” também marca o nascimento de uma nova proposta de se fazer filmes em Hollywood. A co-produtora do filme foi a Participant Productions, empresa criada pelo ex-proprietário do site de leilões E-Bay e que tem como objetivo produzir filmes que carreguem mensagens de relevância para a sociedade. “Boa Noite, e Boa Sorte” foi o primeiro filme da empresa. “Syriana”, um thriller de espionagem estrelado por George Clooney e Matt Damon, e escrito por Stephen Gaghan (de “Traffic”), foi o segundo. “Terra Fria”, filme de Niki Caro e com Charlize Theron e Frances McDormand no elenco, que retrata um caso de assédio moral e sexual numa mina dos Estados Unidos, foi o terceiro. Todos os três filmes estão indicados para o Oscar e atraíram grande atenção do público, o que confirma uma demanda por filmes bons e, principalmente, inteligentes por parte da audiência.

Crédito Foto: Yahoo! Movies

Nanny McPhee - A Babá Encantada (Nanny McPhee, 2005)



À primeira vista, a trama de “Nanny McPhee – A Babá Encantada”, do diretor Kirk Jones, se assemelha muito à do filme “A Noviça Rebelde”, de Robert Wise; afinal os dois filmes falam de duas mulheres que são enviadas para a casa de um homem viúvo para cuidar dos seus filhos pestinhas. A diferença é que a babá Nanny McPhee (Emma Thompson, também autora do roteiro do filme) utiliza os seus poderes mágicos para controlar o comportamento dos sete filhos de Cedric Brown (Colin Firth); enquanto que, em “A Noviça Rebelde”, Maria (Julie Andrews) usa a música para domar os filhos do Capitão Von Trapp (Christopher Plummer).

Se “A Noviça Rebelde” se passava num momento quase posterior à invasão da Áustria pela Alemanha – o que deixava o Capitão Von Trapp numa situação delicada, pois, como servidor do exército austríaco, ele não queria se reportar para Adolf Hitler; “Nanny McPhee – A Babá Encantada” retrata a vida em um pacato vilarejo inglês, no qual Cedric Brown ganha a vida em uma casa funerária e tenta cuidar dos seus sete filhos. A vida da família Brown ficou mais difícil após a morte da esposa de Cedric. Em conseqüência disso, os sete filhos do casal viraram crianças levadas e travessas e que não aceitavam nenhum tipo de ato disciplinar.

É neste momento em que Nanny McPhee entra em cena, para ensinar cinco lições básicas aos filhos de Cedric: se deitar quando forem mandados, se levantar quando forem mandados, se vestir apropriadamente, saber ouvir e aceitar ordens. A presença de Nanny McPhee será ainda mais importante para a família Brown, pois Cedric enfrenta um grande conflito pessoal: se ele não se casar novamente em um mês, perderá a mesada que recebe de sua Tia Adelaide (Angela Lansbury) e, conseqüentemente, não conseguirá mais sustentar a sua casa e perderá a guarda dos seus filhos.

Baseado na série de livros infantis escritos por Christianna Brand, “Nanny McPhee – A Babá Encantada” é um filme cheio de exageros, especialmente no que diz respeito ao uso de cores nos figurinos, na direção de arte e na fotografia. Algumas personagens do filme, como Selma Quickly (Celia Imrie), a aspirante à noiva de Cedric, são naturalmente espalhafatosas. No entanto, “Nanny McPhee – A Babá Encantada” apela acertadamente para a força do seu simples roteiro, o qual é cheio de situações bobas e engraçadas, para ganhar a empatia do público.


Crédito Foto: Cine Pop

Dizem por Aí (Rumor Has It, 2005)



Não é novidade nenhuma para o público freqüentador das salas de cinema que a indústria cinematográfica hollywoodiana passa por uma grande crise –uma econômica e outra mais grave de idéias. Quando não estréiam remakes de filmes antigos (caso do recente “As Loucuras de Dick e Jane”), são lançados filmes baseados em seriados de TV (caso de “Miami Vice”, filme que estreará ainda em 2006). A última moda é fazer películas baseadas nas vidas de personalidades (caso de “Capote” e “Johnny e June”, ambos indicados nas principais categorias do Oscar 2006). A comédia romântica “Dizem por Aí”, do diretor Rob Reiner, inaugura um novo filão, ainda sem características definidas, pois conta a história de uma mulher que acredita que a sua família serviu de inspiração para o livro “The Graduate”, de Charles Webb –o qual, por sua vez, deu origem ao filme “A Primeira Noite de um Homem”, de Mike Nichols.

Sarah Huttinger (Jennifer Aniston), a personagem principal de “Dizem por Aí”, tem muitas características parecidas com as de Benjamin Braddock, o protagonista de “A Primeira Noite de um Homem”. Se Benjamin voltou para casa após se formar para enfrentar as cobranças de seus pais para que encontrasse uma boa mulher para se casar e arranjasse um emprego bem-sucedido; Sarah volta para Pasadena, a sua cidade natal, para o casamento de Annie (Mena Suvari), a sua irmã mais nova, presa a um emprego sem possibilidades de crescimento profissional e noiva de um homem perfeito e que lhe dá segurança e proteção – o advogado Jeff (Mark Ruffalo).

No entanto, Sarah, assim como Benjamin, não se sente preparada para enfrentar as cobranças e as responsabilidades que advêm da vida a dois. Ela quer se encontrar antes de aceitar este desafio. É neste momento em que Sarah começa a se diferenciar de Benjamin, pois enquanto ele embarcou em uma aventura amorosa inconseqüente com uma mãe e sua filha; Sarah vai em busca das suas origens e as da sua falecida mãe indo ao encontro de Beau Burroughs (Kevin Costner), um homem rico e sedutor, mas que vive preso no passado que viveu com Jocelyn, a mãe de Sarah.

“Dizem por Aí”, ao contrário de “A Primeira Noite de um Homem”, não é um drama bem construído; e sim uma comédia que mistura momentos que visam ao alcance do mais puro riso com aqueles que são dignos de um bom romance. Dirigido com regularidade por Rob Reiner, o ponto alto do filme é a atuação de Jennifer Aniston, uma atriz que, além de possuir um timing cômico perfeito (e já conhecido dos fãs do seriado “Friends”, no qual Aniston interpretou a patricinha Rachel Green), sabe muito bem fazer as cenas que exigem uma carga dramática maior.


Crédito Foto: Yahoo! Cinema

Saturday, January 28, 2006

Munique (Munich, 2005)



De quatro em quatro anos, atletas do mundo todo se reúnem para participar dos Jogos Olímpicos. Durante a competição, os países colocam as suas divergências de lado e entram em um espírito único de paz e de fraternidade. Mas, no dia 05 de Setembro de 1972, em meio aos Jogos Olímpicos de Munique (Alemanha), a paz foi quebrada quando terroristas do grupo palestino Setembro Negro anunciaram o seqüestro de onze atletas israelenses. Os terroristas só iriam libertar os atletas quando Israel liberasse duas centenas de prisioneiros árabes. Exigência não atendida, o saldo final foi a morte dos onze esportistas.

Os primeiros vinte minutos de “Munique”, novo filme do diretor Steven Spielberg, retratam como a ação dos terroristas palestinos aconteceu – na maior parte das cenas, vemos o seqüestro ser retratado pelas emissoras de TV, num paralelo muito interessante com o mundo atual, em que os conflitos entre as nações são mostrados minuto a minuto pelas câmeras de TV. Mas, o grande objetivo de “Munique” não é dissecar o seqüestro dos atletas israelenses, e sim mostrar aquilo que aconteceu depois do ato terrorista.

É desta maneira que ficamos conhecendo a história de um esquadrão formado por agentes do Mossad, o serviço secreto israelense, designado para perseguir e matar os onze palestinos suspeitos de terem planejado o seqüestro dos atletas israelenses no Jogos Olímpicos de 1972. Com esta operação, a primeira-ministra israelense Golda Meir queria mostrar que, atacar os israelenses, podia custar muito caro.

Para liderar o esquadrão, Golda Meir destacou Avner Kaufman (o ator australiano Eric Bana, numa excelente performance), um ex-guarda-costas seu e o filho de um herói de guerra israelense – o qual terá ao seu lado, na difícil missão, quatro homens (Daniel Craig, Ciaran Hinds, Mathieu Kassovitz e Hanns Zichler) especialistas em cada uma das áreas que são necessárias para a execução do plano idealizado pelo governo de Israel.

“Munique” é um filme muito lento e que privilegia o pleno desenvolvimento de sua história. É justamente o roteiro escrito por Tony Kushner (o aclamado dramaturgo de “Angels of America”) e Eric Roth a grande estrela de “Munique” – ofuscando até mesmo o eficiente elenco e a ótima direção de Steven Spielberg. O filme consegue uma proeza: ser totalmente imparcial, pois dá voz a todos os lados da história ao mostrar que todos eles têm fortes razões para realizar atos que, para a maioria das pessoas, parecem incompreensíveis.

No entanto, “Munique” é uma grande peça de transformação e de reflexão; e a grande prova de que Steven Spielberg não é mais aquele diretor que acredita em um mundo colorido e cheio de fantasias. Não é que o diretor tenha virado um pessimista. Ele só está mais realista e consciente de que, infelizmente, a situação do mundo só tende a piorar. Avner, seus companheiros de missão e nós da platéia, ao vivenciarmos os acontecimentos retratados em “Munique”, também chegaremos à mesma conclusão.

Crédito da Foto: Yahoo! Cinema

Wednesday, January 25, 2006

As Loucuras de Dick e Jane (Fun With Dick and Jane, 2005)



Uma das maiores surpresas do cinema em 2005 foi o filme “O Virgem de 40 Anos”, no qual o diretor e roteirista Judd Apatow fala sobre um homem que se mantém virgem até os 40 anos de uma maneira às vezes escrachada, mas principalmente delicada. Neste filme, Apatow reuniu-se ao comediante em ascensão Steve Carell, que roubou a cena do astro Jim Carrey em alguns momentos do filme “Todo Poderoso”. Em “As Loucuras de Dick e Jane”, Apatow escreveu (ao lado de Nicholas Stoller e Peter Tolan) um roteiro especialmente para Carrey, mas deixou a direção a cargo de Dean Parisot.

O casal Dick (Jim Carrey) e Jane Harper (Téa Leoni) vivem o sonho americano. Os dois trabalham feito loucos (ele na Globodyne, uma empresa de informática; e ela em uma agência de viagens) para manter um alto padrão de vida – o qual inclui casa no subúrbio, carros de última geração, um gramado novinho e uma piscina recém-comprada. Dick vê 15 anos de trabalho árduo serem recompensados quando ele é chamado pelo presidente da Globodyne (Alec Baldwin) e é informado de que foi promovido à vice-presidente de comunicações da empresa.

A promoção de Dick faz com que Jane consiga realizar um antigo desejo: o de largar o emprego para se dedicar somente aos cuidados com a casa e com o filho Billy. Mas, no primeiro dia de trabalho de Dick no novo cargo, o casal é surpreendido com a notícia da falência da Globodyne – por total imprudência do presidente da companhia, que realizou algumas transações escusas. Dick não conseguirá recolocar a sua vida nos eixos e, depois de ver tudo aquilo pelo qual batalhou indo para o ralo, ele e Jane tomam uma decisão drástica – o casal irá se transformar em uma versão “trash” de Bonnie e Clyde e realizará pequenos roubos fantasiados de Cher e Sonny Bono e vestindo máscaras com os rostos de Bill e Hillary Clinton.

“As Loucuras de Dick e Jane” pertence a Jim Carrey, uma vez que o roteiro do filme constrói situações que favorecem o tipo de comédia física que é uma especialidade de Carrey. No entanto, por trás de tanto sarcasmo e ironia, o filme esconde uma bela crítica ao escândalo da Enron (empresa norte-americana do setor de energia que pediu concordata em 2001, depois de ter sido alvo de uma série de denúncias de fraudes fiscais e contábeis) – nos créditos finais de “As Loucuras de Dick e Jane” foi colocada uma lista de agradecimentos especiais a todos os nomes envolvidos no acontecimento.

Crédito da Foto: Cine Pop

Saturday, January 21, 2006

A Marcha dos Pinguins (March of the Penguins/La Marche de L'Empereur, 2005)



Toda a narrativa do documentário “A Marcha dos Pingüins”, do diretor francês Luc Jacquet, se passa no inverno da Antártica, o local mais inabitável da Terra, a uma temperatura de 41º C negativos. Para o homem, esse é um ambiente completamente inóspito e devastador. O documentário mostra que, para milhares de pingüins imperadores, a Antártica se transforma no local ideal para a realização de diversas marchas, todas elas servindo de apoio para aquele que é o maior ato que um ser pode fazer: o de dar a vida a alguém.

A cada inverno, mais precisamente no terceiro mês de cada ano, os pingüins imperadores abandonam o oceano – o seu lar mais seguro e do qual eles tiram a sua sobrevivência – e iniciam uma longa jornada rumo ao interior da Antártica, aonde eles encontram outros pingüins imperadores. Pelo período de nove meses, esses pingüins passarão por um ritual que inclui um casamento, a geração de um filhote e a conseqüente luta pela sobrevivência deles e dos filhos que eles conceberam.

Durante “A Marcha dos Pingüins”, as passagens mais importantes do documentário (como o seu início, a dança nupcial, a volta da pingüim fêmea para o oceano e os primeiros passos do filhote) são pontuados por belas canções. No resto do filme, somos brindados com uma narração (na versão brasileira, esta ficou a cargo de Antonio Fagundes, Patrícia Pillar e Matheus Perissè), que tenta colocar em palavras todo um ritual que, aparentemente, só faz sentido para os pingüins imperadores.

“A Marcha dos Pinguins” pode ganhar de algumas pessoas o título de “Documentário Discovery”, pois mostra como os pingüins imperadores se comportam num determinado período de tempo. Esta alcunha não faz jus ao documentário, uma vez que o filme vai além do comportamento dos pingüins. O feito do diretor Luc Jacquet se torna ainda mais extraordinário se levarmos em consideração o fato de que, ao contrário de outros documentários, “A Marcha dos Pinguins”, por ter sido filmado em um ambiente natural, teve que ficar à mercê das condições normais de temperatura e clima. Os pingüins imperadores que vemos na tela não foram treinados, pelo contrário, eles foram flagrados em seus momentos mais íntimos pelas câmeras de Jacquet.

Através de suas belas imagens, Luc Jacquet fez de “A Marcha dos Pinguins” um filme muito sensível, emocionante e que quebra barreiras ao mostrar que os seres humanos e animais seguem trajetórias semelhantes de vida. Todos temos os mesmos instintos de sobrevivência e de proteção e, num momento ou outro, aprendemos que, na verdade, na vida nós temos que aprender a andar com as nossas próprias pernas sozinhos.

Sunday, January 15, 2006

Tudo em Família (The Family Stone, 2005)

Um dos traços mais característicos do ser humano é que ele tem uma grande necessidade de adequação. Nós sempre queremos causar uma boa impressão, ser agradáveis ou, simplesmente, estar de acordo com alguma situação. Algumas pessoas chegam até ao extremo de modificar o seu jeito de ser só para serem aceitas em algum local ou por alguém. A comédia “Tudo em Família”, do diretor e roteirista Thomas Bezucha, trata justamente de um destes momentos em que só o que queremos é ser respeitados – e morremos de medo de que isso não aconteça.

Meredith Morton (Sarah Jessica Parker, em uma atuação que lhe rendeu uma indicação ao Globo de Ouro 2006 de Melhor Atriz num Filme Musical ou de Comédia) é uma daquelas pessoas que adora ter o controle da situação – a ponto de fazer com que nós da platéia passemos a acreditar que por trás de tanta perfeição e comedimento se esconde um ser cheio de falhas. É ela quem manda no relacionamento com Everett Stone (o maravilhoso Dermot Mulroney), um cara que aparenta estar meio perdido ao lado de Meredith.

Na época do Natal, Everett decide levar Meredith para conhecer a sua família, que é formada por tipos muito diversos: têm a irmã rebelde (Rachel McAdams), a irmã dona-de-casa, o irmão irresponsável (Luke Wilson) e o caçula que é surdo e gay. No meio de tudo isso, se encontram os pais de Everett: Sybil (Diane Keaton, excelente como sempre) e Kelly (Craig T. Nelson), que mal conseguem administrar tanta diversidade.

A família Stone se vê em uma situação complicada quando Everett leva Meredith para casa. Acostumados a um ambiente mais livre, os Stone não entendem o nervosismo e a falta de tato de Meredith. Tanta antipatia fará com que a namorada de Everett seja recepcionada de uma forma nada agradável. Pela primeira vez, Meredith vê uma situação sair de seu controle e, por isso, chama a irmã mais nova Julie (Claire Danes) para ajudá-la. A presença de Julie no Natal da família Stone irá abalar ainda mais os já frágeis relacionamentos que todos ali possuem.

“Tudo em Família” é uma excelente comédia familiar. A maior parte da narrativa do filme se passa na casa da família Stone, e é nesse ambiente que podemos ver nascer todas as virtudes e defeitos de cada personagem, ao mesmo tempo em que os segredos de todos eles começam a desaparecer. Thomas Bezucha criou um roteiro extremamente crível e que se aproxima da realidade de qualquer família, afinal, atire a primeira pedra aquele que nunca conheceu uma Meredith.

Wednesday, January 11, 2006

Soldado Anônimo (Jarhead, 2005)



“Soldado Anônimo”, do diretor inglês Sam Mendes, poderia ser a história de qualquer recruta norte-americano. No caso particular do filme, ele é narrado por Anthony Swofford (Jake Gyllenhaal), um jovem de 20 anos que se alistou no Corpo de Fuzileiros Navais, pois “se perdeu no meio do caminho para a faculdade”. Apesar de seu pai e tio terem lutado na Guerra do Vietnã, Swoff não sabe muito bem o por quê de ter acabado no serviço militar. Logo ele irá saber que a vida militar não é nada fácil.

Podemos dividir a passagem de Swoff pelo Corpo de Fuzileiros Navais em dois momentos distintos. No primeiro deles, Swoff e seus companheiros de destacamento passam por duros dias de treinamento, que simulam cenas de combate e possíveis alvos na guerra. No segundo momento, Swoff e seus companheiros são enviados para a Guerra do Golfo, onde ficarão no destacamento comandado pelo Sargento Sykes (Jamie Foxx).

É justamente neste segundo momento que “Soldado Anônimo” toma um rumo completamente inesperado e surpreendente. Ao contrário de outros filmes da tradicional escola cinematográfica hollywoodiana como “Glória Feita de Sangue”, “Apocalypse Now”, “Nascido Para Matar”, “Platoon” e “O Resgate do Soldado Ryan”, que retratam a guerra sob um ponto de vista mais cru e real; “Soldado Anônimo” mostra um outro lado da batalha: o tédio da guerra, por isso não veremos na tela aquelas cenas cheias de sangue e de mortes.

Quando pisam em solo iraquiano, o destacamento de Swoff não vai para o campo de batalha. Eles continuam a fazer simulações de combate, a fazer o reconhecimento do deserto e a proteger as preciosas bacias de petróleo do Oriente Médio. Sedentos pela verdadeira guerra, os comandados de Sykes aceitam todas as recomendações sem contestações. Na medida em que os dias vão passando e mais tropas vão chegando ao Iraque, Swoff e seus companheiros vão ficando cada vez mais distantes da ação real – e, quando ela aparece, é decepcionante; o que faz com que eles comecem a questionar a validade da batalha que estão travando.

“Soldado Anônimo” prega muitas peças no espectador. Por mostrar um lado mais maçante da guerra, o filme foi totalmente incompreendido – especialmente pelo público norte-americano. O que chega nas nossas mentes, ao final de “Soldado Anônimo”, é que Sam Mendes fez um filme extremamente crítico – ao contrário de todas as evidências –, pois mostrou soldados que, apesar de não terem disparado um só tiro durante o conflito, voltaram com as mesmas marcas que aqueles que viram as maiores atrocidades. Para nós, Swofford e seus companheiros são rapazes sortudos. Para Sam Mendes, toda guerra é igual. E o pior é que os norte-americanos, nas palavras do próprio Anthony Swofford, continuam a estar no deserto.

Se Eu Fosse Você (2006)



Já virou uma tradição da indústria cinematográfica brasileira: todo ano novo começa com a estréia de um filme nacional. Foi assim em 2004, com o filme “Sexo, Amor e Traição”, do diretor Jorge Fernando; em 2005, com “Meu Tio Matou um Cara”, do diretor gaúcho Jorge Furtado; e continua em 2006, com a estréia de “Se Eu Fosse Você”, do diretor Daniel Filho.

O filme, que é estrelado por Tony Ramos e Glória Pires (não por acaso, os dois interpretaram recentemente um dos pares românticos da novela “Belíssima”), conta a história do casal Cláudio e Helena. Ele, um publicitário bem-sucedido, dono de sua própria agência de propaganda e vencedor de inúmeros prêmios na área. Ela, uma professora de música; que se dedica a dirigir o coral de meninas de um colégio católico; a cuidar da casa, da filha e de si mesma; além de administrar as tensões existentes entre Cláudio e sua mãe (Glória Menezes).

Aparentemente, a vida que Cláudio e Helena levam é perfeita, mas, na realidade, os dois já sentem a rotina da relação. Um dia, uma das raras brigas que eles têm toma um rumo inesperado e quando eles acordam no dia seguinte notam que eles trocaram de corpos. Depois de um susto inicial, Cláudio e Helena procuram mostrar naturalidade enquanto tentam resolver a situação. Ao assumirem por completo a vida um do outro, Cláudio e Helena terminarão se compreendendo mais e aprendendo quais são as fraquezas e as virtudes de cada um.

Situações como as vivenciadas por Cláudio e Helena já foram abordadas aos montes no cinema – na última delas, “Sexta-Feira Muito Louca”, a mãe interpretada por Jamie Lee Curtis toma o corpo da filha interpretada por Lindsay Lohan e vice-versa. “Se Eu Fosse Você” não traz nada de original ao tema e repete cenas já vistas em outros filmes do gênero. O filme só se salva, pois seus atores principais são Tony Ramos e Glória Pires. Ele, especialmente, soube retratar com perfeição as agruras de alguém que se vê metido em uma situação aparentemente irreversível.

Os Produtores (The Producers, 2005)



“Primavera Para Hitler” foi o primeiro filme do diretor, escritor e ator Mel Brooks. Lançado em 1968, o filme fazia uma sátira aos grandiosos musicais da Broadway. Trinta e três anos depois do lançamento do filme, em 2001, Brooks, atendendo a uma sugestão de sua esposa, a atriz Anne Bancroft (falecida no ano passado), transformou o roteiro de “Primavera Para Hitler” em um musical. “Os Produtores” é um dos maiores sucessos recentes da história da Broadway, ganhou o número recorde de 12 Tonys (o Oscar dos musicais) e, agora, faz o caminho de volta para o cinema.

“Os Produtores” conta a história de Max Bialystock (Nathan Lane, excelente), um produtor que já foi grande e hoje só coleciona fracassos, e de Leo Bloom (Matthew Broderick), um contador que sonha se tornar o produtor de grandes musicais da Broadway. Leo é o contador de Max e, ao ver as contas mal administradas do produtor, acaba sugerindo – sem querer – um plano perfeito para o malandro Max: produzir de maneira superfaturada um musical fadado ao fracasso e, conseqüentemente, encher os bolsos com o dinheiro alheio.

O plano de Max e Leo parece ser infalível à primeira vista. Eles conseguem o pior roteiro – escrito pelo alemão Franz Liebkind (Will Ferrell), o pior diretor – Roger de Bris (o ótimo Gary Beach) e o pior elenco – encabeçado pela estonteante loira sueca Ulla (Uma Thurman). Sendo que, no dia da estréia do musical, o show – que pretendia contar a história da ascensão de Hitler ao poder na Alemanha – é encarado como uma grande comédia de ridicularização da figura do Führer. Com o sucesso do musical garantido, a dupla Max e Leo entra em sérios apuros.

“Os Produtores” tem a aura de um grande musical clássico de Hollywood. Sua história garante momentos engraçadíssimos para a platéia – tente não rir com as cenas de Roger de Bris, sua assistente Carmen Ghia (o hilário Roger Bart, o farmacêutico George do seriado “Desperate Housewives”) e sua trupe de figurinista, coreógrafo e desenhista de sets. Grande parte do sucesso de “Os Produtores” se deve à manutenção da maioria do elenco original do musical. É justamente pelo fato de que eles dominam o roteiro escrito por Mel Brooks, que eles flutuam em cena e dão a impressão de estarem em um grande palco. “Os Produtores” faz jus à fama de escritor corrosivo que acompanha a carreira de Mel Brooks e confirma – através das loucuras de Max, Leo e seus “comparsas” – uma frase conhecida e eternizada nos próprios musicais de Hollywood: “there is no business like show business”.

A Passagem (Stay, 2005)



É incrível como em, num único ano, um diretor pode ir de um extremo a outro com o seu trabalho. Foi exatamente isso que aconteceu com o diretor Marc Forster no ano de 2005. No início do ano passado, estreava no Brasil “Em Busca da Terra do Nunca”, uma verdadeira fábula sobre um escritor (James Barrie) que reencontra a sua inspiração ao entrar em contato com uma família que igualmente precisava de um toque a mais nas suas vidas. Já na virada para o ano de 2006, estreou no Brasil o último trabalho de Forster: “A Passagem”, um filme denso e difícil, que trata basicamente da luta de um homem para fazer com que outro não desista de sua vida.

Em “A Passagem”, o ator escocês Ewan McGregor interpreta o psicólogo Sam Foster, que trabalha em uma universidade de Nova York. Ao cobrir a folga de uma colega, acaba conhecendo Henry Letham (o excelente Ryan Gosling), um aluno da escola de artes. Henry é um jovem completamente problemático, que não gosta de seguir regras pré-estabelecidas e que tem um estilo de vida muito diferente do da maioria dos jovens. O estudante se isola do mundo e não deixa que Foster penetre na sua mente. A falta de um contato mais aberto entre médico e paciente fará com que Sam se desespere quando Henry confessa ao psicólogo os seus planos de cometer suicídio.

Sem saber como ajudar Henry, Sam parte em uma misteriosa e intrigante jornada em busca da verdadeira personalidade de Henry. Jornada esta que ressuscitará alguns dos medos mais internos do psicólogo – todos eles relacionados à namorada dele, a professora de arte Lila (Naomi Watts), que já tentou o suicídio. Sam trata Lila, às vezes, como uma paciente, por isso continua a receitar remédios controlados para a namorada. A falta de confiança de Sam em Lila faz com que ele não tenha coragem de pedi-la em casamento – uma vez que ele não sabe se a namorada está se sentindo bem de verdade.

O elemento mais importante de “A Passagem” não é a boa direção de Marc Forster nem o seu excelente elenco. O ponto chave do filme é o roteiro de David Benioff (autor também dos filmes “A Última Noite”, que foi baseado em um de seus livros, e do épico “Tróia”), o qual exige uma atenção redobrada dos membros da platéia. Assim como Henry e Sam, que têm problemas para distinguir o que é real do que não é, a platéia também ficará no escuro durante todo o filme. Só nos momentos finais de “A Passagem” é que a verdade será revelada; e, mesmo assim, de uma maneira que não é satisfatória.

Thursday, December 29, 2005

Balanço 2005 - Os Melhores do Ano

Chegamos ao final de mais um ano. Para o cinema, 2005 foi um ano que começou bem, ficou morno e terminou sem muitos alardes. Depois de 110 filmes assistidos no cinema, em 2005, chegou a hora de fazer o meu balanço. Gostaria de começar com os destaques positivos de 2005.

Top 10 Filmes 2005
1. Crash - No Limite (Crash, 2005, diretor: Paul Haggis)
2. Menina de Ouro (Million Dollar Baby, 2o04, diretor: Clint Eastwood)
3. Hotel Ruanda (Hotel Rwanda, 2004, diretor: Terry George)
4. Herói (Ying Xiong/Hero, 2004, diretor: Zhang Yimou)
5. A Fantástica Fábrica de Chocolate (Charlie and the Chocolate Factory, 2005, diretor: Tim Burton)
6. As Crônicas de Nárnia - O Leão, a Feiticeira e o Guarda-Roupa (The Chronicles of Narnia - The Lion, the Witch and the Wardrobe, 2005, diretor: Andrew Adamson)
7. Em Busca da Terra do Nunca (Finding Neverland, 2004, diretor: Marc Forster)
8. Perto Demais (Closer, 2004, diretor: Mike Nichols)
9. Sin City - A Cidade do Pecado (Sin City, 2005, diretores: Robert Rodriguez e Frank Miller)
10. Jogo Subterrâneo (2005, diretor: Roberto Gervitz)


Top 10 Atuações Masculinas (somente para os filmes lançados em 2005)
Ângelo Antonio, 2 Filhos de Francisco
Jack Black, King Kong
Ralph Fiennes, O Jardineiro Fiel

Terrence Howard, Crash - No Limite
Ghassan Massoud, Cruzada
Wagner Moura, Cidade Baixa

Viggo Mortensen, Marcas da Violência
Edward Norton, Cruzada

Lázaro Ramos, Cidade Baixa
Mickey Rourke, Sin City - A Cidade do Pecado

Top 10 Atuações Femininas (somente para os filmes lançados em 2005)
Joan Allen, A Outra Face da Raiva
Maria Bello, Marcas da Violência
Alice Braga, Cidade Baixa
Maria Luisa Mendonça, Jogo Subterrâneo
Radha Mitchell, Melinda e Melinda

Thandie Newton, Crash - No Limite
Dira Paes, 2 Filhos de Francisco
Chloe Sevigny, Melinda e Melinda
Naomi Watts, King Kong

Rachel Weisz, O Jardineiro Fiel

Balanço 2005 - Os Piores do Ano

Já que falamos dos melhores, agora vamos aos destaques negativos de 2005.

Top 1o Piores Filmes 2005

1. O Amigo Oculto (Hide and Seek, 2004, diretor: John Polson)
2. Violação de Privacidade (The Final Cut, 2004, director: Omar Naim)
3. O Pesadelo (Boogeyman, 2005, diretor: Stephen Kay)
4. Os Gatões - Uma Nova Balada (The Dukes of Hazzard, 2005, diretor: Jay Chandrasekhar)
5. Reencarnação (Birth, 2004, diretor: Jonathan Glazer)
6. Uma Garota Encantada (Ella Enchanted, 2004, diretor: Tommy O'Haver)
7. Vozes do Além (White Noise, 2004, diretor: Geoffrey Sax)
8. O Grito (The Grudge, 2004, diretor: Takashi Shimizu)
9. Casa de Areia (2005, diretor: Andrucha Waddington)
10. Sahara (2005, diretor: Breck Eisner)


Top 10 Piores Atuações Masculinas (só para os filmes lançados em 2005)
Orlando Bloom, Kingdom of Heaven e Elizabethtown
Ice Cube, XXX - Estado de Emergência

Matt Dillon, Herbie - Meu Fusca Turbinado
Garrett Hedlund, Quatro Irmãos
Samuel L. Jackson, Star Wars - Episódio 3 - A Vingança dos Sith

Johnny Knoxville, Os Gatões - Uma Nova Balada
Keanu Reeves, Constantine

The Rock, Be Cool - O Outro Nome do Jogo
Gavin Rossdale, Constantine
Seann William Scott, Os Gatões - Uma Nova Balada



Piores Atuações Femininas (só para os filmes lançados em 2005)
Ana Paula Arósio, O Coronel e o Lobisomem
Dakota Fanning, O Amigo Oculto
Jennifer Garner, Elektra
Eva Mendes, Hitch - O Conselheiro Amoroso
Luana Piovani, O Casamento de Romeu e Julieta
Jessica Simpson, The Dukes of Hazzard



Gostaria de agradecer a todos pelas visitas e pelos comentários em 2005. Que 2006 seja um ano maravilhoso para nós todos e que também nos traga muitos bons filmes para nós assistirmos! :-)

E se Fosse Verdade (Just Like Heaven, 2005)



Nos momentos iniciais de “E se Fosse Verdade”, do diretor Mark Waters, o ritmo narrativo vai sendo delineado de maneira muito veloz. Tanta rapidez é perfeita para ilustrar o estilo de vida de Elizabeth Masterson (Reese Witherspoon), uma médica totalmente devotada ao trabalho e sem vida social. A mesma velocidade ganha uma conotação altamente trágica quando, ainda no início do filme, Elizabeth sofre um grave acidente de carro.

“E se Fosse Verdade” se transforma em um filme completamente diferente a partir da entrada de David Abbott (Mark Ruffalo) em cena. David é uma espécie de Elizabeth de calças e vê a vida passar diante de seus olhos enquanto fica vidrado na frente de um aparelho de televisão. Foi ele quem sublocou o apartamento de Elizabeth e, a partir do momento em que passa a ser assombrado pelo espírito da médica, começará a questionar a sua própria sanidade.

O que o diretor Mark Waters quer que a platéia pense é que Elizabeth não deixa o apartamento no qual morava e, conseqüentemente, David em paz, pois ela não consegue aceitar o que lhe aconteceu. Porém, na realidade, a presença de Elizabeth na vida de David segue um outro propósito: ele, ao tentar desvendar o passado dela, volta a ter vontade de viver; já a médica, por sua vez, ganha forças para conseguir se salvar ao resgatar David.

É justamente esta estranha relação de amor e ódio que se estabelece entre David e Elizabeth o ponto principal de “E se Fosse Verdade”, o primeiro filme de Mark Waters (diretor de “Sexta-Feira Muito Louca” e “Meninas Malvadas”) situado dentro de um universo adulto. Apesar das reviravoltas um tanto previsíveis da história, Waters conseguiu construir um bom filme de amor e de esperança; e que, à sua maneira, consegue deixar uma bela mensagem: a de que nunca se deve deixar a vida em segundo plano. Num momento em que assistimos ao final de mais um ano e em que fazemos um balanço de tudo aquilo que nos aconteceu, esta mensagem é muito bem-vinda.

Thursday, December 22, 2005

King Kong (2005)



Ao longo de 110 anos de cinema, muitas imagens se tornaram eternas e icônicas. Uma das imagens mais míticas vistas na grande tela é o momento em que o King Kong, do alto do Empire State Building, em Nova York, se debate para se defender contra os que ele acredita serem os homens malvados e para proteger a mocinha por quem ele se afeiçoou. Esta imagem em particular foi a que fez o então menino Peter Jackson querer ser um diretor de cinema. Jackson sempre acalentou o sonho de recontar a história do King Kong e só agora, 72 anos depois do lançamento do primeiro filme, o diretor neozelandês consegue lançar o seu remake.

Chamar o filme de Peter Jackson de remake talvez seja uma denominação errada. Nos dias atuais, as possibilidades para se retratar uma história como a do King Kong são infinitas. Jackson, então, resolveu apelar para uma megalomania já familiar para aqueles que conhecem o seu trabalho na trilogia “O Senhor dos Anéis”. Tudo no “King Kong” de Jackson é grande: os cenários, os efeitos e, principalmente, as atuações e a sua direção.

O eixo principal da narrativa de “King Kong” se encontra em dois personagens: o diretor de cinema Carl Denham (Jack Black) e a atriz Ann Darrow (Naomi Watts). Tanto Carl quanto Ann estão em sérios apuros – ele com o estúdio de cinema que financia o trabalho que ele está desenvolvendo e ela sofre com a falta de dinheiro e de emprego. O diretor e a atriz também compartilham uma relação especial com o destino – enquanto Carl acredita em intervenções providenciais, Ann tenta fugir de tudo isto.

É a bordo do navio cargueiro “Venture” (não por acaso uma palavra que significa sorte ou destino), que Carl embarca com Ann, o roteirista Jack Driscoll (Adrien Brody), sua equipe de filmagens, além da tripulação do navio para uma viagem em busca da Ilha da Caveira, um lugar que não está localizado no mapa e, portanto, permanece inexplorado pelo homem. A Ilha será a locação do novo filme de Denham e lá todos eles entrarão em contato com seres estranhos e assustadores. Todos que estão a bordo do “Venture” passarão por profundas transformações; mas, a mais importante delas acontecerá com Ann e, por meio de seu contato com o troglodita e – inicialmente – insensível Kong, a atriz questionará as suas convicções na medida em que ela passa a conhecer uma nova forma de amor, de proteção e de fé.

"King Kong” é um filme feito de muitos momentos de apreensão, de suspense e de ação, mas a película é, acima de tudo, uma grande história de amor. Relatos de uma bela que se apaixona por uma fera já foram contados aos montes pelo cinema, mas, com “King Kong”, Peter Jackson adiciona uma técnica perfeita ao elemento da sensibilidade, provando que é possível, sim, se fazer filmes impecáveis de um ponto de vista prático sem se esquecer da engrenagem principal de um grande filme: a emoção.

Saturday, December 10, 2005

As Crônicas de Nárnia: O Leão, a Feiticeira e o Guarda-Roupa (The Chronicles of Narnia: The Lion, the Witch and the Wardrobe, 2005)



“As Crônicas de Nárnia – O Leão, a Feiticeira e o Guarda-Roupa”, do diretor Andrew Adamson (de “Shrek”), abre com uma cena de um bombardeio aéreo em Londres. Em pânico, a família Pevensie vê as casas ao seu redor pegando fogo. Com a ausência do patriarca, que está lutando na guerra, a matriarca toma uma decisão drástica e envia os seus quatro filhos – Peter (William Moseley), Susan (Anna Popplewell), Edmund (Skandar Keyne) e Lucy (Georgie Henley, uma verdadeira revelação) – para a casa de um parente no interior da Inglaterra – um local, definitivamente, bem mais seguro.

Os irmãos Pevensie deixaram o ambiente nada liberal da Londres em plena II Guerra Mundial e acabaram indo parar em outro igualmente reprimido. Peter, Susan, Edmund e Lucy nada podiam fazer na casa de seu parente, o professor Digory Kirke (Jim Broadbent). Eles só brincavam ao ar livre. Depois de quebrarem uma das muitas regras impostas pela governanta da casa do professor, os irmãos Pevensie decidem se esconder em um guarda-roupa, cuja magia só era conhecida por Lucy e Edmund.

O guarda-roupa continha uma passagem secreta para o mundo mágico de Nárnia, um local que, apesar da sua infinita beleza, escondia uma história muito triste. Há mais de 100 anos, desde que Jadis, a Feiticeira Branca (Tilda Swinton) ascendeu ao poder, Nárnia se tornou um local frio e carente do calor humano. Em Nárnia, os irmãos Pevensie irão embarcar em uma fantástica e perigosa viagem para tentar salvar o reino da Feiticeira Branca – com a ajuda do sábio leão Aslan (dublado por Liam Neeson), os irmãos irão descobrir que eles não foram para Nárnia por acaso.

“As Crônicas de Nárnia – O Leão, a Feiticeira e o Guarda-Roupa” possui muitas semelhanças com outra obra muito famosa: a trilogia “O Senhor dos Anéis”. O autor da primeira, C.S. Lewis, era muito amigo do autor da segunda, J.R.R. Tolkien; e, reza a lenda, foi um dos maiores incentivadores de Tolkien para que ele retratasse a saga do Um Anel. Não se sabe ao certo o quanto que Tolkien foi influenciado por Lewis, mas, tanto “As Crônicas de Nárnia” quanto “O Senhor dos Anéis”, retratam histórias em que uma batalha tem que ser travada, um inimigo tem que ser batido e uma profecia tem que ser confirmada.

As semelhanças também estão presentes nas transposições das duas obras para a grande tela. Tanto “As Crônicas de Nárnia” quanto os filmes que fazem parte da trilogia “O Senhor dos Anéis” foram dirigidos por neozelandeses, filmados em locações deste país e possuem uma qualidade técnica invejável. A diferença é que “As Crônicas de Nárnia – O Leão, a Feiticeira e o Guarda-Roupa” tem como alvo um público mais infantil – sem abandonar os adultos que irão acompanhá-los às salas de cinema.

No entanto, a verdade maior é que, desde o fim da trilogia “O Senhor dos Anéis”, em 2003, os fãs do cinema de fantasia e de aventura se sentiam órfãos. Com “As Crônicas de Nárnia – O Leão, a Feiticeira e o Guarda-Roupa” este mesmo público irá testemunhar o nascimento de uma nova saga tão fantástica e emocionante quanto a de Frodo Baggins e a Sociedade do Anel. Neste caso, então, todas as semelhanças entre um livro/filme e o outro são mais do que bem-vindas.

Thursday, December 08, 2005

O Exorcismo de Emily Rose (The Exorcism of Emily Rose, 2005)



Nos primeiros 30 minutos de “O Exorcismo de Emily Rose”, de Scott Derrickson, quase nenhum elemento do filme irá remeter ao gênero de terror. Durante este tempo, Derrickson se dedica a apresentar a história do filme: o julgamento do padre Richard Moore (o ótimo ator inglês Tom Wilkinson), que está sendo acusado pela morte de Emily Rose (Jennifer Carpenter, que retrata com perfeição os momentos de possessão de sua personagem), em decorrência de um ritual de exorcismo liderado pelo padre.

A partir do julgamento do padre Moore, começaremos a conhecer melhor os acontecimentos que o levaram ao tribunal. Por meio de flashbacks, a história de Emily Rose nos é contada. Nascida em uma família de católicos devotos, Emily sempre sonhou em ser professora. Aos 19 anos, quando já estava na universidade, Emily começa a ter estranhas manifestações. Os médicos não conseguem entender o que se passava com Emily – alguns dizem que ela sofre de epilepsia, outros acham que ela é esquizofrênica. Sem encontrar respostas concretas na ciência, Emily e sua família decidem se apoiar na fé e é nesse momento que o padre Moore irá entrar em contato com a nova realidade na qual Emily está vivendo.

Baseado em fatos reais, “O Exorcismo de Emily Rose” é um filme que utiliza muito bem a temática do bem versus o mal. O filme é cheio de conflitos nesse sentido. Além do óbvio (padre Moore X os demônios que habitam o corpo de Emily), “O Exorcismo de Emily Rose” traz outra batalha bem mais sutil: a que se dá, nos tribunais, entre o promotor Ethan Thomas (Campbell Scott) e a advogada de defesa Erin Bruner (a excelente atriz Laura Linney). Thomas é “um homem de fé”. Já Erin não acredita em uma força superior. Durante o julgamento, os dois irão passar por profundas transformações, nas quais a fé nas possibilidades se torna mais forte do que a inflexibilidade dos fatos.

Como já foi mencionado, “O Exorcismo de Emily Rose” é um filme feito de poucos momentos de muito terror. Ao contrário de outros filmes de suspense, ganha a sua força justamente nas cenas dentro do tribunal. Essa mistura de gêneros foi uma idéia muito inteligente e reforça um dos elementos que “O Exorcismo de Emily Rose” tem de melhor: o roteiro. Uma das falas que mais escutamos no decorrer do filme é a seguinte – dita pelo padre Moore: “eu só quero contar a história de Emily Rose”. Essa é a grande mola propulsora do filme. E, no final, a impressão que se tem é a de que ela foi muito bem contada.

Em Seu Lugar (In Her Shoes, 2005)



“Em Seu Lugar”, novo filme de Curtis Hanson, é aberto ao som de “Stupid Girl”, canção do grupo Garbage. Em certo momento da música, a vocalista Shirley Manson canta: “Você finge que é qualquer coisa só para ser adorada, e o que você precisa é o que você recebe. Não acredita no medo, não acredita na fé, não acredita em nada que você não possa quebrar. Sua garota burra, sua garota burra, tudo o que você teve você perdeu”. Esses versos resumem bem a personalidade de Maggie Feller (Cameron Diaz, em uma ótima atuação), uma das protagonistas de "Em Seu Lugar".

Maggie é aquela pessoa que podemos chamar de desprendida. Ela não dá sinais de que quer amadurecer, não procura um emprego fixo e só quer saber de farrear. Tais atitudes acabam fazendo com que Maggie magoe as pessoas que ela mais ama. Uma dessas pessoas é Rose (a atriz australiana Toni Collette, excelente como sempre), a irmã mais velha de Maggie. Ao contrário desta, Rose leva tudo a sério, é devotada ao emprego como advogada de um grande escritório e sonha em viver um grande amor. Portanto, as duas irmãs pouco têm em comum, a não ser o fato de que calçam o mesmo número de sapatos.

Rose e Maggie sempre tiveram uma relação muito turbulenta e, por isso mesmo, viviam brigando. Elas irão cortar relações de vez quando Maggie dorme com o namorado de Rose e é pega no flagra pela irmã. A partir daí, as duas irão seguir os seus caminhos e, enquanto Maggie vai para a Flórida para morar com Ella (Shirley MacLaine), a avó que ela desconhecia ter; Rose permanece na sua rotina diária de sempre e fica tentando imaginar que fim teve a sua irmã caçula.

A briga entre Rose e Maggie desencadeia uma série de acontecimentos interessantes no filme “Em Seu Lugar”. Quando se vêem distantes uma da outra, Rose e Maggie invertem os papéis. Por causa da pressão da avó para que ela faça alguma coisa de concreto em sua vida, Maggie começa a encarar as responsabilidades de um emprego, a planejar melhor o seu futuro e a deixar a diversão um pouco de lado. Já Rose, que está em meio a uma crise pessoal, começa a tomar uma série de decisões que deixam aqueles que a conhecem surpreendidos. Essas decisões farão com que Rose passe a encarar a vida de uma maneira bem mais leve e se abra para novas oportunidades, bem como para um novo amor (Mark Feuerstein).

O diretor Curtis Hanson já passou, na sua carreira, por diversos gêneros e temáticas: o suspense (“A Mão que Balança o Berço”), o noir/policial (“Los Angeles – Cidade Proibida”) e, até mesmo, as biografias (“8 Mile – Ruas da Ilusão”). Com “Em Seu Lugar”, o diretor tenta desvendar o universo feminino e, em especial, um terreno bastante complicado: o relacionamento entre irmãs. Com a ajuda do roteiro de Susannah Grant (a mesma que escreveu “Erin Brockovich – Uma Mulher de Talento”), Hanson se sai muito bem e permeia o seu filme com os extremos do amor e do ódio – sentimentos que ilustram tão bem a viagem de autoconhecimento pelo qual as irmãs Maggie e Rose irão passar no decorrer de “Em Seu Lugar”.

Monday, December 05, 2005

Plano de Vôo (Flightplan, 2005)




Logo nos primeiros minutos de “Plano de Vôo”, o diretor Robert Schwentke apresenta à platéia tudo o que ela precisa saber sobre a Sra. Pratt (Jodie Foster, voltando ao cinema depois de três anos de “aposentadoria”). A imagem que vemos é a de uma mulher perdida e que olha para o nada. Com certeza, a Sra. Pratt não estava preparada para o que iria fazer em seguida: ir ao necrotério de Berlim para reconhecer o corpo do marido, que morreu depois de cair do telhado do apartamento aonde morava com a família (o filme não entra em mais detalhes sobre o ocorrido, por isso a platéia não irá saber se ele cometeu suicídio ou se a morte foi somente um acidente).

Os momentos que se seguem à ida ao necrotério deixam claro que a Sra. Pratt está passando por um grande trauma. Mas, se vendo diante do seu novo papel de chefe da família, encara todo o sofrimento como uma verdadeira fortaleza – ela consola a filha Julia e, nos momentos de solidão, encontra o seu próprio conforto ao tomar calmantes e remédios para controlar a ansiedade – e se encarrega sozinha de todas as providências necessárias para que o traslado do corpo de seu marido seja feito de Berlim para os Estados Unidos sem maiores problemas.

Se o vôo para os Estados Unidos já seria o mais longo da vida da Sra. Pratt, imagine então quando ela perceber que Julia desapareceu em pleno vôo. A Sra. Pratt vai, portanto, do entorpecimento ao pânico em poucos minutos e, durante a busca pela filha, faz com que todos que estão no avião – na medida em que eles vão descobrindo o que está levando a Sra. Pratt aos Estados Unidos – a tomem como uma mulher louca e desesperada; quando, na realidade, ela estava somente liberando todos os seus sentimentos de angústia, de dor e de dúvidas pela perda do marido e, agora, da filha.

“Plano de Vôo” é o segundo filme de suspense de 2005 a abordar o ambiente claustrofóbico dos aviões – o primeiro foi o ótimo “Vôo Noturno”, de Wes Craven. No caso particular de “Plano de Vôo”, o filme – num primeiro momento – se torna ainda mais intrigante, pois ninguém (inclusive nós, da platéia) consegue compreender como uma criança de seis anos desaparece em pleno ar, sem deixar quaisquer rastros. Como “Plano de Vôo” retrata a busca de uma mãe por sua filha, é nesse momento que se sobressai, no filme, a figura de Jodie Foster, uma atriz especialista em interpretar mulheres que querem demonstrar que tudo anda bem quando, por dentro, elas estão se desmoronando.

No entanto, o que difere “Plano de Vôo” de “Vôo Noturno” é que o segundo filme tem um roteiro bem mais engenhoso do que o primeiro. “Plano de Vôo” prefere seguir a norma básica dos filmes de suspense que são produzidos atualmente; por isso, nele, nada é o que parece. E é justamente a reviravolta que impulsiona os momentos finais de “Plano de Vôo” que tira muito da graça do filme. Isto não é culpa do diretor Robert Schwentke, que demonstra ter um bom estilo visual; e sim da própria indústria cinematográfica com a sua eterna necessidade de filmes com finais moralistas e nos quais o herói consegue a sua redenção. Nem sempre é interessante de se assistir a filmes assim - e “Plano de Vôo” é a prova viva disso.

Harry Potter e o Cálice de Fogo (Harry Potter and the Goblet of Fire, 2005)



Desde a estréia do bruxinho mais famoso do cinema, em 2001, com “Harry Potter e a Pedra Filosofal”, uma coisa é bastante nítida: como os três atores que protagonizam a série (Daniel Radcliffe, Emma Watson e Rupert Grint) cresceram. Esse mesmo amadurecimento vem acontecendo de forma gradativa, seja nos temas principais que são abordados nos filmes da série ou, até mesmo, nas visões que lhes são dadas pelos diretores das películas que fazem parte da franquia.

Neste sentido, “Harry Potter e o Cálice de Fogo” é um marco divisor da série. No filme, Harry (Radcliffe) – agora com 14 anos – é escolhido como um dos participantes do Torneio Tribruxo, uma competição que acontece entre as diversas escolas de magia. No torneio, Harry terá como oponentes, colegas bem mais velhos (e, conseqüentemente, mais experientes) do que ele: Cedrick Diggory, o galã Victor Krum e a bela Fleur Delacour.

Com Hogwarts cheia de alunos de outras escolas de magia, os hormônios dos jovens bruxos começarão a entrar em ebulição. Os momentos que antecedem ao baile de inverno ilustram muito bem a maioria dos conflitos que passam pela cabeça dos adolescentes. Por exemplo: Harry não tem medo de enfrentar os seus piores inimigos, mas treme nas bases ao pensar na possibilidade de convidar a menina de quem gosta para ser a sua companhia no baile; o desajeitado Ron Weasley (Grint, que continua a ser o elo mais fraco do trio principal de atores jovens) sofre com o medo de ser rejeitado pelas garotas; e Hermione Granger (Watson) desperta a atenção do menino mais cobiçado pelas garotas, quando, na realidade, queria ser notada por outro.

Entretanto, “Harry Potter e o Cálice de Fogo” tem poucos momentos de euforia e dúvida juvenis. O ponto chave do filme é mostrar, através da participação de Harry no Torneio Tribruxo, que esta era uma experiência necessária para o jovem bruxo. Ao testar seu talento para a magia e ao enfrentar competidores mais fortes do que ele, Harry amadureceria o suficiente para enfrentar o Lorde Voldemort (Ralph Fiennes, em uma caracterização assustadora) – o homem responsável por toda a infelicidade do bruxinho – mais uma vez. O reencontro de Harry com Voldemort é o momento mais esperado de “Harry Potter e o Cálice de Fogo” e cada minuto desta cena fazem valer a pena a espera de quatro anos.

Depois da direção burocrática de Chris Columbus e da visão realista (e não menos fantasiosa) do mexicano Alfonso Cuarón, Mike Newell (o primeiro diretor inglês a assumir um filme da série) ficou com a tarefa mais fácil. “Harry Potter e o Cálice de Fogo” é o melhor filme da série, o mais bem executado e o melhor em atuações. O filme cumpre com louvor o seu papel de ser o prenúncio de tempos difíceis e de mudanças em Hogwarts, e deixa a platéia ansiosa pelo que está por vir.