Monday, December 17, 2007

14th Annual SAG Awards 2008 - Previsões

Além de conquistar um Oscar, o ator ou atriz tem um outro grande sonho: obter o reconhecimento de seus colegas de trabalho. Isso é possível através da entrega dos prêmios do Screen Actors Guild (o Sindicato de Atores dos Estados Unidos).

Assistir a um prêmio do SAG é ser testemunha de uma ocasião especial, em que atores de cinema e de televisão se encontram em uma única sala para celebrar a arte que eles tanto adoram. E tudo isso começa no tapete vermelho, quando os atores mostram, com orgulho, sua carteirinha do sindicato; e atinge seu ápice na já clássica abertura do show de premiação, quando atores selecionados compartilham suas histórias de vida e encerram com o famoso bordão: “Meu nome é fulano de tal e eu sou um ator”.

O Cinéfila por Natureza, como tem feito nessa temporada de premiações, faz sua pequena lista de previsões para as 13 categorias da premiação:

Outstanding Performance by a Cast in a Motion Picture
Atonement
Before the Devil Knows You’re Dead
Into the Wild
Juno
No Country for Old Men

Outstanding Performance by a Male Actor in a Leading Role
George Clooney, Michael Clayton
Daniel Day-Lewis, There Will Be Blood
Johnny Depp, Sweeney Todd – The Demon Barber of Fleet Street
Emile Hirsch, Into the Wild
Denzel Washington, American Gangster

Outstanding Performance by a Female Actor in a Leading Role
Amy Adams, Enchanted
Julie Christie, Away from Her
Marion Cotillard, La Vie en Rose
Angelina Jolie, A Mighty Heart
Ellen Page, Juno

Outstanding Performance by a Male Actor in a Supporting Role
Casey Affleck, The Assassination of Jesse James by the Coward Robert Ford
Javier Bardem, No Country for Old Men
Philip Seymour Hoffman, Charlie Wilson’s War
Hal Holbrook, Into the Wild
Tom Wilkinson, Michael Clayton

Outstanding Performance by a Female Actor in a Supporting Role
Cate Blanchett, I’m Not There
Catherine Keener, Into the Wild
Saoirse Ronan, Atonement
Amy Ryan, Gone Baby Gone
Tilda Swinton, Michael Clayton

Outstanding Performance by a Male Actor in a Television Movie or Miniseries
Adam Beach, Bury My Heart at Wounded Knee
Hugh Bonneville, Five Days
Jim Broadbent, Longford
Kevin Kline, As You Like It
Chris O’Donnell, The Company

Outstanding Performance by a Female Actor in a Television Movie or Miniseries
Bryce Dallas Howard, As You Like It
Queen Latifah, Life Support
Debra Messing, The Starter Wife
Samantha Morton, Longford
Sissy Spacek, Pictures of Hollis Woods

Outstanding Performance by a Male Actor in a Drama Series
Ted Danson, Damages
Michael C. Hall, Dexter
Hugh Laurie, House
Bill Paxton, Big Love
James Spader, Boston Legal

Outstanding Performance by a Female Actor in a Drama Series
Glenn Close, Damages
Sally Field, Brothers & Sisters
Holly Hunter, Saving Grace
Kyra Sedgwick, The Closer
Chandra Wilson, Grey's Anatomy

Outstanding Performance by a Male Actor in a Comedy Series
Alec Baldwin, “30 Rock”
Steve Carell, “The Office”
David Duchovny, “Californication”
Lee Pace, “Pushing Daisies”
Jeremy Piven, “Entourage”

Outstanding Performance by a Female Actor in a Comedy Series
Christina Applegate, “Samantha Who?”
America Ferrera, “Ugly Betty”
Felicity Huffman, “Desperate Housewives”
Mary-Louise Parker, “Weeds”
Jaime Pressly, “My Name is Earl”

Outstanding Performance by an Ensemble in a Drama Series
Boston Legal
Brothers and Sisters
Damages
Grey’s Anatomy
Mad Men

Outstanding Performance by an Ensemble in a Comedy Series
Desperate Housewives
Entourage
Pushing Daisies
The Office
Ugly Betty

Os indicados para o 14th Annual Screen Actors Guild Awards serão divulgados nesta quinta-feira, dia 20 de Dezembro, pelos atores Kate Walsh (dos seriados “Private Practice” e “Grey’s Anatomy”) e Terrence Howard (“Ritmo de um Sonho” e “Crash – No Limite”), com transmissão da E! Entertainment Television, a partir das 11hs.

12th Annual Golden Satellite Awards - Vencedores

A International Press Academy anunciou na noite de ontem os vencedores do 12th Annual Golden Satellite Awards, prêmio que celebrou trabalhos em categorias de filme, televisão, DVD e até na mídia de vídeo game.

Os grandes vencedores da noite foram a comédia “Juno”, do diretor Jason Reitman, e o drama “No Country for Old Men”, dos irmãos Joel e Ethan Coen. Nas categorias de televisão, o seriado com maior prêmios foi “Dexter”, que vai ao ar, no Brasil, pelo canal FOX.

A lista completa de vencedores:

Motion Pictures

Actress in a Motion Picture, Drama: Marion Cotillard, "La Vie en Rose"
Actor in a Motion Picture, Drama: Viggo Mortenssen, "Eastern Promises"
Actress in a Motion Picture, Comedy or Musical: Ellen Page, "Juno"
Actor in a Motion Picture, Comedy or Musical: Ryan Gosling, "Lars and the Real Girl"
Actor in a Supporting Role: Tom Wilkinson ("Michael Clayton") and Casey Affleck ("The Assassination of Jessie James by the Coward Robert Ford")
Actress in a Supporting Role: Amy Ryan, Gone Baby Gone
Motion Picture, Drama: "No Country for Old Men"
Motion Picture, Comedy or Musical: Juno
Motion Picture, Foreign Language: "Lust, Caution"
Motion Picture, Animated or Mixed Media: "Ratatouille"
Motion Picture, Documentary: "Sicko"
Director: Ethan Coen, Joel Coen, "No Country for Old Men"
Original Screenplay: Diablo Cody, "Juno"
Adapted Screenplay: Christopher Hampton, "Atonement"
Best Ensemble, Motion Picture: "Before the Devil Knows You're Dead"
Original Score: Alberto Iglesias, "The Kite Runner"
Original Song: Clint Eastwood and Carole Bayer Sager, "Grace Is Gone," "Grace is Gone"
Cinematography: Janusz Kaminski, "The Diving Bell and The Butterfly"
Visual Effects: Chris Watts, Grant Freckelton, Derek Wentworth, Daniel Leduc, "300"
Editing: Pietro Scalia, "American Gangster"
Sound, Editing and Mixing: Karen Baker Landers, Kirk Francis, Per Hallberg, Scott Millan, David Parker, "The Bourne Ultimatum"
Art Direction and Production Design: Guy Dyas, Davied Allday, "Elizabeth: The Golden Age"
Costume Design: "Elizabeth: The Golden Age"

Television

Miniseries
: "The Amazing Mrs. Pritchard"
Motion Picture Made for Television: "Mitch Albom's For One More Day"
Actress in a Miniseries or a Motion Picture Made for Television: Samantha Morton, "Longford"
Actor in a Miniseries or a Motion Picture Made for Television: David Oyelowo, "Five Days"
Actress in a Supporting Role in a Series, Mini-Series or a Motion Picture Made for Television: Vanessa Williams, "Ugly Betty"
Actor in a Supporting Role in a Series, Mini-Series or a Motion Picture Made for Television: David Zayas, "Dexter"
Television Series, Drama: "Dexter"
Actress in a Series, Drama: Ellen Pompeo, "Grey's Anatomy"
Actor in a Series, Drama: Michael C. Hall, "Dexter"
Television Series, Comedy or Musical: "Pushing Daisies"
Actress in a Series, Comedy or Musical: America Ferrera, "Ugly Betty"
Actor in a Series, Comedy or Musical: Stephen Colbert, "The Colbert Report"
Best Ensemble, Television: "Mad Men"

Na noite, a atriz Kathy Bates (que venceu o Oscar de Melhor Atriz por "Louca Obsessão") ainda ganhou um prêmio especial pela sua carreira no cinema.

Em mais notícias relacionadas à temporada de premiação, a Academy of Motion Pictures Arts e Sciences divulgou o nome dos 15 filmes finalistas para a categoria de efeitos visuais no 80th Annual Academy Awards. Para saber quais filmes brigam pela indicação ao Oscar, clique aqui.

Sunday, December 16, 2007

Lendo - "Plano de Ataque - A História dos Vôos do 11 de Setembro"

“Não sei como isso vai terminar. Mas, do lado de fora da janela, o céu está lindo”. (Honor Elizabeth “Liz” Wainio, 27 anos, passageira do vôo 93 da United Airlines, quando se despedia da madrasta pelo telefone, após o avião ter sido seqüestrado)

Todo século é marcado por um acontecimento que causa efeitos na vida de pessoas ao redor do mundo. No caso particular do século XXI – o que estamos vivendo atualmente –, este acontecimento ocorreu logo no seu primeiro ano, quando, em 11 de Setembro de 2001, terroristas que faziam parte do grupo Al-Qaeda seqüestraram quatro aviões em pleno espaço aéreo norte-americano e desviaram suas rotas para construções que são símbolos daquilo que fazem dos Estados Unidos o país mais bem desenvolvido do mundo. Eram eles: o World Trade Center (local onde estavam localizados escritórios de bancos de investimento e de empresas comerciais), o Pentágono (sede do Departamento de Defesa dos Estados Unidos, com escritórios dedicados à espionagem e à inteligência estratégica) e o Capitólio (sede do Congresso norte-americano). O último prédio, na realidade, nem chegou a ser atingido, pois, sabendo do destino que tiveram os outros aviões seqüestrados naquela manhã, os passageiros do vôo 93 da United Airlines, tentaram retomar o controle da aeronave, forçando o “piloto” Ziad Jarrah a abortar a sua missão e sacrificar o avião num campo que ficava localizado no Estado da Pennsylvania.

Os desdobramentos do 11 de Setembro puderam ser vistos em todos os campos – os atentados marcaram o início da Guerra contra o Terror do governo de George W. Bush (e as conseqüentes invasões ao Afeganistão e ao Iraque) e, principalmente, chamaram a atenção para uma certa figura que vive no Oriente Médio: Osama Bin Laden, o líder máximo da Al Qaeda. Filmes (de ficção ou documentários), livros, relatórios de comissões de investigações, matérias jornalísticas, entre outras, tentaram desvendar o que de fato aconteceu naquele dia e como isto passaria a influenciar as relações políticas internacionais. A obra “Plano de Ataque – A História dos Vôos do 11 de Setembro”, do brasileiro Ivan Sant’anna, se exime de encontrar os significados políticos e sociais por trás da tragédia. O que interessa para o autor – um apaixonado por aviação e autor do livro “Caixa Preta”, que conta a história por trás dos três maiores acidentes da história da aviação brasileira (isso antes dos trágicos vôos 3054 da TAM e o 1907 da GOL) – é nos relatar o que aconteceu nos vôos 11 e 77 da American Airlines, 175 e 93 da United Airlines, bem como nas Torres Norte e Sul do World Trade Center e no Pentágono.

Para tanto, Sant’anna começa o livro dez anos antes do 11 de Setembro, ao nos mostrar o momento em que a “Operação Aviões” (nome que ganhou o plano de usar aviões para atacar, a princípio, somente o World Trade Center) surgiu. Partindo desta primeira etapa, o autor entra no meio da célula da Al-Qaeda, apresentando a história de vida por trás de cada um dos jovens recrutados para os atentados (a maioria deles eram pessoas que moravam no Ocidente e que, se sentindo isoladas dos outros, buscavam refúgio no extremismo religioso e acabavam envolvidos na Jihad, a guerra santa), os métodos de treinamento e, principalmente, toda a facilidade com que os Muhajid (os que seguem a Jihad) conseguiram entrar nos EUA e se matricular em escolas de aviação, tendo uma vida mais próxima do normal, sem chamar a atenção para aquilo que eles estavam prestes a fazer.

No entanto, não é só na Al-Qaeda que Ivan Sant’anna mergulha. Ele nos apresenta aos heróis daquele fatídico dia. As vítimas de cada avião, os bombeiros que morreram cumprindo seu dever, as pessoas que foram pegas de surpresa no seu ambiente de trabalho (chama a atenção a história de Ed Beyea, um tetraplégico que trabalhava na Torre Norte do World Trade Center, e que morreu ao lado do amigo Abe Zelmanowitz e do Capitão do Corpo de Bombeiros que se recusaram a ir embora até que Beyea fosse resgatado). O autor cobre ainda a trajetória daqueles que conseguiram se salvar.

Em “Plano de Ataque – A História dos Vôos do 11 de Setembro”, Ivan Sant’anna dá um destaque todo especial ao vôo 93 da United Airlines, especialmente ao “piloto”, o libanês Ziad Jarrah (filho de família rica e que deixou uma noiva na Alemanha, local aonde morava quando foi recrutado pela Al-Qaeda), e aos passageiros que se rebelaram contra o seqüestro e tentaram mudar o destino daquele dia – de uma certa maneira, eles conseguiram fazer isso, ao evitar que a tragédia tivesse proporções ainda maiores se houvesse atingido o seu alvo primário: o Capitólio.

A prosa de Ivan Sant’anna é muito boa e “Plano de Ataque – A História dos Vôos do 11 de Setembro” é um daqueles livros que você não consegue deixar de lado. O autor faz um relato humanizado dos acontecimentos daquele dia, com certas passagens que nos deixam extremamente emocionados (ler a história de Ed Beyea; a do mensageiro do banco de investimentos que ficou preso no elevador e se salvou no último instante; a de famílias inteiras que morreram nos aviões e os minutos do vôo 93 – com os passageiros se despedindo de suas famílias – é de cortar o coração). Ao mesmo tempo, o autor mostra que, até mesmo na maior nação do mundo, a falta de preparo para encarar o que aconteceu naquele dia foi imperdoável – tantas vidas poderiam ser salvas se as duas torres tivessem sido imediatamente evacuadas (o mesmo despreparo seria visto quatro anos depois, quando Nova Orleans foi devastada pelo Furacão Katrina). Enfim, por mais dolorosa e verdadeira que seja, a leitura de “Plano de Ataque – A História dos Vôos do 11 de Setembro” é indispensável, até mesmo para a gente entender o mundo louco em que a gente vive – afinal, ninguém está a salvo.

Para ler:

“Plano de Ataque – A História dos Vôos do 11 de Setembro” (2006)
Autor: Ivan Sant’anna
Editora: Objetiva

Para ver:

Vôo United 93 (United 93, 2006, dirigido por Paul Greengrass)
Flight 93 (2006, dirigido por Peter Markle)

Friday, December 14, 2007

30 Dias de Noite (30 Days of Night, 2007)

Todos os anos, durante o inverno, a cidade de Barrow, no Alasca, fica isolada de tudo – e de todos – num período que eles chamam de 30 dias de noite (quando o sol desaparece por completo). Nem todos os moradores da cidade permanecem em Barrow durante esta vivência, e os poucos que ali ficam têm que lidar com o frio intenso e o cuidado geral com racionamento de alimentos e de energia. Não é de se estranhar que, para fins dramáticos, seja justamente neste mês de completa escuridão que os bravos moradores de Barrow tenham que enfrentar um grupo de vampiros sedentos – cujo líder é Marlow (Danny Huston) – doidos para não deixarem nenhum sobrevivente para contar a história.

Baseado em uma popular HQ escrita por Steve Niles e Ben Templesmith (o primeiro co-escreve o roteiro do filme ao lado de Stuart Beattie e Brian Nelson), “30 Dias de Noite”, do diretor David Slade, além de mostrar o terror causado pelos vampiros sedentos, enfoca a luta de um grupo pequeno de moradores de Barrow pela sobrevivência. O interessante aqui é que a vida de todos eles está nas mãos de um casal que acabou de se separar – o xerife Eben Oleson (Josh Hartnett) e a bombeira Stella Oleson (Melissa George, conhecida pela sua participação no seriado “Alias”) – e que aproveitará a situação também para resolver qualquer pendência que tenha ficado entre eles.

O diretor David Slade – que estreou no cinema com o ótimo suspense “MeninaMá.com”, que revelou o talento de Ellen Page – surpreende ao criar um filme que causa uma sensação bastante incômoda no espectador. Nada ajuda o fato de que a gente assiste ao filme numa sala totalmente escura, com um clima extremamente frio – o que faz com que a gente se sinta exatamente ao lado dos personagens que estão em Barrow. Com uma concepção visual bastante interessante, em que predomina os tons em preto e branco (a cor mais berrante que vemos em tela é o sangue – abundante – das vítimas do grupo de vampiros), “30 Dias de Noite” ressalta o belo trabalho de fotografia feito por Jo Willems e pelo editor Art Jones.

Uma outra ressalva pode ser dada ao elenco do filme. A começar por Ben Foster, que interpreta um vândalo que é somente o primeiro prenúncio de que maiores problemas vêm por aí; passando por Danny Huston, que aparece com um ar assustador; e chegando, finalmente, a Josh Hartnett. O personagem que ele interpreta é o tipo de herói perfeito para esse tipo de história: um homem que tem consciência de suas responsabilidades e que está disposto a qualquer tipo de sacrifício para ver os outros conseguirem um final feliz – se é que isso é possível em um filme como “30 Dias de Noite”, em que a exaustão física e mental é tão grande que a jornada vivida pelos personagens é uma daquelas que definem toda uma vida.

Cotação: 7,8

30 Dias de Noite (30 Days of Night, Nova Zelândia, EUA, 2007)
Diretor(es): David Slade
Roteirista(s): Steve Niles, Stuart Beattie, Brian Nelson
Elenco: Josh Hartnett, Ben Foster, Melissa George, Danny Huston, Mark Boone Junior, Kate O'Rourke, Craig Hall, Manu Bennett, Amber Sainsbury, Mark Rendall, Joel Tobeck, Megan Franich, Ben Fransham, Camille Keenan, Elizabeth Hawthorne

Thursday, December 13, 2007

65th Annual Golden Globe Awards 2008 - Indicações

A Hollywood Foreign Press Association (HFPA), grupo formado por jornalistas estrangeiros que trabalham em Hollywood, acaba de anunciar – através dos atores Hayden Panettiere, Ryan Reynolds e do diretor Quentin Tarantino – os indicados ao 65th Annual Golden Globe Awards 2008. "Atonement", do diretor Joe Wright, lidera a lista com sete indicações.

Nas categorias principais de cinema, os indicados foram:

Best Motion Picture – Drama
American Gangster
Atonement
Eastern Promises
The Great Debaters
Michael Clayton
No Country for Old Men
There Will Be Blood

Best Performance by an Actress in a Motion Picture – Drama
Cate Blanchett, Elizabeth - The Golden Age
Julie Christie, Away From Her
Jodie Foster, The Brave One
Angelina Jolie, A Mighty Heart
Keira Knightley, Atonement

Best Performance by an Actor in a Motion Picture – Drama
George Clooney, Michael Clayton
Daniel Day-Lewis, There Will Be Blood
James McAvoy, Atonement
Viggo Mortensen, Eastern Promises
Denzel Washington, American Gangster

Best Motion Picture – Comedy or Musical
Across the Universe
Charlie Wilson’s War
Hairspray
Juno
Sweeney Todd – The Demon Barber of Fleet Street

Best Performance by an Actress in a Motion Picture – Comedy or Musical
Amy Adams, Enchanted
Nikki Blonsky, Hairspray
Helena Bonham Carter, Sweeney Todd – The Demon Barber of Fleet Street
Marion Cotillard, La Vie en Rose
Ellen Page, Juno

Best Performance by an Actor in a Motion Picture – Comedy or Musical
Johnny Depp, Sweeney Todd – The Demon Barber of Fleet Street
Ryan Gosling, Lars and the Real Girl
Tom Hanks, Charlie Wilson’s War
Philip Seymour Hoffman, The Savages
John C. Reilly, Walk Hard – The Dewey Cox Story

Best Performance by an Actress in a Supporting Role in a Motion Picture
Cate Blanchett, I’m Not There
Julia Roberts, Charlie Wilson’s War
Saoirse Ronan, Atonement
Amy Ryan, Gone Baby Gone
Tilda Swinton, Michael Clayton

Best Performance by an Actor in a Supporting Role in a Motion Picture
Casey Affleck, The Assassination of Jesse James by the Coward Robert Ford
Javier Bardem, No Country for Old Men
Philip Seymour Hoffman, Charlie Wilson’s War
John Travolta, Hairspray
Tom Wilkinson, Michael Clayton

Best Director – Motion Picture
Ridley Scott, American Gangster
Joe Wright, Atonement
Julian Schnabel, The Diving Bell and The Butterfly
Joel Coen and Ethan Coen, No Country for Old Men
Tim Burton, Sweeney Todd – The Demon Barber of Fleet Street

Para ver a lista completa de indicados ao Globo de Ouro, clique
aqui.

A entrega dos prêmios acontecerá no dia 13 de Janeiro de 2008.

Em mais notícias relacionadas à temporada de premiação, a Academy of Motion Picture, Arts and Sciences anunciou ontem a lista com as
59 canções elegíveis para a categoria de Melhor Canção Original, bem como o nome do diretor de arte Robert Boyle (de filmes como “North by Northwest”, “The Birds” e “Marnie”) como o recipiente do Oscar Honorário a ser entregue no dia da 80ª edição dos Academy Awards.

Wednesday, December 12, 2007

Bee Movie - A História de uma Abelha (Bee Movie, 2007)

Ninguém mostra isso para nós durante a infância, mas a gente aprende que a nossa vida é rodeada de expectativas. Em que tipo de pessoa nos transformaremos? Que carreira iremos seguir? Vamos constituir família? Estas são somente algumas perguntas com as quais iremos nos deparar. No filme de animação “Bee Movie – A História de uma Abelha”, dos diretores Steve Hickner e Simon J. Smith, encontraremos personagens que respondem às expectativas de diferentes maneiras.

Barry Benson (dublado por Jerry Seinfeld, que co-escreveu o roteiro do filme ao lado de Spike Feresten, Barry Marder e Andy Robin) acaba de se formar na faculdade e deve seguir o caminho de todas as outras abelhas: ir trabalhar na colméia produzindo mel. Ao chegar na indústria, Barry se espanta com a grandiosidade do local e, principalmente, com a idéia de ter que fazer uma única função até o resto de sua vida. Ele quer contribuir com a sua comunidade de uma outra forma.

Ao viajar para o mundo dos humanos e começar uma amizade com a florista Vanessa Bloome (dublada por Renée Zellweger), Barry acredita ter encontrado sua verdadeira vocação: devolver o mel produzido por abelhas em cativeiro às colméias. No entanto, o que Barry não sabe é que, ao mexer nas relações da cadeia natural, trará conseqüências séries, não só para o mundo humano, como também para a sua própria comunidade.

O comediante norte-americano Jerry Seinfeld entende bem a respeito de expectativas. Ao terminar o ciclo do seriado “Seinfeld” (que muitos consideram ser o melhor programa de todos os tempos da TV dos Estados Unidos), muita gente se perguntou o que viria depois para ele. Jerry contrariou todas as previsões: casou-se, teve filhos e pouco se envolveu com o mundo do entretenimento – fez participações em pequenos filmes e produziu um documentário. “Bee Movie – A História de uma Abelha” é seu retorno. Uma volta surpreendente, diga-se de passagem.

“Bee Movie – A História de uma Abelha” é somente mais uma prova do fato de que os filmes de animação atuais são direcionados a um público-alvo bem diferente. Saem as crianças e entram os adultos – que levam os pimpolhos às salas de cinema como uma desculpa para assistirem a este tipo de filme. “Bee Movie – A História de uma Abelha” tem um ótimo elenco – além de Seinfeld e Zellweger, temos as vozes de Matthew Broderick, Patrick Warburton (existe algum filme de animação sem a participação dele?), John Goodman, Chris Rock, Kathy Bates, Barry Levinson, Ray Liotta, Larry King, Oprah Winfrey, Sting, Larry Miller, Megan Mullally, Rip Torn, dentre outros – e muitas piadas inteligentes e que serão entendidas mais facilmente pelos adultos – já que qual criança saberá o que é a Enron, a Halliburton ou o programa de Larry King?

Cotação: 7,3

Bee Movie - A História de uma Abelha (Bee Movie, EUA, 2007)
Diretor(es): Steve Hickner, Simon J. Smith
Roteirista(s): Jerry Seinfeld, Spike Feresten, Barry Marder, Andy Robin
Elenco: Jerry Seinfeld, Renée Zellweger, Matthew Broderick, Patrick Warburton, John Goodman, Chris Rock, Kathy Bates, Barry Levinson, Larry King, Ray Liotta, Sting, Oprah Winfrey, Larry Miller, Megan Mullally, Rip Torn

Tuesday, December 11, 2007

Encantada (Enchanted, 2007)

Os filmes produzidos pelos estúdios Walt Disney vivem em um mundo que poderia ser considerado completamente diferente daquele que conhecemos. Os personagens são otimistas, admiram a beleza da vida e acreditam na possibilidade de um final feliz. Valores como estes podem parecer fora de moda, mas, como bem mostra a letra de “Ever Ever After”, canção de Carrie Underwood que toca nos momentos finais de “Encantada”, filme do diretor Kevin Lima (“Tarzan” e “102 Dálmatas”), “finais de livros, contos de fada tornando realidade, lá no fundo nós queremos acreditar que isso pode acontecer. E um segredo é ensinado, na nossa parte favorita da história. Vamos admitir que todos nós queremos isso também para todo o sempre, se nós não conseguirmos do nosso próprio jeito”.

“Encantada” conta a história de Giselle (Amy Adams), garota que vive num reino dominado por uma rainha chamada Narissa (Susan Sarandon), cujo maior objetivo de vida é evitar que seu enteado, o príncipe Edward (James Marsden, um ator de ótimo timing cômico e que coroa seu excelente ano de 2007 com mais uma boa performance), encontre uma garota com quem queira se casar – o que faria Narissa sair do posto de rainha. Quando Edward se apaixona por Giselle, a garota é “enviada” para Nova York, a cidade em que a rainha má acredita ser o local aonde os finais felizes não são possíveis de acontecer.

A partir do momento em que Giselle se encontra na Big Apple, a trama de “Encantada”, que foi escrita por Bill Kelly, toma um rumo bem interessante. Os valores da jovem – que são típicos de uma heroína de contos de fada – vão de encontro ao que acontece no mundo real. E ela fica totalmente perdida até que encontra o advogado Robert (Patrick Dempsey, do seriado “Grey’s Anatomy”) e sua filha Morgan (Rachel Covey) que irão ajudá-la na difícil adaptação, enquanto seu príncipe amado não vem ao seu resgate.

O grande – com o perdão do trocadilho – encanto de “Encantada” vem da atuação de Amy Adams, atriz que recebeu uma indicação ao Oscar pelo seu primeiro papel de destaque no filme “Retratos de Família”. A trajetória de Adams (cujos carisma e meiguice transbordam na tela enquanto ela está na pele de Giselle) tem sido comparada com a de Julia Roberts, uma das maiores estrelas de cinema da atualidade, já que ambas se tornaram conhecidas por papéis de tagarelas garotas sulistas e, em seguida, viraram estrelas com personagens que tinham uma história digna de conto de fadas (no caso de Roberts, falamos de um pequeno filme chamado “Uma Linda Mulher”). Julia Roberts recebeu sua segunda indicação ao Oscar pelo papel de Vivian. Existem rumores de que Amy Adams pode seguir o mesmo caminho dela, já que sua performance em “Encantada” tem recebido um Oscar buzz enorme – e surpreendente, diga-se de passagem.

Outro ponto forte de “Encantada” é a união entre animação e live action. Quando estamos no mundo animado, tudo é perfeito e feliz. O mundo real é usado como um contraponto, um local onde Giselle – mesmo com sua simpatia e carisma – não estará protegida do que é considerado mau. E tem o roteiro de Bill Kelly que toca o tempo todo num ponto muito importante: o quanto é bom termos um pouco de magia em nossa vida (a cena em que Amy Adams canta “That’s How You Know” tem que ser uma das mais fofas já produzidas em filmes). E tudo isso está sintetizado – de novo – na música de Carrie Underwood: “é por isso que seu coração está voando, sua cabeça parece que está girando, cada final feliz é como um novo começo, deixe-se ser encantado (a), seu coração pode se surpreender”.

Cotação: 8,8

Encantada (Enchanted, EUA, 2007)
Diretor(es): Kevin Lima
Roteirista(s): Bill Kelly
Elenco: Amy Adams, James Marsden, Idina Menzel, Susan Sarandon, Patrick Dempsey, Timothy Spall, Rachel Covey, Samantha Ivers, Matt Servitto, Joseph Siravo, Michaela Conlin, Jeff Bennett, Kevin Lima, Emma Rose Lima, Teala Dunn

Broadcast Film Critics Association Awards 2008 - Indicados

O filme "Into the Wild", de Sean Penn, acaba de receber o maior número de indicações (foram sete) para o 13th Annual Broadcast Film Critics Association Awards (popularmente conhecidos como Critics Choice Awards), que são entregues por um grupo de críticos norte-americanos. "No Country for Old Men", dos irmãos Joel e Ethan Coen, é o segundo filme com o maior número de indicações - ao total foram cinco.

Nas categorias principais, os indicados foram:

Best Picture
American Gangster
Atonement
The Diving Bell and the Butterfly
Into the Wild
Juno
The Kite Runner
Michael Clayton
No Country for Old Men
Sweeney Todd
There Will Be Blood

Best Actor
George Clooney - Michael Clayton
Daniel Day-Lewis - There Will Be Blood
Johnny Depp - Sweeney Todd
Ryan Gosling - Lars and the Real Girl
Emile Hirsch - Into the Wild
Viggo Mortensen - Eastern Promises

Best Actress
Amy Adams - Enchanted
Cate Blanchett - Elizabeth: The Golden Age
Julie Christie - Away From Her
Marion Cotillard - La Vie en Rose
Angelina Jolie - A Mighty Heart
Ellen Page - Juno

Best Supporting Actor
Casey Affleck - The Assassination of Jesse James by the Coward Robert Ford
Javier Bardem - No Country for Old Men
Philip Seymour Hoffman - Charlie Wilson's War
Hal Holbrook - Into the Wild
Tom Wilkinson - Michael Clayton

Best Supporting Actress
Cate Blanchett - I'm Not There
Catherine Keener - Into the Wild
Vanessa Redgrave - Atonement
Amy Ryan - Gone Baby Gone
Tilda Swinton - Michael Clayton

Best Director
Tim Burton - Sweeney Todd
Joel Coen and Ethan Coen - No Country for Old Men
Sidney Lumet - Before the Devil Knows You're Dead
Sean Penn - Into the Wild
Julian Schnabel - The Diving Bell and the Butterfly
Joe Wright - Atonement

Para ver a lista completa de indicados, clique
aqui.

O Broadcast Film Critics Association - cuja cerimônia de premiação acontecerá no dia 07 de Janeiro de 2008 - é um dos melhores prêmios para se observar antes de fazer sua previsão ao Oscar. Raramente, eles costumam errar e prevêem, até melhor do que os Golden Globe Awards, os vencedores do prêmio da Academia.

Em mais uma notícia relacionada à temporada de premiação, o San Francisco Film Critics Circle também anunciou os seus vencedores. Para ver a lista, clique aqui.

Monday, December 10, 2007

O Preço da Coragem (A Mighty Heart, 2007)

O documentário “O Jornalista e a Jihad”, dos diretores Ahmed A. Jamal e Ramesh Sharma, faz um retrato completo e detalhado sobre a vida e sobre a conjuntura política e social que levou ao seqüestro e morte, em 2002, no Paquistão, do jornalista norte-americano Daniel Pearl, que era correspondente na Ásia para o jornal “The Wall Street Journal". Ao final deste filme, quando os créditos anunciam o destino dos personagens principais desta história, ficamos sabendo que a esposa de Daniel, a também jornalista Mariane, escreveu um livro chamado “A Mighty Heart”, para que, um dia, seu filho Adam possa ler a obra e saber que tipo de homem seu pai foi.

É este o livro que serviu como base para o roteiro de John Orloff, “O Preço da Coragem”, filme dirigido por Michael Winterbottom. Aqui, acompanhamos as cinco semanas de agonia vividas por Mariane Pearl (Angelina Jolie) durante o seqüestro de seu marido tentando, incessantemente, recriar os passos de Daniel Pearl (Dan Futterman), seus contatos, e tendo um apoio inestimável de um grupo de pessoas de diversas etnias – indianos, franceses, norte-americanos e paquistaneses – unido em prol do retorno seguro do jornalista para casa.

Um dos elementos mais elogiados do filme “O Preço da Coragem” é a atuação de Angelina Jolie como Mariane Pearl. Inicialmente uma escolha contestada (já que a esposa de Daniel Pearl é muito diferente fisicamente da atriz), Jolie impressiona pela maneira como compôs a personagem. Num ambiente dominado pelo stress, pressão e apreensão, ela mostra Mariane como um poço de calma e serenidade. Até que, na cena em que ela descobre a morte de Daniel, Jolie se encolhe e solta um grito doído – a impressão que fica é a de que Mariane está liberando ali, naquele momento, tudo o que ficou acumulado nos outros dias. Esta é uma cena poderosa e que justifica uma possível indicação ao Oscar de Melhor Atriz para Angelina Jolie.

Além da atriz, um outro aspecto que chama a atenção em “O Preço da Coragem” é o estilo documental de filmar do diretor Michael Winterbottom – aliás, esta é uma marca de seu trabalho, vide filmes como “Bem-Vindo à Sarajevo” e “Caminho Para Guantánamo”. Ele é o diretor perfeito para este tipo de filme. Poderíamos destacar também a edição de Peter Christelis que, a partir da linha principal de narração de “O Preço da Coragem”, constrói uma espécie de “filme hipertexto”. Cada informação descoberta por Mariane e seu grupo é uma espécie de link aberto para uma série de elementos novos que nos ajudam a entender as razões por trás do seqüestro de Daniel. O que assistimos na tela é um encadeamento perfeito entre explicação de fatores e a dramatização do que acontece na casa da amiga jornalista de Daniel Pearl, Asra Q. Nomani (Archie Panjabi), o verdadeiro quartel-general de todos aqueles que torceram para que a história dele, de Mariane e do ainda nem nascido Adam tivesse um final feliz.

Cotação: 7,5

O Preço da Coragem (A Mighty Heart, EUA, Inglaterra, 2007)
Diretor(es): Michael Winterbottom
Roteirista(s): John Orloff
Elenco: Dan Futterman, Angelina Jolie, Archie Panjabi, Mushtaq Khan, Arif Khan, Amit Dhawan, Saira Khan, Zafar Karachiwala, Danish Iqubal, Azfar Ali, Ahmed A. Jamal, Denis O'Hare, Perrine Moran, Jeffry Kaplow, Aly Khan

Analisando a Corrida pelo Oscar

Se os prêmios das associações de críticas de vários Estados norte-americanos são bons precursores das disputas que veremos no Oscar, então, podemos dizer que já temos o grande embate pela luta ao Oscar de Melhor Filme de 2007. E o combate terá como concorrentes principais os filmes “No Country for Old Men”, de Joel e Ethan Coen, e “There Will Be Blood”, de Paul Thomas Anderson.

O filme dos irmãos Coen largou na frente com os prêmios conquistados no National Board of Review, no Boston Critics, no Washington DC Critics e no New York Film Critics Circle Awards. Já o filme de Paul Thomas Anderson segue na cola com as estatuetas conquistadas no Los Angeles Film Critics Association e no New York Film Critics Online.

As entregas dos prêmios das associações de críticos também têm chamado a atenção para um certo filme francês chamado “The Diving Bell and the Butterfly”, de Julian Schnabel – que tem sido bastante citado como o Melhor Filme Estrangeiro de 2007. Curiosamente, o filme não é o representante oficial da França na disputa por esta categoria no Oscar 2008, mas tem sido bastante cotado para ser indicado em outras categorias, como Melhor Diretor e Roteiro Adaptado.

Mas, com certeza, o nome de destaque desse início de temporada de premiações é Amy Ryan, do filme “Gone, Baby Gone”, que, até agora, só perdeu um prêmio de Melhor Atriz Coadjuvante para Cate Blanchett (“I’m Not There”) na Associação de Críticos Online de Nova York – logo a Big Apple, cidade natal de Ryan, e a qual lhe deu seu maior momento na carreira, em 2005, com a indicação ao Tony Awards de Melhor Atriz pela peça “Um Bonde Chamado Desejo”, de Tennesee Williams.

Outras tendências estão sendo confirmadas, como a divisão entre as performances de Julie Christie (“Away from Her”) e Marion Cotillard (“La Vie en Rose”) na categoria de Melhor Atriz - neste início de temporada de premiação, a francesa já sabe os pontos contra os quais luta: seu filme é considerado fraco e ela própria é uma atriz desconhecida, nos EUA, em uma performance numa língua estrangeira; e as completas indefinições nas categorias de Melhor Ator e Diretor.

Aos poucos, as cartas estão sendo lançadas e a situação vai se tornando cada vez mais clara. Definitivamente, a corrida pelo Oscar está a todo vapor.

Em tempo: somente neste final de semana foram anunciados quatro prêmios da crítica: DC Film Critics, Los Angeles Film Critics, New York Film Critics Online e Boston Film Critics. E hoje, acabam de ser anunciados os nomes dos vencedores da prestigiada New York Film Critics Circle.

Saturday, December 08, 2007

Golden Globe Awards 2008 - Previsões

A semana promete para aqueles que acompanham de perto a temporada de premiações. Amanhã, dia 09 de Dezembro, temos o anúncio dos vencedores da Associação de Críticos de Los Angeles. No dia 11, é a vez do Broadcast Film Critics Association anunciar seus indicados. No dia 12, a Associação dos Críticos de Nova York. E, finalmente, no dia 13 de Dezembro, a Hollywood Foreign Press Association divulga a lista de indicados para o 65th Annual Golden Globe Awards.

Como estamos fazendo sistematicamente nesta temporada de premiações, o Cinéfila por Natureza publica sua lista de previsões, desta vez para o Golden Globe Awards 2008, nas categorias de cinema e televisão.

Best Motion Picture – Drama
American Gangster
Atonement
Into the Wild
No Country for Old Men
There Will Be Blood

Best Performance by an Actress in a Motion Picture – Drama
Cate Blanchett, Elizabeth - The Golden Age
Julie Christie, Away From Her
Jodie Foster, The Brave One
Angelina Jolie, A Mighty Heart
Keira Knightley, Atonement

Best Performance by an Actor in a Motion Picture – Drama
George Clooney, Michael Clayton
Daniel Day-Lewis, There Will Be Blood
Emile Hirsch, Into the Wild
James McAvoy, Atonement
Brad Pitt, The Assassination of Jesse James by the Coward Robert Ford
Denzel Washington, American Gangster

Best Motion Picture – Comedy or Musical
Charlie Wilson’s War
Enchanted
Hairspray
Juno
Knocked Up
Sweeney Todd – The Demon Barber of Fleet Street


Best Performance by an Actress in a Motion Picture – Comedy or Musical
Amy Adams, Enchanted
Helena Bonham Carter, Sweeney Todd – The Demon Barber of Fleet Street
Marion Cotillard, La Vie en Rose
Nicole Kidman, Margot at the Wedding
Laura Linney, The Savages
Ellen Page, Juno

Best Performance by an Actor in a Motion Picture – Comedy or Musical
Don Cheadle, Talk to Me
Johnny Depp, Sweeney Todd – The Demon Barber of Fleet Street
Ryan Gosling, Lars and the Real Girl
Tom Hanks, Charlie Wilson’s War
Philip Seymour Hoffman, The Savages

Best Animated Feature Film
Bee Movie
Ratatouille
The Simpsons Movie

Best Foreign Language Film
France, “The Diving Bell and the Butterfly”
France, “Persepolis”
Romania, “4 Months, 3 Weeks and 2 Days”
Taiwan, “Lust, Caution”
USA, “The Kite Runner”

Best Performance by an Actress in a Supporting Role in a Motion Picture
Cate Blanchett, I’m Not There
Jennifer Garner, Juno
Leslie Mann, Knocked Up
Saoirse Ronan, Atonement
Amy Ryan, Gone Baby Gone
Tilda Swinton, Michael Clayton

Best Performance by an Actor in a Supporting Role in a Motion Picture
Casey Affleck, The Assassination of Jesse James by the Coward Robert Ford
Javier Bardem, No Country for Old Men
Hal Holbrook, Into the Wild
John Travolta, Hairspray
Tom Wilkinson, Michael Clayton

Best Director – Motion Picture
Joe Wright, Atonement
Julian Schnabel, The Diving Bell and the Butterfly
Sean Penn, Into the Wild
Joel Coen, No Country for Old Men
Tim Burton, Sweeney Todd – The Demon Barber of Fleet Street
Paul Thomas Anderson, There Will Be Blood

Best Screenplay – Motion Picture
Christopher Hampton, Atonement
Diablo Cody, Juno
Tony Gilroy, Michael Clayton
Joel Coen, Ethan Coen, No Country for Old Men
Paul Thomas Anderson, There Will Be Blood

Best Original Score
Dario Marianelli, Atonement
Howard Shore, Eastern Promises
Alexandre Desplat, His Dark Materials – The Golden Compass
Alberto Iglesias, The Kite Runner
James Newton Howard, Michael Clayton

Best Original Song – Motion Picture
“Come So Far (Got So Far to Go)”, performed by Queen Latifah, Nikki Blonsky and Zac Efron, Hairspray
"Do You Feel Me", performed by Anthony Anderson, American Gangster
“Falling Slowly”, performed by Glen Hansard and Marketa Iglova, Once
“Guaranteed”, performed by Eddie Vedder, Into the Wild
“That’s How You Know”, performed by Amy Adams, Enchanted

Best Television Series – Musical or Comedy
30 Rock
Desperate Housewives
Pushing Daisies
The Office
Ugly Betty

Best Performance by an Actor in a Television Series – Musical or Comedy
Alec Baldwin, “30 Rock”
Steve Carell, “The Office”
David Duchovny, Californication
Jason Lee, “My Name is Earl”
Lee Pace, “Pushing Daisies

Best Performance by an Actress in a Television Series – Musical or Comedy
Christina Applegate, “Samantha Who?”
Marcia Cross, “Desperate Housewives”
America Ferrera, “Ugly Betty”
Felicity Huffman, “Desperate Housewives”
Mary-Louise Parker, “Weeds”

Best Television Series – Drama
Big Love
Brothers and Sisters
Damages
Grey’s Anatomy
Mad Men

Best Performance by an Actor in a Television Series – Drama
Patrick Dempsey, Grey’s Anatomy
James Gandolfini, The Sopranos
Michael C. Hall, Dexter
Hugh Laurie, House
Bill Paxton, Big Love

Best Performance by an Actress in a Television Series – Drama
Glenn Close, Damages
Minnie Driver, The Riches
Sally Field, Brothers & Sisters
Holly Hunter, Saving Grace
Kyra Sedgwick, The Closer

Best Motion Picture Made for Television or Miniseries
Bury My Heart at Wounded Knee
The Company
Five Days
Longford
The Starter Wife

Best Performance by an Actor in a Motion Picture Made for Television or Miniseries
Hugh Bonneville, Five Days
Jim Broadbent, Longford
Michael Imperioli, For One More Day
Kevin Kline, As You Like It
Chris O’Donnell, The Company

Best Performance by an Actress in a Motion Picture Made for Television or Miniseries
Ellen Burstyn, For One More Day
Bryce Dallas Howard, As You Like It
Queen Latifah, Life Support
Debra Messing, The Starter Wife
Ruth Wilson, Jane Eyre

Best Performance by an Actor in a Supporting Role in a Series, Miniseries or Motion Picture Made for Television
Ted Danson, Damages
Michael Keaton, The Company
Joe Mantegna, The Starter Wife
Jeremy Piven, Entourage
Aidan Quinn, Bury My Heart at Wounded Knee

Best Performance by an Actress in a Supporting Role in a Series, Miniseries or Motion Picture Made for Television
Judy Davis, The Starter Wife
Katherine Heigl, Grey’s Anatomy
Samantha Morton, Longford
Anna Paquin, Bury My Heart at Wounded Knee
Vanessa Williams, Ugly Betty
Chandra Wilson, Grey’s Anatomy

O anúncio dos indicados ao Golden Globe Awards 2008 terá transmissão ao vivo, para toda a América Latina, do canal E! Entertainment Television, no dia 13 de Dezembro, a partir das 11hs. (horário de Brasília).

Friday, December 07, 2007

O Passado (El Pasado, 2007)

Já está no significado da palavra passado. É um momento ido, decorrido, que já foi. No novo filme do diretor Hector Babenco, “O Passado” (que foi escrito por Babenco e por Marta Góes com base no livro de Alan Pauls), encontramos um casal – Rimini (Gael García Bernal) e Sofía (Analía Couceyro, numa ótima atuação) – que está completamente ligado a este tempo verbal.

Quando a trama de “O Passado” começa, Rimini e Sofía estão terminando um relacionamento que durou 12 anos, para a surpresa de amigos – que eram unânimes em dizer que o ex-casal os fazia acreditar no amor verdadeiro. Através do personagem Rimini, acompanhamos as diversas tentativas que ele faz no sentido de recomeçar a sua vida. No entanto, a cada novo início uma constante: não importa com quantas mulheres ele se deite, ou com quantas ele dê um beijo, Sofía sempre será uma sombra em sua vida, tendo em vista que ela acredita piamente que a separação é somente uma fase que Rimini tem que passar para amadurecer e experimentar novas sensações antes de acabar voltando para ela.

Na época do lançamento de “O Passado”, o diretor Hector Babenco causou polêmica com a declaração de que não existe ator brasileiro na faixa etária do mexicano Gael García Bernal que seja tão talentoso quanto ele. A afirmação chega a ser até injusta com uma das melhores safras recentes de atores brasileiros, na qual se destacam os nomes de Rodrigo Santoro, Caio Blat, Matheus Nachtergaele, Daniel de Oliveira, Wagner Moura e Selton Mello – só para citar alguns nomes. Todos eles poderiam interpretar Rimini, um personagem que é bastante complexo, com a mesma competência do ator mexicano – que, no filme, tem uma performance que não iguala os seus melhores momentos em obras como “Má Educação”, do espanhol Pedro Almodóvar, e “Diários de Motocicleta”, do brasileiro Walter Salles.

Como filme, “O Passado” tem uma influência bastante européia. A narrativa adotada por Hector Babenco é lenta e chega a ser chata em determinados momentos. Na parte técnica, podemos destacar a fotografia de Ricardo Della Rosa (que já havia mostrado seu talento em “Casa de Areia”, de Andrew Waddington) e a música de Iván Wyszogrod. Mesmo assim, nada dissipa a impressão de que o destino deste filme é ficar no passado – o que é um pecado mortal numa arte como o cinema, em que os filmes imortais são aqueles atemporais.

Cotação: 3,5

O Passado (El Pasado, Argentina, Brasil, 2007)
Diretor(es): Hector Babenco
Roteirista(s): Hector Babenco, Marta Goes
Elenco: Mabi Abele, Mariana Anghileri, Mimí Ardú, Paulo Autran, Ana Celentano, Analía Couceyro, Gael García Bernal, Marta Lubos, Miriam Odorico, Gustavo Pastorini, Claudio Tolcachir

Thursday, December 06, 2007

Indicados ao Grammy Awards 2008

A NARAS (National Academy of Recording Arts and Sciences) – através dos artistas Akon, Fergie, George Lopez, Vince Gill, Herbie Hancock, Linkin Park, David Grohl e Taylor Hawkins (Foo Fighters), Jimmy Jam, e Taylor Swift – acaba de anunciar os indicados ao 50th Annual Grammy Awards 2008.

No post de ontem, perguntamos se os problemas pessoais de Amy Winehouse seriam um empecilho para uma possível indicação dela ao Grammy e a resposta veio hoje. Ao lado de Kanye West, que recebeu oito indicações, Winehouse é a artista com maior número de indicações para o Grammy Awards 2008, com seis menções – o mesmo número de indicações recebidas por Rihanna.

Nas categorias mais importantes da premiação os indicados foram:

Record of The Year
Beyoncé, Irrepleaceable
Rihanna feat. Jay-Z, Umbrella
Justin Timberlake, What Goes Around (Comes Around)
Amy Winehouse, Rehab
Foo Fighters, The Pretender

Album of the Year
Foo Fighters, “Echoes, Silence, Patience & Grace”
Vince Gill, “These Days”
Herbie Hancock, “River – The Joni Letters”
Kanye West, “Graduation”
Amy Winehouse, “Back to Black”

Song of the Year
Carrie Underwood, Before He Cheats
Plain White T’s, Hey There Delilah
Corinne Bailey Rae, Like a Star
Amy Winehouse, Rehab
Rihanna feat. Jay Z, Umbrella

Best New Artist
Feist
Ledisi
Paramore
Taylor Swift
Amy Winehouse

Destaques para a categoria de Album of the Year, com as ausências de Bruce Springsteen e Paul McCartney, bem como Best New Artist e as ausências de Lily Allen e Daughtry. Também chamam a atenção as indicações dos brasileiros Céu, Gilberto Gil e Bebel Gilberto na categoria de Best Contemporary World Music Album.

A lista completa de indicados ao Grammy Awards 2008 pode ser encontrada aqui.

A entrega dos prêmios Grammy 2008 acontecerá no dia 10 de Fevereiro de 2008.

Wednesday, December 05, 2007

National Board of Review 2007 - Vencedores

"No Country for Old Men", filme dos irmãos Joel e Ethan Coen, acaba de ser indicado como o melhor filme de 2007 pela National Board of Review, uma organização formada por críticos de cinema norte-americanos. Baseado no livro de Cormac McCarthy, o filme deve estrear no Brasil no dia 15 de Fevereiro de 2008, bem nas vésperas do Oscar 2008 - premiação para a qual o filme está mais do que bem cotado.

Além do prêmio de melhor filme, "No Country for Old Men" recebeu a laura de melhor roteiro adaptado de acordo com a National Board of Review. Outro grande vencedor do prêmio foi o filme "Gone, Baby Gone", que recebeu dois prêmios: melhor atriz coadjuvante para Amy Ryan e melhor estréia na direção para Ben Affleck.

Como bem lembrou o blogueiro Otavio Almeida, do blog
Hollywoodiano, desde 2001 que o vencedor na categoria de melhor filme aqui, no National Board of Review, é indicado ao Oscar, mas acaba não levando a estatueta principal. Veremos se o filme dos irmãos Coen quebra essa regra.

Lista completa de vencedores do National Board of Review 2007:

Best Film: NO COUNTRY FOR OLD MEN
Best Director: TIM BURTON, Sweeney Todd
Best Actor: GEORGE CLOONEY, Michael Clayton
Best Actress: JULIE CHRISTIE, Away From Her
Best Supporting Actor: CASEY AFFLECK, The Assassination of Jesse James by the Coward Robert Ford
Best Supporting Actress: AMY RYAN, Gone Baby Gone
Best Foreign Film: THE DIVING BELL AND THE BUTTERFLY
Best Documentary: BODY OF WAR
Best Animated Feature: RATATOUILLE
Best Ensemble Cast: NO COUNTRY FOR OLD MEN
Breakthrough Performance by an Actor: EMILE HIRSCH, Into The Wild
Breakthrough Performance by an Actress: ELLEN PAGE, Juno
Best Directorial Debut: BEN AFFLECK, Gone Baby Gone
Best Original Screenplay (tie): DIABLO CODY, Juno and NANCY OLIVER, Lars and the Real Girl
Best Adapted Screenplay: JOEL COEN and ETHAN COEN, No Country For Old Men

Top Ten Films:(In alphabetical order)
THE ASSASSINATION OF JESSE JAMES BY THE COWARD ROBERT FORD
ATONEMENT
THE BOURNE ULTIMATUM
THE BUCKET LIST
INTO THE WILD
JUNO
THE KITE RUNNER
LARS AND THE REAL GIRL
MICHAEL CLAYTON
SWEENEY TODD

Top Five Foreign Films:(In alphabetical order)
4 MONTHS, 3 WEEKS, 2 DAYS
THE BAND'S VISIT
THE COUNTERFEITERS
LA VIE EN ROSE
LUST, CAUTION

Top Five Documentary Films(In alphabetical order)
DARFUR NOW
IN THE SHADOW OF THE MOON
NANKING TAXI
TO THE DARK SIDE
TOOTS

Top Independent Films(In alphabetical order)
AWAY FROM HER
GREAT WORLD OF SOUND
HONEYDRIPPER
IN THE VALLEY OF ELAH
A MIGHTY HEART
THE NAMESAKE
ONCE
THE SAVAGES
STARTING OUT IN THE EVENING
WAITRESS

Career Achievement: MICHAEL DOUGLAS
William K. Everson Film History Award: ROBERT OSBORNE
Career Achievement in Cinematography: ROGER DEAKINS
The BVLGARI Award for NBR Freedom of Expression: THE GREAT DEBATERS and PERSEPOLIS

Grammy Awards 2008 - Previsões

Depois de lavar a alma do grupo country Dixie Chicks, que ganhou os três prêmios mais importantes na noite do Grammy Awards 2007, a NARAS (National Academy of Recording Arts and Sciences) tem uma importante pergunta a responder na sua premiação do ano de 2008: será que os problemas pessoais – e bastante públicos – da garota-problema Amy Winehouse irão prejudicá-la na corrida por um Grammy? Afinal, a inglesa é o nome mais cotado para as duas principais categorias da premiação (Álbum e Gravação do Ano) e, se não é a artista feminina que mais vendeu discos no ano (este posto pertence às cantoras Alicia Keys e Carrie Underwood), com certeza, é o nome mais falado – para o bem ou para o mal – do momento.

A primeira parte da resposta a esta pergunta vem na quinta-feira, dia 06 de Dezembro, quando Akon, Fergie, Vince Gill, o comediante George Lopez e Taylor Swift anunciarem os indicados ao 50th Annual Grammy Awards 2008.

O Cinéfila por Natureza também quer dar o seu pitaco nesta questão e acredita que Amy não será prejudicada na luta pelo Grammy, tanto que ela está presente na nossa lista de previsões para as categorias principais do Grammy Awards 2008:

Record Of The Year
Rihanna feat. Jay-Z, "Umbrella"
Amy Winehouse, "Rehab"
Bruce Springsteen, "Radio Nowhere"
Fergie, "Big Girls Don't Cry"
Carrie Underwood, "Before He Cheats"

Album of the Year
Amy Winehouse, "Back to Black"
Bruce Springsteen, "Magic"
Kanye West, "Graduation"
Paul McCartney, "Memory Always Full"
Maroon 5, "It Won’t Be Soon Before Long"

Song Of The Year
Carrie Underwood, "Before He Cheats"
Corinne Bailey Rae, "Like a Star"
Rihanna feat. Jay-Z, "Umbrella"
Alicia Keys, "No One"
John Mayer, "Belief"

Best New Artist
Amy Winehouse
Daughtry
Lily Allen
Feist
Taylor Swift

A cerimônia de indicação ao Grammy Awards 2008 terá transmissão ao vivo para toda América Latina pelo E! Entertainment Television, a partir das 14hs. (horário de Brasília).

Tuesday, December 04, 2007

A Lenda de Beowulf (Beowulf, 2007)

O que os roteiristas Roger Avary e Neil Gaiman mostram no filme de animação “A Lenda de Beowulf”, do diretor Robert Zemeckis, é que os homens, há muito tempo, se corrompem na busca pelo poder. As conseqüências maiores desses atos são uma vida de mentira, que atormenta não só aos homens, como as pessoas que os amam e que estão mais próximas deles. No caso particular do filme, são dois os homens amaldiçoados pelos seus atos. Reis em períodos distintos na Dinamarca, Hrothgar (Anthony Hopkins) e seu sucessor Beowulf (Ray Winstone), sucumbiram a uma belíssima criatura do mar (Angelina Jolie), que os usava para ter um filho que seria uma ameaça ao império que eles construíram.

Além dessa discussão sobre o poder, o roteiro do filme – que é baseado no poema épico “Beowulf” – fala sobre as figuras do herói e do mártir. No primeiro ato de “A Lenda de Beowulf”, quando Hrothgar – um governante que adorava festas e bebidas – era o rei, uma pessoa como Beowulf – um guerreiro destemido e pronto para morrer em troca de glória – era o ideal máximo que alguém poderia atingir. Já no segundo ato, quando Beowulf assume o poder e o posto de marido da rainha Wealthow (Robin Wright Penn), os heróis estão fora de moda. As pessoas idealizam os mártires – aqueles que dão sua vida em grandes batalhas e passam a fazer parte das grandes lendas, cantos e poemas épicos.

“A Lenda de Beowulf” é o segundo filme feito pelo diretor Robert Zemeckis (cujas obras mais famosas são “Náufrago”, “Revelação” e “Forrest Gump – O Contador de Histórias”) com o uso da técnica de captação de performances – quando sensores são colocados nos atores para captar seus movimentos e os traços de seus rostos para termos uma sensação o mais próxima possível da realidade. O experimento é bastante interessante e já provou dar resultados excelentes – como foi o caso da criatura Gollum na trilogia “O Senhor dos Anéis”, de Peter Jackson. No entanto, em “A Lenda de Beowulf”, mesmo com a excelente qualidade técnica do trabalho em animação que é feito por Robert Zemeckis, existe ainda muito trabalho a ser feito pela sua equipe, no que diz respeito ao aprimoramento deste conceito, já que, não importa se os personagens estão tristes, felizes, apreensivos ou nervosos, a face deles continua impassível – o que faz com que seja difícil a gente se entregar à trama do filme.

Cotação: 6,0

A Lenda de Beowulf (Beowulf, EUA, 2007)
Diretor(es): Robert Zemeckis
Roteirista(s): Neil Gaiman, Roger Avary
Elenco: Robin Wright Penn, Anthony Hopkins, John Bilezikjian, Brice H. Martin, Sonje Fortag, Sharisse Baker-Bernard, Charlotte Salt, Julene Renee, Greg Ellis, Rik Young, Sebastian Roché, Leslie Harter Zemeckis, John Malkovich, Woody Schultz, Tyler Steelman

Monday, December 03, 2007

Deu a Louca na Cinderela (Happily N'Ever After, 2007)

Dentre todos os contos de fadas, um dos mais preferidos do público é o da “Cinderela”, cuja versão mais conhecida é a do escritor francês Charles Perrault, pois ele tem todos os elementos que fascinam a gente neste tipo de obra: uma mocinha sofredora, uma vilã bem malvada, um príncipe encantador e um final triunfante. A animação “Deu a Louca na Cinderela”, dos diretores Paul J. Bolger e Yvette Kaplan, segue a linha de “Deu a Louca na Chapeuzinho Vermelho” – apesar de não ser uma continuação desta película – e brinca com a Cinderela para contar uma história em que o objetivo principal dos vilões é justamente evitar que tenhamos o clássico final com todos vivendo “felizes para sempre”.

No universo criado pelos roteiristas Douglas Langdale e Robert Moreland, o destino dos contos de fadas é controlado por um Mago (dublado por George Carlin), cuja maior responsabilidade é encontrar um equilíbrio perfeito entre o bem e o mal, de forma que as histórias possam terminar da maneira idealizada. Quando Frieda (dublada por Sigourney Weaver) – a madrasta malvada de Ella (dublada por Sarah Michelle Gellar) – descobre esse poder incrível, ela toma o lugar dos dois aprendizes do Mago e passa ela mesma a controlar os finais dos contos de fada, permitindo que, pela primeira vez, os vilões se dêem bem.

Para tentar evitar que o plano de Frieda dure para sempre, Ella – com a ajuda de Mambo (dublado por Andy Dick) e de Munk (dublado por Wallace Shaw), os aprendizes do Mago – sai em busca do seu amado Príncipe Encantado (dublado por Patrick Warburton) para que ele possa ser o salvador da pátria. O problema é que existe um outro candidato a herói nessa trama e ele é Rick (dublado por Freddie Prinze Jr.), que trabalha para o Príncipe, é apaixonado por Ella e torce para que a garota enxergue como o objeto de seu afeto é um homem completamente imaturo e indigno do amor dela.

O grande pecado de “Deu a Louca na Cinderela”, uma co-produção norte-americana e alemã, é a qualidade técnica da animação, que, se comparada aos filmes produzidos pela Pixar, Dreamworks e Sony, parece ser bem amadora. Tirando este pequeno detalhe, o filme consegue divertir a platéia por ter uma trama envolvente e cuja maior mensagem para as crianças é a seguinte: não importa a vontade dos outros, quem faz a verdadeira história de sua vida é você mesmo.

Cotação: 4,0

Deu a Louca na Cinderela (Happily N'Ever After, EUA, Alemanha, 2007)
Diretor(es): Paul J. Bolger, Yvette Kaplan
Roteirista(s): Douglas Langdale, Robert Moreland
Elenco: George Carlin, John Di Maggio, Andy Dick, Sarah Michelle Gellar, Lisa Kaplan, Jill Talley, Tom Kenny, Tress MacNeille, Michael McShane, Rob Paulsen, Jon Polito, Freddie Prinze Jr., Phil Proctor, Wallace Shawn, Kath Soucie

Sunday, December 02, 2007

National Board of Review 2007 Awards - Previsões

Até agora, o anúncio dos vencedores no Hollywood Film Festival e no Gotham Awards e dos indicados ao Independent Spirit Awards foram somente um pequeno aperitivo. A briga pelo Oscar 2008 começa para valer na quarta-feira, dia 05 de Dezembro, quando a prestigiada associação de críticos que formam o National Board of Review anuncia a sua lista de vencedores para o cinema no ano de 2007.

O NBR existe há 98 anos e celebra o apoio aos filmes – sejam de arte ou de entretenimento – feitos dentro e fora dos Estados Unidos. O prêmio anual da associação tem como objetivo destacar a voz distinta do talento individual, honrando a excelência e apoiando a liberdade de expressão no cinema.

O Cinéfila por Natureza aproveita a oportunidade para colocar aqui a sua lista de previsões para os vencedores do National Board of Review 2007:

Best Film
There Will Be Blood

Top Ten Films
There Will Be Blood
Atonement
No Country for Old Men
Into the Wild
Sweeney Todd - The Demon Barber of Fleet Street
Before the Devil Knows You're Dead
Charlie Wilson's War
Juno
The Kite Runner
Hairspray

Best Foreign Film
The Diving Bell and the Butterfly

Top Five Foreign Films
The Diving Bell and the Butterfly
4 Months, 3 Weeks and 2 Days
Lust, Caution
Persepolis
The Edge of Heaven

Top Five Documentaries
No End in Sight
Sicko
Body of War
Autism - The Musical
War/Dance

Top Independent Films
I'm Not There
Before The Devil Knows You're Dead
Away From Her
Into the Wild
Waitress
The Savages
Once
Grace is Gone
Lars and the Real Girl
Margot at the Wedding

Best Actor
Tommy Lee Jones, In the Valley of Elah e No Country for Old Men

Best Actress
Marion Cotillard, La Vie en Rose

Best Supporting Actor
Javier Bardem, No Country for Old Men

Best Supporting Actress
Cate Blanchett, I'm Not There

Best Acting By An Ensemble
No Country for Old Men

Breakthrough Performance - Male
Casey Affleck, The Assassination of Jesse James by the Coward Robert Ford e Gone, Baby Gone

Breakthrough Performance - Female
Ellen Page, Juno

Best Director
Paul Thomas Anderson, There Will Be Blood

Best Directorial Debut
Sarah Polley, Away From Her

Best Adapted Screenplay
Joel Coen, Ethan Coen, No Country for Old Men

Best Original Screenplay
Diablo Cody, Juno

Best Documentary
No End in Sight

Best Animated Feature
Ratatouille

Os vencedores do National Board of Review 2008 receberão seus troféus num jantar de gala que acontece no dia 15 de Janeiro de 2008, na cidade de Nova York, e terá como mestre de cerimônias o ator Jesse L. Martin (do musical e do filme “Rent – Os Boêmios” e do seriado “Law & Order”).

Thursday, November 29, 2007

Piaf - Um Hino ao Amor (La Môme, 2007)

A cantora francesa Edith Piaf faz parte de uma linhagem de intérpretes como a brasileira Elis Regina e a norte-americana Judy Garland. Ou seja, Piaf era uma daquelas artistas que se entregava de corpo e alma à sua arte. Dona de apresentações intensas e extenuantes do ponto de vista físico, a francesa também teve uma vida digna de um roteiro de filme. E é justamente isto que acontece com o lançamento da cinebiografia “Piaf – Um Hino ao Amor”, do diretor Olivier Dahan (que co-escreveu o roteiro do filme ao lado de Isabelle Sobelman).

Nascida na comunidade de Grasse, no ano de 1915, Edith Piaf era filha de um casal ligado à classe artística. A mãe (que, no filme, é interpretada por Clotilde Courou), uma cantora que nunca obteve sucesso, e o pai (interpretado por Jean-Paul Rouve), um contorcionista, não proporcionaram à Edith o crescimento em um lar estável. Quando criança, era negligenciada pela mãe e foi abandonada pelo pai em um bordel; para depois ser reintegrada ao seu convívio tendo que trabalhar se apresentando nas ruas parisienses para ajudar a sustentar os dois.

A grande virada na vida de Piaf aconteceu quando ela conheceu o empresário Louis Leplée (Gerard Depardieu), o dono de uma casa noturna em Paris. Através dele, Edith foi apresentada a personalidades do mundo da música que iriam acompanhá-la até o dia de sua morte (10 de Outubro de 1963, quando a cantora tinha somente 48 anos, mas com uma aparência – e a fragilidade – de uma mulher de 70 anos) e a transformariam na grande intérprete que ela foi – especialmente Raymond Asso (Marc Barbé), o homem que lapidou o dom que a cantora possuía.

No entanto, a maior sacada do diretor Olivier Dahan, em “Piaf – Um Hino ao Amor”, foi encontrar a verdadeira essência da personalidade de Edith Piaf. Mesmo ela tendo sido uma mulher que foi extremamente magoada durante toda a sua vida e, apesar de ter perdido aqueles a quem mais amava – além de Louis Leplée, que ela chamava de seu segundo pai; foram a prostituta Titine (Emmanuelle Seigner), que a amou como se fosse sua mãe; e o boxeador Marcel Cerdan (Jean-Pierre Martins), que foi o homem de sua vida –, a fé inabalável que ela tinha em Santa Teresa nunca a deixou perder a crença no amor. E ela fez desse sentimento a sua maior inspiração, ao cantar músicas sobre o tema que se tornariam verdadeiros clássicos, como “La Vie em Rose”, “Hymme à L’amour”, “Sous le Ciel de Paris”, “Les Amants d’un Jour”, entre tantas outras – porém, no filme, toda a vida de Piaf pode ser sintetizada por uma outra canção, “Non, Je Ne Regrette Rien”, que ela canta emocionada em sua volta aos palcos parisienses na cena que encerra “Piaf – Um Hino ao Amor”.

Mais do que a sua complexa – e interessante – personagem principal, o melhor motivo para se assistir ao filme “Piaf – Um Hino ao Amor” é a interpretação da – desde já favorita ao Oscar 2008 de Melhor Atriz – francesa Marion Cotillard (antes vista em papéis de pequeno destaque em filmes como “Peixe Grande e Suas Histórias Maravilhosas”, de Tim Burton, e “Um Bom Ano”, de Ridley Scott). Assim como Judy Davis na minissérie “A Vida com Judy Garland” e Helen Mirren no filme “A Rainha”, Cotillard mergulha fundo na alma de seu personagem. Aqui, não existem limites entre atriz e Piaf. As duas são uma só. E é por ela – e pelo excelente trabalho de figurinos, direção de arte e fotografia, que merecem também uma atenção especial do Oscar – que a gente perdoa os erros de transição cometidos pelo diretor Olivier Dahan.

Cotação: 7,0

Piaf - Um Hino ao Amor (La Môme, França, Inglaterra, República Tcheca, 2007)
Diretor(es):
Olivier Dahan
Roteirista(s): Olivier Dahan, Isabelle Sobelman
Elenco: Marion Cotillard, Sylvie Testud, Pascal Greggory, Emmanuelle Seigner, Jean-Paul Rouve, Gérard Depardieu, Clotilde Courau, Jean-Pierre Martins, Catherine Allégret, Marc Barbé, Caroline Silhol, Manon Chevallier, Pauline Burlet, Elisabeth Commelin, Marc Gannot

Wednesday, November 28, 2007

2:37 (2006)

O brilhante – e prematuramente cancelado – seriado “Once and Again”, que foi criado por Marshall Herskovitz (do filme “Em Luta Pelo Amor”) e por Edward Zwick (dos filmes “Tempo de Glória”, “Lendas da Paixão”, “O Último Samurai”, "Diamante de Sangue", dentre outros), marcou época na televisão não só por sua qualidade, como também pelo uso de um recurso narrativo bem interessante. Na medida em que assistíamos ao casal Rick Sammler (Bill Campbell) e Lily Manning (a fantástica Sela Ward) tentando iniciar uma vida a dois com toda a bagagem de um casamento anterior – os filhos e ex-cônjuges eram presença permanente na vida dos dois –, víamos estes mesmos personagens encarando a câmera de uma forma diferente: eles analisavam os acontecimentos de sua vida para um interlocutor (aparentemente nós da platéia) repensando erros e acertos e pesando o quanto tudo isso havia sido fundamental para a formação da própria personalidade deles.

Já o filme “Elefante”, do diretor Gus Van Sant, percorre um caminho bem diferente no que diz respeito ao estilo narrativo. Numa recriação ficcional da tragédia que aconteceu numa escola de Columbine, acompanhamos a rotina separada de alunos de um colégio de segundo grau dos Estados Unidos, sem que eles saibam que dois colegas tramam uma chacina que irá abalar o local.

Mas, você deve estar pensando: o que estas duas obras têm a ver com o filme australiano “2:37”, do diretor e roteirista Murali K. Thalluri? A resposta é: muito. Para contar a história de adolescentes que estudam em uma escola secundarista do sul da Austrália, Thalluri usa justamente o recurso de separar segmentos em que cada estudante é um protagonista, ao mesmo tempo em que coloca estes alunos dando a cara para bater em depoimentos que nos ajudam a entender a personalidade de cada um deles.

Melody (Teresa Palmer, numa excelente atuação), Marcus (Frank Sweet), Luke (Sam Harris), Steven (Charles Baird), Sean (Joel MacKenzie), Sarah (Marni Spillane) e Kelly (Clementine Mellor) são os estudantes cuja rotina acompanharemos. Às 2:37, um (a) aluno (a) – cuja identidade não saberemos até o final – comete suicídio. É este acontecimento que nos permite conhecer o lado sombrio da vida de cada um deles. Relações amorosas, uso de drogas, abuso sexual, negligência familiar, incesto, doenças e humilhações são somente alguns dos temas com os quais seremos confrontados nos 91 minutos de duração do filme.

Baseado em uma experiência pessoal do próprio diretor e roteirista Murali K. Thalluri, “2:37” é o primeiro filme que ele fez e uma grande mostra do potencial que ele tem. Apesar dos assuntos pesados com os quais somos defrontados no decorrer do filme, tudo é abordado com muita sensibilidade e verdade. “2:37” é um filme que mostra como a imersão em nossos próprios problemas nos deixam invisíveis a tudo aquilo que está ao nosso redor. O desfecho chocante e comovente só constata que tudo parece ser tão pequeno diante de experiências que ajudam a definir aquilo o que somos.

Cotação: 9,8

2:37 (2:37, Austrália, 2006)
Diretor(es): Murali K. Thalluri
Roteirista(s): Murali K. Thalluri
Elenco: Teresa Palmer, Joel Mackenzie, Frank Sweet, Clementine Mellor, Charles Baird, Sam Harris, Marni Spillane, Sarah Hudson, Chris Olver, Xavier Samuel, Gary Sweet, Daniel Whyte, Irena Dangov, Olivia Furlong, Michael Griffin