Thursday, December 06, 2007

Indicados ao Grammy Awards 2008

A NARAS (National Academy of Recording Arts and Sciences) – através dos artistas Akon, Fergie, George Lopez, Vince Gill, Herbie Hancock, Linkin Park, David Grohl e Taylor Hawkins (Foo Fighters), Jimmy Jam, e Taylor Swift – acaba de anunciar os indicados ao 50th Annual Grammy Awards 2008.

No post de ontem, perguntamos se os problemas pessoais de Amy Winehouse seriam um empecilho para uma possível indicação dela ao Grammy e a resposta veio hoje. Ao lado de Kanye West, que recebeu oito indicações, Winehouse é a artista com maior número de indicações para o Grammy Awards 2008, com seis menções – o mesmo número de indicações recebidas por Rihanna.

Nas categorias mais importantes da premiação os indicados foram:

Record of The Year
Beyoncé, Irrepleaceable
Rihanna feat. Jay-Z, Umbrella
Justin Timberlake, What Goes Around (Comes Around)
Amy Winehouse, Rehab
Foo Fighters, The Pretender

Album of the Year
Foo Fighters, “Echoes, Silence, Patience & Grace”
Vince Gill, “These Days”
Herbie Hancock, “River – The Joni Letters”
Kanye West, “Graduation”
Amy Winehouse, “Back to Black”

Song of the Year
Carrie Underwood, Before He Cheats
Plain White T’s, Hey There Delilah
Corinne Bailey Rae, Like a Star
Amy Winehouse, Rehab
Rihanna feat. Jay Z, Umbrella

Best New Artist
Feist
Ledisi
Paramore
Taylor Swift
Amy Winehouse

Destaques para a categoria de Album of the Year, com as ausências de Bruce Springsteen e Paul McCartney, bem como Best New Artist e as ausências de Lily Allen e Daughtry. Também chamam a atenção as indicações dos brasileiros Céu, Gilberto Gil e Bebel Gilberto na categoria de Best Contemporary World Music Album.

A lista completa de indicados ao Grammy Awards 2008 pode ser encontrada aqui.

A entrega dos prêmios Grammy 2008 acontecerá no dia 10 de Fevereiro de 2008.

Wednesday, December 05, 2007

National Board of Review 2007 - Vencedores

"No Country for Old Men", filme dos irmãos Joel e Ethan Coen, acaba de ser indicado como o melhor filme de 2007 pela National Board of Review, uma organização formada por críticos de cinema norte-americanos. Baseado no livro de Cormac McCarthy, o filme deve estrear no Brasil no dia 15 de Fevereiro de 2008, bem nas vésperas do Oscar 2008 - premiação para a qual o filme está mais do que bem cotado.

Além do prêmio de melhor filme, "No Country for Old Men" recebeu a laura de melhor roteiro adaptado de acordo com a National Board of Review. Outro grande vencedor do prêmio foi o filme "Gone, Baby Gone", que recebeu dois prêmios: melhor atriz coadjuvante para Amy Ryan e melhor estréia na direção para Ben Affleck.

Como bem lembrou o blogueiro Otavio Almeida, do blog
Hollywoodiano, desde 2001 que o vencedor na categoria de melhor filme aqui, no National Board of Review, é indicado ao Oscar, mas acaba não levando a estatueta principal. Veremos se o filme dos irmãos Coen quebra essa regra.

Lista completa de vencedores do National Board of Review 2007:

Best Film: NO COUNTRY FOR OLD MEN
Best Director: TIM BURTON, Sweeney Todd
Best Actor: GEORGE CLOONEY, Michael Clayton
Best Actress: JULIE CHRISTIE, Away From Her
Best Supporting Actor: CASEY AFFLECK, The Assassination of Jesse James by the Coward Robert Ford
Best Supporting Actress: AMY RYAN, Gone Baby Gone
Best Foreign Film: THE DIVING BELL AND THE BUTTERFLY
Best Documentary: BODY OF WAR
Best Animated Feature: RATATOUILLE
Best Ensemble Cast: NO COUNTRY FOR OLD MEN
Breakthrough Performance by an Actor: EMILE HIRSCH, Into The Wild
Breakthrough Performance by an Actress: ELLEN PAGE, Juno
Best Directorial Debut: BEN AFFLECK, Gone Baby Gone
Best Original Screenplay (tie): DIABLO CODY, Juno and NANCY OLIVER, Lars and the Real Girl
Best Adapted Screenplay: JOEL COEN and ETHAN COEN, No Country For Old Men

Top Ten Films:(In alphabetical order)
THE ASSASSINATION OF JESSE JAMES BY THE COWARD ROBERT FORD
ATONEMENT
THE BOURNE ULTIMATUM
THE BUCKET LIST
INTO THE WILD
JUNO
THE KITE RUNNER
LARS AND THE REAL GIRL
MICHAEL CLAYTON
SWEENEY TODD

Top Five Foreign Films:(In alphabetical order)
4 MONTHS, 3 WEEKS, 2 DAYS
THE BAND'S VISIT
THE COUNTERFEITERS
LA VIE EN ROSE
LUST, CAUTION

Top Five Documentary Films(In alphabetical order)
DARFUR NOW
IN THE SHADOW OF THE MOON
NANKING TAXI
TO THE DARK SIDE
TOOTS

Top Independent Films(In alphabetical order)
AWAY FROM HER
GREAT WORLD OF SOUND
HONEYDRIPPER
IN THE VALLEY OF ELAH
A MIGHTY HEART
THE NAMESAKE
ONCE
THE SAVAGES
STARTING OUT IN THE EVENING
WAITRESS

Career Achievement: MICHAEL DOUGLAS
William K. Everson Film History Award: ROBERT OSBORNE
Career Achievement in Cinematography: ROGER DEAKINS
The BVLGARI Award for NBR Freedom of Expression: THE GREAT DEBATERS and PERSEPOLIS

Grammy Awards 2008 - Previsões

Depois de lavar a alma do grupo country Dixie Chicks, que ganhou os três prêmios mais importantes na noite do Grammy Awards 2007, a NARAS (National Academy of Recording Arts and Sciences) tem uma importante pergunta a responder na sua premiação do ano de 2008: será que os problemas pessoais – e bastante públicos – da garota-problema Amy Winehouse irão prejudicá-la na corrida por um Grammy? Afinal, a inglesa é o nome mais cotado para as duas principais categorias da premiação (Álbum e Gravação do Ano) e, se não é a artista feminina que mais vendeu discos no ano (este posto pertence às cantoras Alicia Keys e Carrie Underwood), com certeza, é o nome mais falado – para o bem ou para o mal – do momento.

A primeira parte da resposta a esta pergunta vem na quinta-feira, dia 06 de Dezembro, quando Akon, Fergie, Vince Gill, o comediante George Lopez e Taylor Swift anunciarem os indicados ao 50th Annual Grammy Awards 2008.

O Cinéfila por Natureza também quer dar o seu pitaco nesta questão e acredita que Amy não será prejudicada na luta pelo Grammy, tanto que ela está presente na nossa lista de previsões para as categorias principais do Grammy Awards 2008:

Record Of The Year
Rihanna feat. Jay-Z, "Umbrella"
Amy Winehouse, "Rehab"
Bruce Springsteen, "Radio Nowhere"
Fergie, "Big Girls Don't Cry"
Carrie Underwood, "Before He Cheats"

Album of the Year
Amy Winehouse, "Back to Black"
Bruce Springsteen, "Magic"
Kanye West, "Graduation"
Paul McCartney, "Memory Always Full"
Maroon 5, "It Won’t Be Soon Before Long"

Song Of The Year
Carrie Underwood, "Before He Cheats"
Corinne Bailey Rae, "Like a Star"
Rihanna feat. Jay-Z, "Umbrella"
Alicia Keys, "No One"
John Mayer, "Belief"

Best New Artist
Amy Winehouse
Daughtry
Lily Allen
Feist
Taylor Swift

A cerimônia de indicação ao Grammy Awards 2008 terá transmissão ao vivo para toda América Latina pelo E! Entertainment Television, a partir das 14hs. (horário de Brasília).

Tuesday, December 04, 2007

A Lenda de Beowulf (Beowulf, 2007)

O que os roteiristas Roger Avary e Neil Gaiman mostram no filme de animação “A Lenda de Beowulf”, do diretor Robert Zemeckis, é que os homens, há muito tempo, se corrompem na busca pelo poder. As conseqüências maiores desses atos são uma vida de mentira, que atormenta não só aos homens, como as pessoas que os amam e que estão mais próximas deles. No caso particular do filme, são dois os homens amaldiçoados pelos seus atos. Reis em períodos distintos na Dinamarca, Hrothgar (Anthony Hopkins) e seu sucessor Beowulf (Ray Winstone), sucumbiram a uma belíssima criatura do mar (Angelina Jolie), que os usava para ter um filho que seria uma ameaça ao império que eles construíram.

Além dessa discussão sobre o poder, o roteiro do filme – que é baseado no poema épico “Beowulf” – fala sobre as figuras do herói e do mártir. No primeiro ato de “A Lenda de Beowulf”, quando Hrothgar – um governante que adorava festas e bebidas – era o rei, uma pessoa como Beowulf – um guerreiro destemido e pronto para morrer em troca de glória – era o ideal máximo que alguém poderia atingir. Já no segundo ato, quando Beowulf assume o poder e o posto de marido da rainha Wealthow (Robin Wright Penn), os heróis estão fora de moda. As pessoas idealizam os mártires – aqueles que dão sua vida em grandes batalhas e passam a fazer parte das grandes lendas, cantos e poemas épicos.

“A Lenda de Beowulf” é o segundo filme feito pelo diretor Robert Zemeckis (cujas obras mais famosas são “Náufrago”, “Revelação” e “Forrest Gump – O Contador de Histórias”) com o uso da técnica de captação de performances – quando sensores são colocados nos atores para captar seus movimentos e os traços de seus rostos para termos uma sensação o mais próxima possível da realidade. O experimento é bastante interessante e já provou dar resultados excelentes – como foi o caso da criatura Gollum na trilogia “O Senhor dos Anéis”, de Peter Jackson. No entanto, em “A Lenda de Beowulf”, mesmo com a excelente qualidade técnica do trabalho em animação que é feito por Robert Zemeckis, existe ainda muito trabalho a ser feito pela sua equipe, no que diz respeito ao aprimoramento deste conceito, já que, não importa se os personagens estão tristes, felizes, apreensivos ou nervosos, a face deles continua impassível – o que faz com que seja difícil a gente se entregar à trama do filme.

Cotação: 6,0

A Lenda de Beowulf (Beowulf, EUA, 2007)
Diretor(es): Robert Zemeckis
Roteirista(s): Neil Gaiman, Roger Avary
Elenco: Robin Wright Penn, Anthony Hopkins, John Bilezikjian, Brice H. Martin, Sonje Fortag, Sharisse Baker-Bernard, Charlotte Salt, Julene Renee, Greg Ellis, Rik Young, Sebastian Roché, Leslie Harter Zemeckis, John Malkovich, Woody Schultz, Tyler Steelman

Monday, December 03, 2007

Deu a Louca na Cinderela (Happily N'Ever After, 2007)

Dentre todos os contos de fadas, um dos mais preferidos do público é o da “Cinderela”, cuja versão mais conhecida é a do escritor francês Charles Perrault, pois ele tem todos os elementos que fascinam a gente neste tipo de obra: uma mocinha sofredora, uma vilã bem malvada, um príncipe encantador e um final triunfante. A animação “Deu a Louca na Cinderela”, dos diretores Paul J. Bolger e Yvette Kaplan, segue a linha de “Deu a Louca na Chapeuzinho Vermelho” – apesar de não ser uma continuação desta película – e brinca com a Cinderela para contar uma história em que o objetivo principal dos vilões é justamente evitar que tenhamos o clássico final com todos vivendo “felizes para sempre”.

No universo criado pelos roteiristas Douglas Langdale e Robert Moreland, o destino dos contos de fadas é controlado por um Mago (dublado por George Carlin), cuja maior responsabilidade é encontrar um equilíbrio perfeito entre o bem e o mal, de forma que as histórias possam terminar da maneira idealizada. Quando Frieda (dublada por Sigourney Weaver) – a madrasta malvada de Ella (dublada por Sarah Michelle Gellar) – descobre esse poder incrível, ela toma o lugar dos dois aprendizes do Mago e passa ela mesma a controlar os finais dos contos de fada, permitindo que, pela primeira vez, os vilões se dêem bem.

Para tentar evitar que o plano de Frieda dure para sempre, Ella – com a ajuda de Mambo (dublado por Andy Dick) e de Munk (dublado por Wallace Shaw), os aprendizes do Mago – sai em busca do seu amado Príncipe Encantado (dublado por Patrick Warburton) para que ele possa ser o salvador da pátria. O problema é que existe um outro candidato a herói nessa trama e ele é Rick (dublado por Freddie Prinze Jr.), que trabalha para o Príncipe, é apaixonado por Ella e torce para que a garota enxergue como o objeto de seu afeto é um homem completamente imaturo e indigno do amor dela.

O grande pecado de “Deu a Louca na Cinderela”, uma co-produção norte-americana e alemã, é a qualidade técnica da animação, que, se comparada aos filmes produzidos pela Pixar, Dreamworks e Sony, parece ser bem amadora. Tirando este pequeno detalhe, o filme consegue divertir a platéia por ter uma trama envolvente e cuja maior mensagem para as crianças é a seguinte: não importa a vontade dos outros, quem faz a verdadeira história de sua vida é você mesmo.

Cotação: 4,0

Deu a Louca na Cinderela (Happily N'Ever After, EUA, Alemanha, 2007)
Diretor(es): Paul J. Bolger, Yvette Kaplan
Roteirista(s): Douglas Langdale, Robert Moreland
Elenco: George Carlin, John Di Maggio, Andy Dick, Sarah Michelle Gellar, Lisa Kaplan, Jill Talley, Tom Kenny, Tress MacNeille, Michael McShane, Rob Paulsen, Jon Polito, Freddie Prinze Jr., Phil Proctor, Wallace Shawn, Kath Soucie

Sunday, December 02, 2007

National Board of Review 2007 Awards - Previsões

Até agora, o anúncio dos vencedores no Hollywood Film Festival e no Gotham Awards e dos indicados ao Independent Spirit Awards foram somente um pequeno aperitivo. A briga pelo Oscar 2008 começa para valer na quarta-feira, dia 05 de Dezembro, quando a prestigiada associação de críticos que formam o National Board of Review anuncia a sua lista de vencedores para o cinema no ano de 2007.

O NBR existe há 98 anos e celebra o apoio aos filmes – sejam de arte ou de entretenimento – feitos dentro e fora dos Estados Unidos. O prêmio anual da associação tem como objetivo destacar a voz distinta do talento individual, honrando a excelência e apoiando a liberdade de expressão no cinema.

O Cinéfila por Natureza aproveita a oportunidade para colocar aqui a sua lista de previsões para os vencedores do National Board of Review 2007:

Best Film
There Will Be Blood

Top Ten Films
There Will Be Blood
Atonement
No Country for Old Men
Into the Wild
Sweeney Todd - The Demon Barber of Fleet Street
Before the Devil Knows You're Dead
Charlie Wilson's War
Juno
The Kite Runner
Hairspray

Best Foreign Film
The Diving Bell and the Butterfly

Top Five Foreign Films
The Diving Bell and the Butterfly
4 Months, 3 Weeks and 2 Days
Lust, Caution
Persepolis
The Edge of Heaven

Top Five Documentaries
No End in Sight
Sicko
Body of War
Autism - The Musical
War/Dance

Top Independent Films
I'm Not There
Before The Devil Knows You're Dead
Away From Her
Into the Wild
Waitress
The Savages
Once
Grace is Gone
Lars and the Real Girl
Margot at the Wedding

Best Actor
Tommy Lee Jones, In the Valley of Elah e No Country for Old Men

Best Actress
Marion Cotillard, La Vie en Rose

Best Supporting Actor
Javier Bardem, No Country for Old Men

Best Supporting Actress
Cate Blanchett, I'm Not There

Best Acting By An Ensemble
No Country for Old Men

Breakthrough Performance - Male
Casey Affleck, The Assassination of Jesse James by the Coward Robert Ford e Gone, Baby Gone

Breakthrough Performance - Female
Ellen Page, Juno

Best Director
Paul Thomas Anderson, There Will Be Blood

Best Directorial Debut
Sarah Polley, Away From Her

Best Adapted Screenplay
Joel Coen, Ethan Coen, No Country for Old Men

Best Original Screenplay
Diablo Cody, Juno

Best Documentary
No End in Sight

Best Animated Feature
Ratatouille

Os vencedores do National Board of Review 2008 receberão seus troféus num jantar de gala que acontece no dia 15 de Janeiro de 2008, na cidade de Nova York, e terá como mestre de cerimônias o ator Jesse L. Martin (do musical e do filme “Rent – Os Boêmios” e do seriado “Law & Order”).

Thursday, November 29, 2007

Piaf - Um Hino ao Amor (La Môme, 2007)

A cantora francesa Edith Piaf faz parte de uma linhagem de intérpretes como a brasileira Elis Regina e a norte-americana Judy Garland. Ou seja, Piaf era uma daquelas artistas que se entregava de corpo e alma à sua arte. Dona de apresentações intensas e extenuantes do ponto de vista físico, a francesa também teve uma vida digna de um roteiro de filme. E é justamente isto que acontece com o lançamento da cinebiografia “Piaf – Um Hino ao Amor”, do diretor Olivier Dahan (que co-escreveu o roteiro do filme ao lado de Isabelle Sobelman).

Nascida na comunidade de Grasse, no ano de 1915, Edith Piaf era filha de um casal ligado à classe artística. A mãe (que, no filme, é interpretada por Clotilde Courou), uma cantora que nunca obteve sucesso, e o pai (interpretado por Jean-Paul Rouve), um contorcionista, não proporcionaram à Edith o crescimento em um lar estável. Quando criança, era negligenciada pela mãe e foi abandonada pelo pai em um bordel; para depois ser reintegrada ao seu convívio tendo que trabalhar se apresentando nas ruas parisienses para ajudar a sustentar os dois.

A grande virada na vida de Piaf aconteceu quando ela conheceu o empresário Louis Leplée (Gerard Depardieu), o dono de uma casa noturna em Paris. Através dele, Edith foi apresentada a personalidades do mundo da música que iriam acompanhá-la até o dia de sua morte (10 de Outubro de 1963, quando a cantora tinha somente 48 anos, mas com uma aparência – e a fragilidade – de uma mulher de 70 anos) e a transformariam na grande intérprete que ela foi – especialmente Raymond Asso (Marc Barbé), o homem que lapidou o dom que a cantora possuía.

No entanto, a maior sacada do diretor Olivier Dahan, em “Piaf – Um Hino ao Amor”, foi encontrar a verdadeira essência da personalidade de Edith Piaf. Mesmo ela tendo sido uma mulher que foi extremamente magoada durante toda a sua vida e, apesar de ter perdido aqueles a quem mais amava – além de Louis Leplée, que ela chamava de seu segundo pai; foram a prostituta Titine (Emmanuelle Seigner), que a amou como se fosse sua mãe; e o boxeador Marcel Cerdan (Jean-Pierre Martins), que foi o homem de sua vida –, a fé inabalável que ela tinha em Santa Teresa nunca a deixou perder a crença no amor. E ela fez desse sentimento a sua maior inspiração, ao cantar músicas sobre o tema que se tornariam verdadeiros clássicos, como “La Vie em Rose”, “Hymme à L’amour”, “Sous le Ciel de Paris”, “Les Amants d’un Jour”, entre tantas outras – porém, no filme, toda a vida de Piaf pode ser sintetizada por uma outra canção, “Non, Je Ne Regrette Rien”, que ela canta emocionada em sua volta aos palcos parisienses na cena que encerra “Piaf – Um Hino ao Amor”.

Mais do que a sua complexa – e interessante – personagem principal, o melhor motivo para se assistir ao filme “Piaf – Um Hino ao Amor” é a interpretação da – desde já favorita ao Oscar 2008 de Melhor Atriz – francesa Marion Cotillard (antes vista em papéis de pequeno destaque em filmes como “Peixe Grande e Suas Histórias Maravilhosas”, de Tim Burton, e “Um Bom Ano”, de Ridley Scott). Assim como Judy Davis na minissérie “A Vida com Judy Garland” e Helen Mirren no filme “A Rainha”, Cotillard mergulha fundo na alma de seu personagem. Aqui, não existem limites entre atriz e Piaf. As duas são uma só. E é por ela – e pelo excelente trabalho de figurinos, direção de arte e fotografia, que merecem também uma atenção especial do Oscar – que a gente perdoa os erros de transição cometidos pelo diretor Olivier Dahan.

Cotação: 7,0

Piaf - Um Hino ao Amor (La Môme, França, Inglaterra, República Tcheca, 2007)
Diretor(es):
Olivier Dahan
Roteirista(s): Olivier Dahan, Isabelle Sobelman
Elenco: Marion Cotillard, Sylvie Testud, Pascal Greggory, Emmanuelle Seigner, Jean-Paul Rouve, Gérard Depardieu, Clotilde Courau, Jean-Pierre Martins, Catherine Allégret, Marc Barbé, Caroline Silhol, Manon Chevallier, Pauline Burlet, Elisabeth Commelin, Marc Gannot

Wednesday, November 28, 2007

2:37 (2006)

O brilhante – e prematuramente cancelado – seriado “Once and Again”, que foi criado por Marshall Herskovitz (do filme “Em Luta Pelo Amor”) e por Edward Zwick (dos filmes “Tempo de Glória”, “Lendas da Paixão”, “O Último Samurai”, "Diamante de Sangue", dentre outros), marcou época na televisão não só por sua qualidade, como também pelo uso de um recurso narrativo bem interessante. Na medida em que assistíamos ao casal Rick Sammler (Bill Campbell) e Lily Manning (a fantástica Sela Ward) tentando iniciar uma vida a dois com toda a bagagem de um casamento anterior – os filhos e ex-cônjuges eram presença permanente na vida dos dois –, víamos estes mesmos personagens encarando a câmera de uma forma diferente: eles analisavam os acontecimentos de sua vida para um interlocutor (aparentemente nós da platéia) repensando erros e acertos e pesando o quanto tudo isso havia sido fundamental para a formação da própria personalidade deles.

Já o filme “Elefante”, do diretor Gus Van Sant, percorre um caminho bem diferente no que diz respeito ao estilo narrativo. Numa recriação ficcional da tragédia que aconteceu numa escola de Columbine, acompanhamos a rotina separada de alunos de um colégio de segundo grau dos Estados Unidos, sem que eles saibam que dois colegas tramam uma chacina que irá abalar o local.

Mas, você deve estar pensando: o que estas duas obras têm a ver com o filme australiano “2:37”, do diretor e roteirista Murali K. Thalluri? A resposta é: muito. Para contar a história de adolescentes que estudam em uma escola secundarista do sul da Austrália, Thalluri usa justamente o recurso de separar segmentos em que cada estudante é um protagonista, ao mesmo tempo em que coloca estes alunos dando a cara para bater em depoimentos que nos ajudam a entender a personalidade de cada um deles.

Melody (Teresa Palmer, numa excelente atuação), Marcus (Frank Sweet), Luke (Sam Harris), Steven (Charles Baird), Sean (Joel MacKenzie), Sarah (Marni Spillane) e Kelly (Clementine Mellor) são os estudantes cuja rotina acompanharemos. Às 2:37, um (a) aluno (a) – cuja identidade não saberemos até o final – comete suicídio. É este acontecimento que nos permite conhecer o lado sombrio da vida de cada um deles. Relações amorosas, uso de drogas, abuso sexual, negligência familiar, incesto, doenças e humilhações são somente alguns dos temas com os quais seremos confrontados nos 91 minutos de duração do filme.

Baseado em uma experiência pessoal do próprio diretor e roteirista Murali K. Thalluri, “2:37” é o primeiro filme que ele fez e uma grande mostra do potencial que ele tem. Apesar dos assuntos pesados com os quais somos defrontados no decorrer do filme, tudo é abordado com muita sensibilidade e verdade. “2:37” é um filme que mostra como a imersão em nossos próprios problemas nos deixam invisíveis a tudo aquilo que está ao nosso redor. O desfecho chocante e comovente só constata que tudo parece ser tão pequeno diante de experiências que ajudam a definir aquilo o que somos.

Cotação: 9,8

2:37 (2:37, Austrália, 2006)
Diretor(es): Murali K. Thalluri
Roteirista(s): Murali K. Thalluri
Elenco: Teresa Palmer, Joel Mackenzie, Frank Sweet, Clementine Mellor, Charles Baird, Sam Harris, Marni Spillane, Sarah Hudson, Chris Olver, Xavier Samuel, Gary Sweet, Daniel Whyte, Irena Dangov, Olivia Furlong, Michael Griffin

Tuesday, November 27, 2007

Invasores (The Invasion, 2007)

Pode não parecer, à primeira vista, mas o filme “Invasores”, do diretor alemão Oliver Hirschbiegel (com direção adicional de James McTeigue), é mais do que um filme dramático (com toques de ação e ficção científica). A película tem um teor bastante político, na medida em que o seu roteiro – que foi escrito por Dave Kajganich, com base no livro de Jack Finney – tem como personagem principal uma mulher, a psiquiatra Carol Bennell (Nicole Kidman, numa ótima atuação), que acredita poder viver em um mundo melhor, em que os homens deixarão de ser mesquinhos e ambiciosos e as guerras e discordâncias serão apenas lembranças do passado.

“Invasores” mostra, justamente, a transformação – lenta e gradual – dos humanos, que passarão a oferecer a possibilidade real para Carol viver neste mundo em que ela tanto desejava. A mutação começa a acontecer quando uma nave espacial se despedaça ao entrar em contato com a Terra. Do alto escalão – começando pelo ex-marido de Carol, Tucker Kaufman (Jeremy Northam), que possui um cargo de destaque no governo norte-americano – até às partes mais humildes, a maioria dos humanos começa a viver como uma espécie de zumbis, sem esboçar qualquer sentimento.

Imagine então o conflito em que Carol, a mãe amorosa e dedicada do filho Oliver (o talentoso Jackson Bond), se vê envolvida. Ao ver seu sonho transformado em realidade, ela aceita – a custo de muito sofrimento e sacrifício – que este não é o tipo de mundo que gostaria de deixar para o seu filho. Portanto, a grande luta da psiquiatra – no decorrer de “Invasores” – é proteger a si mesma e o pequeno Oliver; ao mesmo tempo em que tenta ajudar o Dr. Ben Driscoll (Daniel Craig) e o Dr. Stephen Galeano (Jeffrey Wright) a encontrar uma cura para a epidemia que atingiu humanos em todo o mundo.

Quando estreou nos cinemas dos Estados Unidos, “Invasores” foi completamente massacrado pela crítica e, em conseqüência disso, nem recebeu a atenção do público. Ao assistirmos ao filme, podemos chegar à conclusão de que a péssima recepção foi extremamente injusta com “Invasores”. O diretor Oliver Hirschbiegel (do excelente “A Queda – Os Últimos Dias de Hitler”) realiza um ótimo trabalho de apresentação da trama. Num conjunto que se estende à edição de Hans Funck e Joel Negron e à música de John Ottman, Hirschbiegel cria um clima de tensão que culmina com a fantástica penúltima cena em que, após sofrer um acidente de carro, Carol tenta levar seu filho Oliver para o mais longe possível daqueles seres que, de inofensivos, nada tinham. A conclusão que se chega após a final de “Invasores” é que a paz, assim como o mundo sonhado por Carol, é somente uma utopia – e nunca uma realidade.

Cotação: 6,5

Invasores (The Invasion, EUA, 2007)
Diretor(es): Oliver Hirschbiegel, James McTeigue
Roteirista(s): David Kajganich
Elenco: Nicole Kidman, Daniel Craig, Jeremy Northam, Jackson Bond, Jeffrey Wright, Veronica Cartwright, Josef Sommer, Celia Weston, Roger Rees, Eric Benjamin, Susan Floyd, Stephanie Berry, Alexis Raben, Adam LeFevre, Joanna Merlin

Monday, November 26, 2007

Entertainment Weekly - Top 25 Stars of 2007

Como sempre faz ao final de cada ano, a revista Entertainment Weekly libera uma lista com o nome dos 25 artistas que se destacaram no mundo do entretenimento. No ano de 2007, a escolha de Entertainer of the Year recaiu sobre a escritora inglesa J.K. Rowling, autora dos livros da série do bruxinho juvenil Harry Potter – cuja última saga “Harry Potter e as Relíquias da Morte” foi lançada em Julho deste ano, vendendo um recorde de 11 milhões de cópias nas primeiras 24 horas após o seu lançamento.

Além de Rowling, estão na lista, na ordem em que aparecem na revista:

25. O ator, roteirista, diretor e produtor George Clooney (“Michael Clayton” e “Ocean’s Thirteen”)
24. O elenco do seriado “The Sopranos”, cuja última temporada foi ao ar neste ano pelo canal HBO.
23. A atriz e ativista Angelina Jolie (“A Mighty Heart”)
22. O ator Will Smith (“I am Legend”)
21. O ator e diretor Tommy Lee Jones (“No Country for Old Men” e “In the Valley of Elah”)
20. The Cable Queens, grupo de atrizes formado por Mary-Louise Parker (“Weeds”), Kyra Sedgwick (“The Closer”), Glenn Close (“Damages”) e Holly Hunter (“Saving Grace”) – todas com seriados de sucesso na TV a cabo norte-americana
19. O ator Matt Damon (“Ocean’s Thirteen” e “The Bourne Ultimatum”)
18. O ator Johnny Depp (“Sweeney Todd – The Demon Barber of Fleet Street”)
17. A atriz Katherine Heigl (“Grey’s Anatomy” e “Knocked Up”)
16. A cantora Carrie Underwood (atualmente, ela é a segunda artista feminina que mais vendeu discos em 2007, só perdendo para Alicia Keys)
15. O cantor e produtor Kanye West (“Graduation” é o álbum mais vendido do ano)
14. O ator Zac Efron (“High School Musical 2” e “Hairspray”)
13. A cantora Rihanna (“Umbrella” é o maior hit do ano)
12. A cantora e atriz Miley Cyrus (“Hannah Montana” e cuja turnê teve ingressos esgotados em questão de minutos)
11. O ator Shia LaBeouf (“Transformers” e “Disturbia”)
10. O ator Will Ferrell e o criador do site “
Funny Ordie” Andy McKay
09. A atriz, roteirista e produtora Tina Fey (“30 Rock”)
08. The Apatow Gang, grupo formado por Judd Apatow, Leslie Mann, Seth Rogen, Jonah Hill e Paul Rudd – os quais foram responsáveis pelos dois filmes de comédia mais bem-sucedidos do ano: “Superbad” e “Knocked Up”
07. The Simpsons, que finalmente estrearam no cinema, em 2007
06. A atriz e cantora Vanessa Williams (“Ugly Betty”)
05. O ator Gerard Butler (“300”)
04. A cantora Amy Winehouse (“Rehab” é um dos maiores sucessos do ano e a cantora é uma das favoritas ao Grammy 2008)
03. O ator, diretor e roteirista Tyler Perry (“Why Did I Get Married?”)
02. O elenco de “Mad Men”, seriado criado por Matthew Weiner (“The Sopranos”) e que vai ao ar, nos EUA, pelo canal AMC, e que conta histórias sobre os bastidores de uma agência de publicidade nos anos 60.
01. A escritora inglesa J.K. Rowling (“Harry Potter e as Relíquias da Morte”)

Para ver uma galeria de fotos com os escolhidos da Entertainment Weekly como Entertainer of the Year entre 1990 e 2006, é só clicar
aqui.

Friday, November 23, 2007

A Companhia (The Company, 2007)

O filme “O Bom Pastor”, do diretor Robert de Niro, faz um retrato sobre a criação e a consolidação da Central Intelligence Agency (CIA), uma agência de investigação criada como conseqüência da Doutrina Truman, a qual, por sua vez, foi idealizada pelo presidente Harry Truman e tinha como objetivo principal determinar o papel dos Estados Unidos como os defensores das nações que se encontravam em perigo. No entanto, o que interessava ao roteiro de Eric Roth era analisar a vida dos homens que trabalhavam na agência e que, de certa maneira, viravam prisioneiros do mundo que eles mesmos criaram – e que era dominado pela mentira e pela solidão.

A minissérie “A Companhia”, do diretor Mikael Salomon, e cujas três partes foram ao ar neste mês pelo canal HBO, faz um retrato sobre o papel da CIA durante a Guerra Fria. Encontramos o mundo dividido em dois pólos opostos: um lado capitalista e outro socialista. Nesta época, toda a pauta de trabalho da CIA ou da KGB (o equivalente soviético do órgão norte-americano) envolvia a espionagem de cada país antagonista, a fim de descobrir os seus segredos. E, quando “A Companhia” começa, já estamos em uma situação de alto risco, afinal a CIA procura o nome do agente infiltrado em seus quadros pela KGB – é esta busca o ponto principal da minissérie e que deflagra a série de acertos e erros cometidos pela agência no decorrer do conflito entre norte-americanos e soviéticos.

O roteiro escrito por Ken Nolan, com base em um livro de Robert Littel, se passa em várias partes do mundo. Temos cenas em Berlim, Washington, Inglaterra, Budapeste, Áustria, Guatemala, Nova York, Miami, Havana e Moscou. No meio disso, três amigos que seguiram caminhos bastante opostos. Leo Kritzky (Alessandro Nivola) ficou em Washington no trabalho burocrático e de ligação direta com a Casa Branca e com o quartel-general da CIA na cidade. Jack McCauliffe (Chris O’Donnell) é um agente de campo, que trabalha como aprendiz de Harvey Torriti (Alfred Molina), o chefe da Divisão Soviética da CIA em Berlim. Yevgeny Tsipin (Rory Cochrane) é o jovem recrutado por Starik (Ulrich Thomsen), da KGB do governo de Josef Stalin, para ser um agente em solo norte-americano e contato principal com o infiltrado dos soviéticos na CIA – o que joga a favor de Yevgeny é o fato de ele ter estudado nos Estados Unidos e, portanto, sabe agir e pensar como um verdadeiro filho da terra do Tio Sam, passando completamente desapercebido aonde quer que vá. E, como veremos nas três partes de “A Companhia”, de uma maneira ou de outra, os desdobramentos das relações já problemáticas entre Estados Unidos e União Soviética está nas mãos – e nas ações – destes três rapazes que se conheceram na prestigiosa Universidade de Yale.

Por ter várias linhas de narração – e todas elas ricas à sua própria maneira –, seria muito fácil para o diretor Mikael Salomon se perder em meio a tantos acontecimentos. No entanto, ocorre justamente o contrário. A edição de Robert A. Ferretti e Scott Vickrey nos deixa completamente envolvidos no relato das relações entre Estados Unidos e União Soviética, bem como no jogo de poder e de intriga que é vivenciado diariamente pelos agentes de ambas as agências de espionagem. “A Companhia”, uma minissérie que contou com a produção executiva dos irmãos Ridley e Tony Scott e foi levada ao ar, nos EUA, pelo canal TNT, é uma obra de alto nível técnico, em que se destacam, além da edição de Ferretti e Vickrey e da direção de Salomon, as performances inspiradas de seu elenco (em especial as de Alfred Molina, Ulrich Thomsen, Alexandra Maria Lara, Rory Cochrane, Chris O’Donnell, Michael Keaton e Alessandro Nivola) e a belíssima trilha sonora composta por Jeff Beal. Se fosse um filme, “The Company” era uma produção digna de Oscar.

Cotação: 9,0

A Companhia (The Company, 2007)
Direção:
Mikael Salomon
Roteiro: Ken Nolan
Elenco: Chris O’Donnell, Alfred Molina, Michael Keaton, Ted Atherton, Alessandro Nivola, Rory Cochrane, Tom Hollander, Ulrich Thomsen, Erika Marozsán, Natasha McElhone, Raoul Bova, Alexandra Maria Lara, Martin Doyle

Thursday, November 22, 2007

Sangue e Chocolate (Blood and Chocolate, 2007)

Assim como outros personagens de contos de suspense lendários, como os vampiros, os lobisomens também tiveram a sua cota de inimigos que tentaram destruí-los de vez. Em “Sangue e Chocolate”, filme da diretora Katja Von Garnier, acompanhamos a história dos lobisomens que se estabeleceram na cidade de Bucareste, Romênia. Lá, o grupo liderado por Gabriel (Olivier Martinez) estabeleceu uma rotina bastante ética e que consiste na caça conjunta e nunca nas ruas da cidade. Os rituais deles são feitos em um local sagrado, de forma que proteja a condição deles e os permita viver uma vida mais próxima do normal, sem a ameaça humana.

Dos membros desse grupo, a que adota uma atitude mais discreta é Vivian (Agnes Bruckner, a atriz de “Um Certo Carro Azul”, que cresceu e está bem parecida com a Katherine Heigl). Ela viu a sua família ser assassinada na sua frente e, por isso, sabe da importância de manter sua condição de lobisomem em segredo. Ela trabalha durante o dia fazendo chocolates e, nos rituais noturnos, foge da procura pela presa e prefere ficar curtindo a liberdade que os passeios como loba lhe proporcionam. No entanto, tanto cuidado fica ameaçado quando ela conhece Aiden (Hugh Dancy), um desenhista de graphic novel bastante interessado pela história dos lobos.

A diretora alemã Katja Von Garnier – que chamou a atenção com o telefilme “Iron Jawed Angels”, da HBO, que contava a história das sufragistas norte-americanas – mostra um esmero técnico no que diz respeito à concepção visual de “Sangue e Chocolate”, no qual se destaca, além da fotografia de Brendan Galvin, a direção de arte de Kevin Phipps. No entanto, o ponto negativo do filme vem na atuação de Olivier Martinez e Bryan Dick (os dois vilões do filme) – ambos bem canastrões – e no roteiro criado por Ehren Kruger (de “O Chamado 2”) e Christopher Landon com base num livro de Annette Curtis Klause. Os roteiristas não conseguem equilibrar de maneira eficiente a proposta de misturar suspense, fantasia e romance.

Cotação: 2,0

Sangue e Chocolate (Blood and Chocolate, EUA, 2007)
Diretor(es): Katja von Garnier
Roteirista(s): Ehren Kruger, Christopher Landon
Elenco: Agnes Bruckner, Hugh Dancy, Olivier Martinez, Katja Riemann, Bryan Dick, Chris Geere, Tom Harper, John Kerr, Jack Wilson, Vitalie Ursu, Bogdan Voda, Kata Dobó, Rodica Mandache, Helga Racz, Lia Bugnar

Wednesday, November 21, 2007

Os Donos da Noite (We Own the Night, 2007)

No início de “Os Donos da Noite”, filme do diretor e roteirista James Gray, vemos uma série de imagens da polícia de Nova York em atividade. Um close no emblema do uniforme dos policiais nos mostra a frase “We Own the Night” (o título original do filme e que, numa tradução quase literal, dá o nome que a película recebeu em português). Aos poucos, Gray nos mostra que, no final da década de 80, em Nova York, a polícia não é a única que domina a noite e está cada vez mais difícil para os policiais exercerem seu trabalho – para se ter uma idéia, a taxa de assassinatos de membros da força vem aumentando consideravelmente.

Nesta conjuntura e, especialmente, na realidade em que está inserido, o gerente da boate El Caribe, Bobby Green (Joaquin Phoenix, ótimo), é obrigado a esconder sua verdadeira origem. Acontece que o nome de família de Green é Grusinsky; e seu pai Albert (Robert Duvall) e seu irmão Joseph (Mark Wahlberg) ocupam lugares de destaque dentro da corporação. Após um tempo afastado do convívio familiar, Bobby é chamado por Joseph, que acaba de assumir uma investigação sobre tráfico de drogas cujo maior alvo é Vadim Nezhinski (Alex Veadov), o sobrinho do dono da boate na qual ele trabalha.

O elemento mais interessante do roteiro criado por James Gray é a discussão que ele faz sobre temas como lealdade, companheirismo, coragem e entrega – qualidades estas que são comuns aos membros da polícia e as quais Bobby terá que encontrar em si mesmo. Neste sentido, “Os Donos da Noite” começa a ter um quê de “Os Infiltrados” (Bobby passa a ser informante da polícia) e de “O Poderoso Chefão” (a partir do momento em que adota este caminho, Bobby percebe que, mesmo tentando fugir de sua família, sua verdadeira identidade estava mais próximo dela do que ele imaginava).

Em “Os Donos da Noite”, o diretor e roteirista James Gray recupera um estilo que ele mesmo mostrou em seu trabalho anterior, “Caminho Sem Volta” (também protagonizado por Mark Wahlberg e Joaquin Phoenix). Através do mergulho no ambiente familiar, Gray toca num ponto fundamental: o de homens que se vêem envolvidos até o pescoço em situações difíceis e a única maneira de conseguir tocar o barco para frente é resolvendo todos os problemas – não importa o custo que eles tenham. Este estilo de Gray é bem diferente. Seus filmes têm um ritmo próprio, e, no caso deste "Os Donos da Noite", os elementos vistos em tela recuperam características que são muito próximas dos filmes policiais clássicos produzidos nos anos 70.

Cotação: 8,5

Os Donos da Noite (We Own the Night, EUA, 2007)
Diretor(es): James Gray
Roteirista(s): James Gray
Elenco: Joaquin Phoenix, Mark Wahlberg, Robert Duvall, Eva Mendes, Tony Musante, Edward Conlon, Antoni Corone, Alex Veadov, Katie Condidorio, Burton Perez, Douglas J. Aguirre, Ashley Avis, Kristy Redford, Fred Burrell, Karl Bury

Tuesday, November 20, 2007

A Loja Mágica de Brinquedos (Mr. Magorium's Wonder Emporium, 2007)

Sabe quando a gente é criança e dá vida aos nossos brinquedos inanimados? Eles passam a voar, a conversar conosco e a desempenhar as atividades que indicamos para eles. Pois então, no meio dos arranha-céus da cidade de Nova York, existe uma loja de construção antiga, decoração vintage (a direção de arte é somente um dos pontos altos deste filme) e que tem uma qualidade ainda mais especial: ela é mágica e os brinquedos que ali estão possuem vida própria – a qual somente é percebida por aqueles que crêem no que é fantástico.

É na loja do Sr. Magorium (Dustin Hoffmann, ótimo) que estaremos na maior parte do filme “A Loja Mágica de Brinquedos”, do diretor e roteirista Zach Helm. Além do dono do estabelecimento, que alega ter mais de 200 anos, ser um inventor e admirador maior das maravilhas do universo, vemos outros personagens bem interessantes – e cheios de conflitos. São eles: Molly Mahoney (Natalie Portman), a gerente da loja e ex-pianista prodígio, mas que nunca confirmou seu potencial; Eric (Zach Mills), um dos clientes mais assíduos do estabelecimento e que não consegue fazer novas amizades com facilidade; e Henry Weston (Jason Bateman), o contador workaholic cético e encarregado de avaliar a loja quando o Sr. Magorium percebe que está chegando a sua hora de partir deste mundo, deixando sua propriedade mais valiosa para Mahoney – para a “revolta” de seus mágicos brinquedos.

O diretor e roteirista Zach Helm não consegue sair da sombra de certas comparações. Na época de “Mais Estranho que a Ficção”, seu trabalho foi ligado ao do roteirista Charlie Kaufman (“Quero Ser John Malkovich”, “Adaptação”, “Brilho Eterno de uma Mente Sem Lembranças”). Com este “A Loja Mágica de Brinquedos”, podemos encontrar um paralelo com o universo fantástico dos filmes de Tim Burton – especialmente com o colorido e a magia de “A Fantástica Fábrica de Chocolate”. No entanto, entre estes dois trabalhos, um ponto em comum: Zach Helm fala sobre a vida e, principalmente, sobre pessoas que estão tentando se encontrar. No caso particular de “A Loja Mágica de Brinquedos”, só irão embarcar na viagem proposta por Helm, aqueles que se deixarem levar pela sua imaginação.

Cotação: 7,0

A Loja Mágica de Brinquedos (Mr. Magorium's Wonder Emporium, EUA, 2007)
Diretor(es): Zach Helm
Roteirista(s): Zach Helm
Elenco: Ted Ludzik, Natalie Portman, Zach Mills, Dustin Hoffman, Madalena Brancatella, Paula Boudreau, Mike Realba, Steve Whitmire, Liam Powley-Webster, Marcia Bennett, Jason Bateman, Oliver Masuda, Samantha Harvey, Jesse Bostick, Isaac Durnford

Monday, November 19, 2007

Tá Dando Onda (Surf's Up, 2007)

Mais do que um esporte, o surf se transformou em um verdadeiro estilo de vida. Seus praticantes o utilizam como uma forma de entrar em contato direto com a natureza, de ultrapassar os seus limites e de levar uma vida com total liberdade – no qual o mais importante é encontrar um lugar ensolarado, tranqüilo e que tenha, de preferência, ótimas ondas. É neste universo que o filme de animação “Tá Dando Onda”, dos diretores Ash Brannon e Chris Buck, mergulha. Com um roteiro de Lisa Addario, Christian Darren, Don Rhymer e Joe Syracuse acompanhamos um documentário que é feito a respeito dos personagens que participam do Campeonato de Surf Big Z.

O mais importante deles, além do Big Z (dublado por Jeff Bridges) – aquele que foi o maior surfista pingüim de todos os tempos e morreu ao pegar altíssimas ondas –, é o jovem Cadu Maverick (dublado por Shia LaBeouf), que vive em uma comunidade de pingüins, cuidando das pilhas de peixes que são o alimento diário de seus companheiros. Cadu conheceu Big Z ainda na sua infância e foi tocado pelo discurso do grande esportista de que ele deveria acreditar e perseguir seus sonhos. Por isso, Cadu alimenta a vontade de ser surfista – desejo esse que vai de encontro ao que a família deseja para ele – e consegue a oportunidade de seus sonhos quando é descoberto no fim do mundo aonde mora e é levado para participar do Campeonato de Surf Big Z – torneio no qual enfrentará nomes como Tank Evans (Diedrich Bader), João Frango (Jon Heder), entre outros. E é no campeonato que Cadu descobrirá o quanto ainda tem a aprender sobre o esporte e, principalmente, sobre a vida.

“Tá Dando Onda” é um filme de animação bem original, com uma linguagem que vai ser mais bem entendida pelos adultos. A animação fala de bichos-grilo; de gente diferente, mas que é fiel a si mesma e ao estilo de vida que adotou; de seres que não têm medo de enfrentar o perigo e gostam de surpresas. Com uma trilha sonora fantástica (e que conta com músicas de 311, Incubus, Lauryn Hill, Sugar Ray, Pearl Jam, New Radicals, entre outros) e cenas extremamente bem feitas, “Tá Dando Onda” é um filme que coloca o nome da Sony Pictures Animation (também responsável pelo ótimo “A Casa Monstro”) como uma das produtoras mais criativas do gênero. E, em 2007, é a segunda vez que a animação dá banho nos filmes live-action – a primeira aconteceu com o lançamento de “Ratatouille”.

Cotação: 9,5

Tá Dando Onda (Surf's Up, EUA, 2007)
Diretor(es): Ash Brannon, Chris Buck
Roteirista(s): Lisa Addario, Christian Darren, Don Rhymer, Joe Syracuse
Elenco: Shia LaBeouf, Jeff Bridges, Zooey Deschanel, Jon Heder, James Woods, Diedrich Bader, Mario Cantone, Kelly Slater, Rob Machado, Sal Masekela, Ash Brannon, Chris Buck, Brian Posehn, Dana Belben, Reed Buck

Sunday, November 18, 2007

PGA Anuncia Indicados Para TV

O Producers Guild Awards (PGA) fez o anúncio dos indicados para a sua premiação de televisão na quinta-feira, dia 15 de Novembro. A lista é formada pelos seguintes programas:

The Producers Guild of America Producer of the Year Award in Live Entertainment/Competition
"The Amazing Race," CBS
"American Idol," Fox
"The Colbert Report," Comedy Central
"Project Runway," Bravo
"Real Time With Bill Maher," HBO

The Danny Thomas Producer of the Year Award In Episodic Television -- Comedy
"Entourage," HBO
"Extras," HBO
"The Office," NBC
"30 Rock," NBC
"Ugly Betty," ABC

The Norman Felton Producer of the Year Award in Episodic Television -- Drama
"Dexter," Showtime
"Grey's Anatomy," ABC
"Heroes," NBC
"House," Fox
"Lost," ABC
"The Sopranos," HBO

The Producers Guild of America Producer of the Year Award in Non-Fiction Television
"The Deadliest Catch," Discovery Channel
"Extreme Makeover: Home Edition," ABC
"Kathy Griffin: My Life on the D-List," Bravo
"Planet Earth," Discovery Channel
"60 Minutes," CBS

Os vencedores do campo de televisão serão anunciados no dia 14 de Janeiro de 2008, data que também marca a revelação dos indicados ao prêmio principal do PGA, que é entregue ao melhor filme do ano.

Já os ganhadores das categorias de cinema serão anunciados no jantar de gala do Producers Guild Awards, que acontece no dia 02 de Fevereiro de 2008.

Wednesday, November 14, 2007

Golden Globe Awards 2008 - Cecil B. de Mille Award

Desde o início desta década que o prêmio Cecil B. de Mille Award, o qual é outorgado pela Hollywood Foreign Press Association, ganhou uma característica que vai além de homenagear a obra de um artista. O prêmio tem sido dado àqueles profissionais que ainda têm muito a oferecer à indústria cinematográfica. Este é o caso do próximo homenageado com o prêmio: o diretor e produtor Steven Spielberg.

A importância de Spielberg para a indústria cinematográfica é inegável. Criador de filmes inesquecíveis e marcantes, como “Tubarão”, “E.T. – O Extra-Terrestre”, “Contatos Imediatos do Terceiro Grau”, “A Lista de Schindler”, “O Resgate do Soldado Ryan”, dentre tantos outros; Spielberg também fez sua contribuição ao criar – com David Geffen e Jeffrey Katzenberg – o estúdio de cinema Dreamworks, que, recentemente, foi adquirido pela Paramount Pictures.

Um dos nomes mais influentes e aclamados em Hollywood, Spielberg – ao longo de sua carreira – foi o vencedor de seis Globos de Ouro (como diretor e produtor) e, fora estas conquistas, recebeu mais outras doze indicações ao prêmio. Agora, será contemplado com esta glória máxima no dia 13 de Janeiro de 2008, quando a 65ª edição do Globo de Ouro acontecerá em Hollywood.

Além do nome do vencedor do Cecil B. de Mille Award, foi divulgado, pela HFPA, no dia de hoje, a contemplada com o posto de Miss Golden Globe 2008. As escolhidas, geralmente, são filhas ou netas de grandes nomes da indústria do entretenimento. Em 2008, foi contemplada a jovem Rumer Willis – filha mais velha de Bruce Willis e Demi Moore –, de 19 anos, a qual será a responsável pelo palco do Globo de Ouro, entregando os troféus aos vencedores e os encaminhando à sala de imprensa da premiação.

Rumer está começando sua carreira como atriz e, em 2008, poderá ser vista na comédia “I Know What Boys Like”, filme produzido por Adam Sandler, com Anna Faris, Colin Hanks (filho de Tom Hanks) e a ex-American Idol Katharine McPhee no elenco.

O anúncio dos indicados ao Golden Globe Awards 2008 acontecerá no dia 13 de Dezembro de 2007.

Antes Só do que Mal Casado (The Heartbreak Kid, 2007)

De uns tempos para cá, os personagens principais masculinos de filmes de comédia seguem o mesmo estilo. Eles são homens que chegaram a um ponto em que se recusam a assumir responsabilidades maiores – seja do ponto de vista profissional ou pessoal. Eddie Cantrow (Ben Stiller) – o protagonista de “Antes Só do que Mal Casado”, dos diretores Bobby e Peter Farrelly – é um desses caras. Ele mora em San Francisco, tem uma loja de produtos esportivos, mas se recusa a dar um passo maior e se casar com uma boa garota. Eddie já foi noivo por cinco anos e, ao assistir ao casamento de sua ex com um outro rapaz, começa a se sentir mais favorável aos apelos de seu pai (Jerry Stiller) e do amigo Mac (Rob Corddry) para que ele dê “um pulo no escuro” e comece uma vida ao lado de uma mulher interessante.

É aí que entra Lila (Malin Akerman, perfeita em todas as cenas em que aparece), a mulher que, na teoria, é a perfeição em pessoa. Ninguém acredita que ela possa estar interessada em Eddie. E o improvável acontece: os dois se casam e partem com destino à lua-de-mel numa praia paradisíaca localizada no Cabo San Lucas. No entanto, é justamente a partir deste momento em que o pesadelo de Eddie começa: Lila, na realidade, é uma garota completamente inconveniente e cheia de hábitos que se revelam estranhos demais para seu marido. A encruzilhada de Eddie – que não esperava que o casamento fosse ser tão difícil – piora ainda mais quando ele conhece Miranda (Michelle Monaghan) e estabelece uma conexão natural com ela logo de cara.

Ao contrário dos filmes de comédia produzidos por Judd Apatow (“O Virgem de 40 Anos”, “Ligeiramente Grávidos” e “Superbad – É Hoje”), os feitos pelos irmãos Bobby e Peter Farrelly (que co-escreveram o roteiro de “Antes Só do que Mal Casado” com Scott Armstrong, Leslie Dixon e Kevin Barnett) não apelam para um lado mais sensível. Os Farrelly gostam de cenas que são fruto daquilo que os atores chamam de comédia física. Em “Antes Só do que Mal Casado”, vemos vários momentos como esse, com destaque para a cena em que Eddie se queima com uma água-viva e para a outra em que ele tenta entrar nos EUA como um dos muitos mexicanos que querem atravessar a fronteira entre os dois países de forma ilegal.

Mais do que reunir um bom elenco, que tenha perfeito timing cômico, um outro elemento importante num filme de comédia é a empatia que se estabelece de forma instantânea entre público e personagens. Infelizmente, este não é o caso de “Antes Só do que Mal Casado”. Por mais que a gente, no início, espere – e torça – para que o casamento de Eddie e Lila dê certo, nunca que poderemos concordar com o que acontece após o personagem de Ben Stiller conhecer Miranda. Dar em cima de uma outra mulher em plena lua-de-mel, mesmo que a sua esposa seja um horror, é um golpe baixíssimo. Além desse pequeno fator, “Antes Só do que Mal Casado” conta com um outro elemento que age mais contra o filme do que a favor: o roteiro, que é a prova de que os irmãos Farrelly e seus três colegas deveriam prestar mais atenção ao que a turma de Judd Apatow faz. Comédia não é só apelar para situações que causam o riso fácil. É, principalmente, criar uma história com personagens reais, vivenciando situações que colocam um colorido diferente naquilo que vivemos em nosso próprio dia-a-dia.

Cotação: 2,0

Antes Só do que Mal Casado (The Heartbreak Kid, EUA, 2007)
Diretor(es):
Bobby Farrelly, Peter Farrelly
Roteirista(s): Scot Armstrong, Leslie Dixon, Bobby Farrelly, Peter Farrelly, Kevin Barnett
Elenco: Ben Stiller, Michelle Monaghan, Jerry Stiller, Malin Akerman, Carlos Mencia, Rob Corddry, Stephanie Courtney, Ali Hillis, Kathy Lamkin, Nicol Paone, Joel Bryant, E.E. Bell, Lauren Bowles, Natalie Carter, Leslie Easterbrook

Tuesday, November 13, 2007

Leões e Cordeiros (Lions for Lambs, 2007)

Desde a primeira cena de “Leões e Cordeiros”, do diretor Robert Redford, fica bem claro a importância que a imprensa teve para os desdobramentos de tudo o que aconteceu nos últimos seis anos dentro dos Estados Unidos da América. A partir do momento em que começaram a colocar no ar as primeiras imagens dos atentados de 11 de Setembro, a imprensa foi o termômetro oficial da opinião pública norte-americana: após a dor e o luto pelas vítimas, veio o apoio irrestrito à Guerra Contra o Terror (que começou no Afeganistão e, hoje, está no Iraque) e, posteriormente, a contestação a tudo o que consistia a política interna e externa dos Estados Unidos – a ponto de o governo atual ser considerado como tudo aquilo que os norte-americanos devem evitar daqui para a frente.

O roteiro de Matthew Michael Carnahan entra no coração do Partido Republicano, símbolo da moralidade e segurança, para contar uma história em que se olha para trás para consertar os erros do presente. Portanto, o roteirista nos leva de volta ao Afeganistão, país aonde uma tropa comandada pelo Coronel Falco (Peter Berg) vai colocar em prática o plano criado pela estrela republicana – o Senador Jasper Irving (Tom Cruise, numa atuação muito boa) – para recolocar a Guerra Contra o Terror nos eixos, ou seja, para devolver aos norte-americanos um sentimento de vitória que eles tanto precisam.

É a partir desta trama central que vemos uma série de outras histórias se desenrolando. Em Washington, o Senador Irving tenta vender sua nova estratégia de guerra à jornalista Janine Roth (Meryl Streep). Em uma universidade da Califórnia, o professor de Ciências Políticas Stephen Malley (Robert Redford) tenta fazer com seu aluno descrente Todd Hayes (Andrew Garfield) volte a se importar e a acreditar que mudanças podem ser possíveis. Já no Afeganistão, acompanhamos o desenrolar do plano de Irving, especialmente as complicações dele envolvendo a dupla de amigos – e ex-alunos de Malley – Ernest Rodriguez (Michael Peña) e Arian Finch (Derek Luke).

“Leões e Cordeiros” é um filme que sofre bastante com a transição entre certos pontos das histórias, mas, no geral, o resultado obtido por Robert Redford é bom. O ponto alto do filme, além do roteiro de Matthew Michael Carnahan (que toca mesmo na atual grande ferida da sociedade norte-americana), é o elenco. No ano que antecede as eleições para presidente dos Estados Unidos, a mensagem que o roteiro deixa para os norte-americanos é muito importante e ressoa de maneira profunda na última cena do filme, em que a face pensativa do estudante Todd Hayes é o reflexo de tudo aquilo que o diretor Robert Redford quer causar em seu público. Ele quer que os norte-americanos reflitam e, principalmente, decidam qual é papel deles no meio disso tudo.

Cotação: 7,0

Leões e Cordeiros (Lions for Lambs, EUA, 2007)
Diretor(es): Robert Redford
Roteirista(s): Matthew Michael Carnahan
Elenco: Robert Redford, Meryl Streep, Tom Cruise, Michael Peña, Andrew Garfield, Peter Berg, Kevin Dunn, Derek Luke, Larry Bates, Christopher May, David Pease, Heidi Janson, Christopher Carley, George Back, Kristy Wu

Monday, November 12, 2007

Lendo - Canto dos Malditos

“Basta entrarmos numa ala proibida, onde permanecem confinados e escondidos dos olhos dessa sociedade de normais as vítimas do desleixo profissional, para ver que experiências e abusos indiscriminados causam ao ser humano! Crime não é apenas matar o nosso semelhante. É também deixá-lo inútil, matando sua iniciativa e vontade própria, transformando-o numa besta humana” (Austregésilo Carrano Bueno)

Década de 70. Curitiba. Um grupo de jovens estudantes vive alheio ao regime Militar e se reúne em uma loja de revelação de fotografias para viverem noites de sexo, drogas e rock ‘n roll. Um desses jovens é Austregésilo Carrano Bueno, filho de classe média de uma família curitibana, dono de uma cabeleira e de uma beleza que chamavam a atenção. Carrano cresceu em um lar de pais que não dialogavam com ele e é justamente esta falta de diálogo que o levará a passar pela experiência que modificará a sua vida: uma internação em um hospício, após seu pai descobrir o vício do filho em maconha, para que ele pudesse se livrar das drogas.

“Canto dos Malditos”, livro que ele mesmo escreveu, relata as lembranças de Carrano sobre os mais de três anos em que ficou internado em hospitais psiquiátricos do Paraná e do Rio de Janeiro. Através de suas memórias, o autor denuncia a realidade dos manicômios brasileiros, dos psiquiatras nacionais, que, ao invés de tratarem os pacientes, os entopem de remédios, os deixando completamente paralisados e incapazes de fazer atividades essenciais do dia-a-dia, como as necessidades básicas, por exemplo. Além disso, Carrano revela a experiência mais traumática pela qual passou nos anos de internação: 21 aplicações de eletrochoque, cujos efeitos até hoje ele sente em sua saúde.

O livro escrito por Carrano foi adaptado para o cinema, em 2001, num filme chamado “Bicho de Sete Cabeças”, da diretora Laís Bodansky e do roteirista Luiz Bolognesi. Na época, o filme ficou conhecido como o ponto da virada na carreira do ator Rodrigo Santoro, que conquistou vários prêmios pela sua interpretação de Neto e viu a possibilidade de fazer uma carreira como ator de cinema internacional em Hollywood. No entanto, o filme de Bodansky serve mesmo como um complemento à obra de Carrano. Se o livro “Canto dos Malditos” tem um tom de desabafo, de ódio mesmo de uma pessoa que não consegue perdoar aqueles que tanto prejudicaram sua vida, sua juventude e as oportunidades que ele tinha para crescer naquele momento; o filme “Bicho de Sete Cabeças” aborda tudo isso através de um distanciamento necessário do roteirista e diretor em relação ao personagem Neto. É ele que tem a missão mais difícil: a de contar a história de Carrano, a de fazer com que a denúncia dele seja vista e tenha penetração usando essa capacidade que o cinema tem de atingir a muitas pessoas. E a história que é contada tanto por livro, quanto por filme é uma daquelas que tem que ser conhecida para causar as mudanças que são tão necessárias em nosso país.

Canto dos Malditos (2001)
Autor:
Austregésilo Carrano Bueno
Editora: Rocco

Bicho de Sete Cabeças (Bicho de Sete Cabeças, Brasil, 2001)
Diretor(es):
Laís Bodanzky
Roteirista(s): Luiz Bolognesi
Elenco: Rodrigo Santoro, Othon Bastos, Cássia Kiss, Daniela Nefussi, Jairo Mattos, Altair Lima, Lineu Dias, Caco Ciocler, Gero Camilo, Marcos Cesana, Luis Miranda, Valeria Alencar, Gustavo Machado, Cláudio Carneiro