Saturday, August 19, 2006

Protegida por um Anjo (Half Light, 2006)


Houve uma época em que Demi Moore era considerada como uma das estrelas de cinema mais famosas do mundo. Seus filmes, quando eram lançados, causavam curiosidade no público e, algumas vezes, eram sucessos de bilheteria. Depois de fazer algumas más escolhas (como os filmes “Striptease” e “Até o Limite da Honra”), Moore fez o que poucos atores fariam: deixou de lado a carreira, foi viver num rancho no interior dos Estados Unidos e se dedicou por completo ao papel de mãe das três filhas que têm com o ex-marido, o também ator Bruce Willis. Moore só interrompia sua rotina para fazer poucos filmes. Um desses retornos aconteceu no filme “As Panteras – Detonando” e, três anos depois do lançamento desse filme, Moore está de volta à grande tela em “Protegida por um Anjo”, do diretor e roteirista Craig Rosenberg.

Em “Protegida por um Anjo”, Demi Moore interpreta a famosa escritora norte-americana Rachel Carlson, que vive em Londres com o marido, o também escritor Brian (Henry Ian Cusick, que fez uma participação especial na segunda temporada da série “Lost” interpretando Desmond), e o filho Thomas (Beans El-Balawi), que é fruto do primeiro relacionamento da escritora. Quando a platéia vê Rachel pela primeira vez, ela está lidando com a redação de seu próximo livro e com as frustrações de seu marido, que viu um livro seu ser rejeitado novamente por uma editora.

Após uma tragédia familiar (a morte do filho Thomas em decorrência de um afogamento), Rachel viu não só o seu casamento ruir, como também o desaparecimento de qualquer vontade que ela tinha para escrever. Por sugestão de sua amiga jornalista Sharon (a péssima Kate Isitt), Rachel se muda para uma casa isolada numa pequena cidade do interior da Inglaterra, aonde ela espera reencontrar a paz para poder recomeçar a sua vida e voltar a escrever. Os desejos de Rachel ameaçam não se tornar realidade quando ela começa a sentir a presença de Thomas e, em alguns momentos, chega até a receber mensagens do filho morto – é nesse momento em que “Protegida por um Anjo” começa a dialogar com “Ghost – Do Outro Lado da Vida”, o filme que catapultou o nome de Demi Moore para a fama.

A trama criada pelo diretor e roteirista Craig Rosenberg para “Protegida por um Anjo” se desenrola muito bem no primeiro e no segundo ato do filme (que retratam a angústia de Rachel ao sentir o espírito do filho próximo de si e o nascimento de um romance entre a escritora e o faroleiro interpretado por Hans Matheson) – são também nestes dois atos que se destaca a belíssima trilha sonora composta por Brett Rosenberg (e que tem influência da música minimalista, com seus acordes repetitivos e poucas variações). No entanto, quando “Protegida por um Anjo” chega ao seu terceiro – e último – ato (que retrata o desenvolvimento de uma trama criminal), Rosenberg perde o controle sob seu filme.

Faltou sensibilidade a Craig Rosenberg para perceber que o ponto alto da história de “Protegida por um Anjo” era a busca de uma mulher pela paz que ela perdeu. Quando o filme foge desse foco, a platéia se dispersa e perde toda aquela identificação inicial que foi estabelecida com a trama. Incomoda também a facilidade com que Rachel reencontra seu propósito de vida depois de vivenciar uma série de situações ruins. Não estou dizendo que isso é impossível de acontecer, mas, na vida real, a bonança demora muito para acontecer depois que uma tempestade passa na vida de uma pessoa.

Cotação: 3,0

Crédito Foto: Yahoo! Cinema

Tuesday, August 15, 2006

Click (2006)


Hoje em dia, cada vez menos as pessoas têm tempo para se dedicar com afinco às suas atividades pessoais e profissionais. Em conseqüência disso, as pessoas acabam privilegiando – em diferentes momentos de suas vidas – ou o lado profissional ou o lado pessoal. Esse não é o caso do arquiteto Michael Newman (Adam Sandler), que coloca sempre o trabalho (e a possibilidade de se tornar sócio da empresa em que está empregado) em primeiro lugar, em detrimento de sua esposa Donna (Kate Beckinsale, que tem seu talento completamente mal aproveitado neste filme) e dos filhos Ben (Joseph Castanon) e Samantha (Tatum McCann).

Enquanto controla a mão de ferro a sua vida profissional, tomando cuidado com cada passo que dá, Michael experimenta um certo descontrole em sua vida pessoal. Ele não consegue nem dar a atenção certa à esposa e aos filhos, quanto mais descansar em seu próprio lar. Por isso, em um momento de raiva, Michael sai pela noite em busca de uma loja que lhe venda um controle remoto universal – do tipo que controla todos os equipamentos eletrônicos. Ele encontra o tal produto na loja “Bad, Bath & Beyond” com o “vendedor” Morty (Christopher Walken). No entanto, ao invés de facilitar a vida de Michael, o controle remoto universal vai só trazer ainda mais descontrole para a vida do arquiteto, afinal o produto tem a capacidade de controlar todos os acontecimentos de sua vida.

Quem assistiu ao trailer de “Click”, filme do diretor Frank Coraci, e teve a oportunidade de assistir ao filme em si, saberá que o trailer vende um filme completamente diferente daquele que a platéia acaba assistindo. Enquanto a platéia assiste Michael se divertindo feito uma criança ao descobrir os recursos infinitos do seu controle remoto universal, “Click” é um filme bastante engraçado. No entanto, quando o filme entra em um viés mais dramático em que é mostrado o preço que Michael paga ao avançar no tempo para conseguir de maneira mais rápida aquilo que ele mais desejava (a promoção no trabalho), “Click” se perde nas suas próprias armadilhas para querer ser levado mais à sério.

Ao que tudo indica, o ator e produtor Adam Sandler tomou como exemplo profissional o seu amigo (e também) comediante Jim Carrey. Tanto Sandler quanto Carrey tiveram um começo de carreira parecido e participaram de programas de televisão antes de alcançarem a fama e o sucesso fazendo filmes de comédia. Carrey deu um passo à frente de seus companheiros comediantes quando abraçou papéis de cunho mais dramático (como os do filme “O Show de Truman” e “Brilho Eterno de uma Mente Sem Lembranças”) alcançando o reconhecimento que lhe faltava – o da crítica. Já Sandler colheu elogios pela sua performance em “Embriagado de Amor”, filme do diretor Paul Thomas Anderson; e, desde então, só tem feito os filmes que são produzidos pela sua própria produtora (a Happy Madison). “Click” é o seu “Todo Poderoso” (filme em que Carrey interpreta um jornalista que recebe os poderes divinos das mãos do próprio Deus), mas ainda falta a Sandler o carisma que Carrey possui – e isso, infelizmente, Sandler não pode copiar do amigo.

Cotação: 3,0

Crédito Foto: Yahoo! Movies

Wednesday, August 09, 2006

Assombração (Gwai Wik, Re-Cycle, 2006)


Sem dúvida alguma, os filmes de terror mais populares da atualidade são aqueles produzidos nos países do Oriente. Todos esses filmes possuem alguns elementos em comum: um roteiro que fala em uma maldição e em alguém que tem que acabar com ela. “Assombração”, filme dos diretores Oxide Pang Chun e Danny Pang, apresenta uma trama que foge de todos esses clichês.

Ting-Yin (Angelica Lee) é uma escritora que usa o codinome Chu Xun e cujos três primeiros livros se tornaram best-sellers no sudeste asiático – um deles, inclusive, chegou a ser adaptado para o cinema. Quando o agente de Chu Xun, Lawrence (Lawrence Chou), anuncia o próximo livro da escritora – que falará sobre forças sobrenaturais –, ela começa a perceber a existência de uma série de acontecimentos estranhos na sua vida e que acabarão atrapalhando-a no processo de construção de seu livro.

Ao mesmo tempo, logo após receber a visita de alguém de seu passado – e com quem Chu Xun esteve envolvida romanticamente –, a escritora entra em uma espécie de viagem pelo seu inconsciente e passa a entrar em contato com tudo aquilo que ela reprimiu ao longo dos anos. Esse acontecimento marca também o nascimento de um conflito em que a escritora – bem como a platéia de “Assombração” – tem dificuldades de distinguir o que é real do que é imaginário.

A primeira impressão que se tem é a de que realmente “Assombração” se diferencia dos outros filmes de terror produzidos nos países orientais. Ledo engano. No filme, encontramos a presença do medo representada pelos telefonemas estranhos, pelas mechas soltas de cabelo e pela água em excesso (não conheço a cultura do oriente, mas gostaria realmente de saber o por quê desses elementos serem utilizados como representantes fiéis do sentimento do medo). Quando “Assombração” entra na jornada de Chu Xun pelo seu inconsciente, o roteiro (que já era sofrível) se transforma numa reunião de fatos sem nexo algum. Mesmo com todos os problemas, ainda se podem ver algumas qualidades em “Assombração”: a maquiagem dos seres bizarros (e nada assustadores) que Chu Xun encontra no seu inconsciente está perfeita; e os efeitos visuais (especialmente na última seqüência da escritora no seu inconsciente) são muito bem feitos.

Cotação: 1,0

Crédito Foto: Yahoo! Cinema

Sentinela (The Sentinel, 2006)


Quem nunca ouviu falar do Serviço Secreto dos Estados Unidos, com certeza achará os trinta primeiros minutos de “Sentinela”, filme do diretor Clark Johnson (“S.W.A.T. – Comando Especial”), bastante didáticos. Neles, são apresentados a função principal dos agentes do Serviço Secreto norte-americano: cuidar da segurança do presidente do país (David Rasche) e de sua família. Um dos agentes mais experientes e importantes da atual equipe do Serviço Secreto é Pete Garrison (Michael Douglas, que também é o produtor do filme).

Pete Garrison se torna o inimigo número um de seus companheiros de trabalho – especialmente do agente David Breckinridge (Kiefer Sutherland, o Jack Bauer da popular série “24 Horas”) e da novata Jill Marin (Eva Longoria, a Gabrielle Solis do seriado “Desperate Housewives”) – depois que a morte do agente Charlie Merriweather (interpretado pelo próprio diretor do filme Clark Johnson) revela um plano para assassinar o presidente dos Estados Unidos. A partir deste momento, a trama de “Sentinela” se divide no retrato de duas guerras: a maior, que é travada pela equipe do Serviço Secreto para evitar a morte do presidente e conseguir a prisão de Garrison; e uma segunda guerra a ser travada de maneira particular (mas nem por isso menos importante do que a primeira) por Garrison para provar a sua inocência e evitar que o seu romance com a primeira-dama dos Estados Unidos (Kim Basinger) seja descoberto.

Após assistir “Sentinela”, você provavelmente ficará com a sensação de que já viu algum filme parecido com esse antes. Um deles é “Na Linha do Fogo”, do diretor Wolfgang Petersen, que coloca Clint Eastwood como um agente do Serviço Secreto que tem que superar suas próprias limitações físicas (decorrentes de sua idade) e mentais para evitar a morte do presidente dos Estados Unidos em um atentado. O diretor Clark Johnson compensa a mesmice de seu roteiro com uma direção segura e que mantém o clima de tensão desde a primeira cena até à conclusão do maior conflito de “Sentinela”. É bom também prestar atenção aos vários erros presentes em “Sentinela” – podem-se notar equívocos de continuidade (especialmente numa cena em que a personagem de Eva Longoria começa vestindo uma roupa e termina com outra) e, principalmente, de construção do roteiro (os agentes do Serviço Secreto conseguem antever cada passo que o presidente dos Estados Unidos dá, mas não conseguem perceber que a primeira-dama estava tendo um caso extraconjugal?).

Cotação: 4,5

Crédito Foto: Yahoo! Movies

Saturday, August 05, 2006

Zuzu Angel (2006)


Atualmente, a moda brasileira (bem como as nossas modelos) vivem um momento especial, de reconhecimento e interesse internacional. Entretanto, esta não foi a primeira vez que esse fenômeno foi notado. Em 1971, a estilista mineira radicada no Rio de Janeiro Zuzu Angel projetou a moda brasileira pelo mundo afora, quando as suas coleções alcançaram sucesso em cidades como Nova York.

A cinebiografia “Zuzu Angel”, do diretor Sergio Rezende (que também co-escreveu o roteiro do filme ao lado de Marcos Bernstein), não retrata este momento em particular da vida da estilista Zuzu Angel, e sim a luta da mãe Zuzu Angel na busca pelo corpo de seu filho Stuart Edgard Angel Jones (Daniel de Oliveira), um militante político em plena época da ditadura militar no Brasil, e que foi preso, torturado e assassinado pelos agentes do Centro de Informações da Aeronáutica – sendo, posteriormente, declarado como desaparecido político.

A ditadura militar não é um território desconhecido pelo diretor Sergio Rezende – tendo em vista que ela já foi tema de um de seus filmes, “Lamarca”, de 1994 (Paulo Betti, inclusive, que interpretou o guerrilheiro neste filme faz uma pequena participação em “Zuzu Angel”). Por esta razão, Rezende toma a decisão acertada de, em “Zuzu Angel”, enfocar somente a batalha pessoal de Zuzu Angel. Tal batalha moveu autoridades políticas nacionais e internacionais e afetou profundamente a vida pessoal e profissional da estilista. Zuzu sempre foi ciente das atividades políticas de seu filho Stuart, mas, assim como a maioria dos brasileiros no período da ditadura militar, ela preferia se manter à margem de tudo o que estava acontecendo. Se o Brasil vivia um período político obscuro, as roupas criadas por Zuzu Angel retratavam as belezas naturais e a vivacidade do país. É somente após o desaparecimento de Stuart que Zuzu acorda para a situação confusa e caótica vivida no Brasil e passa a se manifestar naquilo que ela sabia fazer de melhor: suas roupas, que passam a estampar figuras inocentes, mas que, ao mesmo tempo, contestavam o momento político do país.

“Zuzu Angel” é um filme que tem um eixo emocional muito bem definido e ele é representado pela figura da atriz Patrícia Pillar, que está presente em quase todas as cenas do filme e, em conseqüência disso, interage com quase todos os (excelentes) atores que participam da trama (como Luana Piovani, Alexandre Borges, Othon Bastos, Leandra Leal, Regiane Alves, Ângela Vieira, Ângela Leal, Flávio Bauraqui, Nélson Dantas, Fernanda de Freitas, Antônio Pitanga, Aramis Trindade, Caio Junqueira, dentre outros). Poder interpretar Zuzu Angel – uma personagem difícil, pois sua trajetória de vida é cheia de facetas e de nuances – é a oportunidade da vida de Pillar, que é acostumada a ser uma coadjuvante de luxo nos seus trabalhos na televisão. E a atuação que ela proporciona é, literalmente, de entrega emocional e, se já não era difícil se identificar com a cruzada pessoal de Zuzu Angel, fica ainda mais complicado não se envolver com tudo aquilo que a estilista passou depois de vê-la pelos olhos de Patrícia Pillar.

O filme “Zuzu Angel” se transforma numa importante peça histórica para nos lembrar de que houve um tempo em que as pessoas eram perseguidas simplesmente por defenderem os ideais nos quais acreditavam. A luta de Zuzu Angel foi igual à de muitas outras mães que também perderam os seus filhos nos porões da ditadura militar brasileira; a diferença é que Zuzu tinha os meios – e os contatos – disponíveis para conseguir ser ouvida. É triste perceber que gente como ela e Stuart tiveram que morrer para que nós tivéssemos o direito de nos expressar livremente e defendermos aquilo que achamos ser o mais correto. Nossas crenças são uma arma poderosa e, em ano de eleições, é bom que nós as sigamos para termos um país justo e, quem sabe, mais digno – fazendo com que a luta de Stuart, Zuzu e tantos outros não tenha sido em vão.

Cotação: 9,6

Crédito Foto: Yahoo! Cinema

Wednesday, August 02, 2006

Bandidas (2006)


Sara Sandoval (Salma Hayek), como toda jovem rica, é uma pessoa pedante e mimada. Filha do dono de um banco, ela está de volta à sua pequena cidade do México depois de dez anos estudando na Europa. Maria Alvarez (Penélope Cruz), ao contrário, é uma jovem pobre e que só entende dos assuntos do campo (ofício que aprendeu ao ajudar seu pai nos cuidados com a fazenda da família). Maria compensa a sua falta de educação com muita malícia e malandragem para lidar com os obstáculos do dia-a-dia.

Estas mulheres tão distintas são as protagonistas do filme “Bandidas”, dos diretores Joachim Roenning e Espen Sandberg, e irão se juntar para derrubar um plano que tem arruinado as vidas dos habitantes da cidade mexicana aonde as duas moram. O Sr. Jackson (Dwight Yoakam, que rouba a cena toda vez em que aparece) é o representante de um banco de Nova York que aparece na cidade de Sara e Maria para tomar as terras dos habitantes que estão devendo dinheiro ao banco local. As terras desapropriadas serão utilizadas para a construção de uma ferrovia. Na sua jornada pessoal, o Sr. Jackson não aceita um não como resposta e quem se coloca no caminho dele (como é o caso dos pais de Sara e Maria) pode acabar seriamente machucado ou até morto.

Por mais que sejam diferentes, Sara e Maria possuem personalidades que se complementam e é justamente a mistura das duas que irá se sobressair quando, juntas, elas decidem assaltar os bancos representados pelo Sr. Jackson; repassando, dessa maneira, o dinheiro para que a população possa saldar as suas dívidas e recuperar as suas terras. Mas se engana quem pensa que “Bandidas” é um filme que exalta o girl power. Pelo contrário, o roteiro do francês Luc Besson (que também produz o filme) e Robert Mark Kamen aproveita a união de Sara e Maria para difundir todos os conceitos que os homens possuem em relação às mulheres. A amizade que nasce entre as duas é cheia de rivalidade, ciúme e inveja (ainda mais quando entra em cena o perito em ciências criminais interpretado por Steve Zahn). “Bandidas” assume de vez o seu lado de “filme para garotos” quando se aproveita dos figurinos apertados para valorizar os atributos físicos de Salma Hayek e Penélope Cruz e quando insere Sara e Maria numa disputa pela atenção de um homem (a qual é marcada por uma desnecessária guerra de beijos).

Em certos momentos, “Bandidas” lembra muito os filmes do diretor Robert Rodriguez (especialmente “El Mariachi”, “A Balada do Pistoleiro” e “Era uma Vez no México”). Estão lá no filme a trilha baseada nas músicas típicas mexicanas, a fotografia que explora as cores fortes, a presença das mulheres sensuais e, principalmente, a sensação de justiça que é trazida pela vingança. No entanto, essa é somente uma grande impressão, pois os diretores Joachim Roenning e Espen Sandberg não têm metade do talento de Rodriguez. No final, “Bandidas” é somente uma cópia mal feita de um produto de melhor qualidade.

Cotação: 3,5

Crédito Foto: Yahoo! Movies

Monday, July 31, 2006

Sorte no Amor (Just My Luck, 2006)


Em “Ponto Final”, o último filme do diretor e roteirista Woody Allen, o personagem Chris Wilton critica a subestimação que a sorte ganha na vida das pessoas. Esse fator, com certeza, não está em segundo plano nas vidas de Ashley Albright (Lindsay Lohan) e Jake Hardin (Chris Pine), os protagonistas de “Sorte no Amor”, do diretor Donald Petrie (“Como Perder um Homem em 10 Dias”). Ela pode ser considerada a garota mais sortuda de Nova York (do tipo que sempre consegue um táxi e os vestidos mais lindos pelos preços mais baratos). Já ele pode ser intitulado como o rapaz mais azarado de Nova York (a ponto de andar equipado com uma mochila para ajudá-lo nas eventuais “emergências” com as quais ele se depara).

Na trama que se desenrola em “Sorte no Amor” fica bem claro que o encontro entre Ashley e Jake estava predestinado a acontecer. Ela trabalha numa firma de Relações Públicas e se prepara para planejar a festa do mais importante cliente de sua empresa (uma gravadora). Jake, que é funcionário de um boliche, se dedica também à função de produtor de uma banda (a McFly) e tenta – sempre sem sucesso – um encontro com Damon Phillips, o dono da gravadora atendida pela empresa em que Ashley trabalha. E é justamente no baile de máscaras organizado por Ashley para a gravadora de Phillips que ela e Jake irão se conhecer e também trocar um beijo – o qual faz com que a sorte de Ashley passe para Jake e, por sua vez, o azar dele passe para ela.

Para a platéia (bem como para o filme em si), acompanhar a queda de Ashley é muito mais engraçado do que assistir à ascensão social de Jake e da banda que ele produz. Ter a oportunidade de vivenciar as reações de Ashley à sua má sorte também é impagável. Depois da surpresa inicial seguida do sentimento de resignação pelo seu destino, assistir Ashley lutar para ter a sua sorte de volta rende bons momentos ao filme. “Sorte no Amor”, no final, pode parecer um filme muito bobo, mas de uma coisa se pode ter certeza: o filme nunca deixa a platéia entediada.

A atriz Lindsay Lohan também teve um pouco de sorte na sua carreira cinematográfica. Depois dos sucessos conquistados com os filmes “Sexta-Feira Muito Louca” e “Meninas Malvadas”, Lohan amargou os seus dois primeiros fracassos de crítica e de público (com “Herbie – Meu Fusca Turbinado” e este “Sorte no Amor”). Curiosamente, “Sorte no Amor” antecede um grande momento de mudança na carreira de Lohan, que deixou de lado os filmes adolescentes para se dedicar à papéis mais desafiadores e à filmes de diretores consagrados (como “A Prairie Home Companion”, de Robert Altman, e “Bobby”, de Emilio Estevez). Nem a reputação de party girl parece estar afetando a sua carreira – que continua em fase de ascensão. Se Ashley Albright (a personagem que ela interpretou em “Sorte no Amor”) desiste de ter a sorte ao seu lado, Lindsay Lohan sabe que é importante tê-la perto de si se ela quiser realmente se tornar a atriz respeitada que ela pretende ser.

Cotação: 3,5

Crédito Foto: Yahoo! Movies

Wednesday, July 26, 2006

Piratas do Caribe 2 - O Baú da Morte (Pirates of the Caribbean - Dead Man's Chest, 2006)



Quando “Piratas do Caribe – A Maldição do Pérola Negra” estreou em 2003, ninguém acreditava que o filme pudesse ser um sucesso. Em primeiro lugar, pois o filme é baseado numa das atrações mais chatas dos parques da Disney. Em segundo lugar, porque o produtor Jerry Bruckheimer entregou o comando do filme para o diretor Gore Verbinski, que possui uma filmografia irregular. No entanto, “Piratas do Caribe – A Maldição do Pérola Negra” contrariou todas as expectativas e se tornou um grande sucesso – muito em parte por causa de Johnny Depp. A performance um tanto afetada do ator como o Capitão Jack Sparrow conquistou o carinho do público e da crítica, rendeu ao ator a sua tão merecida primeira indicação ao Oscar; como também fez com que Depp, um ator conhecido pela sua liberdade de escolha artística, embarcasse na sua primeira franquia cinematográfica multimilionária.

Voltam para “Piratas do Caribe 2 – O Baú da Morte” praticamente toda a equipe que esteve presente no primeiro filme e eles, acertadamente, dão o enfoque principal do filme à persona carismática do Capitão Jack Sparrow. A narrativa de “Piratas do Caribe 2 – O Baú da Morte” se divide em várias linhas. Will Turner (Orlando Bloom) e Elizabeth Swann (Keira Knightley) são presos no dia de seu casamento por terem ajudado na fuga de Sparrow (um prisioneiro da Coroa). Os dois têm a possibilidade de receber o perdão, mas só se recuperarem a bússola de Sparrow para um lorde inglês.

Já o Capitão Jack Sparrow, após retomar o comando do navio Pérola Negra, continua vagando pelos mares em busca de uma nova aventura. Sparrow agora possui uma dívida de sangue com Davy Jones (Bill Nighy), um temido pirata das profundezas do oceano e capitão do Holandês Voador, um navio fantasma. Se Sparrow não conseguir uma solução para o seu problema, se tornará mais um dos tripulantes eternos e amaldiçoados de Jones. As duas narrativas irão se convergir quando Will se torna um prisioneiro de Davy Jones e Elizabeth se une à jornada de Jack com o objetivo de conseguir libertar o homem que ela ama.

Para fazer “Piratas do Caribe 2 – O Baú da Morte”, os produtores e o diretor Gore Verbisnki tiveram mais recursos financeiros, por isso se pode notar uma boa qualidade nos efeitos visuais e sonoros da película (excetuando-se um efeito mal executado na última cena do Capitão Jack Sparrow no filme). Entretanto, os produtores e Verbisnki se esqueceram de trabalhar mais no roteiro de “Piratas do Caribe 2 – O Baú da Morte”. Algumas sub-tramas do filme (como grande parte da história de Jack e Will na tribo que é liderada pelo Capitão) deixam o filme bastante enfadonho – não por coincidência todas elas contam com a presença do apático Orlando Bloom em cena. A impressão de enfado continua no final de “Piratas do Caribe 2 – O Baú da Morte”, que parece se estender demais. Porém, a última cena do filme é bombástica e é uma ótima maneira de manter o público interessado na terceira parte da série (que se chamará “Pirates of the Caribbean – At World’s End”) – que, ao que tudo indica, será centrada no casal Will Turner e Elizabeth Swann.

Cotação: 6,5

Crédito Foto: Yahoo! Movies

Tuesday, July 18, 2006

Superman - O Retorno (Superman Returns, 2006)


Já se passaram dezenove anos desde que o Superman deu o ar de sua graça pela última vez na grande tela num filme que não ficou guardado na memória e no coração dos fãs (“Superman 4 – Em Busca da Paz”, do diretor Sidney J. Furie). Desde então, o filão de filmes baseados em super-heróis entrou numa fase obscura até que, em 2000, o diretor Bryan Singer (um apaixonado por histórias em quadrinhos, que respeita toda a tradição dos personagens e, por isso, tem o respeito dos fanáticos fãs dos heróis) mostrou uma nova forma de abordar esse tema com o seu “X-Men”, filme baseado nos famosos personagens da Marvel. E foi justamente com a bagagem de dois filmes dos mutantes no currículo, que Singer abraçou o maior desafio de sua carreira: resgatar o mito do Superman, o personagem mais famoso da DC Comics (rivais da Marvel no mercado das histórias de quadrinhos).

Em “Superman – O Retorno”, Bryan Singer e seus roteiristas Michael Dougherty e Dan Harris (que trabalharam com o diretor no roteiro de “X-Men 2”) retomam uma trama que guarda semelhança com a história principal do filme “Superman II – A Aventura Continua”, de Richard Lester. No filme de Singer, o Homem de Aço (que é interpretado pelo estreante Brandon Routh) volta para a Terra depois de cinco anos ausente – e nos quais ele esteve explorando Krypton, o seu planeta natal. Apesar de Superman continuar sendo o mesmo, o herói encontra um mundo diferente e em estado de caos. Nenhuma das mudanças irá afetar tanto o Homem de Aço quanto ver que sua amada Lois Lane (Kate Bosworth) se tornou não só uma jornalista respeitada (e vencedora do Prêmio Pulitzer por um artigo intitulado “Por quê o mundo não precisa do Superman”), como também mãe do garotinho Jason (Tristan Lake Leabu) e noiva de Richard White (James Marsden), sobrinho do editor chefe do Planeta Diário Perry White (Frank Langella) e também jornalista e piloto de aviões nas horas de lazer.

A ausência do Superman foi ainda menos sentida pelo seu mais difícil arqui-rival Lex Luthor (Kevin Spacey, que adiciona mais um vilão à sua já célebre galeria de personagens maldosos). Depois de passar cinco anos preso e de estar de volta à vida em sociedade, Luthor finalmente consegue colocar o seu plano diabólico em prática: usar os cristais da Fortaleza da Solidão para criar um novo continente que irá apagar os Estados Unidos do mapa. O plano de Luthor ainda consiste em cobrar caro por cada pedaço de terra de seu tão sonhado território.

Superman talvez é o herói mais popular de todos os tempos. Símbolo dos ideais de liberdade e justiça apregoados pelo povo norte-americano, vê-lo novamente em cena traz para a platéia (pelo menos durante os 154 minutos de projeção) uma sensação de proteção e segurança. Bryan Singer, com seu filme, não só faz uma reverência ao mito no qual se transformou o Homem de Aço (e, especialmente, ao primeiro filme da série dirigido por Richard Donner), como também aprofunda ainda mais o maior conflito do Superman (ser o herói de todo um povo ou ser um humano que, nas horas vagas, salva as pessoas). Numa história paralela (e que não merece ser entregue para não ter seu prazer estragado para aqueles que ainda não assistiram à “Superman – O Retorno”), fica-se sabendo que realmente o Superman não tem uma outra opção e a sua vocação realmente é servir aos humanos.

“Superman – O Retorno” é um filme respeitoso com o mito, mas que abre novas possibilidades para essa grande lenda. Que venha mais do legado do Homem de Aço.

Cotação: 9,5

Crédito Foto: Yahoo! Movies

Monday, July 17, 2006

Os Sem-Floresta (Over the Hedge, 2006)


Se há um ou dois anos atrás, os filmes de animação preferiam abordar temas mais leves para agradar à criançada, o mesmo não pode ser dito dos filmes de animação produzidos no ano de 2006, que parecem querer conscientizar os pimpolhos. “A Era do Gelo 2”, do diretor brasileiro Carlos Saldanha, fala dos efeitos do aquecimento global na vida humana. “Carros”, dos diretores John Lasseter e Joe Ranft, mostra as conseqüências para as cidades pequenas das construções das freeways nos Estados Unidos. Já “Os Sem-Floresta”, dos diretores Tim Johnson e Karey Kirkpatrick (que também co-escreveu o roteiro do filme com outros três roteiristas), tenta mostrar ao público uma visão diferente sobre a cultura do fast food (um assunto que já foi abordado no documentário “Super Size Me – A Dieta do Palhaço”, de Morgan Spurlock).

No filme, RJ (dublado por Bruce Willis na versão original) é um animal completamente apaixonado por junkie food. Ele vê todo um estoque de comida que está sendo armazenado por um urso que ainda está em hibernação e tenta roubar tudo para si. Quando o urso acorda, RJ se assusta e acaba perdendo todo o estoque. O urso, então, o ameaça: se RJ não trouxer de volta para ele tudo que ele possuía, quem será o prato principal da primeira refeição do urso pós-hibernação será o próprio RJ.

No entanto, a ação propriamente dita de “Os Sem-Floresta” só começa quando RJ avista uma turma de animais que é liderado pela tartaruga Verne (dublado por Garry Shandling na versão original) e que ainda está meio perdida depois de acordarem do período de hibernação. Eles tentam se organizar para partirem em busca dos alimentos para a próxima temporada de sono. Entretanto, o que essa turma de animais não sabe é que a floresta deles se transformou em um condomínio fechado e, em conseqüência disso, eles não terão aonde buscar seu alimento.

Astuto como só ele é, RJ vê a oportunidade perfeita para conseguir em tempo recorde toda a comida que ele roubou do urso (e que está presente em abundância em cada uma das casas do condomínio). Mas, para conseguir isso, RJ tem antes que convencer a turma de Verne (que ainda possui hábitos alimentares saudáveis) sobre as maravilhas advindas de uma boa dose de junkie food. Essa situação irá render cenas memoráveis à “Os Sem-Floresta” – como aquela que mostra os efeitos hipnóticos que a abertura de um simples saco de salgadinhos causa nos olhos inocentes da turma de Verne. Mas nem só de críticas vive “Os Sem-Floresta”. A película segue a boa tradição da escola dos filmes de animação e deixa a seguinte lição para a criançada: manipular as pessoas para conseguir algo para o seu próprio bem é muito ruim.

“Os Sem-Floresta” é – até agora – o melhor filme de animação lançado em 2006. A trama da película não é complicada e os personagens (que são dublados na versão original por uma excelente turma de atores como William Shatner, Wanda Sykes, Nick Nolte, Allison Janney, Thomas Haden Church, Eugene Levy, Catherine O’Hara e até mesmo a cantora Avril Lavigne) são extremamente carismáticos. Assistir à “Os Sem-Floresta” no cinema traz para esse filme um significado até mesmo muito irônico, afinal as salas de cinema são um prazer que praticamente exigem a companhia do bom e velho saco de pipocas ou de um saco de salgadinhos, de um copo de refrigerante e de uma pequena barra de chocolate.

Cotação: 8,5

Crédito Foto: Yahoo! Movies

Tuesday, July 11, 2006

Premonição 3 (Final Destination 3, 2006)


Em “Premonição”, foi um grupo de estudantes que iria viajar para Paris para terem uma aula de francês. Em “Premonição 2”, foi uma garota que estava viajando em uma rodovia. Agora, em “Premonição 3”, um grupo de estudantes concluintes do segundo grau, que comemoravam a formatura em um parque de diversões. Em todas essas situações, alguém tem uma premonição de que algo muito ruim vai acontecer. Depois de fazer um pequeno escândalo e chamar a atenção das outras pessoas para o que está prestes a ocorrer, os (poucos) que acreditam na premonição se salvam e assistem incrédulos à morte dos amigos que ficaram.

A reação depois de passar por uma experiência de quase-morte varia de pessoa para pessoa. Existem aqueles que se acham imbatíveis depois de sobreviver, outros irão continuar com as suas medíocres vidas, um grupo diferente toma a sobrevivência como uma nova chance para acertar e fazer algo de bom e, enfim, existem pessoas que tentam arrumar explicações para o que houve e só irão continuar a vida depois de sua tese ser comprovada.

Existem manifestações de cada uma dessas reações nos personagens de “Premonição 3”. Mas a maioria delas será irrelevante para o público. O que importa é saber que a última reação (e a mais importante para a trama do filme) será manifestada por Wendy (Mary Elizabeth Winstead) e Kevin (Ryan Merriman, que fez o filho desaparecido de Michelle Pfeiffer e Treat Williams no filme “Nas Profundezas do Mar Sem Fim”), que sobreviveram ao acidente no parque de diversões – e, em contrapartida, assistiram às mortes das suas respectivas paixões do colegial. Eles acreditam que a morte ainda vai cumprir o seu papel e levar o resto dos sobreviventes. O problema é convencer aqueles que saíram do parque de diversões com vida de que o perigo está prestes a bater na porta novamente.

Se um filme vira uma franquia bem-sucedida em Hollywood, a coisa mais normal do mundo é ver as seqüências serem assumidas por diretores diferentes daqueles que ajudaram a criar as obras. Isso aconteceu com “Premonição” (a segunda parte do filme foi dirigida por David R. Ellis, que também fez “Celular – Um Grito de Socorro”). O mais anormal é ver o diretor que criou a série retornar para a mesma. “Premonição 3” não só tem de volta a presença do diretor e roteirista James Wong, como também a do roteirista e produtor Glen Morgan. A volta dos dois fez muito bem à franquia. Talvez a motivação maior deles, ao retornarem para a trama de “Premonição”, foi ver se eles conseguiam fazer com que cada personagem tivesse uma morte mais bizarra que a outra. Nesse sentido, eles foram extremamente bem-sucedidos. Resta saber se, na inevitável quarta parte de “Premonição”, Wong e Morgan irão manter o “nível” da empreitada.

Cotação: 4,0

Crédito Foto: Yahoo! Movies

Tuesday, July 04, 2006

Separados Pelo Casamento (The Break-Up, 2006)


A maioria das comédias românticas mostra quatro etapas de um relacionamento amoroso: o momento em que os pombinhos se conhecem, o namoro em si, o rompimento e, finalmente, a reconciliação. O filme “Separados Pelo Casamento”, do diretor Peyton Reed, dá ênfase somente a uma destas etapas – o rompimento – e quais as conseqüências dele na vida de um casal.

O casal em questão é formado por Brooke (Jennifer Aniston), que trabalha em uma galeria de arte, e Gary (Vince Vaughn), que trabalha como guia turístico na empresa que possui com os dois irmãos. Brooke e Gary encaram o relacionamento que possuem de maneiras diferentes. Brooke se esforça bastante para que o relacionamento com Gary dê certo – e se ressente pelo fato de que ele não reconhece seus esforços. Já Gary está claramente acomodado com o atual estágio do seu relacionamento com Brooke – por isso, assim que chega em casa, vai direto para o videogame, é desorganizado e não consegue prestar atenção às necessidades da namorada.

Brooke se cansa desta situação e rompe o relacionamento. E é a partir deste momento em que começa para valer a trama de “Separados Pelo Casamento”, pois é dada a largada para uma guerra particular entre o casal. Brooke e Gary dividiam um apartamento, mas se recusam a deixar o imóvel (ela, pois acabou o relacionamento com a esperança de que Gary mudasse; e ele, que não acredita na possibilidade de reconciliação, prefere que a ex-namorada deixe o apartamento todo para ele). Por esta razão, os dois começam a escutar familiares e amigos e transformam a vida um do outro num inferno – o qual só irá afastar de vez o casal.

A atriz Jennifer Aniston filmou “Separados Pelo Casamento” no momento em que se recuperava da sua separação do astro Brad Pitt. Para quem não está inteirado da situação, Brad se separou de Jennifer e, logo após, engatou um romance com Angelina Jolie (atriz com a qual ele contracenou em “Sr. e Sra. Smith", um dos bons sucessos do Verão norte-americano de 2005). Eis que, um ano depois, Jennifer se vê na mesma situação em que o ex-marido e lança um filme na temporada do Verão norte-americano, mas vê o seu nome envolvido nas notícias que estão mais interessadas no seu romance com o companheiro de cena Vince Vaughn, ao invés de retratarem o filme em si.

“Separados Pelo Casamento” acerta ao privilegiar o talento de comediante de Vince Vaughn e a expertise de Jennifer Aniston em interpretar personagens que estão com suas vidas amorosas completamente confusas. O filme ainda se aproveita da experiência do diretor Peyton Reed em filmes que retratam homens e mulheres tentando encontrar – e se relacionar – com o amor (era esse também o tema de seu filme anterior “Abaixo o Amor”). No entanto, “Separados Pelo Casamento” sofre com alguns problemas. O maior deles é o péssimo aproveitamento de atores do calibre de Judy Davis e de Vincent D’Onofrio. E o segundo é a possibilidade de que o desfecho de sua trama (justamente por fugir do modelo das comédias românticas) possa decepcionar a platéia. Para isso não acontecer, basta que você tenha em mente que tanto Gary quanto Brooke, dois moradores da cidade de Chicago, são como essa cidade e tiveram que passar por um grande sofrimento para ressurgirem mais fortes do que nunca – não importando se eles estejam juntos ou separados.

Cotação: 6,5

Crédito Foto: Yahoo! Movies

Monday, July 03, 2006

Carros (Cars, 2006)


O diretor John Lasseter foi um dos grandes responsáveis pela ascensão dos estúdios Pixar na área de animação. Afinal de contas, foi criação dele o primeiro longa-metragem de animação bem-sucedido do estúdio: “Toy Story”, que foi lançado em 1995 e cuja continuação “Toy Story 2” foi lançada em 1999. Depois de passar um tempo gerenciando a Pixar e cuidando do complicado contrato da companhia com os estúdios Disney, Lasseter volta à direção de um longa de animação com “Carros” (trabalho este que ele divide com o co-diretor Joe Ranft), filme que trata de assuntos próximos ao coração dele como o amor pelos carros e pela Rota 66 (clássica freeway dos Estados Unidos que foi eternizada no livro “On the Road”, de Jack Kerouac).

Relâmpago McQueen (dublado na versão original por Owen Wilson) é um carro de corridas da Piston Cup (uma espécie de Nascar Cup). Estreante na competição, Relâmpago ameaça o legado de The King (dublado por Richard Petty na versão original), que faz a sua última participação na Piston Cup; e as ambições de Chick Hicks (dublado por Michael Keaton na versão original), o eterno vice-campeão da Piston Cup. Como todo piloto novato, Relâmpago ainda não aprendeu a trabalhar em equipe e acredita que seu sucesso só acontece porque ele é um piloto muito competente.

No caminho para a corrida que irá decidir o futuro campeão da Piston Cup, Relâmpago McQueen acaba se perdendo no meio da Rota 66 e vai parar em Radiator Springs, uma cidade em decadência desde que uma nova freeway foi aberta desviando, assim, o caminho dos passantes que sustentavam o comércio local (um posto de gasolina, uma borracharia, um hotel, uma lanchonete, uma loja de bugigangas, uma oficina mecânica, entre outros estabelecimentos). Com a tarefa de reasfaltar a estrada principal de Radiator Springs, Relâmpago acaba entrando em contato com o dia-a-dia dos moradores da cidade e passa a fazer de tudo para trazer a vida de volta à localidade.

Como em todos os outros filmes de animação, “Carros” oferece uma mensagem aos pequenos – sem esquecer de fazer referências que agradem aos papais (como o amor de um dos moradores de Radiator Springs pelos carros da Ferrari). Usando o ambiente competitivo das corridas de automóveis, John Lasseter e os muitos roteiristas de “Carros” mostram que nem sempre vale a pena fazer de tudo para vencer. O importante é manter sempre por perto os amigos e os bons valores. Na empreitada atual dos estúdios Pixar (que passaram a controlar todo o setor de animação dos estúdios Disney, o qual um dia já deu as cartas no setor), essa é uma mensagem que eles deveriam levar ao pé da letra.

Cotação: 6,5

Crédito Foto: Yahoo! Movies

Monday, June 26, 2006

Tristão e Isolda (Tristan + Isolde, 2006)


O cinema e a literatura são formas de arte que nos mostraram que toda grande história de amor é construída através de uma série de provações. Mesmo assim, a garantia do final feliz nunca existe com certeza – vide os casos de “Romeu e Julieta”, a obra máxima do escritor inglês William Shakespeare, e o filme “Moulin Rouge – Amor em Vermelho”, musical boêmio do diretor australiano Baz Luhrmann. É inegável o apelo que estas histórias exercem sobre o público e o diretor Kevin Reynolds e o roteirista Dean Georgaris oferecem a sua contribuição com o filme “Tristão e Isolda”, que retrata a clássica lenda de amor e tragédia do casal.

“Tristão e Isolda” se passa na Era das Trevas, pouco tempo após o declínio do Império Romano; quando a Bretanha estava dividida em tribos e a Irlanda era um reino poderoso que sonhava em se aproveitar da fragilidade bretã para colocar o país sob seu domínio. Os próprios Tristão (o excelente James Franco) e Isolda (Sophia Myles) estão inseridos bem no meio desse conflito. Ele é o filho de Aragon (Richard Dillane), um grande cavaleiro bretão. Ela é a herdeira do trono da Irlanda.

Tristão aprendeu de maneira bruta a rivalidade existente entre a Bretanha e a Irlanda quando ele testemunhou o ataque irlandês que acabou vitimando os seus pais. Depois da tragédia, ele vai para a Cornualha, aonde ajuda a erguer um mini-reino e, futuramente, se torna um grande guerreiro. Numa das batalhas contra os soldados irlandeses, Tristão é dado como morto e colocado em um barco (essa era a maneira como os bretões enterravam seus homens honrados). Tristão acaba “desembarcando” na costa da Irlanda e é resgatado por Isolda. Ao ver que Tristão estava vivo, Isolda começa a cuidar dele. Os dois, é claro, irão se apaixonar - mas, Tristão nunca saberá nada sobre a condição de futura rainha de Isolda.

É ao conhecer o amor que Isolda descobrirá a dureza da guerra que se instalou entre os bretões e os irlandeses. E, como tudo que acontece no conflito se relaciona à luta pelo poder político, o pai de Isolda cria um torneio para oferecer a mão de sua filha em casamento ao inglês que ganhar o mesmo (essa é uma maneira para dispersar as atenções dos bretões e fazê-los se esquecerem da guerra por um momento). Tristão é um dos concorrentes e ganha Isolda para Marke (Rufus Sewell) – o homem que salvou a sua vida e se tornou a sua figura paterna – de forma que ele possa desposá-la e instalar um único reino inglês. O casamento de Isolda e Marke marca o início de um outro conflito: uma luta interna em que Tristão e Isolda têm que esconder seu amor, pois vivê-lo abertamente significa a queda definitiva do reino inglês.

Em “Tristão e Isolda”, o diretor Kevin Reynolds repete toda a competência técnica que ele mostrou em “O Conde de Monte Cristo” e, novamente, reúne em torno de si uma excelente equipe de apoio – a direção de arte, os figurinos, a fotografia e a trilha sonora são ótimas. O elenco (com um destaque para Sophia Myles e Rufus Sewell) também soube passar com segurança todas as nuances da história criada por Dean Georgaris. Fatos estes que credenciam “Tristão e Isolda” para obter um lugar de destaque entre as grandes histórias de amor que conhecemos.

Cotação: 8,0

Crédito Foto: Yahoo! Movies

Saturday, June 24, 2006

Poseidon (2006)


O diretor alemão Wolfgang Petersen deve ter sofrido um grande trauma no mar. Só assim para explicar o fascínio do diretor sobre o tema – que ele visitou pela primeira vez em 1981, com o lançamento de “O Barco – Inferno no Mar” (drama claustrofóbico sobre um grupo de soldados alemães que serviam num submarino e tentavam manter seu profissionalismo ao mesmo tempo em que tentavam entender e obedecer à ideologia dos governantes aos quais serviam); e que ele visitou pela segunda vez em 2000, com o lançamento de “Mar em Fúria” (filme baseado na história real de um grupo de pescadores que enfrentaram uma mortal tempestade no mar). Pelo visto, Petersen ainda não esgotou as possibilidades de abordagem deste tema, tendo em vista que ele encabeça a refilmagem do clássico dos filmes-catástrofe “O Destino do Poseidon” (1972), do diretor Ronald Neame.

Mais do que falar sobre as conseqüências da onda gigante que atinge o luxuoso navio Poseidon na noite de ano-novo, o filme “Poseidon” aborda a luta de um grupo de passageiros – que se conheceram no navio – para sobreviver à catástrofe. São eles: o herói Dylan Johns (Josh Lucas); o ex-prefeito de Nova York Robert Ramsey (Kurt Russell), sua filha Jennifer (Emmy Rossum) e Christian (Mike Vogel), o namorado desta; Maggie James (Jacinda Barrett) e seu filho Conor (Jimmy Bennett); Richard Nelson (Richard Dreyfuss); Elena (Mia Maestro) e Larry Sortudo (Kevin Dillon). Nem todos os personagens irão sobreviver até o final de “Poseidon”; mas, no decorrer do filme, todos eles tentarão resolver problemas do passado e do presente, de forma a abraçar o futuro que todos esperam ter.

Até mesmo pela semelhança das duas tramas (que abordam tragédias que aconteceram a bordo de navios luxuosos), é impossível não comparar “Poseidon” com o mega-sucesso “Titanic”, do diretor James Cameron. O diretor Wolfgang Petersen segue o esmero técnico de Cameron, mas erra ao privilegiar a ação em detrimento de seus personagens. Os quinze minutos que o diretor dedica à apresentação de seus personagens são poucos para estabelecer uma conexão mais profunda deles com a platéia – que, apesar dos esforços do ótimo elenco, não irá torcer com afinco para que os personagens saiam vivos da tragédia. Até mesmo o triunfo daqueles que irão sobreviver não chega a ser tão climático como os dos personagens de “Titanic”. Fatos estes que deixam uma constatação no ar: a evolução da tecnologia cinematográfica nem sempre justifica a refilmagem de certos filmes que já funcionavam.

Cotação: 8,0

Crédito Foto: Yahoo! Movies

Wednesday, June 21, 2006

Tudo por Dinheiro (Two for the Money, 2005)


No decorrer do filme “Tudo Por Dinheiro”, do diretor DJ Caruso, o personagem Brandon Lang (Matthew McConaughey) passa por diversas transformações. Quando Brandon ainda é uma criança, ele lida com motivações. Por essa razão, se aproxima dos esportes, só para ter seu pai (um apaixonado pelo tema) por perto. Entretanto, depois que o seu pai abandona a família, Brandon deixa de lado a pureza do jogo e transforma o esporte na sua maior razão para viver. Brandon trabalha duro e se torna o astro do futebol universitário norte-americano, mas, no dia da grande final – e depois de fazer o touchdown que daria o título à sua universidade –, Brandon sofre uma lesão que acaba com a sua carreira.

Certo de que um dia ainda poderá voltar a ser um astro do esporte, Brandon se muda com a família para Las Vegas e se torna um operador de telemarketing. Depois de passar um tempo vendendo shows de artistas como Jessica Simpson, ele cai de pára-quedas na sessão de apostas da empresa. É dessa maneira – ao oferecer dicas para apostadores –, que Brandon se vê novamente cara a cara com os esportes; e, para fazer jus à sua personalidade vitoriosa, ele obtém o sucesso novamente.

Com uma alta taxa de acertos nas suas previsões, Brandon chama a atenção de Walter Abrams (Al Pacino), que mantém uma grande empresa na área de previsão de apostas esportivas. Walter oferece para Brandon tudo aquilo que ele – com certeza – teria se tivesse se tornado o astro de futebol americano que sonhava ser: dinheiro e luxo. A partir do momento em que se transforma no novo pupilo de Walter, Brandon modifica seu jeito de ser e ganha o novo nome de John Anthony e a alcunha de “O Homem de Um Milhão de Dólares”. Brandon vive bem o seu sonho de poder – afinal, ele tem o destino das pessoas que apostam milhões com ele nas suas mãos. No entanto, o sonho se transforma num pesadelo quando Brandon começa a errar as suas previsões – fato que o obriga a repensar sobre quais são as suas maiores prioridades.

É impossível assistir ao filme “Tudo Por Dinheiro” e não se lembrar de “O Advogado do Diabo”, do diretor Taylor Hackford. Nos dois filmes, Al Pacino interpreta de maneira excelente um homem que toma outro para sua proteção e inicia com o seu pupilo uma espécie de jogo que demonstra até que ponto as pessoas estão dispostas a ir para conseguirem aquilo que desejam. É aquela velha história de que “o céu é o limite”. No entanto, o que esses filmes fazem questão de enfatizar é que, quanto maior o sonho, maior será a queda – porém, ao contrário do personagem interpretado por Keanu Reeves em “O Advogado do Diabo”, Brandon Lang não tem nada a perder e, por isso, fica claro que a decepção com a sua nova carreira não será o golpe que o derrubará definitivamente.

Cotação: 7,5

Crédito Foto: Yahoo! Movies

Wednesday, June 14, 2006

Achados e Perdidos (2006)


A televisão fez de Antonio Fagundes um dos maiores galãs do Brasil. Assim como acontece com muitos outros atores televisivos (que são colocados para interpretar sempre um determinado tipo de papel), Fagundes utiliza o meio teatral para fazer as suas experimentações e explorar novos tipos de personagens. E, a julgar pelas suas escolhas profissionais no meio cinematográfico, se chega à conclusão de que o caráter de experimentação continua ali presente. Em “Achados e Perdidos”, filme do diretor José Joffily, Fagundes interpreta o ex-delegado Vieira, que passa o dia bebendo e dormindo. A vida de Vieira só tem graça quando ele está ao lado de Magali (Zezé Polessa), uma prostituta por quem ele é apaixonado e com quem pretende se casar.

Depois de uma noite de bebedeira e de brigas com Magali, a prostituta é assassinada. Vieira se torna o principal suspeito do crime, mas, como não se lembra de nada do que aconteceu na fatídica noite, Vieira entra num processo em que ele começa a se lembrar (de maneira desordenada) de seu passado – das coisas boas e ruins que lhe aconteceram, das pessoas que ele conheceu e, principalmente, da natureza de seu relacionamento com Magali. Na medida em que as peças vão se encaixando, Vieira ainda tem que se deparar com um fantasma de seu passado (um deputado e ex-delegado que está sofrendo investigações de um procurador) e com as tentações carnais que Flor (Juliana Knust), uma amiga e espécie de pupila de Magali, desperta nele.

A mesma linha narrativa adotada por Joffily para relatar a maneira com que Vieira relembra de seu passado é igual a que ele utiliza para mostrar à platéia como Flor conheceu Magali e qual foi a influência que a prostituta exerceu em sua vida. A importância de Flor para a história de “Achados e Perdidos” aumenta na mesma proporção em que ela vai assumindo o papel que era de Magali na vida de Vieira – ou seja, ela se torna a nova razão de viver do ex-delegado.

Baseado no livro homônimo de Luiz Alfredo Garcia-Roza, “Achados e Perdidos” é um filme que, num primeiro momento, causa uma impressão positiva na platéia em decorrência das excelentes performances de seu elenco (excetuando a inexpressiva Juliana Knust), da boa direção de José Joffily e do visual interessante que é proporcionado pela fotografia de Nonato Estrela. No entanto, as boas impressões não se solidificam, pois a grande reviravolta do filme não pega a platéia desprevenida e o segredo maior do crime se fundamenta num furo enorme de construção do roteiro.

Cotação: 4,0

Crédito Foto: Yahoo! Cinema

Saturday, June 10, 2006

A Profecia (The Omen, 2006)


Ao longo dos anos, a humanidade foi confrontada com eventos (guerras, genocídios, desastres naturais, atentados terroristas, dentre outros) que terminavam por colocar em xeque a crença das pessoas numa entidade maior. “A Profecia”, do diretor John Moore, retrata justamente uma provação de fé pela qual uma família passará. E esta provação também poderá resultar em efeitos desastrosos para as vidas de todos.

Robert Thorn (o excelente Liev Schreiber) é sobrinho do presidente dos Estados Unidos e trabalha na Embaixada do país na Itália. A vida pessoal de Robert também está seguindo uma curva ascendente, tendo em vista que sua esposa Katherine (Julia Stiles, que faz tempo não aparecia nas salas de cinema de todo o mundo) está grávida do primeiro filho do casal. No entanto, a alegria de Robert dura pouco e Katherine sofre um parto complicado, que resulta na morte do filho dos dois. Seguindo o conselho de um padre, Robert decide adotar uma criança que nasceu no mesmo dia e no mesmo hospital que seu filho e cuja mãe morreu no parto e o apresenta a Katherine como sendo o fruto dos dois.

A adoção do menino Damien (que é interpretado pelo estreante Seamus Davey-Fitzpatrick na maior – e mais importante – parte de “A Profecia”) marca o início de uma série de acontecimentos que levarão Robert a ser declarado embaixador dos Estados Unidos em Londres. Na capital da Inglaterra a família continuará a ser atormentada por uma série de estranhos infortúnios – que farão com que Katherine duvide de sua própria sanidade e revelarão o grande propósito da existência de Damien: ele é o anticristo, o filho do Demônio e está na terra para trazer o mal para a humanidade.

Refilmagem do filme homônimo dirigido por Richard Donner em 1976, “A Profecia” aperfeiçoa o filme original. O elenco (que conta com nomes como o de Mia Farrow – que interpreta a babá de Damien –, David Thewlis, Pete Postlethwaite e Michael Gambon) está excelente. A fotografia soturna passa muito bem o clima do filme à platéia e a direção de John Moore é bastante segura. Além disso, “A Profecia” toma a política para ilustrar muito bem a mensagem de lutas entre o bem e o mal. Para David Seltzer (que escreveu a refilmagem de “A Profecia”), Robert Thorn era a pessoa perfeita para aceitar adotar o menino Damien, pois, além de não acreditar em Deus, ele vivia no ambiente político (que é marcado pela ambição e pela luta de poderes em que o bem o mal convivem quase que simultaneamente) – por essa razão, o final do filme pode deixar muita gente arrepiada, afinal, seriam os políticos os anticristos de nosso tempo?

Cotação: 3,0

Crédito Foto: Yahoo! Movies

Thursday, June 08, 2006

O Novo Mundo (The New World, 2005)

Como qualquer outro filme que trata da chegada de uma sociedade mais civilizada à uma localidade aonde vivem pessoas consideradas como selvagens, o filme “O Novo Mundo”, escrito e dirigido por Terrence Malick, trata – é verdade que em poucos momentos de seus 145 minutos de projeção – do conflito que se estabelece entre o lado considerado civilizado e o considerado selvagem. O diretor e roteirista mostra todas as etapas dessa guerra: em primeiro lugar o fascínio que os recém-chegados causam nos selvagens e, depois que o encanto se acaba, se chega à segunda etapa que mostra uma luta sangrenta em que um lado ganha e o outro perde. No entanto, o conflito mais importante e mais profundo de “O Novo Mundo” é outro e envolve dois personagens de origens, criações e costumes diferentes.

O capitão inglês John Smith (Colin Farrell) é um homem que passa a maior parte do seu tempo explorando novas rotas oceânicas e que, em decorrência disso, perdeu o contato com suas raízes. Smith está cansado da vida no mar e sonha com um lugar que ele considera utópico – uma localidade em que os males da humanidade ainda não chegaram e as pessoas vivem felizes e em harmonia. Para a surpresa do capitão, Smith encontra esse lugar em uma comunidade indígena que está localizada no atual território do Estado de Virginia - local aonde os ingleses se fixaram e pretendiam instalar uma colônia.

Também na comunidade indígena, John Smith encontra uma índia (a estreante Q’Orianka Kilcher) que, ao contrário do capitão Smith, tem as raízes bastante fincadas na sua cultura e na criação que recebeu. Mas, assim como os outros índios, a garota fica completamente fascinada pela nova figura que começa a compartilhar do dia-a-dia da comunidade. Ela se apaixona por Smith – e é correspondida pelo capitão –; e, por causa disso, não encontra mais lugar na sua comunidade. Depois de um tempo perdida pelas florestas da região, ela é resgatada por outros ingleses e é trazida ao convívio da “civilização”. A vivência mais próxima com os ingleses marca o início do processo de ocidentalização da índia. Ela ganha um nome inglês (Rebecca) e se casa com um inglês – John Rolfe (Christian Bale).

Ao acompanhar o desenvolvimento do amor que nasce entre o capitão John Smith e a índia, a platéia que assiste à “O Novo Mundo” observa também o tipo de transformação pelas quais os dois personagens passarão no decorrer da película. O John calejado que a índia encontra encara o amor que eles sentem de uma maneira bem diferente de sua companheira. Depois de viver a sua primeira decepção, a índia que encontra John Rolfe é outra e encara o amor de uma maneira bem menos idealista – ou seja, ela não acredita mais no “felizes para sempre”.

Escrito por Terrence Malick tendo como base a história de Pocahontas (que foi transformada em animação pela Disney em 1995), “O Novo Mundo” é somente o quinto filme deste talentoso profissional. O filme guarda muitas semelhanças com o seu último trabalho (“Além da Linha Vermelha”, de 1998), especialmente no que diz respeito à exploração perfeita das paisagens naturais que servem de locação para a película (a excelente fotografia de Emmanuel Lubezki foi a única indicação que “O Novo Mundo” recebeu ao Oscar 2006) e na tentativa que o diretor faz de estabelecer um intercâmbio com esta mesma natureza. Tanto John Smith quanto a índia estão procurando um sentido para as suas vidas e, para Malick, este sentido está justamente no contato com a natureza – o presente mais divino que foi deixado para a humanidade.

Cotação: 6,0

Crédito Foto: Yahoo! Movies

Saturday, June 03, 2006

Todo Mundo em Pânico 4 (Scary Movie 4, 2006)


Em março de 2006, estreou nas salas de cinema do Brasil, o filme “Uma Comédia Nada Romântica, do diretor Aaron Seltzer, e que se propunha a fazer uma paródia dos filmes de comédia romântica. O filme em questão – que era repleto de situações típicas de comédias escatológicas e de piadas de extremo mau gosto – foi um pequeno aperitivo para os fãs poderem observar o que eles poderiam esperar de “Todo Mundo em Pânico 4”, do diretor David Zucker, a quarta parte da série que se propõe a parodiar os filmes de terror e suspense que fazem sucesso nas bilheterias de todo o mundo.

Mas, qual a surpresa daqueles que chegam a assistir à “Todo Mundo em Pânico 4” ao perceberem que este filme é ligeiramente diferente dos outros que fazem parte da série. Pela primeira vez, são diminuídas as cenas em que as piadas de teor sexual e de temas mais pesados são dominantes. O diretor David Zucker e os roteiristas Craig Mazin, Jim Abrahams e Pat Proft preferem dar ênfase às situações que tiram um pouco de sarro da cara de personalidades diversas do show business.

É justamente neste sentido em que o filme alcança um ápice criativo. Se os atores que interpretam o roteiro de “Todo Mundo em Pânico 4” não o levam a sério e se divertem à beça; o mesmo pode ser dito das personalidades que aparecem na tela sem medo de brincar consigo mesmas. Dr. Phil (que possui um programa de grande sucesso na televisão norte-americana que se propõe a ajudar as pessoas a resolverem seus problemas) brinca com o fato de que ele mesmo pode ser uma fraude e que precise, em alguns momentos, de ajuda também. Charlie Sheen (que, aparentemente, já dormiu com mais de duas mil mulheres e era um dos maiores clientes de Heidi Fleiss, a cafetina mais famosa de Hollywood) também não se importa em ver seus hábitos sexuais expostos no filme. Michael Madsen (o ator preferido do diretor Quentin Tarantino) também não parece se sentir afetado ao adicionar mais um personagem problemático à sua carreira. Entretanto, a tiração de sarro maior acontece em cima do ator Tom Cruise, que já foi o maior astro de cinema do mundo e, desde que se divorciou da atriz australiana Nicole Kidman, vive um inferno astral – pontuado por declarações bizarras e aparições públicas inacreditáveis.

A trama central de “Todo Mundo em Pânico 4” gira em torno de um filme protagonizado por Tom Cruise: “Guerra dos Mundos”, do diretor Steven Spielberg. A terra está sofrendo um ataque de Tripods alienígenas. Como o presidente dos Estados Unidos (Leslie Nielsen) é um paspalho - qualquer semelhança com a vida real não é uma coincidência –, a salvação da humanidade reside nas figuras de Tom Ryan (Craig Bierko, o maior oponente de Russell Crowe em “A Luta Pela Esperança”) e da estrela da série Cindy Campbell (a ótima e hilária Anna Faris) – que, depois de ser estudante e jornalista, agora se dedica aos cuidados de uma senhora idosa e doente numa casa amaldiçoada (trama esta retirada do filme “O Grito”, de Takashi Shimizu).

No meio da trama central são colocadas cenas que parodiam filmes como “Jogos Mortais 1 e 2”, “A Vila” – sobra até mesmo para os oscarizáveis “Menina de Ouro”, “O Segredo de Brokeback Mountain” e “Fahrenheit 11 de Setembro”. E no rol das habituais participações especiais que marcam os filmes da série “Todo Mundo em Pânico”, entram: Simon Rex, Anthony Anderson, Cloris Leachman, Molly Shannon, Bill Pullman, o jogador de basquete Shaquille O’Neal, Carmen Electra, o cantor Chingy, entre outros. E, mesmo apesar da presença recorrente de todos esses elementos na série, “Todo Mundo em Pânico 4” vai soar como uma piada fresca; e não como aquela piada velha e que todo mundo já sabe como vai terminar.

Cotação: 3,0

Crédito Foto: Yahoo! Movies

Saturday, May 27, 2006

X-Men - O Conflito Final (X-Men - The Last Stand, 2006)


Nos dois primeiros filmes da série “X-Men”, os seres humanos e os mutantes viviam num mundo completamente dividido. Enquanto se discutia a relevância da convivência entre as duas espécies, o problema ia ficando ainda mais grave. Se os humanos podiam levar uma vida normal, o mesmo não podia ser dito a respeito dos mutantes – que, ainda confusos a respeito de suas condições e após serem abandonados pelas suas famílias e amigos, iam viver na isolada escola do professor Xavier (Patrick Stewart), aonde esperavam encontrar a segurança necessária para começar todo um trabalho de aceitação de quem eles realmente eram e aonde eles aprendiam a usar os seus poderes para o bem da humanidade. Mesmo assim, ainda existiam divergências dentro da própria classe dos mutantes. O grupo liderado por Magneto (Ian McKellen) preferia apregoar o uso dos poderes para o mal e declaravam guerra contra tudo e contra todos.

"X-Men – O Confronto Final” – a terceira parte da série –, do diretor Brett Ratner, se passa justamente num momento em que esta divisão entre humanos e mutantes pode estar prestes a acabar. O governo norte-americano se mostra mais aberto ao diálogo com o grupo – criando inclusive um departamento dedicado somente aos mutantes. Entretanto, a união pode vir a um preço muito caro. Um pai atormentado pelo estado mutante de seu filho elege como causa de sua vida a descoberta de uma cura para o gene mutante. A cura é encontrada numa criança (Cameron Bright, de “Reencarnação”). A partir deste momento, tem-se o início de um conflito final entre os humanos e os mutantes; e, pela primeira vez, os mutantes enfrentam o dilema de ter que escolher entre continuarem a ser pessoas especiais ou poderem ter uma vida normal em sociedade.

Neste sentido, “X-Men – O Confronto Final” representa uma grande jornada a ser passada tanto para os seres humanos quanto para os mutantes – personagens como Wolverine (Hugh Jackman), Tempestade (Halle Berry) e Jean Grey (Famke Janssen) estão mais fortes, sábios, conscientes, resistentes e poderosos. E, como em toda jornada, todos estes personagens passarão por momentos de decepção, tristeza, perdas, dúvidas, desolação e angústia até o triunfo finalmente acontecer.

Brett Ratner é um diretor muito interessante. Ele marcou o seu nome na indústria ao dirigir clipes para artistas como Mariah Carey e Madonna. Trilhou seu caminho no cinema comercial ao criar a bem-sucedida franquia “A Hora do Rush” (estrelada por Jackie Chan e Chris Tucker que, pasmem, é o ator mais bem pago de Hollywood no presente momento). Ratner calou a boca dos críticos que torceram o nariz para a sua escolha como o diretor de “Dragão Vermelho” ao criar um universo de muito suspense e que colocava o Hannibal Lecter novamente na sua posição de vilão mais doentio do cinema. E, com “X-Men – O Confronto Final” (um filme que ele aceitou fazer em cima da hora, depois da desistência do inglês Matthew Vaughn), prova que é um diretor que sabe fazer um filme de ação – na minha opinião este é o melhor da série – que não menospreza a inteligência de seu espectador. Apesar de Brett Ratner oferecer à platéia um senso de fechamento à história dos mutantes, o diretor ainda deixa um gostinho de quero mais – o qual é reforçado pela cena que é mostrada após os créditos finais do filme; por isso, nem pense em se levantar da cadeira antes das luzes da sua sala de cinema serem acesas.

Cotação: 9,0

Crédito Foto: Yahoo! Movies

Wednesday, May 24, 2006

Tapete Vermelho (2006)


Não dá para falar no cinema brasileiro sem mencionar o nome do ator, diretor e produtor Amácio Mazzaropi. De origem humilde, ele foi o responsável pela criação de uma indústria cinematográfica brasileira independente (tendo em vista que ele mesmo financiava e distribuía as suas produções) e bem-sucedida. Mazzaropi foi a primeira grande estrela cinematográfica nacional e, com seus filmes, procurava falar para o povo sobre temas – até então – controversos como o divórcio, o racismo, a religião, a política, dentre outros. E, apesar de todo o sucesso, Mazzaropi nunca obteve o reconhecimento das chamadas elites intelectuais, que preferiram ignorar as suas obras.

O filme “Tapete Vermelho”, de Luiz Alberto Pereira, não é uma cinebiografia de Amácio Mazzaropi; e sim presta uma homenagem ao tipo que ele imortalizou: o do Jeca Tatu (aquele homem matuto que habita as áreas rurais do Brasil). No filme, o Jeca é representado pela figura de Quinzinho (Matheus Nachtergaele, provando aqui sua posição de ator camaleônico, que pode interpretar qualquer tipo de personagem), homem sonhador e trabalhador que mora no seu pequeno pedaço de terra ao lado da esposa Zulmira (Gorete Milagres, mais conhecida pelo seu trabalho como a empregada doméstica Filó, que fez carreira em diversos programas humorísticos da televisão brasileira) e do filho Neco (Vinícius Miranda).

Com a proximidade do aniversário de seu filho Neco, Quinzinho decide que chegou o momento certo de colocar uma promessa que fez ao seu pai em prática: a de que Quinzinho um dia, assim como seu pai fez com ele, iria levar seu filho para a cidade grande para assistir a um filme de Mazzaropi no cinema. Mesmo contra a vontade de Zulmira, Quinzinho embarca numa viagem do interior até à cidade grande na companhia de sua família. Quando Quinzinho e sua família começam a entrar em contato novamente com as grandes cidades, encontram uma realidade bastante diferente da que imaginavam – os cinemas deram espaços às lojas de departamentos ou às igrejas evangélicas (e quando eles existem só passam os grandes lançamentos) e pessoas de má fé se aproveitam da boa vontade e da inocência da família de Quinzinho. No meio disso tudo, o diretor Luiz Alberto Pereira ainda consegue colocar uma mensagem de fundo social quando faz com que o trabalhador rural Quinzinho se relacione com um grupo de trabalhadores rurais sem-terra – numa série de seqüências que poderiam muito bem ter sido retiradas do filme.

“Tapete Vermelho” é um road movie que, além de retratar a jornada de crescimento da família de Quinzinho, faz uma crônica de um estilo de vida simples e bucólico. “Tapete Vermelho” é um filme que fala sobre gente de verdade, que merece um tratamento digno e não ser objetos de chacota. Enfim, “Tapete Vermelho” é um filme que mostra que existe a possibilidade de amadurecer sem que sejam perdidas a ternura, a esperança e a simpatia que tanto caracterizam o povo brasileiro. Além disso, faz um belo trabalho para chamar a atenção de uma nova platéia de cinéfilos de volta aos filmes de Mazzaropi, que, em decorrência de um velho costume brasileiro, perderam o seu valor, a sua importância e o seu lugar de direito na indústria cinematográfica nacional.

Cotação: 6,0

Crédito Foto: Yahoo! Cinema

Saturday, May 20, 2006

O Código Da Vinci (The DaVinci Code, 2006)


Há cerca de dois anos atrás, um filme (“A Paixão de Cristo”, de Mel Gibson) estreava em meio a inúmeras polêmicas – especialmente as que queriam acusar o filme de ser anti-semita e de distorcer a realidade dos fatos que cercavam a crucificação de Jesus Cristo. As mesmas reações extremas aconteceram quando, em 2003, o escritor norte-americano Dan Brown lançou o seu livro de ficção “O Código da Vinci”, que trazia uma trama que afirmava que toda a Igreja Católica foi fundamentada em uma crença mentirosa. Em conseqüência disso, o autor enfrentou uma leva de críticas que vieram desde a própria Igreja Católica, até os historiadores e a Opus Dei (milionária seita da Igreja Católica que prega a autoflagelação, para que seus seguidores sintam o mesmo que Jesus Cristo sentiu no momento da crucificação).

Quem já teve a oportunidade de ler o livro “O Código Da Vinci” sabe que esta é uma obra que dialoga muito com a linguagem cinematográfica. A narrativa de Dan Brown é ágil, sabe prender a atenção do leitor e, principalmente, segue um estilo bastante figurativo (se apoiando muito nas ilustrações). Ou seja, em praticamente cada capítulo do livro, o leitor pode visualizar de maneira muito clara toda a ação da história. Seria inevitável – ainda mais depois do fenômeno cultural que o livro se tornou, ocasionando o lançamento de programas de TV e de livros que se dedicavam a destrinchar cada pista do código criado por Dan Brown – que esta obra fosse adaptada por um grande estúdio cinematográfico. E foi justamente isto que aconteceu quando o diretor Ron Howard, o produtor Brian Grazer e o roteirista Akiva Goldsman (que trabalharam juntos em “Uma Mente Brilhante” e “A Luta Pela Esperança”) uniram suas mentes para transpor para as grandes telas esta história naquele que é o mais aguardado filme de 2006.

Para aqueles que não entraram em contato com o fenômeno “O Código Da Vinci”, a história do livro/filme é a seguinte: o curador do Museu do Louvre, Jacques Saunière, é assassinado pelo monge Silas (Paul Bettany, excelente) – que está a serviço da Opus Dei e de um misterioso mestre. O diretor da polícia francesa Bezu Fache (Jean Reno) entra em contato com o professor de Simbologia Religiosa da universidade de Harvard Robert Langdon (Tom Hanks) – que estava em Paris dando uma palestra – para que ele possa ajudá-los a desvendar uma série de símbolos que foram deixados por Saunière na cena do crime. Sem saber que é considerado o suspeito número um da polícia francesa, Langdon recebe a ajuda da neta de Saunière e criptógrafa Sophie Neveu (Audrey Tautou) para tentar provar a sua inocência e, por tabela, desvendar as pistas deixadas pelo curador do Louvre.

As pistas que Jacques Saunière deixou no museu do Louvre faziam parte de um plano do curador para manter escondido um segredo que poderia abalar as bases da religião mais popular do mundo – a Católica. Saunière era o Grão-Mestre de uma sociedade secreta conhecida como Priorado de Sião. De acordo com a história do livro/filme, um dos membros mais importantes do Priorado de Sião foi o pintor Leonardo Da Vinci e, nas suas obras, ele deixou inúmeras pistas que levavam a crer que Jesus Cristo foi casado com Maria Madalena e que os dois tiveram uma filha; formando, assim, uma dinastia secreta que foi protegida com afinco pelos Cavaleiros Templários e, posteriormente, pelos membros do Priorado. E, ao longo dos anos, uma guerra foi travada entre os conhecedores do segredo e os membros da Igreja – que, obviamente, gostariam que o segredo fosse completamente destruído. Essa é a guerra que também será travada por Robert Langdon e Sophie Neveu no decorrer do livro/filme.

O filme “O Código Da Vinci” faz realmente uma transposição perfeita da obra literária para a linguagem cinematográfica. O diretor Ron Howard e o roteirista Akiva Goldsman souberam condensar toda a trama do filme em uma história que se faz compreensível tanto para aqueles que leram e que não leram o livro de Dan Brown. Howard e Goldsman ainda conseguem simplificar a apresentação de tramas que demoram uma eternidade para serem elucidadas por Dan Brown no livro – como a origem de Silas, a razão por trás da claustrofobia de Robert Langdon e o por quê de Sophie Neveu ter cortado relações com o avô Saunière. No entanto, a maior contribuição que Howard e Goldsman fazem com o seu filme é mostrar como o código criado por Dan Brown é simples e não tem nada de extraordinário. Isso levanta uma grande questão: por quê, então, o livro (e, certamente, o filme) obtiveram tanto sucesso? Talvez a resposta por trás de tudo isso esteja no fato de que as pessoas buscam constantemente acreditar e crer em alguma coisa que esteja além daquilo que nós conseguimos realmente enxergar – mesmo que essa crença esteja baseada em fatos verdadeiros ou ficcionais.

Cotação: 7,5

Crédito Foto: Yahoo! Movies

Thursday, May 18, 2006

As Férias da Minha Vida (Last Holiday, 2006)


Georgia Byrd (Queen Latifah) trabalha como vendedora de utensílios de cozinha em uma grande loja de departamentos do Estado de Louisiana. Ela é uma daquelas pessoas que vê a vida passar diante de seus olhos e não faz nada – principalmente por causa de sua timidez. Georgia cozinha pratos sofisticados, mas não pode comê-los, pois sempre está de dieta. Georgia é completamente apaixonada pelo colega de trabalho Sean Williams (LL Cool J), mas não tem coragem de se declarar. Nem mesmo quando está participando do coral de sua igreja, Georgia deixa de ser uma pessoa apática.

Tudo isto está prestes a mudar quando Georgia, depois de sofrer um pequeno acidente no trabalho, passa por uma bateria de exames e é desenganada pelo seu médico; descobrindo, assim, que só tem três semanas de vida. A notícia cai como uma bomba na vida de Georgia e, após uma primeira fase de negação, ela decide aceitar seu destino e procura viver pela primeira vez. Dessa maneira, vemos Georgia sacando todo o seu dinheiro do banco e embarcando com destino à República Checa – país aonde irá se hospedar na suíte presidencial de um hotel de luxo e passará a fazer tudo aquilo que ela tinha vontade de realizar e que estava no seu livro de possibilidades (uma espécie de diário dos sonhos que, um dia, Georgia esperava realizar).

É justamente a máxima de “viver cada dia como se fosse o último” que dá a tônica de “As Férias da Minha Vida”, novo filme do diretor Wayne Wang (o mesmo de “Encontro de Amor”). No filme, vemos a extrovertida e engraçada atriz Queen Latifah interpretando uma personagem diametralmente oposta à sua persona da vida real. Latifah está muito discreta e vestida em roupas que conferem um caráter severo à sua Georgia. No entanto, apesar de ser uma personagem apática, Georgia conquista logo a simpatia da platéia, pois todos nós nos solidarizamos com a situação que ela está vivendo.

“As Férias da Minha Vida” é um filme que possui um roteiro meio amargo, no sentido de que equilibra com perfeição os momentos felizes com os tristes. E é certamente nessas cenas mais intimistas em que se sobressai a excelente atuação de Queen Latifah. “As Férias da Minha Vida” marca a credencial dela em Hollywood como uma atriz que pode se sair muito bem tanto nos dramas como nas comédias; e que, principalmente, mostra que Latifah agüenta a responsabilidade de carregar sozinha um filme nas costas.

Cotação: 8,0

Crédito Foto: Yahoo! Movies

Tuesday, May 16, 2006

Crianças Invisíveis (All the Invisible Children, 2005)

Convidar um número variado de diretores para falar sobre um mesmo tema não é uma novidade para a indústria cinematográfica. Isso foi feito, por exemplo, no filme “11’09’’01”, quando onze diretores de diversas partes do mundo contaram histórias que mostravam os efeitos dos atentados terroristas de 11 de Setembro nas suas respectivas nações. Na realidade, esse é um recurso narrativo muito interessante, pois oferece ao espectador a possibilidade de ver diversos pontos de vista sobre um mesmo assunto. “Crianças Invisíveis” repete esta fórmula e reúne sete diretores para falar a respeito dos problemas que as crianças enfrentam no seu dia-a-dia.

O primeiro episódio de “Crianças Invisíveis” (“Tanza”) é dirigido pelo algeriano Mehdi Charef e fala sobre Tanza, um menino que vive em uma comunidade africana dominada por uma disputa interna. Tanza é somente um dos muitos meninos a serem recrutados para a luta armada em idade tenra, mas o que Charef quer mostrar é que, mesmo portando uma arma, esses meninos possuem sonhos, vontades e ídolos comuns a todas as crianças (num determinado momento do episódio, o close na arma de um dos garotos revela um adesivo de Ronaldo Fenômeno).

O segundo episódio de “Crianças Invisíveis” (“Blue Gipsy”) é dirigido pelo bósnio Emir Kusturica e conta a história de um garoto filho de ciganos ladrões e que se sente mais à vontade e em segurança no reformatório do que nas ruas. O terceiro episódio do filme (“Jesus Children of America”) é dirigido pelo norte-americano Spike Lee e conta a história de Blanca, uma garota filha de pais viciados em drogas e portadores do vírus HIV, que não sabe que ela mesma também porta o vírus e que sofre com as chacotas dos colegas de escola.

O quarto episódio de “Crianças Invisíveis” (“João e Bilú”) é dirigido pela brasileira Kátia Lund (que co-dirigiu “Cidade de Deus”) e que conta a história de um menino e uma menina que sustentam a família catando papelão, latinhas, vidros e metais. Na realidade, esse episódio mostra como o brasileiro sempre arruma um jeitinho para superar as suas adversidades (João e Bilú criam um jogo e começam a ganhar dinheiro com ele numa feira popular). O quinto episódio do filme (“Jonathan”) é dirigido pelos ingleses Ridley e Jordan Scott (pai e filha) e conta a história de um fotógrafo de guerra que tenta apelar para o seu lado criança para encontrar a sua paz interior.

O sexto episódio de “Crianças Invisíveis” (“Ciro”) é dirigido pelo italiano Stefano Veneruso e conta a história de dois amigos que fazem roubos na rua. Esse é mais um episódio que mostra crianças que são frutos de uma família desintegrada e dialoga especialmente com o primeiro episódio do filme (“Tanza”), pois mostra novamente uma criança que, apesar de entrar em contato permanente com a violência, continua a manter uma inocência e os seus sonhos vivos.

O sétimo – e último episódio – de “Crianças Invisíveis” (“Song Song and Little Cat”) foi dirigido pelo chinês John Woo. Neste episódio, duas realidades são colocadas em xeque: a de Song Song, menina rica que tem todas as suas vontades satisfeitas, mas não se contenta com nada; e a de Little Cat, menina que foi abandonada pela mãe e criada por um mendigo. Little Cat pouco tem, mas valoriza o que possui e não se esquece de sonhar com uma realidade melhor para si mesma. Esse episódio é o mais poderoso de todos, pois toca num ponto que todos nós conhecemos: o de que nós só valorizamos aquilo que temos quando o perdemos – ou seja, nós deveríamos valorizar aquilo que temos, pois muitas pessoas dariam tudo para ter o mesmo que nós.

“Crianças Invisíveis” foi um filme feito por uma parceria entre o governo italiano, a UNICEF e o WFF (World Food Programme). É difícil tentar entender as pretensões por trás de um filme como esse, mas fica subentendido que os envolvidos queriam chamar a atenção para as questões relacionadas às crianças do mundo e as infâncias que elas estão vivendo. “Crianças Invisíveis”, infelizmente, não consegue ser bem-sucedido, pois sofre com a irregularidade dos episódios – que ora apelam para a poética (caso do dirigido por Ridley e Jordan Scott), ora para o humor (caso do de Emil Kusturica) e ora para uma verdade ficcionalizada (caso dos episódios de Mehdi Charef, Spike Lee, Kátia Lund, Stefano Veneruso e John Woo). Se for para causar impacto e fazer a diferença, o filme perfeito seria o documentário “Falcão – Meninos do Tráfico” (que foi apresentado no programa “Fantástico”), do rapper MV Bill e de Celso Athayde, que não quer mascarar a verdade e a mostra como ela é.

Cotação : 5,0

Crédito Foto: Yahoo! Cinema

Wednesday, May 10, 2006

O Albergue (Hostel, 2005)


Apesar de ter sido vendido ao público como um filme de terror completamente diferente dos outros do gênero, “O Albergue”, filme escrito e dirigido por Eli Roth (com a chancela do produtor executivo Quentin Tarantino), repete todas as fórmulas que puderam ser vistas pela platéia nos filmes de terror que foram lançados mais recentemente. Ou seja, na primeira hora de “O Albergue”, poucas coisas significativas acontecem (o diretor retrata o dia-a-dia de seus personagens para colocar a platéia dentro do universo que eles habitam) e, de repente, quando a platéia menos espera, uma série de situações bizarras começam a acontecer de maneira a justificar a classificação do filme como sendo do gênero de terror.

No caso particular de “O Albergue”, os protagonistas do filme são três jovens imaturos e inconseqüentes – Paxton (Jay Hernandez, que foi o par romântico de Kirsten Dunst no ótimo “Gostosa/Loucura”), Oli (Eytor Gudjonsson) e Josh (Derek Richardson) – que estão viajando de férias pela Europa no melhor estilo mochileiros. Paxton, Oli e Josh estão em busca de aventuras com mulheres, festas e drogas. Em Amsterdã, depois de uma noitada que quase termina mal, eles conhecem Alexei, um cara meio estranho que, sabendo das verdadeiras intenções da viagem dos rapazes, sugere um destino perfeito: um albergue na Eslováquia – aonde eles, supostamente, encontrarão tudo aquilo que eles procuram. E é justamente no albergue eslovaco que o filme “O Albergue” alcança o seu clímax.

Nos primeiros momentos de “O Albergue”, a trama do filme não parece ter sentido algum. O filme oscila entre cenas que parecem saídas de uma comédia adolescente e outras que parecem ter saído de um filme adulto. No entanto, os últimos quarenta minutos de “O Albergue” mostram a que o filme veio. No melhor estilo “Jogos Mortais”, a platéia entra em contato com os vilões do filme (pessoas que buscam uma maneira de dar vazão ao seu instinto de violência) em cenas de ritmo ágil, de extremo sangue frio (em determinado momento, Paxton consegue manter a racionalidade para pegar os dedos que foram serrados de sua mão) e que conseguem ser eficientes no sentido de chocar (é bom frisar que elas não chegam a assustar) o espectador.

O que irrita é a necessidade que o diretor e roteirista Eli Roth tem em dar um fechamento à sua história. Aqueles que estão acostumados a assistir filmes de terror sabem que, nesse gênero, os mocinhos podem sobreviver a todo tipo de ameaça e vilão; mas, mesmo depois de estarem livres de qualquer perigo, sempre existe uma única certeza: a de que aquela sensação incômoda de que algo de ruim está prestes a acontecer novamente está sempre à espreita. Isso não acontece com o sobrevivente de “O Albergue”, que, depois de fazer a sua mini-vingança, tem a certeza de que poderá continuar a sua vida da maneira como ela sempre foi.

Cotação: 3,0

Crédito Foto: Yahoo! Movies

Saturday, May 06, 2006

Missão Impossível III (Mission: Impossible III, 2006)


Com o perdão do trocadilho, fazer “Missão Impossível III” foi quase uma tarefa impossível para o astro e produtor Tom Cruise e sua parceira, a produtora Paula Wagner. Joe Carnahan (“Narc”), o primeiro diretor escalado para o trabalho, abandonou o barco quando o filme já estava num estágio bem avançado da pré-produção – aparentemente porque não concordava com a visão criativa de Cruise. O episódio só fez aumentar a fama de controlador que o superastro possui. No entanto, essa teoria começa a vir abaixo quando se assiste ao que J. J. Abrams (o segundo – e definitivo – diretor escalado para o filme) fez com “Missão Impossível III”. Tudo no filme leva a sua marca – a começar pela equipe técnica. Nomes como os dos roteiristas Alex Kurtzman e Roberto Orci, o do compositor Michael Giacchino, o da diretora de elenco April Webster e o do diretor de arte Scott Chambliss trabalham com o diretor no seriado “Alias”. Até mesmo na frente das câmeras vemos rostos conhecidos do universo de Abrams, como a atriz Keri Russell (que foi a protagonista de seu seriado “Felicity”) e de Greg Grunberg (o melhor amigo de Abrams e que trabalhou em todas as séries dele).

No entanto, a maior das marcas de J. J. Abrams a estar presente em “Missão Impossível III” – e, por conseqüência, a maior contribuição que ele oferece à série – é a humanização dos personagens, especialmente a do agente Ethan Hunt (Cruise). Neste momento, pela segunda vez, aparece uma conexão com o trabalho que Abrams desenvolve em “Alias” – uma série que, apesar de retratar o dia-a-dia de agentes da CIA, ou seja, as missões que eles desempenham e os inimigos que eles combatem dentro e fora da Agência; tem o foco voltado para os relacionamentos pessoais desses agentes com as suas famílias, os seus amores, os seus colegas de trabalho e os seus inimigos. Em muitos episódios de “Alias”, inclusive, as vidas pessoais dos agentes chegam a se confundir com as missões que eles têm que realizar.

Por causa disso, em “Missão Impossível III”, vemos um Ethan Hunt bem diferente do que nos acostumamos a ver nos dois filmes anteriores da série. O roteiro do filme não se resume somente a retratar a missão e o inimigo que o agente têm de enfrentar. Pela primeira vez, se procura aprofundar o personagem. Portanto, na terceira parte de “Missão Impossível”, a platéia conhece a vida pessoal de Ethan Hunt. Desde que o agente conheceu a enfermeira Julia (Michelle Monaghan) – de quem Ethan ficou noivo –, ele não participa mais de trabalhos de campo e prefere se dedicar ao treinamento de novos agentes da IMF. Entretanto, Ethan é obrigado a voltar ao batente quando a agente e ex-aluna sua Lindsey Ferris (Russell) é seqüestrada e, conseqüentemente, executada por Owen Davian (Philip Seymour Hoffman, o vencedor do Oscar de Melhor Ator em 2006). Hunt se vê ainda mais envolvido na missão de capturar Davian depois que ele seqüestra Julia. É neste momento em particular que Hunt vê o seu mundo cair, pois, como agente, Ethan nunca teve a oportunidade de ter relacionamentos reais. Mas, ao conhecer Julia, Hunt vê, de maneira concreta, uma chance de ter uma vida até certo ponto normal – desde que ele consiga manter a noiva protegida da sua segunda vida, o que ele conseguia fazer até Davian aparecer.

“Missão Impossível III” é um filme que nasceu cercado de expectativas. A película pode significar a recuperação da carreira de Tom Cruise – que vem patinando desde que o astro se divorciou de Nicole Kidman e passou a fazer declarações e aparições na mídia polêmicas e, até certo ponto, patéticas. Ao mesmo tempo, “Missão Impossível III” também pode consagrar de vez J. J. Abrams como uma das mentes mais criativas da indústria do entretenimento nos dias atuais – tendo em vista que ele já é o rei da televisão norte-americana com o sucesso estrondoso que é “Lost”. Neste sentido, pode-se dizer que a missão dos dois foi completamente cumprida, pois “Missão Impossível III” é um filme de primeira qualidade – com cenas de ação bem dirigidas e uma história cativante.

Cotação: 9,0

Crédito Foto: Yahoo! Movies

Thursday, May 04, 2006

Gatão de Meia Idade (2006)


O designer Cláudio (Alexandre Borges) acredita que um homem é feito da soma de todos os relacionamentos que ele já teve. Neste sentido, Cláudio pode se considerar um homem muito experiente, afinal ele teve inúmeros relacionamentos. O filme “Gatão de Meia Idade”, do diretor Antonio Carlos da Fontoura, retrata exatamente o estilo de vida de homens como Cláudio, que se divertem tomando cerveja com os amigos enquanto discutem detalhes de suas aventuras amorosas.

No decorrer do filme, a platéia irá entrar em contato com as diversas mulheres da vida de Cláudio. Dentre elas, as mais constantes são a sua mãe, a ex-mulher Betty (Julia Lemmertz, esposa de Borges na vida real) e a filha Duda (Renata Nascimento). Existem também aquelas que passaram rapidamente pela vida de Cláudio, como a executiva sênior (Ângela Vieira), a estudante patricinha (Thaís Fersoza), a motociclista com trejeitos masculinos (Cristiana Oliveira), as sensíveis (Alexia Deschamps e Rita Guedes), a gostosona (Paula Burlamaqui), a milionária (Lavínia Vlasak), dentre muitas outras beldades que fazem participações especiais em “Gatão de Meia Idade”.

Todos esses relacionamentos servem muito bem para ilustrar a personalidade do próprio Cláudio – um homem que não consegue se envolver emocionalmente com uma mulher, que acredita que a quantidade é sinônimo de qualidade e que nunca se sente sozinho. A solidão só irá começar a ameaçar Cláudio quando Betty começa a namorar um empresário (Antônio Grassi) e passa a viajar freqüentemente para Miami – cidade para onde ela pretende se mudar com a filha Duda. Quando Cláudio enxerga a possibilidade de não ter um relacionamento diário com a filha e quando ele vê seu domínio sob as mulheres ser ameaçado com o surgimento de um Don Juan bem mais jovem que ele (Márcio Kieling), Cláudio ameaça ensaiar uma transformação que nunca irá se concretizar na realidade.

Baseado no personagem criado pelo desenhista Miguel Paiva (também criador da Radical Chic), “Gatão de Meia Idade” é um filme que não funciona, pois, aparentemente, foi feito no formato errado. Por ter um roteiro que é uma reunião de várias esquetes, deveria ter sido adaptado para um formato de sitcom (as chamadas comédias de situações) – e, mesmo se fosse um programa de televisão, não conseguiria arrancar o mínimo de risadas dos telespectadores. Nem Alexandre Borges, um ator carismático e ele próprio um gatão de meia idade, consegue oferecer um pouco de qualidade ao filme.

Cotação: 2,0

Crédito Foto: Yahoo! Cinema

Selvagem (The Wild, 2006)


Os estúdios Walt Disney marcaram seu nome na história do cinema ao lançar filmes de animação como “Bambi”, “Fantasia”, “Branca de Neve e os Sete Anões”, “A Dama e o Vagabundo” e “A Bela e a Fera”. Tais filmes foram (e continuam a ser) o sinônimo de padrão de qualidade no gênero. No entanto, nos dias atuais, os filmes do estúdio Disney parecem que pararam no tempo e não acompanharam a evolução técnica do gênero de animação. Ou seja, é certo dizer que os estúdios Disney têm levado uma verdadeira surra da concorrência – a mais notável delas é o estúdio Pixar, que lançava seus filmes pela Disney e foi recentemente comprado pela companhia do Mickey.

“Selvagem”, filme do diretor Steve “Spaz” Williams, é mais uma tentativa dos estúdios Disney para provarem que ali ainda se fazem bons filmes de animação. O filme está cheio de boas intenções, mas, além de não chegar ao nível das outras películas do gênero, deixa uma péssima impressão de que se trata de um plágio descarado. No filme, o leão Sansão (Kiefer Sutherland na versão original) e seu filho Ryan vivem no zoológico de Nova York – local aonde são as atrações principais ao lado da girafa Bridget (Janeane Garofalo na versão original), do esquilo Benny (James Belushi na versão original), do coala Nigel (Eddie Izzard na versão original) e da sucuri Larry (Richard Kind na versão original).

O roteiro de “Selvagem” prefere enfocar a dinâmica familiar existente entre Sansão e Ryan. Sansão se vangloria de um passado mentiroso como leão na selva e critica Ryan por ainda não conseguir rosnar forte como um verdadeiro leão. Cansado de receber as críticas do pai, Ryan procura um local mais sossegado sem saber que, na realidade, acabou indo parar num contêiner que seria embarcado num navio rumo à África. Assim que nota o sumiço de Ryan, um desesperado Sansão parte em busca do filho e, com a ajuda dos amigos do zoológico, também parte para o continente africano – local aonde eles conhecerão novas espécies e amadurecerão.

Portanto, “Selvagem” é uma mistura de “Madagascar” com “Procurando Nemo”, dois filmes que obtiveram bastante sucesso nas bilheterias. No entanto, o filme é fraco e nem consegue repetir aquilo que fez dos filmes de animação dos estúdios Disney marcos do gênero – uma vez que as personagens de “Selvagem” não possuem carisma e não estão bem definidas, as situações e a narrativa do filme não são criativas, as canções não são memoráveis e o ritmo do filme é extremamente lento. Talvez, depois de mais um erro, seja o momento certo para a Disney pensar em modificar a sua receita de sucesso, pois, claramente, ela não está mais dando certo.

Cotação: 4,0

Crédito Foto: Yahoo! Movies