Saturday, September 23, 2006

O Diabo Veste Prada (The Devil Wears Prada, 2006)


Por mais que a jornalista e escritora Lauren Weisberger tente negar, existe muito dela em Andrea Sachs, a personagem principal do seu primeiro romance “O Diabo Veste Prada”, cuja adaptação cinematográfica dirigida por David Frankel estreou nesta semana nas salas de cinema de todo o Brasil. Lauren nasceu e cresceu em uma pequena cidade da Pensilvânia e formou-se jornalista pela prestigiada Universidade de Cornell. Logo após a formatura, Lauren foi para Nova York tentar um emprego em alguma publicação. Ela não conseguiu um emprego como jornalista, e sim um trabalho como assistente da poderosa e lendária Anna Wintour, editora da “Vogue” americana (um emprego que “milhões de garotas dariam tudo para ter”).

As primeiras cenas do filme “O Diabo Veste Prada” fazem questão de frisar o quão diferente é o mundo de Andrea Sachs (Anne Hathaway, ótima) das mulheres que vivem a realidade da fictícia revista “Runway” (local aonde Andy fará entrevista na cena seguinte). Enquanto a primeira não tem a mínima noção de moda e não faz nenhum tipo de dieta, as últimas são antenadas com as últimas tendências do mundo fashion e passam o dia à base de água e cigarros. Mas, então, o que diabos Andrea foi fazer na “Runway”? Nem ela sabe dizer o por quê, mas, para Andy, fica claro que trabalhar como a assistente da poderosa editora Miranda Priestly (Meryl Streep, que adiciona mais uma grande performance à sua vasta carreira) será uma oportunidade única e inesquecível – em todos os sentidos.

O trabalho como assistente – bem como a própria Miranda – logo se transformarão em uma espécie de decepção para Andy. Ela é uma mera “faz-tudo” da editora (compra o café e o almoço, pega as roupas na lavanderia, leva o cachorro para passear, compra os presentes das gêmeas e marca os compromissos de Miranda). No entanto, Andy segue firme no propósito de agüentar o ano de trabalho com a poderosa editora, afinal, depois disso, todas as portas do mundo do jornalismo se abrirão para ela.

Entretanto, na medida em que Miranda Priestly vai confiando mais em Andy, a aspirante a jornalista se vê cada vez mais imersa no mundo que – antes – ela repudiava. É a partir do momento em que Andy passa a se vestir com marcas famosas e caras (o trabalho de figurinos feito por Patricia Field, ex-stylist do programa “Sex and the City”, é fantástico e digno de uma indicação ao Oscar 2007), a ir à festas glamurosas, a conhecer gente interessante e a viajar com Miranda para a semana de moda de Paris, que “O Diabo Veste Prada” entra na sua segunda fase. O resultado dessa mudança de Andy é que a vida pessoal dela ficará em segundo plano e o seu relacionamento com o doce Nate (Adrien Grenier, do seriado “Entourage”) fica ameaçado.

Por baixo de todos os diálogos afiados de “O Diabo Veste Prada”, o filme relata um conflito interessante e atualíssimo. Quando entramos no mercado de trabalho – no mundo competitivo em que vivemos -, por mais que tenhamos as melhores intenções, ou somos consumidos por um ideal de sucesso que não queremos (mas que nos é cobrado), ou permanecemos fiéis às nossas crenças, mesmo que isso não nos leve a lugar nenhum.

“O Diabo Veste Prada” relata esse conflito por prismas diferentes. O filme retrata o fim de diversos sonhos – o de Emily (a grata surpresa Emily Blunt), a outra assistente de Miranda, em ir para a semana de moda de Paris com a chefe; e o de Nigel (o eterno coadjuvante Stanley Tucci), segundo na linha de sucessão da “Runway”, em ter as rédeas de sua vida e carreira. Ao mesmo tempo, “O Diabo Veste Prada” mostra qual o custo que pagamos para realizar esses sonhos: Miranda é uma profissional competentíssima, que fez a “Runway” ser o que é, mas ganha a fama de intragável e vê a sua vida amorosa fracassar. E, através da figura de Andy, o filme mostra alguém que está no meio daquele conflito principal e quer o sucesso, mas prefere permanecer fiel aos seus princípios.

No final de tudo, o que “O Diabo Veste Prada” nos mostra é que não importa se você queira ser aquele no comando ou aquele que executa. O importante é você ser feliz naquilo que você faz.

Cotação: 8,0

Crédito Foto: Yahoo! Movies

Monday, September 18, 2006

Xeque-Mate (Lucky Number Slevin, 2006)


Toda grande história de vingança do cinema envolve um homem que perdeu aquilo que ele mais amava na vida. Esse também é o caso da maioria dos personagens de “Xeque-Mate”, filme do diretor Paul McGuigan. O diretor começa o seu filme destilando uma série de cenas que mostram a morte de diversas pessoas.

Logo após, a platéia encontra Goodkat (Bruce Willis) em uma cena que poderia ser classificada como o prólogo de “Xeque-Mate”. Goodkat conversa com um homem enquanto ele aguarda o horário de sua viagem. Ele conta a história de um golpe que aconteceu da seguinte maneira: Max era um homem que sonhava em ter uma casa com um bonito jardim. Num belo dia, seu tio escuta uma história de um homem, que, por sua vez, escutou de outro, e assim por diante; que afirmava que um senhor havia dopado um cavalo e que apostar nesse animal era lucro na certa. Max vê, nessa oportunidade, a sua chance de ouro e aposta tudo aquilo que tinha na corrida. O problema foi que o cavalo morreu no meio do páreo e ele passou a dever mais do que o que tinha apostado. Sem poder pagar sua dívida, Max, além de ser morto, viu a sua família ser assassinada também.

Desta pequena história partimos para uma outra – aquela que seria a principal trama de “Xeque-Mate”. Slevin (Josh Hartnett) perdeu o emprego, a namorada e o apartamento tudo num mesmo dia. Ele decide, então, viajar para outra cidade para ficar no apartamento de seu amigo Nick Fisher. Chegando na nova cidade, Slevin é assaltado e vê que sua maré de azar não acabou definitivamente quando dois mafiosos – Chefe (Morgan Freeman) e Rabino (Ben Kingsley) – o confundem com o próprio Nick – que desapareceu – e cobram uma dívida de jogo. Para se livrar da morte, Slevin tem que matar o filho de Rabino para vingar a morte do filho do Chefe.

Num primeiro momento, todas as linhas narrativas de “Xeque-Mate” são independentes uma da outra. No entanto, na medida em que o roteiro de Jason Smilovic vai se desenrolando, a platéia começa a ver a conexão entre tudo o que aconteceu. Nesse sentido, o roteiro de “Xeque-Mate” é um dos pontos altos do filme, pela sua criatividade e capacidade de surpreender. O outro ponto positivo do filme é a direção de Paul McGuigan – que estreou no irregular “Paixão à Flor da Pele”, que também contava com Josh Hartnett no elenco. McGuigan bebe na fonte de Quentin Tarantino e, apesar de criar uma cópia, deixa seu filme com um certo ar de originalidade.

Também é bom destacar as excelentes atuações do elenco de “Xeque-Mate”. Josh Hartnett, um ator que já pecou muito nas escolhas de papéis (“Divisão de Homicídios” e “Pearl Harbor”), empresta para Slevin todo um carisma e faz com que a platéia nunca sinta pena do seu personagem por ele ter estado no local errado na hora errada. Ben Kingsley e Morgan Freeman estão perfeitos como os dois chefões da máfia local. Até Lucy Liu (que interpreta o interesse amoroso do personagem de Hartnett) tem a oportunidade de mostrar seu talento. A única peça destoante é Bruce Willis. Depois de começar 2006 bem, com uma ótima atuação em “16 Quadras”, de Richard Donner, Willis está apenas burocrático como Goodkat.

Cotação: 8,0

Crédito Foto: Yahoo! Movies

Wednesday, September 13, 2006

Serpentes a Bordo (Snakes on a Plane, 2006)


Existem filmes que, muitas vezes, ultrapassam aquele relacionamento normal que existe entre platéia e película e que passam a ser objetos de culto. Na maior parte das vezes, os filmes considerados cult – como “Blade Runner – O Caçador de Andróides”, de Ridley Scott, e “Clube da Luta”, de David Fincher – possuem algumas características em comum: receberam críticas mistas, tiveram performances péssimas de bilheteria e alcançaram o sucesso no mercado de vídeo/DVD. O caso de “Serpentes a Bordo”, filme do diretor David R. Ellis (“Celular – Um Grito de Socorro”), é quase único, pois, mesmo antes de ser feito, o filme já atraía uma legião de fãs.

A história por trás da produção de “Serpentes a Bordo” é ainda mais interessante. O filme, apesar de ter conseguido um astro do porte de Samuel L. Jackson, vivia engavetado nos estúdios New Line. Foi somente graças ao lobby de Jackson (que passou a dizer em programas de TV que seu próximo filme iria ser esse) e aos blogs da Internet que as filmagens de “Serpentes a Bordo” começaram.

O filme, é claro, trata do pânico e das mortes causadas pela presença de um monte de cobras num vôo que ia do Havaí para Los Angeles. No entanto, por trás dessa trama principal existe uma outra: Edward King (Byron Lawson) é um bandido que há muito tempo vem sendo investigado pela polícia norte-americana. No Havaí, ele mata o promotor do seu caso. Por acidente, o jovem Sean Jones (Nathan Philipps) testemunha o crime e passa a ser o alvo principal de Kim. É por causa dele, que está indo para Los Angeles testemunhar no caso contra Kim - Samuel L. Jackson interpreta o agente do FBI que está fazendo a sua escolta -, que o avião será atacado pelas temidas criaturas rastejantes.

Os aviões sempre foram considerados um dos meios de transporte mais seguros do mundo. Depois dos atentados terroristas de 11 de setembro, a segurança nos aeroportos passou a ser ainda mais rígida. Por essa razão, fica difícil acreditar na trama de “Serpentes a Bordo”. No entanto, quando se tenta deixar de lado toda a bizarrice que é o roteiro desse filme, dá até para a platéia se divertir, se assustar e também ficar impressionada com a capacidade que os roteiristas John Hefferman, Sebastian Gutierrez e David Dalessandro tiveram em anabolizar a trama de “Serpentes a Bordo”. No entanto, a mesma pergunta ficará na mente de todos aqueles que forem assistir a este filme: por quê tanto barulho em torno de algo tão ruim?

Cotação: 1,0

Crédito Foto: Yahoo! Movies

Saturday, September 09, 2006

O Maior Amor do Mundo (2006)


Durante a maior parte de “O Maior Amor do Mundo”, filme dirigido e roteirizado por Carlos Diegues, o personagem principal Antônio (José Wilker quando mais velho e Max Fercondini quando mais novo) é um mistério para a platéia – e, talvez, até para ele próprio. Também pudera, afinal Antônio passou a vida fugindo de conflitos, de relacionamentos e, principalmente, do envolvimento emocional com as pessoas com quem compartilhava o seu dia-a-dia. Ou seja, falta a Antônio uma identidade própria, pois ele se esconde por trás de sua personalidade introvertida.

Por esta razão, é importante mencionar que “O Maior Amor do Mundo”, na realidade, retrata uma grande jornada de autodescoberta pela qual Antônio passará. Para ser mais clara, as atitudes que Antônio têm no decorrer do filme são mais uma reação à primeira notícia que irá mudar a sua vida: a descoberta de um tumor inoperável no cérebro – o que o deixa na terrível situação de ter que conviver com a noção de que sua morte é somente uma questão de tempo.

A descoberta da doença coincide com uma viagem – a última – que Antônio vai fazer ao Brasil, país natal que ele deixou para trás. Antônio é um astrofísico que mora em Boston e que vai receber uma medalha de honra ao mérito, provavelmente, das mãos do próprio presidente da República. Ele, portanto, aproveita a ocasião para visitar seu pai, o maestro Antônio (Sérgio Britto quando mais velho e Marco Ricca quando mais novo) – um homem tão distante quanto seu filho –, e divide com ele o seu destino.

A revelação faz com que o pai de Antônio dê para ele a segunda notícia que irá abalar a sua vida: ele gostaria que seu filho tivesse conhecido a mãe biológica – tendo em vista que Antônio foi adotado pelo maestro e sua esposa Carolina (Deborah Evelyn) quando ainda era bebê. Isso desperta algo que andava adormecido em Antônio e ele começa a busca pelo paradeiro de sua mãe, e entra em contato com o mundo e as pessoas – Mãe Santinha (Lea Garcia), Luciana (Taís Araújo), Flora (Ana Sophia Folch) e o garoto Mosca (Sérgio Malheiros) – com as quais ele deveria ter vivido. Em decorrência disso, Antônio encontra a sua identidade quando passa a questionar a sua vida e, de certa maneira, ser grato por todas as oportunidades que ele teve.

“O Maior Amor do Mundo” chega a ser um filme lento e de desenvolvimento meio confuso. No entanto, o filme consegue deixar bem claro para a platéia que os acontecimentos retratados pelo roteiro são um reflexo direto da vida que Antônio teve. O filme muda de curso quando Antônio passa a derrubar as suas barreiras e começa – antes tarde do que nunca – a viver de verdade. Chega a ser incrível ver a transformação pela qual ele passa. Isso é mérito direto da excelente atuação de José Wilker, um ator de personalidade expansiva e, até certo ponto, espalhafatosa. Ele está tão imerso e contido no seu personagem que em nenhum momento nós chegamos a reconhecê-lo. Ele é Antônio.

Cotação: 6,0

Crédito Foto: Yahoo! Cinema

Wednesday, September 06, 2006

Trair e Coçar é só Começar (2006)


“Trair e Coçar é Só Começar”, peça escrita pelo ator Marcos Caruso (que atualmente está no centro de todas as atenções na novela “Páginas da Vida”, interpretando o marido da vilã personificada por Lília Cabral), estreou nos palcos em 1986 e até hoje é encenada. Por essa razão, a peça está no Guiness Book, o livro dos recordes, como a peça que está em cartaz há mais tempo no Brasil. O espetáculo ficou também marcado por ter revelado o talento da atriz Denise Fraga como comediante e, seguindo a linha de “Irma Vap – O Retorno”, faz a transição dos palcos para o cinema.

O filme “Trair e Coçar é Só Começar” foi dirigido por Moacyr Góes e adaptado pelo próprio Caruso e sua parceira habitual Jandira Martini. A história se passa no decorrer de um dia, quase sempre no mesmo espaço – o Edifício Caruso – e é centrada na empregada doméstica Olímpia (Adriana Esteves), que trabalha na casa da arquiteta Inês (Bianca Byington) e do cardiologista Eduardo (Cássio Gabus Mendes). Assim como muitas das suas colegas de trabalho, Olímpia é meio intrometida e confusa – características essas que serão importantíssimas para o desenvolvimento da trama de “Trair e Coçar é Só Começar”.

Inês está comemorando quinze anos de casada com Eduardo. Aproveitando a ausência do seu marido – que está em um congresso médico –, Inês prepara um jantar surpresa de comemoração; e, para isso, conta com a ajuda de sua amiga Lígia (Mônica Martelli), que é casada com Cristiano (Mário Schoemberger), o melhor amigo de Eduardo. Entretanto, os planos de Inês começam a ir por água abaixo quando Eduardo chega antes do esperado em casa. E é justamente em decorrência da tentativa de Olímpia em evitar que o jantar de comemoração seja arruinado que os personagens de “Trair e Coçar é Só Começar” entram numa série de encontros, desencontros e confusões – todos eles envolvendo suspeitas de adultério.

O trailer de “Trair e Coçar é Só Começar” causava a impressão de que este filme seria um sério candidato ao título de uma das piores películas de 2006; mas ele acaba surpreendendo. Se Adriana Esteves não tem a qualidade de uma Denise Fraga, ela acaba suprindo a desconfiança inicial entregando uma performance de timing cômico perfeito. O roteiro do filme, por mais absurdo que pareça, é bem desenvolvido e seu desfecho não deixa nenhuma pergunta sem resposta. A única ressalva vai para a direção burocrática de Moacyr Góes que, esteticamente, transforma seu filme num programa de TV. Mesmo assim, é muito bom que nós possamos ser surpreendidos de vez em quando.

Cotação: 4,0

Crédito Foto: Yahoo! Cinema

Tuesday, September 05, 2006

A Casa Monstro (Monster House, 2006)


Todo mundo já teve na vida algum vizinho chato, daquele tipo que tolhava a criatividade da criançada da vizinhança, proibindo brincadeiras em seu quintal ou qualquer tipo de barulho perto de sua casa. D.J. (dublado por Mitchell Musso na versão original) possui um vizinho, que mora na casa em frente à sua, que é exatamente assim. Epaminondas (dublado por Steve Buscemi na versão original) é um senhor de meia-idade, viúvo e que mora sozinho em uma casa de aparência velha, mal cuidada e cheia de avisos como “afaste-se” e “cuidado” no seu quintal. A criança que tem a audácia de ignorar tais avisos vai embora da casa de Epaminondas sem algum brinquedo favorito.

A “diversão” principal de DJ é observar os movimentos de Epaminondas e saber quantas crianças ele magoou num determinado dia. No dia do Halloween, quando seus pais decidem viajar, DJ começa a brincar com seu amigo Bocão (dublado por Sam Lerner na versão original). Acidentalmente, Bocão deixa a sua bola de basquete cair justamente no quintal de Epaminondas. É nesse momento em que DJ irá presenciar de perto aquilo que só via de longe. No entanto, enquanto dá uma bronca em DJ, Epaminondas começa a passar mal e cai durinho da silva no chão como se estivesse morto.

Após a “morte” de Epaminondas (a platéia só vai ter certeza de que ele estava morto ou não numa seqüência fundamental para o final de “A Casa Monstro”, animação do diretor Gil Kenan), DJ percebe que a paz ainda não voltou para a sua vizinhança, pois uma série de fenômenos estranhos começa a ocorrer na casa de Epaminondas – o que faz com que ele, Bocão e a garota Jenny (dublada por Spencer Locke na versão original), que perdeu seu carrinho de doces no quintal da casa, pensem que a mesma é amaldiçoada. Na tentativa de desvendar esse mistério, os três irão embarcar em uma jornada por um mundo estranho e marcado pela desilusão com o amor.

“A Casa Monstro” é um filme de animação completamente diferente de muitos que já assistimos – a começar pela técnica de animação que foi empregada na película. É claro que “A Casa Monstro” é um filme dirigido para as crianças e seus pais, mas, ao contrário de outros filmes do gênero, não possui um roteiro leve e divertido. “A Casa Monstro” fará com que as crianças entrem em contato com o seu lado assustador e receoso. E é muito bom que existam filmes assim, pois é importante mostrar para a criançada que, às vezes, o mundo pode ser, sim, triste. A questão mais interessante é fazê-las perceber também que todos esses momentos obscuros pelos quais passamos podem ser superados. E isso “A Casa Monstro” faz com maestria.

Cotação: 6,0

Crédito Foto: Yahoo! Movies

Saturday, September 02, 2006

A Dama na Água (Lady in the Water, 2006)


A estréia como diretor e roteirista do indo-americano M. Night Shyamalan foi arrebatadora. “O Sexto Sentido” é um filme que possui uma trama inteligente e que pegava o espectador desprevenido – tendo em vista que ninguém esperava que o filme terminasse daquela maneira. O resultado foi que Shyamalan virou um grande nome da noite para o dia – e seus filmes seguintes estrearam rodeados por um espectro de curiosidade e expectativa.

“Corpo Fechado” – um favorito da crítica – e “Sinais” tiveram uma boa bilheteria, mas não tiveram metade do impacto que “O Sexto Sentido” teve. Já “A Vila”, foi um filme que teve a compreensão da crítica, mas foi odiado pelo público, que não viu graça nenhuma em acompanhar um filme de suspense cujo maior segredo é revelado no meio da trama. Teria M. Night Shyamalan perdido a mão ou se tornado um cineasta incompreendido? A pré-produção de “A Dama na Água” só veio colocar mais lenha na fogueira – afinal, em decorrência de diferenças criativas, o diretor e roteirista encerrou uma parceria de longos anos com os estúdios Disney e migrou para a Warner Bros.

O roteiro de “A Dama na Água” foi sendo construído por M. Night Shyamalan na medida em que ele contava histórias de ninar para seus filhos dormirem. Essa influência está bastante explicitada no prólogo do filme, quando o diretor e roteirista usa gravuras para retratar a relação do homem com a água – no início, a água servia como uma espécie de guia para os humanos. Com o tempo, estes quiseram ir morar em locais cada vez mais longe das águas, por isso o mundo entrou em parafuso e os homens se voltaram uns contra os outros.

De acordo com M. Night Shyamalan, um anjo das águas visita os homens de vez em quando para passar uma mensagem para eles, de forma que o curso da humanidade seja modificado. É isso o que irá acontecer com Cleveland Heep (Paul Giamatti), zelador de um prédio na Filadélfia em que moram tipos estranhos. Heep sabe de tudo sobre os outros, os quais, por sua vez, pouco sabem sobre a vida dele. Quando Cleveland começa a notar uma movimentação estranha na piscina do prédio durante a noite, ele descobre a criatura narf Story (Bryce Dallas Howard, atriz revelada pelo diretor e roteirista no filme “A Vila”). Ela veio para a terra para deixar uma mensagem para o escritor (o próprio Shyamalan) de um livro sobre os problemas culturais do mundo. Depois que a mensagem é transmitida, todos no prédio têm que se unir para ajudar Story a voltar para o seu Mundo Azul.

“A Dama na Água” retoma um tema recorrente na filmografia de M. Night Shyamalan. Assim como os personagens de seus outros filmes, Cleveland Heep e os moradores do prédio no qual ele trabalha buscam algo em que acreditar. O filme faz referência aos Estados Unidos de hoje – um país envolvido em uma guerra interminável – e mostra através de suas ações que as pessoas têm a possibilidade de mudar o curso dos acontecimentos, pois elas nunca estão sozinhas – numa cena que é uma das passagens mais lindas de “A Dama na Água”.

O filme ainda faz referências à relação complicada que se estabeleceu entre M. Night Shyamalan e os críticos (o ator Bob Balaban, inclusive, interpreta um crítico de cinema, que é uma espécie de narrador interno do filme e antecipa alguns acontecimentos; para, depois, ser desmentido pelo roteiro criado por Shyamalan). É como se o diretor e roteirista quisesse dizer a todos que ele é o dono de sua carreira e que ele controla aquilo que faz. “A Dama na Água” é um filme complicado – talvez o pior da carreira de Shyamalan – e, tenho certeza, que será incompreendido por muitos – fato que não impede que outros considerem este filme como uma obra-prima; neste caso, se isso for verdade, o tempo se encarregará de colocá-lo em seu devido lugar.

Cotação: 5,5

Crédito Foto: Yahoo! Movies

Friday, September 01, 2006

Casseta e Planeta - Seus Problemas Acabaram!!! (2006)


O grupo de humoristas que formam o Casseta e Planeta – Bussunda (que faleceu, em 2006, na Alemanha, enquanto cobria a Copa do Mundo), Reinaldo, Hélio de la Peña, Cláudio Manoel, Beto Silva, Marcelo Madureira, Hubert e Maria Paula –, há quatorze anos, entram todas as terças-feiras nas casas de milhões de brasileiros através de seu programa de televisão, transformando em motivos de riso o cotidiano e os problemas crônicos do nosso país. Em 2003, o grupo fez a transição da televisão para o cinema com o filme “Casseta e Planeta – A Taça do Mundo é Nossa”, do diretor Lula Buarque de Holanda. O resultado foi que o filme foi uma decepção geral.

Para a segunda incursão do grupo no cinema, no filme “Casseta e Planeta – Seus Problemas Acabaram!!!”, os Cassetas convidaram José Lavigne, o diretor do programa do grupo na TV, para dirigir o filme. Ao mesmo tempo, os Cassetas trabalham com um roteiro-base, que conta a história da batalha judicial entre o advogado Botelho Pinto (Murilo Benício) contra as Organizações Tabajara, cujos produtos prejudicaram as vidas de dois usuários. No entanto, este roteiro – ao contrário do que ocorreu com o primeiro filme do grupo – dialoga com o programa de TV, pois traz personagens conhecidos do público, como o Capitão Calcinha, Fucker e Sucker, Seu Creysson, Chicória Maria e os dois personagens da Sauna Gay. Além disso, “Casseta e Planeta – Seus Problemas Acabaram!!!” ainda traz a participação especial de Juliana Paes, Luana Piovani e Marcos Pasquim e tira uma onda com filmes como “Cidade de Deus”.

Porém, apesar de trabalhar com elementos e pessoas que são familiares ao universo do grupo Casseta e Planeta, o filme ainda sofre com os mesmos problemas vistos em “Casseta e Planeta – A Taça do Mundo é Nossa”. O roteiro de “Casseta e Planeta – Seus Problemas Acabaram!!!” é fraco e as piadas são extremamente sem graça. As únicas coisas que podemos tirar de proveito do filme são as performances de Murilo Benício e Maria Paula. Conhecido por ser uma personalidade chata, Benício surpreende ao aceitar tirar um sarro de si mesmo e se colocar em um papel ridículo. Só ele encarou “Casseta e Planeta – Seus Problemas Acabaram!!!” da maneira como ele deveria ser visto: como uma obra descompromissada e nada séria.

Cotação: 1,0

Crédito Foto: Yahoo! Cinema

Tuesday, August 29, 2006

Miami Vice (2006)


O seriado “Miami Vice”, que foi criado por Anthony Yerkovich, foi ao ar de 1984 a 1989. Muita gente hoje se lembra do seriado como o ápice da cafonice dos anos 80 – representado pela figura de Don Johnson e seu figurino formado pelos ternos de cor pastel, pelas camisas berrantes e pelo mocassim sem meia. No entanto, o seriado foi um dos marcos recente da televisão norte-americana, pois apresentou o mundo da polícia de Miami com uma linguagem ágil e com a opção por não suavizar no retrato da tríade sexo, drogas e violência.

Michael Mann foi produtor executivo da série e dirigiu alguns dos episódios de “Miami Vice”. Porém, surpreendentemente, ele nunca pensou em levar o seriado para a grande tela. Isso só aconteceu depois que Mann recebeu uma idéia de Jamie Foxx. Apesar de ser baseado no seriado de TV, não podemos considerar o filme “Miami Vice” (que além de ser dirigido foi escrito por Michael Mann) como uma transposição do seriado para a grande tela; e sim como o relato de uma nova história – afinal, o tráfico de drogas evoluiu desde os anos 80 e hoje é mais pesado e globalizado.

James “Sonny” Crockett (Colin Farrell, que traz um bigode e cabelo cafonas no lugar do figurino brega) e Ricardo Tubbs (Jamie Foxx) são detetives e parceiros na polícia de Miami. Na maior parte das vezes, Crockett e Tubbs trabalham em operações que os levam a locais luxuosos com a presença de muitas mulheres bonitas e sensuais. Além disso, os dois estão sempre a bordo de carros luxuosos (uma Ferrari para ser mais precisa), lanchas velozes e aviões. Ou seja, o estilo de vida de Sonny e Ricardo é muito bom e caro – o que faz com que a platéia levante suspeitas acerca de como os dois têm acesso a isso tudo, tendo em vista que o salário de um detetive de polícia não é lá essas coisas.

Após a morte de um dos informantes de Sonny e Ricardo em uma força tarefa que reunia várias porções da polícia dos Estados Unidos, os dois irão assumir – no lugar da força tarefa – a direção da operação que pretende desbaratar a estrutura de negócio do maior traficante de drogas da América Latina. Dessa maneira, Sonny e Ricardo se tornam cúmplices do traficante e assumem a função de transportar as mercadorias do bandido. É justamente no desenrolar dessa operação que a platéia pode confirmar que a essência de Sonny e Ricardo foi mantida no roteiro de Michael Mann. Enquanto o último é a parte mais responsável e confiável da parceria; o primeiro se deixa levar pela emoção e pela paixão – características ressaltadas quando Sonny começa a se envolver com Isabella (Gong Li), a mulher do chefão do tráfico.

“Miami Vice” é um filme que carrega toda a estética dos filmes dirigidos por Michael Mann. A fotografia tem o estilo documental – e isso ganha força na decisão de Mann de filmar em locações reais ao invés de utilizar os estúdios. Os vilões (especialmente José Yero, personagem interpretado por John Ortiz) se tornam personagens mais interessantes do que os protagonistas em determinados momentos do filme. “Miami Vice” também não economiza nas cenas de violência – que são muito gráficas –, mas isso teria que ser assim, pois a guerra travada todos os dias pelas forças policiais e pelos traficantes é tão ou mais pesada do que a retratada pelo filme. Enfim, “Miami Vice” é um modelo a ser seguido no que diz respeito aos filmes que são adaptações de séries de televisão. Afinal, o filme aqui é uma peça totalmente independente – e tão boa quanto – da série.

Cotação: 7,5

Crédito Foto: Yahoo! Movies

Wednesday, August 23, 2006

O Libertino (The Libertine, 2005)


A trama do filme “O Libertino”, do diretor Laurence Dunmore, se passa no século 17, numa época em que a Inglaterra era governada pelo rei Charles II (John Malkovich). Nesse período, o rei Charles II permitiu o pleno desenvolvimento das atividades artísticas (especialmente as teatrais) e de um estilo de vida boêmio, que era marcado pelo uso exagerado de bebidas alcoólicas e pela liberdade sexual. O poeta John Wilmot (Johnny Depp), também conhecido como Conde de Rochester, era um representante fiel desse modo de viver.

Melhor amigo do rei Charles II, Johnny se casou com Elizabeth Malet (Rosamund Pike), uma mulher rica que ele raptou, mas não conseguia deixar de lado o uso de bebidas ou os encontros com as prostitutas. Por causa do alvoroço causado pelo rapto que o levou ao casamento com Elizabeth, Johnny passou um tempo afastado do reino – local para onde ele retorna depois que o rei Charles II o chama para que ele possa escrever um grande épico que represente o espírito de seu reino. No entanto, o foco de Johnny está todo voltado para a atriz Lizzy Barry (Samantha Morton), que é um fiasco de público. O Conde de Rochester se apaixona, então, pela atriz e começa a se dedicar com afinco à tarefa de transformá-la em uma grande atriz – numa época, vale lembrar, em que as mulheres tinham uma série de restrições para subirem nos palcos.

No prólogo de “O Libertino”, Johnny conversa com a platéia e avisa: provavelmente, os homens o odiarão, enquanto as mulheres o amarão. Na verdade, acredito que os atos de Johnny até o momento em que ele escreve a grande peça pornográfica sobre a corte inglesa (ao invés do grande épico que o rei Charles II tinha em mente) não causam nenhum sentimento na platéia. A partir do momento em que Johnny aparece – depois de uma série de acontecimentos mal explicados pelo roteiro – com o rosto desfigurado, sem conseguir se locomover e vivendo como um médico charlatão (tudo uma conseqüência de seu pesado estilo de vida), ele começa a estabelecer um envolvimento com a platéia, pois o público finalmente entende que tudo aquilo que ele fez foi parte de uma busca pessoal de Johnny pelo senso de se sentir amado pelas pessoas.

O personagem de John Wilmot foi feito sob medida para o ator Johnny Depp. Somente ele possui o carisma necessário para entregar as falas sarcásticas e irônicas de seu personagem sem atrair a antipatia da platéia. Somente ele conseguiria mergulhar neste universo obscuro e intrigante que é habitado pelo Conde de Rochester. Depp não é o único a brilhar em “O Libertino”. Samantha Morton e Rosamund Pike também se destacam como as duas mulheres da vida de Johnny. O filme ainda possui um belo trabalho de composição de figurinos, de fotografia e de direção de arte. Mas peca justamente no desenvolvimento do roteiro escrito por Stephen Jeffreys com base na peça que ele mesmo escreveu – especialmente na hora final de “O Libertino”.

Cotação: 4,0

Crédito Foto: Yahoo! Movies

Saturday, August 19, 2006

Protegida por um Anjo (Half Light, 2006)


Houve uma época em que Demi Moore era considerada como uma das estrelas de cinema mais famosas do mundo. Seus filmes, quando eram lançados, causavam curiosidade no público e, algumas vezes, eram sucessos de bilheteria. Depois de fazer algumas más escolhas (como os filmes “Striptease” e “Até o Limite da Honra”), Moore fez o que poucos atores fariam: deixou de lado a carreira, foi viver num rancho no interior dos Estados Unidos e se dedicou por completo ao papel de mãe das três filhas que têm com o ex-marido, o também ator Bruce Willis. Moore só interrompia sua rotina para fazer poucos filmes. Um desses retornos aconteceu no filme “As Panteras – Detonando” e, três anos depois do lançamento desse filme, Moore está de volta à grande tela em “Protegida por um Anjo”, do diretor e roteirista Craig Rosenberg.

Em “Protegida por um Anjo”, Demi Moore interpreta a famosa escritora norte-americana Rachel Carlson, que vive em Londres com o marido, o também escritor Brian (Henry Ian Cusick, que fez uma participação especial na segunda temporada da série “Lost” interpretando Desmond), e o filho Thomas (Beans El-Balawi), que é fruto do primeiro relacionamento da escritora. Quando a platéia vê Rachel pela primeira vez, ela está lidando com a redação de seu próximo livro e com as frustrações de seu marido, que viu um livro seu ser rejeitado novamente por uma editora.

Após uma tragédia familiar (a morte do filho Thomas em decorrência de um afogamento), Rachel viu não só o seu casamento ruir, como também o desaparecimento de qualquer vontade que ela tinha para escrever. Por sugestão de sua amiga jornalista Sharon (a péssima Kate Isitt), Rachel se muda para uma casa isolada numa pequena cidade do interior da Inglaterra, aonde ela espera reencontrar a paz para poder recomeçar a sua vida e voltar a escrever. Os desejos de Rachel ameaçam não se tornar realidade quando ela começa a sentir a presença de Thomas e, em alguns momentos, chega até a receber mensagens do filho morto – é nesse momento em que “Protegida por um Anjo” começa a dialogar com “Ghost – Do Outro Lado da Vida”, o filme que catapultou o nome de Demi Moore para a fama.

A trama criada pelo diretor e roteirista Craig Rosenberg para “Protegida por um Anjo” se desenrola muito bem no primeiro e no segundo ato do filme (que retratam a angústia de Rachel ao sentir o espírito do filho próximo de si e o nascimento de um romance entre a escritora e o faroleiro interpretado por Hans Matheson) – são também nestes dois atos que se destaca a belíssima trilha sonora composta por Brett Rosenberg (e que tem influência da música minimalista, com seus acordes repetitivos e poucas variações). No entanto, quando “Protegida por um Anjo” chega ao seu terceiro – e último – ato (que retrata o desenvolvimento de uma trama criminal), Rosenberg perde o controle sob seu filme.

Faltou sensibilidade a Craig Rosenberg para perceber que o ponto alto da história de “Protegida por um Anjo” era a busca de uma mulher pela paz que ela perdeu. Quando o filme foge desse foco, a platéia se dispersa e perde toda aquela identificação inicial que foi estabelecida com a trama. Incomoda também a facilidade com que Rachel reencontra seu propósito de vida depois de vivenciar uma série de situações ruins. Não estou dizendo que isso é impossível de acontecer, mas, na vida real, a bonança demora muito para acontecer depois que uma tempestade passa na vida de uma pessoa.

Cotação: 3,0

Crédito Foto: Yahoo! Cinema

Tuesday, August 15, 2006

Click (2006)


Hoje em dia, cada vez menos as pessoas têm tempo para se dedicar com afinco às suas atividades pessoais e profissionais. Em conseqüência disso, as pessoas acabam privilegiando – em diferentes momentos de suas vidas – ou o lado profissional ou o lado pessoal. Esse não é o caso do arquiteto Michael Newman (Adam Sandler), que coloca sempre o trabalho (e a possibilidade de se tornar sócio da empresa em que está empregado) em primeiro lugar, em detrimento de sua esposa Donna (Kate Beckinsale, que tem seu talento completamente mal aproveitado neste filme) e dos filhos Ben (Joseph Castanon) e Samantha (Tatum McCann).

Enquanto controla a mão de ferro a sua vida profissional, tomando cuidado com cada passo que dá, Michael experimenta um certo descontrole em sua vida pessoal. Ele não consegue nem dar a atenção certa à esposa e aos filhos, quanto mais descansar em seu próprio lar. Por isso, em um momento de raiva, Michael sai pela noite em busca de uma loja que lhe venda um controle remoto universal – do tipo que controla todos os equipamentos eletrônicos. Ele encontra o tal produto na loja “Bad, Bath & Beyond” com o “vendedor” Morty (Christopher Walken). No entanto, ao invés de facilitar a vida de Michael, o controle remoto universal vai só trazer ainda mais descontrole para a vida do arquiteto, afinal o produto tem a capacidade de controlar todos os acontecimentos de sua vida.

Quem assistiu ao trailer de “Click”, filme do diretor Frank Coraci, e teve a oportunidade de assistir ao filme em si, saberá que o trailer vende um filme completamente diferente daquele que a platéia acaba assistindo. Enquanto a platéia assiste Michael se divertindo feito uma criança ao descobrir os recursos infinitos do seu controle remoto universal, “Click” é um filme bastante engraçado. No entanto, quando o filme entra em um viés mais dramático em que é mostrado o preço que Michael paga ao avançar no tempo para conseguir de maneira mais rápida aquilo que ele mais desejava (a promoção no trabalho), “Click” se perde nas suas próprias armadilhas para querer ser levado mais à sério.

Ao que tudo indica, o ator e produtor Adam Sandler tomou como exemplo profissional o seu amigo (e também) comediante Jim Carrey. Tanto Sandler quanto Carrey tiveram um começo de carreira parecido e participaram de programas de televisão antes de alcançarem a fama e o sucesso fazendo filmes de comédia. Carrey deu um passo à frente de seus companheiros comediantes quando abraçou papéis de cunho mais dramático (como os do filme “O Show de Truman” e “Brilho Eterno de uma Mente Sem Lembranças”) alcançando o reconhecimento que lhe faltava – o da crítica. Já Sandler colheu elogios pela sua performance em “Embriagado de Amor”, filme do diretor Paul Thomas Anderson; e, desde então, só tem feito os filmes que são produzidos pela sua própria produtora (a Happy Madison). “Click” é o seu “Todo Poderoso” (filme em que Carrey interpreta um jornalista que recebe os poderes divinos das mãos do próprio Deus), mas ainda falta a Sandler o carisma que Carrey possui – e isso, infelizmente, Sandler não pode copiar do amigo.

Cotação: 3,0

Crédito Foto: Yahoo! Movies

Wednesday, August 09, 2006

Assombração (Gwai Wik, Re-Cycle, 2006)


Sem dúvida alguma, os filmes de terror mais populares da atualidade são aqueles produzidos nos países do Oriente. Todos esses filmes possuem alguns elementos em comum: um roteiro que fala em uma maldição e em alguém que tem que acabar com ela. “Assombração”, filme dos diretores Oxide Pang Chun e Danny Pang, apresenta uma trama que foge de todos esses clichês.

Ting-Yin (Angelica Lee) é uma escritora que usa o codinome Chu Xun e cujos três primeiros livros se tornaram best-sellers no sudeste asiático – um deles, inclusive, chegou a ser adaptado para o cinema. Quando o agente de Chu Xun, Lawrence (Lawrence Chou), anuncia o próximo livro da escritora – que falará sobre forças sobrenaturais –, ela começa a perceber a existência de uma série de acontecimentos estranhos na sua vida e que acabarão atrapalhando-a no processo de construção de seu livro.

Ao mesmo tempo, logo após receber a visita de alguém de seu passado – e com quem Chu Xun esteve envolvida romanticamente –, a escritora entra em uma espécie de viagem pelo seu inconsciente e passa a entrar em contato com tudo aquilo que ela reprimiu ao longo dos anos. Esse acontecimento marca também o nascimento de um conflito em que a escritora – bem como a platéia de “Assombração” – tem dificuldades de distinguir o que é real do que é imaginário.

A primeira impressão que se tem é a de que realmente “Assombração” se diferencia dos outros filmes de terror produzidos nos países orientais. Ledo engano. No filme, encontramos a presença do medo representada pelos telefonemas estranhos, pelas mechas soltas de cabelo e pela água em excesso (não conheço a cultura do oriente, mas gostaria realmente de saber o por quê desses elementos serem utilizados como representantes fiéis do sentimento do medo). Quando “Assombração” entra na jornada de Chu Xun pelo seu inconsciente, o roteiro (que já era sofrível) se transforma numa reunião de fatos sem nexo algum. Mesmo com todos os problemas, ainda se podem ver algumas qualidades em “Assombração”: a maquiagem dos seres bizarros (e nada assustadores) que Chu Xun encontra no seu inconsciente está perfeita; e os efeitos visuais (especialmente na última seqüência da escritora no seu inconsciente) são muito bem feitos.

Cotação: 1,0

Crédito Foto: Yahoo! Cinema

Sentinela (The Sentinel, 2006)


Quem nunca ouviu falar do Serviço Secreto dos Estados Unidos, com certeza achará os trinta primeiros minutos de “Sentinela”, filme do diretor Clark Johnson (“S.W.A.T. – Comando Especial”), bastante didáticos. Neles, são apresentados a função principal dos agentes do Serviço Secreto norte-americano: cuidar da segurança do presidente do país (David Rasche) e de sua família. Um dos agentes mais experientes e importantes da atual equipe do Serviço Secreto é Pete Garrison (Michael Douglas, que também é o produtor do filme).

Pete Garrison se torna o inimigo número um de seus companheiros de trabalho – especialmente do agente David Breckinridge (Kiefer Sutherland, o Jack Bauer da popular série “24 Horas”) e da novata Jill Marin (Eva Longoria, a Gabrielle Solis do seriado “Desperate Housewives”) – depois que a morte do agente Charlie Merriweather (interpretado pelo próprio diretor do filme Clark Johnson) revela um plano para assassinar o presidente dos Estados Unidos. A partir deste momento, a trama de “Sentinela” se divide no retrato de duas guerras: a maior, que é travada pela equipe do Serviço Secreto para evitar a morte do presidente e conseguir a prisão de Garrison; e uma segunda guerra a ser travada de maneira particular (mas nem por isso menos importante do que a primeira) por Garrison para provar a sua inocência e evitar que o seu romance com a primeira-dama dos Estados Unidos (Kim Basinger) seja descoberto.

Após assistir “Sentinela”, você provavelmente ficará com a sensação de que já viu algum filme parecido com esse antes. Um deles é “Na Linha do Fogo”, do diretor Wolfgang Petersen, que coloca Clint Eastwood como um agente do Serviço Secreto que tem que superar suas próprias limitações físicas (decorrentes de sua idade) e mentais para evitar a morte do presidente dos Estados Unidos em um atentado. O diretor Clark Johnson compensa a mesmice de seu roteiro com uma direção segura e que mantém o clima de tensão desde a primeira cena até à conclusão do maior conflito de “Sentinela”. É bom também prestar atenção aos vários erros presentes em “Sentinela” – podem-se notar equívocos de continuidade (especialmente numa cena em que a personagem de Eva Longoria começa vestindo uma roupa e termina com outra) e, principalmente, de construção do roteiro (os agentes do Serviço Secreto conseguem antever cada passo que o presidente dos Estados Unidos dá, mas não conseguem perceber que a primeira-dama estava tendo um caso extraconjugal?).

Cotação: 4,5

Crédito Foto: Yahoo! Movies

Saturday, August 05, 2006

Zuzu Angel (2006)


Atualmente, a moda brasileira (bem como as nossas modelos) vivem um momento especial, de reconhecimento e interesse internacional. Entretanto, esta não foi a primeira vez que esse fenômeno foi notado. Em 1971, a estilista mineira radicada no Rio de Janeiro Zuzu Angel projetou a moda brasileira pelo mundo afora, quando as suas coleções alcançaram sucesso em cidades como Nova York.

A cinebiografia “Zuzu Angel”, do diretor Sergio Rezende (que também co-escreveu o roteiro do filme ao lado de Marcos Bernstein), não retrata este momento em particular da vida da estilista Zuzu Angel, e sim a luta da mãe Zuzu Angel na busca pelo corpo de seu filho Stuart Edgard Angel Jones (Daniel de Oliveira), um militante político em plena época da ditadura militar no Brasil, e que foi preso, torturado e assassinado pelos agentes do Centro de Informações da Aeronáutica – sendo, posteriormente, declarado como desaparecido político.

A ditadura militar não é um território desconhecido pelo diretor Sergio Rezende – tendo em vista que ela já foi tema de um de seus filmes, “Lamarca”, de 1994 (Paulo Betti, inclusive, que interpretou o guerrilheiro neste filme faz uma pequena participação em “Zuzu Angel”). Por esta razão, Rezende toma a decisão acertada de, em “Zuzu Angel”, enfocar somente a batalha pessoal de Zuzu Angel. Tal batalha moveu autoridades políticas nacionais e internacionais e afetou profundamente a vida pessoal e profissional da estilista. Zuzu sempre foi ciente das atividades políticas de seu filho Stuart, mas, assim como a maioria dos brasileiros no período da ditadura militar, ela preferia se manter à margem de tudo o que estava acontecendo. Se o Brasil vivia um período político obscuro, as roupas criadas por Zuzu Angel retratavam as belezas naturais e a vivacidade do país. É somente após o desaparecimento de Stuart que Zuzu acorda para a situação confusa e caótica vivida no Brasil e passa a se manifestar naquilo que ela sabia fazer de melhor: suas roupas, que passam a estampar figuras inocentes, mas que, ao mesmo tempo, contestavam o momento político do país.

“Zuzu Angel” é um filme que tem um eixo emocional muito bem definido e ele é representado pela figura da atriz Patrícia Pillar, que está presente em quase todas as cenas do filme e, em conseqüência disso, interage com quase todos os (excelentes) atores que participam da trama (como Luana Piovani, Alexandre Borges, Othon Bastos, Leandra Leal, Regiane Alves, Ângela Vieira, Ângela Leal, Flávio Bauraqui, Nélson Dantas, Fernanda de Freitas, Antônio Pitanga, Aramis Trindade, Caio Junqueira, dentre outros). Poder interpretar Zuzu Angel – uma personagem difícil, pois sua trajetória de vida é cheia de facetas e de nuances – é a oportunidade da vida de Pillar, que é acostumada a ser uma coadjuvante de luxo nos seus trabalhos na televisão. E a atuação que ela proporciona é, literalmente, de entrega emocional e, se já não era difícil se identificar com a cruzada pessoal de Zuzu Angel, fica ainda mais complicado não se envolver com tudo aquilo que a estilista passou depois de vê-la pelos olhos de Patrícia Pillar.

O filme “Zuzu Angel” se transforma numa importante peça histórica para nos lembrar de que houve um tempo em que as pessoas eram perseguidas simplesmente por defenderem os ideais nos quais acreditavam. A luta de Zuzu Angel foi igual à de muitas outras mães que também perderam os seus filhos nos porões da ditadura militar brasileira; a diferença é que Zuzu tinha os meios – e os contatos – disponíveis para conseguir ser ouvida. É triste perceber que gente como ela e Stuart tiveram que morrer para que nós tivéssemos o direito de nos expressar livremente e defendermos aquilo que achamos ser o mais correto. Nossas crenças são uma arma poderosa e, em ano de eleições, é bom que nós as sigamos para termos um país justo e, quem sabe, mais digno – fazendo com que a luta de Stuart, Zuzu e tantos outros não tenha sido em vão.

Cotação: 9,6

Crédito Foto: Yahoo! Cinema

Wednesday, August 02, 2006

Bandidas (2006)


Sara Sandoval (Salma Hayek), como toda jovem rica, é uma pessoa pedante e mimada. Filha do dono de um banco, ela está de volta à sua pequena cidade do México depois de dez anos estudando na Europa. Maria Alvarez (Penélope Cruz), ao contrário, é uma jovem pobre e que só entende dos assuntos do campo (ofício que aprendeu ao ajudar seu pai nos cuidados com a fazenda da família). Maria compensa a sua falta de educação com muita malícia e malandragem para lidar com os obstáculos do dia-a-dia.

Estas mulheres tão distintas são as protagonistas do filme “Bandidas”, dos diretores Joachim Roenning e Espen Sandberg, e irão se juntar para derrubar um plano que tem arruinado as vidas dos habitantes da cidade mexicana aonde as duas moram. O Sr. Jackson (Dwight Yoakam, que rouba a cena toda vez em que aparece) é o representante de um banco de Nova York que aparece na cidade de Sara e Maria para tomar as terras dos habitantes que estão devendo dinheiro ao banco local. As terras desapropriadas serão utilizadas para a construção de uma ferrovia. Na sua jornada pessoal, o Sr. Jackson não aceita um não como resposta e quem se coloca no caminho dele (como é o caso dos pais de Sara e Maria) pode acabar seriamente machucado ou até morto.

Por mais que sejam diferentes, Sara e Maria possuem personalidades que se complementam e é justamente a mistura das duas que irá se sobressair quando, juntas, elas decidem assaltar os bancos representados pelo Sr. Jackson; repassando, dessa maneira, o dinheiro para que a população possa saldar as suas dívidas e recuperar as suas terras. Mas se engana quem pensa que “Bandidas” é um filme que exalta o girl power. Pelo contrário, o roteiro do francês Luc Besson (que também produz o filme) e Robert Mark Kamen aproveita a união de Sara e Maria para difundir todos os conceitos que os homens possuem em relação às mulheres. A amizade que nasce entre as duas é cheia de rivalidade, ciúme e inveja (ainda mais quando entra em cena o perito em ciências criminais interpretado por Steve Zahn). “Bandidas” assume de vez o seu lado de “filme para garotos” quando se aproveita dos figurinos apertados para valorizar os atributos físicos de Salma Hayek e Penélope Cruz e quando insere Sara e Maria numa disputa pela atenção de um homem (a qual é marcada por uma desnecessária guerra de beijos).

Em certos momentos, “Bandidas” lembra muito os filmes do diretor Robert Rodriguez (especialmente “El Mariachi”, “A Balada do Pistoleiro” e “Era uma Vez no México”). Estão lá no filme a trilha baseada nas músicas típicas mexicanas, a fotografia que explora as cores fortes, a presença das mulheres sensuais e, principalmente, a sensação de justiça que é trazida pela vingança. No entanto, essa é somente uma grande impressão, pois os diretores Joachim Roenning e Espen Sandberg não têm metade do talento de Rodriguez. No final, “Bandidas” é somente uma cópia mal feita de um produto de melhor qualidade.

Cotação: 3,5

Crédito Foto: Yahoo! Movies

Monday, July 31, 2006

Sorte no Amor (Just My Luck, 2006)


Em “Ponto Final”, o último filme do diretor e roteirista Woody Allen, o personagem Chris Wilton critica a subestimação que a sorte ganha na vida das pessoas. Esse fator, com certeza, não está em segundo plano nas vidas de Ashley Albright (Lindsay Lohan) e Jake Hardin (Chris Pine), os protagonistas de “Sorte no Amor”, do diretor Donald Petrie (“Como Perder um Homem em 10 Dias”). Ela pode ser considerada a garota mais sortuda de Nova York (do tipo que sempre consegue um táxi e os vestidos mais lindos pelos preços mais baratos). Já ele pode ser intitulado como o rapaz mais azarado de Nova York (a ponto de andar equipado com uma mochila para ajudá-lo nas eventuais “emergências” com as quais ele se depara).

Na trama que se desenrola em “Sorte no Amor” fica bem claro que o encontro entre Ashley e Jake estava predestinado a acontecer. Ela trabalha numa firma de Relações Públicas e se prepara para planejar a festa do mais importante cliente de sua empresa (uma gravadora). Jake, que é funcionário de um boliche, se dedica também à função de produtor de uma banda (a McFly) e tenta – sempre sem sucesso – um encontro com Damon Phillips, o dono da gravadora atendida pela empresa em que Ashley trabalha. E é justamente no baile de máscaras organizado por Ashley para a gravadora de Phillips que ela e Jake irão se conhecer e também trocar um beijo – o qual faz com que a sorte de Ashley passe para Jake e, por sua vez, o azar dele passe para ela.

Para a platéia (bem como para o filme em si), acompanhar a queda de Ashley é muito mais engraçado do que assistir à ascensão social de Jake e da banda que ele produz. Ter a oportunidade de vivenciar as reações de Ashley à sua má sorte também é impagável. Depois da surpresa inicial seguida do sentimento de resignação pelo seu destino, assistir Ashley lutar para ter a sua sorte de volta rende bons momentos ao filme. “Sorte no Amor”, no final, pode parecer um filme muito bobo, mas de uma coisa se pode ter certeza: o filme nunca deixa a platéia entediada.

A atriz Lindsay Lohan também teve um pouco de sorte na sua carreira cinematográfica. Depois dos sucessos conquistados com os filmes “Sexta-Feira Muito Louca” e “Meninas Malvadas”, Lohan amargou os seus dois primeiros fracassos de crítica e de público (com “Herbie – Meu Fusca Turbinado” e este “Sorte no Amor”). Curiosamente, “Sorte no Amor” antecede um grande momento de mudança na carreira de Lohan, que deixou de lado os filmes adolescentes para se dedicar à papéis mais desafiadores e à filmes de diretores consagrados (como “A Prairie Home Companion”, de Robert Altman, e “Bobby”, de Emilio Estevez). Nem a reputação de party girl parece estar afetando a sua carreira – que continua em fase de ascensão. Se Ashley Albright (a personagem que ela interpretou em “Sorte no Amor”) desiste de ter a sorte ao seu lado, Lindsay Lohan sabe que é importante tê-la perto de si se ela quiser realmente se tornar a atriz respeitada que ela pretende ser.

Cotação: 3,5

Crédito Foto: Yahoo! Movies

Wednesday, July 26, 2006

Piratas do Caribe 2 - O Baú da Morte (Pirates of the Caribbean - Dead Man's Chest, 2006)



Quando “Piratas do Caribe – A Maldição do Pérola Negra” estreou em 2003, ninguém acreditava que o filme pudesse ser um sucesso. Em primeiro lugar, pois o filme é baseado numa das atrações mais chatas dos parques da Disney. Em segundo lugar, porque o produtor Jerry Bruckheimer entregou o comando do filme para o diretor Gore Verbinski, que possui uma filmografia irregular. No entanto, “Piratas do Caribe – A Maldição do Pérola Negra” contrariou todas as expectativas e se tornou um grande sucesso – muito em parte por causa de Johnny Depp. A performance um tanto afetada do ator como o Capitão Jack Sparrow conquistou o carinho do público e da crítica, rendeu ao ator a sua tão merecida primeira indicação ao Oscar; como também fez com que Depp, um ator conhecido pela sua liberdade de escolha artística, embarcasse na sua primeira franquia cinematográfica multimilionária.

Voltam para “Piratas do Caribe 2 – O Baú da Morte” praticamente toda a equipe que esteve presente no primeiro filme e eles, acertadamente, dão o enfoque principal do filme à persona carismática do Capitão Jack Sparrow. A narrativa de “Piratas do Caribe 2 – O Baú da Morte” se divide em várias linhas. Will Turner (Orlando Bloom) e Elizabeth Swann (Keira Knightley) são presos no dia de seu casamento por terem ajudado na fuga de Sparrow (um prisioneiro da Coroa). Os dois têm a possibilidade de receber o perdão, mas só se recuperarem a bússola de Sparrow para um lorde inglês.

Já o Capitão Jack Sparrow, após retomar o comando do navio Pérola Negra, continua vagando pelos mares em busca de uma nova aventura. Sparrow agora possui uma dívida de sangue com Davy Jones (Bill Nighy), um temido pirata das profundezas do oceano e capitão do Holandês Voador, um navio fantasma. Se Sparrow não conseguir uma solução para o seu problema, se tornará mais um dos tripulantes eternos e amaldiçoados de Jones. As duas narrativas irão se convergir quando Will se torna um prisioneiro de Davy Jones e Elizabeth se une à jornada de Jack com o objetivo de conseguir libertar o homem que ela ama.

Para fazer “Piratas do Caribe 2 – O Baú da Morte”, os produtores e o diretor Gore Verbisnki tiveram mais recursos financeiros, por isso se pode notar uma boa qualidade nos efeitos visuais e sonoros da película (excetuando-se um efeito mal executado na última cena do Capitão Jack Sparrow no filme). Entretanto, os produtores e Verbisnki se esqueceram de trabalhar mais no roteiro de “Piratas do Caribe 2 – O Baú da Morte”. Algumas sub-tramas do filme (como grande parte da história de Jack e Will na tribo que é liderada pelo Capitão) deixam o filme bastante enfadonho – não por coincidência todas elas contam com a presença do apático Orlando Bloom em cena. A impressão de enfado continua no final de “Piratas do Caribe 2 – O Baú da Morte”, que parece se estender demais. Porém, a última cena do filme é bombástica e é uma ótima maneira de manter o público interessado na terceira parte da série (que se chamará “Pirates of the Caribbean – At World’s End”) – que, ao que tudo indica, será centrada no casal Will Turner e Elizabeth Swann.

Cotação: 6,5

Crédito Foto: Yahoo! Movies

Tuesday, July 18, 2006

Superman - O Retorno (Superman Returns, 2006)


Já se passaram dezenove anos desde que o Superman deu o ar de sua graça pela última vez na grande tela num filme que não ficou guardado na memória e no coração dos fãs (“Superman 4 – Em Busca da Paz”, do diretor Sidney J. Furie). Desde então, o filão de filmes baseados em super-heróis entrou numa fase obscura até que, em 2000, o diretor Bryan Singer (um apaixonado por histórias em quadrinhos, que respeita toda a tradição dos personagens e, por isso, tem o respeito dos fanáticos fãs dos heróis) mostrou uma nova forma de abordar esse tema com o seu “X-Men”, filme baseado nos famosos personagens da Marvel. E foi justamente com a bagagem de dois filmes dos mutantes no currículo, que Singer abraçou o maior desafio de sua carreira: resgatar o mito do Superman, o personagem mais famoso da DC Comics (rivais da Marvel no mercado das histórias de quadrinhos).

Em “Superman – O Retorno”, Bryan Singer e seus roteiristas Michael Dougherty e Dan Harris (que trabalharam com o diretor no roteiro de “X-Men 2”) retomam uma trama que guarda semelhança com a história principal do filme “Superman II – A Aventura Continua”, de Richard Lester. No filme de Singer, o Homem de Aço (que é interpretado pelo estreante Brandon Routh) volta para a Terra depois de cinco anos ausente – e nos quais ele esteve explorando Krypton, o seu planeta natal. Apesar de Superman continuar sendo o mesmo, o herói encontra um mundo diferente e em estado de caos. Nenhuma das mudanças irá afetar tanto o Homem de Aço quanto ver que sua amada Lois Lane (Kate Bosworth) se tornou não só uma jornalista respeitada (e vencedora do Prêmio Pulitzer por um artigo intitulado “Por quê o mundo não precisa do Superman”), como também mãe do garotinho Jason (Tristan Lake Leabu) e noiva de Richard White (James Marsden), sobrinho do editor chefe do Planeta Diário Perry White (Frank Langella) e também jornalista e piloto de aviões nas horas de lazer.

A ausência do Superman foi ainda menos sentida pelo seu mais difícil arqui-rival Lex Luthor (Kevin Spacey, que adiciona mais um vilão à sua já célebre galeria de personagens maldosos). Depois de passar cinco anos preso e de estar de volta à vida em sociedade, Luthor finalmente consegue colocar o seu plano diabólico em prática: usar os cristais da Fortaleza da Solidão para criar um novo continente que irá apagar os Estados Unidos do mapa. O plano de Luthor ainda consiste em cobrar caro por cada pedaço de terra de seu tão sonhado território.

Superman talvez é o herói mais popular de todos os tempos. Símbolo dos ideais de liberdade e justiça apregoados pelo povo norte-americano, vê-lo novamente em cena traz para a platéia (pelo menos durante os 154 minutos de projeção) uma sensação de proteção e segurança. Bryan Singer, com seu filme, não só faz uma reverência ao mito no qual se transformou o Homem de Aço (e, especialmente, ao primeiro filme da série dirigido por Richard Donner), como também aprofunda ainda mais o maior conflito do Superman (ser o herói de todo um povo ou ser um humano que, nas horas vagas, salva as pessoas). Numa história paralela (e que não merece ser entregue para não ter seu prazer estragado para aqueles que ainda não assistiram à “Superman – O Retorno”), fica-se sabendo que realmente o Superman não tem uma outra opção e a sua vocação realmente é servir aos humanos.

“Superman – O Retorno” é um filme respeitoso com o mito, mas que abre novas possibilidades para essa grande lenda. Que venha mais do legado do Homem de Aço.

Cotação: 9,5

Crédito Foto: Yahoo! Movies

Monday, July 17, 2006

Os Sem-Floresta (Over the Hedge, 2006)


Se há um ou dois anos atrás, os filmes de animação preferiam abordar temas mais leves para agradar à criançada, o mesmo não pode ser dito dos filmes de animação produzidos no ano de 2006, que parecem querer conscientizar os pimpolhos. “A Era do Gelo 2”, do diretor brasileiro Carlos Saldanha, fala dos efeitos do aquecimento global na vida humana. “Carros”, dos diretores John Lasseter e Joe Ranft, mostra as conseqüências para as cidades pequenas das construções das freeways nos Estados Unidos. Já “Os Sem-Floresta”, dos diretores Tim Johnson e Karey Kirkpatrick (que também co-escreveu o roteiro do filme com outros três roteiristas), tenta mostrar ao público uma visão diferente sobre a cultura do fast food (um assunto que já foi abordado no documentário “Super Size Me – A Dieta do Palhaço”, de Morgan Spurlock).

No filme, RJ (dublado por Bruce Willis na versão original) é um animal completamente apaixonado por junkie food. Ele vê todo um estoque de comida que está sendo armazenado por um urso que ainda está em hibernação e tenta roubar tudo para si. Quando o urso acorda, RJ se assusta e acaba perdendo todo o estoque. O urso, então, o ameaça: se RJ não trouxer de volta para ele tudo que ele possuía, quem será o prato principal da primeira refeição do urso pós-hibernação será o próprio RJ.

No entanto, a ação propriamente dita de “Os Sem-Floresta” só começa quando RJ avista uma turma de animais que é liderado pela tartaruga Verne (dublado por Garry Shandling na versão original) e que ainda está meio perdida depois de acordarem do período de hibernação. Eles tentam se organizar para partirem em busca dos alimentos para a próxima temporada de sono. Entretanto, o que essa turma de animais não sabe é que a floresta deles se transformou em um condomínio fechado e, em conseqüência disso, eles não terão aonde buscar seu alimento.

Astuto como só ele é, RJ vê a oportunidade perfeita para conseguir em tempo recorde toda a comida que ele roubou do urso (e que está presente em abundância em cada uma das casas do condomínio). Mas, para conseguir isso, RJ tem antes que convencer a turma de Verne (que ainda possui hábitos alimentares saudáveis) sobre as maravilhas advindas de uma boa dose de junkie food. Essa situação irá render cenas memoráveis à “Os Sem-Floresta” – como aquela que mostra os efeitos hipnóticos que a abertura de um simples saco de salgadinhos causa nos olhos inocentes da turma de Verne. Mas nem só de críticas vive “Os Sem-Floresta”. A película segue a boa tradição da escola dos filmes de animação e deixa a seguinte lição para a criançada: manipular as pessoas para conseguir algo para o seu próprio bem é muito ruim.

“Os Sem-Floresta” é – até agora – o melhor filme de animação lançado em 2006. A trama da película não é complicada e os personagens (que são dublados na versão original por uma excelente turma de atores como William Shatner, Wanda Sykes, Nick Nolte, Allison Janney, Thomas Haden Church, Eugene Levy, Catherine O’Hara e até mesmo a cantora Avril Lavigne) são extremamente carismáticos. Assistir à “Os Sem-Floresta” no cinema traz para esse filme um significado até mesmo muito irônico, afinal as salas de cinema são um prazer que praticamente exigem a companhia do bom e velho saco de pipocas ou de um saco de salgadinhos, de um copo de refrigerante e de uma pequena barra de chocolate.

Cotação: 8,5

Crédito Foto: Yahoo! Movies

Tuesday, July 11, 2006

Premonição 3 (Final Destination 3, 2006)


Em “Premonição”, foi um grupo de estudantes que iria viajar para Paris para terem uma aula de francês. Em “Premonição 2”, foi uma garota que estava viajando em uma rodovia. Agora, em “Premonição 3”, um grupo de estudantes concluintes do segundo grau, que comemoravam a formatura em um parque de diversões. Em todas essas situações, alguém tem uma premonição de que algo muito ruim vai acontecer. Depois de fazer um pequeno escândalo e chamar a atenção das outras pessoas para o que está prestes a ocorrer, os (poucos) que acreditam na premonição se salvam e assistem incrédulos à morte dos amigos que ficaram.

A reação depois de passar por uma experiência de quase-morte varia de pessoa para pessoa. Existem aqueles que se acham imbatíveis depois de sobreviver, outros irão continuar com as suas medíocres vidas, um grupo diferente toma a sobrevivência como uma nova chance para acertar e fazer algo de bom e, enfim, existem pessoas que tentam arrumar explicações para o que houve e só irão continuar a vida depois de sua tese ser comprovada.

Existem manifestações de cada uma dessas reações nos personagens de “Premonição 3”. Mas a maioria delas será irrelevante para o público. O que importa é saber que a última reação (e a mais importante para a trama do filme) será manifestada por Wendy (Mary Elizabeth Winstead) e Kevin (Ryan Merriman, que fez o filho desaparecido de Michelle Pfeiffer e Treat Williams no filme “Nas Profundezas do Mar Sem Fim”), que sobreviveram ao acidente no parque de diversões – e, em contrapartida, assistiram às mortes das suas respectivas paixões do colegial. Eles acreditam que a morte ainda vai cumprir o seu papel e levar o resto dos sobreviventes. O problema é convencer aqueles que saíram do parque de diversões com vida de que o perigo está prestes a bater na porta novamente.

Se um filme vira uma franquia bem-sucedida em Hollywood, a coisa mais normal do mundo é ver as seqüências serem assumidas por diretores diferentes daqueles que ajudaram a criar as obras. Isso aconteceu com “Premonição” (a segunda parte do filme foi dirigida por David R. Ellis, que também fez “Celular – Um Grito de Socorro”). O mais anormal é ver o diretor que criou a série retornar para a mesma. “Premonição 3” não só tem de volta a presença do diretor e roteirista James Wong, como também a do roteirista e produtor Glen Morgan. A volta dos dois fez muito bem à franquia. Talvez a motivação maior deles, ao retornarem para a trama de “Premonição”, foi ver se eles conseguiam fazer com que cada personagem tivesse uma morte mais bizarra que a outra. Nesse sentido, eles foram extremamente bem-sucedidos. Resta saber se, na inevitável quarta parte de “Premonição”, Wong e Morgan irão manter o “nível” da empreitada.

Cotação: 4,0

Crédito Foto: Yahoo! Movies

Tuesday, July 04, 2006

Separados Pelo Casamento (The Break-Up, 2006)


A maioria das comédias românticas mostra quatro etapas de um relacionamento amoroso: o momento em que os pombinhos se conhecem, o namoro em si, o rompimento e, finalmente, a reconciliação. O filme “Separados Pelo Casamento”, do diretor Peyton Reed, dá ênfase somente a uma destas etapas – o rompimento – e quais as conseqüências dele na vida de um casal.

O casal em questão é formado por Brooke (Jennifer Aniston), que trabalha em uma galeria de arte, e Gary (Vince Vaughn), que trabalha como guia turístico na empresa que possui com os dois irmãos. Brooke e Gary encaram o relacionamento que possuem de maneiras diferentes. Brooke se esforça bastante para que o relacionamento com Gary dê certo – e se ressente pelo fato de que ele não reconhece seus esforços. Já Gary está claramente acomodado com o atual estágio do seu relacionamento com Brooke – por isso, assim que chega em casa, vai direto para o videogame, é desorganizado e não consegue prestar atenção às necessidades da namorada.

Brooke se cansa desta situação e rompe o relacionamento. E é a partir deste momento em que começa para valer a trama de “Separados Pelo Casamento”, pois é dada a largada para uma guerra particular entre o casal. Brooke e Gary dividiam um apartamento, mas se recusam a deixar o imóvel (ela, pois acabou o relacionamento com a esperança de que Gary mudasse; e ele, que não acredita na possibilidade de reconciliação, prefere que a ex-namorada deixe o apartamento todo para ele). Por esta razão, os dois começam a escutar familiares e amigos e transformam a vida um do outro num inferno – o qual só irá afastar de vez o casal.

A atriz Jennifer Aniston filmou “Separados Pelo Casamento” no momento em que se recuperava da sua separação do astro Brad Pitt. Para quem não está inteirado da situação, Brad se separou de Jennifer e, logo após, engatou um romance com Angelina Jolie (atriz com a qual ele contracenou em “Sr. e Sra. Smith", um dos bons sucessos do Verão norte-americano de 2005). Eis que, um ano depois, Jennifer se vê na mesma situação em que o ex-marido e lança um filme na temporada do Verão norte-americano, mas vê o seu nome envolvido nas notícias que estão mais interessadas no seu romance com o companheiro de cena Vince Vaughn, ao invés de retratarem o filme em si.

“Separados Pelo Casamento” acerta ao privilegiar o talento de comediante de Vince Vaughn e a expertise de Jennifer Aniston em interpretar personagens que estão com suas vidas amorosas completamente confusas. O filme ainda se aproveita da experiência do diretor Peyton Reed em filmes que retratam homens e mulheres tentando encontrar – e se relacionar – com o amor (era esse também o tema de seu filme anterior “Abaixo o Amor”). No entanto, “Separados Pelo Casamento” sofre com alguns problemas. O maior deles é o péssimo aproveitamento de atores do calibre de Judy Davis e de Vincent D’Onofrio. E o segundo é a possibilidade de que o desfecho de sua trama (justamente por fugir do modelo das comédias românticas) possa decepcionar a platéia. Para isso não acontecer, basta que você tenha em mente que tanto Gary quanto Brooke, dois moradores da cidade de Chicago, são como essa cidade e tiveram que passar por um grande sofrimento para ressurgirem mais fortes do que nunca – não importando se eles estejam juntos ou separados.

Cotação: 6,5

Crédito Foto: Yahoo! Movies

Monday, July 03, 2006

Carros (Cars, 2006)


O diretor John Lasseter foi um dos grandes responsáveis pela ascensão dos estúdios Pixar na área de animação. Afinal de contas, foi criação dele o primeiro longa-metragem de animação bem-sucedido do estúdio: “Toy Story”, que foi lançado em 1995 e cuja continuação “Toy Story 2” foi lançada em 1999. Depois de passar um tempo gerenciando a Pixar e cuidando do complicado contrato da companhia com os estúdios Disney, Lasseter volta à direção de um longa de animação com “Carros” (trabalho este que ele divide com o co-diretor Joe Ranft), filme que trata de assuntos próximos ao coração dele como o amor pelos carros e pela Rota 66 (clássica freeway dos Estados Unidos que foi eternizada no livro “On the Road”, de Jack Kerouac).

Relâmpago McQueen (dublado na versão original por Owen Wilson) é um carro de corridas da Piston Cup (uma espécie de Nascar Cup). Estreante na competição, Relâmpago ameaça o legado de The King (dublado por Richard Petty na versão original), que faz a sua última participação na Piston Cup; e as ambições de Chick Hicks (dublado por Michael Keaton na versão original), o eterno vice-campeão da Piston Cup. Como todo piloto novato, Relâmpago ainda não aprendeu a trabalhar em equipe e acredita que seu sucesso só acontece porque ele é um piloto muito competente.

No caminho para a corrida que irá decidir o futuro campeão da Piston Cup, Relâmpago McQueen acaba se perdendo no meio da Rota 66 e vai parar em Radiator Springs, uma cidade em decadência desde que uma nova freeway foi aberta desviando, assim, o caminho dos passantes que sustentavam o comércio local (um posto de gasolina, uma borracharia, um hotel, uma lanchonete, uma loja de bugigangas, uma oficina mecânica, entre outros estabelecimentos). Com a tarefa de reasfaltar a estrada principal de Radiator Springs, Relâmpago acaba entrando em contato com o dia-a-dia dos moradores da cidade e passa a fazer de tudo para trazer a vida de volta à localidade.

Como em todos os outros filmes de animação, “Carros” oferece uma mensagem aos pequenos – sem esquecer de fazer referências que agradem aos papais (como o amor de um dos moradores de Radiator Springs pelos carros da Ferrari). Usando o ambiente competitivo das corridas de automóveis, John Lasseter e os muitos roteiristas de “Carros” mostram que nem sempre vale a pena fazer de tudo para vencer. O importante é manter sempre por perto os amigos e os bons valores. Na empreitada atual dos estúdios Pixar (que passaram a controlar todo o setor de animação dos estúdios Disney, o qual um dia já deu as cartas no setor), essa é uma mensagem que eles deveriam levar ao pé da letra.

Cotação: 6,5

Crédito Foto: Yahoo! Movies

Monday, June 26, 2006

Tristão e Isolda (Tristan + Isolde, 2006)


O cinema e a literatura são formas de arte que nos mostraram que toda grande história de amor é construída através de uma série de provações. Mesmo assim, a garantia do final feliz nunca existe com certeza – vide os casos de “Romeu e Julieta”, a obra máxima do escritor inglês William Shakespeare, e o filme “Moulin Rouge – Amor em Vermelho”, musical boêmio do diretor australiano Baz Luhrmann. É inegável o apelo que estas histórias exercem sobre o público e o diretor Kevin Reynolds e o roteirista Dean Georgaris oferecem a sua contribuição com o filme “Tristão e Isolda”, que retrata a clássica lenda de amor e tragédia do casal.

“Tristão e Isolda” se passa na Era das Trevas, pouco tempo após o declínio do Império Romano; quando a Bretanha estava dividida em tribos e a Irlanda era um reino poderoso que sonhava em se aproveitar da fragilidade bretã para colocar o país sob seu domínio. Os próprios Tristão (o excelente James Franco) e Isolda (Sophia Myles) estão inseridos bem no meio desse conflito. Ele é o filho de Aragon (Richard Dillane), um grande cavaleiro bretão. Ela é a herdeira do trono da Irlanda.

Tristão aprendeu de maneira bruta a rivalidade existente entre a Bretanha e a Irlanda quando ele testemunhou o ataque irlandês que acabou vitimando os seus pais. Depois da tragédia, ele vai para a Cornualha, aonde ajuda a erguer um mini-reino e, futuramente, se torna um grande guerreiro. Numa das batalhas contra os soldados irlandeses, Tristão é dado como morto e colocado em um barco (essa era a maneira como os bretões enterravam seus homens honrados). Tristão acaba “desembarcando” na costa da Irlanda e é resgatado por Isolda. Ao ver que Tristão estava vivo, Isolda começa a cuidar dele. Os dois, é claro, irão se apaixonar - mas, Tristão nunca saberá nada sobre a condição de futura rainha de Isolda.

É ao conhecer o amor que Isolda descobrirá a dureza da guerra que se instalou entre os bretões e os irlandeses. E, como tudo que acontece no conflito se relaciona à luta pelo poder político, o pai de Isolda cria um torneio para oferecer a mão de sua filha em casamento ao inglês que ganhar o mesmo (essa é uma maneira para dispersar as atenções dos bretões e fazê-los se esquecerem da guerra por um momento). Tristão é um dos concorrentes e ganha Isolda para Marke (Rufus Sewell) – o homem que salvou a sua vida e se tornou a sua figura paterna – de forma que ele possa desposá-la e instalar um único reino inglês. O casamento de Isolda e Marke marca o início de um outro conflito: uma luta interna em que Tristão e Isolda têm que esconder seu amor, pois vivê-lo abertamente significa a queda definitiva do reino inglês.

Em “Tristão e Isolda”, o diretor Kevin Reynolds repete toda a competência técnica que ele mostrou em “O Conde de Monte Cristo” e, novamente, reúne em torno de si uma excelente equipe de apoio – a direção de arte, os figurinos, a fotografia e a trilha sonora são ótimas. O elenco (com um destaque para Sophia Myles e Rufus Sewell) também soube passar com segurança todas as nuances da história criada por Dean Georgaris. Fatos estes que credenciam “Tristão e Isolda” para obter um lugar de destaque entre as grandes histórias de amor que conhecemos.

Cotação: 8,0

Crédito Foto: Yahoo! Movies

Saturday, June 24, 2006

Poseidon (2006)


O diretor alemão Wolfgang Petersen deve ter sofrido um grande trauma no mar. Só assim para explicar o fascínio do diretor sobre o tema – que ele visitou pela primeira vez em 1981, com o lançamento de “O Barco – Inferno no Mar” (drama claustrofóbico sobre um grupo de soldados alemães que serviam num submarino e tentavam manter seu profissionalismo ao mesmo tempo em que tentavam entender e obedecer à ideologia dos governantes aos quais serviam); e que ele visitou pela segunda vez em 2000, com o lançamento de “Mar em Fúria” (filme baseado na história real de um grupo de pescadores que enfrentaram uma mortal tempestade no mar). Pelo visto, Petersen ainda não esgotou as possibilidades de abordagem deste tema, tendo em vista que ele encabeça a refilmagem do clássico dos filmes-catástrofe “O Destino do Poseidon” (1972), do diretor Ronald Neame.

Mais do que falar sobre as conseqüências da onda gigante que atinge o luxuoso navio Poseidon na noite de ano-novo, o filme “Poseidon” aborda a luta de um grupo de passageiros – que se conheceram no navio – para sobreviver à catástrofe. São eles: o herói Dylan Johns (Josh Lucas); o ex-prefeito de Nova York Robert Ramsey (Kurt Russell), sua filha Jennifer (Emmy Rossum) e Christian (Mike Vogel), o namorado desta; Maggie James (Jacinda Barrett) e seu filho Conor (Jimmy Bennett); Richard Nelson (Richard Dreyfuss); Elena (Mia Maestro) e Larry Sortudo (Kevin Dillon). Nem todos os personagens irão sobreviver até o final de “Poseidon”; mas, no decorrer do filme, todos eles tentarão resolver problemas do passado e do presente, de forma a abraçar o futuro que todos esperam ter.

Até mesmo pela semelhança das duas tramas (que abordam tragédias que aconteceram a bordo de navios luxuosos), é impossível não comparar “Poseidon” com o mega-sucesso “Titanic”, do diretor James Cameron. O diretor Wolfgang Petersen segue o esmero técnico de Cameron, mas erra ao privilegiar a ação em detrimento de seus personagens. Os quinze minutos que o diretor dedica à apresentação de seus personagens são poucos para estabelecer uma conexão mais profunda deles com a platéia – que, apesar dos esforços do ótimo elenco, não irá torcer com afinco para que os personagens saiam vivos da tragédia. Até mesmo o triunfo daqueles que irão sobreviver não chega a ser tão climático como os dos personagens de “Titanic”. Fatos estes que deixam uma constatação no ar: a evolução da tecnologia cinematográfica nem sempre justifica a refilmagem de certos filmes que já funcionavam.

Cotação: 8,0

Crédito Foto: Yahoo! Movies

Wednesday, June 21, 2006

Tudo por Dinheiro (Two for the Money, 2005)


No decorrer do filme “Tudo Por Dinheiro”, do diretor DJ Caruso, o personagem Brandon Lang (Matthew McConaughey) passa por diversas transformações. Quando Brandon ainda é uma criança, ele lida com motivações. Por essa razão, se aproxima dos esportes, só para ter seu pai (um apaixonado pelo tema) por perto. Entretanto, depois que o seu pai abandona a família, Brandon deixa de lado a pureza do jogo e transforma o esporte na sua maior razão para viver. Brandon trabalha duro e se torna o astro do futebol universitário norte-americano, mas, no dia da grande final – e depois de fazer o touchdown que daria o título à sua universidade –, Brandon sofre uma lesão que acaba com a sua carreira.

Certo de que um dia ainda poderá voltar a ser um astro do esporte, Brandon se muda com a família para Las Vegas e se torna um operador de telemarketing. Depois de passar um tempo vendendo shows de artistas como Jessica Simpson, ele cai de pára-quedas na sessão de apostas da empresa. É dessa maneira – ao oferecer dicas para apostadores –, que Brandon se vê novamente cara a cara com os esportes; e, para fazer jus à sua personalidade vitoriosa, ele obtém o sucesso novamente.

Com uma alta taxa de acertos nas suas previsões, Brandon chama a atenção de Walter Abrams (Al Pacino), que mantém uma grande empresa na área de previsão de apostas esportivas. Walter oferece para Brandon tudo aquilo que ele – com certeza – teria se tivesse se tornado o astro de futebol americano que sonhava ser: dinheiro e luxo. A partir do momento em que se transforma no novo pupilo de Walter, Brandon modifica seu jeito de ser e ganha o novo nome de John Anthony e a alcunha de “O Homem de Um Milhão de Dólares”. Brandon vive bem o seu sonho de poder – afinal, ele tem o destino das pessoas que apostam milhões com ele nas suas mãos. No entanto, o sonho se transforma num pesadelo quando Brandon começa a errar as suas previsões – fato que o obriga a repensar sobre quais são as suas maiores prioridades.

É impossível assistir ao filme “Tudo Por Dinheiro” e não se lembrar de “O Advogado do Diabo”, do diretor Taylor Hackford. Nos dois filmes, Al Pacino interpreta de maneira excelente um homem que toma outro para sua proteção e inicia com o seu pupilo uma espécie de jogo que demonstra até que ponto as pessoas estão dispostas a ir para conseguirem aquilo que desejam. É aquela velha história de que “o céu é o limite”. No entanto, o que esses filmes fazem questão de enfatizar é que, quanto maior o sonho, maior será a queda – porém, ao contrário do personagem interpretado por Keanu Reeves em “O Advogado do Diabo”, Brandon Lang não tem nada a perder e, por isso, fica claro que a decepção com a sua nova carreira não será o golpe que o derrubará definitivamente.

Cotação: 7,5

Crédito Foto: Yahoo! Movies

Wednesday, June 14, 2006

Achados e Perdidos (2006)


A televisão fez de Antonio Fagundes um dos maiores galãs do Brasil. Assim como acontece com muitos outros atores televisivos (que são colocados para interpretar sempre um determinado tipo de papel), Fagundes utiliza o meio teatral para fazer as suas experimentações e explorar novos tipos de personagens. E, a julgar pelas suas escolhas profissionais no meio cinematográfico, se chega à conclusão de que o caráter de experimentação continua ali presente. Em “Achados e Perdidos”, filme do diretor José Joffily, Fagundes interpreta o ex-delegado Vieira, que passa o dia bebendo e dormindo. A vida de Vieira só tem graça quando ele está ao lado de Magali (Zezé Polessa), uma prostituta por quem ele é apaixonado e com quem pretende se casar.

Depois de uma noite de bebedeira e de brigas com Magali, a prostituta é assassinada. Vieira se torna o principal suspeito do crime, mas, como não se lembra de nada do que aconteceu na fatídica noite, Vieira entra num processo em que ele começa a se lembrar (de maneira desordenada) de seu passado – das coisas boas e ruins que lhe aconteceram, das pessoas que ele conheceu e, principalmente, da natureza de seu relacionamento com Magali. Na medida em que as peças vão se encaixando, Vieira ainda tem que se deparar com um fantasma de seu passado (um deputado e ex-delegado que está sofrendo investigações de um procurador) e com as tentações carnais que Flor (Juliana Knust), uma amiga e espécie de pupila de Magali, desperta nele.

A mesma linha narrativa adotada por Joffily para relatar a maneira com que Vieira relembra de seu passado é igual a que ele utiliza para mostrar à platéia como Flor conheceu Magali e qual foi a influência que a prostituta exerceu em sua vida. A importância de Flor para a história de “Achados e Perdidos” aumenta na mesma proporção em que ela vai assumindo o papel que era de Magali na vida de Vieira – ou seja, ela se torna a nova razão de viver do ex-delegado.

Baseado no livro homônimo de Luiz Alfredo Garcia-Roza, “Achados e Perdidos” é um filme que, num primeiro momento, causa uma impressão positiva na platéia em decorrência das excelentes performances de seu elenco (excetuando a inexpressiva Juliana Knust), da boa direção de José Joffily e do visual interessante que é proporcionado pela fotografia de Nonato Estrela. No entanto, as boas impressões não se solidificam, pois a grande reviravolta do filme não pega a platéia desprevenida e o segredo maior do crime se fundamenta num furo enorme de construção do roteiro.

Cotação: 4,0

Crédito Foto: Yahoo! Cinema

Saturday, June 10, 2006

A Profecia (The Omen, 2006)


Ao longo dos anos, a humanidade foi confrontada com eventos (guerras, genocídios, desastres naturais, atentados terroristas, dentre outros) que terminavam por colocar em xeque a crença das pessoas numa entidade maior. “A Profecia”, do diretor John Moore, retrata justamente uma provação de fé pela qual uma família passará. E esta provação também poderá resultar em efeitos desastrosos para as vidas de todos.

Robert Thorn (o excelente Liev Schreiber) é sobrinho do presidente dos Estados Unidos e trabalha na Embaixada do país na Itália. A vida pessoal de Robert também está seguindo uma curva ascendente, tendo em vista que sua esposa Katherine (Julia Stiles, que faz tempo não aparecia nas salas de cinema de todo o mundo) está grávida do primeiro filho do casal. No entanto, a alegria de Robert dura pouco e Katherine sofre um parto complicado, que resulta na morte do filho dos dois. Seguindo o conselho de um padre, Robert decide adotar uma criança que nasceu no mesmo dia e no mesmo hospital que seu filho e cuja mãe morreu no parto e o apresenta a Katherine como sendo o fruto dos dois.

A adoção do menino Damien (que é interpretado pelo estreante Seamus Davey-Fitzpatrick na maior – e mais importante – parte de “A Profecia”) marca o início de uma série de acontecimentos que levarão Robert a ser declarado embaixador dos Estados Unidos em Londres. Na capital da Inglaterra a família continuará a ser atormentada por uma série de estranhos infortúnios – que farão com que Katherine duvide de sua própria sanidade e revelarão o grande propósito da existência de Damien: ele é o anticristo, o filho do Demônio e está na terra para trazer o mal para a humanidade.

Refilmagem do filme homônimo dirigido por Richard Donner em 1976, “A Profecia” aperfeiçoa o filme original. O elenco (que conta com nomes como o de Mia Farrow – que interpreta a babá de Damien –, David Thewlis, Pete Postlethwaite e Michael Gambon) está excelente. A fotografia soturna passa muito bem o clima do filme à platéia e a direção de John Moore é bastante segura. Além disso, “A Profecia” toma a política para ilustrar muito bem a mensagem de lutas entre o bem e o mal. Para David Seltzer (que escreveu a refilmagem de “A Profecia”), Robert Thorn era a pessoa perfeita para aceitar adotar o menino Damien, pois, além de não acreditar em Deus, ele vivia no ambiente político (que é marcado pela ambição e pela luta de poderes em que o bem o mal convivem quase que simultaneamente) – por essa razão, o final do filme pode deixar muita gente arrepiada, afinal, seriam os políticos os anticristos de nosso tempo?

Cotação: 3,0

Crédito Foto: Yahoo! Movies

Thursday, June 08, 2006

O Novo Mundo (The New World, 2005)

Como qualquer outro filme que trata da chegada de uma sociedade mais civilizada à uma localidade aonde vivem pessoas consideradas como selvagens, o filme “O Novo Mundo”, escrito e dirigido por Terrence Malick, trata – é verdade que em poucos momentos de seus 145 minutos de projeção – do conflito que se estabelece entre o lado considerado civilizado e o considerado selvagem. O diretor e roteirista mostra todas as etapas dessa guerra: em primeiro lugar o fascínio que os recém-chegados causam nos selvagens e, depois que o encanto se acaba, se chega à segunda etapa que mostra uma luta sangrenta em que um lado ganha e o outro perde. No entanto, o conflito mais importante e mais profundo de “O Novo Mundo” é outro e envolve dois personagens de origens, criações e costumes diferentes.

O capitão inglês John Smith (Colin Farrell) é um homem que passa a maior parte do seu tempo explorando novas rotas oceânicas e que, em decorrência disso, perdeu o contato com suas raízes. Smith está cansado da vida no mar e sonha com um lugar que ele considera utópico – uma localidade em que os males da humanidade ainda não chegaram e as pessoas vivem felizes e em harmonia. Para a surpresa do capitão, Smith encontra esse lugar em uma comunidade indígena que está localizada no atual território do Estado de Virginia - local aonde os ingleses se fixaram e pretendiam instalar uma colônia.

Também na comunidade indígena, John Smith encontra uma índia (a estreante Q’Orianka Kilcher) que, ao contrário do capitão Smith, tem as raízes bastante fincadas na sua cultura e na criação que recebeu. Mas, assim como os outros índios, a garota fica completamente fascinada pela nova figura que começa a compartilhar do dia-a-dia da comunidade. Ela se apaixona por Smith – e é correspondida pelo capitão –; e, por causa disso, não encontra mais lugar na sua comunidade. Depois de um tempo perdida pelas florestas da região, ela é resgatada por outros ingleses e é trazida ao convívio da “civilização”. A vivência mais próxima com os ingleses marca o início do processo de ocidentalização da índia. Ela ganha um nome inglês (Rebecca) e se casa com um inglês – John Rolfe (Christian Bale).

Ao acompanhar o desenvolvimento do amor que nasce entre o capitão John Smith e a índia, a platéia que assiste à “O Novo Mundo” observa também o tipo de transformação pelas quais os dois personagens passarão no decorrer da película. O John calejado que a índia encontra encara o amor que eles sentem de uma maneira bem diferente de sua companheira. Depois de viver a sua primeira decepção, a índia que encontra John Rolfe é outra e encara o amor de uma maneira bem menos idealista – ou seja, ela não acredita mais no “felizes para sempre”.

Escrito por Terrence Malick tendo como base a história de Pocahontas (que foi transformada em animação pela Disney em 1995), “O Novo Mundo” é somente o quinto filme deste talentoso profissional. O filme guarda muitas semelhanças com o seu último trabalho (“Além da Linha Vermelha”, de 1998), especialmente no que diz respeito à exploração perfeita das paisagens naturais que servem de locação para a película (a excelente fotografia de Emmanuel Lubezki foi a única indicação que “O Novo Mundo” recebeu ao Oscar 2006) e na tentativa que o diretor faz de estabelecer um intercâmbio com esta mesma natureza. Tanto John Smith quanto a índia estão procurando um sentido para as suas vidas e, para Malick, este sentido está justamente no contato com a natureza – o presente mais divino que foi deixado para a humanidade.

Cotação: 6,0

Crédito Foto: Yahoo! Movies

Saturday, June 03, 2006

Todo Mundo em Pânico 4 (Scary Movie 4, 2006)


Em março de 2006, estreou nas salas de cinema do Brasil, o filme “Uma Comédia Nada Romântica, do diretor Aaron Seltzer, e que se propunha a fazer uma paródia dos filmes de comédia romântica. O filme em questão – que era repleto de situações típicas de comédias escatológicas e de piadas de extremo mau gosto – foi um pequeno aperitivo para os fãs poderem observar o que eles poderiam esperar de “Todo Mundo em Pânico 4”, do diretor David Zucker, a quarta parte da série que se propõe a parodiar os filmes de terror e suspense que fazem sucesso nas bilheterias de todo o mundo.

Mas, qual a surpresa daqueles que chegam a assistir à “Todo Mundo em Pânico 4” ao perceberem que este filme é ligeiramente diferente dos outros que fazem parte da série. Pela primeira vez, são diminuídas as cenas em que as piadas de teor sexual e de temas mais pesados são dominantes. O diretor David Zucker e os roteiristas Craig Mazin, Jim Abrahams e Pat Proft preferem dar ênfase às situações que tiram um pouco de sarro da cara de personalidades diversas do show business.

É justamente neste sentido em que o filme alcança um ápice criativo. Se os atores que interpretam o roteiro de “Todo Mundo em Pânico 4” não o levam a sério e se divertem à beça; o mesmo pode ser dito das personalidades que aparecem na tela sem medo de brincar consigo mesmas. Dr. Phil (que possui um programa de grande sucesso na televisão norte-americana que se propõe a ajudar as pessoas a resolverem seus problemas) brinca com o fato de que ele mesmo pode ser uma fraude e que precise, em alguns momentos, de ajuda também. Charlie Sheen (que, aparentemente, já dormiu com mais de duas mil mulheres e era um dos maiores clientes de Heidi Fleiss, a cafetina mais famosa de Hollywood) também não se importa em ver seus hábitos sexuais expostos no filme. Michael Madsen (o ator preferido do diretor Quentin Tarantino) também não parece se sentir afetado ao adicionar mais um personagem problemático à sua carreira. Entretanto, a tiração de sarro maior acontece em cima do ator Tom Cruise, que já foi o maior astro de cinema do mundo e, desde que se divorciou da atriz australiana Nicole Kidman, vive um inferno astral – pontuado por declarações bizarras e aparições públicas inacreditáveis.

A trama central de “Todo Mundo em Pânico 4” gira em torno de um filme protagonizado por Tom Cruise: “Guerra dos Mundos”, do diretor Steven Spielberg. A terra está sofrendo um ataque de Tripods alienígenas. Como o presidente dos Estados Unidos (Leslie Nielsen) é um paspalho - qualquer semelhança com a vida real não é uma coincidência –, a salvação da humanidade reside nas figuras de Tom Ryan (Craig Bierko, o maior oponente de Russell Crowe em “A Luta Pela Esperança”) e da estrela da série Cindy Campbell (a ótima e hilária Anna Faris) – que, depois de ser estudante e jornalista, agora se dedica aos cuidados de uma senhora idosa e doente numa casa amaldiçoada (trama esta retirada do filme “O Grito”, de Takashi Shimizu).

No meio da trama central são colocadas cenas que parodiam filmes como “Jogos Mortais 1 e 2”, “A Vila” – sobra até mesmo para os oscarizáveis “Menina de Ouro”, “O Segredo de Brokeback Mountain” e “Fahrenheit 11 de Setembro”. E no rol das habituais participações especiais que marcam os filmes da série “Todo Mundo em Pânico”, entram: Simon Rex, Anthony Anderson, Cloris Leachman, Molly Shannon, Bill Pullman, o jogador de basquete Shaquille O’Neal, Carmen Electra, o cantor Chingy, entre outros. E, mesmo apesar da presença recorrente de todos esses elementos na série, “Todo Mundo em Pânico 4” vai soar como uma piada fresca; e não como aquela piada velha e que todo mundo já sabe como vai terminar.

Cotação: 3,0

Crédito Foto: Yahoo! Movies