Sunday, April 08, 2007

American Idol - Season 6

Depois de seis temporadas, o programa “American Idol” virou muito mais do que um reality show ou um concurso de talentos cuja audiência é a maior dos Estados Unidos. O programa se transformou em uma verdadeira fonte de revelação de talentos, que ultrapassam os limites da realidade e passam a ser respeitados dentre as grandes lendas. Nos últimos anos, duas ex-vencedoras do programa, Kelly Clarkson e Carrie Underwood, ganharam Grammys (o maior prêmio da indústria da música). O sucesso chega até para os perdedores, tendo em vista que Jennifer Hudson – participante da terceira temporada de “American Idol” – ganhou o Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante pela sua performance em “Dreamgirls – Em Busca de um Sonho”’; e, no exato momento em que esta blogueira digita estas palavras, três ex-participantes da quinta temporada do programa (Katharine McPhee, Chris Daughtry e Elliott Yamin) vêem seus discos na lista dos mais vendidos de acordo com a revista Billboard.

Na última quarta-feira, com três semanas de atraso, o canal Sony Entertainment Television levou ao ar o primeiro programa “pra valer” da sexta temporada de “American Idol”. Na ocasião, os doze participantes selecionados pelo público dentre os 24 escolhidos pelos jurados Randy Jackson, Paula Abdul e Simon Cowell, se apresentaram em um grande palco perante a audiência do mundo todo para apresentarem canções de Diana Ross, uma verdadeira lenda da música norte-americana. O primeiro programa foi só uma pequena amostra daquilo que veremos ao longo dessa temporada.

Como sempre, já dá para a gente notar a divisão de “papéis” entre os participantes. Existe aquele grupo formado pelos cantores cuja verdadeira vitória é o tanto de tempo que eles conseguem permanecer no programa (os chamados “figurantes”). São eles: Gina Glocksen, a garota rocker de atitude e piercing na língua, mas que mais grita do que canta; a carismática – e favorita dos meninos – Haley Scarnato, ex-cantora de casamentos; o pai de família Phil Stacey, que conta com o apoio da Marinha norte-americana; e o ex-backing vocal Brandon Rogers, que já trabalhou para artistas do porte de Christina Aguilera.

Existe também aqueles participantes que parecem meio deslocados em meio à competição, como Chris Sligh, o sósia de Jack Osbourne, e filho de pais missionários. Uma dupla se destaca por ser uma cópia de artistas que já se encontram no mercado: Stephanie Edwards, a garota que sempre gostou de cantar, soa muito como Beyoncé; e Chris Richardson tem o mesmo corte de cabelo, a mesma voz e a mesma chatice de Justin Timberlake.

No entanto, a sexta temporada de “American Idol” é cheia de casos únicos. Tome-se, por exemplo, Blake Lewis, um cantor razoável, mas que esbanja modernidade (sua marca é colocar beat-box nas músicas que apresenta). Um perfeito caso de participante que, talvez se dê bem no programa, mas terá muito sucesso comercial. Entretanto, jurados, produtores e nem o público do programa estavam preparados para o fenômeno que se tornaria Sanjaya Malakar. O jovem de 17 anos e carisma inegável conquistou o público jovem norte-americano não por causa de seus talentos vocais, e sim pelo seu cabelo. Semanalmente, o público liga a televisão só para ver qual o próximo penteado de Sanjaya. O caso se tornou tão impressionante que o público fiel do “American Idol” já está se irritando e boicotando a audiência do programa (que vem caindo semanalmente) tendo em vista a campanha que foi deflagrada pelo site VotefortheWorst.com e pelo radialista Howard Stern, que querem sacanear o “programa número 01 dos Estados Unidos” levando Sanjaya à vitória.

Polêmicas a parte, a sexta temporada de “American Idol” tem uma disputa até bem interessante pelo título de ídolo. O trio de ferro dessa edição vem representado por três garotas de talento e carisma impressionantes. São elas:

- Jordin Sparks, 17 anos. Filha de um ex-jogador profissional da NFL, liga de futebol americano. Jordin foi modelo e venceu a edição do “Arizona Idol”, ganhando uma passagem aérea e hospedagem para fazer o teste para o programa nacional. A jovem agrada em cheio ao público jovem, tem uma voz potente e uma maturidade impressionante para alguém de sua idade. É uma grande favorita a uma das duas vagas na final de “American Idol”.

- Lakisha Jones, 27 anos. Mãe solteira, ex-bancária e, como cantora, tem um estilo bem clássico e parece ter saído direto dos anos 50. Era a favorita inicial do programa, mas perdeu muito do seu brilho a partir do momento em que o terceiro vértice desse trio começou a crescer na preferência do público norte-americano.

- Melinda Doolittle, 29 anos. A mais velha participante dessa temporada do “American Idol”. Trabalhou como backing vocal de artistas como Michael McDonald, Aaron Neville, Jonny Lang, Vanessa Bell Armstrong e CeCe Winans. Melinda é, provavelmente, a melhor cantora que o programa já teve em todos os tempos. Sua técnica é de mestre, a maneira de entoar os versos das canções que apresenta é única. Um trunfo a favor de Melinda é a sua personalidade humilde e autêntica. Ela é a favorita disparada ao título de novo ídolo norte-americano.

De uma certa maneira, este trio de ferro lembra muito outro trio que passou na história do programa. Na terceira temporada de “American Idol”, o público foi presenteado com o talento de Fantasia Barrino (uma mãe solteira e dona de uma belíssima história de vida), LaToya London (a participante de técnica refinada) e Jennifer Hudson (a personalidade impetuosa e jovial em pessoa). As três dividiram as atenções e a preferência do público, bem como um caso polêmico naquele ano. No episódio que levou à eliminação precoce de Jennifer Hudson, as três foram as menos votadas numa semana em que tudo foi um desastre. A produção do programa disse que houve uma pane nas linhas telefônicas. Elton John acusou os norte-americanos de racismo.

Na próxima terça-feira, nos Estados Unidos, os 8 participantes restantes vão cantar músicas latinas e terão a orientação da “mentora” Jennifer Lopez. Os fãs de “American Idol” já estão temerosos de que o que aconteceu na terceira temporada se repita agora. Num ano em que as coisas mais bizarras têm acontecido, isso nem seria surpreendente. A verdadeira surpresa, afirmam os especialistas em "American Idol", seria ver Melinda Doolittle sair derrotada desse programa. Como diz o Ryan Seacrest, América, por favor, se manifeste da maneira correta.

American Idol
Quando: Quartas, às 20hs.; Quintas, às 21hs.; Sábados, às 17hs.
Onde: Sony Entertainment Television

Tuesday, March 27, 2007

Atirador (Shooter, 2007)


Em 29 de Agosto de 2005, estreou nos Estados Unidos um seriado cuja premissa era muito engenhosa. Um cara com ficha policial e com motivos de sobra para assassinar o irmão da vice-presidente dos Estados Unidos é o escolhido por uma organização internacional para ser o culpado do crime, mesmo sem tê-lo cometido. Condenado à pena de morte e sem conseguir fazer com que os outros acreditem na sua história, ele só pode contar com a ajuda do irmão mais novo, que foi o engenheiro responsável pela reforma da prisão aonde ele se encontra e que comete um crime para ficar encarcerado no mesmo presídio. No entanto, esse sacrifício entre irmãos não é o elemento mais importante de “Prison Break”, uma das séries mais bem-sucedidas do canal Fox dos Estados Unidos. O que mais chama a atenção de nós, telespectadores, é o fato de que, mesmo após fugirem do presídio, os dois irmãos ficam em uma prisão ainda maior, pois, além de viverem em fuga, eles assistem às pessoas que tentam provar a inocência do irmão mais velho serem misteriosamente assassinadas.

O roteiro de “Atirador”, filme do diretor Antoine Fuqua, foi escrito por Jonathan Lemkin com base em um livro de Stephen Hunter, mas tem muito da premissa inicial do seriado “Prison Break”. Bob Lee Swagger (Mark Walhberg, no seu primeiro filme após a indicação ao Oscar 2007 de Melhor Ator Coadjuvante) é o atirador perfeito treinado pelo exército norte-americano. Bob era colocado, ao lado do observador Donnie Fenn (Lane Garrison), nas piores missões. Numa delas, a dupla é abandonada pelos superiores em plena guerra e o resultado é a morte de Donnie e a precoce aposentadoria de Bob, que fica traumatizado com o ocorrido.

Três anos depois, Bob é o pacato morador de uma área montanhosa e sua companhia mais freqüente é o cachorro de estimação. Sua rotina é alterada quando recebe a visita do coronel Isaac Johnson (Danny Glover), que lhe revela o plano para assassinar o presidente dos Estados Unidos que foi descoberto pela CIA. Johnson precisa que Bob colabore com a agência no sentido de dizer se é possível para um atirador fazer um tiro fatal de uma certa distância. Após colaborar com a CIA, Bob vê que foi vítima de uma armadilha. Na condição de homem mais procurado dos Estados Unidos, Bob começa uma luta para provar a sua inocência.

O diretor Antoine Fuqua sempre foi conhecido pelos ótimos filmes de ação que fez, dentre os quais se destacam “Dia de Treinamento” e “Lágrimas do Sol”. Após o fracasso que foi “Rei Arthur”, o diretor reencontra o seu melhor num terreno que lhe é extremamente familiar. “Atirador” é um filme que, na maior parte do tempo, prende a atenção da platéia e que possui um excelente trabalho de concepção e execução das cenas de ação. Pode não ser um dos melhores filmes do gênero, mas, com certeza, vai satisfazer os fãs que adoram curtir um filme cheio de adrenalina.

Cotação: 6,3

Crédito Foto: Yahoo! Movies

Tuesday, March 20, 2007

Norbit (2007)


Para os comediantes, não existem limites na hora de fazer comédia. Eles não hesitam em transformar sua voz ou sua aparência – algumas vezes até para interpretar múltiplos personagens. Tome como exemplo os casos dos irmãos Shawn e Marlon Wayans nos filmes “As Branquelas” e “O Pequenino” e de Tyler Perry em “O Diário de uma Louca”. Eddie Murphy também está bem familiarizado com esse jeito de fazer comédia, afinal em “O Professor Aloprado” entrou na pele de três personagens e em “O Príncipe em Nova York” interpretou outros tantos.

Em “Norbit”, do diretor Brian Robbins, filme que Eddie Muprhy estrela, produz e roteiriza (ao lado de Charles Q. Murphy, Jay Sherick e David Ronn); o comediante interpreta três personagens. Norbit, o primeiro deles, é bem parecido com um dos personagens que ele interpretou em “Os Picaretas”, uma vez que é ingênuo e facilmente enganado pelos outros. Sr. Wong, o segundo deles, é o dono do orfanato/restaurante chinês em que Norbit cresceu. E Rasputia, o terceiro deles, é a esposa ciumenta de Norbit.

A trama do filme apresenta Norbit como um perfeito “loser”. Norbit tem uma aparência física distinta (óculos grandes, um cabelo afro) e foi abandonado ainda bebê pelos pais. Ele cresceu sendo humilhado pelos colegas – só teve um descanso dessas brincadeiras quando estava ao lado de Kate, uma amiga do orfanato que acabou sendo adotada por uma família; e, posteriormente, na companhia de Rasputia, a garota que o pega para ser, literalmente, a sua “bitch”.

O acontecimento mais importante de “Norbit” é a volta de Kate (Thandie Newton) à cidade aonde cresceu, pois ela acabou de vender seu negócio de moda e quer comprar o orfanato do Sr. Wong. Ao reencontrá-la, Norbit vê a oportunidade perfeita para tomar as rédeas de sua vida e, de quebra, reconquistar o seu amor de infância. Mas, para isso acontecer, Norbit tem que ter a coragem de abandonar Rasputia, de enfrentar a perseguição de seus cunhados e de estragar os planos de Deion Hughes (Cuba Gooding Jr.), o noivo oportunista de Kate.

Quando “Norbit” estreou nas salas de cinema dos Estados Unidos nas semanas que antecederam o Oscar (prêmio para o qual Eddie Murphy estava indicado pela sua performance como ator coadjuvante no filme “Dreamgirls – Em Busca de um Sonho”), a imprensa muito especulou sobre se o sucesso do filme nas bilheterias poderia prejudicar as chances de ganhar a estatueta dourada. Esta discussão era totalmente imprópria no período, pois, se tinha algo que poderia tirar o Oscar de Murphy, não era o seu histórico cinematográfico, e sim a sua conhecida atitude arrogante no meio. Antipatias à parte, o que todos esperam é que Murphy utilize a sua indicação ao Oscar para fazer projetos que sejam desafiantes, e não as mesmas comédias de sempre. Ele já provou que tem talento para isso.

Cotação: 1,5

Crédito Foto: Yahoo! Movies

Saturday, March 17, 2007

O Último Rei da Escócia (The Last King of Scotland, 2006)


Idi Amin Dada marcou seu nome na história como líder de uma das ditaduras mais sangrentas da história de Uganda. Assim como muitos outros governantes que acabam se perpetuando no poder nos países que formam o continente africano, Amin conquistou a liderança política de Uganda fazendo a promessa de um governo para o povo. Assim como muitos outros governantes que deixam o poder subir às suas mentes, Amin logo se esquece de suas promessas iniciais e reprisa as cenas de violência, censura e cerceamento que são tão conhecidas dos africanos. É justamente este personagem complexo, carismático e contraditório, o objeto principal do filme “O Último Rei da Escócia”, do diretor Kevin MacDonald.

A história do filme é contada pelo ponto de vista de Nicholas Garrigan (o excelente James McAvoy), jovem recém-formado em Medicina, e que ainda não sabe lidar com as pressões de sua família ou com os caminhos que o seu pai julga serem os melhores a se seguir. Nicholas ainda é inocente a ponto de pensar que pode mudar o mundo, por isso ele embarca rumo à Uganda, no continente africano, aonde trabalhará em uma missão coordenada pelo médico David Merrit (Adam Kotz) e sua esposa Sarah (Gillian Anderson).

Na África, Nicholas encontra um mundo completamente diferente do que conhecia. A alegria do povo esconde, na realidade, a escassez de recursos, a pobreza, a miséria e, principalmente, a violência. O contraste é ainda maior quando – a convite do presidente Idi Amin Dada (Forest Whitaker, numa performance que lhe rendeu o Oscar 2007 de Melhor Ator) – Nicholas vai para a capital do país (Kampala), um local mais moderno e organizado. Seduzido pela confiança que é depositada nele pelo próprio Amin, Nicholas abandona o idealismo e se entrega ao sistema quando aceita ser o médico particular do presidente e de sua família, bem como o conselheiro político do ditador.

No momento em que decidiu deixar a Escócia para ir à África, Nicholas julgou estar deixando uma prisão (que era dominada pelos valores e pelas expectativas de seus pais) para ir para uma terra aonde ele poderia ser livre para aprender e aproveitar a sua juventude. Mal ele sabia que, ao aceitar trabalhar para o regime, estaria entrando em uma outra prisão. E esta nova realidade é sufocante, dolorida e decepcionante. O isolamento de Nicholas se agrava ainda mais quando ele se envolve com uma das esposas de Idi Amin Dada, a bela Kay (Kerry Washington).

O excelente roteiro de “O Último Rei da Escócia” foi baseado no livro de Giles Foden e escrito pela dupla Jeremy Brock e Peter Morgan. Este último também foi o autor do roteiro de “A Rainha”, filme do diretor Stephen Frears. Os dois filmes têm em comum o teor político. A diferença entre eles é que, em “A Rainha”, o povo tem uma maior influência na política. “O Último Rei da Escócia” dialoga mais com filmes como “Diamante de Sangue”, de Edward Zwick, e “Hotel Ruanda”, de Terry George. Nestes três filmes, o homem branco é a ponte pela qual o mundo fica conhecendo a verdadeira realidade do continente africano. Os filmes dão voz àqueles que não podem falar. O chato é saber que, provavelmente, os nossos filhos e netos continuarão a assistir filmes como estes; afinal os governos do hemisfério norte continuam a ignorar aqueles que ajudaram a construir, praticamente, todas as nações do mundo.

Cotação: 9,5

Crédito Foto: Yahoo! Movies

Tuesday, March 13, 2007

O Motoqueiro Fantasma (Ghost Rider, 2007)


Toda a trama do filme “O Motoqueiro Fantasma”, do diretor e roteirista Mark Steven Johnson, se baseia em uma lenda que afirma que o diabo possui um ajudante que ganhou o nome de motoqueiro fantasma. Esse auxiliar trabalha na terra, durante a noite, e se alimenta dos pecados das almas daqueles que fugiram do inferno. Geralmente, o motoqueiro fantasma é alguém que fez um pacto com o demônio. O trabalho que eles desempenham é só uma maneira que o diabo arrumou para coletar a sua dívida.

No filme, a bola da vez é Johnny Blaze (Matt Long quando jovem e Nicolas Cage quando adulto), que faz um show de acrobacias em motocicletas com o pai Barton Blaze (Brett Cullen). Quando descobre que o pai está com um câncer em estágio avançado, Johnny recebe a visita de Mefisto (Peter Fonda), o diabo em si, que o faz uma proposta “irrecusável”: ter a saúde do pai em troca de sua alma. Assim que o trato é feito, Johnny logo percebe que sua vida será pautada por muito sofrimento – afinal, ele perde as pessoas que mais amava: o pai (que morre ao fazer uma das acrobacias do show) e a namorada Roxanne Simpson (Raquel Alessi quando jovem e Eva Mendes quando adulta).

Quando a platéia reencontra Johnny Blaze, ele fez fama e riqueza como o mais importante astro de acrobacias em moto que o mundo conhece. E ele ainda tem uma personalidade que vai de encontro ao estereótipo do motociclista: ele é fã da música dos The Carpenters, não bebe e é um consumidor ferrenho de jujubas. Além disso, Johnny tem medo e temor de que, um dia, Mefisto venha cobrar a sua parte no trato. E o demônio aparece no pior momento – o do reencontro com Roxanne – para pedir que Johnny o ajude a se livrar de seu filho Blackheart (Wes Bentley, o sumido ator de “Beleza Americana”), que quer tomar o lugar do pai como dono das maldades humanas.

“O Motoqueiro Fantasma” é um daqueles filmes que vai fazer parte do segundo escalão de películas com heróis da Marvel Comics (“Demolidor – O Homem Sem Medo”, outro filme dirigido por Mark Steven Johnson, é um representante desse segmento mais “pobre”). A execução dada pelo diretor é muito interessante, mas o filme peca em elementos importantíssimos, como roteiro e elenco. A princípio, a história de “O Motoqueiro Fantasma” não parece ter muitas ambições, mas fica muito difícil acreditar na transformação de um homem que só queria ter a sua vida de volta em um herói que luta contra o demônio.

A platéia não acredita nesta transformação, pois o diretor Mark Steven Johnson não consegue tirar de seus atores (com exceção de Eva Mendes) interpretações convincentes. Wes Bentley e Peter Fonda estão no piloto automático e parece que tiveram seus rostos congelados. Não se sente qualquer emoção, raiva ou repúdio na interpretação deles. O mesmo é o caso de Nicolas Cage, um ator que tinha tudo para ser um dos grandes astros do cinema atual, mas que, depois do Oscar de Melhor Ator pela sua interpretação em “Despedida em Las Vegas”, mais tomou decisões erradas do que acertadas.

Cotação: 0,5

Crédito Foto: Yahoo! Movies

Saturday, March 10, 2007

Dreamgirls - Em Busca de um Sonho (Dreamgirls, 2006)


Quando o musical “Dreamgirls – Em Busca de um Sonho” chegar ao fim do seu primeiro ato, provavelmente as platéias brasileiras não vão fazer a mínima idéia sobre a importância que a cena que eles acabaram de assistir tem. Esse é o momento em que Effie Melody White (Jennifer Hudson) canta “And I’m Telling You I’m Not Going”, uma das canções mais clássicas – e lindas - da história da Broadway.

“And I’m Telling You I’m Not Going” é o ápice emocional da história de “Dreamgirls – Em Busca de um Sonho”. Um ponto de transição crucial entre dois momentos. Se essa cena desse errado, não é exagero dizer que todo o filme iria por água abaixo. Talvez por isso o cuidado extremo do diretor e roteirista Bill Condon (um dos muitos presentes na noite de estréia do musical na Broadway, em 1981, a serem enfeitiçados por toda a inovação do espetáculo criado pelo diretor Michael Bennett, pelo letrista Tom Eyen e pelo compositor Henry Krieger), que, além de escalar com zelo sua Effie (Jennifer Hudson foi a escolhida entre mais de setecentas candidatas), trabalhou extensivamente com sua atriz e equipe cada verso, frame e instante do canto de Effie. Depois de assistirmos à cena na tela grande, fica a certeza de que o esforço de Condon valeu a pena, pois este é um dos momentos mais poderosos da história dos filmes de gênero musical – e, por quê não, de qualquer outro estilo.

A música sobre rejeição e sobre sonhos despedaçados que é entoada por Effie cai como uma luva para a trama de “Dreamgirls – Em Busca de um Sonho”, filme que retrata a trajetória do grupo Dreamettes – que é formado, além da já citada Effie, por Deena Jones (Beyoncé Knowles) e por Lorrell Robinson (Anika Noni Rose) – em busca do sucesso. Ao longo de uma década, a platéia irá acompanhar a luta delas para chegar ao topo com todas as glórias e percalços que fazem parte desse caminho.

A sorte das Dreamettes irá mudar quando elas conhecem o empresário Curtis Taylor Jr. (Jamie Foxx), que logo as toma como protegidas e lhes dá a chance de ouro: trabalhar como backing vocal de Jimmy “Early” Thunder (Eddie Murphy), um cantor de sucesso. É justamente de Curtis a polêmica decisão de afastar a temperamental, talentosa e curvilínea Effie (que também é sua amante) dos vocais principais do grupo (que, agora, se chama The Dreams) em prol da linda Deena, que, na mente empresarial de Curtis, tem mais apelo comercial – levando àquela cena crucial sobre a qual falei no início do texto.

A partir daí, “Dreamgirls – Em Busca de um Sonho” se divide em duas linhas narrativas: a principal, que acompanha a jornada rumo ao sucesso de Deena Jones – que foi promovida também ao posto de esposa de Curtis – and the Dreams (com Michelle Morris, que é interpretada por Sharon Leal, no lugar de Effie) e a secundária, que mostra a decadência daqueles – Effie, Jimmy e o empresário Marty Madison (Danny Glover) – que viram seus sonhos serem aniquilados pelo faro empresarial – correto, porém cruel – de Curtis.

O filme tem muitos pontos positivos. O primeiro deles se encontra no lado técnico. A fotografia de Tobias A. Schliesser, os figurinos de Sharen Davis e a direção de arte de John Myhre, Tomas Voth e Nancy Haigh são extremamente luxuosas e nos fazem embarcar numa viagem por toda a história da virada da música negra americana a partir da chegada da gravadora Motown e do empresário Barry Gordy Jr. Há que se valorizar também o trabalho de direção de Bill Condon, que conduz com maestria o seu filme. No entanto, o segundo ato de “Dreamgirls – Em Busca de um Sonho” revela aquilo que fica escondido no primeiro ato: a má construção dos personagens e a correria para se dar um desenrolar à história.

O elenco de “Dreamgirls – Em Busca de um Sonho” é um show à parte. Todos os atores (com exceção de Jamie Foxx) estão à vontade em seus papéis. Talvez isso aconteça, pois o tema do filme é muito próximo de suas próprias realidades (a história do musical, por exemplo, é levemente baseada na trajetória de Diana Ross and the Supremes). Beyoncé Knowles, através de sua vivência no Destiny’s Child, conhece muito bem a dura rotina de um grupo (e toda dedicação, ciúme e intriga que nele existe). Além disso, ela ainda tem um Curtis na sua vida – o pai Mathew Knowles, que controla à mão de ferro a carreira da filha e era o empresário de seu antigo grupo. Jennifer Hudson também sabe o que é ser rejeitada – isso aconteceu com ela na terceira temporada do reality show "American Idol" – e todas essas sensações, além do trabalho particular com Bill Condon, fazem com que ela componha a sua Effie de maneira estupenda, numa das melhores performances femininas de 2006. Eddie Murphy, assim como Jimmy “Early” Thunder também conhece os altos e baixos da carreira no show business.

"Dreamgirls – Em Busca de um Sonho” é um filme que celebra a música e, principalmente, o mecanismo por trás do show business. Por esta razão, não se tem a necessidade da associação da trama do filme ao movimento social negro dos anos 60 ou à Guerra do Vietnã. Através de Effie, Deena, Lorrell, Michelle, Curtis, Jimmy, Marty, C.C. (o irmão compositor de Effie White, interpretado por Keith Robinson); Bill Condon mostra os preços – altos, às vezes – que os nossos sonhos cobram. Ao mesmo tempo revela também que, não importa o quanto esses sonhos sejam altos, vale a pena vivê-los.

Cotação: 7,0

Crédito Foto: Yahoo! Movies

Monday, March 05, 2007

Anjos da Vida - Mais Bravos que o Mar (The Guardian, 2006)


Filmes como “Brigada 49”, de Jay Russell, e “Anjos da Vida – Mais Bravos que o Mar”, do diretor Andrew Davis, nos mostram que a vida daqueles que se dedicam a salvar vidas é muito difícil. O caminho percorrido até a formação como bombeiro ou como nadador da Guarda Costeira é tortuoso, humilhante e exige da pessoa um enorme sacrifício. A compensação vem do momento em que se está no campo de atuação, com a adrenalina em cima. Talvez só eles mesmos consigam decifrar todos esses sentimentos que vêm à tona após a salvação de uma vida.

Em “Anjos da Vida – Mais Bravos que o Mar”, somos apresentados a dois personagens que, apesar da diferente faixa etária, possuem muita coisa em comum. Ben Randall (Kevin Costner) é o mais brilhante nadador que já passou pela Guarda Costeira, dono de recordes e um homem completamente devotado à sua profissão – tanto que colocou em risco o casamento com a namorada de infância Helen (Sela Ward). Já Jake Fischer (Ashton Kutcher) é um jovem recruta da Escola de Elite da Guarda Costeira, nadador talentoso e cheio de títulos estaduais. Ou seja, Jake tem tudo para ser o novo Ben.

O caminho deles dois se cruza quando Ben é encaminhado ao posto de instrutor da Escola de Elite depois de um resgate mal-sucedido em que perdeu a sua equipe. Nestas cenas de treinamento dos recrutas, o diretor Andrew Davis segue à risca o manual de “filmes de treinamento” e coloca os seus recrutas sob o comando de superiores que irão levá-los ao limite de seus estados físico e psicológico. A diferença vem da maneira como é construído o relacionamento entre Ben e Jake. O primeiro está se sentindo ameaçado pelo vigor físico e pela qualidade do jovem nadador. O segundo entra no treinamento com uma postura um tanto arrogante, mas, na medida em que o treinamento vai se concretizando, ele passa a entender que ser um nadador de resgate exige que ele seja menos egoísta e mais altruísta.

"Anjos da Vida – Mais Bravos que o Mar” é um filme que tem algumas qualidades. A direção de Andrew Davis é ótima, especialmente nas cenas de resgate no mar. No entanto, o filme peca na insistência em transformar seus personagens, especialmente Ben Randall, em figuras um tanto míticas. É por causa disso que o filme começa a se perder na sua meia hora final, quando as cenas criadas pelo roteirista Ron L. Binkerhoff soam um tanto forçadas. Tentar encontrar um propósito heróico por trás das ações de Ben e da impetuosidade de Jake é muito errado. Salvar vidas é uma vocação que alcança pouca gente. Aqueles que tem esse dom já são heróis por natureza. Não precisa que filmes como “Anjos da Vida – Mais Bravos que o Mar” nos mostrem isso.

Cotação: 4,0

Crédito Foto: Yahoo! Movies

Saturday, March 03, 2007

Letra e Música (Music and Lyrics, 2007)


Todo mundo sabe que o show business adora uma boa “comeback story”. Nos três primeiros meses de 2007, a indústria assistiu algumas histórias triunfantes de retorno. Na música, após sofrerem protestos, boicotes e ameaças devido a uma declaração de oposição à Guerra do Iraque, o grupo country Dixie Chicks foi “vingado” no Grammy Awards ao vencer as três principais categorias da noite (álbum, gravação e música do ano). No cinema, vimos o comediante Eddie Murphy e a antiga estrela infantil Jackie Earle Haley serem reconhecidos através de indicações para diversas premiações.

A comédia romântica “Letra e Música”, do diretor e roteirista Marc Lawrence, trata não só de uma “comeback story”, como também mostra o momento único em que um talento nato é descoberto. Alex Fletcher (Hugh Grant), nos anos 80, era o tecladista e compositor da banda inglesa PoP!, que teve alguns sucessos no currículo. Como é comum no mundo da música, o sucesso de Fletcher e seu grupo viraram apenas uma lembrança quando o vocalista do PoP! decidiu abandonar a banda. Após anos vivendo no esquecimento, Fletcher volta à tona com o revival dos anos 80 e relembra seus antigos sucessos em shows em feiras agropecuárias, reuniões de colégio, festivais, parques temáticos, etc.; cantando para um público formado basicamente por donas-de-casa ansiosas em reviver um momento de suas juventudes.

A oportunidade de ouro que Alex Fletcher tanto queria para voltar ao topo aparece quando o empresário da popstar Cora Corman (Haley Bennett) o convida para escrever uma canção para ela. No entanto, o ponto forte de Alex é a melodia. Ele precisa que alguém escreva os versos para ele. E esse alguém será Sophie Fisher (Drew Barrymore), a garota que cuidava das plantas do apartamento dele e que trabalhava no spa da irmã (Kristen Johnston, a hilária atriz que fazia parte do elenco do seriado “3rd Rock From the Sun”), mas que revela uma vocação para a escrita.

“Letra e Música” é uma típica comédia romântica aonde o mocinho conhece a mocinha, eles se apaixonam, brigam e se reconciliam no final. O tempo inteiro a platéia não escapa da idéia de que “já assistimos a este filme antes”. Aqui, Drew Barrymore interpreta, pela enésima vez, a garota confusa, de jeito abobalhado e romântico; enquanto Hugh Grant reprisa o papel do galã de meia idade que ainda não sabe o que quer. No final, fica muito difícil gostar de um filme em que o melhor momento é o clipe de “PoP Goes My Heart” que é mostrado nos créditos iniciais e finais de “Letra e Música”.

Cotação: 4,5

Crédito Foto: Yahoo! Movies

Thursday, March 01, 2007

Uma Verdade Inconveniente (An Inconvenient Truth, 2006)


Muitas pessoas devem ter pensado, logo após ele ter perdido aquela controversa eleição para presidente dos Estados Unidos, em 2000, que a carreira política de Al Gore havia terminado. Entretanto, o mundo dá muitas voltas. Gore tomou a derrota política como estímulo para se dedicar por completo a uma causa que sempre foi muito próxima de seu coração: o ambientalismo. Desde então, ele tem viajado o mundo, apresentando por mais de mil vezes uma série de slides que versam sobre a interferência nociva do homem no meio-ambiente e sobre quais os efeitos que essa intervenção terá nas nossas vidas. Foi justamente dessas palestras que nasceu o documentário vencedor do Oscar 2007, “Uma Verdade Inconveniente”, do diretor Davis Guggenheim.

No documentário, Guggenheim equilibra imagens da palestra de Al Gore com vídeos e depoimentos do dia-a-dia do ex-vice-presidente dos Estados Unidos em que ele enumera o seu histórico com o tema do meio-ambiente (numa paixão que começou ainda pequeno na vivência na fazenda da família e se consolidou mais tarde na faculdade e na luta no congresso e na vice-presidência do país), bem como momentos cruciais de sua vida pessoal (o acidente com o filho caçula e a morte da única irmã) que o fizeram lutar ainda mais por essa causa.

Toda a argumentação de Al Gore parte de uma simples pergunta: “qual o mundo que você gostaria de deixar para os seus filhos?”. Esse é um questionamento pertinente e todas as respostas que Gore oferece são muito bem fundamentadas em índices, pesquisas, artigos e reportagens. O ex-vice-presidente refuta as críticas aos teóricos que defendem a urgência da preservação do meio-ambiente. Gore ainda soluciona as dúvidas gerais do público sobre o tema e faz com que a gente entenda a importância de brigar por esta causa.

“Uma Verdade Inconveniente” é um documentário informativo, elucidativo e impressionante em certos momentos. A idéia por trás do filme é muito interessante. Se Al Gore não pode dar as palestras em todas as cidades do mundo, com o filme ele poderá fazer com que a sua mensagem alcance um número muito maior de pessoas. Ao fazer com que nós tomemos uma atitude positiva diante do tema do aquecimento global e dos danos do homem no meio-ambiente, “Uma Verdade Inconveniente” acaba dialogando muito com “A Rainha”, um outro filme que mostra que um ato pode fazer muita diferença em se tratando da política.

“Uma Verdade Inconveniente” é o tipo de filme que deve ser visto por todos e que deve ser passado nas escolas, faculdades e associações comunitárias. O cuidado com o planeta é uma necessidade urgente. Ainda não se convenceu? Fique então com as palavras de Al Gore ao receber o Oscar de Melhor Documentário no último dia 25 de fevereiro: “Meus caros americanos e pessoas ao redor do mundo, nós precisamos resolver o problema da crise climática. Essa não é uma questão política, é uma questão moral. Nós temos tudo que nós precisamos para começar, com a exceção da vontade de agir. E este é um recurso renovável, vamos renová-lo”.

Cotação: 9,5

Crédito Foto: Yahoo! Movies

Wednesday, February 28, 2007

A Grande Família - O Filme (2007)


Em uma entrevista publicada há quase dois anos na revista Bravo!, o diretor, roteirista e produtor pernambucano Guel Arraes respondeu aos críticos de suas obras ao afirmar que faz um “cinema popular brasileiro”, contando histórias que representem de maneira fiel o povo brasileiro. Se formos pensar dessa maneira, não existe na televisão atual uma família mais brasileira do que os Silva, que protagonizam o seriado “A Grande Família”, na TV Globo. Todos nos sentimos íntimos de Lineu (Marco Nanini), Nenê (Marieta Severo), Tuco (Lúcio Mauro Filho), Bebel (Guta Stresser), Agostinho (Pedro Cardoso), Marilda (Andréa Beltrão) e Beiçola (Marcos Oliveira). Após seis anos de sucesso nas noites de quinta-feira, o seriado segue o caminho de outros programas, como “Os Normais”, e faz a sua transição para o cinema.

O roteiro de “A Grande Família – O Filme”, que foi escrito por Cláudio Paiva e Guel Arraes, segue uma linha independente da do seriado. Após a morte de um colega de trabalho, Lineu procura um médico para fazer um check-up. O resultado dos exames indica que Lineu tem uma mancha no peito. Temendo o pior, o patriarca decide não saber se as suas perspectivas de vida são boas. Pensando que vai morrer, Lineu começa a se preocupar com o futuro daqueles que irão permanecer após a sua partida.

Quem acompanha com regularidade o seriado sabe que, além da personalidade certinha, um dos traços marcantes de Lineu é a condição dele de pilar da família Silva. É à sua correção e conforto que todos recorrem. O que a trama de “A Grande Família – O Filme” reitera é somente a transformação que Lineu tenta fazer nos seus parentes. Ele quer que Agostinho deixe a vida de malandro e ofereça segurança financeira para Bebel (ainda mais agora que eles decidiram ter um filho). Ele quer que Tuco decida finalmente qual o rumo que dará à sua vida. E, principalmente, Lineu quer ter a certeza de que Nenê continuará a ser bem cuidada. É nesta última parte que o filme nos introduz a um novo personagem: Carlinhos (Paulo Betti), o gerente de supermercados com o qual Nenê planejava se encontrar na noite em que acabou começando a namorar Lineu.

“A Grande Família – O Filme” começa quando Lineu e Nenê estão prestes a completar quarenta anos de casados. A celebração do aniversário de casamento é feita sempre no baile em que eles se conheceram. A notícia que Lineu recebe sobre o seu estado de saúde faz com que ele comece a tomar uma série de atitudes, as quais são recebidas com estranhamento pela sua família e que fazem com que Nenê se reaproxime de Carlinhos.

“A Grande Família – O Filme” é uma película que agradará em cheio aos fãs do seriado. Para os cinéfilos que não conhecem o programa, o filme será também uma experiência interessante. O diretor Maurício Farias escolheu um recurso narrativo já utilizado em filmes como “Corra, Lola, Corra” e retrata o desespero de Lineu em três versões diferentes, mas que possuem algo em comum: a valorização da família como o eixo principal de nossas vidas, afinal essa é a única constante que possuímos.

Cotação: 6,5

Crédito Foto: Yahoo! Cinema

Saturday, February 24, 2007

Borat - O Segundo Melhor Repórter do Glorioso País Cazaquistão Viaja à América (Borat, 2006)


O comediante inglês Sacha Baron Cohen ficou conhecido no mundo todo quando um de seus personagens, Ali G, participou do videoclipe de “Music”, primeiro single do álbum homônimo da cantora Madonna. A participação rendeu para Cohen um convite para ser o mestre de cerimônias do prêmio MTV Europe Music Awards, em 2001, e uma série de TV chamada “Da Ali G Show”, da HBO. Na folga do trabalho na TV, Cohen sempre teve algumas passagens discretas pelo cinema, em filmes como “Ali G Indahouse” e, mais recentemente, em “Ricky Bobby – A Toda Velocidade”. Mas, foi somente com o documentário “Borat – O Segundo Melhor Repórter do Glorioso País Cazaquistão Viaja à América”, do diretor Larry Charles (conhecido pelo trabalho na série “Curb Your Enthusiasm”), que ele realmente conseguiu atrair a atenção.

O protagonista de “Borat – O Segundo Melhor Repórter do Glorioso País Cazaquistão Viaja à América” é mais uma criação de Sacha Baron Cohen. Borat Sagdiyev nasceu no Cazaquistão e é um repórter de TV. No início do filme, conhecemos a vila na qual ele mora, com seus pitorescos habitantes e sua família – a irmã prostituta, a esposa mandona e a mãe. O Cazaquistão, fala Borat, é um país cheio de coisas boas, mas também tem muitos problemas. Para ajudar o Cazaquistão a solucioná-los, o Ministério da Informação do país envia Borat aos Estados Unidos para que ele possa conhecer a cultura do local.

É justamente a viagem de Borat pelos Estados Unidos que ocupa toda a trama do filme. Nela, acompanhamos Borat nos seus encontros com outros personagens peculiares, como o professor de humor, a professora de etiqueta, os anfitriões de um jantar chique, o professor da auto-escola, o vendedor de carros, dentre outros. Além disso, Borat encontrará figuras típicas dos Estados Unidos e que só confirmam os estereótipos que temos sobre elas – as feministas são radicais e não aceitam discutir, os estudantes universitários são imbecis e os cowboys são machões inveterados.

Nesses encontros, o que chama a atenção, é o certo didatismo que os norte-americanos adotam diante de alguém que é diferente culturalmente. Borat é um prato cheio nesse sentido, pois é anti-semita, machista e antigay. No entanto, o choque vem quando assistimos aos entrevistados de Borat saírem do que é considerado politicamente correto e revelando aqueles pré-conceitos que só são percebidos quando estamos numa zona de pleno conforto.

“Borat – O Segundo Melhor Repórter do Glorioso País Cazaquistão Viaja à América” poderia muito bem seguir a linha dos mockumentaries do diretor e roteirista Christopher Guest. A diferença é que, nos filmes de Guest, os atores estão atuando o tempo todo. No filme de Sacha Baron Cohen, somente ele e o seu fiel escudeiro (o ator Ken Davitian) interpretam. As outras pessoas abaixam as suas guardas e agem de maneira extremamente natural. E é essa espontaneidade o ponto mais positivo do filme. “Borat – O Segundo Melhor Repórter do Glorioso País Cazaquistão Viaja à América” é uma comédia de nossa vida privada.

E, ao contrário de filmes como “Todo Mundo em Pânico”, em que as piadas de mau gosto são completamente reprováveis, as cenas que assistimos em “Borat – O Segundo Melhor Repórter do Glorioso País Cazaquistão Viaja à América” – mesmo aquelas que beiram o mau senso e que nos fazem pensar “isso realmente está acontecendo?" – são hilárias. É difícil não rir do falso moralismo norte-americano e da cara de pau de Sacha Baron Cohen ao desrespeitar coisas que os norte-americanos valorizam ao extremo, como o hino nacional. O filme é tão bom nessa vontade de rir de si mesmo que até Pamela Anderson (o objeto de desejo de Borat) embarcou nessa aventura. O desafio agora será construir a anunciada continuação deste documentário após a transformação de Borat num ícone da cultura pop.

Cotação: 8,5

Crédito Foto: Yahoo! Movies

Wednesday, February 21, 2007

Cartas de Iwo Jima (Letters From Iwo Jima, 2006)


Quando estava fazendo aquela obrigatória pesquisa sobre a batalha de Iwo Jima para o filme “A Conquista da Honra”, o diretor Clint Eastwood ficou apaixonado pela figura do General Kuribayashi, que liderou o exército japonês contra os norte-americanos naquela ocasião. Como “A Conquista da Honra” trata da batalha sob o ponto de vista dos Estados Unidos, Eastwood teve uma idéia ousada: filmar a mesma história sob o ponto de vista japonês. Após uma pequena persuasão aos produtores que financiaram “A Conquista da Honra”, Eastwood começou a pré-produção de “Cartas de Iwo Jima”.

De uma certa maneira, “Cartas de Iwo Jima” aprofunda algumas das questões levantadas em “A Conquista da Honra”. Se o filme japonês deixa de lado os efeitos que a guerra tem nos soldados que dela participam, ele compartilha algo muito importante com o filme norte-americano: a discussão sobre a figura do herói – ou, mais precisamente, sobre o que faz de um homem um herói. Além disso, “Cartas de Iwo Jima” discursa sobre sentimentos como o medo e a sensação de fracasso.

Neste sentido, o fracasso está ligado a uma velha tradição japonesa: a do suicídio como saída honrosa perante a falha. Quando Clint Eastwood e os roteiristas Iris Yamashita e Paul Haggis nos apresentam os soldados japoneses que se encontram no monte Suribachi, eles estão em clara desvantagem se comparados aos norte-americanos. Há, do lado japonês, a escassez de homens, de armas, munições e aviões. O exército japonês, então, designa o General Kuribayashi (uma belíssima interpretação de Ken Watanabe) – que recebeu treinamento nos Estados Unidos e, portanto, conhece o modo norte-americano de se pensar – para comandar a tropa japonesa no local.

A estratégia adotada por Kuribayashi para defender o monte Suribachi do exército norte-americano não é suicida, como muitos acreditam; e sim realista. O General sabe das poucas chances que os japoneses têm de vencer os norte-americanos, então a sua vitória será fazer com que os seus soldados lutem ao máximo e resistam às idéias de suicídio coletivo ou da rendição – é aqui que entra a importante trama paralela que acompanha o padeiro transformado em soldado, Saigo (Kazunari Ninomiya, numa ótima interpretação), que anseia voltar para a sua família são e salvo, apesar das evidências indicarem justamente o contrário.

“Cartas de Iwo Jima” dialoga muito com “A Conquista da Honra”. Assim como aconteceu no filme norte-americano, Clint Eastwood demonstra, no filme japonês, um pleno domínio de seu ofício. No entanto, não dá para a gente conter a impressão de que, em “Cartas de Iwo Jima”, tudo é melhor. A começar pela fotografia em tons cinzentos de Tom Stern e pela linda canção de ninar composta por Kyle Eastwood (filho do diretor) e Michael Stevens. No entanto, o que mais difere “Cartas de Iwo Jima” de “A Conquista da Honra” é que o filme japonês possui um elemento que falta à película norte-americana: coração. Desde o início fica bem claro que Eastwood se interessa muito pelos soldados japoneses e quer saber quem eles são, de onde vieram e o que esperam. Contudo, a alma de “Cartas de Iwo Jima” se encontra na figura do General Kuribayashi. É ele quem representa todos os temas que o filme aborda – o medo do fracasso, a impotência frente a um futuro que não existe e o adiamento ao máximo do inevitável (a morte).

Ao entregar duas obras sobre um único acontecimento da II Guerra Mundial, Clint Eastwood acabou fazendo um belo ensaio sobre a luta armada. O que se tira de “A Conquista da Honra” e, principalmente, “Cartas de Iwo Jima” é que a guerra, além de injusta, é desigual e cruel. O importante, Eastwood mostra, é manter a coerência e honrar aquilo em que cada ser acredita. Por isso, quem conhece um pouco do caráter e da personalidade de Eastwood compreende logo o por quê de sua admiração à figura do General Kuribayashi. Na maior das batalhas – a da vida –, os dois entenderam que é da resistência que vem a maior das vitórias.

Cotação: 9,0

Crédito Foto: Yahoo! Movies

Thursday, February 15, 2007

Perfume - A História de um Assassino (Das Parfum - Die Geschichte Eines Mörders, 2006)


O senso comum nos diz que os olhos são a janela para a alma. O filme “Perfume – A História de um Assassino”, do diretor alemão Tom Tykwer (também co-autor do roteiro do filme ao lado de Andrew Birkin e Bernd Eichinger), fala justamente o contrário: a fragrância que cada ser possui é a representação de sua alma. O filme todo se apóia num dos sentidos que nós possuímos – o do olfato – e usa justamente essa maneira de perceber as coisas que estão ao nosso redor para construir toda a personalidade de seu personagem principal, Jean-Baptiste Grenouille (Ben Whishaw).

Grenouille nasceu em Paris, capital da França, em um mercado de carnes, peixes, frutas e legumes, ou seja, um local de cheiro muito característico. A sua primeira comunicação com o mundo não foi nem através do choro (como é comum ao resto dos bebês), e sim através da tentativa de sentir as diversas fragrâncias que o rodeavam. Essa busca por tentar compreender o mundo através dos seus diversos cheiros vai ser uma constante na vida de Grenouille – seja no orfanato aonde ele passou a infância ou no local aonde ele trabalhou durante muito tempo como escravo.

A trama de “Perfume – A História de um Assassino” começa a dar uma virada quando Grenouille conhece Giuseppe Baldini (Dustin Hoffman), um homem que hoje é somente o resquício do grande perfumista que um dia ele foi. Grenouille causa uma impressão muito grande em Baldini, pois tem uma vocação natural para perceber a composição de certos perfumes. Os dois, então, estabelecem um acordo entre si: Baldini compra Grenouille de seu dono e, em troca de diversas fórmulas novas para criar seus perfumes, ensina todo o ofício para seu dedicado aprendiz – e, em especial, uma técnica de conservação de fragrâncias, algo que interessa muito a Grenouille.

No segundo ato, Grenouille – já livre da influência de Giuseppe Baldini – começa a fazer seu próprio caminho como perfumista. Mas, para ele, a verdadeira obsessão não era a criação de novos perfumes, e sim os experimentos que ele faz em busca de encontrar uma maneira de conservar permanentemente o cheiro que cada ser possui. Nesse sentido, Grenouille levará a sua arte aos limites quando se transforma em um serial killer que mata garotas no auge de sua beleza física – a sua presa mais cobiçada será a jovem Laura Richis (Rachel Hurd-Wood), filha do poderoso Antoine Richis (Alan Rickman). E, como todo assassino serial, Grenouille guarda como lembrança de suas vítimas os perfumes que ele faz a partir das fragrâncias de seus corpos.

Baseado num livro de Patrick Suskind, “Perfume – A História de um Assassino” é um filme que revela a versatilidade de Tom Tykwer, um diretor de filmes mais urbanos, mas que aqui tem seu estilo perfeitamente encaixado em um filme de época. À boa direção de Tykwer, podemos adicionar como elementos expressivos em “Perfume – A História de um Assassino”, a fotografia, a direção de arte e os figurinos. No entanto, o filme começa a pecar quando está bem perto de seu final. A maneira pela qual Tykwer decidiu concluir seu filme não é satisfatória e romantiza muito as causas por trás da obsessão de Grenouille. Ao invés de tentar ser diferente, Tykwer deveria ter sido convencional na sua conclusão.

Cotação: 6,0

Crédito Foto: Yahoo! Movies

Wednesday, February 14, 2007

Rocky Balboa (2006)


Para parafrasear um pouco da linguagem esportiva, a história do personagem Rocky Balboa sempre foi um azarão, nunca a favorita. Sylvester Stallone – que, em 1976, ainda não era o astro no qual se transformou – ficou fascinado por uma história de um boxeador que, contra todas as chances, conseguia se superar e enfrentar de igual para igual o seu adversário; e decidiu fazer um roteiro. Até que “Rocky – Um Lutador” chegasse à grande tela, muita coisa aconteceu e o próprio Stallone conseguiu convencer os produtores da força de sua história e da importância que seria para ele estrelar este projeto. A aposta de Stallone provou-se correta, uma vez que “Rocky – Um Lutador” foi indicado a 10 Oscars, e ganhou as estatuetas de melhor direção (para John G. Avildsen), edição e, para surpresa geral, a de melhor filme.

Após algumas continuações de gosto duvidoso, Sylvester Stallone traz de volta o seu personagem no filme “Rocky Balboa”, que ele dirigiu e roteirizou. No filme, Rocky se aposentou dos ringues e virou o dono de um restaurante. De certa maneira, Rocky vive preso ao passado de glória como lutador (contando suas histórias aos clientes de seu restaurante) e como esposo de Adrian (a personagem de Talia Shire, que, no filme, faleceu recentemente). Esse “fardo” que ele carrega, o impede de ter uma relação harmoniosa com o filho Robert (Milo Ventimiglia), que tenta fugir como o diabo da cruz do peso que carrega o nome de seu pai.

Ao mesmo tempo em que lida com a decadência de Rocky, o filme analisa um pouco do cenário atual do boxe. O esporte virou um show e está – se possível – mais físico do que nunca. As lutas são decididas em questão de segundos – fato que não agrada aos fãs de boxe que pagam caro para ver lutas que duram cerca de um minuto. O supercampeão Mason Dixon (Antonio Tarver) é um representante perfeito deste novo boxe. Com a imagem arranhada, os empresários do supercampeão decidem convidar Rocky para uma última luta depois que um jogo de computador decreta que Rocky venceria Dixon em um cenário virtual. Ou seja, a luta representa uma chance para ambos os lutadores sentirem o gostinho novamente de uma glória que andava perdida.

O roteiro de Sylvester Stallone dialoga muito com o filme “Rocky – Um Lutador”. É como se Stallone – ao colocar Rocky treinando nas ruas da Filadélfia, socando carnes, superando dificuldades e subindo novamente as escadarias do Museu de Arte da Filadélfia ao som da clássica trilha de Bill Conti, “Gonna Fly Now” – estivesse tentando recuperar a essência do personagem e aquilo que o transformou em um ícone de garra e de superação para tantas pessoas.

De uma maneira muito peculiar, a trajetória de Sylvester Stallone e a de Rocky Balboa se confundem muito. Os dois experimentaram um grande sucesso. Os dois também vivenciaram uma decadência e se transformaram em uma relíquia do passado. E é a esse tempo que os dois recorrem. Se a luta com Mason Dixon significa para Rocky uma oportunidade de sair de cena de maneira honrosa, o filme “Rocky Balboa” representa para Stallone a chance de reviver a sua carreira. Se com Rocky não der certo, sempre tem aquele projeto de “Rambo 4” pronto para ser colocado em prática.

Cotação: 6,5

Crédito Foto: Yahoo! Movies

Saturday, February 10, 2007

A Conquista da Honra (Flags of Our Fathers, 2006)


Os retratos de uma guerra bem que poderiam ilustrar aquelas populares seções de revista que ganham o nome de “Antes/Depois”. É incrível a mudança pela qual passam os soldados que vivenciam uma guerra. Se no momento do embarque vemos imagens de jovens alegres e ansiosos, que estão conscientes e preparados para se tornarem heróis e darem a vida pelo seu país; no desembarque assistimos à chegada de seres que carregam em si as dores e as marcas dos fatos vivenciados na batalha.

Não é todo mundo que tem fibra para continuar a vida depois de testemunhar atos de extrema crueldade e de conhecer o sofrimento na sua mais pura forma. O filme “A Conquista da Honra”, de Clint Eastwood (que além de dirigir, produziu e compôs a trilha sonora original do filme), fala não só sobre um fato isolado da II Guerra Mundial (a batalha que se deu entre japoneses e norte-americanos, em Iwo Jima, no Japão, pelo controle do monte Suribachi), como também sobre os efeitos que o combate teve na vida de três homens: o enfermeiro da Marinha John “Doc” Bradley (Ryan Phillippe) e os soldados Rene Gagnon (Jesse Bradford) e Ira Hayes (Adam Beach).

Os três homens se tornaram um símbolo dentro de seu país graças a uma foto que mostrava um grupo de seis soldados erguendo uma bandeira dos Estados Unidos no monte Suribachi. A foto, nos Estados Unidos, se transformou em um símbolo da vitória, fazendo com que as pessoas recuperassem as suas crenças nas razões que levaram o país à guerra. Alçados à condição de heróis nacionais, Bradley, Gagnon e Hayes (os três sobreviventes do grupo que estava na foto) voltam aos Estados Unidos para fazerem uma turnê em diversas cidades com o objetivo de arrecadar dinheiro para a construção de tanques e navios e para a compra de armamentos e munições.

"A Conquista da Honra” retoma a II Guerra Mundial e a luta no monte Suribachi através de flashbacks – as lembranças de John Bradley, Rene Gagnon e Ira Hayes podem ser trazidas por um simples barulho ou saudação. Além disso, o filme é contado pela perspectiva das pessoas que estiveram em combate com os três heróis – e que são entrevistadas pelo filho de Bradley, James, que só descobriu que o pai foi herói de guerra depois da morte dele (o livro de James Bradley, por sinal, foi a obra que inspirou o roteiro de “A Conquista da Honra”).

Na época de seu lançamento, “A Conquista da Honra” foi muito comparado com o filme “O Resgate do Soldado Ryan”, de Steven Spielberg. A comparação entre os dois filmes chega a ser muito injusta. A única coisa que eles têm em comum é o fato de que se situam na II Guerra Mundial e por terem cenas de batalha extremamente bem dirigidas. Mas, ao contrário do filme de Spielberg, “A Conquista da Honra” mergulha naquele conceito (“seja um herói”) que é utilizado para persuadir jovens a se alistarem para participar de guerras. Afinal, o que é ser um herói? Eastwood mostra, através de seu filme, que construir a figura de um herói é fácil (e os norte-americanos são mestres nisso), mas se manter como herói é muito difícil. “A Conquista da Honra” revela que o heroísmo vem da luta diária e pode acontecer, por exemplo, quando um pai tem que lidar com seus próprios demônios e suas próprias lembranças e tenta proteger aqueles que ama de tudo isso - mesmo que isso venha ao custo de ter que esconder uma parte importante de sua vida deles.

Cotação: 7,2

Crédito Foto: Yahoo! Movies

Friday, February 09, 2007

A Rainha (The Queen, 2006)


Na era da televisão, o nosso imaginário é povoado por imagens da Rainha Elizabeth II, da Inglaterra, que ascendeu ao posto em 06 de Fevereiro de 1952, aos 26 anos, logo após a morte de seu pai, o Rei George VI – quem quiser conhecer um pouco mais da história que levou George ao trono inglês, pode conferir o telefilme “Wallis e Edward”, que retrata o romance entre o Rei Edward VIII e a norte-americana Wallis Simpson, e de que maneira Edward preferiu o amor ao poder. De qualquer maneira, nenhuma câmera penetrou na alma e na mente da Rainha Elizabeth II como a do diretor inglês Stephen Frears no filme “A Rainha”.

O excelente roteiro do filme, que foi escrito por Peter Morgan (também co-autor do roteiro de “O Último Rei da Escócia”), retrata o que aconteceu na Inglaterra e, principalmente, nos bastidores do poder na semana seguinte à morte da princesa Diana em um acidente de carro, em Paris, no dia 31 de agosto de 1997. O contexto histórico do filme reflete um momento de mudança na Inglaterra, com a recente eleição do primeiro-ministro Tony Blair (o primeiro trabalhista da história a ser eleito para o cargo e que é interpretado no filme de maneira soberba por Michael Sheen, que foi injustamente esquecido pela Academia) pelo povo britânico.

O filme deixa de ser uma simples recriação de um momento da história para ser uma obra especial ao vermos a maneira pela qual Peter Morgan optou por contar a sua história. Por mais que ele tenha colhido depoimentos de pessoas que estiveram presentes nos bastidores daqueles dias, Morgan coloca sua própria interpretação sobre o fato e mergulha na mente, nos valores e nas convicções da Rainha Elizabeth II. A Rainha nos é apresentada como uma mulher altiva, forte e que preza muito a tradição. Tony Blair, ao contrário, é visto como um homem prático, moderno e muito mais preparado para o show que vem inevitavelmente ao lado do poder.

Todos sabemos que a família real britânica tinha seus problemas com Diana. A morte dela traz à tona toda a admiração que o povo britânico tinha por aquela que seria a sua futura rainha. A família real – a Rainha Elizabeth II (Helen Mirren), o Príncipe Philip (James Cromwell), a Rainha Mãe (Sylvia Sims) e o Príncipe Charles (Alex Jennings) – não consegue compreender isso. Cabe à Rainha Elizabeth II tentar entender os anseios do povo por um funeral público da Princesa e por fazer com que a família real demonstre o luto que está sentindo.

E é aqui que entra a interpretação já antológica de Dame Helen Mirren como Elizabeth II. Não é só a transformação física. São os gestos, o tom de voz, a postura. Mirren transpõe aquela barreira que poucos atores ultrapassam - na tela, não existe a pessoa Helen, e sim sua personagem. Como platéia, estamos entregues à Rainha. Na sua performance, Mirren nos mostra a mulher privada, em contraste com a imagem pública que conhecemos. Na visão da atriz, a Rainha Elizabeth II é uma mulher que entende o significado da palavra sacrifício (ela viu, afinal, a II Guerra Mundial e testemunhou o que o exercício do poder causou no seu pai) e que vê o desempenho do poder como algo que tem que ser feito na esfera privada – primeiro, para ser de valor ao legado de sua família e, em segundo lugar, para ser respeitada pelo seu povo.

A Rainha Elizabeth II de Mirren é uma mulher que se recusa a ceder àquilo que ela não acredita – e, principalmente, declina em aceitar a orientação de alguém (Blair) que, na cabeça dela, ainda não sabe que é o verdadeiro exercício de poder. Depois de muita reflexão, de algumas cenas fantásticas (como a conversa telefônica entre ela e Blair sobre qual a maneira correta de se vivenciar o luto e a que mostra a visão do veado pela solitária Rainha), Elizabeth II realiza a vontade do povo – e isso só acontece quando ela vê que o legado, o bom nome da família real e o regime monárquico em si podem sair prejudicados.

“A Rainha” é um filme muito simples e que não chama muito a atenção pelos seus elementos estéticos. Mas, a experiência de se assistir ao filme é única, não só pelas interpretações de Helen Mirren e Michael Sheen, como também pela direção de Stephen Frears e pelas palavras de Peter Morgan. O filme é especial, pois tem uma linda mensagem num tempo em que tanta gente está desiludida com os rumos políticos que o mundo toma. Através da análise do que aconteceu na Inglaterra após a morte da Princesa Diana, “A Rainha” mostra o verdadeiro poder que uma única ação pode ter para mudar o curso da história. Sem protestos ou uso de violência, o povo conseguiu com que a política, por um único momento, atendesse aos anseios populares. Além disso, o filme faz com que a figura da Rainha Elizabeth II, aquela senhora simpática que costumamos ver em rituais estritos ou como personagem principal de esquetes humorísticas, se torne objeto de admiração pela mulher que ela é. Nesse sentido, todas as reverências vão para Helen Mirren.

Cotação: 10,0

Crédito Foto: Yahoo! Movies

Tuesday, February 06, 2007

À Procura da Felicidade (The Pursuit of Happyness, 2006)


“E foi nesta época que eu pensei sobre Thomas Jefferson ao escrever a Declaração da Independência. Ele dizendo que nós temos o direito à vida, à liberdade, e à busca da felicidade. E eu pensei sobre como ele sabia que deveria pôr a palavra ‘busca’ ali, como se ninguém pudesse ter felicidade. Nós só poderíamos buscá-la”. Essa frase, dita por Chris Gardner (Will Smith, indicado ao Oscar 2007 de Melhor Ator), representa toda a essência do filme “À Procura da Felicidade”, do diretor italiano Gabriele Muccino.

O filme, que é inspirado em uma história real, conta a história de Chris, um homem inteligente, talentoso, mas que, devido às circunstâncias de sua vida – o pai ausente era somente uma delas –, teve que amadurecer muito cedo. Ao contrário de seus amigos, Chris saiu direto do colegial para encarar uma carreira militar – uma opção que é muito comum para os jovens que não têm dinheiro para bancar uma faculdade. A carreira na Marinha não foi longa e quando Chris se casou com Linda (Thandie Newton) e o filho Christopher (o estreante Jaden Christopher Syre Smith, filho de Will e Jada Pinkett Smith na vida real) nasceu, ele começou a se aventurar pelo ramo de vendas – mais precisamente de um equipamento médico.

“À Procura da Felicidade” se passa durante os anos 80, na época em que Ronald Reagan assumiu a presidência dos Estados Unidos e o país vivia uma época delicada na sua economia. Chris e sua família passavam pela mesma situação difícil. O salário de Chris e Linda já era todo comprometido com as dívidas que possuíam, a vida conjugal dos dois não existia e o ambiente familiar do casal não era feliz. Chris e Linda se separam e ele é quem fica com a guarda do filho Christopher – para cumprir uma promessa que ele havia feito no momento do nascimento do filho: a de nunca se afastar dele.

Com uma nova realidade e a obrigação cada vez maior de sustentar uma casa e o que sobrou daquilo que um dia foi uma família, Chris decide embarcar num sonho e na sua própria busca por aquilo que todos nós chamamos de felicidade. Ele abandona o ramo de vendas e aposta em uma nova carreira: a de corretor da bolsa de valores (porque todos eles pareciam ser tão felizes). Como nós iremos suspeitar, a trajetória de Chris no programa de estágio (que não oferece bolsa salarial e do qual somente um sairá empregado) não será nada fácil. Mesmo tentando proteger ao máximo o filho Christopher, é ao lado dele que Chris passará pelas maiores dificuldades. Mas, não se preocupem que o final feliz do filme está garantido.

“À Procura da Felicidade” se apóia única e exclusivamente na figura do ator Will Smith. E ele é, sem dúvida, um dos atores mais carismáticos de Hollywood. Não precisava nem dele na tela para fazer com que a gente se identificasse com a inspiradora história de esforço, de perseverança, de superação e de vitória de Chris Gardner. Também não precisava nem o diretor Gabriele Muccino utilizar alguns mecanismos para fazer a gente chorar, pois as lágrimas vêm naturalmente.

A trama do filme em si, que foi criada por Steve Conrad, é uma grande propaganda do sonho americano. Os norte-americanos, como povo, podem sempre estar com sua imagem arranhada; mas os Estados Unidos, como país, vão sempre representar a idéia da terra do progresso e das oportunidades. Histórias como a de Chris Gardner só mostram que o sonho está mais vivo do que nunca. E a maior prova disso é o sucesso que “À Procura da Felicidade” vem obtendo nas diversas partes do mundo e, especialmente, no próprio Estados Unidos.

Cotação: 7,8

Crédito Foto: Yahoo! Movies

Saturday, February 03, 2007

Babel (2006)


No brilhante início de “O Senhor das Armas”, filme do diretor e roteirista Andrew Niccol, o personagem de Nicolas Cage, um traficante de armas chamado Yuri Orlov, faz uma afirmação que cai como uma luva para o que assistiremos em “Babel”, última (literalmente) parceria da dupla mexicana formada pelo diretor Alejandro Gonzalez-Iñárritu e pelo roteirista Guillermo Arriaga: é impossível controlar o que acontecerá com as armas e as munições a partir do momento em que elas deixam as fábricas ou os pontos de venda.

Em “Babel”, o caminho que uma arma percorre é bem menos tortuoso do que o delineado pelo início do filme “O Senhor das Armas”. Um japonês (Kôji Yakusho), fanático por caças, vai ao Marrocos e deixa de presente a sua espingarda para o homem que lhe serviu de guia naquele período. Esse homem, por sua vez, vende a arma para um vizinho, que deixa o seu “brinquedo” nas mãos dos dois filhos, que usarão o rifle para espantar os lobos que teimam em se alimentar das parcas posses que a família deles possui. No entanto, numa brincadeira infantil e inconseqüente, os dois irmãos acabam atirando em um ônibus cheio de turistas e atingem a norte-americana Susan (Cate Blanchett), que viajava em companhia do marido Richard (Brad Pitt). Um acontecimento que, nas mentes de Alejandro Gonzalez-Iñárritu e de Guillermo Arriaga, tem efeitos nas vidas de diversas pessoas, espalhadas em diversas partes do mundo.

Além do casal Susan e Richard (Brad Pitt) e da família marroquina, que iniciam esse efeito “bola de neve” visto no roteiro de “Babel”, as vidas dos seguintes personagens são afetadas pelo simples tiro dado pelos meninos marroquinos: Chieko (Rinko Kikuchi), uma jovem japonesa surda-muda; e Amelia (a fantástica Adriana Barraza), uma babá mexicana que cuida de Mike (Nathan Gamble) e Debbie (Elle Fanning, a irmã de Dakota), os filhos de Susan e Richard. Para contar as histórias destes personagens, Iñárritu utiliza um recurso que já é conhecido daqueles que são familiarizados com seus dois filmes anteriores, “Amores Brutos” e o excepcional “21 Gramas”, e mistura as diversas linhas narrativas em uma ordem que não segue a cronologia ou a importância que cada um desses seres possuem para a história que ele quer contar.

Alguns elementos chamam a nossa atenção no desenrolar da trama de “Babel”. O primeiro deles é a riqueza das histórias criadas por Alejandro Gonzalez-Iñárritu e por Guillermo Arriaga. A seu modo, cada uma delas dariam 3 ou 4 ótimos filmes. Porém, ao final de “Babel”, não dá para conter a impressão de que, para justificar o seu propósito inicial, algumas histórias (como a do casal Susan e Richard) sejam sacrificadas e, por isso, não são desenvolvidas de maneira adequada.

O segundo deles é o tema comum da falta de comunicação. Independente do acontecimento do tiro em Marrocos, todos os personagens presentes em “Babel” tomam decisões equivocadas pela simples falta de uma conversa com alguém. O roteiro deixa implícito que o casal Susan e Richard está em crise e que a viagem ao Marrocos seria uma última tentativa de salvar a relação. Que me desculpem os marroquinos, mas quem quer ter uma segunda lua-de-mel vai para Paris, Cancun ou uma ilha no estilo de Fernando de Noronha.

Amelia, uma imigrante ilegal, comete o erro de passar pela vigiadíssima fronteira Estados Unidos-México com duas crianças norte-americanas (será que Susan e Richard não deixaram nenhum contato familiar com a babá? Que qualidade de pais eles são se não fizeram isso?) e ainda pega uma carona com o sobrinho (Gael Garcia Bernal) visivelmente alcoolizado. Já Chieko está naquela fase da adolescência em que vê todas as amigas descolando namorados, enquanto ela permanece sozinha. Será que ela tem algo de errado? Ela é feia? Seu corpo não é atraente? Na falta da mãe (que se suicidou), Chieko precisa de uma referência e o pai (que, talvez, está muito absorto em seus próprios problemas) é muito egoísta para perceber isso.

Se a gente for tentar esquecer essas “liberdades” criativas, “Babel” é um bom filme. É uma prova de que Alejandro Gonzalez-Iñárritu é um dos cineastas mais competentes que temos na atualidade. Seu brilhantismo está presente em cenas como as que mostram Amelia e as duas crianças em pleno deserto e nas cenas em Tóquio, que são lindamente filmadas (a tomada final de “Babel” com Chieko e seu pai é digna do posto de uma das cenas mais tocantes de filmes lançados em 2006). No entanto, se comparado ao filme anterior da dupla Gonzalez-Iñárritu e Arriaga (“21 Gramas”), “Babel” é um retrocesso. Talvez fosse mesmo a hora de eles repensarem a sua relação.

Cotação: 8,5

Crédito Foto: Yahoo! Movies

Tuesday, January 30, 2007

A Essência da Paixão (The House of Mirth, 2000)


Numa tradução literal, “house of mirth” significa a casa do riso, da alegria. Depois que temos a oportunidade de assistir ao filme “A Essência da Paixão”, o por quê do uso do nome fica sem explicação – uma vez que todos os personagens da película são frios, racionais, raramente se deixam levar pela emoção e, quando riem, é porque estão caçoando de alguém.

“A Essência da Paixão”, filme dirigido e roteirizado por Terence Davies (tendo como base um livro de Edith Wharton, uma autora adaptada para o cinema no filme “A Época da Inocência”, de Martin Scorsese) acompanha dois anos da vida de Lily Bart (Gillian Anderson), uma dama da sociedade nova-iorquina que vive com a tia (Eleanor Bron) e a prima (Jodhi May) numa confortável casa. Lily é uma pessoa cheia de bons contatos, conhece muitas pessoas e, por isso, é um alvo certo das conversas e dos olhares de ambos os sexos.

Para a maioria das mulheres da sociedade, Lily está ficando velha e precisa arrumar um marido. Ela também tem consciência disso e se preocupa demais com seu futuro. O problema é a maneira como se dá o seu relacionamento com os homens. Lily não só tem a capacidade de se adequar àquilo que é esperado dela, como também consegue manter o seu verdadeiro eu exclusivamente para poucas pessoas – como à amiga Bertha Dorset (Laura Linney) e seu marido George (Terry Kinney), o Sr. Rosedale (Anthony LaPaglia), o casal Gus (Dan Aykroyd) e Judy Trenor (Penny Downie) e àquele que podemos considerar como o grande amor de sua vida Lawrence Selden (Eric Stoltz).

Quando os seus modos passam a ser questionados e o seu nome manchado injustamente, Lily entra numa descendente que parece não ter fim. Ela se descuida do dinheiro, acumula dívidas e é humilhada de todas as maneiras possíveis. Os amigos a abandonam e dos poucos que ficam ao seu lado, Lily não aceita ajuda. Ou seja, ela podia estar acabada, mas seu orgulho não estava ferido.

No final, “A Essência da Paixão” é um filme sobre oportunidades perdidas. Lily Bart aprende, da pior maneira, que não existem segundas chances para consertar aquilo que ficou de errado. Ela perdeu as oportunidades que teve para ser feliz. E, mesmo quando tinha as armas para reverter a sua situação, Lily não as utilizou por amor – um sentimento que lhe foi negado a partir do momento em que ela foi colocada na margem da sociedade.

“A Essência da Paixão” é um deleite para os olhos – e para os ouvidos. O trabalho de reconstrução de época, de construção de cenários e figurinos é impressionante. A trilha sonora – que reúne várias músicas clássicas famosas – é de chamar a atenção. No entanto, o que mais surpreende é a interpretação de Gillian Anderson. No seu primeiro papel importante depois de Dana Scully, a popular personagem do seriado “Arquivo X”, ela passa da frieza ao carisma, calculismo e inteligência de Lily com extrema facilidade. Quando a personagem atinge seu ponto mais baixo é incrível ver o mergulho de Gillian nesse mar de orgulho, tristeza e resignação que invadem a sua personagem.

Inexplicável é tentar entender como este filme passou despercebido por tanta gente. “A Essência da Paixão” é um dos melhores filmes sobre o estilo de vida das sociedades antigas (e suas festas e jogos de flertes e de aparências) e sobre como o necessário relacionamento entre homens e mulheres pode consumir tanto um ser a ponto de defini-lo para a vida toda.

Cotação: 9,5

Crédito Foto: Yahoo! Movies

Saturday, January 27, 2007

Aos Olhos de Deus (Their Eyes Were Watching God, 2004)


Num artigo publicado recentemente em seu blog, o jornalista e crítico de cinema Ricardo Calil discursa sobre a lenta agonia do telefilme. De acordo com o texto dele, os telefilmes – que alcançaram o ápice nos anos 80 – são um formato que está em crise. Calil cita uma matéria do jornal “Hollywood Reporter”, que fala que, em 2006, a ABC, a CBS e a NBC (redes de televisão dos EUA) não produziram nenhum telefilme; o mesmo foi o caso do Showtime (canal de TV a cabo norte-americano, famoso por suas produções mais familiares). Já a HBO, que muitos consideram a atual grande produtora de telefilmes, não chegou nem a produzir cinco telefilmes em 2006.

Tal artigo causou muita surpresa em pessoas como eu, afinal os telefilmes têm atraído cada vez mais nomes famosos do cinema, como os dos diretores Mike Nichols e Stephen Frears e de estrelas como Richard Dreyfuss, James Cromwell, Don Cheadle, George Clooney, Harvey Keitel, Annette Bening, Hilary Swank, Ed Harris, Paul Newman, Kenneth Branagh, Anjelica Huston, Emma Thompson, Ben Kingsley, Ellen Burstyn, Helen Mirren, dentre outros.

“Aos Olhos de Deus”, telefilme produzido pela HBO e dirigido por Darnell Martin, também tem grandes nomes na frente e por trás das câmeras. A apresentadora Oprah Winfrey é a produtora executiva do projeto. Os atores Halle Berry e Terrence Howard encabeçam o elenco formado somente por atores de origem afro-americana. Essa não é a primeira experiência deles no gênero: Winfrey também produziu outro grande sucesso da HBO, “Se as Mulheres Tivessem Asas”; Berry, antes do Oscar, conquistou prêmios e elogios da crítica por sua performance em “Dorothy Dandridge – O Brilho de uma Estrela”; e Howard esteve no aclamado “Lackawanna Blues”.

No telefilme, Halle Berry interpreta Janie, uma mulher que acha que sabe tudo sobre a vida e o amor – quando, na verdade, ela ainda tem muito a aprender sobre os dois temas. “Aos Olhos de Deus” retoma a vida de Janie quando ela retorna à cidade de Eatonville (a primeira localidade totalmente negra dos EUA) e sofre com os julgamentos de cada habitante do local. Por meio de flashbacks, seremos testemunhas do crescimento de Janie, na medida em que ela se envolve com três homens diferentes: o primeiro marido, um homem idoso; o segundo, Joe Starks (Ruben Santiago-Hudson), um homem de visão e que transforma Eatonville numa cidade próspera e cheia de oportunidades; e o terceiro, o jovem impetuoso Tea Cake (Michael Ealy), que todos julgam estar interessado no dinheiro que Janie herdou de Starks. Terrence Howard interpreta Amos Hicks, o homem que vai ter sempre o potencial de ser o próximo marido de Janie, se não fosse por um único problema: ela nunca se interessou por ele de maneira amorosa.

“Aos Olhos de Deus” é um daqueles telefilmes que não se destacam por ter uma grande direção ou um excelente trabalho de atuação. O que é importante aqui é ver a maneira pela qual os roteiristas Suzan-Lori Parks, Misan Sagay e Bobby Smith Jr. construíram a personagem Janie. Ela pode ter sido uma mulher voluntariosa, decidida e cujo maior problema foram sempre os homens. Se alguém indicava que o melhor caminho era este, Janie preferia seguir aquele. Janie amou, foi feliz e também foi machucada. Mesmo assim, ela tem a capacidade de, após atingir o ponto mais baixo, conseguir recomeçar a sua vida.

Assim como os outros personagens do filme, que não hesitarão em julgar Janie, ou em dizer aquela batida frase “bem que a gente tentou avisar”, também nos sentiremos tentados em não sentir pena de Janie. Ao escutar a versão dela para os fatos de sua vida, a frase que vem à tona é outra: “não julgue antes de conhecer aquilo que verdadeiramente aconteceu”. Seria interessante que os telefilmes também não fossem julgados como dispensáveis logo de cara. A produção de filmes na TV, geralmente, é bem mais aberta a idéias que os estúdios de cinema recusam sem piedade. Além disso, muitas das últimas “produções feitas especialmente para a TV” são bem melhores do que muitos dos filmes que a gente costuma assistir na grande tela. Vamos torcer para o telefilme seguir o exemplo de Janie e sobreviver a mais um daqueles percalços que parecem ser insustentáveis.

Cotação: 6,3

Crédito Foto: Amazon.com

Tuesday, January 23, 2007

O Ano em que Meus Pais Saíram de Férias (2006)


Em 1970, o Brasil estava quase no final de um período que ficou marcado na sua história e que ganhou o nome de Milagre Econômico. No entanto, o otimismo em relação ao progresso estava somente restrito ao plano econômico, tendo em vista que o país ainda vivia em meio à repressão e à censura do regime da Ditadura Militar. É neste contexto histórico que se desenrola a trama do filme “O Ano em que Meus Pais Saíram de Férias”, do diretor Cao Hamburger.

Mauro (o estreante Michel Joelsas), que vivia com sua família em Belo Horizonte, provavelmente estava por fora de tudo isto que estava acontecendo. Para ele, o fato mais importante do ano era a realização da Copa do Mundo de 1970, no México. O garoto recebe até com muita resignação e sem fazer muitos questionamentos a notícia de que seus pais vão tirar umas “férias prolongadas” (eles eram militantes contra a ditadura e precisavam sumir por um tempo) e que ele vai ficar em São Paulo, no bairro do Bom Retiro, na companhia do avô paterno (uma participação especial de Paulo Autran).

O mundo que Mauro encontra no bairro do Bom Retiro é completamente diferente daquele que ele conhecia. O bairro, que é habitado por famílias de origens judaica e italiana, tem muita gente idosa, alguns jovens e poucas crianças. Mauro vai experimentar ali muita solidão, a qual será agravada quando o seu avô falecer e quando ele não conseguir se adaptar muito bem à pessoa de Shlomo (o excelente Germano Haiut), que acolhe o menino em sua casa e inicia uma busca pelos pais dele.

O que é mais interessante no filme de Cao Hamburger é acompanhar a transformação, o amadurecimento de Mauro. Aos poucos, ele deixa de ser o menino inseguro que passava os dias ao lado do telefone esperando a ligação dos pais e começa a aproveitar a vida, a brincar, se encontrar e descobrir quem ele é e o que ele pretende fazer. Tudo isso, tendo como pano de fundo a Copa de 1970 e o brilhantismo daquele time, que parava o país e unia todos – não importando raça, sexo, classe e crenças – numa só voz.

Quando a gente fala sobre o cinema brasileiro, uma reclamação parece constante: os roteiros da maioria dos filmes são pobres e chegam – em alguns casos – a fazer sentido só para nós brasileiros. Poucos filmes produzidos no país têm uma mensagem universal, que pode chegar a qualquer lugar do mundo e encontrar uma identidade. “O Ano em que Meus Pais Saíram de Férias” é um desses filmes de valor universal. A sua simplicidade é somente um dos elementos que o transforma numa experiência única, mas o seu maior ponto forte é a capacidade de contar uma história que tem ressonância em qualquer pessoa, em qualquer lugar. Filmes como esse deveriam ser regra em nossa indústria, e não exceção.

Cotação: 9,0

Crédito Foto: Yahoo! Cinema

Saturday, January 20, 2007

Déjà Vu (Deja Vu, 2006)


Tadinha da cidade de Nova Orleans. Depois de sofrer, em 2005, com o acidente da natureza que foi o furacão Katrina, que matou 1833 pessoas; o diretor Tony Scott, o produtor Jerry Bruckheimer e os roteiristas Bill Marsilii e Terry Rossio colocam a cidade novamente sob provação no filme “Déjà Vu”. Em meio ao Mardi Gras (o popular carnaval da cidade), um barco cheio de soldados da Marinha e suas famílias é explodido, resultando na morte de 534 pessoas. Uma outra tragédia – dessa vez causada pelas mãos humanas.

É este crime que o agente da ATF (delegacia especializada em assuntos de álcool, tabaco e armas de fogo) Doug Carlin (Denzel Washington) irá investigar. Doug é um homem que trabalha em silêncio, é muito observador e está sempre muito atento à cena do crime e às figuras que nela estão – ou estavam. Podemos dizer que o modo dele trabalhar contrasta muito com o da equipe do FBI – liderada pelo agente Andrew Pryzwarra (Val Kilmer) – com a qual ele irá colaborar.

A equipe de Andrew Pryzwarra (formada pelos atores Adam Goldberg, Elden Henson e Erika Alexander) acrescenta à investigação da explosão um recurso extremamente moderno: um programa de computador que permite voltar no tempo e reproduzir exatamente os atos, gestos e falas do acontecimento em questão. Para não ficarem procurando uma agulha no palheiro, Doug Carlin sugere que eles se fixem na rotina de Claire Kuchever (Paula Patton, que guarda uma semelhança física muito grande com a atriz Halle Berry), moça que – aparentemente – foi mais uma das vítimas da explosão do barco, mas que, para Carlin, é a chave para a solução do crime.

Na medida em que a equipe de Andrew Pryzwarra invade a rotina de Claire, mais Doug Carlin fica envolvido emocionalmente com a garota. Quando a solução do crime chega e eles descobrem o responsável pela explosão – Carroll Oerstadt (James Caviezel) – Carlin toma uma decisão drástica: usar o programa do FBI para voltar no tempo e tentar impedir que o pior – a explosão do barco e a morte de Claire – aconteça.

O diretor Tony Scott vem de dois filmes (“Chamas da Vingança” e “Domino – A Caçadora de Recompensas”) que são muito bons esteticamente e que possuem histórias que são bem contadas. Em “Déjà Vu”, Scott mantém a mesma estética crua que é uma influência direta dos filmes de Michael Mann e do “Cidade de Deus” de Fernando Meirelles e, de início conta uma história que, apesar de confusa em certos momentos (não acredito que ninguém sairá do cinema sabendo ao certo como o programa do FBI realmente funciona), prende a atenção da platéia. No entanto, uma única cena coloca todo o trabalho do diretor por água abaixo. Se está bem claro que o passado não pode ser modificado, em que realidade Doug Carlin se encontra no final? Estaria ele num simulacro, numa realidade virtual ou no mundo que ele deixou? Com a palavra, Tony Scott e seus roteiristas Bill Marsilii e Terry Rossio.

Cotação: 6,9

Crédito Foto: Yahoo! Movies

Wednesday, January 17, 2007

Uma Noite no Museu (Night at the Museum, 2006)


Numa época em que a informação está a um clique de distância, não chega a ser surpreendente saber que os museus estão passando por uma crise de público. Afinal, quem quer ir ao museu mais próximo se pode dar uma volta virtual pelo museu do Louvre, em Paris? “Uma Noite no Museu”, filme do diretor Shawn Levy (mais conhecido pelo trabalho em comédias como “Recém-Casados”, “Doze é Demais” e a refilmagem de “A Pantera Cor de Rosa”), quer provar justamente o contrário. Você deve ir fazer uma visita ao museu, pois esse é o lugar em que a história ganha vida.

Larry Daley (Ben Stiller) é um homem divorciado, pai de Nick (Jake Cherry). A vida dele é completamente instável. Ele não consegue se firmar num emprego ou se fixar em um endereço. Ao ver que seu filho começa a tomar como exemplo a figura de um outro homem – a do padrasto investidor da Bolsa de Valores (Paul Rudd) –, Larry finalmente percebe que precisa dar um jeito em sua vida.

Portanto, Larry vai a uma agência de empregos e, depois de escutar algumas negativas, é enviado ao Museu de História Natural da cidade de Nova York, pois talvez lá exista alguma vaga para ele. Após passar pelo crivo dos guardas-noturnos que ele irá substituir (a trinca de atores formada por Dick Van Dyke, Mickey Rooney e Bill Cobbs), Larry inicia o seu trabalho.

O que parecia ser algo absolutamente normal ganha contornos extraordinários quando Larry percebe que, durante o turno da noite, as criaturas de cera que habitam o museu (como o ex-presidente Teddy Roosevelt; os exploradores Lewis e Clark e Cristóvão Colombo; Átila, o Huno; os romanos; os índios e os cowboys; os combatentes da Guerra Civil Americana; dentre muitos outros) ganham vida – transformando o que era calmo em caos absoluto.

A interação que existe entre Larry e as criaturas do museu – que deveria ser o ponto alto de “Uma Noite no Museu” – só funciona quando Robin Williams (que interpreta o ex-presidente Teddy Roosevelt) está na tela. Esse intercâmbio entre passado e futuro também chama a atenção para o ótimo trabalho de direção de arte, de figurinos e de caracterização de personagens que o filme possui. No resto do tempo, “Uma Noite no Museu” abre espaço demais para o humor do irritante Owen Wilson (que interpreta Jedediah, um cowboy) e coloca em segundo plano atores que poderiam contribuir mais com o filme, como a ótima (quando ela irá receber um papel digno de seu talento no cinema?) Carla Gugino e o comediante inglês Ricky Gervais (criador das séries “The Office” e “Extras”).

Se formos abstrair a presença excessiva de Owen Wilson na tela, “Uma Noite no Museu” é até um filme que rende boas risadas. A trama desenvolvida pelos roteiristas Ben Garant e Thomas Lennon é bastante explicativa e vai agradar em cheio aos jovens que, certamente, irão lotar as salas de cinema para assistir ao filme. No entanto, o que de melhor “Uma Noite no Museu” possui é oferecer a oportunidade para que toda uma nova geração conheça os atores Dick Van Dyke, Mickey Rooney e Bill Cobbs. Ainda bem que eles não foram colocados como peças do museu. Mesmo assim, a eles só cabe o papel de ser o suporte para que Ben Stiller possa brilhar – e, neste filme pelo menos, ele está bem melhor do que nas suas últimas aparições na grande tela.

Cotação: 6,8

Crédito Foto: Yahoo! Movies

Saturday, January 13, 2007

Filhos da Esperança (Children of Men, 2006)


A trajetória de “Filhos da Esperança”, do diretor mexicano Alfonso Cuarón, nas salas de cinema é muito peculiar. O filme estreou – sem muito alarde – em alguns festivais de cinema, como o de Veneza, aonde foi recebido de modo um tanto frio pela crítica e pelo público. Alguns meses depois, quando o filme veio estrear de maneira definitiva, a situação tinha mudado completamente e não só “Filhos da Esperança” começava a receber um carinho especial da crítica (ganhando alguns prêmios), como também se transformava em um sucesso de público.

O filme se passa em Londres, no ano 2027. O mundo imaginado por Alfonso Cuarón e pelos co-roteiristas Timothy J. Sexton, David Arata, Mark Fergus e Hawk Ostby (com base no livro de P.D. James) é dominado pelo caos e pela completa falta de autoridade, aonde diversos grupos lutam pelo poder e a classe mais frágil é a dos imigrantes ilegais, que são enxotados diariamente para prisões que mais lembram os campos de concentração do regime nazista alemão.

Entretanto, a mudança mais visível que pode ser vista neste mundo futurista é que ele, além de ser um lugar sombrio, está privado do calor, da inocência e da alegria do riso e dos gritos das crianças. Explico: os seres humanos ficaram inférteis. A pessoa mais jovem do mundo, Diego Ricardo (Juan Gabriel Yacuzzi), foi assassinada aos 18 anos. É esse acontecimento que abre “Filhos da Esperança” e dá início a uma série de fatos que só reforçam a visão pessimista do diretor mexicano em relação ao futuro da humanidade.

Clive Owen interpreta Theo Faron, funcionário do Ministério da Energia. Theo já foi um revolucionário, mas perdeu a vontade de lutar após a morte do filho Dylan. A ex-mulher dele, Julian (Julianne Moore), é a líder dos Peixes, o maior grupo de resistência ao poder vigente. É Julian que coloca Theo em uma situação delicada ao pedir que ele consiga documentos para que a imigrante ilegal Kee (a ótima Claire-Hope Ashitey) possa sair da Inglaterra sem nenhum perigo. Como precisa do dinheiro que vai ganhar ao desempenhar essa tarefa, Theo consegue os documentos necessários, mas terá que obrigatoriamente acompanhar a jovem Kee durante a viagem. A missão de Theo se revela ainda mais importante quando ele descobre que Kee está grávida. Dessa forma, não só a fé de Theo – como a de todo o mundo, nem que seja por um mísero instante – será colocada em xeque novamente.

“Filhos da Esperança” consegue sobreviver a alguns furos deixados pela trama (é incrível como cinco roteiristas não conseguem deixar claro em nenhum momento o que é o projeto Humano, o qual move a trama do filme em quase sua totalidade). O filme é deveras pessimista, mas não deixa de ser atual. Apoiado por um belo trabalho do diretor de fotografia – e favorito ao Oscar 2007 – Emmanuel Lubezki, Cuarón mostra através da metáfora da falta da alegria infantil, o que nos espera se continuarmos nesse sentido de autodestruição. Assim como os acontecimentos do roteiro fazem com que a fé de Theo seja testada, o que Cuarón faz com “Filhos da Esperança” é testar a fé de sua platéia. Nos créditos finais, ele coloca somente gritos e choros de várias crianças. Um pouco de vida depois de vermos tanto caos. A pergunta que fica é se a nossa reação será a mesma dos soldados ao verem o choro do nenê de Kee? Depois do encanto, a nossa vida vai seguir? Ou será que podemos fazer algo além disso?

Cotação: 7,5

Crédito Foto: Yahoo! Movies

Tuesday, January 09, 2007

Diamante de Sangue (Blood Diamond, 2006)


Numa das cenas mais clássicas da história do cinema, no filme “Os Homens Preferem as Loiras”, do diretor Howard Hawks, Marilyn Monroe entoa os seguintes versos: “um beijo na mão pode ser muito galanteador, mas os diamantes são os melhores amigos das mulheres”. Por muito tempo, essa visão luxuosa e de ostentação a respeito dos diamantes foi o que povoou o imaginário popular. A visão sobre essa pedra preciosa irá mudar quando, no filme “Diamante de Sangue”, do diretor Edward Zwick, formos apresentados ao conceito que dá nome ao filme. Os diamantes de sangue são aquelas pedras que, vendidas às empresas fabricantes de jóias, acabam financiando as guerras nos países africanos sobre as quais nos acostumamos a ver/ler nos noticiários.

Neste sentido, o roteiro do filme, escrito por Charles Leavitt e C. Gaby Mitchell, nos apresenta a três personagens que, apesar das origens diferentes, possuem algo em comum: todos eles farão o que for necessário para conseguir o que querem. Danny Archer (Leonardo diCaprio), um ex-soldado do exército sul-africano, converteu todos os seus conhecimentos sobre armas e táticas de guerrilha para os negócios e se transformou num contrabandista (especialmente de armas e de diamantes). Solomon Vandy (Djimon Hounsou), um pescador, pai de família, viu a aldeia em que vivia ser destruída e sua família ir parar num campo de refugiados; enquanto ele se tornou prisioneiro dos rebeldes e passou a trabalhar em uma mina. Maddy Bowen (Jennifer Connelly), jornalista norte-americana, foi para Serra Leoa atrás de informações para uma matéria que ela está fazendo sobre a relação das grandes indústrias de jóias com os diamantes de sangue.

O destino destes três personagens irá se cruzar quando Solomon encontra uma grande pedra de diamante rosa, a esconde dos rebeldes e vira o alvo deles. Depois de fugir e reencontrar a sua família, Solomon descobre que seu único filho, Dia (Kagiso Kuypers), foi recrutado pelos rebeldes. Dessa maneira, a pedra que ele escondeu se torna uma moeda de troca valiosa pela busca de informações a respeito de seu filho. Para Archer, que deve dinheiro a um parceiro de negócios, a pedra encontrada por Solomon representa não só a sua vida como a oportunidade de sair de vez – e rico – da África. Archer e Solomon, então, estabelecem uma parceria – que, logo, irá evoluir para uma amizade. Em troca de informações para a matéria que está escrevendo, Maddy concorda com as exigências de Archer e disfarça o contrabandista e o pescador como jornalistas para que eles possam transitar com certa facilidade pelo perigoso território de Serra Leoa.

Além da fotografia de Eduardo Serra, um dos elementos mais interessantes de “Diamante de Sangue” foi a maneira pela qual os roteiristas Charles Leavitt e C. Gaby Mitchell construíram os seus personagens. Solomon, Archer e Maddy têm uma essência muito bem definida, e não chegam a ser totalmente mocinhos ou bandidos. Os três são pessoas reais, movidas pelos seus interesses principais. E quando são colocados em situações que chegam perto do seu limite é que eles se permitem revelar as suas verdadeiras personalidades. Nesses momentos, “Diamante de Sangue” atinge o seu ápice.

Edward Zwick dirige seu filme com muita elegância e discrição. Mas, acaba escorregando no final um tanto demagógico. A intenção do diretor ao mostrar que as vozes dos excluídos merecem ser ouvidas, e não ignoradas é muito bonita – mas um tanto irreal. Todos nós sabemos que vivemos num mundo em que os que vivem à margem não têm voz. Isso só acontece quando os acontecimentos se tornam insustentáveis. É triste, mas é fato – e não é um filme que vai mudar isso. “Diamante de Sangue” já tem a sua própria importância ao nos fazer prestar atenção nos diamantes de sangue. Quem consome jóias deve ter consciência de que o produto que ele (a) está comprando não ajuda a financiar guerras que matam pessoas inocentes.

Cotação: 7,5

Crédito Foto: Yahoo! Movies