Monday, May 05, 2008

O Olho do Mal (The Eye, 2008)

A vida de quem está na espera por uma doação de órgãos é muito difícil. Por incrível que pareça, não é essa a realidade que passa o prólogo de “O Olho do Mal”, filme dirigido pela dupla David Moreau e Xavier Palud. Sydney Wells (Jessica Alba) é uma violinista de bastante sucesso. Solista de uma orquestra, ela mora em um apartamento confortável e, aparentemente, está mais do que acostumada com a cegueira que a acomete desde que ela tinha cinco anos e decidiu brincar com fogos de artifício ao lado da irmã mais velha.

Ao que parece, Helen Wells (Parker Posey, péssima nas poucas cenas que possui), a irmã de Sydney, nunca se conformou com o destino que ela teve. Talvez movida por um sentimento de culpa, Helen recoloca a irmã na fila por uma doação de córnea (da primeira vez em que Sydney passou por um transplante, o órgão foi rejeitado pelo seu corpo). É justamente este procedimento que dá início ao acontecimento mais importante do roteiro de “O Olho do Mal”: a partir do momento em que Sydney começa a enxergar novamente, ela começa a ser atormentada por visões de coisas que, provavelmente, faziam parte da vida da pessoa que lhe ofereceu o órgão (a esse fenômeno, os médicos dão o nome de memória visual).

Na medida em que passa pela adaptação ao novo – e assustador – mundo que se apresenta a ela, Sydney leva ao pé da letra aquela afirmação de que é preciso “ver para crer” e, ao lado do Dr. Paul Faulkner (Alessandro Nivola), um especialista no atendimento a pacientes que passaram por transplantes de córnea, tenta compreender o que as visões que ela enxerga significam. Só assim, Sydney poderá encontrar uma maneira de retomar a sua vida – a qual fica totalmente parada enquanto ela passa por esse momento bastante difícil.

Refilmagem do terror chinês “O Olho – A Herança”, dos diretores Oxide Pang e Danny Pang (os mesmos de “Os Mensageiros”), o filme da dupla David Moreau e Xavier Palud falha justamente naquilo que deveria ser seu ponto mais forte e não causa qualquer sensação de medo na platéia. Somente as sólidas atuações de Jessica Alba (a qual precisa, urgentemente, de um novo agente que a leve a projetos, no mínimo, interessantes) e Alessandro Nivola (que também não dá sorte nos filmes que faz) conseguem fazer de “O Olho do Mal” um filme tolerável.

Cotação: 3,0

O Olho do Mal (The Eye, EUA, 2008)
Diretor(es): David Moreau, Xavier Palud
Roteirista(s): Sebastian Gutierrez (com base no roteiro de Jo Jo Yuet-chun Hui, Oxide Pang, Danny Pang)
Elenco: Jessica Alba, Alessandro Nivola, Parker Posey, Rade Serbedzija, Fernanda Romero, Rachel Ticotin, Obba Babatundé, Danny Mora, Chloe Moretz, Brett Haworth, Kevin K., Tamlyn Tomita, Esodi Geiger, Karen Austin, Ryan J. Pezdric

Friday, May 02, 2008

Margot e o Casamento (Margot at the Wedding, 2007)

Já virou um clichê do cinema. Toda vez em que um personagem principal de um filme volta para casa é sinônimo de que ele está passando por uma fase complicada em sua vida. O retorno às origens serve até mesmo como um propósito para que o personagem se conecte novamente consigo mesmo e possa obter aquilo que queria ao regressar ao lar: a possibilidade do recomeço. O longa “Margot e o Casamento”, do diretor e roteirista Noah Baumbach, apesar de seguir um chavão desses, nos surpreende ao mostrar alguém que não quer iniciar uma nova jornada, e sim ter coragem para seguir no caminho que já conhece.

De uma certa maneira, Margot (Nicole Kidman), lembra muito Joan Berkman (Laura Linney), a personagem principal de “A Lula e a Baleia”, filme anterior de Noah Baumbach. As duas são mulheres de intelecto privilegiado. Trabalham com o ato de escrever e são casadas com homens do mesmo campo profissional. Com os filhos, tentam levar um relacionamento moderno. Ou seja, elas são adeptas daquele estilo de que se deve adotar o máximo de sinceridade com as crianças. Nenhum assunto é tabu entre eles.

Quando encontramos Margot na primeira cena de “Margot e o Casamento”, ela está viajando de trem com o filho Claude (Zane Pais). Os dois estão a caminho da cidade natal dela, mais precisamente para a casa aonde ela cresceu. É lá que vive Pauline (Jennifer Jason Leigh, que foi indicada ao Independent Spirit Awards 2008 de Melhor Atriz Coadjuvante pela sua performance neste filme), uma das irmãs de Margot. Elas não se falam há algum tempo, mas isso não impediu que Margot fosse convidada – e aceitasse participar – do casamento de Pauline com Malcolm (Jack Black), um homem com muito senso de humor, porém nenhum plano concreto de vida.

É a partir do reencontro entre as duas irmãs que o roteiro de Noah Baumbach aborda um território que também foi encarado em “A Lula e a Baleia”: os das famílias cheias de imperfeição. No caso particular de “Margot e o Casamento”, os problemas familiares nos são revelados através da inconstância emocional vivenciada por Margot e Pauline, que, uma hora, se amam e confiam uma na outra; e, na outra, se odeiam e querem distância completa. No meio dessa tempestade de sentimentos, temos (de novo) duas crianças – além do já citado Claude, encontramos Ingrid (Flora Cross), a filha de Pauline – que estão naquele momento crucial da formação da personalidade.

Como já foi mencionado algumas vezes durante o texto, são inúmeras as semelhanças entre esse “Margot e o Casamento” e o filme “A Lula e a Baleia”. Além dos elementos presentes na narrativa, podemos perceber que os pontos mais fortes dos dois filmes se encontram no ótimo elenco. Se, em “A Lula e Baleia”, Laura Linney e Jeff Daniels deram um verdadeiro show; em “Margot e o Casamento”, Nicole Kidman e Jennifer Jason Leigh oferecem performances inspiradíssimas. O elemento que destoa aqui é o roteiro de Noah Baumbach. O filme é construído em cima de muitos diálogos e os mesmos fazem com que “Margot e o Casamento” seja uma verdadeira volta de montanha russa, assim como as muitas mudanças de humores das suas duas personagens principais.

Cotação: 6,3

Margot at the Wedding (Margot at the Wedding, EUA, 2007)
Diretor(es): Noah Baumbach
Roteirista(s): Noah Baumbach
Elenco: Zane Pais, Susan Blackwell, Nicole Kidman, Jack Black, Flora Cross, Jennifer Jason Leigh, Seth Barrish, Matthew Arkin, Michael Cullen, Enid Graham, Sophie Nyweide, Justin Roth, Ciarán Hinds, Halley Feiffer, Joanthan Scwartz

Wednesday, April 30, 2008

Novo Trailer de "The Incredible Hulk"

Os fãs de filmes de super-heróis, que estão muito agitados com a estréia de "Homem de Ferro", do diretor Jon Favreau, nesta semana, nas salas de cinema do Brasil, possuem mais motivos para comemorar. A Marvel revelou na data de hoje o segundo trailer oficial do filme "O Incrível Hulk", do diretor Louis Leterrier, e com o ator Edward Norton na pele do monstro verde.

Se o primeiro trailer oficial do filme deixou algumas dúvidas nas mentes dos fãs mais ardorosos, essa segunda versão, com certeza, causa uma impressão bem mais animadora - especialmente no que diz respeito ao aspecto dos efeitos especiais. Além do trailer, foram divulgadas hoje novas imagens do filme pelo site Superhero Flix.

Prestem atenção para as várias cenas do trailer que mostram passagens filmadas na Favela de Tavares Bastos, no Rio de Janeiro.



"O Incrível Hulk" estréia mundialmente no dia 13 de Junho.

Um Amor de Tesouro (Fool's Gold, 2008)

Em 2005, o diretor John Stockwell lançou um filme chamado “Mergulho Radical”. No mar do Caribe, um casal de mergulhadores chamado Jared (Paul Walker) e Sam (Jessica Alba) encontram um avião afundado, o qual esconde um tesouro e uma carga de drogas. Com patrocinadores no seu encalço, além dos traficantes que são donos daquilo que eles também descobriram no fundo do mar, se tem o desenvolvimento de uma trama que mistura aventura, romance e ação. O longa “Um Amor de Tesouro”, do diretor Andy Tennant, guarda muitas semelhanças com a obra dirigida por John Stockwell. A diferença é que a narrativa se passa nas praias da Flórida.

O casal recém-divorciado Benjamin Finnegan (Matthew McConaughey, que está bem à vontade em várias cenas em que aparece sem camisa – um figurino habitual que ele adorna fora das telas) e Tess (Kate Hudson) se reúnem para um último projeto a dois: a descoberta do local onde está escondido o “Dote da Rainha”, tesouro que seria entregue pelo rei espanhol Felipe II à sua jovem esposa e que desapareceu, misteriosamente, no fundo do mar, após toda a frota espanhola ser derrubada por um furacão.

Para colocarem seu plano em prática, Finn e Tess contarão com o bem-vindo patrocínio do milionário Nigel Honeycutt (Donald Sutherland, com um bronzeado artificial totalmente constrangedor) e da sua filha Gemma (Alexis Dziena, completamente hilária), bem como a ajuda do parceiro Alfonz (Ewen Bremmer). No entanto, eles ainda terão que lidar com a concorrência de Moe Fitch (Ray Winstone), um dos maiores especialistas na caça ao tesouro, e do rapper linha dura Bigg Bunny (Kevin Hart), o ex-financiador de Finn, a quem ele deve uma quantia enorme.

Filmado nas belas praias da Austrália, é justamente a paisagem natural um dos pontos mais altos de “Um Amor de Tesouro”. Além disso, o diretor Andy Tennant (de obras como “Hitch – Conselheiro Amoroso”, “Doce Lar” e “E Agora, Meu Amor?”) aposta na química existente entre Matthew McConaughey e Kate Hudson, que se deram muito bem na comédia romântica “Como Perder um Homem em 10 Dias”. No entanto, no final, o que acaba marcando mais o longa é a mistura entre comédia, romance e aventura, a qual – neste caso – deu muito certo.

Cotação: 5,8

Um Amor de Tesouro (Fool's Gold, EUA, 2008)
Diretor(es): Andy Tennant
Roteirista(s): John Claflin, Daniel Zelman, Andy Tennant
Elenco: Matthew McConaughey, Kate Hudson, Donald Sutherland, Alexis Dziena, Ewen Bremner, Ray Winstone, Kevin Hart, Malcolm-Jamal Warner, Brian Hooks, David Roberts, Michael Mulheren, Adam LeFevre, Rohan Nichol, Roger Sciberras, Elizabeth Connolly

Tuesday, April 29, 2008

No Vale das Sombras (In the Valley of Elah, 2007)

O título original de “No Vale das Sombras”, do diretor Paul Haggis, se baseia em uma história do Antigo Testamento. Golias era um gigante imbatível. Ele desafiou o exército israelense a enviar o seu melhor homem para lutar com ele, mas ninguém se prontificava para atender a missão. Davi, um rapaz comum, decidiu enfrentar o gigante. Munido de uma armadura e de um estilingue, derrubou Golias com uma pedra só. A história de Davi e Golias fala sobre a superação dos medos e, de alguma maneira, todos os personagens deste filme também estão diantes de uma situação em que têm que vencer seus maiores temores.

Temos os soldados norte-americanos (Wes Chatham, Jake McLaughlin, Mehcad Brooks, Jonathan Tucker e Victor Wolf) que servem no Iraque e que têm que encontrar uma maneira para sobreviver (física e mentalmente) ao local. Encontramos a Detetive Emily Sanders (Charlize Theron, numa contida – e eficiente – atuação), que é mãe solteira do pequeno David (Devin Brochu), e tem que lutar contra o preconceito dos colegas de trabalho, que a designam para casos considerados ridículos. E nos deparamos com Hank Deerfield (Tommy Lee Jones, numa performance que lhe rendeu uma indicação ao Oscar 2008 de Melhor Ator), o esposo de Joan (Susan Sarandon), um militar aposentado e que tem que lidar com a culpa que sente pelo destino que tiveram as vidas de seus dois únicos filhos homens, os quais seguiram a mesma carreira do pai.

A trama de “No Vale das Sombras”, que foi escrita por Paul Haggis e Mark Boal, segue a investigação que é feita por Hank Deerfield e pela Detetive Emily Sanders – com a cooperação parcial do Tenente Kirklander (Jason Patric), da polícia do exército – para descobrir a verdade sobre o desaparecimento do filho caçula de Deerfield, Mike (o já citado Jonathan Tucker), que acabara de regressar do Iraque. A partir do inquérito, vamos mergulhar nos dramas pessoais de cada um dos grupos mencionados no segundo parágrafo do texto e passaremos a entender de que forma eles irão se colocar no novo mundo que se apresenta a eles.

Antes de ganhar a fama mundial com os roteiros de filmes como “Crash – No Limite” e “Menina de Ouro”, Paul Haggis era um profissional cujos créditos mais conhecidos incluíam textos para seriados de TV como “Family Law”, “L.A. Law” e “Walker: Texas Rangers”. De alguma maneira, a estrutura narrativa de “No Vale das Sombras” lembra muito a de um episódio de um programa de temática policial, como “Without a Trace”, “Cold Case” ou “Law & Order”. Você tem a contextualização, a descoberta das lacunas no caso, a exploração das vidas pessoais dos envolvidos e, finalmente, o desfecho do evento com as eventuais cenas que mostram o início da continuação da vida. O filme poderia, por isso mesmo, ser uma obra que não marcasse muito, mas acontece justamente o contrário. “No Vale das Sombras” deixa uma impressão definitiva em quem o assiste e isto é mérito exclusivo do roteiro. Não importa quem seja seu parceiro de redação, Paul Haggis consegue encadear as palavras de forma que elas nos emocionam e nos envolvem naquilo que estamos assistindo.

Cotação: 9,0

No Vale das Sombras (In the Valley of Elah, EUA, 2007)
Diretor(es): Paul Haggis
Roteirista(s): Paul Haggis, Mark Boal
Elenco: Tommy Lee Jones, Charlize Theron, Joseph Bertot, Brent Briscoe, Devin Brochu, Josh Brolin, Mehcad Brooks, Chris Browning, Wes Chatham, Barry Corbin, Wayne Duvall, Frances Fisher, James Franco, Rick Gonzalez, Loren Haynes

Monday, April 28, 2008

De Olho no Primetime Emmy Awards 2008 - "The Closer"

As indicações para o 60th Annual Primetime Emmy Awards 2008 só serão anunciadas no dia 17 de Julho, porém muito se pode ser discutido sobre a edição desse ano. Por exemplo: as mudanças nas regras do prêmio (foi criada uma nova categoria: a de melhor apresentador de um programa de competição ou reality show e atores e atrizes de programas de variedades, como o “Saturday Night Live”, passam agora a concorrer nas categorias de séries de comédia) ou de que forma a greve de roteiristas irá influenciar a lista de indicados. Para responder a esta pergunta, alguns apostam em uma abertura maior da Academia de Artes e Ciências Televisivas para os seriados veiculados pela TV a Cabo (como “Mad Men”, “Damages” – programa sobre o qual falaremos em breve aqui no Cinéfila por Natureza –, “The Wire”, dentre outras).

O canal TNT, que de acordo com o blogueiro Tom O’Neil, tem sido um dos mais originais e agressivos concorrentes do Emmy Awards, liberou nesta semana a sua caixa oficial para o FYC (For Your Consideration) aos votantes da Academia. Nela, constam programas como o seriado “Savage Grace” (estrelado por Holly Hunter e que estréia em Maio, no Brasil, pelo canal Fox) e a minissérie “A Companhia” (dos atores Chris O’Donnell, Alfred Molina, Michael Keaton, entre outros).

No entanto, algumas das maiores chances do canal no Primetime Emmy Awards 2008 se encontram no seriado “The Closer”, cuja terceira temporada foi uma das melhores a serem veiculadas na temporada 2007-2008. Criada por James Duff, o programa segue a unidade de homicídios prioritários da polícia de Los Angeles (LAPD). Liderada pela Deputy Chief Brenda Leigh Johnson (Kyra Sedgwick), a equipe, além de desvendar crimes, tem que se preocupar com os conflitos internos, especialmente com os policiais da delegacia de homicídios.

Para submeter o seriado na categoria de Best Drama Series, a TNT fez um excelente trabalho ao escolher quatro dos melhores episódios da terceira temporada do programa. São eles: “Homewrecker” (o season-premiere em que a equipe de Brenda tinha que investigar um triplo homicídio), “Ruby” (numa corrida contra o tempo, a equipe de Brenda tem que ir atrás de uma menina de oito anos que desapareceu misteriosamente e que pode estar nas mãos de um criminoso sexual – se existir justiça no Emmy 2008, Heath Freeman tem que ser indicado como Guest Actor in a Drama Series por sua performance nesse episódio), “Manhunt” (em uma outra corrida contra o tempo, a equipe de Brenda tem que desvendar a identidade de um serial killer antes que ele faça uma nova vítima) e “Til Death Do Us Part” (episódio dividido em duas partes em que a equipe de Brenda tem que elucidar o assassinato de um famoso advogado de divórcios).

Além de depositarem altas esperanças numa possível indicação de “The Closer” na categoria de Best Drama Series, o TNT também aposta alto numa vitória de Kyra Sedgwick na categoria de Lead Actress in a Drama Series. Na terceira temporada de “The Closer”, os roteiristas foram super generosos com a atriz, que possui vários excelentes episódios para escolher. A maior concorrência dela parece ser a aclamada Glenn Close por seu trabalho na primeira temporada de “Damages” (por ele, já venceu o Globo de Ouro 2008 de Melhor Atriz em Série de Drama), mas já dissemos aqui – e não custa nada repetir: Kyra Sedgwick é a melhor atriz em atividade na televisão norte-americana e a maneira como ela criou e interpreta a personagem Brenda Leigh Johnson é digna de todas as honras que possam ser conquistadas.

O Cinéfila por Natureza vai começar a divulgar, aos poucos, seus palpites para as categorias principais do 6oth Annual Primetime Emmy Awards. Vamos começar com o que, acreditamos, serem as maiores chances de “The Closer” de receber indicações na premiação:

Best Drama Series
Lead Actress in a Drama Series
– Kyra Sedgwick
Best Directing in a Drama Series – Kevin Bacon pelo episódio “Blindsided”
Best Writing in a Drama Series – Mike Berchem e James Duff pelo episódio “Manhunt”

Friday, April 25, 2008

O Poder da Esperança (Music Within, 2007)

Quando era ainda uma criança, Richard Pimentel (Ridge Canipe) escutou de um professor uma frase famosa que dizia que muitas pessoas passam pela vida sem encontrar a sua verdadeira música. Por essa afirmação, devemos entender que falta a muita gente descobrir a sua verdadeira voz. A de Richard lhe foi exposta muito cedo: ele tem o dom da palavra. Um ótimo orador, especialmente de discursos que ele decorava pelo rádio, Richard ainda precisava de muita experiência de vida para poder realmente executar algo que fizesse a diferença na vida das pessoas.

De alguma maneira, ele não conseguia transportar as agruras de sua vida pessoal – a mãe (Rebecca de Mornay) vive num hospício e o pai (Clint Jung) morreu cedo – para os discursos que fazia. Isso só irá acontecer quando ele (agora interpretado por Ron Livingston) volta do Vietnã acometido por uma doença que o fez perder a audição e ficar permanentemente com um zumbido no ouvido. Através da amizade que ele desenvolve com Art Honeyman (Michael Sheen, ótimo), um homem inteligente mas portador de paralisia cerebral, bem como com outros veteranos de guerra, Richard decide dedicar a sua vida à luta pelos direitos dos deficientes, especialmente pela inclusão deles em uma vida plena na sociedade – com emprego, lazer, entre outras coisas.

Baseado em uma história real, “O Poder da Esperança”, filme do diretor Steven Sawalich, conta uma história bastante inspiradora. O filme tem uma ótima trilha sonora, a qual embala as diferentes fases da vida de Richard; porém conta com um roteiro que, em alguns momentos, pega pesado com as cenas que retratam alguns dos pontos mais difíceis vividos pelo personagem principal. De qualquer maneira, “O Poder da Esperança” é um filme que marca justamente pela bela mensagem que quer passar.

Cotação: 5,0

O Poder da Esperança (Music Within, 2007)
Diretor:
Steven Sawalich
Roteiro: Bret McKinney, Mark Andrew Olsen, Kelly Kennemer
Elenco: Ron Livingston, Melissa George, Michael Sheen, Yul Vasquez, Rebecca de Mornay, Hector Elizondo, Leslie Nielsen, Ridge Canipe, Paul Michael, Clint Jung, John Livingston

Thursday, April 24, 2008

Enterrem Meu Coração na Beira do Rio (Bury My Heart at Wounded Knee, 2007)

Toda a trama de “Enterrem Meu Coração na Beira do Rio”, telefilme do diretor Yves Simoneau, se baseia em um fato da história dos Estados Unidos. No século XIX, os índios da tribo Sioux eram um dos poucos a resistirem e se recusavam a abandonar as Black Hills, local que eles consideravam ser sagrado. No entanto, a insistência do homem branco em se apoderar da localidade se intensifica quando, em meio a uma grande depressão econômica, é descoberta uma valiosa mina de ouro por lá.

Após essa contextualização histórica, o roteiro de Daniel Giat (tendo como base o livro de Dee Alexander Brown) se divide em duas linhas narrativas. A primeira segue o grande cacique Touro Sentado (August Schellenberg), que, com sua tribo Sioux, abandona as Black Hills e vai para o Canadá. A segunda retrata a ocidentalização de Ohiyesa (Chevez Ezaneh), um membro da tribo Sioux, que recebe toda a sua educação em uma escola do Estado de Illinois e vira o médico Charles Eastman (Adam Beach), o símbolo maior da política de adaptação dos índios desenvolvida pelo Senador Henry Dawes (Aidan Quinn).

A parte mais interessante de “Enterrem Meu Coração na Beira do Rio” acontece quando estes três personagens que entraram para a história norte-americana se encontram nas Black Hills, cada um desempenhando uma função diferente. Foi no dia 29 de Dezembro de 1890, quando as tropas do governo norte-americano, após várias tentativas frustradas de ocidentalização indígena ou de fazer com que a tribo aceitasse os termos de um acordo que não lhes beneficiava em nada, foi a responsável por um dos maiores massacres vistos no país, quando centenas de homens, mulheres e crianças indígenas foram mortas.

Indicado a 17 Primetime Emmy Awards 2007, “Enterrem Meu Coração na Beira do Rio” ganhou 6 estatuetas, incluindo a de Melhor Filme Produzido Para Televisão. Cada um desses prêmios foi merecido, já que a parte técnica do telefilme é maravilhosa. O diretor Yves Simoneau nos entrega uma obra de belas imagens e que faz uma discussão muito interessante sobre a defesa de valores e sobre não se entregar. Pena que o roteiro, mesmo passando uma mensagem necessária, seja tão cheio de falhas.

Cotação: 6,9

Enterrem Meu Coração na Beira do Rio (Bury My Heart at Wounded Knee, EUA, 2007)
Diretor(es):
Yves Simoneau
Roteirista(s): Daniel Giat (com base no livro de Dee Alexander Brown)
Elenco: Aidan Quinn, Adam Beach, August Schellenberg, J.K. Simmons, Eric Schweig, Wes Studi, Colm Feore, Gordon Tootoosis, Fred Dalton Thompson, Anna Paquin, Laura Bachynski, Wayne Charles Baker, Tom Carey, Gerald Tokala Clifford, Chris Diamantopoulos

Wednesday, April 23, 2008

Valente (The Brave One, 2007)

Bem no início de “Valente”, do diretor Neil Jordan, Erica Bain (Jodie Foster, numa performance que lhe rendeu uma indicação ao Globo de Ouro 2008 de Melhor Atriz em Filmes Dramáticos), que apresenta um programa cujo assunto principal são as caminhadas que ela faz pelas ruas de Nova York, fala a respeito de sua falta de costume com aquele mundo caótico. Ela sente falta de um tempo que já acabou. No entanto, pouco tempo depois disso, Erica é uma nova mulher, alguém que consegue ficar alheio a – quase – todos os sons advindos dos becos da cidade aonde mora.

A mudança em Erica se dá em decorrência de um ato de violência. Ela e o noivo David Kirmani (Naveen Andrews, do seriado “Lost”) são espancados até perderem a consciência. Ele acaba falecendo, enquanto ela fica em coma por três semanas. Ao acordar, Erica tenta se acostumar novamente ao mundo a seu redor, mas ao mesmo tempo sente uma vontade enorme de preencher o vazio que ficou em sua vida após a morte de David.

Existem diversas maneiras para continuar a vida após algo como o que Erica passou. Não é que ela passa a ser alguém intolerante. Na realidade, Erica está disposta a não passar mais nunca por este tipo de sofrimento. É por esta razão que, ao se deparar novamente com outros atos de violência, ela reaja – não com o objetivo de fazer justiça com as próprias mãos, mas sim para encontrar um novo significado para a sua existência, já que Erica acredita que não poderá nunca mais voltar a ser a mesma pessoa que foi antes da morte de David.

O roteiro de Roderick Taylor, Bruce A. Taylor e Cynthia Mort nos dá elementos importantes para compreender a nova fase de Erica. É fundamental aqui a maneira como os três roteiristas desenvolvem o relacionamento que se estabelece entre ela e o detetive Mercer (Terrence Howard, numa ótima atuação). O contraste entre o que é considerado correto e o que é visto como errado no conceito do que é legal e do que é justo é um dos pontos mais altos – e de reflexão – de “Valente”.

Se fosse um filme brasileiro, “Valente” seria uma obra considerada fascista e Erica Bain viraria uma heroína a la Capitão Nascimento. Como é um longa norte-americano, deve ser interpretado sob o ponto de vista daquele país. Personagens como Erica Bain teriam feito sucesso nos anos 70, ao lado de tipos como Dirty Harry e Paul Kersey. No entanto, nos dias atuais, uma história como a retratada pelo filme de Neil Jordan é quase que uma afronta. Os norte-americanos acreditam piamente na lei e na justiça. Talvez, por isso, “Valente” tenha sido solenemente ignorado no país.

Cotação: 8,2

Valente (The Brave One, EUA, Austrália, 2007)
Diretor(es): Neil Jordan
Roteirista(s): Roderick Taylor, Bruce A. Taylor, Cynthia Mort
Elenco: Jodie Foster, Terrence Howard, Nicky Katt, Naveen Andrews, Mary Steenburgen, Ene Oloja, Luis Da Silva Jr., Blaze Foster, Rafael Sardina, Jane Adams, Gordon MacDonald, Zoe Kravitz, John Magaro, Victor Colicchio, Jermel Howard

Tuesday, April 22, 2008

Super-Herói - O Filme (Superhero Movie, 2008)

Apesar de enfrentarem vilões bastante perigosos e de terem a grande responsabilidade de salvar o mundo, os super-heróis sabem também ter um bom senso de humor. Esse é o caso, por exemplo, da dupla Johnny Storm (Chris Evans) e Ben Grimm (Michael Chiklis) dos filmes do “Quarteto Fantástico” e do Peter Parker (Tobey Maguire) versão emo visto em “Homem-Aranha 3”. “Super-Herói – O Filme”, do diretor e roteirista Craig Mazin, tem o objetivo de fazer uma aventura cômica parodiando alguns dos super-heróis mais populares do cinema, como “X-Men” e os já citados “Quarteto Fantástico” e “Homem-Aranha”.

Por falar no Spidey, é justamente ele – e seu alter-ego – o motivo maior de inspiração por trás do roteiro escrito por Craig Mazin. Rick Riker (Drake Bell) é um típico jovem de 16/17 anos. Órfão de pai e mãe, ele é criado pelos tios (Leslie Nielsen e Marion Ross). Apaixonado pela garota mais popular da escola (Sara Paxton), que nem lhe dá bola, Rick é ridicularizado todos os dias por aqueles que, na escala social do colegial, são considerados os mais populares. Em uma visita escolar a um laboratório, ele é picado por uma libélula modificada geneticamente e, em decorrência disso, se transforma no Libélula, um super-herói forte e muito valente.

“Super-Herói – O Filme” não seria um longa do gênero se não tivesse um grande vilão e ele está na figura do dono do laboratório visitado pela turma de Rick Riker. Lou Landers (Christopher McDonald), não por acaso, é o tio do maior inimigo (Ryan Hensen, do seriado “Veronica Mars”) de Rick; e, após passar por uma experiência científica, se transforma no Ampulheta, vilão que tem como propósito maior alcançar a imortalidade – para isso, ele tem que matar um certo número de pessoas.

É importante frisar que, apesar de ser uma paródia, “Super-Herói – O Filme” tem muitos elementos que o diferem de filmes como “Espartalhões” e “Uma Comédia Nada Romântica”. A começar pelo roteiro do filme, que tem uma estrutura narrativa bem definida, sem espaços para aquelas gags que tanto irritam. No entanto, a principal delas é a presença de um elenco que é formado por atores com o mínimo de talento para a atuação. Você vê o esforço deles em apresentar tudo o que vemos na tela – “Super-Herói – O Filme”, no fundo, é uma obra muito sem-graça – sem parecer que estão fazendo algo que, na realidade, é ridículo.

Cotação: 1,5

Super-Herói: O Filme (Superhero Movie, EUA, 2008)
Diretor(es): Craig Mazin
Roteirista(s): Craig Mazin
Elenco: Drake Bell, Sara Paxton, Christopher McDonald, Leslie Nielsen, Kevin Hart, Marion Ross, Ryan Hansen, Keith David, Brent Spiner, Robert Joy, Jeffrey Tambor, Robert Hays, Nicole Sullivan, Sam Cohen, Tracy Morgan

Monday, April 21, 2008

Apenas uma Vez (Once, 2007)

Quando subiram no palco do Kodak Theater, no dia 24 de Fevereiro de 2008, para receberem o Oscar de Melhor Canção Original pela belíssima “Falling Slowly”, a dupla Glen Hansard e Marketa Irglova deram um discurso inspirador sobre lutar pelos seus sonhos e, principalmente, sobre a importância de se fazer arte. Tudo o que eles disseram naquela noite pode ser tomado como uma extensão dos temas tratados no filme que eles estrelaram: “Apenas Uma Vez”, do diretor e roteirista John Carney.

O longa foi totalmente rodado em Dublin, capital da Irlanda, e segue e trajetória de um homem (Hansard) que trabalha na pequena loja de consertos do pai e que, nas horas livres, toca seu violão nas ruas da capital irlandesa em busca de ganhar alguns trocados. Em uma noite, sua platéia solitária é formada por uma jovem imigrante tcheca (Irglova) e este encontro irá mudar a vida dos dois.

O roteiro de John Carney utiliza um recurso diferente para explorar as personalidades de seus dois personagens principais. Sabemos o essencial sobre a vida pessoal do homem e da jovem, mas eles se desnudam por completo para nós ao exporem seus sentimentos mais íntimos através da linguagem da música – é aí que entram, além da já citada “Falling Slowly”, canções como “When Your Mind’s Made Up” e “If You Want Me”, entre outras.

Numa época em que os filmes independentes têm cada vez mais cara de produções caprichadas, “Apenas Uma Vez” é um sopro de originalidade e uma volta ao conceito de filmes independentes como forma de experimentação da linguagem cinematográfica. A preocupação do diretor e roteirista John Carney com elementos estéticos como a fotografia, por exemplo, é zero. O grande charme de seu filme é a química genuína existente entre Glen Hansard e Marketa Irglova e as músicas que são resultado do encontro dos dois. E são justamente estes dois elementos que fazem de “Apenas Uma Vez” um dos filmes mais belos e comoventes de 2007.

Cotação: 9,7

Apenas Uma Vez (Once, Irlanda, 2006)
Diretor(es): John Carney
Roteirista(s): John Carney
Elenco: Glen Hansard, Markéta Irglová, Hugh Walsh, Gerard Hendrick, Alaistair Foley, Geoff Minogue, Bill Hodnett, Danuse Ktrestova, Darren Healy, Mal Whyte, Marcella Plunkett, Niall Cleary, Wiltold Owski, Krzysztos Tiotka, Tomek Glowacki

Friday, April 18, 2008

Um Plano Brilhante (Flawless, 2007)

Existe um certo tipo de filme que nunca envelhece e é aquele que retrata histórias de planos de um roubo que deve ser considerado perfeito. Só no primeiro semestre de 2008, as salas de cinema dos Estados Unidos se viram diante de dois filmes dessa espécie. O primeiro foi “Um Plano Brilhante”, do diretor Michael Radford. O segundo foi “Efeito Dominó”, de Roger Donaldson, filme que recebeu muitos elogios da crítica especializada. Os brasileiros, desde a semana passada, já podem conferir uma dessas obras: a de Radford, que se passa na década de 60, em Londres.

O roteiro de Edward Anderson oferece uma característica em comum aos dois personagens principais de “Um Plano Brilhante”: eles são pessoas que – por casualidades do destino – não conseguiram desenvolver plenamente todo o seu potencial. Em uma época altamente machista, Laura Quinn (Demi Moore, na melhor performance desde que retomou sua carreira) possui um cargo de destaque na London Diamond Corporation, uma empresa especializada na venda de diamantes. No entanto, ela sempre é preterida na hora das promoções para homens menos qualificados que ela.

Já o Sr. Hobbs (Michael Caine, ótimo) teve que se dedicar ao cuidado da esposa doente e abandonou a oportunidade que teve de seguir a carreira para a qual foi treinado. Hobbs trabalha como faxineiro na London Diamond Corporation e sabe de toda a sujeira que está escondida entre as paredes de cada sala da empresa. Quando ele revela para Laura que ela será demitida em breve, arranja uma cúmplice para seu plano: roubar um punhado de diamantes da empresa na qual trabalham.

Se você acha que o planejamento e a execução do roubo são as partes mais legais de “Um Plano Brilhante”, não perde por esperar. O diretor Michael Radford e o roteirista Edward Anderson nos reservam surpresas interessantes a partir do momento em que a investigação do roubo entra em cena. De alguma forma, a presença do investigador Finch (Lambert Wilson) consegue revelar ainda mais da podridão existente na London Diamond Corporation e das motivações por trás dos atos cometidos pelos dois personagens principais.

Com “Um Plano Brilhante”, o diretor Michael Radford envereda, pela primeira vez, nos meandros de um filme nesse estilo. E ele se sai muito bem no trabalho – especialmente porque contou com uma equipe técnica inspirada, destacando-se a direção de arte (de Sophie Becher e Christina Schaffer), os figurinos e a trilha de Stephen Warbeck. A única vez em que Radford escorrega é no seu final, que é um tanto demagógico – aqui, o diretor repete o mesmo erro visto em um outro filme sobre “os melhores amigos das mulheres”, “Diamante de Sangue”, de Edward Zwick.

Cotação: 7,5

Um Plano Brilhante (Flawless, Inglaterra, Luxemburgo, 2007)
Diretor(es): Michael Radford
Roteirista(s): Edward Anderson
Elenco: Joss Ackland, Jonathan Aris, Michael Caine, Simon Day, Josef d'Bache-Kane, Constantine Gregory, David Henry, Kim Hermans, Nicholas Jones, Demi Moore, Derren Nesbitt, Nathaniel Parker, Steve Preston, Ben Righton, Peter Rnic

Thursday, April 17, 2008

Os Indomáveis (3:10 to Yuma, 2007)

A campanha de marketing de “Os Indomáveis”, do diretor James Mangold, era bem interessante e nos dava a impressão de que o filme faria pelo gênero de western o mesmo que “Moulin Rouge – Amor em Vermelho!” fez pelos musicais. Ledo engano. Na sua essência, “Os Indomáveis” é uma típica obra de faroeste, com tudo aquilo que o gênero tem direito: mocinhos, vilões, honestidade, honra, caráter e coragem.

O cansaço está estampado no rosto de Dan Evans (Christian Bale, excelente). Impedido de trabalhar da maneira que gostaria por limitações físicas (é manco, devido a um ferimento de guerra) e climáticas (a região em que vive está sendo assolada por uma seca violenta), ele perdeu a paciência. Endividado e louco para oferecer uma vida mais digna à sua família – a qual é formada pela esposa Alice (Gretchen Mol) e pelos filhos William (o ótimo Logan Lerman, do seriado prematuramente cancelado “Jack & Bobby”) e Mark (Benjamin Petry) –, Dan aceita a tarefa de levar o criminoso Ben Wade (Russell Crowe, eficiente) – o líder de uma gangue de foras-da-lei que causou um prejuízo de milhões a uma empresa ferroviária – a uma estação de trem, de onde Wade partirá para a famosa prisão de Yuma.

Cada um à sua maneira, Dan Evans e Ben Wade representam os valores propagados pelos filmes de western. O interessante, em “Os Indomáveis”, é que o roteiro de Halsted Welles, Michael Brandt e Derek Haas (que foi escrito tendo como base um conto de Elmore Leonard) insere dois antagonistas jovens na história e que oferecem um confronto interessante de valores. William, o filho mais velho de Dan, admira figuras como a de Ben Wade, mas acredita naquilo que é justo. Já Charlie Prince (Ben Foster, roubando a cena), o braço-direito de Ben, representa o ímpeto juvenil, a precipitação, a vontade de agir – mesmo se for para errar feio – e, por isso mesmo, é o mais próximo de um grande vilão que “Os Indomáveis” tem.

O diretor James Mangold tem uma carreira bastante diversa em Hollywood. Em sua filmografia, encontramos obras que se encaixam em gêneros distintos como o policial (“Cop Land”), a comédia romântica (“Kate & Leopold”), o drama (“Garota, Interrompida”), o suspense (“Identidade”) e a cinebiografia (“Johnny & June”). O ponto em comum entre esses projetos é a regularidade. Mangold é aquele tipo de diretor confiável e que é garantia de um bom resultado. “Os Indomáveis” é um filme que não empolga muito inicialmente, mas cujo diferencial é a excepcional meia hora final – em que todos os núcleos narrativos se encontram na cidade de Contention à espera – ou a fim de impedir – o embarque de Ben Wade no trem para Yuma.

Cotação: 9,3

Os Indomáveis (3:10 to Yuma, EUA, 2007)
Diretor(es): James Mangold
Roteirista(s): Halsted Welles, Michael Brandt, Derek Haas (com base no conto de Elmore Leonard)
Elenco: Russell Crowe, Christian Bale, Logan Lerman, Dallas Roberts, Ben Foster, Peter Fonda, Vinessa Shaw, Alan Tudyk, Luce Rains, Gretchen Mol, Lennie Loftin, Rio Alexander, Johnny Whitworth, Shawn Howell, Pat Ricotti

Wednesday, April 16, 2008

Awake - A Vida por um Fio (Awake, 2007)

Toda a trama de “Awake – A Vida por um Fio”, filme escrito e dirigido por Joby Harold, se apóia em um fenômeno conhecido pelo nome de consciência anestésica. Isso acontece quando alguém, após receber uma anestesia antes de uma operação, permanece acordado durante o procedimento, porém completamente paralisado. É justamente isso que irá ocorrer com Clay Beresford (Hayden Christensen), o milionário herdeiro de um fundo de investimentos. Ele sofreu um ataque cardíaco e, em decorrência disso, entrou na lista de transplantes para obter um novo coração. Na noite mais feliz de sua vida, ele recebe o telefonema que tanto esperava e vai para o hospital, aonde o seu grande amigo, Dr. Jack Harper (Terrence Howard), o aguarda para dar início ao acontecimento que poderá mudar a sua curta existência, já que Clay pode não sair vivo da sala de cirurgia.

O roteiro do longa mergulha superficialmente na vida pessoal de Clay, que perdeu o pai (Sam Robards) ainda criança e, desde cedo, foi criado pela mãe, Lilith, (Lena Olin) para ser o grande sucessor dele na empresa familiar. Está claro – desde a primeira cena – que a mãe de Clay o protege bastante e, por causa disso, o jovem tem uma relutância enorme em contar para ela os verdadeiros anseios que possui para a sua vida. Além disso, Clay esconde dela a maior razão por trás de sua felicidade: o relacionamento com Sam Lockwood (Jessica Alba), a qual trabalha como assistente pessoal de Lilith.

“Awake – A Vida por um Fio” causa momentos de verdadeira agonia na platéia, quando nos convida a acompanhar tudo o que acontece com Clay Beresford na sala de cirurgia. Com consciência do que está ocorrendo à sua volta; mas, ao mesmo tempo, com um sentimento de impotência enorme, Clay pouco pode fazer quando percebe que sua vida está correndo risco nas mãos dos médicos em quem tanto confia. As reviravoltas adotadas pelo diretor e roteirista Joby Harold são boas – porém, óbvias – e a impressão que fica é a de que “Awake – A Vida por um Fio” poderia ter sido um filme bem melhor se tivesse trabalhado com calma as relações entre Clay e cada um dos personagens que vemos em tela.

Cotação: 5,3

Awake - A Vida por um Fio (Awake, EUA, 2007)
Diretor(es): Joby Harold
Roteirista(s): Joby Harold
Elenco: Hayden Christensen, Jessica Alba, Terrence Howard, Lena Olin, Christopher McDonald, Sam Robards, Arliss Howard, Fisher Stevens, Georgina Chapman, David Harbour, Steven Hinkle, Denis O'Hare, Charlie Hewson, Court Young, Joseph Costa

Tuesday, April 15, 2008

Elizabeth - A Era de Ouro (Elizabeth - The Golden Age, 2007)

No Internet Movie Database (IMDB), constam 54 filmes nos quais ela apareceu, mas foi somente no ano de 1998, com “Elizabeth” e “Shakespeare Apaixonado”, que o público realmente prestou atenção em uma das rainhas mais importantes – e populares – da história da Inglaterra: Elizabeth I. Conhecida popularmente como “A Rainha Virgem”, foi sob o seu reinado que a Inglaterra ascendeu como força política mundial e econômica. Além disso, foi sob seu domínio que os ingleses viram a produção artística atingir um altíssimo nível, destacando-se, nessa época, os nomes de dois dos maiores dramaturgos de todos os tempos: Christopher Marlowe e William Shakespeare.

O filme “Elizabeth – A Era de Ouro”, continuação de “Elizabeth”, apesar de possuir um subtítulo positivo, trata, na realidade, de um dos momentos mais turbulentos do reinado dela. Estamos em 1585. A Espanha, do rei Felipe II (Jordi Mollà), possui o grande plano de se tornar a maior potência européia e, por conseqüência, mundial. De maioria católica, o reinado espanhol inicia uma Guerra Cristã pela Europa e transforma os ingleses (na sua maioria protestantes) em seus maiores alvos – o objetivo principal deles é tirar Elizabeth (Cate Blanchett, numa performance que lhe rendeu uma indicação ao Oscar 2008 de Melhor Atriz) do poder e colocar, em seu lugar, Mary Stuart (Samantha Morton, excelente), uma seguidora da fé católica.

Se não bastasse isso, a rainha Elizabeth I ainda tem que lidar com a própria turbulência interna do seu país. A população ainda não se acostumou com sua solteirice e espera que sua rainha mãe ofereça um herdeiro ao trono. Em meio às atividades alcoviteiras de seu fiel escudeiro, Sir Francis Walsingham (Geoffrey Rush), que quer apresentá-la a todo homem descendente da realeza, na Europa; a rainha se aproxima de Sir Walter Raleigh (Clive Owen), cujo estilo de vida livre e aventureiro a fascina.

A grande diferença entre “Elizabeth” e este “Elizabeth – A Era de Ouro” (ambos foram dirigidos por Shekhar Kapur) é o tema principal do roteiro. Se, no primeiro filme, existia uma abordagem do que é o exercício do poder; a continuação prefere humanizar a rainha Elizabeth I, mostrando-a em seus momentos de maior vulnerabilidade e nos quais ela está muito temperamental e ansiosa pelo que irá acontecer. “Elizabeth – A Era de Ouro” funciona perfeitamente na sua primeira hora. Tudo o que acontece após isso é puro exagero – inclusive da parte visual do filme, bem como da atuação de Cate Blanchett, os quais foram o ponto alto da primeira obra.

Cotação: 6,0

Elizabeth: A Era de Ouro (Elizabeth: The Golden Age, Inglaterra, França, 2007)
Diretor(es): Shekhar Kapur
Roteirista(s): William Nicholson, Michael Hirst
Elenco: Jordi Mollà, Aimee King, Cate Blanchett, John Shrapnel, Geoffrey Rush, Susan Lynch, Elise McCave, Samantha Morton, Abbie Cornish, Penelope McGhie, Rhys Ifans, Eddie Redmayne, Stuart McLoughlin, Clive Owen, Adrian Scarborough

Monday, April 14, 2008

Paranoid Park (Paranoid Park, 2007)

“Paranoid Park”, o filme mais recente a ser dirigido por Gus Van Sant, retoma alguns temas vistos em “Elefante”, longa que ele dirigiu em 2003. Nas duas obras, temos uma trama que fala a respeito de jovens vítimas ou causadores de atos de violência. No caso de “Paranoid Park”, acompanhamos Alex (Gabe Nevins), que gosta de ir com o amigo Jared (Jake Miller) visitar o Paranoid Park, local freqüentado por skatistas e que fica situado nas proximidades de algumas das ruas mais violentas de Portland (Oregon).

O roteiro do filme, que também foi escrito por Gus Van Sant tendo como base o livro homônimo de Blake Nelson, coloca Alex como o centro de uma investigação policial que quer encontrar o responsável pelo assassinato de um guarda ferroviário. O crime aconteceu próximo ao Paranoid Park e, numa narrativa não-linear, acompanhamos qual o papel que Alex desempenha nisso tudo, ao mesmo tempo em que vemos o jovem entrar num estado cada vez maior de isolamento.

Em “Paranoid Park”, encontramos elementos que são recorrentes na filmografia mais recente de Gus Van Sant. A câmera é uma observadora dos fatos – o que confere à obra um caráter documental. A trilha sonora preenche os – muitos – silêncios deixados pelos personagens. A edição não quer dar um senso de continuidade entre uma cena e outra – e sim unir vários fragmentos num todo. No final, o longa acaba sendo um estudo sobre aquilo que podemos – ou não – carregar ou, numa interpretação mais otimista dos fatos, sobre como conviver com os erros que cometemos sem dar margens para que alguém desconfie de nós.

Cotação: 8,5

Paranoid Park (Paranoid Park, França, EUA, 2007)
Diretor(es): Gus Van Sant
Roteirista(s): Gus Van Sant (com base no livro de Blake Nelson)
Elenco: Gabe Nevins, Daniel Liu, Taylor Momsen, Jake Miller, Lauren McKinney, Winfield Jackson, Joe Schweitzer, Grace Carter, Scott Patrick Green, John Michael Burrowes, Jay 'Smay' Williamson, Dillon Hines, Emma Nevins, Brad Peterson, Emily Galash

Saturday, April 12, 2008

Lendo - "Na Praia"

“Tinham muitos planos, planos inconseqüentes, amontoados diante deles num futuro enevoado, tão luxuriantes e emaranhados quanto a flora da costa de Dorset no verão, e igualmente belos. Onde e como iriam viver, quem seriam seus amigos mais próximos, o emprego dele na firma do pai dela, a carreira musical que ela teria pela frente, o que fazer com o dinheiro que o pai deles lhe dera, e como não seriam iguais às outras pessoas, pelo menos interiormente. Este ainda era o tempo – que terminaria naquela década célebre – em que ser jovem era um estorvo social, um sinal de irrelevância, uma condição ligeiramente embaraçosa para a qual o casamento era o começo da cura. Quase estranhos, mantinham-se retraidamente juntos, num novo pináculo da existência, jubilosos com a promessa do novo estado civil a alçá-los para fora da juventude infinita – Edward e Florence, enfim livres!” (p. 09)

A Era Vitoriana foi considerada como o grande auge do Império Britânico. Nessa época, além da revolução industrial inglesa ter atingido seu melhor momento, tivemos o surgimento de escritores notáveis, como George Eliot, Charles Dickens, Emily Bronte, Lewis Carroll, entre outros. Mesmo com tanta efervescência cultural, a época foi marcada por uma enorme repressão moral, em que pouco se conversava sobre temas polêmicos, como sexo.

É na transição da era vitoriana para um período em que se houve uma verdadeira revolução sexual e de costumes, na Inglaterra, que se passa o romance “Na Praia”, do escritor Ian McEwan. Os personagens principais da obra – os jovens Edward Mayhew e Florence Ponting – acabam de se casar e se instalam num quarto de hotel na praia de Chesil, junto ao Canal da Mancha, para celebrar a sua noite de núpcias. Um detalhe importante a ser observado é que, desde o primeiro momento em que encontramos os dois, sabemos que o amor entre eles é verdadeiro e abundante.

Se existe algo que falta para Edward e Florence é intimidade. Filhos da era vitoriana, nascidos em famílias de costumes tradicionais, os dois nunca ultrapassaram os beijos em seus momentos a sós. Mais por decisão dela, casaram-se virgens e aguardam o instante em Chesil para atingirem a cumplicidade máxima como casal. No entanto, é justamente a falta de uma familiaridade maior entre os dois que nos dá uma pista de que a lua-de-mel entre o casal – e o casamento, por conseqüência – podem se transformar em uma situação desconfortável se eles não começarem a ser honestos um com o outro.

À primeira vista, “Na Praia” pode parecer um romance muito simples se comparado à profundidade de outras obras de Ian McEwan, como “Reparação”. No entanto, o livro é tão complexo quanto o trabalho mais famoso do escritor. A maneira como McEwan desenha a alternância de pensamentos entre Edward e Florence é sensacional. Os dois personagens foram muito bem construídos em suas respectivas histórias de vida e de aspirações; e o mais interessante para nós, como leitores, é ver como eles são atrapalhados em sua falta de maturidade para começar uma nova etapa de vida. Casamento não é uma coisa fácil e se apóia em coisas simples, como amor, carinho, amizade, respeito e, principalmente, diálogo. São elementos como esses que adquirimos na leitura de “Na Praia”, a qual é uma daquelas obras em que a arte se inspira na vida.

Na Praia (2007)
Autor:
Ian McEwan
Editora: Companhia das Letras

Friday, April 11, 2008

Hilary e Jackie (Hilary and Jackie, 1998)

Ainda na infância, quando conservavam uma inocência, as irmãs Hilary (Keeley Flanders) e Jacqueline du Pré (Auriol Evans) prometeram que nunca iriam se afastar uma da outra. Nessa época, a cumplicidade entre elas era notável. As duas, além do interesse comum pela música (a primeira tocava flauta, enquanto a segunda tocava violoncelo), guardavam um amor profundo uma pela outra; além de possuírem um relacionamento marcado por uma forte devoção.

No entanto, na medida em que foram crescendo e seguindo seus projetos de vida, Hilary (agora interpretada pela australiana Rachel Griffiths, que é bem conhecida pelo seu trabalho em séries como “Six Feet Under” e “Brothers & Sisters”) e Jackie (agora interpretada por Emily Watson) descumpriram a sua promessa. Enquanto a irmã mais velha deixa de ser a flautista prodígio para ser a esposa de Kiffer (David Morrissey), a mãe de duas crianças (Hayley James-Gannon e Melissa James-Gannon) e morar em uma casa do campo, com muita paz e tranqüilidade; a irmã mais nova se transforma em uma das violoncelistas mais brilhantes que a música clássica já viu. Jackie mergulha completamente no universo da vida de concertos, viagens e fama. Além disso, se casa com o maestro e pianista Daniel Barenboim (James Frain) – que, até hoje, é um dos nomes mais consagrados do gênero musical.

A distância que se estabelece entre as duas irmãs du Pré é fundamental para o desenvolvimento da narrativa do filme “Hilary e Jackie”, do diretor Anand Tucker (o mesmo de “A Garota da Vitrine”). Acompanhar os diferentes estilos de vida delas é importante até mesmo para entender (e não julgar) o por quê do afastamento de Hilary durante a fase em que Jackie está sendo lentamente consumida pela esclerose múltipla. Por causa disso, é vital que as duas atrizes que interpretam os personagens estejam no auge de sua forma. E isso acontece com Emily Watson e Rachel Griffiths (as quais foram indicadas ao Oscar 1999 de Melhor Atriz e Melhor Atriz Coadjuvante, respectivamente, pelos seus trabalhos no longa). As duas estão brilhantes, especialmente Watson – cuja performance beira o extraordinário nos momentos em que retrata a doença de Jackie.

Cotação: 7,3

Hilary & Jackie (Hilary and Jackie, EUA, 1998)
Diretor(es): Anand Tucker
Roteirista(s): Frank Cottrell Boyce (com base no livro de Hilary du Pré, Piers du Pré)
Elenco: Emily Watson, Rachel Griffiths, James Frain, David Morrissey, Charles Dance, Celia Imrie, Rupert Penry-Jones, Bill Paterson, Auriol Evans, Keeley Flanders, Grace Chatto, Nyree Dawn Porter, Maggie McCarthy, Vernon Dobtcheff, Anthony Smee

Thursday, April 10, 2008

Jumper (Jumper, 2008)

“Jumper”, do diretor Doug Liman, tem um começo até interessante. David Rice (Max Thieriot) é um jovem que tem uma vida muito difícil no colegial. De personalidade retraída, ele nutre uma paixão pela colega de escola Millie (AnnaSophia Robb). No entanto, ela tem uma proximidade maior com tipos como Mark (Jesse James), que adoram atazanar a vida de pessoas como David. É justamente em uma situação de pressão que ele descobrirá que possui um poder: o de se teletransportar, podendo ir a qualquer lugar, a qualquer momento.

Peter Parker já dizia que “grandes poderes trazem grandes responsabilidades”. No entanto, David vê, naquele momento, o seu poder como a desculpa perfeita para fugir do ambiente difícil no qual estava inserido – se não bastasse as brincadeiras na escola, ele ainda tinha que lidar com um pai (Michael Rooker) abusivo. Após deixar sua cidade natal, David se dedica a descobrir de que forma pode usar o poder a seu favor. E ele é totalmente egoísta nesse sentido, já que – mais crescido e, agora, interpretado por Hayden Christensen – começa a roubar bancos para poder sustentar um estilo de vida cheio de diversão, em que ele pode acordar em Nova York, almoçar em Londres e dormir em Paris, por exemplo.

Como o filme não iria se sustentar só com cenas desse tipo, os roteiristas David S. Goyer, Jim Uhls e Simon Kinberg colocam uma reviravolta na trama. E é aqui que o barco começa a desandar. David começa a ser perseguido por uma organização secreta chamada Paladinos (a qual é liderada pelo personagem de Samuel L. Jackson) e que tem como objetivo principal matar pessoas que possuem o poder de se teletransportar. Com a ajuda de Griffin (Jamie Bell), um jovem que também pode se transportar por diversos lugares, David entra nessa batalha – até porque, claro, ele tem que defender também sua mulher amada, a já citada Millie (que, um pouco mais crescida, passa a ser interpretada por Rachel Bilson, do seriado “The O.C.”).

O diretor Doug Liman tem uma trajetória muito interessante no cinema. De diretor indie queridinho (e mente por trás de obras como “Swingers – Curtindo a Noite” e “Vamos Nessa!”), passou a ser o que podemos chamar de “diretor de filmes de ação inteligentes e cheios de bom humor”. Nesta fase, se destacam obras como “A Identidade Bourne” e “Sr. e Sra. Smith”. Com este “Jumper”, Liman inicia uma nova jornada: a de diretor de filmes feitos para um público que só tem interesse em ver um filme que irá lhe entreter. Aonde será que ele vai parar?

Cotação: 4,0

Jumper (Jumper, EUA, 2008)
Diretor(es): Doug Liman
Roteirista(s): David S. Goyer, Jim Uhls, Simon Kinberg (com base no livro de Steven Gould)
Elenco: Hayden Christensen, Samuel L. Jackson, Diane Lane, Jamie Bell, Rachel Bilson, Michael Rooker, AnnaSophia Robb, Max Thieriot, Jesse James, Tom Hulce, Kristen Stewart, Teddy Dunn, Barbara Garrick, Michael Winther, Massimiliano Pazzaglia

Wednesday, April 09, 2008

O Orfanato (El Orfanato, 2007)

Além da presença de uma heroína machucada emocionalmente, um bom filme de suspense tem que contar com uma criança bastante especial. Quando usam esses seres pequeninos – geralmente ligados a uma imagem de alegria e de que nada de mal pode ocorrer com eles –, as obras do gênero não têm pena deles e os colocam em situações de extrema vulnerabilidade. “O Orfanato”, do diretor J.A. Bayona, usa – e abusa – desses dois elementos para criar uma atmosfera de medo e apreensão.

A personagem principal da obra é Laura (Mireia Renau quando criança e Belén Rueda quando adulta), uma garota órfã que é adotada por uma família e que, tempos depois, já casada com Carlos (Fernando Cayo) e mãe de Simón (Roger Príncep), decide retribuir toda a sorte que teve e compra o antigo orfanato aonde morou, pois pretende transformar a casa em um ambiente no qual crianças com necessidades especiais poderão ser bem tratadas.

Seu próprio filho, Simón, é uma criança com necessidades especiais. Tanto Laura quanto Carlos procuram proteger o menino de duas verdades sobre a sua origem. A primeira: ele é adotado. A segunda: ele é portador do vírus HIV. No entanto, como tantas outras crianças, Simón tem uma característica: o menino tem uma imaginação fértil e é cheio de amigos que só existem em sua mente. Como seus pais são muito presentes em sua vida, permitem que Simón desenvolva sua fantasia da maneira que ele queira.

Para não entregar mais detalhes sobre a trama criada por Sergio G. Sánchez, o importante é saber que o passado de Laura e a imaginação de Simón terão um papel fundamental para o que veremos mais na frente: uma série de acontecimentos estranhos e que terão influência direta na dinâmica familiar que, um dia, foi perfeita.

Filmes como “O Sexto Sentido” e “Os Outros” nos ensinaram a esperar um desfecho surpreendente de longas no gênero de suspense. No entanto, em sua estrutura narrativa, “O Orfanato” é um filme muito convencional e que se aproxima de obras como “Os Mensageiros”. Vai chegar um momento em que você irá se perguntar: mas esse filme não vai terminar nunca? Entretanto, isso – de forma alguma – tira o maior mérito de “O Orfanato”: a performance de Belén Rueda. É por causa dela e da trilha sonora de Fernando Velásquez que o filme, em vários momentos, vai lhe causar aquele friozinho na barriga que a gente tanto espera de obras desse gênero.

Cotação: 6,5

O Orfanato (El Orfanato, México, Espanha, 2007)
Diretor(es): J.A. Bayona
Roteirista(s): Sergio G. Sánchez
Elenco: Belén Rueda, Fernando Cayo, Geraldine Chaplin, Montserrat Carulla, Mabel Rivera, Andrés Gertrúdix, Roger Príncep, Carla Gordillo Alicia, Georgina Avellaneda, Alejandro Campos, Oscar Guillermo Garretón, Edgar Vivar