Monday, February 20, 2006

Ponto Final (Match Point, 2005)



O ex-jogador de tênis Chris Wilton (Jonathan Rhys-Meyers), o personagem principal de “Ponto Final”, novo filme do diretor e roteirista indicado ao Oscar 2006 Woody Allen, critica a subestimação que a sorte ganha na vida das pessoas. Para ele, o trabalho árduo e a competência são fundamentais para o caráter de qualquer pessoa, mas, de nada irá adiantar você ter essas duas qualidades, se você não tem o primordial: a sorte para levá-lo (a) aos lugares que você mais deseja chegar – afinal de contas, se a vida fosse um jogo de tênis, quando a bola batesse na rede, “se a bola cair do lado oposto da quadra, você ganha; e, se cair do seu lado da quadra, você perde”.

A sorte irá andar ao lado de Chris na primeira hora de “Ponto Final”, tendo em vista que ele, depois de abandonar a carreira de tenista profissional, se muda para Londres, aonde arruma um emprego como instrutor de tênis num exclusivíssimo clube londrino. Chris, então, começa a dar aulas de tênis para os ricaços ingleses e acaba conhecendo Tom Hewett e sua família. Chris termina por conquistar a confiança da família Hewett, passando a trabalhar nas empresas da família e a freqüentar os mesmos ambientes chiques e sofisticados que eles; e ainda ganha mais: o amor da única filha dos Hewitt, Chloe (Emily Mortimer), com quem ele acaba se casando.

No entanto, Chris entra de cabeça no azar quando conhece a bela e sensual aspirante a atriz Nola Rice (Scarlett Johansson, que vem sendo chamada de “a nova musa de Woody Allen”), noiva de Tom. A desgraça de Chris é decretada quando ele acaba se rendendo aos encantos de Nola, com quem começa a ter um romance movido à pura paixão e atração física. É a partir do momento em que Chris e Nola se envolvem emocionalmente, que Woody Allen começa a destilar uma série de influências a alguns elementos que estão presentes em “Ponto Final”. Por exemplo: o romance entre Nola e Chris só pode terminar em uma tragédia como as óperas que os personagens do filme tanto gostam de assistir. E o maior crime de Chris não é aquele que ele acabará cometendo, e sim o de não estar preparado para enfrentar as conseqüências de seus atos – e correr o risco de perder tudo aquilo pelo qual ele tanto lutou: o luxo e a riqueza que passou a ter com a família Hewett.

“Ponto Final” vem sendo retratado pelos críticos em geral como o renascimento da carreira de Woody Allen como diretor e roteirista, que andava meio morna nos últimos anos – talvez por sentir a falta de elementos novos à extensa filmografia deste diretor e roteirista. Em “Ponto Final”, Woody Allen abraça alguns elementos novos. A ação do filme não se passa na amada Nova York do diretor, e sim em Londres. “Ponto Final” não tem toques de humor e fina ironia, como os outros filmes de Allen; nesse sentido, o filme é uma pura tragédia, com uma história que manipula por muitas vezes a interpretação que o público faz da trama. “Ponto Final” é um filme muito rico e intrigante, que retrata o momento crucial em que um diretor e roteirista, finalmente, reencontrou a sorte que ele mesmo havia perdido.

Crédito Foto: Yahoo! Movies

7 comments:

Romeika said...

O que mais me atrai nesse filme é o fato dele parecer TUDO menos um filme ´do Woody Allen, duvido que passe aqui no nosso povoado...arggghh:(

Kamila said...

Milagres acontecem, Romeika! Tenha paciência! :-)

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Fernando said...

acho que este filme tem tudo para ser muito bom, todos falam bem, e até o própio woody disse , que é seu melhor filme só me resta esperar

( ah comentei "marcha dos pinguins" , para ti ver o atraso, só chegou aqui esta semana, e fim de mundo)
bjus kamila

Kamila said...

Oi, Fernando. Que bom que você apareceu por aqui. Adorei o que você escreveu sobre "Marcha dos Pinguins".

Beijos!

Museu do Cinema said...

Que final sensacional! Talvez não seja o filme do Woody Allen dos últimos anos, mas é um filme digno da biografia dele.

Kamila said...

Concordo com o seu post, museu do cinema.