Saturday, August 19, 2006

Protegida por um Anjo (Half Light, 2006)


Houve uma época em que Demi Moore era considerada como uma das estrelas de cinema mais famosas do mundo. Seus filmes, quando eram lançados, causavam curiosidade no público e, algumas vezes, eram sucessos de bilheteria. Depois de fazer algumas más escolhas (como os filmes “Striptease” e “Até o Limite da Honra”), Moore fez o que poucos atores fariam: deixou de lado a carreira, foi viver num rancho no interior dos Estados Unidos e se dedicou por completo ao papel de mãe das três filhas que têm com o ex-marido, o também ator Bruce Willis. Moore só interrompia sua rotina para fazer poucos filmes. Um desses retornos aconteceu no filme “As Panteras – Detonando” e, três anos depois do lançamento desse filme, Moore está de volta à grande tela em “Protegida por um Anjo”, do diretor e roteirista Craig Rosenberg.

Em “Protegida por um Anjo”, Demi Moore interpreta a famosa escritora norte-americana Rachel Carlson, que vive em Londres com o marido, o também escritor Brian (Henry Ian Cusick, que fez uma participação especial na segunda temporada da série “Lost” interpretando Desmond), e o filho Thomas (Beans El-Balawi), que é fruto do primeiro relacionamento da escritora. Quando a platéia vê Rachel pela primeira vez, ela está lidando com a redação de seu próximo livro e com as frustrações de seu marido, que viu um livro seu ser rejeitado novamente por uma editora.

Após uma tragédia familiar (a morte do filho Thomas em decorrência de um afogamento), Rachel viu não só o seu casamento ruir, como também o desaparecimento de qualquer vontade que ela tinha para escrever. Por sugestão de sua amiga jornalista Sharon (a péssima Kate Isitt), Rachel se muda para uma casa isolada numa pequena cidade do interior da Inglaterra, aonde ela espera reencontrar a paz para poder recomeçar a sua vida e voltar a escrever. Os desejos de Rachel ameaçam não se tornar realidade quando ela começa a sentir a presença de Thomas e, em alguns momentos, chega até a receber mensagens do filho morto – é nesse momento em que “Protegida por um Anjo” começa a dialogar com “Ghost – Do Outro Lado da Vida”, o filme que catapultou o nome de Demi Moore para a fama.

A trama criada pelo diretor e roteirista Craig Rosenberg para “Protegida por um Anjo” se desenrola muito bem no primeiro e no segundo ato do filme (que retratam a angústia de Rachel ao sentir o espírito do filho próximo de si e o nascimento de um romance entre a escritora e o faroleiro interpretado por Hans Matheson) – são também nestes dois atos que se destaca a belíssima trilha sonora composta por Brett Rosenberg (e que tem influência da música minimalista, com seus acordes repetitivos e poucas variações). No entanto, quando “Protegida por um Anjo” chega ao seu terceiro – e último – ato (que retrata o desenvolvimento de uma trama criminal), Rosenberg perde o controle sob seu filme.

Faltou sensibilidade a Craig Rosenberg para perceber que o ponto alto da história de “Protegida por um Anjo” era a busca de uma mulher pela paz que ela perdeu. Quando o filme foge desse foco, a platéia se dispersa e perde toda aquela identificação inicial que foi estabelecida com a trama. Incomoda também a facilidade com que Rachel reencontra seu propósito de vida depois de vivenciar uma série de situações ruins. Não estou dizendo que isso é impossível de acontecer, mas, na vida real, a bonança demora muito para acontecer depois que uma tempestade passa na vida de uma pessoa.

Cotação: 3,0

Crédito Foto: Yahoo! Cinema

7 comments:

Romeika said...

Aff parece que só tem filme ruim passando no cinema..Mas ainda assim quero ver esse filme, afinal, não é todo dia que se vê a Demi na telona..:)
Assisti O Libertino ontem, muito bom. Fiquei surpresa ao saber que é uma produção de 2004 (!!!) Quanto atraso na estréia nacional..

Kamila said...

Eu quero muito assistir "O Libertino" também. Até quarta-feira, eu vou assistir.

E realmente, as últimas estréias têm sido péssimas. Mas parece que a situação vai mudar um pouco, pois nesta semana estréia "Miami Vice" e no próximo mês tem "Torres Gêmeas".

E o final do ano está aí em cima. E a gente bem sabe que é nesta época que os filmes mais interessantes (ou seja, os filmes que poderão concorrer ao Oscar) começam a estrear.

Romeika said...

Eu quero muito ver Miami Vice, Colin Farrell, liiindo:p E claro, As Torres Gêmeas. O que mais espero desse segundo é um drama humano de tocar o coração do mais frio espectador, e ao mesmo tempo deixar de lado qualquer sinal de americanismo. Como Oliver Stone é um cineasta político, temo que ele vai puxar por uma lado crítico (que pelo trailer, não se vê de maneira alguma).. Mas se ele se decidiu por isso, imagino que não seja nada pró-usa.. Se for, ele vai me decepcionar. Afinal, o cara sempre foi tão crítico. É esperar para ver..Espero que ele concentre a narrativa na vida das pessoas que de fato viram de perto aquele dia. Vc já deve ter lido críticas, o que estão dizendo por aí?

Kamila said...

Eu li algumas críticas sobre "Torres Gêmeas" e, ao que parece, o Oliver Stone não foi muito político neste filme. Parece que ele realmente se propôs a contar uma história de maneira direta, sem firulas.

Pelo que li, o filme vai seguir a linha de "Brigada 49" (você já viu?): contar a história da tragédia do herói, mas, ao mesmo tempo, vai mostrar a vida desses heróis fora do trabalho com as suas famílias; também relatando de que maneira a tragédia vai afetar a vida dessas famílias.

Mesmo assim, ainda vi algumas críticas negativas relacionadas à algumas cenas de "Torres Gêmeas", em que as pessoas disseram que o Stone apelou para um sentimentalismo barato.

É esperar para ver.

Romeika said...

odeio sentimentalismo barato! :-S Ainda assim espero que o filme não decepcione..Esse brigada 49 eu já ouvi falar, mas nunca vi..é um com john travolta, jacinda barret e joaquin phoenix?

Kamila said...

É esse filme mesmo, Romeika. Assisti "Brigada 49" no último sábado e adorei. Um grande filme, que emociona sem apelar para cenas de sentimentalismo barato.

FeliPeixe said...

Perdeu o controle do filme meeeesmo... Começa uma história e termina outra, além de muito lentinho pro meu gosto... Nam, filme véi troncho!