Tuesday, October 17, 2006

O Grito 2 (The Grudge 2, 2006)


O cinema oriental virou a indústria oficial dos filmes de terror, tendo em vista que é dos países de lá que vêm as histórias e os diretores deste gênero. A razão por trás disso não é difícil de entender. A fórmula dos filmes de terror norte-americanos (que coloca atores que estão no auge da idade e da beleza para enfrentar assassinos cheios de traumas pessoais e sofrerem uma desfiguração que mais parece uma punição justamente por eles serem tão joviais e lindos) está saturada. As platéias parecem que estão mais interessadas em filmes que mostram um tipo de terror mais próximo – e é justamente isso que os filmes de terror do oriente oferecem: histórias estreladas por gente comum e que enfrentam um medo que pode vir do simples ato de se assistir um filme ou de se oferecer para trabalhar como enfermeira e cuidar de uma paciente no conforto de sua casa. Estas pessoas comuns enfrentam os assassinos representados pelas doces figuras de uma mãe e seu filho. Ou seja, nos filmes orientais, o medo está em qualquer lugar e a ameaça pode estar mais próxima do que você pensa.

Seqüência do sucesso de 2004, “O Grito 2” traz de volta a mesma equipe de diretor e roteirista do primeiro filme: Takashi Shimizu (também o diretor dos filmes japoneses) e Stephen Susco. A estrela de “O Grito”, Sarah Michelle Gellar, faz uma pequena participação especial como Karen, a estudante de intercâmbio vítima da maldição da casa. O roteiro de “O Grito 2” segue a mesma premissa do primeiro filme (quando uma pessoa morre cheia de mágoa ou raiva, se dá início a uma maldição, que acontece no local em que a pessoa morreu e que irá atingir a todos aqueles que entrarem em contato com esse lugar). A diferença é que, na seqüência, existem três tramas “principais”, ao invés de uma única.

Na primeira trama, acompanharemos a irmã mais nova de Karen, Aubrey (Amber Tamblyn, que interpretou a sobrinha de Naomi Watts que morria vítima da maldição em “O Chamado” e que ficou mais conhecida do público brasileiro como a protagonista da série “Joan of Arcadia”), quando ela viaja para o Japão para visitar a irmã que se encontra internada depois dos acontecimentos retratados em “O Grito”. Após a morte de Karen, Aubrey decide investigar o que aconteceu com a irmã – e, para isso, conta com a ajuda de um repórter chamado Eason (Edison Chen).

Na segunda trama, Vanessa (Teresa Palmer), Miyuki (Misako Uno) e Allison (Arielle Kebbel), três estudantes de um colégio norte-americano no Japão, decidem visitar a casa em que se passou os acontecimentos de “O Grito”. Depois de invadirem a casa e de fazerem uma brincadeira de extremo mau gosto, o que se segue é uma série de acontecimentos estranhos na vida das três garotas.

A terceira trama de “O Grito 2” se passa em Chicago, quando a chegada de uma misteriosa moradora faz com que acontecimentos bizarros comecem a ocorrer em um prédio residencial. A história é vista do ponto de vista de uma família que lida com os seus próprios problemas – a chegada da nova esposa (Jennifer Beals, do clássico dos anos 80 “Flashdance – Em Ritmo de Embalo”) do pai viúvo (Christopher Cousins), que enfrenta a resistência do filho mais novo (Matthew Knight).

Ao que parece, Takashi Shimizu não soube como transportar o roteiro de Stephen Susco para a grande tela. Nenhuma das três tramas tem um desenvolvimento adequado e o suspense só começa a aparecer em “O Grito 2” já nos seus momentos finais, quando o diretor resolve unir as três tramas. O problema é que a conclusão da história é muito corrida, com tudo acontecendo de maneira rápida e atropelada. “O Grito 2” é um filme extremamente pessimista e sem nenhuma possibilidade de final feliz. Pelo jeito, esta maldição nunca terá um fim; portanto é bom que os fãs deste tipo de filme esperem por mais continuações.

Cotação: 3,0

Crédito Foto: Yahoo! Movies

10 comments:

Bob Harris said...

Quanta coragem hein, Kamila. Eu passaria longe só de ver a palavra grito no título, quando vem acompanhado de um número 2 então, me espanta mais. O Grito foi uma das piores coisas do ano passado.

Kamila said...

Não tem nada de coragem, Bob. A questão é que meu hábito de ir ao cinema me impede de ter o discernimento para fugir de “pérolas” como essa. E, o pior, é que li uma crítica favorável a este filme, dizendo que ele tem elementos interessantíssimos. Fiquei pensando, ao final de “O Grito 2”, se esse crítico assistiu ao mesmo filme que eu.

Museu do Cinema said...

O cinema oriental virou a indústria oficial dos filmes de terror.

Verdade Kamila, interessante isso! Mas Hollywood tem esse costume de quando um gênero rende lucros eles exploram a exaustão!

Não deixei também de ler seu comentário acima, realmente você não perde nada no cinema. Só queria saber se vai até o final do filme?

Kamila said...

Ah, Cassiano. Vou ao final do filme, não importa o quão sofrível ele seja! :-)

Você falou uma verdade incontestável. Realmente, Hollywood explora as idéias que funcionam à exaustão. Agora, a moda são os filmes de terror orientais e os filmes dirigidos por cineastas estrangeiros. Isso seria um reflexo da crise da indústria ou uma simples constatação de que as idéias novas são cada vez mais escassas em Hollywood?

felipeixe said...

Não sei porque eu insisto em assistir a esse tipo de filme...

Mas penso no lado positivo: morriiii de rir com as meninas "patchy" dando gritinhos pra fazer charminho pros seus namorados, além, claro, das cenas estúpidas do filme.

Ôw meu Deus! Que marmota!

Bjs Kamila!

Museu do Cinema said...

Um pouco dos dois, é só parar para pensarmos, quem hoje em dia faz bons filmes em Hollywood? Contamos nos dedos.

Kamila said...

Felipe, adorei seu comentário! Eu não tive vontade de rir, não. Fiquei foi com pena da pobre da Amber Tamblyn, que sai de "Joan of Arcadia" para essa porcaria!

Cassiano, concordo de novo. Contamos nos dedos os bons cineastas e as boas histórias. Esse ano de 2006 para mim, no cinema, tem sido uma decepção total. Vi pouquíssimos filmes bons. A maioria é uma porcaria. Ainda bem que está chegando o final do ano, os filmes do Oscar, pois, pelo menos, temos a garantia de filmes excelentes ou, no mínimo, melhores do que a média.

Museu do Cinema said...

fico com a parte final, pelo visto, tirando um ou dois filmes, o fim de ano será de filmes melhores que a média.

Museu do Cinema said...

Fico com a parte final, pelo visto, tirando um ou dois filmes, o fim de ano será de filmes melhores que a média.

Eduardo said...

Assisti os dois filmes, O Grito 1 e ontem, O Grito 2.
Me digam vocês, o que o torna uma decepção? O que é um filme bom para vocês? O filme o Grito causa bastante medo qdo se entra realmente no contexto e na história. O que vocês não gostam do filme? A história? Acredito ser um bom filme, e se tiver o 3, assistirei com certeza.
Abraço