Tuesday, April 10, 2007

300 (2007)


As aulas de História nos ensinaram que o povo espartano era muito ligado na questão da educação dos seus filhos. O Estado controlava e obrigava seus jovens a serem educados para a guerra. As primeiras cenas de “300”, filme do diretor Zack Snyder, explicam bem direitinho como isso acontecia. Desde cedo, o jovem espartano é preparado para aquilo que ele irá saber fazer melhor: guerrear. Ele é afastado da sua família e, principalmente, da sua mãe e tem inserido, dentro de si, os conceitos de responsabilidade, sacrifício e dedicação – os quais são fundamentais para aqueles que vão dar a vida pelo seu país.

Baseado na graphic novel de Frank Miller e Lynn Varley, “300” conta – através da narração de Dilios (David Wenham) – a história do exército espartano de 300 homens que, sob a liderança do Rei Leônidas (Gerard Butler), lutou contra o exército numeroso de Xerxes (Rodrigo Santoro), o poderoso governante da Pérsia.

Desde a sua estréia nos cinemas dos Estados Unidos, “300” tem estimulado diversas interpretações. Alguns afirmam que o filme tem elementos que remetem à sexualidade, ao mostrar o culto ao corpo masculino, a excessiva camaradagem que existia entre os soldados e ao fazer o retrato dos persas como sendo seres andróginos.

No entanto, talvez, a interpretação mais adequada seja aquela que coloca “300” como um ensaio sobre o tipo de política externa adotada pelo governo George W. Bush. Podemos encontrar traços do presidente norte-americano tanto no lado dos mocinhos, como no lado dos bandidos. Em alguns momentos, “300” soa até como uma peça de defesa da invasão norte-americana no Iraque, mostrando onde Bush errou (indo à guerra sem o apoio do conselho, assim como Leônidas) e onde ele acertou (lutando pela liberdade de seu povo frente a um governante tirano). A defesa se torna ainda mais evidente na cena em que a esposa do Rei Leônidas, a Rainha Gorgo (Lena Headey), se dirige ao conselho de Esparta.

“Sin City – A Cidade do Pecado” mudou a cara das adaptações de graphic novels. O filme dirigido por Robert Rodriguez e Frank Miller era calcado no forte apelo visual e no perfeito desenho de cada cena. Em “300”, Zack Snyder prova que bebeu muito na fonte de “Sin City – A Cidade do Pecado”. Seu filme é muito estilizado e visualmente tem momentos geniais – como as cenas em que o menino Leônidas mata o lobo e no confronto final entre persas e espartanos. “300” pode ser um pouco cansativo, pode pecar pelo excesso de testosterona e pelo uso de frases de efeito que são batidas (“hoje à noite, nós jantamos no inferno”), mas deixa gravado na memória dos cinéfilos algumas das cenas mais sensacionais que veremos no ano de 2007.

Cotação: 7,3

Crédito Foto: Yahoo! Movies

14 comments:

Museu do Cinema said...

Ainda não criei coragem de ver esse filme, mas seus comentários aumentaram meu interesse.

romeika said...

Eu nao consigo ver nada disso de guerra no Iraque, etc, isso eh paranoia de americano. Hj qualquer filme que seja lancado parece ser interpretado com alguma coisa que remeta ao governo Bush, lembro que nem "A Vila" do genial Shayamalan escapou. Pra mim, "A Vila" eh uma bela historia de amor, ponto final.

E "300" eh deleite visual para os olhos baseado nessa tal guerra que parece que realmente existiu no passado..sei lah, acho que perdi essa aula de Historia. Mas tb nao me empolguei muito com o filme, muitas frases sao batidas mesmo, como vc disse, mas nao me incomodei com o excesso de testosterona, achei divertidissimo aqueles homens brutos (aquele figurino He-Man eh hilario), as cenas de sexo entre o rei e a rainha, no entanto, me pareceram desnecessarias, o que eh aquilo? Parecia algo soh pra afirmar a virilidade do cara rsrsrs..

De resto, acho que faltou poesia. Eh tao belo visualmente quanto Sin City, mas nao possui a poesia do mesmo.

romeika said...

Ah e nao sei porque mas senti uma vibracao meio "o senhor dos aneis"..aquele homem deformado me lembrou "Gollum", seguindo o exercito, e quando os elefantes, etc apareceram..rsrsrs... Ri mais nesse filme do que eu imaginaria.

Kamila said...

Cassiano, "300" tem muito auê em torno dele, mas o filme vale a pena.

Romeika, não tem nada a ver essa história. Acho que o cinema é um grande painel de interpretação do mundo e até mesmo filmes como "300" nos ajudam a entender o mundo em que vivemos. Acho que as cenas em que o Snyder tentava prestar suas homenagens ao corpo feminino (aquela entidade se remexendo e a cena de sexo entre rei e rainha) não funcionam no filme. Ficam meio que perdidas na história. Mas, as frases de efeito, mesmo batidas, se encaixam no que o filme pretende.

O único momento em que eu ri mesmo foi quando o rei Xerxes segura nos ombros do rei Leônidas e diz que "não é só o meu chicote que eles temem". :-)

romeika said...

Bom, eu nao vejo nada de Guerra no Iraque ali mesmo. As cenas do Santoro sao quase todas risiveis. Mas a melhor definicao sobre a personagem dele no filme foi dada pelo kleber mendonca filho rsrs..No mais, eu gostei do filme, eh soh nao levar a serio e comprar a sua pipoca. Bom pra espairecer ***

Museu do Cinema said...

O que a Romeika falou é verdade, hoje todos os filmes de guerra são usados para explicar a guerra de Bush, que na verdade não tem a ver com nada.

Otavio Almeida said...

Concordo com a Romeika! E essa frase, Kamila, gera risada geral no cinema. E tb no final, quando um espartano fala ao Leônidas: "É uma honra morrer ao seu lado".

E o Leônidas responde: "Não. Foi uma honra viver ao seu lado."

Bjs!

Kamila said...

Claro que uma coisa não tem nada a ver com a outra, mas acho legal utilizar os filmes que são feitos como peças para a gente interpretar o mundo em que a gente vive. E o paralelo que se faz entre "300" e Guerra do Iraque é plausível, na minha opinião.

Túlio Moreira said...

Kamila, achei muito interessante ler a opinião de uma menina sobre 300, porque como você disse, é um filme com excesso de testosterona. Eu gostei, claro, não chega a ser algo genial, mas, como diria o Kleber Mendonça, é "pipoca de aço" de primeira.

Bjão!

Kamila said...

Túlio, "300" é um filme bem masculino mesmo, para garotos. Gosto da definição do Otávio: "épico para metaleiros". :-)

Beijão!

Otavio Almeida said...

:-))))))))))))))))))))))

Kamila said...

Otávio, quando eu assisti "300" só me lembrava de tudo o que a gente discutiu no MSN. :-)

Peixe said...

Gostei deveras do filme, só nao gostei mais por causa do som do Moviecom, aqui em Natal, que há tempos várias pessoas vêem reclamando, inclusive na mídia local.

Fui reclamar com o cara lá e ele me disse que apenas as caixas de trás da tela estavam funcionando e a única coisa q poderia fazer era aumentar o volume. Pode? Mas mesmo assim, tinha certas horas em que a zoada do (péssimo) ar condicionado estava maior que o próprio som do filme e num dava pra escutar nada dos diálogos.

Nammmm... o jeito vai ser ter q pagar mais caro pelo Cinemark mesmo.

Fica aqui minha revolta.

Beijos Kamila!

Kamila said...

Felipe, é por causa disso que eu me recuso a assistir filmes como "300" no Moviecom. Enquanto as outras salas têm som estereo, as de lá parece que o som é Mono, abafado.

Faça suas reclamações mesmo!

Beijos e apareça mais!