Monday, April 23, 2007

Ó Paí Ó (2007)


O bairro do Pelourinho é uma das regiões mais conhecidas do Centro Histórico da cidade de Salvador, na Bahia. A arquitetura barroca e a forte presença cultural (o local é sede de grupos como a Casa de Jorge Amado, o Grupo Gay da Bahia e o Insituto do Patrimônio Histórico, Artístico e Cultural) são apenas alguns dos atrativos para milhares de turistas que vêm de todo o Brasil e do mundo para conhecer a capital baiana. É nesse local que se dá também a ação da comédia musical “Ó Pai Ó”, da diretora Monique Gardenberg.

O filme se passa durante o Carnaval – a maior manifestação popular da Bahia – e acompanha a vida de um grupo de pessoas que mora em um cortiço. São eles: o pintor e aspirante a cantor Roque (Lázaro Ramos), a imigrante que mora na Suíça Psilene (Dira Paes), o malandro Boca (Wagner Moura, na pior atuação dele no cinema), o comerciante Seu Jerônimo (Stênio Garcia), a religiosa Dona Joana (Luciana Souza), a provocante Rosa (Emanuelle Araújo, ex-vocalista da Banda Eva), o mulherengo Reginaldo (Érico Brás) e os meninos Cosme (Vinícius Nascimento) e Damião (Felipe Fernandes), dentre outros.

“Ó Pai Ó” retrata, através de seus personagens, características que são comuns, não só ao povo baiano, como ao brasileiro. Os personagens são pessoas pobres, porém esforçadas, que tentam viver o seu dia-a-dia com muito humor, ironia, criatividade e música. Neste último caso, são utilizadas – além das canções originais compostas por Caetano Veloso e Davi Moraes -, músicas que já fazem parte da história da Axé Music como “Vem Meu Amor” e “I Miss Her”, do Olodum; “Lili”, do astro do reggae maranhense Edson Gomes; “O Araketu é Bom Demais”, do Ara Ketu; e “Protesto do Olodum”, da Banda Mel.

Baseado na peça de Márcio Mello que foi encenada pelo Bando de Teatro do Olodum, a maior qualidade do filme “Ó Pai Ó” (uma expressão que, em puro baianês, significa “olhe para isso, olhe”) é colocar atores que são gente como a gente e com os quais a identificação é imediata. A diretora e roteirista Monique Gardenberg, na maior parte do tempo, se fixa na idéia de fazer uma crônica da vida desse grupo de pessoas que tem tanta coisa em comum. Os problemas começam já no quarto final do filme, quando Gardenberg passa para o terreno da crítica social, ao abordar a violência que já é tão comum nos bairros mais populares das grandes metrópoles brasileiras. Num filme que era para ser uma ode ao jeito baiano ou brasileiro de ser, esta crítica fica meio perdida.

Cotação: 3,8

Crédito Foto: E-Pipoca

13 comments:

Alex Gonçalves said...

O filme deve descontrair-se quando mostra de forma bem-humorada um pequeno capítulo da nossa cultura brasileira, que acredito ser o ramo musical na Bahia. O que me faz manter distância imediata do filme é a insistência do nosso cinema em tocar nas mesmas teclas, que acredito estar certo ao ler o seu texto que aponta a utilização de crítica social que, convenhamos, já estamos esgotados de assistir em celulóide.

Kamila said...

Alex, eu acho que "Ó Paí Ó" seria um filme muito mais agradável se evitasse tocar nesta tecla. Como disse, preferia que o filme se resumisse a uma crônica da vida daquelas pessoas. No entanto, como você mesmo falou, os nossos cineastas insistem em tocar nas mesmas teclas.

Túlio Moreira said...

Kamila, gostei muito do trailer do filme, mas principalmente pela trilha sonora. Concordo com você quando diz que o resultado parece meio "perdido" - isso é visível já no trailer. Mas é um filme que verei com o maior prazer - gosto muito das atuações do Wagner Moura (a performance dele neste aqui está tão ruim assim???).

bjos!

Museu do Cinema said...

Primeiro gostaria de fazer minha mea culpa por ainda não ter visto esse filme, como baiano e morador de Salvador é imperdoavel!

Vc demonstrou conhecimento sobre a nossa cultura Kamila, mas ela difere muito da do resto do Brasil, talvez por isso muitas piadas passam despercebidas, são os comentários que temos aqui, o próprio título do filme é uma brincadeira nossa!

Kamila said...

Túlio, o Wagner Moura está totalmente exagerado neste filme. Adoro o Wagner, um dos meus atores brasileiros favoritos, mas aqui ele não encontrou o tom certo.

Cassiano, conheço bem a Bahia. Adoro Salvador e a cultura baiana. Por isso, acho que não tive problema em entender as piadas e as expressões utilizadas pelos personagens, pois algumas delas são comuns a todos nós nordestinos.

Museu do Cinema said...

Voltaremos a essa discussão Kamila...depois que ver esse filme.

Kamila said...

Tudo bem, Cassiano.

Alex Gonçalves said...

Agora com sua afirmação, devo me prevenir ainda mais do filme. Kamila, já assistiu ao outro filme de Monique Gardenberg, o "Benjamim"?

romeika said...

Affff "Benjamim", aquela bobalheira pseudointelectual..nao gostei daquele filme..

Kamila, eu achei que este filme seria bom, mas vc deu um 3.8... O unico problema eh o fato de ela pisar na questao da critica social?

Kamila said...

Asssiti "Benjamim" é também não gostei muito. A única coisa boa daquele filme foi ter revelado mesmo a Cléo Pires.

Romeika, o filme se perde quando a Monique começa a abordar a crítica social.

Wanderley Teixeira said...

Ó paí,ó! tem sido muito criticado mesmo...Olha,eu como baiano encaro o filme como uma tintura forte do povo baiano,muita gente aqui achou caricatura pura.Mas este é o espírito q Gardenberg propõe.Gosto muito da diretora,apesar de achar q Benjamin é melhor em vários aspectos.

Kamila said...

Wanderley, mas qual filme que trata o universo nordestino não é caricatural??

paula said...

Gente o filme não é assim como vcs falam não. Simplesmente aborda uma questão quase que diaria, fato q no carnaval desse ano ouve mortes por nada, e cada vez a segurança é escassa não recebemos pelo q pagamos. E o filme satiriza essa realidade q nos cerca, equanto a vagner moura essa foi a melhor atuação dele. Cada cineasta tem sua forma de expressar assim como os americanos tem a dele de acabar romantico, os brasileiros fecham com uma realidade cada vez mais explicita. Tenham um pensamento critico mais reperem bem o q estam assistido e vcs entederão o q se passa ali. Falo isso prq assisti esse filme mais de 4 vezes e cada vez descubro coisas q nunca tinha visto.