Tuesday, April 08, 2008

Não Estou Lá (I'm Not There, 2007)

Certa vez, o cantor e compositor Bob Dylan afirmou que “tudo o que posso fazer é ser eu mesmo, não importa que pessoa eu seja”. O filme “Não Estou Lá”, do diretor Todd Haynes (que co-escreveu o roteiro ao lado de Oren Moverman), leva isso a sério e apresenta uma trama inspirada nas muitas músicas e vidas de Dylan. Para tanto, Haynes trabalha com seis personagens distintos. São eles: Jude Quinn (Cate Blanchett, numa performance que lhe rendeu uma indicação ao Oscar 2008 de Melhor Atriz Coadjuvante), Arthur Rimbaud (Ben Whishaw), Jack Rollins (Christian Bale), Billy the Kid (Richard Gere), Woody Guthrie (Marcus Carl Franklin) e Robbie Clark (Heath Ledger).

Cada um destes personagens cobre as diversas faces de Bob Dylan. Ou seja, temos o cantor folk tradicional, dedicado às músicas que seriam classificadas de “canções de protesto” (rótulo que ele, mais tarde, negaria); o cantor de músicas mais pessoais e introspectivas, ligadas a uma visão particular de mundo (e com claras influências do rock ‘n roll); o cantor de tendências country; o homem que sofreu uma desilusão amorosa grande; o homem que aceitou Jesus Cristo e se filiou a uma Igreja; o homem que se isolou completamente por uns tempos; entre outros.

É justamente o fato de ser uma biografia não convencional o ponto que traz maiores problemas ao filme “Não Estou Lá”. Quando tem em tela personagens como Jude Quinn, Jack Rollins e Robbie Clark, o diretor Todd Haynes mostra completo domínio de sua obra e de seu personagem. No entanto, nem assim Haynes consegue mascarar alguns pontos falhos de transição entre as histórias que quer contar e, no caso da sub-trama envolvendo o ator Richard Gere, a mesma fica completamente solta dentro do filme. Billy the Kid não parece ter conexão alguma com os outros Dylans que vemos na tela.

Cotação: 6,0

Não Estou Lá (I'm Not There, EUA, Alemanha, 2007)
Diretor(es): Todd Haynes
Roteirista(s): Todd Haynes, Oren Moverman
Elenco: Cate Blanchett, Ben Whishaw, Christian Bale, Richard Gere, Marcus Carl Franklin, Heath Ledger, Kris Kristofferson, Don Francks, Roc LaFortune, Larry Day, Paul Cagelet, Pierre-Alexandre Fortin, Richie Havens, Tyrone Benskin, Kim Rob
erts

16 comments:

Ramon Scheidemantel said...

Não vi a obra, mas gosto dessa idéia de inovar os gêneros. Porém, paradoxalmente, fico sentido nostalgia de biografias lineares, romanceadas. Daquele tipo, que fez de Hollywood o que ela é hoje.
Assisti novamente o filme que conta a vida de Chaplin, com Robert Downey Jr. Que filmaço!

Otavio Almeida said...

Hmm... Não funcionou muito com você... Ainda não vi, Kamila. Infelizmente.

Bjs!

Pedro Henrique said...

Ótimo Kamila, pensei que eu estava comentendo um erro em não ter visto grande coisa nesse filme. Quando fica evidente que o filme é todo da Cate Blanchett.
Também não entendi o porque da presença do personagem de Richard Gere. Confesso que fiquei confuso nessas partes.

Abraço!!!

Romeika said...

Kamila, foi justamente o segmento do Richard Gere que me pareceu meio solto na trama e meio doido por demais.. Esse filme eh uma viagem, nao importa muito entender de fato o que cada coisinha representa na tela. Eu ateh gostei, mas pela loucura e pelas atuacoes (em especial Cate Blanchett) do que qualquer outra coisa. Ah, e claro, a trilha sonora! O que vc achou da Michelle Williams? Eu mal a reconheci.

Kamila said...

Ramon, eu ADORO "Chaplin". E a originalidade de "Não Estou Lá" é, ao mesmo tempo, seu ponto mais forte e o mais fraco.

Otavio, eu acho que o filme funcionou - em sua grande parte - comigo. Mas, a irregularidade entre as histórias, às vezes, faz com que a gente perca o foco do longa.

Pedro, a Cate Blanchett é a melhor coisa do filme.

Romeika, eu também mal reconheci a Michelle Williams. Só mesmo quando a câmera enfoca ela na cena da festa. "Não Estou Lá" é uma viagem mesmo e acho que os fãs de Bob Dylan vão gostar da obra.

Johnny Strangelove said...

Eu adorei o filme, fui ver como um filme qualquer, não viajo em Bob Dylan, mas o filme conseguiu fortalecer algo que é tão facil hoje de derrubar ... o mito ...

e não viajei muito no segmento de Bale e Gere ... mas de Blanchett e do menino ... fodastico ...
beijos e abraços, e ai, viu o filme que lhe indiquei ?

Weiner said...

Pois é, mais um que fica a quilômetros de distância dos cinemas de minha cidade. Gostaria de conferir especialmente por Blanchett - uma atriz que adoro - e ledger, que tem neste um de seus últimos trabalhos. o jeito é aguardar o dvd.
Bjs e abs!

Tito said...

Eu nunca fui muito fã do Bob Dylan.Não conheço sua trajetória, seus sonhos ou suas idéias. Lembro de uma música que Caetano Veloso cantou em seu show, Circuladô de Fulô, chamada Jokerman, que era do Bob. Eu gostava muito desta música, mesmo sem saber o porquê. Outra música dele que me vem à mente é Knockin’ on Heaven’s Door, que foi regravada pelo Guns’N’Roses, grupo que fez parte da minha adolescência de forma marcante.
Fui assistir a I’m Not There sem muita pretensão, no Festival do Rio , mais pela curiosidade que pela vontade. E saí maravilhado da sessão, por causa de um filme poético, ousado e, sem sombra de dúvida, um dos melhores do festival. A idéia de seis atores diferentes interpretando seis fases e facetas de Bob Dylan mostrou-se maravilhosa e acertada. Ainda mais porque todos brilham.

Não entendi, porém, nem metade das referências do filme e elas são tantas, tantas, que fiquei envergonhado por saber tão pouco, quase nada. Um amigo indicou-me, então, o documentário No Direction Home, feito pelo Mestre Scorsese, sobre a vida de Bob Dylan. Com ele, eu entenderia até mesmo noventa por cento das referências, inclusive de onde veio a frase que estava escrita na maleta do Dylan interpretado por Marcus Carl Franklin, o menino negro de onze anos que representa a inocência: “Essa máquina mata fascistas!”. A maleta ainda seria vista nas mãos de Richard Gere, que representa a face homem comum. Passo a dica adiante. Assistam ao documentário. Está nas locadoras. Assistam antes de I’m Not There. Creio que a experiência será ainda mais interessante.

Kamila said...

João, eu também fui assistir a este filme sem compreender muito da vida e música de Bob Dylan, já que conheço muitas poucas coisas sobre ele, mas confesso que entrei na viagem proposta por Haynes, exceto no segmento de Bale.

Ainda não conferi sua segunda dica, por pura falta de tempo. No final de semana, vou mergulhar no DVD. :-)

Weiner, não perca as esperanças. O filme pode chegar por aí, antes do seu lançamento em DVD.

Tito, obrigada pelo comentário. Vou anotar sua sugestão e assistir "No Direction Home". E, quem sabe depois, assistir novamente "I´m Not There" para compreender as nuances do filme por completo.

Museu do Cinema said...

EU não vi esse filme, ele nem passou por aqui Kamila.

Mas acho que vou gostar, as multiplas personalidades, a dualidade do mito, essas coisas que acho que o Dylan é cheio, que fez um dia o John Lennon escrever "eu não acredito em Zimmerman"...

Johnny Strangelove said...

Também detestei o segmento de Bale, começou bem e terminou mal e sem sentido ...

mas dé uma revista ... é mior ...
sabe como é ...
beijos

Vinícius P. said...

Também acho que Haynes pecou pelo excesso de originalidade. Como você disse, muitas passagens parecem não ter sentido algum se comparadas a outros segmentos. É o mais fraco do diretor, mas ainda assim fiquei encantado pelas músicas e a atuação da Care Blanchett, meu "Dylan" favorito.

Abraço!

Rodrigo Fernandes said...

Estou masi interessado em assitir esse filme pela atuação da Cate que todos estão elogiando...alias, tudoq eu ela faz, eu curto, até em filmes horriveis ela está bem..rs...
além dos outros atores, o Bale e o Ledger.. mas eu, aprticularmente, odeio biografias... achoq eu roamntizam muto a vida da pessoa... a tornam lendas facilmente... Bob Dylan já é uma landa, nem precisa disso, mas fico sempre com essa sensação..
beijos

Kamila said...

Cassiano, "Não Estou Lá" é um filme bem interessante, mas, como disse, a originalidade dele acaba sendo um ponto forte e fraco. Eu gostaria de saber mais sobre a vida e obra de Dylan para compreender todas as referências que são feitas durante o filme.

João, não achei o segmento do Bale ruim. Eu adorei aquela parte!

Vinícius, concordo com todo o seu comentário.

Rodrigo, esse filme não romantiza o Bob Dylan. O mostra com seus valores e defeitos. E isso é que é legal. Confira o filme, se puder.

Wally said...

Só 6?? Vou tentar ver esse fim de semana, com minha ida a BH, ai te falo o que achei.

Ciao!

Kamila said...

Wally, aguardo seu comentário sobre o filme.