Thursday, May 29, 2008

Persépolis (Persepolis, 2007)

Já faz muito tempo que os filmes de animação deixaram de ser um programa somente para as crianças. “Persépolis”, longa francês dirigido por Vincent Paronnaud e Marjane Satrapi, faz uma crônica sobre a situação política do Irã (indo do final da década de 70 até o início dos anos 90), um país que tem uma posição geográfica estratégica na região em que está situado, mas que tem uma história de disputa de poder muito complicada. Tudo isso nos é mostrado sob o ponto de vista de uma família, especialmente através do olhar de Marjane Satrapi (dublada por Chiara Mastroianni), a filha única de um casal culto (a mãe é dublada por Catherine Deneuve) e neta adorada pela avó (dublada por Danielle Darrieux).

Por causa disso, podemos dizer que “Persépolis” é um filme que fala muito sobre a perda da inocência. Quando encontramos Marji pela primeira vez, ela é uma menina de oito anos que, nas suas próprias palavras, usa roupas da Adidas, tem Bruce Lee como ídolo e sonha em ser uma profetisa do futuro para, assim, poder salvar o mundo. No entanto, a situação política do seu país é um verdadeiro caos. O xá – e seu regime brutal – está prestes a ser deposto e toda esta realidade lhe é explicada pelo seu pai (dublado por Simon Abkarian) e pelo seu tio, que foi um ex-prisioneiro político.

Saber desses detalhes irá mudar a vida de Marjane, que se torna uma criança preocupada com o mundo ao seu redor, com suas responsabilidades e, principalmente, com seu modo de pensar. Na medida em que se tem a entrada da Nova República Islâmica, com seus “Guardiões da Revolução”, viver no Irã fica cada vez mais perigoso e seus pais decidem enviá-la para a Áustria. E é a partir daí que vemos Marji passar por um processo de amadurecimento, o qual vai ser marcado pela tentativa dela de encontrar seu lugar e seu papel no meio de tudo isso.

Todos estes elementos já são uma prova mais que concreta de que “Persépolis” não é um típico filme de animação. Baseado nos quadrinhos autobiográficos da própria Marjane Satrapi, o filme tem uma técnica muito interessante e cada frame que vemos em tela poderiam ser figuras de um livro ou estampas de uma camiseta. A história de vida de Marji nos é apresentada com muito bom-humor e é justamente isso que faz com que a gente crie uma empatia tão grande com “Persépolis”, um filme verdadeiramente único dentro de sua própria proposta.

Cotação: 9,0

Persépolis (Persepolis, França, EUA, 2007)
Diretor(es): Vincent Paronnaud, Marjane Satrapi
Roteirista(s): Vincent Paronnaud, Marjane Satrapi
Elenco: Chiara Mastroianni, Catherine Deneuve, Danielle Darrieux, Simon Abkarian, Gabrielle Lopes, François Jerosme, Arié Elmaleh, Mathias Mlekuz, Jean-François Gallotte, Stéphane Foenkinos, Tilly Mandelbrot, Sean Penn, Gena Rowlands, Iggy Pop

15 comments:

Museu do Cinema said...

Essa animação é de adultos, muitas pessoas falaram bem dela, assim como vc, mas ainda não vi.

Johnny Strangelove said...

Curiosidade: Sean Pean e Iggy Pop participam da dublagem em inglês ...
e o filme ... o maior injusticado do Oscar ... fato ...
quem viu o filme comigo e depois viu a noite do Oscar só ficaram imaginando ... imagine a cara de JP quando soube da noticia ...

um erro crasso a lá Taxi Driver ... mas calma ... o filme já tem o reconhecimento garantido ... belissimo filme

Robson Saldanha said...

Fiquei curioso, no mínimo, por essa animação. Inclusive, em março, passou no cineclube. Vou ver se alugo!!

Louis Vidovix said...

Persepolis é maravilhoso! A história toda é genial! :)

Rodrigo Fernandes said...

Uma animaçãoq ue estou ansioso apra conferir.. desde que ouvi comentários de que esse deveria ser o ganahdor do Oscar ao inves do ratinho conzinheiro lá...rs...que adorei tbm...
Ah, Kamila, parabéns atrasado, soube que vc ficou mais velhinha, ops, masi experiente dias atras.. parabéns!!!
beijos

Vulgo Dudu said...

Já ouvi muito de Persépolis, muito mesmo! É uma prova de que animação deixou há muito tempo de ser predominantemente infantil. Sorte nossa!

Bjs!

Pedro Henrique said...

É o que o Cassiano disse, um filme mais maduro. Talvez por isso tenha gostado mais do que gostei de Ratatouille.

Abs!

Rogerio said...

Eu comecei a ver esse filme, mas parei em 20 minutos. nao por ser ruim, mas pois me assustei com o tema adulto dele, e eu nao estava no clima adequado.
Tenho que conferir quando estiver super concentrado, pois a historia, como vc disse, é madura e para adultos.

Legal a tua visao sobre os frames poderem virar estampa de camiseta. Eh a mais pura verdade. Sairiam belas roupas :-)

Bjus e bom findi!!

Kamila said...

Cassiano, se tiver a chance de assistir ao filme, não perca! É muito bom!

João, já te disse que acho que o Oscar para "Ratatouille" foi justo, mas concordo que "Persépolis" vem obtendo o reconhecimento que merece na medida em que mais pessoas assistem ao filme.

Robson, o filme estava passando na sessão de arte do Cinemark.

Louis, concordo plenamente!

Rodrigo, obrigada pelos parabéns! E assista "Persépolis".

Dudu, sorte nossa mesmo!

Pedro, gostei dos dois filmes, mas acho "Ratatouille" um pouquinho melhor.

Rogerio, exatamente. O filme exige da gente atenção para que a gente compreenda o momento histórico no qual o filme se passa. Depois, não perca a chance de vê-lo.

Abraços e bom final de semana!

Vinícius P. said...

Acho ótimo essa fase de animações estrangeiras de sucesso, muitas vezes são bem melhores que algumas americanas (já que o estilo digital cansa de vez em quando). "Persépolis" é um belo trabalho da dupla de diretores e mereceu o reconhecimento alcançado.

Kamila said...

Vinícius, as animações estrangeiras realmente se diferenciam muito das norte-americanas, especialmente no que diz respeito aos temas e à técnica de animação utilizada.

Wally said...

Maravilhoso este filme. Saí impressionado da sessão e completamente satisfeito. Muito, muito bom. Você conseguiu apontar muito bem todas suas virtudes.

Nota 9,0 também

Ciao!

Kamila said...

Wally, eu também saí do cinema totalmente satisfeita com o filme. E, sinceramente, não esperava que "Persépolis" fosse um filme tão bom.

Ramon said...

Realmente "único dentro de sua própria proposta" define bem a obra, porque no mais não consegui gostar tanto do filme.
Achei dispensável o fato de ser uma animação. Talvez o filme seria mais falado e de maior sucesso se fosse filmado.
É claro, que depois de ler sua resenha e descobrir que a história é baseada nos quadrinhos da própria autora a coisa muda de figura.
Sei lá, não curti tanto, mas compreendi a idéia.

Kamila said...

Ramon, eu acho que o grande barato desse filme é justamente o tratamento de um tema denso num filme bem-humorado e de animação.