Wednesday, May 10, 2006

O Albergue (Hostel, 2005)


Apesar de ter sido vendido ao público como um filme de terror completamente diferente dos outros do gênero, “O Albergue”, filme escrito e dirigido por Eli Roth (com a chancela do produtor executivo Quentin Tarantino), repete todas as fórmulas que puderam ser vistas pela platéia nos filmes de terror que foram lançados mais recentemente. Ou seja, na primeira hora de “O Albergue”, poucas coisas significativas acontecem (o diretor retrata o dia-a-dia de seus personagens para colocar a platéia dentro do universo que eles habitam) e, de repente, quando a platéia menos espera, uma série de situações bizarras começam a acontecer de maneira a justificar a classificação do filme como sendo do gênero de terror.

No caso particular de “O Albergue”, os protagonistas do filme são três jovens imaturos e inconseqüentes – Paxton (Jay Hernandez, que foi o par romântico de Kirsten Dunst no ótimo “Gostosa/Loucura”), Oli (Eytor Gudjonsson) e Josh (Derek Richardson) – que estão viajando de férias pela Europa no melhor estilo mochileiros. Paxton, Oli e Josh estão em busca de aventuras com mulheres, festas e drogas. Em Amsterdã, depois de uma noitada que quase termina mal, eles conhecem Alexei, um cara meio estranho que, sabendo das verdadeiras intenções da viagem dos rapazes, sugere um destino perfeito: um albergue na Eslováquia – aonde eles, supostamente, encontrarão tudo aquilo que eles procuram. E é justamente no albergue eslovaco que o filme “O Albergue” alcança o seu clímax.

Nos primeiros momentos de “O Albergue”, a trama do filme não parece ter sentido algum. O filme oscila entre cenas que parecem saídas de uma comédia adolescente e outras que parecem ter saído de um filme adulto. No entanto, os últimos quarenta minutos de “O Albergue” mostram a que o filme veio. No melhor estilo “Jogos Mortais”, a platéia entra em contato com os vilões do filme (pessoas que buscam uma maneira de dar vazão ao seu instinto de violência) em cenas de ritmo ágil, de extremo sangue frio (em determinado momento, Paxton consegue manter a racionalidade para pegar os dedos que foram serrados de sua mão) e que conseguem ser eficientes no sentido de chocar (é bom frisar que elas não chegam a assustar) o espectador.

O que irrita é a necessidade que o diretor e roteirista Eli Roth tem em dar um fechamento à sua história. Aqueles que estão acostumados a assistir filmes de terror sabem que, nesse gênero, os mocinhos podem sobreviver a todo tipo de ameaça e vilão; mas, mesmo depois de estarem livres de qualquer perigo, sempre existe uma única certeza: a de que aquela sensação incômoda de que algo de ruim está prestes a acontecer novamente está sempre à espreita. Isso não acontece com o sobrevivente de “O Albergue”, que, depois de fazer a sua mini-vingança, tem a certeza de que poderá continuar a sua vida da maneira como ela sempre foi.

Cotação: 3,0

Crédito Foto: Yahoo! Movies

4 comments:

Museu do Cinema said...

Kamila, vc passou mal durante a exibição do filme? Já ouvi comentários a esse respeito, inclusive do próprio diretor que disse que o seu aplauso é o vômito do espectador.

Kamila said...

Eu não passei nem senti vontade de passar mal, Cassiano. Só me senti um pouco chocada em algumas cenas.

Eu acho que esse Eli Roth é um pouco doido, Cassiano. Você leu a entrevista que ele deu para a edição de maio da revista "SET"? Das duas uma: ou ele é hiperativo ou se acha mais do que ele realmente é.

Museu do Cinema said...

Li sim e concordo com seu comentário, confesso que tinha uma boa impressão dele, mais até pelo "apoio" de Tarantino ao seu trabalho do que por seus próprios méritos, mas achei ele meio desconexo.

Romeika said...

Adorei a crítica, Kamila. E odiei o filme, como vc já sabe...bom fds!