Thursday, June 08, 2006

O Novo Mundo (The New World, 2005)

Como qualquer outro filme que trata da chegada de uma sociedade mais civilizada à uma localidade aonde vivem pessoas consideradas como selvagens, o filme “O Novo Mundo”, escrito e dirigido por Terrence Malick, trata – é verdade que em poucos momentos de seus 145 minutos de projeção – do conflito que se estabelece entre o lado considerado civilizado e o considerado selvagem. O diretor e roteirista mostra todas as etapas dessa guerra: em primeiro lugar o fascínio que os recém-chegados causam nos selvagens e, depois que o encanto se acaba, se chega à segunda etapa que mostra uma luta sangrenta em que um lado ganha e o outro perde. No entanto, o conflito mais importante e mais profundo de “O Novo Mundo” é outro e envolve dois personagens de origens, criações e costumes diferentes.

O capitão inglês John Smith (Colin Farrell) é um homem que passa a maior parte do seu tempo explorando novas rotas oceânicas e que, em decorrência disso, perdeu o contato com suas raízes. Smith está cansado da vida no mar e sonha com um lugar que ele considera utópico – uma localidade em que os males da humanidade ainda não chegaram e as pessoas vivem felizes e em harmonia. Para a surpresa do capitão, Smith encontra esse lugar em uma comunidade indígena que está localizada no atual território do Estado de Virginia - local aonde os ingleses se fixaram e pretendiam instalar uma colônia.

Também na comunidade indígena, John Smith encontra uma índia (a estreante Q’Orianka Kilcher) que, ao contrário do capitão Smith, tem as raízes bastante fincadas na sua cultura e na criação que recebeu. Mas, assim como os outros índios, a garota fica completamente fascinada pela nova figura que começa a compartilhar do dia-a-dia da comunidade. Ela se apaixona por Smith – e é correspondida pelo capitão –; e, por causa disso, não encontra mais lugar na sua comunidade. Depois de um tempo perdida pelas florestas da região, ela é resgatada por outros ingleses e é trazida ao convívio da “civilização”. A vivência mais próxima com os ingleses marca o início do processo de ocidentalização da índia. Ela ganha um nome inglês (Rebecca) e se casa com um inglês – John Rolfe (Christian Bale).

Ao acompanhar o desenvolvimento do amor que nasce entre o capitão John Smith e a índia, a platéia que assiste à “O Novo Mundo” observa também o tipo de transformação pelas quais os dois personagens passarão no decorrer da película. O John calejado que a índia encontra encara o amor que eles sentem de uma maneira bem diferente de sua companheira. Depois de viver a sua primeira decepção, a índia que encontra John Rolfe é outra e encara o amor de uma maneira bem menos idealista – ou seja, ela não acredita mais no “felizes para sempre”.

Escrito por Terrence Malick tendo como base a história de Pocahontas (que foi transformada em animação pela Disney em 1995), “O Novo Mundo” é somente o quinto filme deste talentoso profissional. O filme guarda muitas semelhanças com o seu último trabalho (“Além da Linha Vermelha”, de 1998), especialmente no que diz respeito à exploração perfeita das paisagens naturais que servem de locação para a película (a excelente fotografia de Emmanuel Lubezki foi a única indicação que “O Novo Mundo” recebeu ao Oscar 2006) e na tentativa que o diretor faz de estabelecer um intercâmbio com esta mesma natureza. Tanto John Smith quanto a índia estão procurando um sentido para as suas vidas e, para Malick, este sentido está justamente no contato com a natureza – o presente mais divino que foi deixado para a humanidade.

Cotação: 6,0

Crédito Foto: Yahoo! Movies

7 comments:

Romeika said...

Kamila, que coincidência a minha resposta ao seu comentário lá no blog e a sua crítica que eu acabei de ler..! Já respondeu parte da minha dúvida:) De qualquer maneira, dá uma olhadinha no que eu escrevi por lá, pra enriquecer mais nosso debate.. Só não consigo achar o filme arrastado, achei tão belo, a fotografia, o enquadramento, as paisagens, tudo.. Adoro a poesia do filme. Por outro lado, há muito simbolismo, muito uso de metáforas, nada está ali só por estar, tudo está para ser lido, e de uma vez só não dá..queria muito assisti-lo de novo..Uma semana e já saiu de cartaz..afff..ainda bem que eu vi:p

Romeika said...

Kamila, que coincidência a minha resposta ao seu comentário lá no blog e a sua crítica que eu acabei de ler..! Já respondeu parte da minha dúvida:) De qualquer maneira, dá uma olhadinha no que eu escrevi por lá, pra enriquecer mais nosso debate.. Só não consigo achar o filme arrastado, achei tão belo, a fotografia, o enquadramento, as paisagens, tudo.. Adoro a poesia do filme. Por outro lado, há muito simbolismo, muito uso de metáforas, nada está ali só por estar, tudo está para ser lido, e de uma vez só não dá..queria muito assisti-lo de novo..Uma semana e já saiu de cartaz..afff..ainda bem que eu vi:p

Romeika said...

mais respostas aos comments lá no blog...Então vc mudou a opinião, agora pensa no filme como uma história de amor?:) Eu ainda vejo uma história de amor ali. E sua explicação sobre a atitude de Smith me ajudou bastante, clareou tudo agora.. Talvez ele se apaixonou pelo que ela representava, pela utopia daquele lugar, e quando a viu transformada,todo o encanto e magia havia se perdido. Esse filme gera debates, adoro isso:)

Kamila said...
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Kamila said...

Ah, Romeika. Eu sempre achei que o filme fosse uma história de amor. Mas, você não pode negar o fato de que o filme trata mais sobre as relações de Smith e da índia com as suas respectivas culturas e com as culturas com as quais eles entram em contato. "O Novo Mundo" é aquele que a índia encontra.

Romeika said...

é verdade, ele fala de temas mais sérios e instigantes através da relação de amor.. mas é que prefiro puxar pelo lado do romantismo mesmo rsrsrsrs...mas é muito simbolismo mesmo..eu gostei muito. Pq vc deu 60? Vc achou que o diretor não conseguiu nem uma coisa nem outra, ou por que o filme resulta por demais arrastado como vc falou.. etc?? Fala aí:)

Kamila said...

A nota é seis, pois eu acho que o filme, além de ser muito arrastado, pode confundir as pessoas. Ele pode ser entendido da maneira errada. Quem pensa que é uma história de amor, por exemplo, pode se decepcionar no final. Quem o analisa como eu (pensando que é uma história sobre diferenças culturais e uma certa "imposição" das outras culturas), vê o filme e o seu final de outra maneira. Mas, a impressão que se tem é a de que nem mesmo Terrence Malick sabia que tipo de filme estava fazendo. Por isso, minha nota foi 6,0.