Monday, October 02, 2006

A Casa do Lago (The Lake House, 2006)


Existem quatro elementos que dão suporte à narrativa – seja ela literária ou cinematográfica: o tempo, o espaço, o narrador e o personagem. Desses elementos, dois são muito importantes: o tempo e o espaço. A narrativa cinematográfica provou que esses dois elementos são inseparáveis. É justamente a relação entre o tempo e o espaço que será o eixo principal do filme “A Casa do Lago”, do diretor argentino Alejandro Agresti.

O roteiro criado por David Auburn se passa em dois momentos distintos. Em 2004, o arquiteto Alex Wyler (Keanu Reeves) compra uma casa no lago (a qual possui uma arquitetura arrojada e moderna, que contrasta muito bem com a quietude do local onde está localizada). A residência foi construída pelo pai dele (Christopher Plummer), com quem Alex tem uma relação bastante delicada, em homenagem à sua esposa (e mãe de Alex). Já em 2006, a médica Kate Forster (Sandra Bullock) se muda para Chicago depois de passar um tempo morando na casa do lago. A residência, para Kate, representa a segurança e o conforto longe do mundo que ela encontra na sua profissão, a qual a impede de ter uma vida pessoal e de se aproximar das pessoas que querem lhe oferecer amor e proteção.

O tempo e o espaço na história de “A Casa do Lago” se fundem a partir do momento em que Alex e Kate começam a se corresponder. Essa troca de cartas permite aos dois se conhecerem melhor e fazem com que eles se apaixonem. Por mais que seja impossível a história de amor deles acontecer (afinal, eles estão separados por um período de dois anos), é notável que a conexão que se estabelece entre Kate e Alex é única, do tipo que só acontece uma vez na vida da gente.

“A Casa do Lago” dialoga muitas vezes com a linguagem literária – que faz muito bem o jogo entre o tempo e o espaço. Em muitos momentos, fica a sensação de que o roteiro criado por David Auburn com base no roteiro do filme “Il Mare” ficaria melhor num livro. A história desenvolvida por Auburn envolve a platéia (graças também à boa química que existe entre Keanu Reeves e Sandra Bullock), mas o roteiro tem sérios problemas de construção. O tempo todo a platéia tem quase a certeza de que o desfecho de “A Casa do Lago” será um; mas a partir do momento em que o roteirista permite que seus personagens possam influir no tempo e no espaço de forma a ficarem juntos, o filme começa a se perder. Em conseqüência disso, o final de “A Casa do Lago” soa forçado e nada natural.

Cotação: 4,0

Crédito Foto: Yahoo! Movies

3 comments:

felipeixe said...

Gostei do Filme, do desenrolar (e enrolar) da história, apesar dos momentos lentos.

Muito legal colocar o 'tempo' como algo referencial, talvez pra entender melhor o filme, tenhamos q nos apegar à Teoria da Relatividade de Einstein, onde tempo e espaço são independentes e relativos. Hehehe... Bjs!

felipeixe said...

Ei Kamila, vc já assistiu "Quase Deuses" ? Que achou? Gostei deveras...

Você deveria ter um blog paralelo que falasse sobre os filmes que não estão mais em cartaz. Hehehe...

Bjs!

Kamila said...

Felipe, respeito a sua opinião, mas eu não gostei muito de "A Casa do Lago".

Não assisti "Quase Deuses". Passa na tv por assinatura. Depois vou ver se consigo um horário para assistí-lo.

E sobre a sua sugestão: se eu fosse manter um blog paralelo à esse, não ia ter tempo mais para fazer nada. É melhor manter só um mesmo! kkkk