Saturday, September 30, 2006

As Torres Gêmeas (World Trade Center, 2006)


Numa das – poucas – passagens bonitas do filme “A Dama na Água”, do diretor e roteirista M. Night Shyamalan, a ninfa Story (Bryce Dallas Howard) afirma que os seres humanos pensam que estão sozinhos no mundo até que existem acontecimentos que nos unem de uma forma irreversível. Os atentados terroristas de 11 de Setembro foram um desses acontecimentos. Neste dia, o mundo todo parou em frente à televisão para acompanhar o passo a passo de algo que todos achavam ser impossível acontecer e para o qual ninguém estava preparado – inclusive as autoridades norte-americanas.

O que se sucedeu neste dia em particular ainda é um assunto muito doloroso para muitas pessoas, especialmente para os norte-americanos. Aos poucos, foram surgindo livros e programas de TV que mostravam os bastidores dos atos terroristas. Cinco anos depois chegou a vez de Hollywood explorar o tema a seu modo. Nos dois filmes lançados sobre o tema – “Vôo United 93”, de Paul Greengrass, e “As Torres Gêmeas”, de Oliver Stone –, o foco estão nos heróis – naqueles que foram “altruístas” a ponto de se sacrificarem em prol de um bem maior (evitar a morte de mais pessoas inocentes) ou naqueles que viram o bem no meio de tanto mal.

“As Torres Gêmeas” joga o olhar sob a cidade de Nova York e os seus heróis – até aquele dia – anônimos (os policiais). As primeiras cenas do filme retratam os policiais enquanto eles deixam as suas famílias e partem rumo a mais um dia de trabalho como outro qualquer – em que o ponto mais “arriscado” seria a expulsão de algum mendigo de algum local. Logo o chão começa a tremer e, com o mínimo de informações possíveis, os policiais da autoridade portuária partem para o World Trade Center – local onde o Sargento John McLoughlin (Nicolas Cage) reúne a equipe formada por Will Jimeno (Michael Pena, o chaveiro de “Crash – No Limite”), Antonio Rodrigues (Armando Riesco), Dominick Pezzulo (Jay Hernandez), Christopher Amoroso (Jon Bernthal) e Giraldi (Danny Nucci) para entrar na torre cinco do World Trade Center e resgatar o máximo possível de pessoas.

O diretor Oliver Stone opta por não mostrar nenhuma cena dos aviões se chocando com a torre – afinal, esta imagem já está completamente solidificada em nossa mente. Para ele – e para nós da platéia – o momento mais chocante (e novo) será acompanhar o desespero que se instala naqueles que estavam na torre quando os dois prédios que formavam o World Trade Center começam a colapsar. Outro elemento importante – e poderoso – da narrativa de “As Torres Gêmeas” começa a acontecer a partir do momento em que passamos a seguir o desespero de Allison (Maggie Gyllenhaal) e Donna (Maria Bello), as esposas de Jimeno e McLoughlin (os únicos da equipe de policiais a sobreviver), que estão em busca de notícias dos dois.

O 11 de Setembro não é o primeiro acontecimento histórico dos Estados Unidos a ser retratado em filme pelo diretor Oliver Stone. Ele já abordou o Vietnã (nos filme “Platoon” e “Nascido em 4 de Julho”) e o assassinato do presidente John Fitzgerald Kennedy (no filme “JFK – A Pergunta que Não Quer Calar”) e sempre apresentou as suas teorias conspiratórias sobre tais temas. Stone surpreende com “As Torres Gêmeas”, pois optou por contar de forma direta e sem floreios sua história (o roteiro de Andrea Berloff foi desenvolvido com base nos depoimentos daqueles que estiveram presentes nas duas torres no dia 11 de Setembro). No único momento em que ele é Oliver Stone (na cena em que Will Jimeno vê Jesus Cristo), a situação soa manipuladora e destoa do trabalho que ele acaba construindo em “As Torres Gêmeas”.

Mais do que contar a história de dois sobreviventes, “As Torres Gêmeas” retrata metaforicamente como uma cidade pode mudar devido a um único acontecimento. E não foi só Nova York que mudou a partir do dia 11 de Setembro de 2001. O mundo todo se transformou e não foi mais o mesmo desde aquele fatídico dia.

Cotação: 9,5

Crédito Foto: Yahoo! Movies

9 comments:

Felipeixe said...

Ou Kamila... Concordo com o que você falou a respeito do atentado, do dia 11.09.2001 e etc e tal.

Porém, quanto ao filme eu achei 1 desastre (sem amibiguidade). Completamente claustrofóbico, lento, meloso e chato. Nam... Esperava muito mais da história.

Por mim, dava nota 2,0 no máximo. Mas, essa é a minha mera e humilde opinião. Hehehehe. Bjs!

Kamila said...

Respeito a sua mera e humilde opinião, Felipe.

Para mim, o filme foi excelente, respeitoso e, principalmente, emocionante.

Beijos!

romeika said...

*** estrelas.
Que não seria um filme político, isso todos sabiam do trailer, que por sinal, me emocionou infinitamente mais do que o filme em si. Adorei as cenas iniciais, a queda das torres vista sob as perspectivas dos que estavam lá dentro. No meio me incomodei com algumas falas pronunciadas pelo policial gordo do Wiscounsin e o fuzileiro louco, mas de pronto percebi que Stone não é ingênuo a esse ponto.. De maneira muito sutil, talvez, ele ali tenha se manifestado a respeito da atual situação política do país..ou melhor, na merda paranóica que este se transformou, graças a reação de muitos americanos após o 11/09.. As falas daquele fuzileiro parece terem sido pronunciadas pelo próprio Bush..
Aquela cena de Cristo..affff...Bom, se foi relato do sobrevivente..não vou julgar..só ele sabe o inferno que passou ali soterrado..e cada ser humano tem uma reação, um escape..talvez o pobre já estivesse delirando. Não tenho fé, mas respeito os que tem..
De qualquer maneira esperava mais. Ahh..também não achei nada de melodramático no filme..
gostei da Maggie Gylenhal..
Filmaço mesmo é Syriana..

Kamila said...

Romeika, eu também gostei da Maggie Gyllenhaal. Muito mais do que da Maria Bello (que lentes de contato, hein?).

O trailer de "Torres Gêmeas" também me emocionou muito mais do que o filme em si. No entanto, acho que o filme é necessário e importante. E o respeito que o Stone teve a história que contou é simplesmente notável.

"Syriana" é um filmaço, mas seria melhor como um ensaio sobre as relações entre petróleo e poder. Tem muito diálogo e isso acaba confundindo.

Romeika said...

eu custei a reconhecê-la por causa da cor dos olhos...depois caiu a ficha, ridículo.

Na minha opinião a importância do filme se restringe à primeira parte: o caos, as pessoas de todas as nacionalidades deixando a torre, a coragem dos bombeiros e policiais..(eles foram com tudo mesmo..), a queda sob o ponto de vista de quem estava dentro do prédio..
Aquela cena "RUUUNNNNNNN" é foda demais.. engraçado que ninguém ali parecia ter noção de que a torre iria cair..o povo ferido..sentado, sendo amparado, ao invés de deixar aquele lugar o mais breve possível..
Mas pra mim foi tipo "o resgate do soldado ryan": abertura impactante..meio e desfecho não tão brilhante assim. Mas nem de longe é um filme ruim, eu gostei.

Kamila said...

Romeika, eu concordo que o elemento novo que o filme nos traz é a perspectiva de quem estava ali dentro. A falta de informação dos que trabalharam ali, o despreparo geral e o fato de que vidas realmente poderiam ter sido salvas se as pessoas da torre dois (que caiu depois da 1) tivessem sido logo evacuadas.

Eu acho que o filme mantém o ritmo. É lento mesmo, mas nunca dá aquela sensação de que ele está demorando demais para acabar.

felipeixe said...

Mesmo assim, eu não gostei. hehehehe..

:P

chato eu, ne?

Museu do Cinema said...

aquele dia realmente transformou o mundo. o filme é sobre a coragem de e a vida de dois homens nesse fátidico dia.

Kamila said...

Com certeza, Cassiano. O filme todo mostra não só como aquele dia mudou a vida daqueles dois homens, como também a vida de toda uma cidade.