Saturday, October 21, 2006

Um Cara Quase Perfeito (Man About Town, 2006)


Jack Giamoro (Ben Affleck, numa boa performance) – o protagonista do filme “Um Cara Quase Perfeito”, do ator, diretor e roteirista Mike Binder – tem uma postura bastante reservada. Ele procura evitar qualquer tipo de artifício que o faça revelar seus segredos ou confrontar sua vida e relacionamentos. Portanto, dá para se ter uma idéia do quão difícil deve ter sido para ele decidir participar de um curso de autoconhecimento, ministrado pelo professor Dr. Primkin (John Cleese), um senhor de atitude rude e de economia com as palavras.

A atividade principal que o Dr. Primkin propõe aos seus alunos é a seguinte: cada um deles deve escrever um diário. A cada semana, o grau de dificuldade dessa tarefa vai aumentando, pois o professor espera que seus alunos vão retirando camada por camada até descobrirem a sua real essência – aquilo que escondemos por trás de tudo que fomos acumulando no decorrer de nossa vida.

Analisando por este ponto de vista, podemos dizer que Jack é um homem formado por facetas distintas. Ele foi uma criança e um jovem que teve negado o direito a qualquer tipo de amor – com exceção daquele que ele recebia de sua mãe. Como adulto, Jack se dividiu entre duas personas: a persistente, viva e ativa do trabalho como agente de talentos especializado em administrar as carreiras de roteiristas; e a apática, distante e sem vida que estava presente nos relacionamentos que Jack estabelecia com a sua esposa Nina (Rebecca Romijn) e com o pai doente (Howard Hesseman).

É justamente ao desempenhar a tarefa que lhe foi proposta no curso de autoconhecimento que Jack fará uma grande descoberta a respeito de si mesmo. Nada do que ele fez ou conquistou lhe trouxe felicidade. Ele vai descobrir isso da pior maneira, quando começará a ser chantageado por Barbi Ling (Ling Bai), uma aspirante à roteirista, e seu namorado Jimmy Dooley (Samuel Ball), um aspirante a ator, que tiveram a sua grande chance negada por Jack; e quando Nina revela ao marido que estava tendo um caso com um de seus clientes, Phil Balow (Adam Goldberg).

Para quem estreou num filme de tom ácido e sarcástico sobre a vida familiar nos subúrbios norte-americanos (o ótimo “A Outra Face da Raiva”, com Joan Allen, Kevin Costner e grande elenco), “Um Cara Quase Perfeito” é uma nítida mudança de ares. Não é que o filme não tenha momentos engraçados (eles existem, principalmente depois que Jack sofre um ataque), mas o seu tema principal é a autodescoberta de Jack. Pena que, em alguns momentos de “Um Cara Quase Perfeito”, Mike Binder deixa o filme perder o seu foco e dispersa a atenção da platéia. O mais interessante, então, é prestar uma atenção especial naquilo que Jack aprende: não importa o tamanho do sucesso, do reconhecimento e do dinheiro que você tenha, sempre existe algo novo a aprender. Quer coisa mais batida e sincera do que isso?

Cotação: 5,5

Crédito Foto: Yahoo! Cinema

6 comments:

Bob Harris said...

Kamila, agora vendo a tua resposta ao meu comentário sobre O Grito 2 me veio uma dúvida. O que te impede de escolher que filme ver no cinema?

- A falta de filmes bons?
- Tu é obrigada a ir por escrever pra algum jornal, site ou algo do tipo?
- Masoquismo puro?

E mais uma, que não é da minha conta, mas tudo bem. Tu paga por todos esses filmes ou é sócia de algum cinema? Porque 4 reais (aí não sei quanto é) é muito dinheiro pra investir em coisas como "O Grito 2", "O Pequenino", etc.

Kamila said...

Ah, Bob. Vou responder à sua pergunta por partes:

Vou ao cinema, pelo menos, uma vez por semana. É um hábito que tenho há muito tempo e que eu amo. Não deixo de ir ao cinema por nada, mesmo que as estréias tenham sido ruins.

Não escrevo para nenhum jornal, site, ou algo do gênero. Somente para o blog mesmo. Faço isso porque há 4 anos escrevo minhas opiniões sobre os filmes que assisto. Criei este espaço justamente para mostrar minha opinião, meu trabalho e para conhecer gente como você, que gosta de cinema.

Eu não pago por todos esses filmes, não. Na maioria das vezes vou com convite, que ganho através de promoções de jornais, sites, etc.

Espero que tenha respondido às suas dúvidas!

Bob Harris said...

Respondeu sim. Legal tu ter esse hábito há bastante tempo. Acredito que tu deva achar as tuas primeiras análises bem inferiores, assim como eu acho as minhas. É bom pra ver que a gente vai evoluindo.

Tu deve participar de muitas promoções pra ganhar assim. Eu, mesmo quando participo, nunca ganho nada.

Kamila said...

Ah, com certeza. Leio coisas que escrevi no início e acho tudo muito ruim, irregular. Ainda bem que a gente sempre (espero) está evoluindo. Com o tempo, quanto mais filmes assistimos, quanto mais nos informamos sobre cinema, mais a gente vai aprendendo. Espero continuar aprendendo mais e mais sobre esse tema que tanto amo.

Romeika said...

Me desculpe, Kamila, mas não pude evitar de rir ao ler o primeiro comentário do Bob, muito bom:-D

Mas como a conheço, sei que você ama o fato de estar "na sala de cinema", e sei o quanto você gosta do exercício da crítica de cinema, e aí me lembrei daquele seu ditado de "que para reconhecer os filmes bons, temos que assistir ao ruins..":p

Bom, fora que aqui em Natal é possível conseguir uns convites de vez em quando (lembre-se da campanha 'cidadão nota 10'). Então, se for de graça, não faz mal nenhum ver um trash de vez em quando..hehe

:)

Kamila said...

Isso aí, Romeika! Vendo de graça, assisto até filme ruim! Você me conhece e sabe que eu adoro cinema, adoro filmes e assisto tudo que é tipo de filme.

Adriana, às vezes, me faz essa mesma pergunta: "por quê você assiste este filme, mesmo sabendo que é ruim?" Aí, eu falo para ela a mesma coisa que disse para você! :-)