Thursday, November 02, 2006

O Sacrifício (The Wicker Man, 2006)


Não é segredo nenhum para ninguém que a indústria cinematográfica hollywoodiana passa por uma grande crise. Não só em relação à audiência, como também o relacionado à filmagem de bons roteiros. A sede de Hollywood por boas histórias é tão grande, que o impossível aconteceu e eles abriram o seu mercado para diretores e roteiristas estrangeiros. No entanto, a maior praga dessa crise de roteiro são as chamadas refilmagens; e, claramente, Hollywood não tem um critério bem definido sobre quais histórias merecem uma segunda visita.

“O Sacrifício”, refilmagem de “O Homem de Palha” (filme dirigido por Robin Hardy, em 1973), pertence ao grupo de refilmagens que nem mereciam sequer serem feitas. A película conta a história do policial Edward Malus (Nicolas Cage, que também produziu o filme), que, depois de presenciar um trágico acidente envolvendo mãe e filha, decide tirar umas férias do departamento. O descanso de Edward chega ao fim quando ele recebe uma carta de Willow (Kate Beahan), sua ex-noiva, o informando do desaparecimento de sua filha Rowan (Erika-Shaye Gair). Willow quer que Edward a ajude a reencontrar sua filha.

É assim que Edward acaba embarcando para Summersisle, uma espécie de ilha privada. A localidade lembra muito à do filme “A Vila” na sua essência medieval, isolada e cooperativa. Mas, uma olhada mais profunda em Summersisle mostra que ela difere muito da vila de Shyamalan, pois ela é um território exclusivamente feminino, aonde as mulheres ocupam as posições de poder e os homens ocupam um papel submisso e desempenham exclusivamente as atividades braçais e a figura de procriador e de mantenedor da linhagem pura que se estabeleceu em Summersisle.

Esse mundo acaba sendo muito para a cabeça de Edward. O policial está obviamente sofrendo de um estresse pós-traumático devido ao acidente que presenciou no início de “O Sacrifício” e começa a se questionar se o que vive em Summersisle é verdade ou mentira; e se as pessoas que ele enfrenta e questiona são mocinhas ou bandidas.

No papel, “O Sacrifício” é até um filme interessante. Na prática, o filme peca por uma sucessão de erros. A película começa bem, com uma cena imprevisível e intrigante, mas, depois, entra numa teia sem pé nem cabeça que é uma culpa exclusiva do seu diretor e roteirista Neil LaBute (do ótimo “A Enfermeira Betty”). Não importa se “O Sacrifício” tem um bom elenco (além dos que já foram citados, aparecem no filme Ellen Burstyn, Frances Conroy, Diane Delano, Leelee Sobieski, James Franco e Jason Ritter). O máximo que eles conseguem é arrancar vários risos da platéia (quando o esperado seria o contrário). Nada poderá salvar “O Sacrifício” da sua própria mediocridade. O que nos leva de volta à discussão do início do texto: para quê revisitar aquilo que não merecia nem uma primeira olhada?

Cotação: 1,0

Crédito Foto: Yahoo! Movies

11 comments:

Museu do Cinema said...

Kamila, faz tanto tempo que não vou ao cinema, que uso seu blog para tal, e para piorar a situação vc tem comentado cada bomba que vou continuar passando longe do cinema.

Romeika said...

hahahahaha Vc acredita que até agora, lembrando de algumas cenas, eu me pego rindo?? "MATEM O ZANGÃO!!! MATEM O ZANGÃO"!!!! hahahahaha

Estava olhando no fórum do imdb, as pessoas comentando não apenas dos risos involuntários durante a sessão, como também de vaias..affff...

Fiquei chocada, não sabia que o Neil Labute é o diretor de "Enfermeira Bette", que eu adoro! Minha nossa...que virada na carreira dele..

Romeika said...

Sim, e no fórum da Kate Beahan estavam falando do rosto de botox dela..hahahaha afff bem que tu disse:-p

felipeixe said...

Filme idiota! pense numa lerdereza...

Nam.. Definitivamente nao gostei de nenhum filme com Nicolas Cage esse ano: O Sol de Cada Manhã, Torres Gêmeas e O Sacrifício.

Sacrifício mesmo é assistir a esse filme.. coisa chata. heheh

Kamila said...

Cassiano, realmente, para quem gosta de cinema, a situação está crítica - em todos os sentidos. Os filmes estão cada vez menos interessantes. Depois, vem a indústria e reclama da crise. Também, com filmes como esse, o que eles esperavam?

Romeika, esse filme vai entrar para a história. Frases inesquecíveis ("matem o zangão", dentre outras). E, claro, o botox da Kate Beahan, a Angelina Jolie wannabe. :-)

Felipe, eu gostei de "O Sol de Cada Manhã" e de "Torres Gêmeas". O que me incomoda em Nicolas Cage é só a sua interpretação trivial, pois em todo filme, ele interpreta os seus personagens do mesmo jeito.

Romeika said...

"MATEM O ZANGÃO!!!" hehehehe

Eu gostei muito de "O Sol de Cada Manhã", achei "As Torres Gêmeas" regular, e odiei "O Sacrifício". No fórum do imdb estavam tirando onda, dizendo que ele fez "O Sacrifício" pra comprar mais uma casa...hehehe.. Não entendo o que leva um ator como ele, que tem uma carreira consolidada (eu até gosto dele como ator), entre os outros que estavam no filme, a se meterem sum projeto desses..afff..

Estás animada pra assistir "The Prestige"???

felipeixe said...

Pois é Kamila... ele sempre interpreta da mesma forma... Parece um bobão!

Kamila said...

Romeika, estou animada, sim, para assistir "O Grande Truque". Mas, vou ter que esperar até a próxima semana para assistir, porque amanhã, infelizmente não vai dar.

Esse negócio de decisão de fazer filmes, passa muito por aquilo que a gente estava conversando antes desse filme começar. Como os roteiros chegam nas mãos de determinados atores? Como é esse processo?

Eu, particularmente, acho que o Cage deve ter aceito fazer esse filme por causa do Neil LaBute. Ele é o produtor do filme, e isso mostra que ele acompanhou os diversos estágios de desenvolvimento do mesmo.

Romeika said...

Ahhhh certo...
Eu também tenho curiosidade com este processo todo, mas aceitar fazer um filme desses..affff...

Vc nem disse o que achou das fotos da Natalie na Bazaar..

Museu do Cinema said...

O Nicolas Cage só nos deu uma bela interpretação na vida, e ganhou o Oscar com ela, estou falando do maravilhoso Despedida em Las Vegas

Kamila said...

Cassiano, eu acho que a atuação do Cage em "O Sol de Cada Manhã" foi muito boa. E é claro que ela não chega aos pés do trabalho dele em "Despedida em Las Vegas".