Tuesday, January 09, 2007

Diamante de Sangue (Blood Diamond, 2006)


Numa das cenas mais clássicas da história do cinema, no filme “Os Homens Preferem as Loiras”, do diretor Howard Hawks, Marilyn Monroe entoa os seguintes versos: “um beijo na mão pode ser muito galanteador, mas os diamantes são os melhores amigos das mulheres”. Por muito tempo, essa visão luxuosa e de ostentação a respeito dos diamantes foi o que povoou o imaginário popular. A visão sobre essa pedra preciosa irá mudar quando, no filme “Diamante de Sangue”, do diretor Edward Zwick, formos apresentados ao conceito que dá nome ao filme. Os diamantes de sangue são aquelas pedras que, vendidas às empresas fabricantes de jóias, acabam financiando as guerras nos países africanos sobre as quais nos acostumamos a ver/ler nos noticiários.

Neste sentido, o roteiro do filme, escrito por Charles Leavitt e C. Gaby Mitchell, nos apresenta a três personagens que, apesar das origens diferentes, possuem algo em comum: todos eles farão o que for necessário para conseguir o que querem. Danny Archer (Leonardo diCaprio), um ex-soldado do exército sul-africano, converteu todos os seus conhecimentos sobre armas e táticas de guerrilha para os negócios e se transformou num contrabandista (especialmente de armas e de diamantes). Solomon Vandy (Djimon Hounsou), um pescador, pai de família, viu a aldeia em que vivia ser destruída e sua família ir parar num campo de refugiados; enquanto ele se tornou prisioneiro dos rebeldes e passou a trabalhar em uma mina. Maddy Bowen (Jennifer Connelly), jornalista norte-americana, foi para Serra Leoa atrás de informações para uma matéria que ela está fazendo sobre a relação das grandes indústrias de jóias com os diamantes de sangue.

O destino destes três personagens irá se cruzar quando Solomon encontra uma grande pedra de diamante rosa, a esconde dos rebeldes e vira o alvo deles. Depois de fugir e reencontrar a sua família, Solomon descobre que seu único filho, Dia (Kagiso Kuypers), foi recrutado pelos rebeldes. Dessa maneira, a pedra que ele escondeu se torna uma moeda de troca valiosa pela busca de informações a respeito de seu filho. Para Archer, que deve dinheiro a um parceiro de negócios, a pedra encontrada por Solomon representa não só a sua vida como a oportunidade de sair de vez – e rico – da África. Archer e Solomon, então, estabelecem uma parceria – que, logo, irá evoluir para uma amizade. Em troca de informações para a matéria que está escrevendo, Maddy concorda com as exigências de Archer e disfarça o contrabandista e o pescador como jornalistas para que eles possam transitar com certa facilidade pelo perigoso território de Serra Leoa.

Além da fotografia de Eduardo Serra, um dos elementos mais interessantes de “Diamante de Sangue” foi a maneira pela qual os roteiristas Charles Leavitt e C. Gaby Mitchell construíram os seus personagens. Solomon, Archer e Maddy têm uma essência muito bem definida, e não chegam a ser totalmente mocinhos ou bandidos. Os três são pessoas reais, movidas pelos seus interesses principais. E quando são colocados em situações que chegam perto do seu limite é que eles se permitem revelar as suas verdadeiras personalidades. Nesses momentos, “Diamante de Sangue” atinge o seu ápice.

Edward Zwick dirige seu filme com muita elegância e discrição. Mas, acaba escorregando no final um tanto demagógico. A intenção do diretor ao mostrar que as vozes dos excluídos merecem ser ouvidas, e não ignoradas é muito bonita – mas um tanto irreal. Todos nós sabemos que vivemos num mundo em que os que vivem à margem não têm voz. Isso só acontece quando os acontecimentos se tornam insustentáveis. É triste, mas é fato – e não é um filme que vai mudar isso. “Diamante de Sangue” já tem a sua própria importância ao nos fazer prestar atenção nos diamantes de sangue. Quem consome jóias deve ter consciência de que o produto que ele (a) está comprando não ajuda a financiar guerras que matam pessoas inocentes.

Cotação: 7,5

Crédito Foto: Yahoo! Movies

30 comments:

Wanderley Teixeira said...

Os pontos fortes de Diamante são de fato seus protagonistas.DiCaprio e Hounsou estão muito bem e Connelly está competente e...linda.kkkkkkkkk.De resto passa uma boa mensagem e incentivo para a comunidade de Hollywood no que diz respeito a venda de diamantes...Bem pertinente em tempos de Oscar!

Victor Nassar said...

Olá! primeira vez que passo aque, mas voltarei mais vezes, parabéns pelo blog, gosto muito de cinema também!
Infelizmente ainda não pude ver "diamantes de sangue", assim que der estarei no cinema. Mas eu, particularmente, não tenho muita afeição a história do filme em si...maaaas..só vendo! hehe

Túlio Moreira said...

Kamila,

vou deixar esse filme mesmo para o dvd (problemas $$$$$, hehehehehehe), mas gostei muito da citação de Os Homens Preferem as Loiras dentro da resenha do filme. Acho muito interessante buscar referências em outros filmes ou músicas para analisar um filme.

BJO!

Otavio Almeida said...

Parabéns pelo texto, Kamila! Sua crítica está muito bem escrita. Vc foi mesmo muito feliz com a citação de "Os Homens Preferem as Loiras".

Bjs!

Kamila said...

Wanderley, concordo: o melhor do filme são os três atores principais e os personagens que eles interpretam. Quanto aos diamantes em si: eu estou para ver o dia em que eles perderão a aura de glamour que os rodeia. Mesmo em tempos de Oscar, muitas atrizes irão aparecer com suas jóias no tapete vermelho. Nos resta torcer para que os diamantes que elas ostentam não sejam de sangue e tenham o certificado do protocolo Kimberly.

Túlio e Victor: seja em DVD ou no cinema, não deixem de assistir a este filme, por quê ele é bem interessante.

Túlio e Otávio: obrigada pelos elogios ao texto. Que bom que vocês gostaram.

Museu do Cinema said...

Kamila, não entendi o final do post, os diamantes ajudam ou não a financiar guerras? Como fui o único a falar, devo tá enganado.

Quanto ao filme, que não vi, li alguns comentários sobre a atuação do Di Caprio, qual sua analise?

Kamila said...

Cassiano, os diamantes vendidos pelos países africanos ajudam, sim, a financiar as guerras. Hoje em dia, existe um protocolo Kimberly, que a maioria das empresas de jóias que conhecemos possuem e esse protocolo garante que as pedras que eles vendem não são "de sangue". Mesmo assim, acho que não dá para garantir se, realmente, essas empresas são tão idôneas assim. Depende do consumidor se interessar e saber se o colar, anel, brinco, pulseira que ele está comprando têm diamantes garantidos pelo protocolo Kimberly.

A atuação do DiCaprio é muito boa. Ele compôs seu personagem muito bem. A única coisa que me irritou foi o sotaque dele no filme. Entretanto, se tiver que comparar com a outra atuação dele em 2006, prefiro a de "Os Infiltrados". O trabalho do DiCaprio no filme do Scorsese é mais completo e perfeito.

Museu do Cinema said...

Então Kamila, o final de seu post tá errado!

Kamila said...

Em que parte está errado? Eu digo que os consumidores de jóias devem prestar atenção e comprar produtos que eles saibam que NÃO ajuda a financiar guerras.

Eu acho que a pessoa pode comprar diamantes, desde que eles tenham o tal protocolo Kimberly.

romeika said...

É verdade, Kamila, apesar de ter gostado bastante do filme e inclusive do final hollywoodiano, concordo que o desfecho é mesmo irreal. Duvido muito algo assim acontecer no mundo de verdade... Me lembrei daquela cena de "Hotel Ruanda" quando a personagem do Nick Nolte fala para o Don Cheadle: "You're not even a nigger, you're an african", uma frase denotativa e bem carregada de todo o preconceito e desprezo para com os que vivem à margem do primeiro mundo branco e ocidental.

Museu do Cinema said...

Não entendi assim Kamila, para mim foi uma afirmação de negação.

Kamila said...

Cassiano, a frase para mim não está mal construída. Eu entendi a intenção do texto.

Romeika, no próprio "Diamante de Sangue" tem uma frase parecida com essa de "Hotel Rwanda", quando o Archer olha para o Solomon e diz que "sem mim, você é apenas mais um negro na África".

romeika said...

Eu sei, mas acho que a frase foi bem mais forte no contexto do filme que citei, visto que a personagem do Don Cheadle era um homem instruído e inteligente, e essas qualidades "desaparecem" aos olhos do primeiro mundo ocidental por ele ser africano. E essa frase não saiu da boca de alguém de caráter duvidoso como o Danny, mas do personagem do Nolte, completamente diferente.

Ahh, você viu o post do meu fotolog no dia 07/01? Eu falei justamente sobre a MM, além da Audrey Hepburn. Fui a esse filme com o meu namorado e assim que acabou disparei uma frase e mais outra "Imagina se a Marilyn estivesse viva hoje vendo um filme desses..." Meu deu até vergonha de cantar "Diamonds are a girl's best friend"...

Túlio Moreira said...

É Kamila, com certeza está na lista dos filmes que vou locar em dvd assim que for lançado. Um filme americano de um ponto de vista americano sobre a África não deixa de ser interessante.

BJO!

Kamila said...

Romeika, vi o seu post lá, mas como ainda não tinha assistido ao filme, não comentei. Acho que a Marilyn não sentiria vergonha de cantar “Diamonds are a girl’s best friend” hoje em dia, não. Se a Jennifer Connelly não teve vergonha de ir a todos os eventos de divulgação de “Diamantes de Sangue” portando um vistoso brinco de diamantes, por quê a Marilyn deveria ter vergonha de cantar a sua música? :-)

romeika said...

Haha eu não quis dizer a Marilyn, mas sim as mulheres em geral (eu adoro aquela música). Mas ainda assim, eu estava só brincando... Basta se certificar da origem da jóia e assim não tem problema nenhum. Mas eu não quero nenhuma jóia assim, não. Segundo Audrey Hepburn em "Bonequinha de Luxo", usar diamante é brega na nossa faixa etária. rsrsrsrs...

Kamila said...

Usar diamante pode ser até brega para jovens como nós, mas garanto que todas gostariam de ter - em algum ponto da vida - uma jóia de diamantes. Se você ganhar uma algum dia, pergunte a quem te presenteoou se o diamante tem a garantia do protocolo Kimberly... :-)

romeika said...

Protocolo Kimberly ou nada;-) hehehe
Estréia de sexta: "Filhos da Esperança", oba!!!! Ah, respondi o seu e-mail...

Kamila said...

Já li e respondi o seu e-mail de volta!

Até sábado!

Túlio Moreira said...

Humm... e-mails entre meninas... (é nessa hora que bate aquela grandíssima curiosidade da parte masculina, hehehehehehe)...

Kamila, respondi seus comentários lá no CK, ok?

ótimo fim-de-semana!
bjo!

Rodrigo Mathias said...

Primeiramente vou me apresentar. Meu nome é Rodrigo é sou cinéfilo adoidado...hehehehe...e pela primeira vez venho ao blog de uma cinéfilA. Realmente, seu gosto me parece ser dos melhores! Mas em relação ao filme, eu ainda não assisti, mas me interessou muito a premissa. Se bem que o diretor desse filme não fez um trabalho muito bom no "O Ultimo Samurai" e espero que ele tenha se saido melhor nesse filme ai. Sua critica está super bem escrita, parabéns!
Mas uma coisa que não entendi, você elogiou tanto o filme que eu imaginaria sua nota um pouco maior. Como que você faz a escala de suas notas?

Bem , vou ficando por aqui, mas pretendo voltar mais vezes.

Bjos e se vc puder de uma passadinha em meu blog (em parceria com outro cinéfilo amigo meu).

Kamila said...

Túlio, estou rindo até agora com seu comentário! :-)

Ótimo final de semana para você também!

Beijo!

Kamila said...

Oi, Rodrigo.

A escala das notas, na realidade, segue o esquema seguinte: eu dou mais um conceito ao filme (ótimo, bom, regular). Dependendo desse conceito é que eu dou a nota.

Assista "Diamante de Sangue", pois é uma das boas opções de filmes que temos passando nessa época de férias.

T. Rodrigues said...

Espero muito desse filme. Afinal, Leonardo DiCaprio é ótimo e o trailer também me pareceu muito interessante. Gostei também de ver Dreamgirls como o mais esperado por vc. Esse filme deve ser muito legal mesmo.
Gostei do seu site viu...bem interessante!

Kamila said...

Oi, Tiago. Obrigada pela visita e pelo comentário! Eu estou esperando muito por "Dreamgirls". Por enquanto que o filme não chega, vou me contentando mesmo em escutar a trilha sonora do filme, que é excelente.

felipeixe said...

Gostei deveras do filme apesar de ter assistido na 1ª fila. Vi a hora respingar sangue em cima de mim. Droga... 1ª fila é de lascar.

Bjs!

Kamila said...

Felipe, você voltou a aparecer! Estava com saudades de seus comentários! :-)

Eu odeio assistir filme na primeira fila. A sala estava lotada, era?

felipeixe said...

lotada e meia... nao sei que marmota foi essa... quase sempre q vou ao cinema, no mesmo horário e dia nao tem ninguém. mesmo nas férias. azar mesmo...

bjs e estou retornando tb!

Kamila said...

Foi azar, então. Mas, nas férias, isso sempre acontece, por que as salas de cinema ficam mais cheias.

Beijos.

Anonymous said...

Pode ser que estejamos perante uma mudança de ideias. Os diamantes sempre foram os melhores amigos das mulheres!!! Que mulheres??? Das da Serra Leoa, Angola....Os diamantes servem para que??? Para vertir??? para comer??? para curar uma doença??? não, nada disso!!! Antes de comprarem um diamante, tentem saber a sua origem, sei que é muito dificil, mas se todos lutarem por esta informação acredito que ao longo do tempo alguma coisa mudará.fujam aos diamantes de sangue, busquem pelos diamantes sintéticos e diamantes árticos... Leiam sobre o PROTOCOLO DE KIMBERLY.