Tuesday, February 06, 2007

À Procura da Felicidade (The Pursuit of Happyness, 2006)


“E foi nesta época que eu pensei sobre Thomas Jefferson ao escrever a Declaração da Independência. Ele dizendo que nós temos o direito à vida, à liberdade, e à busca da felicidade. E eu pensei sobre como ele sabia que deveria pôr a palavra ‘busca’ ali, como se ninguém pudesse ter felicidade. Nós só poderíamos buscá-la”. Essa frase, dita por Chris Gardner (Will Smith, indicado ao Oscar 2007 de Melhor Ator), representa toda a essência do filme “À Procura da Felicidade”, do diretor italiano Gabriele Muccino.

O filme, que é inspirado em uma história real, conta a história de Chris, um homem inteligente, talentoso, mas que, devido às circunstâncias de sua vida – o pai ausente era somente uma delas –, teve que amadurecer muito cedo. Ao contrário de seus amigos, Chris saiu direto do colegial para encarar uma carreira militar – uma opção que é muito comum para os jovens que não têm dinheiro para bancar uma faculdade. A carreira na Marinha não foi longa e quando Chris se casou com Linda (Thandie Newton) e o filho Christopher (o estreante Jaden Christopher Syre Smith, filho de Will e Jada Pinkett Smith na vida real) nasceu, ele começou a se aventurar pelo ramo de vendas – mais precisamente de um equipamento médico.

“À Procura da Felicidade” se passa durante os anos 80, na época em que Ronald Reagan assumiu a presidência dos Estados Unidos e o país vivia uma época delicada na sua economia. Chris e sua família passavam pela mesma situação difícil. O salário de Chris e Linda já era todo comprometido com as dívidas que possuíam, a vida conjugal dos dois não existia e o ambiente familiar do casal não era feliz. Chris e Linda se separam e ele é quem fica com a guarda do filho Christopher – para cumprir uma promessa que ele havia feito no momento do nascimento do filho: a de nunca se afastar dele.

Com uma nova realidade e a obrigação cada vez maior de sustentar uma casa e o que sobrou daquilo que um dia foi uma família, Chris decide embarcar num sonho e na sua própria busca por aquilo que todos nós chamamos de felicidade. Ele abandona o ramo de vendas e aposta em uma nova carreira: a de corretor da bolsa de valores (porque todos eles pareciam ser tão felizes). Como nós iremos suspeitar, a trajetória de Chris no programa de estágio (que não oferece bolsa salarial e do qual somente um sairá empregado) não será nada fácil. Mesmo tentando proteger ao máximo o filho Christopher, é ao lado dele que Chris passará pelas maiores dificuldades. Mas, não se preocupem que o final feliz do filme está garantido.

“À Procura da Felicidade” se apóia única e exclusivamente na figura do ator Will Smith. E ele é, sem dúvida, um dos atores mais carismáticos de Hollywood. Não precisava nem dele na tela para fazer com que a gente se identificasse com a inspiradora história de esforço, de perseverança, de superação e de vitória de Chris Gardner. Também não precisava nem o diretor Gabriele Muccino utilizar alguns mecanismos para fazer a gente chorar, pois as lágrimas vêm naturalmente.

A trama do filme em si, que foi criada por Steve Conrad, é uma grande propaganda do sonho americano. Os norte-americanos, como povo, podem sempre estar com sua imagem arranhada; mas os Estados Unidos, como país, vão sempre representar a idéia da terra do progresso e das oportunidades. Histórias como a de Chris Gardner só mostram que o sonho está mais vivo do que nunca. E a maior prova disso é o sucesso que “À Procura da Felicidade” vem obtendo nas diversas partes do mundo e, especialmente, no próprio Estados Unidos.

Cotação: 7,8

Crédito Foto: Yahoo! Movies

30 comments:

Túlio Moreira said...

Como o Otavio escreveu no blog dele, deve ser muito difícil odiar esse filme, já que histórias dramáticas despertam os melhores sentimentos no espectador... Não verei no cinema, mas quem sabe um dia no dvd ou na Globo/SBT. E não duvido nada que o Will Smith segure o filme sozinho, já que é mesmo um grande ator quando bem dirigido.

Beijo Kamila.

Kamila said...

Eu gosto do Will. Ele parece ser um cara muito pé no chão. E esse projeto é algo pessoal para ele, que comprou os direitos do livro, produziu o filme, contratou elenco e diretor. Que bom que as pessoas se interessaram tanto pelo filme quanto ele.

Beijo.

romeika said...

Como eu jah tinha dito na no blog do Otavio, eu nao chorei nesse filme, rsrsrs... E Kamila, sinceramente, eu acho o sonho americano uma furada (vc acredita naquilo?). O "sonho americano" soh existe para os americanos, e mesmo assim, nem pra todos eles (basta lembrar daquelas imagens do povo desabrigado pos furacao-katrina). Isso eh coisa do pos-guerra, que deveria ter morrido no final dos anos 50 mesmo. O "sonho" soh reascendeu mesmo nos anos 80, epoca de ouro dos "yuppies", e auge do capitalismo norte-americano. Trabalho, trabalho, trabalho...E sorte, MUITA sorte. Aih o dinheiro aparece. rsrsrs...

Kamila said...

Romeika, eu chorei assistindo ao filme. :-)

O sonho americano não é uma furada, Romeika. Agora, se engana quem pensa que o sonho vem de mãos beijadas. Como a própria história do filme mostra, o sonho existe, mas só para aqueles que correm atrás das oportunidades, que não ficam parados e que, principalmente, ralam MUITO para conseguir algo na vida.

Essa é a história de muita gente que sai - até hoje - dos seus países de origem e começam como motorista de limosine e, depois, montam a sua própria empresa de transporte. Conheço várias histórias de gente super-qualificada que, ainda hoje, vai para os EUA para trabalhar como pedreiro, por exemplo, porque justamente acredita neste sonho.

E, você se esqueceu de um pequenino detalhe. A história de "À Procura da Felicidade" se passa em que momento? No início dos anos 80, justamente na época em que os yuppies começaram a surgir com seu estilo de vida luxuoso. E no que Chris queria se transformar? Num yuppie, Romeika. Num corretor. E na bolsa de valores foi que ele se tornou um milionário.

A questão que você falou do furacão Katrina não tem nada a ver, na minha opinião. Ali foi uma fatalidade que demonstrou somente a inoperância desse atual governo norte-americano, que só tem uma preocupação na mente: guerras.

Otavio Almeida said...

Kamila, o que acha do "Y" em "Happyness"? Acha que o "Y" significa "Yuppie"?? E o Chris Gardner insiste: "Happiness é com "i", não "y"." Ou seja vc não precisa ter grana pra vencer na vida, basta lutar.

Será que tem a ver com esse sonho americano onde "tudo é possível"? Entendeu onde quero chegar??

Bjs!

Kamila said...

Otávio, acho que o Y em "Happyness" deve significar Yuppie mesmo. Até porque, o próprio Chris justifica a sua escolha pela carreira de corretor pela imagem que ele tem deles como sendo pessoas muito felizes.

Acho que a variação da grafia da palavra tem tudo a ver mesmo com esse negócio de que no sonho americano tudo é possível. Afinal, um cara como Chris, sem estudo, mas com muito talento, garra e força de vontade consegue vencer.

Depois você me diz se eu entendi aonde você queria chegar... :-)

Beijo.

Otavio Almeida said...

É... era bem isso o que eu queria dizer... ;-)

Bjs!

Túlio Moreira said...

Poxa, como meu inglês é bem fraquinho, eu nem tinha percebido esse negócio com o Y, ehhehe...

romeika said...

Eu nao esqueci desse detalhe, nao (soh nao toquei no ponto), eh justamente num yuppie da vida que o Chris Gardner quis e conseguiu se transformar. E continuo cetica com a questao do sonho americano. Mas a afirmacao de que se nos dias de hoje esse existe ou nao eh algo muito subjetivo. Eu ainda acho muito dificil que um mexicano semianalfabeto que cruza a fronteira ilegalmente, sedento por trabalho e por subir na vida consiga atingir o "sonho americano", por mais que ele rale, rale e rale.

romeika said...

Ah, e com relacao ao furacao katrina, me referi a constatacao da quantidade de gente pobre que existe na abencoada terra das oportunidades... Aquelas imagens ateh hj me lembram um pais da Africa em plena guerra civil.

Kamila said...

Romeika, nós é que pensamos que, nos EUA, não existem pessoas pobres. Existe, sim, e muitas. Me lembro que, na época da pesquisa para a monografia da UnP, Danyella nos trouxe uns dados que nos deixaram chocados. A gente até viu um programa do A&E que só focava nisso: em pessoas pobres, que dependiam de um seguro desemprego para viver ou de abrigos para poder comer direito.

Museu do Cinema said...

Muito bom o filme, mas discordo da teoria do Otávio, acho que o mais importante, e a mensagem do filme é essa, é que o dinheiro não compra felicidade, mas então porque ele ser o milionário que é hoje? Sou um pouco crítico em relação a ganância norte-americana pelo dinheiro. O filme é bom pela luta de uma pessoa sob todas as circunstâncias negativas em sua vida e só.

O y foi colocado propositadamente pelo próprio Chris depois de ver escrito assim por um mendigo.

Otavio Almeida said...

Que teoria, Cassiano?

Sobre o que eu disse? "Sabendo disso, podemos até dizer que dinheiro não traz felicidade, mas graças ao carisma de Will Smith, ao belo roteiro de Steve Conrad e a direção de Muccino somos levados a crer que ninguém merece mais uma boa grana do que esse Chris Gardner. É o poder do cinema."

É isso?? Eu não quis dizer que o dinheiro traz felicidade, mas seguia um sonho e continuava em frente por causa do filho (seu único apoio). Acho só que o filme faz a gente entrar na história e nós somos levados a torcer por ele... Entendeu? No caso do Chris Gardner, realmente ele ficou rico... e a partir do mommento em que ele conseguiu o emprego, a vida dele mudou... os caras eram cheios da grana, vai... mas entendo sua observação pq ele vendeu a empresa dele em 2006 e ficou milionário. Não é isso? Será que viraria filme se ele não ficasse milionário? Mas é um belo filme sobre a busca de um sonho e de um pai apaixonado por seu filho.

Abs!

Kamila said...

Eu li uma crítica de um jornalista que defende que o filme seria muito melhor se Chris continuasse pobre...

Eu também acho que o filme mostra que o dinheiro não traz felicidade. Até porque o que o Chris queria era somente sobreviver, eu não acho que ele tenha optado pela carreira de corretor visando a grana que ganharia, e sim a felicidade que ele iria alcançar por ter uma carreira sólida.

Museu do Cinema said...

Penso como a Kamila Otávio, e não foi o fato dele ter vendido uma parte da sua empresa como diz o filme. Se você conhecer melhor a vida real dele verá que ele é uma especie de Donald Trump negro. Alias no site dele tem uma foto dele com o Trump.

O filme é bom por mostrar que lutando todos podem conseguir uma oportunidade na vida, e só.

Minha discordância de vc é pelo Y...que foi por causa de um mendigo. Essa era a sua teoria. Portanto a história do yuppie não tem nada a ver, pelo contrário, ele sempre quis ser um e conseguiu.

Otavio Almeida said...

Ah sim... ok. Entendi. mas vcs entenderam que eu não acho que o filme diz que... dinheiro traz felicidade. Né?

Abs!

PS: Vi BORAT ontem e quase me engasguei e tanto rir...

Kamila said...

Otávio, parece que se "engasgar de tanto rir" é uma reação comum naqueles que assistem "Borat". Você sabe qual a data de estréia do filme aqui no Brasil?

romeika said...

"Borat" jah estah em cartaz na Dinamarca, mas nao aqui em Randers, pra variar. Talvez em Arhus, mas como queria assistir outros filmes nem me liguei ainda se estah passando por aqui. Deve ser bem engracado:)

Kamila, eh realmente chocante o numero de pessoas pobres nos EUA. Lembra quando o sonho americano (na concepcao do pos-guerra), era soh uma casinha com uma cerca branca, um carro na garagem, um bom emprego pro papai e filhinhos bem alimentados? Acho que grande parcela dos que tentam viver esse sonho querem somente algo assim, um "pedaço" desse sonho. Mas para os desbravadores que cruzam a fronteira e para muitos que nasceram no pais, o que sobra eh o "pesadelo americano" rsrsrs.. Soh quis tocar mais nesse pontinho..

Ah, sobre a mensagem do filme, acho que sao duas: a "subliminar" (pro-capitalista e que diz que dinheiro eh tudo, e pode ateh trazer felicidade), e a mensagem de teor familiar, de um pai que faria de tudo pelo amor incondicional ao seu filho (ao meu ver, a mensagem que mais importa, e a que me fez gostar do filme, e o que farah o publico medio se encantar pela historia, mas isso jah foi discutido aqui e em outros lugares..:)

Otavio Almeida said...

Oi Kamila!

Parece que só dia 23 de fevereiro.

Bjs,

Victor Nassar said...

Também não vi ainda "A procura da Felicidade"..mas pelo seu texto ae deve ser mesmo um filme muito emocionante!
Toda esse busca pela felicidade, pelo bem estar de vida, superando os limites que temos, os obstáculos que aparecem no nosso caminho, tudo isso na tela sempre vai desperpertar na gente uma emoção...de que toda a superação do personagem possa ser levada com a gente pra nossa vida daquele momento em diante!
Realmente...o não tem como não gostar de filme assim...heehe
Espero que goste quando for assistir!..heehhe


Beju!

Kamila said...

Victor, é impossível não gostar de "À Procura da Felicidade".

Romeika, a casa com cerquinha branca era só uma das imagens do sonho americano. Mas, continuo afirmando que, nos dias atuais, as pessoas acreditam no sonho e naquela visão de que os EUA são a terra perfeita para oferecer oportunidades de riqueza para aqueles que gostam de trabalhar muito.

Otávio, obrigada pela informação da data de estréia de "Borat".

Museu do Cinema said...

Não Otávio, eu só falei sobre a teoria do Y.

Túlio Moreira said...

À Procura da Felycidade...

Leonardo Pereira said...

Oi Kamila, também adorei o filme. Muito bem dirigido e atuado. So acho que as vezes o roteiro apela um pouco exageradamente pro drama, mas nada que estrague o filme que continua sendo brilhante. O will smith consegue sustentar seu personagem de uma maneira incrivel. Já a Thandie Newton. Nossa, como uma atriz pode oscilar tanto. Ótima em Crash, mas péssima em A Procura da Felicidade. Muito caricata, naum gostei. Mas o filme eh de uma sentimentalidade enorme.

Beijo!!!

Túlio Moreira said...

Pô, Kamila, todo mundo tá quase me convencendo a assistir esse filme nos cinemas, hehehehehehe...

Ah, Romeika, se você ler esse scrap, respondi o seu recado lá no CK, ok?

Beijos para as duas!

Roberto Queiroz said...

Esperava um filme excessivamente melodramático, no entanto acabei queimando a língua. A procura da Felicidade é um filme muito bem cuidado e de direção feliz (aqui devo meus parabéns ao trabalho de Gabriele Muccino). Esse é o segundo trabalho de verdade do ator Will Smith (o primeiro foi Ali, de Michael Mann). Espero que agora o ator entenda que interpretar não é somente fazer caras e bocas na tela. Às vezes o que o público deseja é mais emoção.

(http://claque-te.blogspot.com): Vôo United 93, de Paul Greengrass.

romeika said...

Kamila, adivinha o que eu vou assistir na quarta-feira...
a pre-estreia de "The Painted Veil";)

Tulio, jah vi e respondi o seu recado tb!

beijos a todos!

Kamila said...

Romeika, você só tem me feito inveja ultimamente! :-)

Vi umas cenas de "The Painted Veil" no You Tube e, se isso era possível, estou cada vez mais enamorada de Edward Norton. Acho que ele nunca esteve tão lindo como nesse filme. Quem diria que eu veria algum dia Edward Norton como um galã! Naomi Watts é burra. Se eu fosse ela, tinha saído das gravações namorando o Edward, e não o Liev Schreiber! ;-)

Bom final de semana!

Kamila said...

Túlio, você irá assistir a este filme nos cinemas. Tenho certeza! :-)

Leonardo, não acho a Thandie Newton uma atriz irregular. Acho até que ela está bem no pouco que lhe foi dado neste filme. Agora, fazer "Norbit" acho que é o grande erro recente de sua carreira.

Roberto, concordo que, em "À Procura da Felicidade", é o segundo trabalho relevante de Will Smith como ator. É incrível como ele sempre se dá bem interpretando personagens reais. Qual será o próximo?

Beijos e bom final de semana!

grazielakazuma said...

Esta eu na wikipédia e por acaso cheguei a página de Solarys que também tem o i transformado em Y e aí está a sua esplicação:

Solarys não é um termo geral nem uma aliteração do termo solaris mas uma influência benéfica das alterações literais visando numerologicamente obter uma influência positiva deo termo SOL, a estrela que fornece calor e vida ao planeta terra, uma palavra com 7 letras, número cabalístico e a letra "y" no lugar da letra "i" uma vez que na numerologia pitagórica "y" é um número 8 que fornece sucesso e poder a esta palavra. Assim sendo, Solaris deveria ser escrito em qualquer idioma com a letra "y" ao invés da letra "i" pois concede mais energia e poder àqueles que a utilizam.


Achei que isso também seria uma explicação para Happyness estava procurando no google sobre o por que da mudança ressolvi colocar aqui também. O que acham?