Saturday, June 23, 2007

Treze Homens e um Novo Segredo (Ocean's Thirteen, 2007)

Nos anos 50, um grupo formado por Frank Sinatra, Dean Martin, Sammy Davis Jr., Joey Bishop e Peter Lawford ficou conhecido como o “Rat Pack” e, com seus filmes e shows, passaram a ser os maiores embaixadores de um estilo de vida que conhecemos como “bon-vivant” – aquele que aprecia o luxo, a diversão, os amores, ou seja, aquilo que eles consideram como os maiores prazeres da vida. Os rapazes tinham como sede a cidade de Las Vegas, a qual é quase um sinônimo de tudo aquilo em que eles acreditavam – com os seus cassinos, hotéis luxuosos e a possibilidade concreta de se fazer ou de se arruinar em meio a tanta pompa e ostentação.

No começo desta década, George Clooney resolveu fazer a sua própria versão do “Rat Pack” e convidou alguns dos astros mais importantes do cinema atual, como Brad Pitt e Matt Damon, para fazer uma série de filmes “caça-níqueis”, cujo sucesso os permite financiar aqueles projetos mais pessoais e, digamos, artísticos. Como se não bastasse a reunião de três grandes estrelas, Clooney ainda convenceu seu parceiro na Section Eight, o diretor Steven Soderbergh (um dos poucos atualmente a ter pleno domínio do seu ofício), para dar a aura cool e desinteressada que a série tanto pretendia ter.

Assim como aconteceu com o Rat Pack, Clooney e seus amigos também adotaram a Cidade do Pecado como sede de seus filmes (com exceção da continuação “Doze Homens e um Outro Segredo”). “Treze Homens e um Novo Segredo” tem a mesma estrutura dos outros filmes. Entre um assalto e outro, cada um dos membros dos “Onze de Ocean” vive sua própria vida, fazendo seus golpes sozinhos. Aqui, eles se reúnem por causa do infarto que quase mata Reuben (Elliott Gould). Acontece que ele estava fazendo negócios com Willy Bank (Al Pacino), superpoderoso do ramo hoteleiro, e que passou a perna no inocente golpista. Para defenderem a honra de Reuben, Danny Ocean (Clooney), Rusty Ryan (Pitt) e Linus (Damon) reúnem a turma, mais uma vez, para aplicar um golpe milionário no dia da inauguração do hotel de Bank.

Um detalhe chama logo a atenção dos cinéfilos em “Treze Homens e um Novo Segredo”. O diretor Steven Soderbergh e os roteiristas Brian Koppelman e David Levien colocam o foco no planejamento e na execução do assalto perfeito, deixando de lado as tramas paralelas que envolviam especialmente Danny Ocean e Rusty Ryan com as mulheres que entravam em suas vidas. Neste sentido, o roteiro dá a oportunidade para que cada um dos membros dos “Onze de Ocean” brilhe. Ao mesmo tempo, ao fragmentar a trama em demasiado, Soderbergh e os dois roteiristas meio que tiram o foco em muitos momentos daquilo que realmente importa: acompanhar a capacidade de improvisação, de criatividade e raciocínio rápido que estes rapazes têm para justamente bolar o plano perfeito e saírem ricos e despreocupados para tocarem as suas vidas.

“Treze Homens e um Novo Segredo” carrega com maestria o fardo dos outros dois filmes. Como entretenimento, é uma peça de primeira. No entanto, o mais importante – e que está refletido em excesso na grande tela – é o fato de que os atores que fazem o filme continuam se divertindo bastante ao brincarem de ladrões. Enquanto George Clooney, Brad Pitt, Matt Damon, Don Cheadle, Elliott Gould, Andy Garcia, Casey Affleck, entre outros, encararem os filmes da série como uma bela maneira para fazer algo despretensioso entre seus projetos pessoais, os filmes sobre os “Onze de Ocean” continuarão a funcionar.

Cotação: 8,0

Crédito Foto: Yahoo! Movies

22 comments:

Otavio Almeida said...

Oi Kamila!

Não gostei do filme. Ao menos, é melhor do que o segundo, que é terrível. Só o primeiro é divertido. Entretenimento de primeira. Ou seja, era assunto só para um filme.

Eu não consegui...

Bjs!

Otavio Almeida said...

Ah! Esqueci um ponto: Cinema é magia! Ela tem que se comunicar com quem está do lado de cá da tela. E não somente com o contrário. A definição para entretenimento não é "Não se levar a sério".

E o filme de 2001 tinha magia de sobra.

Bjs!

Kamila said...

Otávio, me permita discordar de você. Eu acho que este filme entretém, sim. Acho que é divertido, não se leva a sério e não tem aquelas gags que incomodaram no segundo filme - que, realmente, é terrível.

Beijo.

Wanderley Teixeira said...

O q torna essa série diferente de outras séries hollywoodianas,q tiveram uma baixa na qualidade este ano,é justamente o fato de naum ser pretenciosa nem se fiar completamente no sucesso dos filmes anteriores.

Alex Gonçalves said...

"Onze Homens e Um Segredo" é um filme de roubo competente, enquanto "Doze Homens e Outro Segredo" já se desdobra como elegante filme de boas sacadas. Mas falta algo especial em ambos os filmes para eles serem marcantes, para que ultrapassem a barreira do bom passatempo de grandes estrelas. Espero apagar essa sensação de vazio com "Treze Homens e um Novo Segredo".

Johnny Strangelove said...

não vou negar, espero que seja melhor do que o segundo, que foi até que mal executado ...
enquanto no ano dos 3 ... esse se sobressaiu da carcaça ...
abraços

Otavio Almeida said...

Permito, Kamila! Mas só pq é vc! O que seria do azul se todos gostassem do vermelho, não? É assim o ditado?

Bjs!

Otavio Almeida said...

Mas não me abandone por isso!

Museu do Cinema said...

Cool!

Ainda não vi o filme, mas acho um barato essa brincadeira!

Kamila said...

Wanderley, concordo plenamente com seu comentário.

Alex, eu acho que o primeiro filme da série ultrapassa essa barreira que você falou, do filme que só quer ser mesmo um passatempo para as estrelas.

Otávio, não irei lhe abandonar por isso. :-)

Cassiano, eu também acho um barato essa brincadeira dos Onze de Clooney.

Alex Gonçalves said...

Kamila, mesmo que bacana, "Onze Homens e Um Secredo" é um filme difícil de se guardar na memória. Mesmo assim, vou ver este terceiro e vou correr atrás do filme original com Frank Sinatra.

Kamila said...

Alex, eu não conheço o filme original com Frank Sinatra e o antigo Rat Pack, mas dizem que a nova versão com Clooney e sua turma é bem melhor.

Museu do Cinema said...

Eu acho que esse tipo de filme não é para se guardar na memoria, a intenção não é essa, pelo contrário, é para entrar no cinema e relaxar, se divertir!

Cinema também é isso! Hollywood é que exagera um pouco e mistura entretenimento com porcaria.

Otavio Almeida said...

Kamila, deixando filmes descartáveis de lado, que nem valem uma grande discussão... vi ontem VIDAS AMARGAS, no TCM. Acho que foi o último do James Dean, não tenho certeza. É do Elia Kazan... vc viu? Que filme maravilhoso! Bonito do início ao fim. Estou deprimido com o cinema de hoje... Vou ao médico!

Bjs!

Kamila said...

Cassiano, concordo pleanamente com você.

Otávio, já assisti a "Vidas Amargas". Gosto muito do cinema do Elia Kazan e, particularmente, deste filme em que o James Dean está ótimo interpretando o filho amargurado que só quer o amor do pai. É lindo mesmo e simplesmente emocionante. :-)

Beijos.

Otavio Almeida said...

Pois é... e só pra constar: não acho o Wes Anderson um gênio só pq gostei de OS EXCÊNTRICOS TENENBAUMS. Se ele é gênio, eu sou medíocre.

E o STEVE ZISSOU é ruim, é?

Bjs!

Kamila said...

Eu não acho o Wes Anderson um gênio. E nem você é medíocre. :-)

"A Vida Aquática com Steve Zissou" é uma das piores enrolações cinematográficas de todos os tempos. Acho que o filme é sobre nada... Terrível.

Felipe Nobrega said...

Oi! bacana seu blog, não o conhecia, encontrei ele pelo blog do Marcus Vinicius, "Caminho Noturno". Continuarei visitando seu espaço!
abraço!

Otavio Almeida said...

Hahahhahaha... sim! Ele entra naquele nosso papo dos "falsos gênios atuais".

Mas é que achei a premissa desse novo filme interessante. Doida, sabe? Mas vc falou bem. Eu tb nunca vi um filme dele no cinema...

Bjs!

Kamila said...

Obrigada pela visita, Felipe!

Otávio, era isso que eu iria te dizer. Ele cabe no nosso papo dos "falsos gênios atuais", daqueles que se levam a sério demais... :-)

Beijo.

Vinícius P. said...

Vi o filme agora há pouco e até que gostei. Não foi tão bom quanto eu esperava (até por fechar a trilogia), mas me diverti em alguns momentos. O melhor mesmo é o Al Pacino, em seu melhor papel em anos. A produção técnica também é de primeira linha, com destaque para a fotografia e direção de arte (notável para filmes contemporâneos). Apesar de gostar da série, espero que o Soderbergh se dedique a projetos independentes a partir de agora.

Kamila said...

Vinícius, o Al Pacino com seu lado canastrão foi um dos melhores elementos do filme, ao lado da fotografia, edição e direção de arte (que me impressionou bastante).

O Soderbergh sempre se dedica aos projetos independentes. Ele faz justamente filmes como esse para financiar tais projetos.