Saturday, August 11, 2007

Primo Basílio (2007)

“O Primo Basílio”, livro do escritor português Eça de Queiroz que foi lançado em 1878, faz uma pequena análise da típica família de classe média, que vivia nas grandes cidades. Para a adaptação cinematográfica dirigida por Daniel Filho e escrita por Euclydes Marinho e Rafael Dragaud, a ação da trama sai de Lisboa e vai para São Paulo, no ano de 1958, logo após o Brasil ter ganhado o seu primeiro título mundial no futebol e o anúncio da construção de Brasília, pelo então presidente Juscelino Kubitscheck.

A primeira seqüência do filme acontece no teatro, enquanto Luísa (Débora Falabella), seu marido Jorge (Reynaldo Gianecchini) e seu amigo Sebastião (Guilherme Fontes) estão assistindo a uma ópera. Num dos intervalos da apresentação, Luísa – que sempre parece estar em busca de alguém – reencontra o seu primo Basílio (Fábio Assunção), que voltou ao Brasil a trabalho depois de anos vivendo na Europa. No passado, ainda antes de conhecer Jorge, Luísa e Basílio mantiveram um romance.

Luísa tem uma vida sem muitas surpresas. Tem uma casa confortável, comandada por duas empregadas – Joana (Zezeh Barbosa) e Juliana (Gloria Pires) –, um marido amoroso e compreensível. Os momentos mais emocionantes de seus dias acontecem quando ela recebe a visita da amiga Leonor (Simone Spoladore), uma mulher casada como Luísa, mas que se diverte com vários amantes. A volta de Basílio traz novamente para Luísa um pouco daquela sensação de novo – mesmo que o novo, neste caso, seja representado por alguém do passado e com quem suas relações ainda estão mal resolvidas.

Um romance entre Luísa e Basílio começa a ser inevitável, ainda mais depois que o engenheiro Jorge é convocado por Lúcio Costa (um dos responsáveis pela construção de Brasília ao lado de Oscar Niemeyer) para trabalhar na edificação da nova capital do Brasil. Sozinha e carente, é com o primo que ela vai passar esses dias livres e “sem marido”. As coisas fogem do controle de Luísa quando Juliana encontra as cartas de amor trocadas pelos dois e começa a chantagear a sua patroa, com o objetivo de garantir a sua aposentadoria.

“Primo Basílio” é uma aula de como não se fazer um filme. A película é uma série de erros após o outro. A começar, o roteiro de Euclydes Marinho e Rafael Dragaud é muito ruim. A escalação do elenco foi péssima – Débora Falabella que começa tão bem como Luísa, se perde a partir do momento em que sua personagem fica nervosa demais com o jogo de chantagem de Juliana; Reynaldo Gianecchini irrita com seu sotaque; Fábio Assunção é a apatia em pessoa. A direção de Daniel Filho não tem nada de especial. A trilha criada por Guto Graça Mello irrita. Do desastre só se salva mesmo Gloria Pires e sua grande atuação como Juliana.

Cotação: 1,0

Crédito Foto: Yahoo! Cinema

10 comments:

Otavio Almeida said...

Deus me livre desse mal! Xô, Daniel Filho!

Johnny Strangelove said...

Kamila ... esse filme nem quero ver de graça ...
Globo Filmes, Daniel Filho ... tó fora mesmo ...

Vinícius P. said...

Puxa, nunca imaginei que esse filme era tão ruim. É claro que basta olhar em sua equipe para perceber isso: Daniel Filho quase sempre só faz porcarias; Gianecchini e Assunção nunca me convenceram; e Guilherme Fontes, bem, esse nem comento...

Devo vê-lo pela Falabella e pela Glória Pires. Ainda não chegou aqui...

Abraço!

Romeika said...

Nossa, realmente tinha cara de bomba, mas não imaginava que seria pra tanto! Sinto pena pelas duas atrizes, desperdiçadas num projeto desses. Será que elas são "obrigadas" por contrato a fazer um filme assim? Afff...

Gustavo said...

Kamila, é corajosa de ver esse filme hein. Como conseguem dinheiro pra financiar uma coisa dessas?

E o Daniel Filho ainda cita Truffaut como uma de suas inpsirações... o grande mestre francês deve estar se revirando no túmulo.

Alex Gonçalves said...

Hum, creio que eu seja um dos únicos que não viu o filme e que acredita que deve ser uma boa opção. Porém, antes de tudo, gostaria de ler o livro para depois conferir como ficou a adaptação. Descobri o livro recentemente no acervo da minha irmã e começarei a ler nesta semana.

Kamila said...

Otávio!!!!! Tô me acabando de rir com seu comentário. Acho que o Daniel Filho, depois desse filme, vai se juntar ao Moacyr Góes na "qualidade" de suas obras.

João, eu juro que me arrependi de assistir a este filme. Acho que teria sido mais negócio ir assistir "Sem Reservas".

Vinícius, eu só fui assistir "Primo Basílio" por causa da Debora Falabella, que eu acho uma boa atriz. Confesso que me entusiasmei também com as boas reações para a atuação de Gloria Pires. E é justamente esta última que faz o filme valer a pena.

Romeika, a Globo Filmes é uma porção "independente" da Rede Globo. Mas, claro que só fazem os filmes de lá, os atores da emissora. Acho que a Debora e a Gloria fizeram o filme, pois já tinham trabalhado antes com o Daniel e, talvez, confiam no diretor.

Gustavo, pior que eu não fui a única corajosa. Na sessão que eu fui, tinha até muita gente.

Alex, eu acho que o livro deve ser melhor do que o filme, neste caso em particular.

Boa semana para todos!

Wanderley Teixeira said...

Gloria Pires e Simone Spoladore.Acho q o grande erro dessa versão cinematografica da obra foi justamente ignorar o espírito do Eça de Queirós,muito mais do que as gafes da técnica,direção e elenco.Ah!A apatia de Assunção como Basílio é perceptível visto que todo o narcisismo e a postura esnobe do persoangem é esquecida.Péssimo,só naum perde na pessima qualidade para o anterior do diretor Se eu fosse vc.

Kamila said...

Eu gosto de "Se Eu Fosse Você". Acho divertido. E o Daniel está trabalhando atualmente na continuação deste filme.

O elenco dessa adaptação, tirando mesmo a Gloria Pires é terrível.

IEEL said...

Desculpe discordar de vocês, mas assisti ao filme e gostei..