Tuesday, August 14, 2007

Quebra de Confiança (Breach, 2007)

O diretor Billy Ray tem se especializado num determinado gênero: o de relato de histórias reais de pessoas que viviam na mentira. No seu primeiro filme, o ótimo “O Preço de uma Verdade” (2003), Ray falava sobre Stephen Glass, um jornalista que, nos anos 90, trabalhava na revista “The New Republic”, aonde cometeu o crime de fraude jornalística – ao redigir matérias que eram fruto de sua fértil imaginação. O segundo filme do diretor, “Quebra de Confiança”, vai um pouco além desse tema e fala sobre Robert Hanssen, agente do FBI que também era um espião da União Soviética e foi o responsável pelo maior crime de vazamento de informações da história do Bureau.

A trama do filme – que foi escrita por Billy Ray, Adam Mazer e William Rotko – apresenta a história sob o ponto de vista de Eric O’Neill (Ryan Phillippe), um jovem funcionário do FBI, responsável pelo monitoramento de pessoas que são suspeitas de cometer atos de terrorismo. Eric alimenta o sonho de se tornar um agente e, ao receber um chamado de Kate Burroughs (Laura Linney), para uma misteriosa missão, ele vê a oportunidade perfeita para mostrar serviço e conseguir aquilo que quer.

Aparentemente, o caso que Eric tem que investigar é bem simples. Um agente experiente do FBI chamado Robert Hanssen (Chris Cooper) é acusado de manter uma conduta imprópria no trabalho (leia-se, mandar arquivos pornográficos). O que Kate Burroughs precisa é de uma prova dessa conduta, que pode manchar um pouco a imagem do FBI. Com o tempo, Eric percebe que o caso é mais sério do que ele pensava e é a partir desse momento que Kate revela para ele as verdadeiras suspeitas em cima de Hanssen: um agente com mais de 25 anos de serviço no Bureau, mas que é o responsável pelo vazamento de informações que causaram a morte de diversas fontes dos EUA na Rússia, bem como atrapalharam as relações diplomáticas entre o país e alguns de seus aliados.

“Quebra de Confiança”, assim como o filme anterior de Billy Ray, mostra até que ponto a mentira vai consumindo uma pessoa a ponto de ela não saber mais quem ela é. Trabalhar no caso Hanssen transforma Eric numa pessoa vulnerável. Ele lida com sentimentos contraditórios – a admiração que sente por Hanssen e a repulsa por aquilo que ele fez. Além disso, Eric tem uma visão de como seria sua vida se ele realmente se transformasse num agente – ele colocaria seu casamento em risco ao ter que, obrigatoriamente, manter segredos da esposa Juliana (Caroline Dhavernas).

E é justamente ao mostrar – num pano de fundo – o conflito entre o lado público e o lado privado dessas pessoas que, diariamente, convivem com a responsabilidade tremenda de manter a segurança de um país como os EUA que “Quebra de Confiança” atinge um de seus pontos altos. O filme ratifica uma imagem que é muito passada por este atual governo norte-americano: a de que o risco pode estar presente aonde você menos imagina (Hanssen era um católico fervoroso, um avô amado pelos netinhos). Billy Ray faz um filme que chega a ser bem próximo da perfeição, com um roteiro muito bem escrito, com atuações inspiradas (especialmente da dupla Ryan Phillippe e Chris Cooper) e um desfecho intenso.

Cotação: 9,5

Crédito Foto: Yahoo! Movies

12 comments:

Museu do Cinema said...

Por duas oportunidade perdi de ver esse filme.

Roberto Queiroz said...

Filmaço! Fiquei com a sensação que se tivesse um George Clooney, um Brad Pitt ou um Tom Cruise no elenco teria sido exorbitantemente divulgado nos cinemas (quicá cotado para premiações). No entanto, por se tratar de dois atores sem tanto apelo comercial, já viu! exibição em poucas salas (pelo menos aqui no RJ). O que não tira em nada o brilho do roteiro.

(http://claque-te.blogspot.com): Pulp Fiction, de Quentin Tarantino.

Outros Blogs:

(http://fotovoyeur.zip.net)
(http://houseagency.blogspot.com): Clonagem

Kamila said...

Cassiano, não deixe passar a terceira oportunidade de ver este filme.

Roberto, seu pensamento tem fundamento. O filme teve zero divulgação no Brasil, o que é uma pena. O roteiro e as atuações são maravilhosas. O Chris Cooper dá um show de atuação, digna de uma indicação ao Oscar.

Otavio Almeida said...

UAU! Quero muito ver esse filme... ainda não deu tempo... mas preciso conferir.

Bjs!

Kamila said...

Otávio, arranja um tempinho para conferir este filme, porque vale muito a pena.

Beijos.

Vinícius P. said...

Hehehe. Acabei de comentar esse filme, mas nem tinha visto seu post ainda. Nem leia o meu, pois em comparação ao seu está fraquíssimo ;-) Na verdade só 'comentei' o filme, não queria deixar passar em branco, pois sem dúvida "Quebra de Confiança" é excelente em muitos aspectos.

Gostei muito do Phillippe, me surpreendeu completamente.

Abraço!

Gustavo said...

Filme surpreendentemente bom. Não acho que seja muito um filme sobre espionagem e tal, já que o diretor já mostra o destino do Hansen logo no começo. Ray tá muito mais interessado em mostrar o conflito que o personagem do Philippe tem com o do Cooper, aquele misto de admiração e ao mesmo tempo culpa por ter que denunciar um cara daqueles.

Muito bom.

Ramon Scheidemantel said...

Valeu pela dica.
Belo post Kamila.
Com certeza assistirei.

Kamila said...

Vinícius, seu texto está ótimo, deixa de besteira. Acho que o Phillippe dá sua melhor atuação no cinema neste filme.

Gustavo, concordo plenamente com você. "Quebra de Confiança" é um filme sobre o conflito do personagem do Phillippe: ser ou não agente, admirar o Hanssen e não gostar do que ele fez.

Ramon, obrigada pelo comentário.

Wally said...

Achei um estupendo filme. Grandes atuações, direção focada e um roteiro que decide resgatar a psicologia dos personagens ao invés de explorar o tema de forma sensacional ou banal, algo corajoso e louvável.

Nota 8,0

Kamila said...

Wally, concordo plenamente com seu comentário.

JEAN PITER INZAGHI said...

A cada sinópse me sinto mais interessado neste filme!

Vai ser domingo!