Wednesday, September 26, 2007

Inesquecível (2007)

A fotografia tem muito em comum com o cinema. Nas duas formas de arte, além da captura de um instante, temos a possibilidade da imortalidade, afinal a imagem nunca morre. No entanto, para o fotógrafo Guilherme Quiroga (Caco Ciocler), uma fotografia tem o poder de revelar os segredos das pessoas. Assim que termina o ensaio fotográfico com a bela estilista Laura Monteiro (Guilhermina Guinle, fazendo a sua estréia no cinema), na cidade de Buenos Aires, Guilherme chega à conclusão de que ela não tem segredos. No entanto, ao voltar para o Rio de Janeiro, em busca de Laura, Guilherme descobre que o segredo dela era muito pior do que ele imaginava: ela acabara de se casar com o ator Diego Borges (Murilo Benício), o melhor amigo dele.

A trama do filme “Inesquecível”, do diretor Paulo Sérgio de Almeida, acompanha os desdobramentos da descoberta desse segredo de Laura. Mais precisamente, o filme coloca o foco na paranóia que se desenvolve na mente dos três personagens – em especial na de Diego, um homem de personalidade passional e possessiva –, em que a descoberta da infidelidade marca o início de uma jornada de muita dor e desespero, aonde a felicidade não encontra espaço para existir.

Neste sentido, o diretor Paulo Sérgio de Almeida enche “Inesquecível” de elementos que remetem à infidelidade. A ótima fotografia adota os tons escuros para mostrar a obscuridade da jornada em que Guilherme, Laura e Diego acabaram de embarcar. A trilha sonora tem clara influência do tango argentino, um ritmo que é mais um duelo sedutor entre um par de dançarinos. Além disso, o filme utiliza o recurso da metalinguagem, uma vez que Diego está desenvolvendo um filme (cuja projeção para a platéia consiste numa parte importante para o entendimento do segundo ato de “Inesquecível”) cujo tema principal é a traição amorosa.

“Inesquecível” é um filme que tem uma produção bastante sofisticada e uma direção que não compromete por parte de Paulo Sérgio de Almeida. No entanto, o filme sofre com grandes problemas. Os maiores deles se encontram no roteiro e no elenco. O roteiro – que foi baseado no conto “O Espectro”, do autor Horácio Quiroga – é cheio de furos e, a partir do segundo ato do filme, cai num melodrama que parece não ter fim. Já o elenco do filme está péssimo. Murilo Benício, um dos atores mais superestimados da atualidade no Brasil, está completamente inexpressivo na pele de Diego Borges. Falta a Guilhermina Guinle uma maior experiência para retratar todas as nuances de sua personagem, Laura Monteiro. O único que ainda mostra alguma coisa é Caco Ciocler, mas nem ele consegue se salvar do desastre que “Inesquecível” começa a se transformar, a partir do segundo ato de sua história.

Cotação: 0,5

Inesquecível (Inesquecível,
Brasil, 2007)
Diretor(es):
Paulo Sérgio de Almeida
Roteirista(s): Marcos Bernstein
Elenco: Murilo Benício, Caco Ciocler, Guilhermina Guinle, Fernanda Machado, Gustavo Rodrigues, Marcos França, Marly Bueno, Nildo Parente, Roberto Frota, Thiago Oliveira, Helder Agostini, Tião d'Ávila, Alexandre Dantas

13 comments:

Museu do Cinema said...

Olha, vi o trailer desse filme duas vezes, mas não me atraiu nem um pouco, agora então...

Kamila said...

Cassiano, o trailer do filme engana bastante. Eu fui pensando que iria assistir a um bom thriller, mas o resultado é decepcionante.

Marcus Vinícius said...

Um filme onde o Murilo tá bem é 'O Homem do Ano', aliás um bom filme, porque no resto ele é uma naba.

Kamila said...

Marcus, eu não gosto muito do Murilo Benício, porque, na minha opinião, ele interpreta os seus personagens sempre do mesmo jeito. Gosto de "O Homem do Ano", mas não acho que seja uma atuação marcante do Benício.

Vinícius P. said...

Tenho muito, muito medo desse filme! Dizem que ele é inesquecível mesmo, afinal poucas vezes se viu algo tão ruim no cinema nacional. Se ao menos você gostasse, acho que veria no DVD, mas depois dessa crítica esqueci dessa idéia ;-)

Ah, e até que gosto do Murilo, sabe? Contudo, ele tem alguns péssimos momentos tanto no cinema como na TV.

Abraço!

Johnny Strangelove said...

Nos ultimos 5 anos aprendemos uma coisa ... filme da Globo Filmes é sinonimo de bosta! ... e com esse filme não foge a regra ...
o cinema nacional só ira tomar vôos altos se o monopolio acabar ...

uma pena mesmo ...

Kamila said...

Vinícius, "Inesquecível" é um filme muito ruim mesmo. Péssimo. E não sou muito fã do Murilo.

João, nem todos filmes produzidos pela Globo Filmes são uma bosta.

Ramon Scheidemantel said...

Kamila... gostei do termo que usasse para salvar o diretor do spoiler: "não compromete". hehe!
Uma outra expressão que uso, parecida com essa, é "uma direção correta". Se bem que parece um pouco melhor ser correto do que não comprometer. hehe!
Acho que o teu diretor é melhor que o meu. hehe!

Penso que o Murilo Benício não esteja superestimado no quesito artístico, mas sim no comercial. Depois de Os Matadores e O Homem do Ano ele não fez nada que presta.

Kamila said...

Ramon, eu adoro a expressão "não compromete". Acho que já é bem direta. "uma direção correta" é um modo diferente de dizer isso. :-)

E, de novo, eu não gosto do Murilo Benício.

Wanderley Teixeira said...

Admito que naum dei uma nota tão baixa ao filme.Ao contrário de vc, Kamila, gostei bastante do elenco do filme principalmente da Guilhermina Guinle e do Murilo Benício, já nem tanto do Caco Ciocler.Acho q além da metalinguagem que vc citou há tb a q diz respeito ao estilo de filmes q o personaegm do Benício protagonizava, toda a narrativa de Inesquecível segue o mesmo tom.Tem essas falhas de ritmo mesmo e o roteiro de fato naum é dos melhores, mas acredito q passa na média.

Kamila said...

Wanderley, como meu texto deixa subentendido, achei "Inesquecível" um filme muito abaixo da média. O roteiro é sofrível e as atuações também.

Renata Lima said...

Concordo principalmente no que tange à atuação de Benício. Superestimado é pouco; o cara é canastrão MESMO! As cenas do "filme dentro do filme" estão sofríveis, aqueles closes no personagem Diego olhando para Laura e Guilherme são constrangedores! Gosto da Guilhermina como atriz, e acho que ela se saiu bem sim, mas com uma direção pífia daquelas não poderia ser melhor... Já o Caco foi uma decepção, sempre achei que ele fosse o tipo do ator que não conseguisse fazer um papel ficar ruim (haja vista o também péssimo Avassaladoras, onde só ele se salva). A Globo Filmes tem um problema seríssimo na produção de seus filmes, porque a influência da linguagem televisiva é gritante! Não dá pra filmar um diálogo tenso (como entre Diego e Guilherme) no cinema em plano e contraplano; não é a novela das 8! Se tem uma coisa boa no filme é a fotografia. E só.

Christiana Jobim said...

A culpa não foi dos clichés, da má atuação (o que eu já esperava) e do péssimo roteiro, a culpa foi minha de ter assitido ao filme até o final. Talvez eu estivesse me sentido culpada de algo e quisesse me punir. São duas horas da minha vida que nunca terei de volta. Não me conformei, vim procurar na internet o mesmo tipo de opinião que a minha. Tiro e queda. Queda feia.