Friday, October 05, 2007

Six Feet Under - "Everyone's Waiting"

PS: Atenção para spoilers.

Existem certas séries que marcam um determinado período. “Six Feet Under” é uma delas. Quando estreou na programação da HBO, em 2002, o seriado era só uma das provas da ascensão que o canal teve naquela época, como sinônimo de qualidade – as outras foram “Sex and the City”, “The Sopranos” e “The Wire” – e que se converteram em elogios da crítica e reconhecimento da indústria.

A segunda marca que o seriado deixou foi a confirmação do brilhantismo de Alan Ball, roteirista do premiado filme “Beleza Americana” e criador de “Six Feet Under”. Se no filme, Ball abordava – de maneira irônica – o American Way of Life; no seriado, ele se aproxima de um tema mórbido, como a morte – mas utiliza o falecimento das pessoas como mote principal para falar sobre a vida.

“Six Feet Under” acompanha o dia-a-dia da família Fisher, que é dona de uma funerária. O seriado começa com a morte de Nathaniel (Richard Jenkins), o pai, e mostra de que maneira o falecimento dele vai afetar a vida de todos os Fisher. A esposa, Ruth (a excelente Frances Conroy, vencedora do Globo de Ouro e do SAG Awards de Melhor Atriz em uma Série Dramática pelo seu trabalho na série), vai começar a experimentar uma série de coisas novas. O filho mais velho, Nate (Peter Krause), tem que abandonar toda a sua vida e suas aspirações para assumir – totalmente a contragosto – o papel do pai. O filho do meio, David (Michael C. Hall, cuja primeira temporada de sua nova série, "Dexter", acabou de ir ao ar no canal FOX), começa a não querer viver na mentira e assume a sua homossexualidade para toda a família. Ao mesmo tempo, a série trata da trajetória errante e, muitas vezes, autodestrutiva de Claire (a maravilhosa Lauren Ambrose), a filha mais nova dos Fisher – uma jovem que irá se envolver com drogas, em relacionamentos extenuantes do ponto de vista emocional e em experiências típicas de jovens que estão querendo se encontrar.

A quinta – e última – temporada de “Six Feet Under” tem como tema principal o acerto de contas. Nate – que agora está casado com Brenda (a atriz australiana Rachel Griffiths, que foi indicada ao Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante por sua performance em “Hilary & Jackie”) – se vê chegando aos 40 anos e não realizando metade do que gostaria de ter feito na vida. Aos poucos, ele vai abandonando o dia-a-dia na funerária dos Fisher e vai em busca daquilo que ele quer.

David vive uma boa fase no relacionamento com Keith Charles (Mathew St. Patrick) e, com ele, se prepara para dar um grande passo: ter um filho.

Ruth se vê diante da doença de seu segundo marido, George Sibley (James Cromwell), mas ela - em um primeiro momento - não vai querer se sentir presa a isso - afinal, já havia ficado presa durante muito tempo durante o casamento com Nathaniel. Ela sabe que viver é muito mais importante.

Já Claire, após abandonar a faculdade de Artes Plásticas, enfrenta uma crise no relacionamento com a mãe – que não quer que ela perca as oportunidades e termine como ela – e se depara com duas perguntas que todos nós enfrentamos em algum momento de nossas vidas: quem sou eu? O que eu quero ser?

No belíssimo series finale de “Six Feet Under”, “Everyone’s Waiting” (que rendeu duas indicações ao Emmy 2006 para o roteirista e diretor Alan Ball), a família Fisher ainda está lidando com o grande choque da quinta temporada: a morte de Nate (que acontece no episódio “Ecotone”). Mais do que o falecimento de Nathaniel, foi a precoce e abrupta partida de Nate o grande golpe sofrido pelos Fisher, que, literalmente, perdem o chão. Ruth perde seu grande parceiro. David, a figura paterna. Claire, o irmão que ela mal conhecia e tinha tanto para mostrar para ela.

Assim como acontecia com os – muitos – mortos com os quais os Fisher lidaram nas cinco temporadas de “Six Feet Under”, o espectro de Nate se fará presente na vida de sua família, como se ele fosse uma testemunha de tudo aquilo que eles estão pensando e fazendo. Em “Everyone’s Waiting”, ele se relaciona especialmente com Claire, que recebe a oportunidade de uma vida toda: uma proposta de trabalho em Nova York. Com medo do novo (quem diria que Claire teria medo do desconhecido) e de deixar a sua família para trás, ela enfraquece. Nate, que sabe como a vivência longe de casa lhe foi benéfica, entra em ação e a “encoraja” a embarcar nesta nova viagem. E é ao som da linda canção “Breathe Me”, da cantora Sia, que Claire se aventura; e, enquanto “Six Feet Under” vive os seus momentos finais, somos nós que temos o filme da vida dos Fisher diante dos nossos olhos – naquela que é a seqüência mais bela de um episódio final de um seriado de TV. Impossível não se emocionar.



É justamente “Everyone’s Waiting”, o episódio que o Warner Channel transmite na noite deste domingo, dia 07 de Outubro, a partir das 22hs. Uma oportunidade única de vivenciar novamente uma das horas dramáticas mais brilhantes da história recente da TV norte-americana, bem como um dos melhores series finale de todos os tempos – simplesmente porque nos mostra a continuidade da vida. “Six Feet Under” não poderia terminar de outra maneira.

“Six Feet Under”
Onde: Warner Channel
Quando: Domingos, às 22hs.
Elenco: Peter Krause, Frances Conroy, Michael C. Hall, Lauren Ambrose, Rachel Griffiths, James Cromwell, Freddy Rodriguez, Justina Machado, Mathew St. Patrick.

“Everyone’s Waiting”
Episódio escrito e dirigido por Alan Ball

22 comments:

Museu do Cinema said...

As séries de Tv tem sido as coisas mais criativa dos norte-americanos nos últimos tempos.

Vinícius P. said...

Infelizmente só vi a primeira temporada dessa maravilhosa série, mesmo com as constantes recomendações do Matheus. Dizem que esse episódio é brilhante mesmo, dos melhores da TV americana. Estou parado na segunda temporada (talvez pela quantidade de séries que vejo), mas pretendo continuar quando tiver mais tempo livre - quem sabe nas férias!

Abraço!

Kamila said...

Cassiano, eu digo sem receio que nenhum filme que eu assisti me tocou da maneira que "Six Feet Under" me marcou. A série mudou qualquer concepção que eu tinha sobre a vida e me fez repensar até mesmo o medo que eu tinha em relação à morte.

Vinícius, como eu disse ao Cassiano, eu amo "Six Feet Under". Tive o prazer de acompanhar as cinco temporadas e faço coro com as recomendações do Matheus: assista às outras temporadas. A quinta, no geral, não é a melhor de todas, mas os 4 últimos episódios são simplesmente brilhantes e inesquecíveis.

Bom final de semana para vocês!

Museu do Cinema said...

É Kamila, eu penso assim, mas em relação a Sopranos.

Wally - Cine Vita said...

Brilhante serie da qual só tive a oportunidade de ver as duas primeiras temporadas. Assim que eu puder, irei atrás das outras, pois adoro cada segundo.

Ciao.

Arthur said...

Ta aí mais uma série que precisava ver... mas vou ver o tão comentado final da série domingo!

Bom Fim de Semana!

Arthur said...

http://arthurbelotto.blogspot.com

Otavio Almeida said...

Eu nunca vi SIX FEET UNDER, mas não duvido do petencial da série. A TV norte-americana anda mesmo melhor (ou mais criativa) do que o cinema.

Bjs! Bom final de semana!

Otavio Almeida said...

Eu quis dizer "potencial". ;-)

Kamila said...

Cassiano, "The Sopranos" faz parte justamente desse momento de mudança da TV do qual "Six Feet Under" participou. As duas séries são fantásticas mesmo.

Wally, não deixe de ir atrás das outras temporadas de "Six Feet Under".

Arthur, assista ao episódio e depois passe aqui para dizer o que acha.

Otavio, concordo com o que você e o Cassiano disseram: a tevê norte-americana está bem mais criativa do que o cinema. Não é à toa que tem atraído grande número de atores, diretores e roteiristas talentosos.

Bom final de semana!

Matheus Pannebecker said...

Amei o post... Amanhã também publicarei uma resenha sobre o episódio final da série em meu blog. Comecei a conferir Six Feet Under pela recomendação de um amigo, e simplesmente me apaixonei. Pra falar a verdade, acho que parte de toda essa minha adoração é devido a verossimilhança do perfeito elenco, que é o melhor que uma série dramática já conseguiu reunir. Em especial o feminino, que realmente consegue me emocionar e arrepiar.

Amo todas as temporadas, mas a que menos gosto é a quarta, que achei clichê e forçada demais. Essa quinta é a minha favorita, onde os personagens são obrigados a tomar passos maiores na vida, ou seja, os mais decisivos. Gosto muito do modo como Claire foi bem aproveitada, como Frances Conroy surpreendeu completamente em seus momentos dramáticos, como Peter Krause se ajustou perfeitamente no papel e aí por diante. Caí em lágrimas no último episódio, que apesar de não ser o meu favorito (gosto mais de All Alone), conseguiu me deixar com um nó na garganta. Sentirei saudades dessa família que simplesmente mudou o modo da televisão quando o assunto é "fazer dramaturgia".
Injustamente ignorado no Emmy pela quinta temporada, especialmente em Atriz.

Museu do Cinema said...

Vou dar uma conferida a mais em Six...vc me convenceu Kamila.

Kamila said...

Matheus, o elenco de "Six Feet Under" é perfeito mesmo. A gente acredita que todos eles são membros de uma mesma família. Também sou maior fã do elenco feminino. Frances Conroy e Lauren Ambrose e suas Ruth e Claire são as minhas personagens favoritas do seriado.

Também gosto de todas as temporadas, mas a minha favorita é a segunda. E adoro a terceira, mesmo com muita gente torcendo o nariz para a Lisa. Não gosto muito da quinta temporada em si. Mas, o que eu mais gostei nela foi ver o Nate despertando para a vida, a Claire crescendo e se encontrando, a Ruth definindo certas coisas em sua vida e o David constituindo família.

Este season finale me desmorona toda vez que o assisto. Choro demais. Me lembro que, quando assisti ao episódio pela primeira vez, fiquei meia hora após o término dele chorando copiosamente. Parecia que tinha perdido alguém de minha família. :-)

Na realidade, como eu disse ao Vinícius, os quatro últimos episódios dessa quinta temporada de "6FU" me emocionam demais. Ver a morte do Nate, o sofrimento do David e o final do seriado em si foram demais para mim.

Depois, deixa aqui o endereço do seu blog para que eu possa visitar e ler seu post sobre "Everyone's Waiting".

Kamila said...

Cassiano, então, se você tem o Warner Channel, amanhã é uma ótima oportunidade para conferir o seriado. Você vai pegar justamente um dos melhores momentos dele - mesmo sendo o final de tudo.

Eu, infelizmente, vou ter que deixar "Everyone's Waiting" gravando para poder conferir depois, porque, no mesmo horário, vai estar passando "Big Love", na HBO. E esse seriado, eu também não posso perder. :-)

Matheus Pannebecker said...

www.cinema2007.wordpress.com

Museu do Cinema said...

Não Kamila, não caiu mais nessa de pegar seriado pelo meio, por mais independente q seja os episodios, sempre fica faltando algo e quebra o clima. Mas não se preocupe, vou alugar o dvd e vê-lo do inicio.

Museu do Cinema said...

E voltaremos ao assunto para discutir mais.

Kamila said...

Cassiano, você é como eu, então. Eu odeio pegar seriados no meio. Se não assisto desde o início, prefiro nem acompanhar mais.

De qualquer maneira, aguardo seus comentários sobre "Six Feet Under".

Alex Gonçalves said...

Continuo totalmente por fora dos seriados. Vou procurar o DVD das primeiras temporadas da série quando tirar férias no fim do ano.

Museu do Cinema said...

Com certeza Kamila, não dá para acompanhar seriado da metade. Não consigo nunca acompanhar Familia Soprano, por isso não vi nenhum episodio da última temporada e vou esperar o box dos dvds, e ai assisto devagar...

Gustavo said...

Poxa Kamila, vc podia ter avisado quanto a spoilers né!

Six Feet Under é uma série que eu quero MUITO ver, mas to esperando algumas que eu to acompanhando acabarem pra que eu consiga acompanhar essa criação do Alan Ball.

Kamila said...

Alex, recomendo mesmo "Six Feet Under", a minha série favorita de todos os tempos.

Cassiano, você está mais do que certo em querer acompanhar tudo bem direitinho.

Gustavo, mil perdões. Mas, acho que o que eu coloquei aqui não é nada desconhecido, porque essa última temporada e suas surpresas já são bem conhecidas.