Wednesday, February 20, 2008

O Som do Coração (August Rush, 2007)

A trilha sonora, em um filme, pode ser um suporte do que estamos vendo em tela; às vezes, ela preenche um silêncio ou representa os sentimentos de cada personagem. Na obra “O Som do Coração”, da diretora Kristen Sheridan (filha de Jim Sheridan, com quem co-escreveu – ao lado da irmã Naomi – o belíssimo “Terra de Sonhos”), a música é o elemento em comum entre os três personagens principais do roteiro de Nick Castle e James V. Hart (com base na história de Paul Castro e Nick Castle).

O prólogo do filme se passa em um lar para garotos, aonde mora Evan Taylor (Freddie Highmore), que foi abandonado pelos pais. O garoto tem uma sensibilidade musical bastante aguçada e acredita piamente que, ao seguir os sons que fazem parte do seu dia-a-dia, ele reencontrará aqueles que lhe deram a vida. Após essa pequena contextualização, voltamos onze anos no tempo, mais precisamente para a noite em que os pais de Evan – Lyla Novacek (Keri Russell) e Louis Connelly (Jonathan Rhys Meyers) – se conheceram.

Lyla Novacek é um prodígio do instrumento de violoncelo. Toca com o pai, Thomas (William Sadler), que possui grandes planos para ela. Já Louis toca guitarra numa banda de irlandeses, não possui tanta ambição assim, mas tem um grande talento. Os dois irão se conhecer se forma mágica na Washington Square, em Nova York. Para não entregar muitos detalhes da trama, o importante é saber que estes três personagens vão seguir caminhos distintos, mas, de alguma forma, após 11 anos, começarão uma busca que eles não sabem, mas os levará ao encontro que é o clímax de “O Som do Coração”.

Um filme com diálogos cafonas, que quer manipular as nossas emoções e com um final previsível. É incrível, mas, mesmo com isso, “O Som do Coração” conseguiu atrair um bom elenco (além de Freddie Highmore, Keri Russell e Jonathan Rhys Meyers, temos Robin Williams e Terrence Howard em papéis de destaque). Talvez, a razão por trás disso seja o fato de que o filme possui um diferencial: coração. Mesmo sendo uma obra que transborda emoção, é difícil perdoar o elemento mais fraco de "O Som do Coração": o roteiro – que, em alguns momentos, chega a lembrar uma novela mexicana de tanto drama.

Cotação: 7,2

O Som do Coração (August Rush, EUA, 2007)
Diretor(es): Kirsten Sheridan
Roteirista(s): Nick Castle, James V. Hart, Paul Castro
Elenco: Freddie Highmore, Keri Russell, Jonathan Rhys Meyers, Terrence Howard, Robin Williams, William Sadler, Marian Seldes, Leon G. Thomas III, Mykelti Williamson, Aaron Staton, Alex O'Loughlin, Jamia Simone Nash, Ronald Guttman, Bonnie McKee, Michael Drayer

16 comments:

Pedro Henrique said...

"Novela mexicana", tem cara mesmo. Acho que esperarei o DVD então.

Abraço!!!

Otavio Almeida said...

Não sei... mas não aguento mais ver o Freddie Highmore. Tadinho. Mas é verdade...

Bjs!

Matheus Pannebecker said...

De tanto que vi esse trailer nos cinemas, fiquei com trauma :P
Freddie Highmore precisa se livrar desses papéis de "coitadinho". Em parte é por causa disso que não tenho a mínima vontade de ver O Som do Coração.

Kamila said...

Pedro, chega uma hora que é tanta desgraça junta que a gente se cansa... :-)

Otavio, por quê? O Freddie é tão talentoso e ele está super bem nesse filme.

Matheus, o próximo papel do Freddie não tem nada de "coitadinho", já que ele é o herói de "As Crônicas de Spiderwick".

Weiner said...

A maior curiosidade que tenho a respeito deste filme, é sobre trabalho do elenco. Gosto de todos os atores que fazem parte, menos de Robin Williams, um monstro do cinema que nunca deixou de ser estimado em demasia. Não vejo graça em suas atuações. Mas, se o roteiro peca tanto no excesso de drama, eu vou acabar dispensando. Comparável à uma novela mexicana? Putz, fim de carreira. :-)

Museu do Cinema said...

É Kamila, eu fico por dentro desses filmes aqui no seu blog, confesso que não me interessam mais, mas é sempre bom conhecê-los.

Ramon Scheidemantel said...

Nossa, mãe!
Eu já senti que o filme é sobre amor e tal, tudo meio piegas. Mas diálgos cafonas, de novela mexicana, é fogo!
Obrigado pelo aviso.

Kamila, e a música, tem chance de levar o Oscar?

Daniell said...

Até certo ponto dá pra levar tranquilo o melodrama do filme, mas desse ponto pra lá chega a ser meio insuportável. Eu torci muito pra esse filme acabar logo, pra eu poder sair do cinema rápido. E você tem toda razão os diálogos são cafonérrimos. Também não gostei de Freddie Highmore nesse filme, e gosto muito dele em todos os outros que ele fez. Sei lá, ele é bonitinho como um ratinho, mas nesse filme ficou meio constrangedor, acho que ele força a barra e não entra muito no personagem. Ele abusa um pouco da sua fragilidade.

Kamila said...

Weiner, por incrível que pareça, eu gosto do Robin Williams como ator em filmes dramáticos. E meu sonho é vê-lo apresentando uma cerimônia do Oscar.

Cassiano, é aquela velha situação: enquanto vocês ficam com o filé mignon ("Sangue Negro", "Onde os Fracos Não Têm Vez"), a gente fica com essas carnes de gato. :-)

Ramon, a música é até bonitinha, mas eu acho que o Oscar vai para "Falling Slowly" ou "That's How You Know".

Daniell, é isso mesmo. Eu aguentei o melodrama até o personagem do Robin Williams confrontar o do Freddie Highmore. E eu gostei do Freddie no filme. Acho que ele é um ótimo ator.

Vinícius P. said...

Tenho dois interesses nesse filme: o elenco (gosto muito do Highmore, do Rhys Meyers e da Keri Russell) e a canção indicada ao Oscar - gosto de ver todos os indicados, ainda que já tenha escutado essa música. Seus comentários confirmam aquilo que já esperava e não vejo tanto motivo para vê-lo no cinema - quem sabe em DVD...

Abraço!

Vulgo Dudu said...

Há fimes que são assim mesmo: diálogos cafonas, desfecho previsível... e ainda assim nos encantamos. Isso é cinema!

Bjs.

Romeika said...

Kamila, realmente eh incrivel quando um filme que tem um roteiro fragil e que tenta manipular a emocao do expectador acaba nos tocando de alguma forma ao fim. Olha, nao sabia que o Jim Sheridan tinha um filha que era diretora! Sera que ela se baseia em experiencias pessoais/de familia, como o pai, pra escrever?

Otavio Almeida said...

Ele é super talentoso sim. Mas parece que não existe outro bom ator com a idade dele, né...

Bjs!

Kamila said...

Vinícius, o melhor mesmo é deixar "O Som do Coração" para o DVD.

Dudu, foi isso que aconteceu comigo. Apesar desses elementos, o filme meio que me conquistou - mesmo com todo o dramalhão.

Romeika, não sei se a Kristen se espelha em experiências pessoais para fazer seus filmes. Esta estréia dela é bem leve. Acho que ela vai mostrar mesmo quem é como diretora em seu próximo filme.

Otavio, da idade do Highmore, eu gosto do Josh Hutcherson, que fez "Ponte Para Terabítia".

Beijos.

Wally said...

Adoro Highmore. Ele me emocionou em Em Busca da Terra do Nunca. O único ator que até hoje conseguiu superar Johnny Depp em uma cena. Mas enfim...verei o filme por ele e pelo elenco.

Ciao!

Kamila said...

Wally, se você gosta do Highmore vai adorar a performance dele neste filme.