Wednesday, January 11, 2006

A Passagem (Stay, 2005)



É incrível como em, num único ano, um diretor pode ir de um extremo a outro com o seu trabalho. Foi exatamente isso que aconteceu com o diretor Marc Forster no ano de 2005. No início do ano passado, estreava no Brasil “Em Busca da Terra do Nunca”, uma verdadeira fábula sobre um escritor (James Barrie) que reencontra a sua inspiração ao entrar em contato com uma família que igualmente precisava de um toque a mais nas suas vidas. Já na virada para o ano de 2006, estreou no Brasil o último trabalho de Forster: “A Passagem”, um filme denso e difícil, que trata basicamente da luta de um homem para fazer com que outro não desista de sua vida.

Em “A Passagem”, o ator escocês Ewan McGregor interpreta o psicólogo Sam Foster, que trabalha em uma universidade de Nova York. Ao cobrir a folga de uma colega, acaba conhecendo Henry Letham (o excelente Ryan Gosling), um aluno da escola de artes. Henry é um jovem completamente problemático, que não gosta de seguir regras pré-estabelecidas e que tem um estilo de vida muito diferente do da maioria dos jovens. O estudante se isola do mundo e não deixa que Foster penetre na sua mente. A falta de um contato mais aberto entre médico e paciente fará com que Sam se desespere quando Henry confessa ao psicólogo os seus planos de cometer suicídio.

Sem saber como ajudar Henry, Sam parte em uma misteriosa e intrigante jornada em busca da verdadeira personalidade de Henry. Jornada esta que ressuscitará alguns dos medos mais internos do psicólogo – todos eles relacionados à namorada dele, a professora de arte Lila (Naomi Watts), que já tentou o suicídio. Sam trata Lila, às vezes, como uma paciente, por isso continua a receitar remédios controlados para a namorada. A falta de confiança de Sam em Lila faz com que ele não tenha coragem de pedi-la em casamento – uma vez que ele não sabe se a namorada está se sentindo bem de verdade.

O elemento mais importante de “A Passagem” não é a boa direção de Marc Forster nem o seu excelente elenco. O ponto chave do filme é o roteiro de David Benioff (autor também dos filmes “A Última Noite”, que foi baseado em um de seus livros, e do épico “Tróia”), o qual exige uma atenção redobrada dos membros da platéia. Assim como Henry e Sam, que têm problemas para distinguir o que é real do que não é, a platéia também ficará no escuro durante todo o filme. Só nos momentos finais de “A Passagem” é que a verdade será revelada; e, mesmo assim, de uma maneira que não é satisfatória.

1 comment:

Pedro Henrique said...

Nada satisfatória.

Abraço!!!