Wednesday, July 04, 2007

Notas Sobre um Escândalo (Notes on a Scandal, 2006)

Em 1997, os Estados Unidos se viram no meio de um caso escandaloso. Uma professora chamada Mary Kay Letourneau foi acusada de ter mantido um relacionamento sexual com seu estudante de apenas 13 anos e condenada a passar sete anos na prisão. A escritora Zoe Heller – talvez, inspirada por este caso – lançou o livro “Anotações Sobre um Escândalo”, em 2003. O filme “Notas Sobre um Escândalo”, do diretor Richard Eyre, adapta justamente esta obra.

O mais interessante no livro de Zoe Heller e na adaptação do roteirista Patrick Marber, é que o olhar da história não vem da professora-provocante, e sim da testemunha ocular de todos os acontecimentos. Barbara Covett (Dame Judi Dench, que foi indicada ao Oscar 2007 de Melhor Atriz pela sua performance neste filme) é uma senhora de meia-idade e que já não tem muita paciência para todo o processo de ensino-aprendizagem. Barbara é um peixe fora d’água nos ambientes em que vive, não só por causa da sua idade, como também – e principalmente – em decorrência da sua personalidade difícil e introvertida. Ela é um objeto tão intrigante, que pouco ficaremos sabendo sobre sua intimidade – fica implícito que Barbara é lésbica e nunca teve um momento íntimo, seja com um homem ou uma mulher.

A rotina da vida pessoal e profissional de Barbara irá virar de ponta-cabeça quando Sheba Hart (Cate Blanchett, que foi indicada ao Oscar 2007 de Melhor Atriz Coadjuvante pela sua performance neste filme), a nova professora de arte do colégio, aparece. Sheba tem vivacidade, magnetismo, uma beleza peculiar e a vontade de mudar o sistema, de ser especial para os seus alunos e de ensiná-los algo que seja útil para a vida deles.

A obsessão é uma preocupação constante, uma idéia fixa. Sheba vira a constante na vida de Barbara, que idealiza o relacionamento que existe entre as duas. A mentira e a traição podem ser os piores remédios para a obsessão, mas, na trama de “Notas Sobre um Escândalo”, elas têm o efeito contrário, pois, quando Barbara descobre que Sheba estava tendo um caso com o jovem aluno Steven Connolly (Andrew Simpson), ela se sente aliviada, pois, finalmente, poderá ter Sheba por completo em suas mãos. O alívio se transforma em raiva quando ela percebe que Sheba não compartilha do seu ideal de amor e de vida. Machucá-la vai se tornar a nova fixação de Barbara – pelo menos até que uma paixão substituta surja na sua frente.

“Notas Sobre um Escândalo” é um filme que trabalha com maestria os três elementos que fazem diferença em uma película: o roteiro, a direção e a atuação. Em 92 minutos, o diretor Richard Eyre e o roteirista Patrick Marber contam uma história cuja paixão e fervor transcendem a tela por causa das excelentes atuações do trio central de atores: Dame Judi Dench, Cate Blanchett e Bill Nighy (que interpreta o marido de Sheba), que dão um verdadeiro show.

Cotação: 9,3

Crédito Foto: Yahoo! Movies

15 comments:

Romeika said...

Muito bom esse filme! O embate entre Judi Dench e Cate Blanchett sao os pontos altos da pelicula. Chego ateh a dizer que essa foi a melhor interpretacao da carreira da Judi Dench. E Blanchett? Maravilhosa! Aquela cena em que ela sai da casa da "amiga", com a maquiagem borrada, a mente atordoada e enfrenta os fotografos-urubus eh o climax!

Museu do Cinema said...

Bela foto para ilustrar Kamila, ainda não vi esse filme, mas tenho muita vontade, ainda mais depois de ler seu post.

Vinícius P. said...

Realmente é um ótimo filme, Kamila. O melhor é o roteiro excepcional do Patrick Marber, com diálogos memoráveis (o confronto entre as protagonistas é uma das melhores cenas do ano). Não gostei muito da Blanchett, acho que o único momento que ela está bem é justamente no clímax, portanto é a mais fraca do trio principal. A Judi está maravilhosa, na melhor atuação de sua carreira (e olha que não sou muito fã dela). Gostei muito da trilha também.

Abraço!

Roberto Queiroz said...

Estou querendo ver, mas ando sendo injustiçado nas locadoras (o filme cisma em fugir de mim) como fui no cinema (aqui no RJ só puseram em cinemas de difícil acesso para mim. Um crime! Perder a chance de ver um embate de Judi Dench e Cate Blanchett na tela grande. Mas eu pego ele... Ah, se pego!

(http://claque-te.blogspot.com): Magnólia, de Paul Thomas Anderson.

Kamila said...

Romeika e Vinícius, concordo com os dois. Acho que a Judi Dench fez a melhor atuação de sua carreira neste filme e a Blanchett está tão bem que eu cheguei a questionar o Oscar dado para a Jennifer Hudson.

E, com certeza, a cena em que Barbara e Sheba se enfrentam é uma aula de atuação, de direção e de roteiro.

Cassiano e Roberto, não percam este filme. Ele é muito bom. Um ótimo filme, no meio das péssimas opções de meio de ano das salas de cinema.

Otavio Almeida said...

Ah, que inveja! Ainda não vi... perdi no cinema. E tentei alugar ontem, mas não tinha nenhum na locadora.

Mas bela crítica! Me deixou com ainda mais vontade.

Bjs!

Kamila said...

Obrigada, Otávio. Não deixe de perder "Notas Sobre um Escândalo" porque é um filmaço mesmo. :-)

Beijos.

Marcus Vinícius said...

Bah, estou com ele baixado aqui, mas ainda não pude ver. Essa dupla Judi e Cate deve ser algo mesmo, to bem ansioso pra vê-las em ação.

Bjo!

Kamila said...

Assista, Marcus. Você vai adorar o filme.

Beijo.

Otavio Almeida said...

Olha, Kamilinha. Eu aluguei o DVD neste final de semana e gostei. Mas não daria quatro estrelas. Daria 3. E por causa das atrizes. Me incomodou um pouco as soluções para "punir" a personagem de Cate Blanchett.

Acho que o filme desandou um pouquinho depois da cena (ótima) da Judi Dench pedindo consolo no ombro de Cate após a morte de sua gatinha. E detestei a cena final tipo: "Ela atacará novamente". E o que foi aquela cena da Cate gritando "HERE I AM" na frente dos jornalistas? Achei que ia dar em algo, mas... nada. Apenas voltaram para dentro de casa. E a música ininterrupta e deslocada do Philip Glass me irritou. É bonita, mas... Enfim, destaco as atuações à frente de qualquer outra qualidade ou defeito deste filme.

E seu texto está ótimo. Mas acho que o roteiro beira a excelência somente na parte dos diálogos. Mais do que pela trama (por problemas que citei acima). As falas da Judi Dench sobre sua visão dos acontecimentos são assustadoras. Não vi muita coisa na direção... e as atrizes não precisam de direção. Elas precisam é de... espaço. Ou tempo em cena. Por exemplo: não é que Judi Dench esteja mal nos filmes de 007. Ela só não tem tempo para brilhar. ;-)

Enfim, gostei. Mas esperava bem mais.

Bjs!

PS: 2 a 1 para o Uruguai hj, hein!

Kamila said...

Otávio, por quê as soluções para "punir" a personagem da Cate te incomodaram?

Depois da cena da morte da gatinha, o filme realmente dá uma virada: Judi vira meio que o carrasco psicótico da personagem da Cate. E, pensando bem, a cena do confronto da Cate com os jornalistas fica meio solta. Ela dá aquele grito, e só.

Eu continuo achando que, nos três elementos (direção, roteiro e atuação), o filme é muito bom. E acho que, para brilhar, uma atriz precisa da combinação de três coisas: um bom roteiro, um bom diretor e, claro, espaço para que ela possa desenvolver seu trabalho - de preferência - com uma ótima parceira de cena. :-)

Beijos.

PS: Eu também estou sentindo uma vitória do Uruguai para mais tarde... Esse negócio de jogar com 4 volantes no meio-de-campo não me agrada.

Otavio Almeida said...

Acho que foi meio moralista e previsível essa "punição". E realmente acho isso sobre a cena do grito na fente dos jornalistas.

Eu acho que um bom diretor também está naquele sujeito que simplesmente dá espaço para suas atrizes (no caso deste filme). Se Cate Blanchett e Judi Dench têm um bom roteiro nas mãos e o diretor diz "ACTION", o que mais ele pode fazer? Acho que elas foram maiores do que o filme.

Bjs!

E errei sobre Brasil X Uruguai. Mas passei perto.

Kamila said...

Você passou pertíssimo do placar. Otávio, pelo amor de Deus, de onde surgiu aquele Fernando, que eu nunca vi na minha vida??? Que jogador tosco e bronco. O Dunga é doido de convocá-lo.

Bom, eu acho que o final tem que ser moralista mesmo. Mas, bem que eles poderiam ter aproveitado o que aconteceu na vida real com a professora dos EUA, que foi condenada, mas teve seu final feliz, pois casou com o aluno com quem ela teve o caso.

Beijos.

Otavio Almeida said...

Hmm... essa parte eu não sabia. Sobre ela ter se casado com o garoto.

Bjs!

Wally said...

Excelente filme, que além de possuir um duelo de atrizes fenomenal (ainda com destaque para Bill Nighy), promove uma leitura impressionante sobre obsessão. Bem dirigido, muito bem escrito e trilha sonora impecável. Grande filme!

Nota 8,5