Wednesday, February 13, 2008

Sweeney Todd - O Barbeiro Demoníaco da Rua Fleet (Sweeney Todd - The Demon Barber of Fleet Street, 2007)

Na mente de Benjamin Barker (Johnny Depp, numa performance que lhe rendeu uma indicação ao Oscar 2008 de Melhor Ator), personagem principal do musical “Sweeney Todd – O Barbeiro Demoníaco da Rua Fleet”, de Tim Burton, a cidade de Londres é “um grande buraco no mundo, como um grande esgoto negro, e preenchido por pessoas que estão cheias de merda, e nos quais os vermes do mundo habitam”. Esta frase pode fazer com que você pense que Benjamin é um homem revoltado. Mas, acontece justamente o contrário: ele é um ser que foi consumido pela vontade de vingança.

Quando “Sweeney Todd – O Barbeiro Demoníaco da Rua Fleet” começa, encontramos Benjamin Barker – adotando agora a alcunha de Sweeney Todd – de volta à capital inglesa depois de permanecer injustamente preso. De cara, conhecemos a sua história de vida: ele era um barbeiro que vivia feliz ao lado da linda esposa (Laura Michelle Kelly) e da filhinha Johanna. O problema é que sua mulher viraria o objeto de cobiça do juiz Turpin (Alan Rickman). Foi por causa desse juiz – e do bedel Bamford (Timothy Spall) –, que Todd acabou sendo enviado para a cadeia.

Sweeney Todd encontra a parceira perfeita para a sua vingança na figura da Sra. Lovett (Helena Bonham Carter), uma mulher que conhece bastante detalhes da vida do barbeiro. Se instalando no andar de cima da loja de tortas de Lovett, Todd se transforma em um serial killer, matando as pessoas que procuram os seus serviços de barbeiro como um treinamento para o seu grande “show”: o assassinato do juiz e do bedel, e, por tabela, ajudando a reerguer o negócio de Lovett – que passa a utilizar os restos mortais das vítimas de Todd como matéria-prima para tortas que se transformam em um sucesso entre seus clientes.

O grande achado de “Sweeney Todd – O Barbeiro Demoníaco da Rua Fleet”, filme baseado no musical de Stephen Sondheim, Hugh Wheeler e Christopher Bond, é mostrar o outro lado da moeda da vingança. Ao abordar a história que envolve a crescida Johanna (Jayne Wisener) – que, após a prisão de Sweeney Todd, foi tomada como protegida pelo juiz Turpin – e o jovem marinheiro Anthony Hope (Jamie Campbell Bower), o roteiro de John Logan mostra que a vingança, às vezes, não é a melhor alternativa e que o sofrimento é parte importante daquilo que nos transforma nas pessoas que somos.

Em um filme cuja fotografia de Dariusz Wolski prefere privilegiar os tons preto e branco, é importante prestar atenção num pequeno detalhe: a cor que mais merece destaque é o vermelho do sangue das vítimas de Sweeney Todd. Isso é muito importante para entender a mensagem do filme e que passa muito pela sub-trama envolvendo Johanna e Anthony. Outro detalhe importante neste musical é a fluência dos números musicais, que são, na realidade, diálogos musicados e que nos oferecem um importante material para compreender as motivações de cada personagem. “Sweeney Todd – O Barbeiro Demoníaco da Rua Fleet” pode não ser um filme envolvente, mas é uma obra contundente de um diretor cheio de estilo e que encontrou nessa história uma maneira de dar continuidade aos elementos que são tão recorrentes em sua filmografia: a preferência pelo sombrio, pelo que fica à margem da sociedade e pelo que deixa de ser convencional.

Cotação: 8,5

Sweeney Todd: O Barbeiro Demoníaco da Rua Fleet (Sweeney Todd: The Demon Barber of Fleet Street, EUA, Inglaterra, 2007)
Diretor(es): Tim Burton
Roteirista(s): John Logan (com base no musical de Stephen Sondheim, Hugh Wheeler, Christopher Bond)
Elenco: Johnny Depp, Helena Bonham Carter, Alan Rickman, Timothy Spall, Sacha Baron Cohen, Jamie Campbell Bower, Laura Michelle Kelly, Jayne Wisener, Ed Sanders, Gracie May, Ava May, Gabriella Freeman, Jody Halse, Aron Paramor, Lee Whitlock

23 comments:

Wally said...

Adorei esse filme, como deve saber. As musicas, o visual, os atores, a direção e o roteiro. Tudo brilha. Tudo está magnífico. E gostei de alguns aspectos que indentificou também. Acho que ele deveria ter ocupado o lugar de Conduta de Risco no Oscar, nas categorias de filme e diretor.

Ciao!

Pedro Henrique said...

É!Só boas criticas em relação a esse filme. Mais uma agora. Mas seria Sweeney Todd melhor que Atonenent, para o Cinéfila por Natureza?

Ainda não vi o filme de Burton, então não sei muito.

Abraço!!!

Kamila said...

Wally, concordo que "Sweeney Todd" merecia estar no Oscar no lugar do super-estimado "Conduta de Risco".

Pedro, "Atonement" é melhor que "Sweeney Todd"; mas "Juno" coloca os dois filmes no chinelo. :-)

Rogerio said...

Poxa, legal, entao pra vc a cantoria nao incomodou - pelo contrario, ajudou.
Ainda nao consegui conferir o filme, mas dificilmente me decepcionarei, pois adoro o tom sombrio e a fotografia desse filme.

blogdovinicius said...

Tenho um tempo livre amanhã e com certeza verei o filme, estou bem ansioso. Gostei de seus comentários, depois volto para dizer o que achei.

Abraço!

Otavio Almeida said...

Muito bem, Kamila! Fiquei preocupado com sua nota... mas 8,5 tá muito bom.

Aliás, concordo aí com vcs que SWEENEY TODD deveria estar no Oscar de melhor filme. E deveria ter dado ao Tim Burton sua primeira indicação. O cara já fez muito.

Bjs!

Kamila said...

Rogerio, como fã de musicais, adoro a cantoria, especialmente quando ela não é forçada.

Obrigada, Vinícius. Espero que goste do filme.

Otavio, mesmo não tendo me empolgado tanto com "Sweeney Todd", é inegável que o filme tem muitas qualidades. Tim Burton merecia ser indicado ao Oscar de direção neste ano, assim como Joe Wright. Mas, sempre temos alguns esquecimentos injustos no Oscar e a hora dele irá chegar.

Beijos.

Weiner said...

Você precisava ver o golpe que eu levei quando avisaram que a distribuidora de "Sweeney Todd" cancelara a estréia dele por aqui. Bom, de ansiedade eu não quero morrer, mas pelo visto esperar o dvd vai ser um exercício de superação.
Os trabalhos de Burton sempre me fascinaram pela ousadia e o não-convencionalismo. Pelo trailer pude captar um pedacinho da essência do filme; e você acaba de confirmar minhas impressões. Esperava muito sangue, pitadas de humor negro, atuação magnífica de Depp, músicas bem inseridas no contexto, enfim, um filme para ficar sempre na memória.
Vou parar, senão a inveja acaba me matando, hehehe.
Abraço!

Felipe Nobrega said...

Depois de todas critics que ando lendo me parece que este é o filme de Buton que mais vou curtir, uams misturas de muito "loucas" de música e sangue... rsrsrsrs
falow!

Ramon Scheidemantel said...

Estamos de acordo então. Tive a mesma impressão sobre os "diálogos musicados", e os acheio fracos. Também concordo sobre não ser uma obra empolgante, mas é cheia de estilo, que vale pelo diretor.
E então... não achas que Melhor Direção de Arte já está ganho?

Romeika said...

Kamila, sua opinião foi bem semelhante a minha. O filme é perfeitamente executado, da direção de arte ao figurino, da edição a fotografia, mas ao fim, não me senti completamente envolvida com a história, cujos personagens principais chegaram perto de me conquistar mas não o fizeram.

Gostei dos números musicais, acho que o meu preferido é o da Sra. Lovett sonhando acordada com um casamento com o Sweeney Todd. A música dá o tom e transforma tudo ao seu redor.

Museu do Cinema said...

Eu adoro musicais, acho que é um gênero tipicamente hollywoodiano, assim como o noir, e que ninguém consegue fazer como os norte-americanos.

Kamila said...

Weiner, eu acho que os fãs de Tim Burton irão adorar "Sweeney Todd". E não perca as esperanças. O filme pode estrear por aí!

Felipe, como eu disse ao Weiner, os fãs de Burton irão amar "Sweeney Todd".

Ramon. acho que o filme é favorito para levar o Oscar de direção de arte, mas não descartaria uma vitória de "There Will Be Blood" nessa categoria.

Romeika, também não fui conquistada pelos personagens. O meu número musical favorito foi o da Helena Bonham Carter com o Ed Sanders em que eles dizem que ninguém irá machucá-los, enquanto um estiver perto do outro.

Cassiano, concordo plenamente com seu comentário. Adoro musicais e esse é mesmo um gênero tipicamente hollywoodiano.

Johnny Strangelove said...

Não sei meu anjo
tem algo nele que não desceu, mas quero ver o filme e Sasha Baron Cohen ... até estranhei o nome dele na produção ...
até mais

Victor Nassar said...

Preciso ver urgentemente também!
E "Juno" coloca "Atonement" no chinelo??? Bom saber! "Juno" também me encantou. =]

Beju Kamila!

Felipe "Peixe" Gurgel said...

Oi Kamila! Ei, vc ja viu a promocao no site do Cinemark?

Vou colocar meus palpites la... Tentar 1 ano gratis.

Bjs!

Kamila said...

João, o Sacha Baron Cohen tem um papel pequeno no filme, mas é uma participação marcante.

Victor, na minha opinião, "Juno" é o melhor dos filmes indicados ao Oscar. Dos que eu vi, pelo menos.

Felipe, vi e já mandei meus palpites para a promoção. Espero que eu tenha sorte!

Beijos.

Vinícius P. said...

Kamila. Gostei muito do filme, mas esperava mais por ser do Burton. Apesar do bom elenco, não fiquei muito satisfeito com a parte musical - mas ao menos o roteiro é acima da média para um filme do gênero. Minha nota é 8.

Kamila said...

Vinícius, a parte musical me satisfez bastante. Adorei o fato de que as performances musicais não eram fruto de imaginação, e sim diálogos musicados. Sua nota está ótima para alguém que esperava mais do filme.

Alex Gonçalves said...

Dizem que poucas vezes o sangue ficou tão vermelho num filme. Isso unido ao estilo gótico único de Tim Burton deve compensar algumas deficiências nos números musicais irregulares - pelo menos é o que andam falando. Estou com muitos filmes emprestados e alugados. Se sobrar duas horas livres, vejo no final de semana.

Kamila said...

Alex, veja - se puder - "Sweeney Todd". E eu discordo de quem te disse que os números musicais do filme são irregulares.

Vinícius P. said...

Esperava um filme nota 10, Kamila, mas ainda assim um 8,0 está de bom tamanho, né? ;-)

Kamila said...

Ótimo tamanho, Vinícius! :-)