Thursday, April 24, 2008

Enterrem Meu Coração na Beira do Rio (Bury My Heart at Wounded Knee, 2007)

Toda a trama de “Enterrem Meu Coração na Beira do Rio”, telefilme do diretor Yves Simoneau, se baseia em um fato da história dos Estados Unidos. No século XIX, os índios da tribo Sioux eram um dos poucos a resistirem e se recusavam a abandonar as Black Hills, local que eles consideravam ser sagrado. No entanto, a insistência do homem branco em se apoderar da localidade se intensifica quando, em meio a uma grande depressão econômica, é descoberta uma valiosa mina de ouro por lá.

Após essa contextualização histórica, o roteiro de Daniel Giat (tendo como base o livro de Dee Alexander Brown) se divide em duas linhas narrativas. A primeira segue o grande cacique Touro Sentado (August Schellenberg), que, com sua tribo Sioux, abandona as Black Hills e vai para o Canadá. A segunda retrata a ocidentalização de Ohiyesa (Chevez Ezaneh), um membro da tribo Sioux, que recebe toda a sua educação em uma escola do Estado de Illinois e vira o médico Charles Eastman (Adam Beach), o símbolo maior da política de adaptação dos índios desenvolvida pelo Senador Henry Dawes (Aidan Quinn).

A parte mais interessante de “Enterrem Meu Coração na Beira do Rio” acontece quando estes três personagens que entraram para a história norte-americana se encontram nas Black Hills, cada um desempenhando uma função diferente. Foi no dia 29 de Dezembro de 1890, quando as tropas do governo norte-americano, após várias tentativas frustradas de ocidentalização indígena ou de fazer com que a tribo aceitasse os termos de um acordo que não lhes beneficiava em nada, foi a responsável por um dos maiores massacres vistos no país, quando centenas de homens, mulheres e crianças indígenas foram mortas.

Indicado a 17 Primetime Emmy Awards 2007, “Enterrem Meu Coração na Beira do Rio” ganhou 6 estatuetas, incluindo a de Melhor Filme Produzido Para Televisão. Cada um desses prêmios foi merecido, já que a parte técnica do telefilme é maravilhosa. O diretor Yves Simoneau nos entrega uma obra de belas imagens e que faz uma discussão muito interessante sobre a defesa de valores e sobre não se entregar. Pena que o roteiro, mesmo passando uma mensagem necessária, seja tão cheio de falhas.

Cotação: 6,9

Enterrem Meu Coração na Beira do Rio (Bury My Heart at Wounded Knee, EUA, 2007)
Diretor(es):
Yves Simoneau
Roteirista(s): Daniel Giat (com base no livro de Dee Alexander Brown)
Elenco: Aidan Quinn, Adam Beach, August Schellenberg, J.K. Simmons, Eric Schweig, Wes Studi, Colm Feore, Gordon Tootoosis, Fred Dalton Thompson, Anna Paquin, Laura Bachynski, Wayne Charles Baker, Tom Carey, Gerald Tokala Clifford, Chris Diamantopoulos

23 comments:

Robson Saldanha said...

6,9 só por causa do roteiro? Pecou tanto assim?

abraço!

Kamila said...

Robson, o roteiro deixa o telefilme um tanto enfadonho.

Museu do Cinema said...

Interessante o plot desse filme Kamila, que desconhecida por completo.

Kamila said...

Cassiano, eu ouvi falar desse filme por causa das indicações que recebeu ao Emmy, Globo de Ouro e SAG. É uma obra bela, porém enfadonha.

Vinícius P. said...

Já ouvi falar tanto desse telefilme que cada vez mais tenho vontade de ver. O título do longa por si só já é muito interessante, sem falar que realmente parece ser uma produção (em termos técnicos) acima da média para a TV. Se chegar em DVD por aqui, com certeza irei conferir. Abraço!

Otavio Almeida said...

Eu ouvi falar nas premiações, Kamila... Esse filme passou (ou passa) na HBO?

Bjs!

Wally said...

Eu nunca tinha ouvido falar até então. Mas é um filme que me interessa, apesar de fugir normalmente de telefilmes justamente por causa dos típicos roteiros fracos. Mas vejo para, no acaso, encontrar um valioso.

Ciao!

Ramon Scheidemantel said...

Não tinha ouvido fala. Está passando aonde?
Gostei da premissa. Mas o roteiro é cheio de falhas? Que pena!

Vulgo Dudu said...

O título é bem bacana, mas o tema não me interessa muito...

Bjs.

Romeika said...

Nao conhecia o telefilme, e olha, com o Aidan Quinn, que nao vejo ha tempos!

Marcus Vinícius said...

Essa foto me lembrou aquele filme "Deuses e Generais", que também era sobre uma guerra americana, mas como vi faz muito tempo não lembro direito.
Filmes de guerra sempre valem uma conferida. Vai passar na cabo esse filme?

Beijões! =P

Museu do Cinema said...

Enfadonho é um tipo de adjetivo que quando vem com um filme, significa bomba "pesudo intelectual".

Rodrigo Fernandes said...

Vou procurar ver se passa em algum canal por aqui... do tipo, HBO, enfim... pois é quase impossivel de acha=lo nas locadoras aqui da minha região...se é que teve um lançamento extenso aqui no Brasil, pois divulgação é zero, tirando os premios que recebeu, mas parece ser muito regionalizada a história, além de nãot er atores conhecidos do povão,enfim, aí fica mesmo complicado os caras divulgarem..rs..
beijos!!

Kamila said...

Vinícius, não deixe de conferir, porque é um telefilme deslumbrante.

Otavio, o telefilme está em cartaz, neste mês, na HBO.

Wally, ultimamente temos tido uma excelente fase de telefilmes. Cada vez mais profissionais capacitados fazem a transição para a TV. Este exemplo do post, mesmo com seus problemas de roteiro, é uma ótima representação disso.

Ramon, o telefilme está passando na HBO Brasil.

Dudu, o título é o máximo mesmo e eu sou uma grande fã de filmes com temáticas históricas.

Romeika, o Aidan Quinn está ótimo. Inclusive foi indicado ao Emmy e ao Globo de Ouro, se não me engano.

Marcus, não assisti "Deuses e Generais". "Enterrem Meu Coração na Beira do Rio" está passando na HBO Brasil.

Cassiano, o enfadonho aqui não significa isso. Quero dizer que o diretor pega pesado nas transições. Em alguns pontos, elas parecem que não têm conexões umas com as outras e fazem com que o filme pareça longo e chato.

Rodrigo, está passando na HBO. Não perca!

Bom final de semana!

Weiner said...

Desconheço tal produção, embora o elenco me seja muito familiar. Com tantos prêmios Emmy na estante, talvez valha a pena dar uma olhada. Eu não tenho HBO Brasil, mas meu vizinho sim. E já é uma desculpa frequente que uso para fazer visitas... :-)
Abraço!

Kamila said...

Weiner, pois então, se convide para assistir ao telefilme na casa do seu vizinho. :-)

Pedro Henrique said...

Título interessante, vou ver a programação do canal agora mesmo.

Abraço!!!

Kamila said...

Pedro, não deixe de conferir!

Isabela said...

Irei até procurar o trailer do filme, pois nem havia ouvido falar nele.

Beijos!

Kamila said...

Isabela, é um telefilme super legal. Já, já, deve estar sendo lançado em DVD.

Jacques said...

Kamilla,
Vc está certa. Nem todas as indicações ou prêmios demonstram que o filme seja o máximo. Esse é um caso típico. O contrário também é verdadeiro.Também achei alguns pontos de roteiro mal resolvidos. Bom filme, apesar de tudo...

Kamila said...

Jacques, exatamente. O roteiro do filme é falho demais. Poderia ter sido melhor trabalhado. Mas, de qualquer maneira, é mesmo um bom filme.

Anonymous said...

Possivelmente as "falhas" ou o "enfadonho" do filme se deva ao fato de que nunca vai alcançar a perfeição do livro.

Eu recomendo que leiam o livro, para sentir o que senti quando li ele aos 14 anos, depois na faculdade e a pouco tempo novamente.

É algo que não se esquece. O filme é bom, mas não é nada comparado a ler o livro.