Saturday, June 03, 2006

Todo Mundo em Pânico 4 (Scary Movie 4, 2006)


Em março de 2006, estreou nas salas de cinema do Brasil, o filme “Uma Comédia Nada Romântica, do diretor Aaron Seltzer, e que se propunha a fazer uma paródia dos filmes de comédia romântica. O filme em questão – que era repleto de situações típicas de comédias escatológicas e de piadas de extremo mau gosto – foi um pequeno aperitivo para os fãs poderem observar o que eles poderiam esperar de “Todo Mundo em Pânico 4”, do diretor David Zucker, a quarta parte da série que se propõe a parodiar os filmes de terror e suspense que fazem sucesso nas bilheterias de todo o mundo.

Mas, qual a surpresa daqueles que chegam a assistir à “Todo Mundo em Pânico 4” ao perceberem que este filme é ligeiramente diferente dos outros que fazem parte da série. Pela primeira vez, são diminuídas as cenas em que as piadas de teor sexual e de temas mais pesados são dominantes. O diretor David Zucker e os roteiristas Craig Mazin, Jim Abrahams e Pat Proft preferem dar ênfase às situações que tiram um pouco de sarro da cara de personalidades diversas do show business.

É justamente neste sentido em que o filme alcança um ápice criativo. Se os atores que interpretam o roteiro de “Todo Mundo em Pânico 4” não o levam a sério e se divertem à beça; o mesmo pode ser dito das personalidades que aparecem na tela sem medo de brincar consigo mesmas. Dr. Phil (que possui um programa de grande sucesso na televisão norte-americana que se propõe a ajudar as pessoas a resolverem seus problemas) brinca com o fato de que ele mesmo pode ser uma fraude e que precise, em alguns momentos, de ajuda também. Charlie Sheen (que, aparentemente, já dormiu com mais de duas mil mulheres e era um dos maiores clientes de Heidi Fleiss, a cafetina mais famosa de Hollywood) também não se importa em ver seus hábitos sexuais expostos no filme. Michael Madsen (o ator preferido do diretor Quentin Tarantino) também não parece se sentir afetado ao adicionar mais um personagem problemático à sua carreira. Entretanto, a tiração de sarro maior acontece em cima do ator Tom Cruise, que já foi o maior astro de cinema do mundo e, desde que se divorciou da atriz australiana Nicole Kidman, vive um inferno astral – pontuado por declarações bizarras e aparições públicas inacreditáveis.

A trama central de “Todo Mundo em Pânico 4” gira em torno de um filme protagonizado por Tom Cruise: “Guerra dos Mundos”, do diretor Steven Spielberg. A terra está sofrendo um ataque de Tripods alienígenas. Como o presidente dos Estados Unidos (Leslie Nielsen) é um paspalho - qualquer semelhança com a vida real não é uma coincidência –, a salvação da humanidade reside nas figuras de Tom Ryan (Craig Bierko, o maior oponente de Russell Crowe em “A Luta Pela Esperança”) e da estrela da série Cindy Campbell (a ótima e hilária Anna Faris) – que, depois de ser estudante e jornalista, agora se dedica aos cuidados de uma senhora idosa e doente numa casa amaldiçoada (trama esta retirada do filme “O Grito”, de Takashi Shimizu).

No meio da trama central são colocadas cenas que parodiam filmes como “Jogos Mortais 1 e 2”, “A Vila” – sobra até mesmo para os oscarizáveis “Menina de Ouro”, “O Segredo de Brokeback Mountain” e “Fahrenheit 11 de Setembro”. E no rol das habituais participações especiais que marcam os filmes da série “Todo Mundo em Pânico”, entram: Simon Rex, Anthony Anderson, Cloris Leachman, Molly Shannon, Bill Pullman, o jogador de basquete Shaquille O’Neal, Carmen Electra, o cantor Chingy, entre outros. E, mesmo apesar da presença recorrente de todos esses elementos na série, “Todo Mundo em Pânico 4” vai soar como uma piada fresca; e não como aquela piada velha e que todo mundo já sabe como vai terminar.

Cotação: 3,0

Crédito Foto: Yahoo! Movies

Saturday, May 27, 2006

X-Men - O Conflito Final (X-Men - The Last Stand, 2006)


Nos dois primeiros filmes da série “X-Men”, os seres humanos e os mutantes viviam num mundo completamente dividido. Enquanto se discutia a relevância da convivência entre as duas espécies, o problema ia ficando ainda mais grave. Se os humanos podiam levar uma vida normal, o mesmo não podia ser dito a respeito dos mutantes – que, ainda confusos a respeito de suas condições e após serem abandonados pelas suas famílias e amigos, iam viver na isolada escola do professor Xavier (Patrick Stewart), aonde esperavam encontrar a segurança necessária para começar todo um trabalho de aceitação de quem eles realmente eram e aonde eles aprendiam a usar os seus poderes para o bem da humanidade. Mesmo assim, ainda existiam divergências dentro da própria classe dos mutantes. O grupo liderado por Magneto (Ian McKellen) preferia apregoar o uso dos poderes para o mal e declaravam guerra contra tudo e contra todos.

"X-Men – O Confronto Final” – a terceira parte da série –, do diretor Brett Ratner, se passa justamente num momento em que esta divisão entre humanos e mutantes pode estar prestes a acabar. O governo norte-americano se mostra mais aberto ao diálogo com o grupo – criando inclusive um departamento dedicado somente aos mutantes. Entretanto, a união pode vir a um preço muito caro. Um pai atormentado pelo estado mutante de seu filho elege como causa de sua vida a descoberta de uma cura para o gene mutante. A cura é encontrada numa criança (Cameron Bright, de “Reencarnação”). A partir deste momento, tem-se o início de um conflito final entre os humanos e os mutantes; e, pela primeira vez, os mutantes enfrentam o dilema de ter que escolher entre continuarem a ser pessoas especiais ou poderem ter uma vida normal em sociedade.

Neste sentido, “X-Men – O Confronto Final” representa uma grande jornada a ser passada tanto para os seres humanos quanto para os mutantes – personagens como Wolverine (Hugh Jackman), Tempestade (Halle Berry) e Jean Grey (Famke Janssen) estão mais fortes, sábios, conscientes, resistentes e poderosos. E, como em toda jornada, todos estes personagens passarão por momentos de decepção, tristeza, perdas, dúvidas, desolação e angústia até o triunfo finalmente acontecer.

Brett Ratner é um diretor muito interessante. Ele marcou o seu nome na indústria ao dirigir clipes para artistas como Mariah Carey e Madonna. Trilhou seu caminho no cinema comercial ao criar a bem-sucedida franquia “A Hora do Rush” (estrelada por Jackie Chan e Chris Tucker que, pasmem, é o ator mais bem pago de Hollywood no presente momento). Ratner calou a boca dos críticos que torceram o nariz para a sua escolha como o diretor de “Dragão Vermelho” ao criar um universo de muito suspense e que colocava o Hannibal Lecter novamente na sua posição de vilão mais doentio do cinema. E, com “X-Men – O Confronto Final” (um filme que ele aceitou fazer em cima da hora, depois da desistência do inglês Matthew Vaughn), prova que é um diretor que sabe fazer um filme de ação – na minha opinião este é o melhor da série – que não menospreza a inteligência de seu espectador. Apesar de Brett Ratner oferecer à platéia um senso de fechamento à história dos mutantes, o diretor ainda deixa um gostinho de quero mais – o qual é reforçado pela cena que é mostrada após os créditos finais do filme; por isso, nem pense em se levantar da cadeira antes das luzes da sua sala de cinema serem acesas.

Cotação: 9,0

Crédito Foto: Yahoo! Movies

Wednesday, May 24, 2006

Tapete Vermelho (2006)


Não dá para falar no cinema brasileiro sem mencionar o nome do ator, diretor e produtor Amácio Mazzaropi. De origem humilde, ele foi o responsável pela criação de uma indústria cinematográfica brasileira independente (tendo em vista que ele mesmo financiava e distribuía as suas produções) e bem-sucedida. Mazzaropi foi a primeira grande estrela cinematográfica nacional e, com seus filmes, procurava falar para o povo sobre temas – até então – controversos como o divórcio, o racismo, a religião, a política, dentre outros. E, apesar de todo o sucesso, Mazzaropi nunca obteve o reconhecimento das chamadas elites intelectuais, que preferiram ignorar as suas obras.

O filme “Tapete Vermelho”, de Luiz Alberto Pereira, não é uma cinebiografia de Amácio Mazzaropi; e sim presta uma homenagem ao tipo que ele imortalizou: o do Jeca Tatu (aquele homem matuto que habita as áreas rurais do Brasil). No filme, o Jeca é representado pela figura de Quinzinho (Matheus Nachtergaele, provando aqui sua posição de ator camaleônico, que pode interpretar qualquer tipo de personagem), homem sonhador e trabalhador que mora no seu pequeno pedaço de terra ao lado da esposa Zulmira (Gorete Milagres, mais conhecida pelo seu trabalho como a empregada doméstica Filó, que fez carreira em diversos programas humorísticos da televisão brasileira) e do filho Neco (Vinícius Miranda).

Com a proximidade do aniversário de seu filho Neco, Quinzinho decide que chegou o momento certo de colocar uma promessa que fez ao seu pai em prática: a de que Quinzinho um dia, assim como seu pai fez com ele, iria levar seu filho para a cidade grande para assistir a um filme de Mazzaropi no cinema. Mesmo contra a vontade de Zulmira, Quinzinho embarca numa viagem do interior até à cidade grande na companhia de sua família. Quando Quinzinho e sua família começam a entrar em contato novamente com as grandes cidades, encontram uma realidade bastante diferente da que imaginavam – os cinemas deram espaços às lojas de departamentos ou às igrejas evangélicas (e quando eles existem só passam os grandes lançamentos) e pessoas de má fé se aproveitam da boa vontade e da inocência da família de Quinzinho. No meio disso tudo, o diretor Luiz Alberto Pereira ainda consegue colocar uma mensagem de fundo social quando faz com que o trabalhador rural Quinzinho se relacione com um grupo de trabalhadores rurais sem-terra – numa série de seqüências que poderiam muito bem ter sido retiradas do filme.

“Tapete Vermelho” é um road movie que, além de retratar a jornada de crescimento da família de Quinzinho, faz uma crônica de um estilo de vida simples e bucólico. “Tapete Vermelho” é um filme que fala sobre gente de verdade, que merece um tratamento digno e não ser objetos de chacota. Enfim, “Tapete Vermelho” é um filme que mostra que existe a possibilidade de amadurecer sem que sejam perdidas a ternura, a esperança e a simpatia que tanto caracterizam o povo brasileiro. Além disso, faz um belo trabalho para chamar a atenção de uma nova platéia de cinéfilos de volta aos filmes de Mazzaropi, que, em decorrência de um velho costume brasileiro, perderam o seu valor, a sua importância e o seu lugar de direito na indústria cinematográfica nacional.

Cotação: 6,0

Crédito Foto: Yahoo! Cinema

Saturday, May 20, 2006

O Código Da Vinci (The DaVinci Code, 2006)


Há cerca de dois anos atrás, um filme (“A Paixão de Cristo”, de Mel Gibson) estreava em meio a inúmeras polêmicas – especialmente as que queriam acusar o filme de ser anti-semita e de distorcer a realidade dos fatos que cercavam a crucificação de Jesus Cristo. As mesmas reações extremas aconteceram quando, em 2003, o escritor norte-americano Dan Brown lançou o seu livro de ficção “O Código da Vinci”, que trazia uma trama que afirmava que toda a Igreja Católica foi fundamentada em uma crença mentirosa. Em conseqüência disso, o autor enfrentou uma leva de críticas que vieram desde a própria Igreja Católica, até os historiadores e a Opus Dei (milionária seita da Igreja Católica que prega a autoflagelação, para que seus seguidores sintam o mesmo que Jesus Cristo sentiu no momento da crucificação).

Quem já teve a oportunidade de ler o livro “O Código Da Vinci” sabe que esta é uma obra que dialoga muito com a linguagem cinematográfica. A narrativa de Dan Brown é ágil, sabe prender a atenção do leitor e, principalmente, segue um estilo bastante figurativo (se apoiando muito nas ilustrações). Ou seja, em praticamente cada capítulo do livro, o leitor pode visualizar de maneira muito clara toda a ação da história. Seria inevitável – ainda mais depois do fenômeno cultural que o livro se tornou, ocasionando o lançamento de programas de TV e de livros que se dedicavam a destrinchar cada pista do código criado por Dan Brown – que esta obra fosse adaptada por um grande estúdio cinematográfico. E foi justamente isto que aconteceu quando o diretor Ron Howard, o produtor Brian Grazer e o roteirista Akiva Goldsman (que trabalharam juntos em “Uma Mente Brilhante” e “A Luta Pela Esperança”) uniram suas mentes para transpor para as grandes telas esta história naquele que é o mais aguardado filme de 2006.

Para aqueles que não entraram em contato com o fenômeno “O Código Da Vinci”, a história do livro/filme é a seguinte: o curador do Museu do Louvre, Jacques Saunière, é assassinado pelo monge Silas (Paul Bettany, excelente) – que está a serviço da Opus Dei e de um misterioso mestre. O diretor da polícia francesa Bezu Fache (Jean Reno) entra em contato com o professor de Simbologia Religiosa da universidade de Harvard Robert Langdon (Tom Hanks) – que estava em Paris dando uma palestra – para que ele possa ajudá-los a desvendar uma série de símbolos que foram deixados por Saunière na cena do crime. Sem saber que é considerado o suspeito número um da polícia francesa, Langdon recebe a ajuda da neta de Saunière e criptógrafa Sophie Neveu (Audrey Tautou) para tentar provar a sua inocência e, por tabela, desvendar as pistas deixadas pelo curador do Louvre.

As pistas que Jacques Saunière deixou no museu do Louvre faziam parte de um plano do curador para manter escondido um segredo que poderia abalar as bases da religião mais popular do mundo – a Católica. Saunière era o Grão-Mestre de uma sociedade secreta conhecida como Priorado de Sião. De acordo com a história do livro/filme, um dos membros mais importantes do Priorado de Sião foi o pintor Leonardo Da Vinci e, nas suas obras, ele deixou inúmeras pistas que levavam a crer que Jesus Cristo foi casado com Maria Madalena e que os dois tiveram uma filha; formando, assim, uma dinastia secreta que foi protegida com afinco pelos Cavaleiros Templários e, posteriormente, pelos membros do Priorado. E, ao longo dos anos, uma guerra foi travada entre os conhecedores do segredo e os membros da Igreja – que, obviamente, gostariam que o segredo fosse completamente destruído. Essa é a guerra que também será travada por Robert Langdon e Sophie Neveu no decorrer do livro/filme.

O filme “O Código Da Vinci” faz realmente uma transposição perfeita da obra literária para a linguagem cinematográfica. O diretor Ron Howard e o roteirista Akiva Goldsman souberam condensar toda a trama do filme em uma história que se faz compreensível tanto para aqueles que leram e que não leram o livro de Dan Brown. Howard e Goldsman ainda conseguem simplificar a apresentação de tramas que demoram uma eternidade para serem elucidadas por Dan Brown no livro – como a origem de Silas, a razão por trás da claustrofobia de Robert Langdon e o por quê de Sophie Neveu ter cortado relações com o avô Saunière. No entanto, a maior contribuição que Howard e Goldsman fazem com o seu filme é mostrar como o código criado por Dan Brown é simples e não tem nada de extraordinário. Isso levanta uma grande questão: por quê, então, o livro (e, certamente, o filme) obtiveram tanto sucesso? Talvez a resposta por trás de tudo isso esteja no fato de que as pessoas buscam constantemente acreditar e crer em alguma coisa que esteja além daquilo que nós conseguimos realmente enxergar – mesmo que essa crença esteja baseada em fatos verdadeiros ou ficcionais.

Cotação: 7,5

Crédito Foto: Yahoo! Movies

Thursday, May 18, 2006

As Férias da Minha Vida (Last Holiday, 2006)


Georgia Byrd (Queen Latifah) trabalha como vendedora de utensílios de cozinha em uma grande loja de departamentos do Estado de Louisiana. Ela é uma daquelas pessoas que vê a vida passar diante de seus olhos e não faz nada – principalmente por causa de sua timidez. Georgia cozinha pratos sofisticados, mas não pode comê-los, pois sempre está de dieta. Georgia é completamente apaixonada pelo colega de trabalho Sean Williams (LL Cool J), mas não tem coragem de se declarar. Nem mesmo quando está participando do coral de sua igreja, Georgia deixa de ser uma pessoa apática.

Tudo isto está prestes a mudar quando Georgia, depois de sofrer um pequeno acidente no trabalho, passa por uma bateria de exames e é desenganada pelo seu médico; descobrindo, assim, que só tem três semanas de vida. A notícia cai como uma bomba na vida de Georgia e, após uma primeira fase de negação, ela decide aceitar seu destino e procura viver pela primeira vez. Dessa maneira, vemos Georgia sacando todo o seu dinheiro do banco e embarcando com destino à República Checa – país aonde irá se hospedar na suíte presidencial de um hotel de luxo e passará a fazer tudo aquilo que ela tinha vontade de realizar e que estava no seu livro de possibilidades (uma espécie de diário dos sonhos que, um dia, Georgia esperava realizar).

É justamente a máxima de “viver cada dia como se fosse o último” que dá a tônica de “As Férias da Minha Vida”, novo filme do diretor Wayne Wang (o mesmo de “Encontro de Amor”). No filme, vemos a extrovertida e engraçada atriz Queen Latifah interpretando uma personagem diametralmente oposta à sua persona da vida real. Latifah está muito discreta e vestida em roupas que conferem um caráter severo à sua Georgia. No entanto, apesar de ser uma personagem apática, Georgia conquista logo a simpatia da platéia, pois todos nós nos solidarizamos com a situação que ela está vivendo.

“As Férias da Minha Vida” é um filme que possui um roteiro meio amargo, no sentido de que equilibra com perfeição os momentos felizes com os tristes. E é certamente nessas cenas mais intimistas em que se sobressai a excelente atuação de Queen Latifah. “As Férias da Minha Vida” marca a credencial dela em Hollywood como uma atriz que pode se sair muito bem tanto nos dramas como nas comédias; e que, principalmente, mostra que Latifah agüenta a responsabilidade de carregar sozinha um filme nas costas.

Cotação: 8,0

Crédito Foto: Yahoo! Movies

Tuesday, May 16, 2006

Crianças Invisíveis (All the Invisible Children, 2005)

Convidar um número variado de diretores para falar sobre um mesmo tema não é uma novidade para a indústria cinematográfica. Isso foi feito, por exemplo, no filme “11’09’’01”, quando onze diretores de diversas partes do mundo contaram histórias que mostravam os efeitos dos atentados terroristas de 11 de Setembro nas suas respectivas nações. Na realidade, esse é um recurso narrativo muito interessante, pois oferece ao espectador a possibilidade de ver diversos pontos de vista sobre um mesmo assunto. “Crianças Invisíveis” repete esta fórmula e reúne sete diretores para falar a respeito dos problemas que as crianças enfrentam no seu dia-a-dia.

O primeiro episódio de “Crianças Invisíveis” (“Tanza”) é dirigido pelo algeriano Mehdi Charef e fala sobre Tanza, um menino que vive em uma comunidade africana dominada por uma disputa interna. Tanza é somente um dos muitos meninos a serem recrutados para a luta armada em idade tenra, mas o que Charef quer mostrar é que, mesmo portando uma arma, esses meninos possuem sonhos, vontades e ídolos comuns a todas as crianças (num determinado momento do episódio, o close na arma de um dos garotos revela um adesivo de Ronaldo Fenômeno).

O segundo episódio de “Crianças Invisíveis” (“Blue Gipsy”) é dirigido pelo bósnio Emir Kusturica e conta a história de um garoto filho de ciganos ladrões e que se sente mais à vontade e em segurança no reformatório do que nas ruas. O terceiro episódio do filme (“Jesus Children of America”) é dirigido pelo norte-americano Spike Lee e conta a história de Blanca, uma garota filha de pais viciados em drogas e portadores do vírus HIV, que não sabe que ela mesma também porta o vírus e que sofre com as chacotas dos colegas de escola.

O quarto episódio de “Crianças Invisíveis” (“João e Bilú”) é dirigido pela brasileira Kátia Lund (que co-dirigiu “Cidade de Deus”) e que conta a história de um menino e uma menina que sustentam a família catando papelão, latinhas, vidros e metais. Na realidade, esse episódio mostra como o brasileiro sempre arruma um jeitinho para superar as suas adversidades (João e Bilú criam um jogo e começam a ganhar dinheiro com ele numa feira popular). O quinto episódio do filme (“Jonathan”) é dirigido pelos ingleses Ridley e Jordan Scott (pai e filha) e conta a história de um fotógrafo de guerra que tenta apelar para o seu lado criança para encontrar a sua paz interior.

O sexto episódio de “Crianças Invisíveis” (“Ciro”) é dirigido pelo italiano Stefano Veneruso e conta a história de dois amigos que fazem roubos na rua. Esse é mais um episódio que mostra crianças que são frutos de uma família desintegrada e dialoga especialmente com o primeiro episódio do filme (“Tanza”), pois mostra novamente uma criança que, apesar de entrar em contato permanente com a violência, continua a manter uma inocência e os seus sonhos vivos.

O sétimo – e último episódio – de “Crianças Invisíveis” (“Song Song and Little Cat”) foi dirigido pelo chinês John Woo. Neste episódio, duas realidades são colocadas em xeque: a de Song Song, menina rica que tem todas as suas vontades satisfeitas, mas não se contenta com nada; e a de Little Cat, menina que foi abandonada pela mãe e criada por um mendigo. Little Cat pouco tem, mas valoriza o que possui e não se esquece de sonhar com uma realidade melhor para si mesma. Esse episódio é o mais poderoso de todos, pois toca num ponto que todos nós conhecemos: o de que nós só valorizamos aquilo que temos quando o perdemos – ou seja, nós deveríamos valorizar aquilo que temos, pois muitas pessoas dariam tudo para ter o mesmo que nós.

“Crianças Invisíveis” foi um filme feito por uma parceria entre o governo italiano, a UNICEF e o WFF (World Food Programme). É difícil tentar entender as pretensões por trás de um filme como esse, mas fica subentendido que os envolvidos queriam chamar a atenção para as questões relacionadas às crianças do mundo e as infâncias que elas estão vivendo. “Crianças Invisíveis”, infelizmente, não consegue ser bem-sucedido, pois sofre com a irregularidade dos episódios – que ora apelam para a poética (caso do dirigido por Ridley e Jordan Scott), ora para o humor (caso do de Emil Kusturica) e ora para uma verdade ficcionalizada (caso dos episódios de Mehdi Charef, Spike Lee, Kátia Lund, Stefano Veneruso e John Woo). Se for para causar impacto e fazer a diferença, o filme perfeito seria o documentário “Falcão – Meninos do Tráfico” (que foi apresentado no programa “Fantástico”), do rapper MV Bill e de Celso Athayde, que não quer mascarar a verdade e a mostra como ela é.

Cotação : 5,0

Crédito Foto: Yahoo! Cinema

Wednesday, May 10, 2006

O Albergue (Hostel, 2005)


Apesar de ter sido vendido ao público como um filme de terror completamente diferente dos outros do gênero, “O Albergue”, filme escrito e dirigido por Eli Roth (com a chancela do produtor executivo Quentin Tarantino), repete todas as fórmulas que puderam ser vistas pela platéia nos filmes de terror que foram lançados mais recentemente. Ou seja, na primeira hora de “O Albergue”, poucas coisas significativas acontecem (o diretor retrata o dia-a-dia de seus personagens para colocar a platéia dentro do universo que eles habitam) e, de repente, quando a platéia menos espera, uma série de situações bizarras começam a acontecer de maneira a justificar a classificação do filme como sendo do gênero de terror.

No caso particular de “O Albergue”, os protagonistas do filme são três jovens imaturos e inconseqüentes – Paxton (Jay Hernandez, que foi o par romântico de Kirsten Dunst no ótimo “Gostosa/Loucura”), Oli (Eytor Gudjonsson) e Josh (Derek Richardson) – que estão viajando de férias pela Europa no melhor estilo mochileiros. Paxton, Oli e Josh estão em busca de aventuras com mulheres, festas e drogas. Em Amsterdã, depois de uma noitada que quase termina mal, eles conhecem Alexei, um cara meio estranho que, sabendo das verdadeiras intenções da viagem dos rapazes, sugere um destino perfeito: um albergue na Eslováquia – aonde eles, supostamente, encontrarão tudo aquilo que eles procuram. E é justamente no albergue eslovaco que o filme “O Albergue” alcança o seu clímax.

Nos primeiros momentos de “O Albergue”, a trama do filme não parece ter sentido algum. O filme oscila entre cenas que parecem saídas de uma comédia adolescente e outras que parecem ter saído de um filme adulto. No entanto, os últimos quarenta minutos de “O Albergue” mostram a que o filme veio. No melhor estilo “Jogos Mortais”, a platéia entra em contato com os vilões do filme (pessoas que buscam uma maneira de dar vazão ao seu instinto de violência) em cenas de ritmo ágil, de extremo sangue frio (em determinado momento, Paxton consegue manter a racionalidade para pegar os dedos que foram serrados de sua mão) e que conseguem ser eficientes no sentido de chocar (é bom frisar que elas não chegam a assustar) o espectador.

O que irrita é a necessidade que o diretor e roteirista Eli Roth tem em dar um fechamento à sua história. Aqueles que estão acostumados a assistir filmes de terror sabem que, nesse gênero, os mocinhos podem sobreviver a todo tipo de ameaça e vilão; mas, mesmo depois de estarem livres de qualquer perigo, sempre existe uma única certeza: a de que aquela sensação incômoda de que algo de ruim está prestes a acontecer novamente está sempre à espreita. Isso não acontece com o sobrevivente de “O Albergue”, que, depois de fazer a sua mini-vingança, tem a certeza de que poderá continuar a sua vida da maneira como ela sempre foi.

Cotação: 3,0

Crédito Foto: Yahoo! Movies

Saturday, May 06, 2006

Missão Impossível III (Mission: Impossible III, 2006)


Com o perdão do trocadilho, fazer “Missão Impossível III” foi quase uma tarefa impossível para o astro e produtor Tom Cruise e sua parceira, a produtora Paula Wagner. Joe Carnahan (“Narc”), o primeiro diretor escalado para o trabalho, abandonou o barco quando o filme já estava num estágio bem avançado da pré-produção – aparentemente porque não concordava com a visão criativa de Cruise. O episódio só fez aumentar a fama de controlador que o superastro possui. No entanto, essa teoria começa a vir abaixo quando se assiste ao que J. J. Abrams (o segundo – e definitivo – diretor escalado para o filme) fez com “Missão Impossível III”. Tudo no filme leva a sua marca – a começar pela equipe técnica. Nomes como os dos roteiristas Alex Kurtzman e Roberto Orci, o do compositor Michael Giacchino, o da diretora de elenco April Webster e o do diretor de arte Scott Chambliss trabalham com o diretor no seriado “Alias”. Até mesmo na frente das câmeras vemos rostos conhecidos do universo de Abrams, como a atriz Keri Russell (que foi a protagonista de seu seriado “Felicity”) e de Greg Grunberg (o melhor amigo de Abrams e que trabalhou em todas as séries dele).

No entanto, a maior das marcas de J. J. Abrams a estar presente em “Missão Impossível III” – e, por conseqüência, a maior contribuição que ele oferece à série – é a humanização dos personagens, especialmente a do agente Ethan Hunt (Cruise). Neste momento, pela segunda vez, aparece uma conexão com o trabalho que Abrams desenvolve em “Alias” – uma série que, apesar de retratar o dia-a-dia de agentes da CIA, ou seja, as missões que eles desempenham e os inimigos que eles combatem dentro e fora da Agência; tem o foco voltado para os relacionamentos pessoais desses agentes com as suas famílias, os seus amores, os seus colegas de trabalho e os seus inimigos. Em muitos episódios de “Alias”, inclusive, as vidas pessoais dos agentes chegam a se confundir com as missões que eles têm que realizar.

Por causa disso, em “Missão Impossível III”, vemos um Ethan Hunt bem diferente do que nos acostumamos a ver nos dois filmes anteriores da série. O roteiro do filme não se resume somente a retratar a missão e o inimigo que o agente têm de enfrentar. Pela primeira vez, se procura aprofundar o personagem. Portanto, na terceira parte de “Missão Impossível”, a platéia conhece a vida pessoal de Ethan Hunt. Desde que o agente conheceu a enfermeira Julia (Michelle Monaghan) – de quem Ethan ficou noivo –, ele não participa mais de trabalhos de campo e prefere se dedicar ao treinamento de novos agentes da IMF. Entretanto, Ethan é obrigado a voltar ao batente quando a agente e ex-aluna sua Lindsey Ferris (Russell) é seqüestrada e, conseqüentemente, executada por Owen Davian (Philip Seymour Hoffman, o vencedor do Oscar de Melhor Ator em 2006). Hunt se vê ainda mais envolvido na missão de capturar Davian depois que ele seqüestra Julia. É neste momento em particular que Hunt vê o seu mundo cair, pois, como agente, Ethan nunca teve a oportunidade de ter relacionamentos reais. Mas, ao conhecer Julia, Hunt vê, de maneira concreta, uma chance de ter uma vida até certo ponto normal – desde que ele consiga manter a noiva protegida da sua segunda vida, o que ele conseguia fazer até Davian aparecer.

“Missão Impossível III” é um filme que nasceu cercado de expectativas. A película pode significar a recuperação da carreira de Tom Cruise – que vem patinando desde que o astro se divorciou de Nicole Kidman e passou a fazer declarações e aparições na mídia polêmicas e, até certo ponto, patéticas. Ao mesmo tempo, “Missão Impossível III” também pode consagrar de vez J. J. Abrams como uma das mentes mais criativas da indústria do entretenimento nos dias atuais – tendo em vista que ele já é o rei da televisão norte-americana com o sucesso estrondoso que é “Lost”. Neste sentido, pode-se dizer que a missão dos dois foi completamente cumprida, pois “Missão Impossível III” é um filme de primeira qualidade – com cenas de ação bem dirigidas e uma história cativante.

Cotação: 9,0

Crédito Foto: Yahoo! Movies

Thursday, May 04, 2006

Gatão de Meia Idade (2006)


O designer Cláudio (Alexandre Borges) acredita que um homem é feito da soma de todos os relacionamentos que ele já teve. Neste sentido, Cláudio pode se considerar um homem muito experiente, afinal ele teve inúmeros relacionamentos. O filme “Gatão de Meia Idade”, do diretor Antonio Carlos da Fontoura, retrata exatamente o estilo de vida de homens como Cláudio, que se divertem tomando cerveja com os amigos enquanto discutem detalhes de suas aventuras amorosas.

No decorrer do filme, a platéia irá entrar em contato com as diversas mulheres da vida de Cláudio. Dentre elas, as mais constantes são a sua mãe, a ex-mulher Betty (Julia Lemmertz, esposa de Borges na vida real) e a filha Duda (Renata Nascimento). Existem também aquelas que passaram rapidamente pela vida de Cláudio, como a executiva sênior (Ângela Vieira), a estudante patricinha (Thaís Fersoza), a motociclista com trejeitos masculinos (Cristiana Oliveira), as sensíveis (Alexia Deschamps e Rita Guedes), a gostosona (Paula Burlamaqui), a milionária (Lavínia Vlasak), dentre muitas outras beldades que fazem participações especiais em “Gatão de Meia Idade”.

Todos esses relacionamentos servem muito bem para ilustrar a personalidade do próprio Cláudio – um homem que não consegue se envolver emocionalmente com uma mulher, que acredita que a quantidade é sinônimo de qualidade e que nunca se sente sozinho. A solidão só irá começar a ameaçar Cláudio quando Betty começa a namorar um empresário (Antônio Grassi) e passa a viajar freqüentemente para Miami – cidade para onde ela pretende se mudar com a filha Duda. Quando Cláudio enxerga a possibilidade de não ter um relacionamento diário com a filha e quando ele vê seu domínio sob as mulheres ser ameaçado com o surgimento de um Don Juan bem mais jovem que ele (Márcio Kieling), Cláudio ameaça ensaiar uma transformação que nunca irá se concretizar na realidade.

Baseado no personagem criado pelo desenhista Miguel Paiva (também criador da Radical Chic), “Gatão de Meia Idade” é um filme que não funciona, pois, aparentemente, foi feito no formato errado. Por ter um roteiro que é uma reunião de várias esquetes, deveria ter sido adaptado para um formato de sitcom (as chamadas comédias de situações) – e, mesmo se fosse um programa de televisão, não conseguiria arrancar o mínimo de risadas dos telespectadores. Nem Alexandre Borges, um ator carismático e ele próprio um gatão de meia idade, consegue oferecer um pouco de qualidade ao filme.

Cotação: 2,0

Crédito Foto: Yahoo! Cinema

Selvagem (The Wild, 2006)


Os estúdios Walt Disney marcaram seu nome na história do cinema ao lançar filmes de animação como “Bambi”, “Fantasia”, “Branca de Neve e os Sete Anões”, “A Dama e o Vagabundo” e “A Bela e a Fera”. Tais filmes foram (e continuam a ser) o sinônimo de padrão de qualidade no gênero. No entanto, nos dias atuais, os filmes do estúdio Disney parecem que pararam no tempo e não acompanharam a evolução técnica do gênero de animação. Ou seja, é certo dizer que os estúdios Disney têm levado uma verdadeira surra da concorrência – a mais notável delas é o estúdio Pixar, que lançava seus filmes pela Disney e foi recentemente comprado pela companhia do Mickey.

“Selvagem”, filme do diretor Steve “Spaz” Williams, é mais uma tentativa dos estúdios Disney para provarem que ali ainda se fazem bons filmes de animação. O filme está cheio de boas intenções, mas, além de não chegar ao nível das outras películas do gênero, deixa uma péssima impressão de que se trata de um plágio descarado. No filme, o leão Sansão (Kiefer Sutherland na versão original) e seu filho Ryan vivem no zoológico de Nova York – local aonde são as atrações principais ao lado da girafa Bridget (Janeane Garofalo na versão original), do esquilo Benny (James Belushi na versão original), do coala Nigel (Eddie Izzard na versão original) e da sucuri Larry (Richard Kind na versão original).

O roteiro de “Selvagem” prefere enfocar a dinâmica familiar existente entre Sansão e Ryan. Sansão se vangloria de um passado mentiroso como leão na selva e critica Ryan por ainda não conseguir rosnar forte como um verdadeiro leão. Cansado de receber as críticas do pai, Ryan procura um local mais sossegado sem saber que, na realidade, acabou indo parar num contêiner que seria embarcado num navio rumo à África. Assim que nota o sumiço de Ryan, um desesperado Sansão parte em busca do filho e, com a ajuda dos amigos do zoológico, também parte para o continente africano – local aonde eles conhecerão novas espécies e amadurecerão.

Portanto, “Selvagem” é uma mistura de “Madagascar” com “Procurando Nemo”, dois filmes que obtiveram bastante sucesso nas bilheterias. No entanto, o filme é fraco e nem consegue repetir aquilo que fez dos filmes de animação dos estúdios Disney marcos do gênero – uma vez que as personagens de “Selvagem” não possuem carisma e não estão bem definidas, as situações e a narrativa do filme não são criativas, as canções não são memoráveis e o ritmo do filme é extremamente lento. Talvez, depois de mais um erro, seja o momento certo para a Disney pensar em modificar a sua receita de sucesso, pois, claramente, ela não está mais dando certo.

Cotação: 4,0

Crédito Foto: Yahoo! Movies

Saturday, April 29, 2006

Terapia do Amor (Prime, 2005)


“Terapia do Amor”, filme escrito e dirigido por Ben Younger, retrata a jornada de Rafi Gardet (Uma Thurman), uma mulher de 37 anos que leva uma vida sofisticada na cidade de Nova York. Rafi acaba de se divorciar e, com a ajuda de sua psicanalista Lisa Metzger (Meryl Streep), tenta colocar a sua vida nos eixos. Como uma maneira positiva de encarar o divórcio, Rafi passa a ver a sua “liberdade” como a desculpa perfeita para colocar em prática todos os planos (o mais importante deles é ter um filho) que havia deixado de lado nos nove anos de relacionamento com o marido.

No entanto, uma alternativa mais interessante aparece no caminho de Rafi quando ela conhece o jovem David Bloomberg (Bryan Greenberg), de 23 anos. David tem uma certa ingenuidade e um caráter impetuoso que atraem Rafi instantaneamente. Ele é tudo aquilo de que ela precisa naquele momento. Entretanto, na medida em que o relacionamento dos dois deixa de ser uma diversão e passa a ser encarado de maneira mais séria, Rafi começa a questionar se David tem maturidade suficiente para oferecer para ela aquilo que ela realmente deseja – segurança, divisão de responsabilidades, companheirismo, amor e, é claro, a possibilidade de formar uma família.

A partir do momento em que esse primeiro conflito é desencadeado, “Terapia do Amor” deixa de ser uma comédia romântica e passa a ser uma tragicomédia familiar, pois procura dar mais ênfase à construção de suas personagens - e, por consequência, dos relacionamentos que se estabelecem entre elas. Dessa maneira, a platéia fica sabendo que David também tem os seus próprios conflitos – ele foi criado em uma família judaica tradicional e tudo o que David realmente deseja ser e fazer vai de encontro às convicções de sua família. Mas, nenhum desses conflitos se equipara ao de Lisa Metzger, afinal a psicanalista de Rafi descobre que o jovem que está deixando sua paciente nas nuvens é seu filho querido – por essa razão, Lisa não sabe se deve se comportar como a terapeuta de Rafi ou como a mãe de David.

Uma coisa é você assistir “Terapia do Amor” sem ter visto o trailer do filme. E outra completamente diferente é você assistir “Terapia do Amor” tendo visto o trailer do mesmo. Com certeza, a experiência da descoberta entre a conexão inesperada entre os três personagens centrais de “Terapia do Amor” é mais excitante para aqueles que se encaixam no primeiro caso. No entanto, para aqueles que estão no segundo time, o filme guarda surpresas interessantes. “Terapia do Amor” não é uma típica comédia romântica. O filme trata de situações reais, de conflitos verdadeiros e tem um desfecho verossímil. Por isso mesmo, pode decepcionar a platéia acostumada aos filmes de comédia romântica mais “comuns” e que retratam relacionamentos idealizados e amores impossíveis – e, por quê não, irreais.

Cotação: 6,5

Crédito Foto: Yahoo! Movies

Tuesday, April 25, 2006

16 Quadras (16 Blocks, 2006)


Os cinéfilos de plantão se acostumaram a assistir ao ator Bruce Willis interpretando um certo tipo de herói de filmes de ação. Os seus personagens eram fortes, viris e decididos; possuíam senso de humor; e, ainda assim, conseguiam salvar o mundo de uma grande ameaça. Em “16 Quadras”, filme do diretor Richard Donner (responsável pela série “Máquina Mortífera”), Willis interpreta um tipo completamente diferente do seu normal. Seu Jack Mosley, um profissional que está em completa decadência tanto na vida pessoal como na profissional, é um homem de visual desleixado e que carrega uma proeminente barriguinha – um visual que lembra bastante o que os cinéfilos irão encontrar em breve no ator Vin Diesel (um outro herói de filme de ação) no filme “Find Me Guilty”, de Sidney Lumet.

Em “16 Quadras”, Jack Mosley tem uma função aparentemente muito simples: ele tem que transportar, por 16 quadras da cidade de Nova York, o jovem Eddie Bunker (Mos Def, talvez o mais talentoso dos rappers transformados em atores) até um tribunal de justiça. Estes seriam os 118 minutos mais simples da vida de Jack, no entanto Eddie é uma testemunha importantíssima de um caso contra policiais corruptos (alguns deles, inclusive, são amigos de Jack) – os quais querem ver Eddie morto antes de ele chegar ao tribunal. Ou seja, Eddie é um alvo móvel e Jack, sofrendo pressões de todos os lados e correndo contra o tempo, decide fazer aquilo que é o mais correto.

A trama de “16 Quadras” é muito similar à do filme “Assalto à 13ª DP”, do diretor Jean-François Richet. Nos dois filmes, os protagonistas são policiais, que fizeram algo de errado na sua carreira e entraram em completa decadência; mas que, no decorrer do desenvolvimento das tramas dos respectivos filmes, possuem a oportunidade de se redimirem e de brilhar novamente. No entanto, as semelhanças entre os dois filmes param por aí. “16 Quadras” pode oferecer a errada suposição de que se trata de mais uma história de redenção do herói errante; quando, na realidade, o filme não é tão simples assim e retrata uma fábula que ilustra a possibilidade de que o ser humano mude aspectos de sua personalidade.

“16 Quadras” é um dos melhores filmes de ação a estrearem nos últimos tempos. Além de possuir uma excelente trama, conta com atores inspirados. Bruce Willis, Mos Def e David Morse (que interpreta o ex-parceiro de Jack Mosley e um dos policiais corruptos que se interessam em ver Eddie Bunker morto) estão na sua melhor forma. O mesmo acontece com o diretor Richard Donner, que, depois de errar feio com o fraco “Linha do Tempo”, volta a um território que lhe é conhecido – o dos filmes policiais – e se redime ao mostrar que ainda existem diversas maneiras para se explorar um gênero que é tão clássico quanto os faroestes norte-americanos.

Cotação: 9,0

Crédito Foto: Yahoo! Movies

Saturday, April 22, 2006

Instinto Selvagem 2 (Basic Instinct 2, 2006)


A carreira da atriz norte-americana Sharon Stone pode ser dividida em antes e depois de “Instinto Selvagem”, filme que foi lançado em 1992. A película, que foi dirigida por Paul Verhoeven, colocava a atriz em cenas pra lá de quentes com o ator Michael Douglas. Depois deste filme, Sharon experimentou dias de glória, que culminariam com a indicação ao Oscar de Atriz Coadjuvante, em 1996, pela sua excelente interpretação como a esposa de Robert De Niro no filme “Cassino”, de Martin Scorsese. De lá para cá, Stone deu uma atenção mais especial à sua vida pessoal; mas, mesmo assim, ainda passou por maus bocados – incluindo um sério problema de saúde – e agora, para tentar recuperar a sua carreira, decidiu apelar para “Instinto Selvagem 2”, uma seqüência que vinha sendo adiada há tempos pelos produtores do filme.

“Instinto Selvagem 2”, do diretor Michael Caton-Jones, tem uma trama muito similar à do primeiro filme. A escritora de romances de mistérios Catherine Trammell (Stone) está mais uma vez envolvida com problemas com a lei. Depois dos acontecimentos retratados no primeiro filme, ela se mudou para Londres, aonde se transforma na suspeita número 01 do assassinato de Kevin Franks. A polícia inglesa não tem nenhuma pista que ligue a escritora ao crime e, para tentar arrancar algum detalhe da acusada, Roy Washburn – o policial encarregado da investigação – chama o psiquiatra Michael Glass (David Morrissey) para fazer uma avaliação psicológica de Catherine.

Quando encontra com Catherine pela primeira vez, Michael é um psiquiatra que está vivendo o auge de sua carreira profissional. Ele publica artigos freqüentemente e é o favorito para assumir uma vaga de professor em uma universidade da Inglaterra. Ele é íntegro e respeita a ética da sua profissão. Ou seja, no papel, Michael é o candidato perfeito para enfrentar a personalidade manipuladora, controladora, sedutora e ousada de Catherine. Mas, na prática, assim como o detetive Nick Curran em “Instinto Selvagem”, Michael se deixa influenciar pela persona marcante de Catherine e entra em um jogo de manipulação que faz com que o psiquiatra acredite que é ele quem está no controle da situação; quando, na realidade, quem está ditando as regras do jogo é a própria Catherine.

Se “Instinto Selvagem 2” foi um veículo feito para reavivar a carreira de Sharon Stone – e, talvez, para provar para a própria atriz que ela ainda é o símbolo sexual de quatorze anos atrás –, o tiro da atriz saiu pela culatra. O filme é muito fraco. Se Paul Verhoeven conseguiu manter o mínimo de dignidade no primeiro filme, Michael Caton-Jones ignora aquela linha tênue que separa o bom gosto da vulgaridade. No seu “Instinto Selvagem 2”, a barreira mais simples é ultrapassada e o filme, como um todo, fica igual aos livros escritos por Catherine Trammell: uma peça de ficção de quinta categoria.

Cotação: 2,5

Crédito Foto: Yahoo! Movies

Wednesday, April 19, 2006

O Sol de Cada Manhã (The Weather Man, 2005)


Dave Spritz (Nicolas Cage), o personagem principal do filme “O Sol de Cada Manhã”, do diretor Gore Verbinski, é o típico produto de uma sociedade fragmentada. Ele é um homem que está claramente em crise. Dave, aparentemente, tem uma vida estável e um bom trabalho como o “homem do tempo” de uma emissora de TV de Chicago. No entanto, quando o próprio Dave começa a fazer uma análise de sua vida, a platéia chega à conclusão de que ele vive pisando em cima de cascas de ovos.

Todos os relacionamentos de Dave são extremamente delicados. Com os seus telespectadores, por exemplo, o “homem do tempo” não sabe como se portar. Dave não quer ter a obrigação de ser simpático sempre e de ter que responder as mesmas perguntas sobre como será o clima no dia de hoje. Por causa disso, ele recebe, com freqüência, gestos de “carinho”, como ver serem atirados em sua direção restos de bebidas e de comida. A situação se complica quando a platéia observa o relacionamento familiar de Dave. Diante do pai Robert (Michael Caine) – um escritor vencedor de inúmeros prêmios literários –, e da ex-esposa Noreen (Hope Davis) e dos filhos Mike e Shelly; Dave tenta sempre parecer algo que não é e busca a aceitação daqueles a quem mais ama pelas maneiras erradas.

A maré de azar de Dave continua a partir do momento em que ele começa a receber uma série de notícias ruins. Seu pai está com câncer terminal, sua esposa está prestes a se casar novamente e seus filhos estão envolvidos em uma série de problemas – Mike acabou de sair da reabilitação e Shelly é constantemente humilhada pelos colegas de escola. Uma luz aparece quando Dave recebe uma proposta para ser o novo “homem do tempo” do “Hello America”, um programa matutino jornalístico de muito sucesso. No entanto, antes de aceitar a proposta de trabalho e de se mudar para Nova York, Dave irá entrar em uma jornada de autodescoberta e, ao tentar consertar o que existe de errado em seus relacionamentos, Dave começa a aceitar quem ele verdadeiramente é e, dessa forma, poderá se tornar uma pessoa melhor.

“O Sol de Cada Manhã” foi um filme que passou despercebido pelas salas de cinema dos Estados Unidos. Isso foi muito injusto com este filme. “O Sol de Cada Manhã” é um excelente trabalho mais intimista de Gore Verbinski – um diretor que ficou mais conhecido pelos seus filmes de maior apelo comercial, como “O Chamado” e “Piratas do Caribe – A Maldição do Pérola Negra” – e que conta com uma grande atuação de Nicolas Cage, que está perfeito ao interpretar um homem contido que libera suas emoções em poucos momentos. Não deixe que a mesma trajetória discreta se repita nas salas de cinema do Brasil. Descubra “O Sol de Cada Manhã”, pois ele merece ser encontrado.

Cotação: 8,5

Crédito Foto: Yahoo! Movies

Tuesday, April 18, 2006

Armações do Amor (Failure to Launch, 2006)


Uma das comédias românticas mais bem-sucedidas dos últimos anos foi “Hitch – Conselheiro Amoroso”, do diretor Andy Tennant, e no qual Will Smith interpretava um cara boa-pinta que tinha o objetivo de ajudar os homens a conquistarem as mulheres que eles consideravam como sendo os amores de suas vidas; mas que se atrapalhava completamente quando ele mesmo estava controlando as rédeas do jogo amoroso. No filme “Armações do Amor”, do diretor Tom Dey, Sarah Jessica Parker interpreta uma espécie de Hitch de saias, mas os dois personagens atuam de maneiras completamente diferentes.

Paula (Parker) é uma espécie de “intermediadora profissional”, ou seja, ela é contratada pelos pais de algum homem que teima em não sair da residência oficial da família para simular uma espécie de relacionamento amoroso com seu filho e, em conseqüência disso, fazer com que ele ganhe uma auto-estima e queira começar uma vida mais independente bem longe da proteção e da segurança que o lar paterno e materno oferecem. A mistura de negócios com prazer sempre aconteceu de uma maneira muito natural para Paula, mas, a partir do momento em que ela é contratada para “ajudar” Tripp (Matthew McConaughey), um vendedor de barcos de 35 anos, a mescla de trabalho e prazer se transformará em um composto altamente explosivo.

Um dos elementos mais interessantes de “Armações do Amor” é que o filme revela os dois lados opostos da sua história com a mesma importância. De um lado estão os tipos formados por Tripp e seus amigos Ace (Justin Bartha, que fez o infame “Contato de Risco” com o então casal Jennifer Lopez e Ben Affleck) e Demo (Bradley Cooper, conhecido do público pela sua participação no seriado “Alias”) – homens que preferem “ter uma casa legal para voltar à noite” e que se recusam a enfrentar uma vida mais séria e responsável. E do outro, os pais dessas pessoas; seres ansiosos para ver os filhos fora de suas casas (sem sofrerem qualquer ameaça da “síndrome do ninho vazio”, que afeta muitos casais que se vêem sozinhos novamente depois que os filhos vão embora) e ganhando amadurecimento ao cometerem erros e acertos.

Esse é somente um dos diferenciais de “Armações do Amor”, uma típica comédia romântica com todas aquelas situações que são de praxe nos filmes do gênero, mas que consegue deixar uma boa impressão na platéia, pois apresenta para os espectadores, com bom humor e senso total de realidade, uma situação que poderia ser considerada patética por qualquer pessoa normal – o fato de que um homem adulto não quer abandonar a segurança, o conforto e a comodidade do lar dos pais.

Cotação: 7,0

Crédito Foto: Yahoo! Movies

Wednesday, April 12, 2006

Irma Vap - O Retorno (2006)


“Irma Vap – O Retorno” é um filme cheio de talentos na frente e por trás das câmeras. A diretora Carla Camurati (que co-escreveu o roteiro do filme ao lado de Melanie Dimantas e de Adriana Falcão), por exemplo, é a responsável por aquilo que os críticos definem como o início da retomada do cinema brasileiro – quando ela lançou o filme “Carlota Joaquina – A Princesa do Brazil”, em 1995. Já os atores Marco Nanini e Ney Latorraca são dois monstros sagrados do teatro e da televisão brasileiras. Os dois entraram para o Guiness Book, o Livro dos Recordes, com “O Mistério de Irma Vap”, peça que ficou onze anos em cartaz e foi vista por cerca de dois milhões de espectadores – e, por isso mesmo, se tornou a peça que ficou por mais tempo sendo encenada.

Mesmo assim, “Irma Vap – O Retorno”, não é uma adaptação da famosa peça teatral; pelo contrário, o roteiro do filme a utiliza para fazer o retrato de uma nova história. Em “Irma Vap – O Retorno”, um famoso produtor teatral, depois de amargar muitos fracassos de bilheteria, falece; e seu filho ao lado de seu sócio (Marcos Caruso), como forma de homenagearem-no, decidem remontar aquela que foi a sua peça mais famosa: “O Mistério de Irma Vap”. O roteiro de “Irma Vap – O Retorno” segue justamente todo o processo de montagem da nova versão da peça.

E esse processo começará com alguns percalços. Quem detém os direitos da peça teatral é o ator Tony Albuquerque (Nanini), que ficou paralítico depois de um atropelamento. Tony depende diretamente da irmã Cleide (também interpretada por Nanini), uma ex-estrela infantil que ficou conhecida como “A Pequena Grande Cantora”. Para convencer Cleide a assinar os papéis de cessão dos direitos autorais da peça, os dois produtores teatrais convocam Darcy (Latorraca), o ator que contracenou com Tony na primeira versão de “O Mistério de Irma Vap” e que atualmente é um diretor teatral.

Depois dessa primeira parte, “Irma Vap – O Retorno” se dedica ao processo de montagem da peça e mostra, com detalhes, o trabalho de um diretor teatral, ao ressaltar a sua importância para a construção do perfil dos personagens e para o conseqüente trabalho que será realizado pelos atores. É também, neste momento, que Ney Latorraca e Marco Nanini abrem espaço para os jovens talentos Thiago Fragoso e Fernando Caruso – que interpretarão os papéis que foram deles na peça.

É por esses e outros detalhes que “Irma Vap – O Retorno” é um filme que faz uma grande homenagem ao meio do teatro. É nesse meio em especial que brilha a figura do ator. Por esta razão, no filme, o trabalho da diretora Carla Camurati – apesar de ser excelente – não chama muito a atenção. Ela deixa todo o filme pronto para os atores. São eles que brilham. E, assim como acontece no teatro, são eles que irão receber os louros finais da platéia.

Nota: 8,0

Crédito Foto: Yahoo! Movies

Saturday, April 08, 2006

V de Vingança (V for Vendetta, 2006)


Toda a ação de “V de Vingança”, do diretor James McTeigue, se passa em uma Inglaterra futurista, dona do poderio político do mundo. Um país aonde o medo é a principal matéria-prima do governo, que planta histórias mentirosas na imprensa para fomentar este sentimento, com o objetivo de lembrar ao povo por quê eles precisam tanto daquele tipo de governo. Um país aonde não existe liberdade e a população tem os seus direitos mínimos cassados – a rotina do povo está sujeita a um toque de recolher diário e à vigilância dos homens-dedo.

Ou seja, a história do filme poderia muito bem estar sendo passada nos Estados Unidos atuais (que, em “V de Vingança”, são uma nação em decadência, justamente como conseqüência para uma série de guerras que eles começaram a viver a partir do início da década de 2000). Ou, até mesmo, ser situada na Alemanha nazista – o governante máximo da Inglaterra de “V de Vingança” é o chanceler Adam Sutler, que usa um símbolo muito próximo da suástica do governo de Adolf Hitler e que fez dos homossexuais inimigos número um de seu regime.

Por causa disso, não é surpresa nenhuma observar que os dois personagens principais de “V de Vingança” são duas vítimas desse sistema de governo. Evey Hammond (Natalie Portman) é uma jovem que trabalha na emissora de televisão do governo inglês e que viu o seu irmão ser morto em decorrência de um ataque biológico e seus pais ativistas políticos serem presos e mortos. Já o “herói” do filme, V (Hugo Weaving), foi um dos que, na condição de prisioneiro, sofreu nas mãos do governo de Sutler; e, depois de ganhar a sua liberdade, decidiu entrar numa cruzada em busca da vingança e, mais precisamente, da justiça que deixou de existir a partir do momento em que Sutler ascendeu ao poder na Inglaterra.

A partir das ações de V, o roteiro do filme deixa claro qual é a sua intenção: mostrar que as idéias têm o poder de mudar o mundo e de que o povo é o motor principal para que estas mudanças aconteçam. Para os Irmãos Wachowski (autores do roteiro de “V de Vingança”), é o governo que tem que temer a população, e não o contrário. Dessa forma, “V de Vingança” é feito de muitas frases de grande efeito; porém, com certeza, as ações que a platéia vê serem retratadas no filme não devem ser usadas como fonte de inspiração. Existem melhores maneiras para se enfrentar governos intransigentes do que ficar explodindo prédios que representam anos e anos da história social e política de alguns países.

Os Irmãos Wachowski mudaram o curso do cinema contemporâneo quando lançaram, em 1999, o filme “Matrix”. Para suceder a trilogia do predestinado Neo, eles escolheram a história de “V de Vingança”, que foi baseada nos quadrinhos de Alan Moore. Uma história atual e procedente, mas que, nas mãos de James McTeigue, perde muito de sua força. Poucas cenas realmente são memoráveis, como aquela em que Evie sai na chuva, em que V enfrenta os homens de Creedy e em que o Parlamento inglês é explodido. É melhor prestar atenção mesmo ao roteiro do filme, que pode ser resumido perfeitamente por uma frase que o personagem V repete muito no decorrer de “V de Vingança”: “os artistas usam as mentiras para contar a verdade”.

Crédito Foto: Yahoo! Movies

Tuesday, April 04, 2006

Quando um Estranho Chama (When a Stranger Calls, 2006)


O diretor Wes Craven é considerado o mestre no gênero de terror. Craven é o responsável pela criação de uma das figuras mais míticas do gênero, o assassino Freddy Kruger, estrela da série “A Hora do Pesadelo”. Craven também viu o renascimento do gênero de terror, quando ele se uniu ao roteirista Kevin Williamson (criador do seriado “Dawson`s Creek”) e idealizou a série “Pânico”. Neste filme, o diretor e o roteirista criaram uma cena que ficaria marcada na história do gênero: Drew Barrymore interpretava uma estudante que entrava numa espécie de jogo pelo telefone – uma brincadeira que começou inocente até evoluir para a morte da personagem que a atriz interpretava.

“Quando um Estranho Chama”, do diretor Simon West – apesar de ter sido baseado no roteiro do filme “Mensageiro da Morte”, que foi lançado em 1979 –, meio que estica a cena de Drew Barrymore em “Pânico”. Jill Johnson (Camilla Belle) é uma estudante do colegial que não está vivendo uma boa fase – ela acabou de ser traída pelo namorado com a sua melhor amiga, Tiffany. Além disso, a garota extrapolou todos os limites na sua conta de celular. Em decorrência disso, Jill recebe um castigo do pai: não poderá usar seu celular ou dirigir seu carro durante um mês e, para completar, perderá a maior festa do ano, pois foi obrigada a passar a noite trabalhando como babá. Esta seria mais uma noite normal de trabalho para Jill, se não fosse uma série de telefonemas estranhos que ela começa a receber e que tiram o seu sossego.

"Quando um Estranho Chama” é um filme que reúne alguns elementos que são típicos de filmes de terror. A casa na qual Jill trabalhará durante a noite, por exemplo, é muito estranha; fica localizada no meio do nada; é bastante espaçosa, com muitos ambientes; e, por causa disso, é extremamente solitária – tendo em vista que, dentro da residência, mal dá para se ver os outros habitantes da casa (a empregada Rosa, além das duas crianças que estão sob a responsabilidade da estudante). Jill é a típica heroína dos filmes de terror, ou seja, é esperta e, depois de um susto inicial, se revela bastante corajosa para enfrentar o seu algoz. O inimigo de Jill também é um elemento recorrente dos filmes do gênero: no decorrer de “Quando um Estranho Chama”, Jill e a platéia mal vêem o seu rosto, não sabem quem ele é, mas conhecem a sua voz de maneira íntima. Tanto Jill quanto a platéia sabem que o inimigo é extremamente perigoso, mas nunca fica certa qual é a motivação para o crime que ele está prestes a cometer.

Além de “Quando um Estranho Chama” se inspirar na cena inicial de “Pânico”, podem ser notadas, no decorrer do filme, referências a um outro filme de Wes Craven: “Vôo Noturno”. Assim como neste filme, em “Quando um Estranho Chama” a ação principal do filme se passa dentro de um mesmo ambiente e o tempo de duração da película é extremamente enxuto. No entanto, falta em “Quando um Estranho Chama” um roteiro que não suscite tantas dúvidas na platéia (pouco acontece na maior parte do filme e, de repente, no quarto final da película, tudo começa a ocorrer); o que faz com que o filme de Simon West não consiga obter a qualidade dos filmes dirigidos pelo mestre do terror.

Crédito Foto: Yahoo! Movies

Saturday, April 01, 2006

A Era do Gelo 2 (Ice Age - The Meltdown, 2006)


No filme “A Era do Gelo, um pequeno personagem acabou roubando a cena de toda a história: o esquilo Scrat. O animalzinho, que aparecia em poucos momentos do filme, é o personagem mais persistente de toda a trama da série de animação "A Era do Gelo” – tendo em vista que ele, apesar de todas as dificuldades, nunca desiste de ir atrás de uma noz que ele tanto quer. Em “A Era do Gelo 2”, continuação da animação de 2002, Scrat ganha bem mais espaço na narrativa da história, e continua a servir como ponto de ilustração da trama que é considerada a principal.

Em “A Era do Gelo 2”, o tigre dente-de-sabre Diego (dublado por Márcio Garcia na versão nacional e por Denis Leary na original), o mamute Manny (dublado por Diogo Villela na versão nacional e por Ray Romano na original) e o bicho-preguiça Sid (dublado por Tadeu Mello na versão nacional e por John Leguizamo na original) se preparam para enfrentar um desafio ainda maior. Depois do ápice da Era do Gelo, os três amigos se deparam com a decadência dessa era em decorrência do aquecimento global e do derretimento do gelo – fato que pode ocasionar a destruição do vale aonde os bichos moram. Por causa disso, Diego, Manny e Sid devem reunir suas forças e alertar a todos os animais que moram no vale para que cada um deles procure proteção do dilúvio que está por vir.

Ao mesmo tempo em que lida com o assunto do aquecimento global, “A Era do Gelo 2” também toca em um tema bastante delicado da discussão ambiental: a extinção dos animais. Muitos acreditam que Manny é o único mamute a habitar o vale e que, por isso, a sua espécie deve estar ameaçada de desaparecimento. Quando os três amigos descobrem a presença de Ellie (dublada por Cláudia Jimenez na versão nacional e por Queen Latifah na original), uma mamute que pensa ser um gambá, Manny começa a visualizar a idéia de poder, enfim, perpetuar a sua espécie.

“A Era do Gelo 2”, do diretor brasileiro Carlos Saldanha, é um filme de animação que se diferencia de qualquer outro exemplar do gênero. Além do filme tratar das questões ambientais – que fazem parte da preocupação geral de toda a sociedade –, a animação também faz referências à filmes como “Missão Impossível II” e até mesmo à histórias bíblicas (os animais que vão em bando à procura de proteção contra um dilúvio que poderia destruir o mundo parece mais uma versão meio distorcida da Arca de Noé). Da mesma forma, “A Era do Gelo 2” reforça a figura da família, pois é preciso que Manny, Diego e Sid passem por situações completamente difíceis para que eles finalmente valorizem que o relacionamento que eles estabeleceram é a única fonte de força, apoio e de amor que eles sempre irão conhecer. O resultado de tanta mistura é um filme que irá agradar a platéias de todas as idades.

Crédito Foto: Yahoo! Movies

Wednesday, March 29, 2006

Espíritos - A Morte Está ao seu Lado (Shutter - They Are Around Us, 2004)



Nos últimos anos, as platéias de cinema de todo o mundo têm descoberto o cinema produzido no oriente. Alguns críticos consideram o tipo de cinema produzido nos países orientais como o mais inovador da atualidade. A verdade é que os filmes orientais já começam a produzir seus efeitos na maior indústria cinematográfica mundial – a hollywoodiana –, tendo em vista que muitos de seus filmes já foram ou estão em processo de serem refeitos pelos profissionais norte-americanos. Um dos gêneros mais populares do cinema oriental no mundo ocidental é o de terror – que foi bem representado pelos filmes japoneses “Ringu” e “Dark Water”. Agora, os cinéfilos têm a oportunidade de conhecer um outro filme desse gênero, “Espíritos – A Morte Está ao Seu Lado”, do diretor Banjong Pisanthanakun, que foi produzido na Tailândia.

O filme começa quando um grupo de quatro amigos está reunido para comemorar o casamento de um deles. No final da festa, o casal formado pelo fotógrafo Tun e por Jane está voltando para casa quando atropelam acidentalmente uma mulher. Assustados, os dois fogem da cena do crime. Nos dias seguintes ao acidente, Tun e Jane serão atormentados por pesadelos e visões; e as fotos tiradas por Tun começam a aparecer desfocadas e manchadas.

Com o objetivo de tentar entender tudo o que está acontecendo com eles, Tun e Jane começam a investigar o caso. Os dois voltam à cena do atropelamento e não visualizam nenhum rastro do crime que cometeram. O casal também irá encontrar, na sua busca, outras fotografias com o aparecimento de pessoas que já estão mortas e, em decorrência disso, procuram especialistas em retratos de espíritos, para que eles possam explicá-los como um espectro de alguém pode aparecer no meio de uma foto. A explicação que é oferecida para Tun e Jane é bem simples: um espírito aparece, às vezes, pois não consegue ficar longe daqueles a quem ama ou então porque ele tem uma mensagem a transmitir para aqueles que ainda estão vivos.

O tempo mostrará para Tun e Jane que o que está lhes atormentando é uma pessoa do passado de Tun – uma ex-namorada que o amou muito, mas que não foi correspondida da maneira que imaginava e, por isso, foi abandonada por ele. A partir dessa descoberta, começa uma nova luta: a para fazer com que essa ex-namorada de Tun seja libertada antes que o espírito dela se apodere das vidas de Tun e Jane.

“Espíritos – A Morte Está ao Seu Lado” é um típico terror psicológico, com poucas imagens realmente assustadoras – e quando elas aparecem estão relacionadas a temas icônicos dos filmes de terror do oriente, como o perigo da água e as mulheres apavorantes escondidas por trás de enormes cabelos. No entanto, “Espíritos – A Morte Está ao Seu Lado” sai de um lugar comum quando consegue um diálogo com filmes como “Eu Sei o que Vocês Fizeram no Verão Passado” ao mostrar que, mais cedo ou mais tarde, toda má ação não passará impune. Alguém sempre irá cobrar o preço daquilo que foi feito.

Crédito Foto: Cinepop

Tuesday, March 28, 2006

Uma Comédia Nada Romântica (Date Movie, 2006)


Os filmes da série “Todo Mundo em Pânico” recuperaram, ainda no início desta década, um gênero que andava meio desaparecido: aquele que se propõe a fazer paródias de situações que foram retratadas em filmes que fizeram muito sucesso nas bilheterias. O alvo especial dos criadores dessa série eram os filmes de terror. Com “Uma Comédia Nada Romântica”, filme do diretor Aaron Seltzer (que também co-roteirizou o filme ao lado de Jason Friedberg), as comédias românticas – talvez o gênero cinematográfico mais popular – passaram a ser os objetos de piadas.

As paródias são inseridas como um meio de ilustrar a história das duas personagens principais do filme: a garçonete Julia Jones (Alyson Hannigan, que fez a série “American Pie”), uma mocinha romântica à moda antiga – e que acredita que o príncipe encantado vai aparecer com sua armadura prateada num cavalo branco; e Grant Funckyerdoder (Adam Campbell), a pessoa que Julia acredita ser o seu príncipe encantado.

Julia e Grant se apaixonam num programa estilo “The Bachelor” e planejam o seu casamento, o que faz com que o filme seja considerado uma paródia de “Entrando Numa Fria” e “Entrando Numa Fria Maior Ainda”, tendo em vista que, neste processo, os dois irão conhecer as suas respectivas famílias. No entanto, no meio da história de amor de Julia e Grant ainda encontramos cenas pontuadas de referências aos filmes de comédia romântica que mais obtiveram sucesso nos últimos anos, como: “O Diário de Bridget Jones”, “Doce Lar”, “Casamento Grego”, “Um Casamento à Indiana”, “O Casamento do Meu Melhor Amigo”, “Uma Linda Mulher”, “Penetras Bons de Bico”, “Um Lugar Chamado Notting Hill”, “Sr. e Sra. Smith”, “Sintonia de Amor”, dentre outros.

“Uma Comédia Nada Romântica” ainda faz referências a comerciais de TV, como o de uma rede de lanchonetes dos Estados Unidos e que foi protagonizado pela socialite Paris Hilton e que também foi recentemente parodiado no clipe “Stupid Girls”, da cantora Pink; e a programas de TV, como “Pimp My Ride”, da MTV, que transforma carros velhos em máquinas novas, potentes e modernas. E ainda recebe a participação especial de personalidades que só se destacam nesse tipo de filme, como a dublê de atriz Carmen Electra.

"Uma Comédia Nada Romântica” é um filme que tem a mesma estrutura das películas da série “Todo Mundo em Pânico” – por isso não faz questão de ter nexo algum, é uma diversão descompromissada e que se apóia basicamente naquelas situações de comédia escatológica e nas piadas de extremo mau gosto. Se você gosta desse tipo de filme, então irá aguardar com ansiedade o mês de abril, quando “Todo Mundo em Pânico 4” estréia na salas de cinema de todo o Brasil. Mas, se você quer fugir de filmes como “Uma Comédia Nada Romântica”, então assista ao brasileiro “Como Fazer um Filme de Amor”, de José Roberto Torero, que brinca com os filmes de comédia romântica de maneira bem mais inteligente – ao mostrar a receita para se fazer um bom filme do gênero.

Crédito: Yahoo! Movies

Saturday, March 25, 2006

O Plano Perfeito (Inside Man, 2006)


A narrativa de “O Plano Perfeito”, novo filme de Spike Lee, está dividida em três eixos. Todas as três histórias possuem uma característica em comum: as personagens estão colocando em prática um plano. Como veremos no decorrer do filme, cada um desses planos, à sua maneira, é perfeito; e seguem duas premissas básicas: a de que uma ação – não necessariamente ela precisa ser boa ou ruim – justifica a outra e a de que os fins justificam os meios – tendo em vista que as personagens principais do filme farão de tudo para conquistar aquilo que desejam.

Dalton Russell (o ator inglês Clive Owen, que passa a maior parte do filme escondido por trás de uma máscara) é o líder de uma quadrilha de assaltantes que decidiu roubar o Manhattan Trust Bank, que fica localizado na cidade de Nova York. Dalton é, sem dúvida, a personagem que é mais revelada no filme e o seu plano é o mais nítido de todos – uma vez que a colocação do assalto ao banco em prática é a trama principal de “O Plano Perfeito”.

Keith Frazier (Denzel Washington) é um detetive de polícia que está com a carreira profissional em risco desde que se tornou suspeito de ter desviado um dinheiro apreendido em uma operação policial. A oportunidade que ele esperava para reconstruir a sua carreira – e receber a tão sonhada promoção a detetive de primeiro escalão – aparece quando seu chefe o designa – junto com o seu parceiro Bill Mitchell (Chiwetel Ejiofor, de “Coisas Belas e Sujas”) – para liderar as negociações entre os policiais e os assaltantes do Manhattan Trust Bank.

Madeleine White (Jodie Foster) é a personagem mais misteriosa de “O Plano Perfeito”. Nós não temos certeza do que ela faz, mas ela tem conexões muito importantes e, aparentemente, socorre as pessoas mais ricas quando elas estão querendo solucionar discretamente um grande problema. Madeleine entra no eixo principal de “O Plano Perfeito” quando Arthur Case (Christopher Plummer), o presidente do Manhattan Trust Bank, pede para que ela tente evitar que um documento que ele guarda a sete chaves num cofre particular no banco seja revelado – e que mostra que toda a sua fortuna foi construída a partir de um relacionamento comercial que ele estabeleceu com os nazistas.

O roteiro do estreante Russell Gewirtz é muito engenhoso e prega várias brincadeiras na platéia (no roubo do Manhattan Trust Bank, por exemplo, os ladrões e os reféns vestem as mesmas roupas e a platéia nunca sabe ao certo quem é bandido ou quem é refém; o mesmo acontece com Frazier e Mitchell, que, ao tomarem os depoimentos daqueles que estavam no banco, não sabem se estão lidando com os criminosos ou com as vítimas). No entanto, se os planos particulares de Dalton, Frazier e Madeleine são perfeitos, o roteiro de Russell Gewirtz sofre com algumas falhas – especialmente na trama da personagem interpretada por Jodie Foster.

“O Plano Perfeito” pode ter despertado algumas dúvidas nos fãs da filmografia do diretor Spike Lee, afinal nunca alguém iria imaginar que o diretor nova-iorquino poderia se aventurar num cinema mais mainstream e que conta a história de um assalto à banco. Mas, Spike Lee não decepciona e dirige o filme com competência. No meio de uma ação de primeira linha, Lee ainda consegue inserir sua assinatura particular em alguns momentos de “O Plano Perfeito”, como numa cena em que vemos um close de um cartaz que diz que os nova-iorquinos “nunca vão esquecer” (numa referência clara aos atentados de 11 de setembro – as conseqüências dos atos terroristas na vida dos nova-iorquinos foi tema de fundo do seu último filme “A Última Noite”) e quando vemos questões raciais emboladas no meio da trama de “O Plano Perfeito” – um funcionário de origem sikh do Manhattan Trust Bank, quando é libertado pelos assaltantes, é confundido logo com um terrorista árabe, por isso, automaticamente, os policiais pensam que ele carrega consigo uma bomba.

Crédito Foto: Yahoo! Movies

Wednesday, March 22, 2006

Anjos da Noite - Evolução (Underworld - Evolution, 2006)


Quando “Anjos da Noite – Underworld”, filme do diretor Len Wiseman, estreou nas salas de cinema do Brasil em 2004, o filme deu a impressão geral de que fazia um apanhado de todos os elementos visuais que estão presentes em filmes dignos da era da alta tecnologia como “Matrix” e as animações japonesas; ao mesmo tempo em que utilizava personagens (vampiros e lobisomens) de tradição milenar. “Anjos da Noite – Underworld”, é verdade, reunia essas idéias velhas e as apresentava como novas, mas não foi um filme marcante na época – apesar do sucesso que fez nas bilheterias de todo o mundo.

Eis que, em 2005, estréia a continuação deste filme, chamada “Anjos da Noite – Evolução”, do mesmo diretor Len Wiseman. A segunda parte repete basicamente a premissa do primeiro filme: há 8 séculos, os vampiros e os lobisomens se debatem em uma guerra sangrenta. A diferença agora é que Len Wiseman nos apresenta o por quê desta guerra acontecer: os dois filhos de Alexander Corvinus, Marcus (um ser híbrido, ou seja, metade vampiro e metade lobisomem) e William (um lobisomem) se digladiavam entre si, liderando as suas respectivas raças. Quem solucionou – por um primeiro momento – esta guerra foi Viktor (Bill Nighy), aquele que, em “Anjos da Noite – Underworld”, era o líder maior dos vampiros. Foi justamente desta guerra entre irmãos que saíram todas as crenças nas quais os vampiros acreditavam e quem assistiu ao primeiro filme bem sabe que Selene (a atriz inglesa Kate Beckinsale) desmascarou tudo aquilo que Viktor ensinou aos vampiros.

“Anjos da Noite – Evolução” retoma a história da vampira Selene e do híbrido Michael Corvin (Scott Speedman) – um descendente direto de Alexander Corvinus – do momento em que “Anjos da Noite – Underworld” terminou: da morte de Viktor. Selene agora, depois de servir fielmente aos vampiros por 6 séculos, passa a lutar sozinha, tentando restabelecer a ordem e acabando com o caos instalado por Viktor e seu servo Kraven no primeiro filme. Já Michael tenta lidar com a sua nova condição e tenta aprender a controlar a sua força e seus instintos. Mas, assim como no primeiro filme, Selene e Michael têm que enfrentar mais um inimigo que quer unir as duas raças inimigas e transformá-las numa combinação poderosa. Agora é Marcus quem renasce das cinzas e quer encontrar o corpo de William e se tornar o Deus de uma nova raça mais forte e imbatível.

“Anjos da Noite – Underworld” foi um sucesso surpreendente em todo o mundo. Em decorrência disso, para fazer “Anjos da Noite – Evolução”, o diretor Len Wiseman teve um orçamento bem mais generoso. A continuação é uma produção bem mais caprichada e com efeitos visuais bem melhores do que aqueles vistos no primeiro filme. “Anjos da Noite – Evolução” continua a ser uma fórmula requentada, mas, acredite se quiser, esse não foi o maior erro cometido por Len Wiseman. Apesar de “Anjos da Noite – Evolução” fazer muitas referências à trama do primeiro filme, a continuação só irá fazer sentido para aqueles que assistiram “Anjos da Noite – Underworld”. Do contrário, o espectador que assiste a esta história pela primeira vez ficará completamente confuso. Isso não é um bom sinal quando você se propõe a fazer uma continuação e, a julgar pela intenção dos produtores de fazer um terceiro filme da série, é bom que eles prestem atenção nisto na terceira parte de “Anjos da Noite”.

Crédito Foto: Yahoo! Movies

Friday, March 17, 2006

Mulheres do Brasil (2006)


O filme “Mulheres do Brasil”, de Malu de Martino, conta a história de cinco mulheres espalhadas por cinco estados brasileiros. Todas essas histórias irão revelar um aspecto característico de nossas mulheres – com ênfase especial ao caráter sonhador, amoroso e dedicado de cada uma delas. A primeira é Esmeralda (Camila Pitanga). Como filha única de um casal baiano, Esmeralda sempre teve tudo o que quis: fez aulas de balé, de piano, de inglês e estudou em colégios católicos. Esmeralda parece um personagem saído de um romance de Nelson Rodrigues e, enquanto tinha uma postura recatada perante sua família, fora de casa se revelava uma mulher fatal, que sofreu com as armas do jogo da conquista amorosa.

A segunda mulher é a alagoana Ana (Luana Carvalho, filha da cantora Beth Carvalho). Assim como Esmeralda, Ana nasceu em uma família que lhe proporcionou tudo aquilo que ela queria. Todos os passos de sua vida foram planejados exaustivamente pelos seus pais. E, quando Ana se vê prestes a terminar uma faculdade (de turismo) que não a entusiasma, ela começa a sentir a necessidade de conhecer o mundo e de tentar entender quem ela realmente é e quais os rumos que ela gostaria de dar à sua vida.

A terceira é a carioca Telma (Roberta Rodrigues, que foi revelada no filme “Cidade de Deus”). Ao contrário de Ana e Esmeralda, Telma tem uma vida muito sofrida: mora em uma favela, cuida de sua mãe cega e de sua irmã caçula e trabalha conferindo o estoque de um supermercado. Como se isso não fosse suficiente, Telma ainda carrega uma grande responsabilidade: a de, na condição de porta-bandeira da Acadêmicos da Grande Rio, empunhar o pavilhão da escola no desfile das escolas de samba e ajudá-la a se tornar a grande campeã do carnaval carioca.

A quarta é a paranaense Martileide (Carla Daniel, filha do diretor Daniel Filho), que, como muitas mulheres trabalhadoras brasileiras, está cansada do seu dia-a-dia e sonha com uma vida melhor para si. Martileide quer encontrar um grande amor, um homem que fizesse com que ela levasse uma vida, literalmente, de princesa.

E, finalmente, a quinta mulher é a paulista Laura (Bete Coelho), uma recém-divorciada, que está na casa dos quarenta anos, desempregada, e luta desesperadamente para recolocar a sua vida (profissional e pessoal) nos eixos.

"Mulheres do Brasil” tem uma estrutura narrativa muito interessante, a qual mistura ficção com documentário – uma vez que cada uma das cinco histórias são ilustradas com depoimentos de pessoas reais (as romeiras de Bom Jesus da Lapa na história de Esmeralda; as rendeiras do Pontal na de Ana; as portas-bandeiras na de Telma; as prostitutas de Curitiba na de Martileide e as mães viúvas, solteiras e desquitadas na de Laura). Nem sempre essa mistura irá funcionar e a impressão que a platéia tem é a de que o filme não tem um elo definido e as suas histórias estão soltas.

“Mulheres do Brasil” estreou nas salas de cinema de todo o país na semana em que se comemorou o Dia Internacional da Mulher. O filme é realmente um grande esforço feminino – tendo em vista que a maior parte da equipe técnica do filme, sem contar aquelas pessoas que vemos na frente das câmeras, são mulheres. No entanto, “Mulheres do Brasil” sofre claramente com a ausência de um aspecto fundamental para qualquer filme: ele não emociona a platéia e não faz com que ela se envolva com a história que ele pretende contar. As mulheres brasileiras mereciam uma homenagem muito melhor do que essa.

Crédito Foto: Yahoo! Cinema

Saturday, March 11, 2006

O Matador (The Matador, 2005)


Julian Noble (Pierce Brosnan, numa performance que lhe deu uma indicação ao Globo de Ouro 2006 de Melhor Ator num Filme de Comédia ou Musical) só tem a nobreza no nome. Ele é um ser humano frio (a ponto de esquecer o seu próprio aniversário) e calculista que ganha a vida assassinando pessoas (ou, como o próprio Julian prefere dizer, ele é um facilitador – de negócios especialmente, uma vez que ele elimina os obstáculos para que acordos dos seus clientes sejam assinados). Em decorrência de sua profissão e até mesmo da sua personalidade, Julian é um homem solitário, de amigos e amores passageiros. Seu consolo são as bebidas e as mulheres.

Danny Wright (Greg Kinnear), na superfície, é uma pessoa mais completa. Tem a sua própria empresa de vendas e um casamento feliz com Bean (a excelente Hope Davis, que tem seu talento mal aproveitado neste filme). Mas, na realidade, Danny está quase chegando ao fundo do poço: perdeu o emprego (e, por isso, montou a sua empresa), o filho único em um acidente de ônibus e vê o seu negócio prestes a ir para a falência.

São estes dois personagens completamente opostos que comandam a narrativa do filme “O Matador”, do diretor Richard Shepard. Julian e Danny irão se conhecer no México, onde estão a trabalho – Julian para assassinar uma mulher e Danny para tentar assinar um contrato de vendas que será vital para a continuação da existência de sua empresa. E, contra todas as previsões, os dois se tornarão grandes amigos – afinal, tanto Julian quanto Danny enxergam um no outro aquilo que eles nunca serão ou terão coragem para fazer.

O encontro de Julian e Danny faz nascer uma estranha ligação emocional entre os dois, que influenciará o modo pelo qual os dois começaram a encarar a vida dali em diante. A mudança maior se dará em Danny, que trará para o seu dia-a-dia a ética do matador – no filme, os roteiristas aliam a ética do assassino à de um toureiro, ao mostrar que ambos tentam dar às suas vítimas fins mais honrosos, o que significa fazer com que essas vítimas morram sem sentir dor. Já Julian passará a sentir mais o peso das conseqüências dos atos que comete em nome de sua profissão.

No final de 2005, foi anunciada a decisão dos produtores da franquia James Bond sobre a saída de Pierce Brosnan do papel principal – e que lhe alçou à fama mundial. De acordo com os produtores, a mudança era necessária para reciclar a franquia e torná-la mais atraente ao público jovem. Talvez esses produtores não tenham assistido à “O Matador”, um filme com elementos bastante atuais – a começar pela linguagem visual, pela trilha sonora e pela constante ironia de seu roteiro, que agradará à platéia de todas as idades. Definitivamente, “O Matador” marca um novo ciclo na carreira de Pierce Brosnan e, se ele seguir este caminho, com certeza ele terá um excelente futuro longe da franquia do espião mais famoso do mundo.

Crédito Foto: Yahoo! Movies

Friday, March 10, 2006

Firewall - Segurança em Risco (Firewall, 2006)


O ator norte-americano Harrison Ford pautou a sua carreira em cima de homens comuns que são obrigados a virar o jogo por causa de situações adversas que acabam enfrentando em suas vidas. No filme “Firewall – Segurança em Risco”, do diretor Richard Loncraine (o mesmo de “Wimbledon – O Jogo do Amor”), ele interpreta mais um desses personagens: Jack Stanfield, o vice-presidente de segurança de um banco multinacional. No início de “Firewall – Segurança em Risco”, Jack está cheio de problemas para lidar – todos eles relacionados à fusão do banco em que trabalha com outro grupo financeiro. Mas, no decorrer do filme, ele terá que enfrentar um problema ainda maior: o seqüestro de sua esposa Beth (Virginia Madsen, conhecida pelo seu papel no filme “Sideways – Entre Umas e Outras”) e de seus dois filhos.

O seqüestro da família de Jack foi planejado por Cox (Paul Bettany) – um criminoso que fez bem o seu dever de casa, uma vez que ele conhece bem a rotina, os pontos fracos, os pontos fortes e as maiores vulnerabilidades de cada membro da família de Jack. O plano de Cox e de seus comparsas é aparentemente perfeito e visa a um único objetivo: fazer com que Jack quebre todos os sistemas de segurança que ele desenvolveu para o banco e roube o total de 100 milhões de dólares das contas dos clientes mais ricos da instituição.

É a partir desse momento em que o personagem de Harrison Ford entra no seu maior conflito. Se por 20 anos Jack protegeu os acionistas, correntistas e todo o banco no qual trabalha das fraudes cometidas pelos hackers e outros criminosos virtuais; agora, ao ver a sua família ameaçada de morte e seqüestrada, ele tem que tomar uma atitude, a qual implica deixar de lado a condição de homem de família e de funcionário exemplar para se transformar em um verdadeiro leão, que está disposto a tudo para ver a sua família salva – bem como a sua própria pele, tendo em vista que os seqüestradores criaram uma complexa conspiração para incriminar Jack.

Um filme como “Firewall – Segurança em Risco” depende muito de um bom roteiro, que torne plausíveis os acontecimentos que a platéia vê serem retratados na tela. Nesse sentido, o roteiro de “Firewall – Segurança em Risco” é muito bem amarrado e sempre oferece à platéia as respostas para alguma coisa que não ficou claramente bem explicada. O roteiro ainda ganha uma força extra em decorrência da excelente atuação do vilão Paul Bettany (o que deixará muita gente ansiosa para ver o que ele irá fazer na pele de Silas, o grande antagonista de “O Código da Vinci”) e da eficiente presença de Harrison Ford, que prova que ainda tem fôlego para fazer filmes de ação.

“Firewall – Segurança em Risco” é um filme que aborda um tema muito atual: as altas tecnologias. Histórias como as retratadas no filme são bastante conhecidas do público brasileiro – basta dar uma olhada em qualquer telejornal para ver que seqüestros de famílias de gerentes de banco são uma situação comum por essas bandas. A diferença aqui é que estamos assistindo a uma peça de ficção, com uma edição caprichada, uma trilha sonora (do ótimo Alexandre Desplat) que sabe acentuar os momentos de maior tensão da história e, é claro, com aquele habitual final feliz.

Crédito Foto: Yahoo! Movies

Wolf Creek - Viagem ao Inferno (Wolf Creek, 2005)


O roteiro do suspense “Wolf Creek – Viagem ao Inferno”, do diretor Greg McLean, além de ser baseado em fatos reais, tem como premissa fundamental uma estatística altamente verdadeira: 90% das pessoas que desaparecem na Austrália são encontradas em um mês, enquanto os 10% restantes nunca serão encontrados. No caso particular de “Wolf Creek – Viagem ao Inferno”, os roteiristas preferem dar um enfoque na taxa percentual menor para contar a história de três mochileiros: o australiano Ben Mitchell (Nathan Phillips) e as turistas inglesas Liz Hunter (Cassandra MaGrath) e Kristy Earl (Kestie Morassi). Os três fazem amizade em uma praia da Austrália e decidem ir juntos em uma viagem de duas semanas pelo país, com uma parada rápida para conhecerem o Parque Nacional Wolf Creek, que abriga a segunda maior cratera do mundo, e fica localizado no coração do país australiano, em uma área completamente isolada do mundo.

A estrutura narrativa adotada pelo diretor Greg McLean para contar a história de “Wolf Creek – Viagem ao Inferno” acaba dividindo o filme em dois momentos distintos. O primeiro deles acontece durante a primeira hora do filme, quando o diretor privilegia o relacionamento que se estabelece entre Ben, Liz e Kristy. Como qualquer jovem em férias, o trio prefere se dedicar a muita diversão e muita paquera; e só interrompem os momentos de farra para irem conhecer a cratera de Wolf Creek, um lugar que se revelará fascinante e deslumbrante.

É justamente quando Ben, Liz e Kristy decidem continuar a sua jornada de duas semanas pela Austrália que “Wolf Creek – Viagem ao Inferno” dá uma virada e entra no seu segundo momento. A visita à cratera de Wolf Creek termina cheia de mistério, quando os três amigos notam que os seus relógios e o carro no qual eles estão viajando pararam de funcionar repentinamente. Os três entram em pânico, mas logo se acalmam quando recebem a ajuda de um motorista de caminhão, que decide levá-los até seu acampamento. Lá, a viagem de Ben, Liz e Kristy se tornará um terrível pesadelo recheado de atos de extrema crueldade e onde o perigo estará sempre à espreita.

Quando “Wolf Creek – Viagem ao Inferno” entra de vez no gênero do suspense, podemos notar uma série de influências de filmes recentes do gênero. A fotografia do filme remete ao visual documentarista e meio visceral de “O Massacre da Serra Elétrica” e “Madrugada dos Mortos” – e acertadamente coloca em primeiro plano as paisagens desertas da Austrália, o que contribui para a sensação que a platéia tem de que os três amigos estão longe de obterem a salvação. A edição passa a ter um ritmo ágil e não deixa escapar os momentos mais gráficos dos atos cometidos pelo caminhoneiro-assassino do filme. No entanto, a eficiência de “Wolf Creek – Viagem ao Inferno” em envolver a platéia na sua trama é comprometida pelo final do filme. A impressão que se tem é a de que o diretor Greg McLean estava com muita pressa em terminar a sua história. Em conseqüência disso, o final de “Wolf Creek – Viagem ao Inferno” é muito aberto e a platéia, além de ficar com a necessidade de maiores informações sobre tudo o que aconteceu, não ficará convencida de que assistiu a um filme com começo, meio e fim.


Crédito Foto: Yahoo! Movies


Friday, March 03, 2006

Previsões Oscar 2006

Em decorrência da falta de boas estréias nas salas de cinema da minha querida cidade Natal; e para o blog não ficar parado, vou falar hoje da 78a. entrega dos Academy Awards, que irá acontecer no domingo, 05 de março, com transmissão ao vivo da TNT e da Rede Globo (com aquela terrível tradução simultânea. Sorte sua, se você tiver tecla sap na sua TV).

Neste ano, iremos acompanhar um Oscar diferente. Há, nitidamente, uma mudança de pensamento da Academia. Ela, aparentemente, está mais aberta a um cinema mais independente, mais político e mais controverso. Cada filme indicado reflete um pouco da sociedade atual na qual estamos vivendo.

No entanto, é bom que nós, amantes do cinema, não fiquemos otimistas. O Oscar, apesar da abertura, continua a ser um prêmio de mercado. E os vencedores do prêmio serão aqueles que mais se adequem ao chamado sistema hollywoodiano.

Vamos, então, às minhas previsões para a noite mais importante do cinema:

Ator: Philip Seymour Hoffman, Capote
Ator Coadjuvante: Paul Giamatti, A Luta Pela Esperança
Atriz: Reese Witherspoon, Johnny & June
Atriz Coadjuvante: Rachel Weisz, O Jardineiro Fiel
Filme de Animação: Wallace & Gromit - A Batalha dos Vegetais
Direção de Arte: Memórias de uma Gueixa
Fotografia: Memórias de uma Gueixa
Figurinos: Memórias de uma Gueixa
Diretor: Ang Lee, O Segredo de Brokeback Mountain
Documentário: Murderball
Documentário de Curta-Metragem: God Sleeps in Rwanda
Edição: Crash - No Limite
Filme Estrangeiro: Tsotsi, África do Sul
Maquiagem: As Crônicas de Nárnia - O Leão, a Feiticeira e o Guarda-Roupa
Trilha Sonora Original: Memórias de uma Gueixa
Música Original: Travelin' Thru, Transamerica
Filme: O Segredo de Brokeback Mountain
Curta de Animação: One Man Band
Filme Curta-Metragem: Our Time is Up
Edição de Som: King Kong
Som: King Kong
Efeitos Visuais: King Kong
Roteiro Adaptado: O Segredo de Brokeback Mountain
Roteiro Original: Crash - No Limite

A sorte está lançada...